Que bom que a Dilma viu!

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Foi muito bom para os Jogos Olímpicos programados para 2016 no Brasil a ida da presidente Dilma Roussef a Londres. De seu lugar, junto com alguns ministros e mais uma centena e meia de mandatários de Estado (presidentes e primeiros-ministros internacionais), viu o mundo passar diante de seus olhos.

Com uma adolescência e juventude voltadas principalmente para a militância política, provavelmente pouco familiarizada com o esporte, o desfile inaugural dos Jogos Olímpicos, sem dúvida, deu-lhe uma dimensão da magnitude do compromisso que assumimos para o próximo quadriênio.

Não temos dúvida que esta visão vai refletir no grau de seriedade com que o próximo evento será encarado, levando-a a olhar mais de perto o ritmo e, principalmente, a correção das prestações de contas, evitando dessa maneira a cegueira com que o governo anterior acompanhou esta área nos Jogos Pan-americanos de 2008, permitindo a riqueza para os que se locupletaram com a gestão de recursos públicos destinados ao esporte.

Dilma viu de perto a responsabilidade de ser “anfitriã do mundo” e, naturalmente, não vai querer estourar o orçamento nacional.

Temos a certeza que ela vai ser fiscal do trabalho e, sem dúvida, afastar a demagogia populista dos políticos nos Jogos Olímpicos e, por extensão, na Copa do Mundo de 2014.

O máximo com o mínimo

Desde 2008 a economia mundial não atravessava um período de crise como o atual, que já superou o ocorrido em 1930.

Diariamente os meios de comunicação transmitem notícias desanimadoras das maiorias (para não dizer totalidade) das nações do mundo. As manchetes falam em desemprego, queda da produção e do consumo, carestia, diminuição do PIB e outros índices, envolvendo bancos e países.

Algumas nações estão na vanguarda das preocupações, entre elas a Espanha, Portugal, Irlanda, Itália. A pior colocação, porém, é a da Grécia, onde o único remédio prescrito foi reduzir salários e direitos da população.

Neste momento, algumas vozes começam a dizer que o endividamento grego, estopim que está pondo em risco até a unidade do euro, é decorrência das despesas que o país teve com a organização dos Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas. Não sai barato ser anfitrião do mundo. Os financiamentos em bancos um dia terão de ser pagos.

Os Jogos Olímpicos de 2016 do Rio de Janeiro e também o Mundial de Futebol de 2014 serão uma enorme fonte de despesas. O desejo de intermediar obras e serviços está jogando na estratosfera os gastos do orçamento estimulados pelas entidades internacionais. Os Jogos Pan-americanos de 2008 superaram em mais de dez vezes a previsão inicial.

Se as autoridades não vigiarem desde já a transparência das concorrências e das prestações de contas, poderemos, depois de 2016, nos tornar uma Grécia, não a da tradição esportiva, mas a das agruras econômicas.

Marina Silva, a glória foi do Brasil

Foi uma glória para o Brasil ver uma de suas cidadãs segurando uma das bordas da bandeira olímpica em um momento apoteótico da abertura dos Jogos de Londres. Entre seus companheiros nesta excepcional atribuição estavam o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, e personalidades que já receberam o Prêmio Nobel da Paz. Dividir esta tarefa com estas figuras é um ato honorífico que poucos brasileiros receberam em nossa história.

Marina não tem muito a ver com o Olimpismo, mas, naquele momento, não era somente sua campanha preservacionista que deveria ser aplaudida, mas antes de tudo a inclusão do Brasil em tão diminuto grupo de figuras que subiram ao pódio da cidadania e do prestígio.

Estranha foi a posição tomada por nosso ministro do esporte, Aldo Rebelo, criticando Marina nesta questão. Predominou nele a visão da política interna, muito pequena no contexto daquele amplo universo. Ele escondeu as mãos num momento grandioso que pedia aplausos.

As medalhas do “fair play”

As primeiras medalhas obtidas pelo Brasil nos Jogos Olímpicos simbolizaram um dos maiores gestos de “fair play” de toda a história do esporte do Brasil.

Elas foram conquistadas pela equipe de tiro ao alvo do nosso país, nos Jogos de 1920, em Antuérpia. A representação brasileira chegou a Bélgica com equipamento tão desatualizado em relação ao resto do mundo, com munição tão escassa e também não atualizada, que despertou a solidariedade dos Estados Unidos, país que naquela época já era uma potência econômica e olímpica.

Os norte-americanos cederam a nosso conterrâneo Guilherme Paraense e ao advogado (depois ministro) Afrânio Costa armas e munições modernas, excedentes daquela equipe.

No “stand”, na hora da prova, não deu outra: Paraense ficou com o ouro e Afrânio com a prata.

Eu ainda pretendo levantar o nome dos atiradores dos Estados Unidos, autores de tão nobre gesto, para propor ao Comitê do Fair Play do COI, sediado na Hungria, um prêmio especial “in memoriam” levando a um conhecimento mundial um fato que poucos conhecem, ocorrido há quase um século.

