Escrevi, em diversos artigos desta série sobre os Jogos Olímpicos de 2016, que o Brasil tem condições de se equiparar ao êxito da Grã Bretanha na organização dos Jogos recentemente realizados em Londres. Para tal, seria necessário alto nível de idoneidade dos dirigentes e autoridades encarregados do mega evento, o maior do mundo na área do esporte.
Muitos leitores e amigos não esconderam que viam em mim muita ingenuidade por esperar a correção dos organizadores em um país que tem a corrupção como mal endêmico desde os tempos coloniais e do império.
Um fato ocorrido na quarta feira, dia 29, encheu de orgulho todos que querem ver o Brasil melhor e mais considerado: o Supremo Tribunal Federal obteve maioria para a condenação dos réus do “Mensalão”, que levaram para bolsos indevidos recursos que poderiam reverter em educação, saúde e segurança de nosso povo.
A consciência coletiva de que é possível obter a idoneidade essencial para reger a organização dos Jogos do Rio para 2016 teve a primeira afirmação através do STF. Eventuais bandidos, de olhos gordos no dinheiro dos Jogos Olímpicos, já estão vendo que se denúncias forem até o STF eles serão julgados com rigor.
Se o julgamento do “Mensalão” chegar até o seu final com esse mesmo clima de seriedade (quando raposas maiores estão sendo avaliadas), já existirá um fato concreto que nos dá esperanças de transformar em realidade o que muitos consideravam uma utopia.
Corruptos potenciais vão pensar duas vezes antes de meter a mão no sagrado dinheiro dos Jogos e, o que é importante, a confiança generalizada na impunidade estará seriamente abalada.
O patriotismo do Supremo, naturalmente, terá conseqüências que ultrapassarão as divisas do esporte e alterarão o comportamento de políticos, empreiteiras, contrabandistas, traficantes e, inclusive, o legislativo, o executivo e mesmo o judiciário, que começavam a apresentar sintomas preocupantes. A escala de valores coletiva ganhou um “up grade”. Já não se repetiria com freqüência expressões e avaliações depreciativas ao nosso país, como a de Charles de Gaulle de que “este país não é sério”. Os correspondentes de órgãos de comunicação do exterior, em vez de prospectar escândalos, poderão contar ao mundo que no Brasil os criminosos de colarinho branco começam a ser condenados.
Podemos, a partir de agora, modificar o conteúdo desta série de artigos de nossa coluna, nos centralizando no “modus operandi” dos Jogos, em sugestões de operacionalização da organização do evento, ou, ainda, propondo uma forma de melhorar nossa presença nos pódios, fazendo a bandeira brasileira subir mais vezes e o hino nacional ser tocado tantas vezes até ser reconhecido pelos 4 bilhões de espectadores com a TV ligada, espalhados pelos cinco continentes de nosso planeta.