O simbolismo de 205 plaquetas

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Embora a solenidade de abertura destes Jogos Olímpicos tenha acontecido na última sexta-feira, o espetáculo apresentado para 4 bilhões de expectadores vai ser tema de comentários e observações por muito tempo, possivelmente anos.

Na cerimônia inaugural, a Grã Bretanha não perdeu a excelente oportunidade para contar a sua história e exibir seu patrimônio cultural. Deu o recado que é a pátria de Shakespeare e dos Beatles, recordando a todos que foi o berço da revolução industrial.

O Reino Unido entregou a um cineasta a tarefa de implementar um roteiro, cuja aprovação do público não foi unânime. Os elementos do cerimonial olímpico em si não receberam no contexto o realce que seria esperado. Para os amantes do Olimpismo e do Esporte (entre os quais se inclui o autor destas linhas), o valor social destes temas pareceu-me ter sido tratado como um sub-produto. O recado das magnitudes do país anfitrião deveria ter sido dado após o cerimonial olímpico propriamente dito, e não mesclado a ele.

INTERMINÁVEL

O fato que mexeu com uma convicção há tempos arraigada em mim foi uma frase publicada na primeira página de um dos principais veículos de comunicação impressa do país. Na matéria que cobria a inauguração dos Jogos, após citar minuciosamente as dezenas de artistas que apareceram no roteiro, o autor da reportagem escreveu: seguiu-se um “interminável“ desfile das delegações participantes.

Consistiu somente nesta ínfima linha a referência à parte principal do cerimonial da abertura do acontecimento de imensa significação que representa a união e a confraternização de toda a humanidade: na única manifestação de unanimidade existente em um mundo atual tão desigual, conturbado e dividido entre paixões, desamores e ódios.

Os privilegiados sentados em uma cadeira do estádio olímpico viram ao vivo o mundo passar diante de seus olhos, o que também ocorreu com os expectadores televisivos de maior sensibilidade do planeta Terra.

LIÇÃO DE GEOGRAFIA

Todas as nações, dos Estados Unidos ao Sudão Sul, da mais rica às mais pobres eram identificadas por uma tabuleta de medidas iguais. Eram iguais também nas competições disputadas entre elas. As dezenas de modalidades de que participavam tinham regras idênticas. Elas não concediam vantagem a nenhum concorrente, seja qual fosse a potencialidade econômica do país de sua proveniência. Na prova de 100 metros rasos, a distância a percorrer é a mesma para os concorrentes da Europa Central, da África, ou de alguma ilha perdida na imensidão do Pacífico. Também no futebol “association” nenhum participante tem o privilegio sobre os demais de poder pegar a bola com as mãos.

As rivalidades entre as nações existem, mas elas se resolvem com a aplicação das regras universalmente reconhecidas para as diversas disputas.

Quem viu o desfile “interminável” passar, repetimos, viu o mundo. Teve condições de entender como o esporte difundiu-se na totalidade das nações por mais minúsculas que elas sejam. Um fenômeno social gerador de saúde e recreação, por meio de uma capilaridade extraordinária, chegou a todos os cantos povoados de nosso planeta. A parada cívica que inaugurou os Jogos Olímpicos valeu como lição de geografia e, por mais culto que fosse o expectador, sempre havia uma ou outra nação que ele não sabia onde se localizava ou ignorava até a sua existência.

Atrás da uniformidade de cada tabuleta indicadora do nome do país desfilante, víamos a diversidade de aparência dos habitantes de nosso mundo. As delegações da Suécia, Finlândia ou Dinamarca, mostrando gente de cabelo loiro, de aparência característica dos nórdicos, completamente distinta daquela dos que participavam pelas nações do extremo oriente, como China e Japão, de olhos amendoados identificavam os povos orientais.

PREPONDERÂNCIA AFRICANA E DOS AFRODESCENDENTES

O que me impressionou muito neste desfile foi a presença quantitativa da raça negra no conjunto dos disputantes dos Jogos Olímpicos. É certo que não existe estatística desta presença, mas cremos que bem mais de sessenta por cento dos concorrentes olímpicos ou são negros puros ou mestiços, fato que indica uma ascensão sócio cultural da raça através dos tempos e, indiscutivelmente, é uma evolução da isonomia da humanidade. Eram minoria os países que não possuíam afrodescendentes em suas delegações olímpicas.

Um desfile olímpico é, de fato, “interminável”. Ele não para de mostrar realidades sociais de significação profunda e bela, como as que citamos.

No aspecto técnico, este equilíbrio transforma-se em superioridade. A final de algumas provas, principalmente no atletismo, chega a ter cem por cento de disputantes de ascendência africana (fato que se dá inclusive nos recordes olímpicos e mundiais), a ponto de sugerir um conceito exatamente oposto à ideia hitlerista da superioridade da raça ariana.

TODAS AS RELIGIÕES E ATÉ PAÍSES EM GUERRA

Talvez o mais belo de tudo naquele “interminável” desfile, na terminologia de um jornalista cego, foi mostrar como o Olimpismo eliminou qualquer radicalidade, ao fazer passar uniformemente gente de religiões diferentes: católicos, protestantes, seguidores de seitas do islamismo, espíritas, umbandistas ou xintoístas, e os seguidores de tantas outras crenças, até os que não acreditam em Deus nenhum.

Lá estavam países ligados às mais diferentes doutrinas políticas, mas aceitando sem discutir a beleza do Olimpismo e do Esporte. Ditadores aceitando sem questionar a igualdade democrática do Olimpismo. Países em guerra aceitavam a bandeira de cinco aneis e, num universo cheio de discórdia, juraram ser concorrentes leais.

Na Vila Olímpica, toda esta gente de origem tão diversa, concorrentes, técnicos e dirigentes vão desfrutar de intercâmbio saudável, falando uns para os outros o que acham sobre tudo. Vão ver os que os outros comem, o que cantam e o que dizem.

Fogos de artifício e outras exibições na festa inaugural são, sem dúvida uma atração, mas não se pode superar o mais importante que é o espírito olímpico. Usando a terminologia aristotélica, confundir essência com acidente.

Dizia o filósofo grego: “essência é a qualidade que faz que uma coisa seja o que ela é; acidentes são qualidades que podem ser ou não atribuídos a ela, mas que não alteram a essência”.

NENHUM “ROJÃOZINHO”

Na região em que eu moro está disseminada a comemoração por intermédio do rojão. Não exemplifiquemos apenas pelo jogo em que o Corinthians venceu a Libertadores da América e no qual o foguetório superou qualquer festa junina. A cada gol, não só a favor ou contra do alvinegro, mas de qualquer outro time de destaque como o Palmeiras ou o São Paulo, e até a Portuguesa tem, na minha quadra, alguém transformando em estouro a sua euforia.

Ficamos entristecidos em observar que quando o Brasil, o nosso país, marca seus gols nos jogos de futebol ou triunfa em qualquer outra modalidade, nestes Jogos Olímpicos não se ouve o espocar de nenhum “rojãozinho”, não se sente nenhuma demonstração sonora de nossa felicidade. A conquista de nenhuma medalha encontrou reciprocidade popular sonora.

Eu atribuo este fato a uma questão de cultura. O Olimpismo e o Esporte, vistos em sua globalidade, ainda não são escala de valores da maioria de nossa população. A transformação desejável é missão dos veículos de comunicação e principalmente das escolas. Eis uma meta para os Ministérios da Educação e dos Esportes e para a direção dos Conselhos Diretivos dos grandes jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão.

HUMOR DA HORA ERRADA

Sou amigo do humor, da piada e da gargalhada, mas igualmente acho que brincadeira também tem hora. Acredito que foi bastante impróprio quando, no desfile inaugural dos Jogos Olímpicos, foi mostrada a presença do humorista famoso Mr. Bean, praticamente “contracenando” com a Orquestra Sinfônica de Londres.

Nada contra incluir algo de hilário na programação, mas não junto a uma das maiores sinfônicas do mundo que demonstrava seu brilho em um momento apoteótico.

O diretor do espetáculo inaugural dos Jogos, Danny Boyle, deveria ter estudado antes de seu “script” um pouco mais da história e do significado do esporte do Olimpismo e a importância das partes que integram o cerimonial.

Nossa experiência olímpica

Foto: Gazeta Press

Henrique Nicolini já cobriu quatro Olimpíadas e ficou na retaguarda em outras quatro, inclusive em Londres-1948

Decidimos, nesse período de Jogos Olímpicos, aumentar a frequência da inserção do nosso Blog em A Gazeta Esportiva Net. Em nossa vida jornalística, cobrimos quatro jogos: Munique (1972) Los Angeles (1984), Seul (1988) e Barcelona (1992). Trabalhamos na “retaguarda” das disputas de Londres (1948) Helsinque (1952) Melbourne (1976) e Moscou (1980).

Muitas vivências integram uma experiência, com pormenores nem sempre divulgados no imenso universo do olimpismo.

Acesso a fontes de informação
Junto aos conhecimentos do lado jornalístico propriamente dito, existe ainda um acervo proveniente da minha vida na imprensa. Fui presidente da Federação Paulista de Natação, do Conselho Técnico de Esportes Aquáticos da Confederação Brasileira de Desportos (ao qual a natação estava vinculada), fui membro do Comitê Olímpico Brasileiro e Chefe da Comissão de Comunicação do COB durante os Jogos Olímpicos de Seul, funções diretivas que me permitiram tomar conhecimento de aspectos administrativos que somente no dia de hoje podem ser abertos ao conhecimento público.

Foi na olimpíada de 1948 em Londres, que o Brasil obteve a sua primeira medalha olímpica realmente válida. Em meu livro “Moacyr Daiuto Cátedra e Quadra”, publicado pela Editora Phorte, damos amplos detalhes desta conquista.

Desde 1948
Desde o estabelecimento dos Jogos da Era Moderna,  A Gazeta Esportiva cobriu os jogos com Caetano Carlos Paioli – Londres (1948) Helsinque (1952) Roma (1960) Tóquio (1964) México (1968) Montreal (1976) Moscou (1980); com Henrique Nicolini cobriu Munique (1972), Los Angeles (1984) Seul (1988) e Barcelona (1992); e com Olímpio da Silva e Sá cobriu os Jogos de Sidney (1956).

O termo olimpíada
Carlos Arthur Nuzman está processando o governo pelo uso do termo “Olimpíadas”. Há tempos, quando Monique Berlioux era secretária do Comitê Olímpico Internacional, este órgão registrou “Olimpíadas” como termo de sua propriedade, prerrogativa que passou para os Comitês Olímpicos Internacionais.

Agora, o presidente do COB abriu um processo na justiça contra o Ministério da Educação pelo uso do termo na “Olimpíada da Matemática”.

Esta atitude chega justamente, segundo o Estadão num momento em que Aloízio Mercadante pretende lançar a “Olimpíada do Conhecimento” que seria efetuada concomitantemente com os Jogos Olímpicos.

Achamos simpático o uso deste termo em eventos culturais. Contribuem para a valorização da imagem dos próprios Jogos Olímpicos, transmite a idéia de esforço e luta por uma vitória almejada por muitos.

Sinônimo de quadriênio
Na verdade, a palavra “olimpíada” é uma unidade de tempo. Teria por sinônimo “quadriênio”, isto é, significa o intervalo que quatro anos entre as realizações dos Jogos. Poucos sabem que, conforme a numeração do atual certame de Londres, estão computadas inclusive as Olimpíadas de 1916, 1940 e 1944, anos em que, devido a conflagrações mundiais, os Jogos não foram realizados.   

Livros sobre olimpismo
Em parceria com o Prof. Aristides Almeida Rocha, publicamos em 2008 o livro “Olimpismo no Brasil – Medalhas e Classificações” que completa como fonte histórias, estatísticas e as informações que gostaríamos de passar aos leitores que tiverem a benevolência de nos acompanhar como colunista, desde que a A Gazeta Esportiva passou do papel para o visor.

A maior cesta da vida de Hortência

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Se eu estivesse nestes dias em Londres, iria cumprimentar e abraçar pessoalmente minha amiga Hortência pela sua atitude enérgica, mandando de volta, ainda na França e mesmo antes de chegar a Londres, a cestobolista Iziane que, como foi amplamente divulgado, levou para o hotel em que estava alojada a equipe um jovem americano com quem tinha relacionamento.

É verdade que, com o passar dos tempos, não mais se exige das mulheres não casadas um comportamento de freira. Os relacionamentos são diferentes dos de outrora. Mas em se tratando dos Jogos Olímpicos, quando a exigência é a de uma conduta em que o êxito do esporte e o próprio Brasil estão acima das volúpias carnais, não se pode ser aceita a presença no hotel de alguém não integrado no grande objetivo do país e do almejo de todos os brasileiros.

A posição disciplinadora é fundamental no presente momento da realidade brasileira. Quando oitenta por cento das notícias dos jornais divulgam atos de inidoneidade, criminalidade, corrupção em várias esferas, tudo gerando o caminho da impunidade, é mais do que necessário haver alguem “apertando o nó”

Passadas as provas previstas da programação olímpica, com os disputantes libertos de seus compromissos, cada qual que se comporte de acordo com os seus princípios individuais.

Naturalmente, surgiram avaliações de todos os tipos da atitude de Hortência, a melhor jogadora da história do basquete brasileiro. Muitos eram de opinião que ela fora radical e drástica. Houve até quem, ao contrário, visse certa “dose de hipocrisia” nesse episódio. Bastava chamar atenção da jogadora que já era conhecida também por sua rebeldia e mantê-la no time.

Nosso país, que terá a responsabilidade de ser o próximo anfitrião dos Jogos Olímpicos e obviamente estará exposto ao mundo como acontece hoje com a Inglaterra, não pode nunca afrouxar. Mais do que uma Hortência mostrando autoridade diante de uma das centenas de integrantes da equipe brasileira, temos pela frente os macro problemas relacionados à própria realidade nacional.

Esperamos que a dirigente do bola ao cesto feminino seja um modelo para nossas autoridades responsáveis por problemas como o tráfico de drogas, o contrabando, a criminalidade nas favelas e a corrupção que, de tão alastrada, chega a transformar a idoneidade em exceção. Abram os nossos leitores as páginas dos jornais e avaliem o noticiário do rádio ou televiso e vejam como estes desmandos estão espalhados no território nacional. Os órgãos de segurança e a justiça são tão condescendentes e vagarosos que os criminosos chegam a se beneficiar de prescrições de penas.

Que se comece, a partir da punição de Iziane, uma nova fase para o Brasil.

No passado Hortência jogou tão bem nos Jogos Panamericanos de Cuba que chegou a ser cumprimentada por Fidel Castro na partida em que vencemos seu próprio país. Este fato, o mais relevante de sua carreira, seria até insignificante se o seu exemplo de rigidez frutificasse. Indiscutivelmente ela foi autora, nos Jogos de Londres, da maior cesta de sua vida.

Salvemos o CR Tietê V – A ética de Vitor Mamede

“Esta série de artigos corresponde a uma contribuição deste blog para que seja reparada uma injustiça cometida contra o CR Tietê. Oito clubes, instalados em terrenos municipais, tiveram recentemente seus respectivos alvarás de funcionamento prorrogados pela Prefeitura, ficando excluído da lista justamente o CR Tietê, uma das agremiações com história das mais gloriosas do esporte de São Paulo”.

No artigo de hoje, vamos falar sobre as circunstâncias que levaram à fundação do clube vermelhinho, ocorrida em 6 de junho de 1907. Ela foi originada de uma cisão de um grupo de associados do Clube de Regatas São Paulo.

Como vimos nos artigos anteriores, o Regatas São Paulo ocupava a parte mais próxima das margens do rio Tietê na Chácara Floresta, uma enorme extensão de terra que ia do Tietê até o Tamanduateí na Ponte Grande. O proprietário destas terras era Alberto Menezes Borba, e o CR São Paulo era composto por um corpo associativo de personalidades políticas e pessoas de alto poder aquisitivo, como Frederico Steidel, Carlos Sampaio, Jorge Tibiriçá e outros nomes de destaque da época. Na área esportiva, o clube participava das primeiras competições de remo.

A.A. das Palmeiras – Por uma solidariedade de categoria social, por preço módico Menezes Borba alugou um terreno contíguo ao CR São Paulo à AA das Palmeiras, para que este clube pudesse construir um campo e também participar do Campeonato Principal da Liga Paulista de Futebol. Este clube nada tem a ver com a atual S.E. Palmeiras, sucessora do Palestra Itália e que somente assumiu esta denominação em 1941, como decorrência da II Guerra Mundial.

De certa maneira, pode-se dizer que a AA Palmeiras seria o quadro “B” do Clube Atlético Paulistano, fundado em dezembro de 1900 e que reunia também a elite sócio-econômica da cidade de São Paulo e a burguesia do café em torno dos esportes terrestres, principalmente o futebol. Os associados do Paulistano e que não haviam obtido vaga no time “A” somente assim poderiam jogar no Campeonato. A cor de sua camiseta era alvinegra.

SC Germânia e Internacional – Outro fato que precisa ser conhecido para que entendamos a fundação do CR Tietê são justamente os acontecimentos que cercaram o nascimento do SC Internacional e do SC Germânia, hoje EC Pinheiros.

Em 18 de agosto de 1899, da mesma forma que Charles Miller quis propagar o futebol no Brasil, Hans Nobiling, um imigrante alemão, pretendia congregar os imigrantes mais abastados da época provindos de várias nações da Europa. Como ele havia vivido em Hamburgo, e jogado no SC Germânia do seu país, surgiu-lhe o desejo de fundar uma nova agremiação com o mesmo nome e as mesmas cores (azul negro) daquele clube europeu.

Os participantes de uma Assembléia especialmente convocada para aquele fim concordaram com a fundação do clube, mas os não alemães optaram pela denominação de Clube Internacional, clube este que teve vida ativa no início do século XX e participou dos primeiros campeonatos da Liga Paulista de Futebol.

O grupo de seguidores de Hans Nobiling, inconformado, retirou-se e fundou, semanas depois, no início de setembro, o sonhado SC Germânia. Este clube obteve grande sucesso e até hoje é um dos principais do nosso Estado, com o nome de EC Pinheiros.

A cisão – Segundo relato de Vitor Leite Mamede, que foi um dos fundadores do SC Internacional, feito pessoalmente ao titular deste blog (quando era adolescente e antes de entrar para o jornalismo) foi um litígio entre clubes que disputavam o campeonato paulista o fator que levou à fundação do clube vermelhinho.

Mamede nos contou que a AA Palmeiras, no início de 1907, vinha vendendo, fora das bilheterias oficiais, entradas para os jogos do campeonato paulista programados para o Velódromo, o que comprometia a arrecadação dos demais clubes nas partidas daquele certame.

O SC Internacional liderou uma denúncia e foi seguido por todos os demais que disputavam o certame da Liga Paulista de Futebol. O fato foi comprovado pela Liga que aplicou medida corretiva ao clube faltoso, com grande repercussão nos meios de divulgação da época. Inconformada, a AA Palmeiras ficou dois anos afastada do campeonato paulista.

O Clube de Regatas São Paulo neste episódio tomou ostensivamente as dores da AA Palmeiras, seu vizinho e, de certa forma, “afilhado”. Mas nem todos os associados concordaram com aquela atitude assumida pessoalmente por Alberto Borba, presidente e “dono” do clube, Vitor Leite Mamede, que além de remador do CR São Paulo era diretor e havia sido um dos fundadores do SC Internacional, assumiu a liderança de um movimento de protesto. Ao seu lado estava também seu companheiro Paulo Azevedo, antigo proprietário da Livraria Francisco Alves e também integrante do grupo que havia fundado o CRSP.

Como não existia uma razão lógica e específica para punir ou afastar do clube os dois dissidentes, a forma escolhida para desvinculá-los foi deixar de cobrar as suas mensalidades por três meses e eliminá-los por falta de pagamento. Este subterfúgio, porém, não surtiu efeito, pois esses dissidentes enviaram contra-recibo os 15 mil réis correspondentes ao pagamento. Entretanto, dias depois, o cobrador devolveu a quantia recebida, o que provocou forte reação no corpo associativo do Regatas São Paulo e ampliou uma onda que se transformou em um abaixo assinado de oitenta associados.

A visita do cobrador aconteceu em fevereiro de 1907 e constituiu um passo decisivo para a fundação de um novo clube por este grupo de descontentes. Assim nasceu o CR Tietê, defendendo o princípio da ética.

No próximo artigo veremos os primeiros de alguns fatos que consolidaram a grandiosidade de um clube com mais de 100 anos de história.

IV – Salvemos o C.R. TIETÊ – Enfim o primeiro clube

O primeiro clube da Chácara Floresta somente nasceu dois meses antes da virada do século XIX para o XX, e não foi o Tietê, mas o Esperia. Mais tarde, aquele lugar tornou-se o núcleo que sediou outras agremiações, chegando a totalizar uma dezena.

Conforme informamos em artigo anterior desta série, a Chácara Floresta, que ia do Rio Tietê ao Tamanduateí, era propriedade de José Manoel da Fonseca Jr. e sua mulher, Escholastica Melchert da Fonseca e fora arrematada em hasta pública.

A parte ribeirinha deste grande imóvel foi locada a Baptista Peyroncelli que aí montou um “recreio”, sobre o qual também falamos em nosso último artigo. Tratava-se da faixa de terreno em que hoje se localiza o Clube de Regatas Tietê.

Curiosamente, o Clube Esperia, rival histórico do C.R.Tietê, foi o primeiro a ocupar parte daquela área que fora sublocada por Peyroncelli por cinquenta mil reais por mês. Este clube era formado por um grupo de sete imigrantes italianos que, após três anos de ocupação, chegaram a construir uma pequena sede e barracões para guardar os próprios barcos que lhes permitiam participar de algumas regatas.

Na virada do século, fora da beira, foram fundados outros clubes como o C.R. Paulistano, que se concentrava especificamente nas modalidades terrestres. A burguesia paulistana, enriquecida pelo café, aspirava por uma oportunidade de praticar o remo e outros esportes náuticos.

Foi quando Alberto Menezes Borba, figura abastada que possuía uma lancha para passear no rio Tietê, decidiu adquirir a propriedade do casal Fonseca.

Com este fato, o arrendatário Peyroncelli e consequentente o Clube Esperia “dançaram”. Borba, que era dono de uma lancha movida a álcool, iniciou uma flotilha, encomendando seus primeiros barcos e aproveitando o restaurante e outras instalações aí já existentes para montar um clube. Ele uniu-se a personalidades da época e fundou o Clube de Regatas São Paulo. Do primeiro núcleo de seus associados constavam Frederico Steidel e o Presidente do Estado, Jorge Tibiriçá. A burguesia, enfim, ganhava seu primeiro clube de regatas.

O Esperia ficou meio ano longe do rio, reunindo-se nessa época em uma sala no centro da cidade, à rua Boa Vista, até conseguir inaugurar com grande aparato sua sede atual, na margem direita do rio, exatamente em frente a uma área cedida pelo Dr. Antonio Prado, então prefeito de São Paulo.

Em ordem cronológica, o primeiro clube fundado na Chácara Floresta foi o Clube Esperia (1899), o segundo foi o Clube de Regatas São Paulo (1903) e o terceiro o Clube de Regatas Tietê (1907), oriundo, como veremos, de uma cisão dentro do departamento de remo do Clube de Regatas São Paulo.

Pela sequencia, obviamente, o próximo artigo de nosso blog será sobre a fundação do Clube Vermelhinho, tema esse cuja compreensão não seria fácil de se obter sem o conhecimento da história anterior, que procuramos condensar nos quatro primeiros artigos desta série do meu blog, na A Gazeta Esportiva Net.

III – Salvemos o C.R. TIETÊ – “Recreios” os precursores

Prosseguimos hoje com o terceiro artigo da série “Salvemos o C.R. Tietê”. O conhecimento amplo da história daquele pedaço de chão, quer pela nossa sociedade, quer pelas autoridades municipais, pode levar a Prefeitura de São Paulo a reparar uma grande injustiça. Ela renovou recentemente o contrato de comodato de oito entidades e deixou o Clube de Regatas Tietê de fora.

Há muito o que contar sobre a estrutura da grandeza do clube “vermelhinho” para que se dimensione o grau da incoerência daquela decisão.

O ESPORTE ANTES DOS CLUBES

O esporte nasceu na Ponte Grande, antes mesmo da fundação dos primeiros clubes. As instituições que os precederam recebiam a denominação de “recreios”, cuja influência foi muito grande na ultima década do século XIX. Um dos mais famosos era o de Baptista Peyrocelli, na Chácara Floresta, localizado ao lado da atual piscina de 50 metros do C.R. Tietê, onde hoje fica a alça de acesso de quem vai da Marginal para pegar a Avenida Santos Dumont, numa cabeceira da Ponte das Bandeiras.

O outro destes “recreios” era o de Caetano Martenucci, que ocupava a área onde hoje fica o prédio do estacionamento da Universidade Unisantana. Pode-se estranhar que, em um lugar atualmente tão distante do rio, houvesse um estabelecimento ribeirinho. Mas, no seu antigo traçado, o rio Tietê, na altura da Avenida Cruzeiro do Sul, soltava um afluente que depois se juntava ao caudal principal, na Ponte Grande. Este braço do rio “abraçava” uma área desabitada, que se chamava Ilha dos Amores, nome também da Ponte da grande avenida de ligação com a Zona Norte.
Para que se compreenda bem como funcionavam estes locais de lazer, transcrevemos aqui um anúncio publicado no jornal “A Plateia” em 1893..
CHÁCARA FLORESTA – Ponte Grande, São Paulo

Este bem montado estabelecimento, a 10 minutos do centro da cidade, situado à margem esquerda do rio Tietê, acha-se aberto todas as noites até as 3:00 horas, encontrando-se aí a toda hora refeições quentes ou frias. Uma magnífica sala de jantar, construída com todo o conforto desejável, com piano, oferece toda decência para servir o público, especialmente famílias. Possui pessoal devidamente habilitado, uma cozinha de primeira ordem, tanto francesa quanto nacional, e os seus preços são por listas, fixos e comedidos. Todas as quintas e domingos, feijoada à brasileira, bem como outros pratos. Tem quartos mobiliados e salões reservados, e o seu proprietário encarrega-se de banquetes e de fornecer jantares para fora.

Nota – às 10:00 horas da noite, o portão fecha-se, e o porteiro só o abrirá para pessoas corretas e comprovadamente tranqüilas.

INÍCIO DO ESPORTE

Estes estabelecimentos, aproveitando as oportunidades de lazer ofertadas pelo rio, também passaram a construir garagens para barcos, intensificando a pesca e dando oportunidade à prática do remo recreativo e mais tarde até de competição.
Aquele braço de rio, onde se localizava o recreio do Caetano, chegou a abrigar um estaleiro de construção de barcos que durante muito tempo serviu ao esporte do remo.

O desenvolvimento desta atividade levou à origem dos clubes ribeirinhos, dos quais o Esperia, fundado em 01 de novembro de 1899, foi o pioneiro. Este clube, embora poucos saibam, nasceu na Chácara Floresta, à margem esquerda do rio onde hoje está o C.R. Tietê e somente mais tarde transferiu-se para a margem direita, mudança essa causada por vicissitudes que contaremos nos próximos capítulos.

O desenvolvimento dos clubes esportivos acelerou o fim dos dois recreios que citamos, pois esta nova forma de associação superava a anterior, criando oportunidade para competições de remo, um esporte pioneiro na história esportiva de São Paulo. O recreio de Peyrocceli encerrou as atividades em 1903 e o do Caetano foi até aproximadamente 1920. Enquanto existiu, deu grande contribuição ao esporte, garantindo a sobrevivência do Clube de Regatas Tietê e da A.A. São Paulo, chegando a propiciar o remo do E.C.Pinheiros. 

FORA DA BEIRA DO RIO
 
Fora da beira do rio, o esporte começou a ser praticado faz pouco mais de uma década. Uma modalidade pioneira foi o futebol, trazido pela imigração inglesa. O São Paulo Athletic Club é de 13 de maio de 1888, curiosamente a data da abolição da escravatura.
Também os alemães estão entre os precursores, trazendo a prática da ginástica. O Turnverrein (Associação de Cultura Física) é de 1889 e o Turnershaft (Clube Ginástico Paulista) é de 1890. A tradição germânica voltava-se para a atividade física preconizada por Jahn.

MEU COMERCIAL
 
Os leitores interessados no conhecimento de mais detalhes sobre as origens do esporte paulista podem encontrá-los no meu livro, “Tietê, o rio do Esporte”, disponível nas principais livrarias de São Paulo (Phorte Editora) Telefone: (11 – 3141-1033). Ele já vendeu 18 mil exemplares e caminha para a segunda edição.

NO PÉ

ERA O BRASIL QUE ESTAVA JOGANDO

A vitória do Corinthians na final da Libertadores propiciou uma divulgação imensa nos meios de comunicação, quer impressos, quer eletrônicos. Quase todos os temas possíveis foram abordados, desde os detalhes técnicos de cada partida até o lado humano, sendo que poucos protagonistas deixaram de ser entrevistados em um universo integrado por jogadores, técnicos, dirigentes, policiais e demais envolvidos no principal acontecimento futebolístico do ano.

Nesta multiplicidade de abordagens, nos interessamos especialmente pelo comportamento dos não argentinos que torciam a favor do Boca Juniors. Este contingente era principalmente formado por adeptos de clubes rivais do alvinegro, quer de São Paulo, quer de outros estados de nosso país.

Pessoalmente, discordamos deste comportamento. É muito justo um clube receber afeição popular, que muitas vezes chega a milhões de pessoas que canalizam para uma agremiação suas energias e transformam os jogadores em verdadeiros ídolos, sentimento este responsável pela magnitude dos espetáculos. Entretanto, em minha opinião, tudo tem seus limites. A vida de cada cidadão deve ser integrada também por outros valores, hierarquicamente acima da paixão por um clube esportivo. Neles, eu incluo o amor ao Brasil. Preferir a vitória de um time estrangeiro a uma equipe representativa do nosso país, baseando-se em uma rivalidade local, para mim é inaceitável. O patriotismo não pode perder esta competição. Inclusive os clubes de um mesmo Estado devem apoiar-se entre si quando o adversário é proveniente de uma outra unidade da federação.

Os torcedores de um país precisam proceder da mesma forma. Não gostamos de ver torcedores brasileiros vestindo a camiseta do Boca Juniors e soltando seus foguetes quando o uniforme azul se destacava.
Afirmo que pessoalmente não sou corinthiano, nem torço para qualquer outro esquadrão. Com mais de seis décadas de jornalismo esportivo, sou do tempo que um profissional guardava sua neutralidade como uma religião. Certamente deverei receber algumas vozes discordantes sobre este meu artigo. Jamais esperei não recebê-las. Quem critica não está isento de ser criticado, pelo menos com uma argumentação estribada na lógica e na educação e nunca no fanatismo.

II – Salvemos o CR Tietê – Uma história que começou em 1890

Prosseguimos hoje com o segundo da série de artigos programados para esclarecer aos leitores deste blog sobre a importância do Clube de Regatas Tietê no esporte de São Paulo

A municipalidade de São Paulo, como divulgamos na última semana, renovou a cessão em comodato das áreas de sua propriedade para outros oito clubes (alguns deles profissionais), deixando de fora o CR Tietê, justamente um dos mais representativos na história de nosso esporte, um patrimônio cultural entre todos os localizados às margens do rio dos paulistas.

Se o executivo estivesse inteirado dos conteúdos que divulgaremos nesta série, certamente não teria tomado atitude tão extrema.

Quando começou

A Chácara Floresta, no final do século XIX, era um terreno municipal localizado na Ponte Grande, no espaço entre o Rio Tietê e seu afluente Tamanduateí. Era o ponto de maior atração turística em São Paulo que, na época, possuía apenas 65.000 habitantes. Ele proporcionava passeios de barcos e boas pescarias, pois o rio naquela época era piscoso.

A área da Chácara Floresta era descrita, entre 1800 e 1900, como um parque de velhas figueiras entremeadas por coqueiros e as suas características já apontavam, com grande antecipação, para o seu aproveitamento em atividades esportivas ou recreativas.

O jornal O Estado de São Paulo, em sua edição de 16 de junho de 1893, publicava este texto: “Consta que brevemente será inaugurado na Chara Floresta um clube náutico e recreativo para o exercício da natação, esgrima, florete e outros divertimentos”. Esta notícia ficou no “consta”, não aconteceu, até o local vir a abrigar nas cinco décadas sucessivas o Clube Esperia, o Clube de Regatas São Paulo, o Clube de Regatas Tietê, a Associação Atlética São bento e o São Paulo FC.

O que dizem as escrituras

A pesquisa da história da região, por intermédio dos documentos públicos, mostra que a Chácara Floresta, em 23 de fevereiro de 1793, foi doada ao escrivão da Câmara Sr. Caetano Soares Viana, por especial concessão do capitão geral Rodrigo César de Menezes.

Após sucessivas transações, em 1876, a propriedade estava em mãos de Felizardo Antônio Cavalheiro e Silva, que faleceu em fevereiro desse ano, deixando a posse para um herdeiro que não a assumiu.

Em 11 de novembro de 1903, segundo escritura de compra e venda passada no Tabelião do 2º Ofício de Olavo Liberato de Macedo, a propriedade está de posse de José Manoel da Fonseca Junior e de sua mulher Escholástica Melchert da Fonseca, tendo sido arrematada em hasta pública em 1892. Este grande patrimônio do esporte de São Paulo foi vendido na época por 60 contos de reis (20 contos de entrada e mais 40 contos em 10 prestações anuais, a juros de seis por cento ao ano).

Os Recreios

Antes mesmo da ocupação daquela área pioneira por clubes, ela foi precedida pelos “Recreios”. Este é o tema do terceiro artigo da série “Salvemos o CR Tietê”, que será publicado na próxima semana.