Rio 2016: STF mostra que a nossa utopia é exequível

Escrevi, em diversos artigos desta série sobre os Jogos Olímpicos de 2016, que o Brasil tem condições de se equiparar ao êxito da Grã Bretanha na organização dos Jogos recentemente realizados em Londres. Para tal, seria necessário alto nível de idoneidade dos dirigentes e autoridades encarregados do mega evento, o maior do mundo na área do esporte.

Muitos leitores e amigos não esconderam que viam em mim muita ingenuidade por esperar a correção dos organizadores em um país que tem a corrupção como mal endêmico desde os tempos coloniais e do império.

Um fato ocorrido na quarta feira, dia 29, encheu de orgulho todos que querem ver o Brasil melhor e mais considerado: o Supremo Tribunal Federal obteve maioria para a condenação dos réus do “Mensalão”, que levaram para bolsos indevidos recursos que poderiam reverter em educação, saúde e segurança de nosso povo.

A consciência coletiva de que é possível obter a idoneidade essencial para reger a organização dos Jogos do Rio para 2016 teve a primeira afirmação através do STF. Eventuais bandidos, de olhos gordos no dinheiro dos Jogos Olímpicos, já estão vendo que se denúncias forem até o STF eles serão julgados com rigor.

Se o julgamento do “Mensalão” chegar até o seu final com esse mesmo clima de seriedade (quando raposas maiores estão sendo avaliadas), já existirá um fato concreto que nos dá esperanças de transformar em realidade o que muitos consideravam uma utopia.

Corruptos potenciais vão pensar duas vezes antes de meter a mão no sagrado dinheiro dos Jogos e, o que é importante, a confiança generalizada na impunidade estará seriamente abalada.

O patriotismo do Supremo, naturalmente, terá conseqüências que ultrapassarão as divisas do esporte e alterarão o comportamento de políticos, empreiteiras, contrabandistas, traficantes e, inclusive, o legislativo, o executivo e mesmo o judiciário, que começavam a apresentar sintomas preocupantes. A escala de valores coletiva ganhou um “up grade”. Já não se repetiria com freqüência expressões e avaliações depreciativas ao nosso país, como a de Charles de Gaulle de que “este país não é sério”. Os correspondentes de órgãos de comunicação do exterior, em vez de prospectar escândalos, poderão contar ao mundo que no Brasil os criminosos de colarinho branco começam a ser condenados.

Podemos, a partir de agora, modificar o conteúdo desta série de artigos de nossa coluna, nos centralizando no “modus operandi” dos Jogos, em sugestões de operacionalização da organização do evento, ou, ainda, propondo uma forma de melhorar nossa presença nos pódios, fazendo a bandeira brasileira subir mais vezes e o hino nacional ser tocado tantas vezes até ser reconhecido pelos 4 bilhões de espectadores com a TV ligada, espalhados pelos cinco continentes de nosso planeta.

VIII – Salvemos o CR Tietê

Hoje retornamos ao nosso artigo semanal da série “Salvemos o Tietê”. Fomos informados que há leitores colecionando os textos desta série, não só para tomar conhecimento da história da gloriosa agremiação da Ponte Grande, como também para, no momento apropriado, utilizar os argumentos de sua grandiosidade para a manutenção do comodato, que o poder municipal persiste em não renovar.

No fim do CR São Paulo o Tietê volta para o lar

A vida do Clube de Regatas São Paulo, do qual o CR Tietê se originara, continuou normalmente após uma cisão ocorrida em 1907. O CRSP prosseguiu com suas atividades sociais e participando de competições, embora desfalcado dos remadores que passaram a defender as cores tieteanas.

Apesar de ter vendido seu terreno para a Prefeitura em 1912, o CR São Paulo prosseguiu ocupando a mesma área cedida em contrato às margens do Rio Tietê. Não pagava impostos e utilizava aquele espaço gratuitamente, sem qualquer ônus de locação.

Esse clube era integrado por “quatrocentões” e continuava recebendo no seu departamento de remo jovens estudantes para defendê-lo nas regatas da Federação Paulista das Sociedades de Remo.

O fim do CR São Paulo teve como protagonista o jovem Luiz de Araripe Sucupira, que se insurgiu contra o então presidente, o poderoso Alberto Menezes Borba, e o secretário geral Raphael Ribeiro dos Santos.

Numa reação extemporânea, em vez de enfrentar o jovem e impulsivo opositor, a diretoria optou pela extinção do clube. Naturalmente, a ausência de vínculos patrimoniais com o terreno ocupado aplainou o caminho da retirada.

Ao decidir pelo encerramento das atividades, poder-se-ia imaginar que o CRSP estava em decadência, que tivera o desinteresse e o desânimo como “causa mortis”. Entretanto, esta possibilidade é afastada por uma notícia do jornal “O Estado de São Paulo”, publicada em 11 de novembro de 1914, pouco antes do fim das atividades, que anunciava a programação do 10º aniversário do clube com “corridas a pé e com obstáculos”, “pulos” e cinematógrafo, além de um baile ao ar livre, com iluminação “a giorno”, com lâmpadas elétricas e policrômicas.

Surgiram diversas propostas de outras agremiações, interessadas em ocupar o espaço e pagar pelas obras e o patrimônio que o CRSP havia erguido no local desde quando havia comprado o imóvel, bem como adquirir sua flotilha de barcos. Entre as várias ofertas, estava a do Clube de Regatas Tietê, que 5 anos antes, em 1907, havia se desligado litigiosamente do clube desativado. Pode parecer um paradoxo, mas o escolhido entre os pretendentes foi justamente o clube vermelhinho, por ser o mais confiável.

Foi assim que o Tietê foi para as suas atuais instalações, obteve a sua primeira concessão de uso do imóvel e está lá até hoje.

Com isso, numa verdadeira dança das cadeiras, o CR Tietê deixou vaga a Chácara Couto de Magalhães, que foi locada para a recém formada Associação Atlética São Paulo, onde está até hoje e se tornou um grande clube.

Nas décadas que se seguiram, o clube vermelhinho triplicou seu espaço físico e obteve grandes glórias.

É esta história de um século que, resumidamente, tem que ser escrita. É fundamental a sua divulgação antes que alguma clamorosa injustiça seja feita contra o clube que representa a maior glória do esporte amador de nossa cidade.

Paes: declaração de um perdedor!

Foto: AFP

Foto: AFP

A responsabilidade do Brasil organizar uma Olimpíada com um padrão idêntico ao realizado pela Grã Bretanha em Londres tornou-se o sonho da maioria dos brasileiros de visão e dotados de uma boa dose de patriotismo. Mostrar ao mundo que somos um país confiável é a prioridade número um se quisermos nos livrar da imagem de terceiro-mundista que nos acompanha desde o descobrimento.

Todos os conterrâneos que alimentavam este sonho receberam um banho de água gelada quando leram as declarações de Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, dizendo aberta e desvergonhadamente que o “Rio não será Londres até 2016”, espalhando o desânimo em nossos conterrâneos esperançosos por um êxito consagrador.

A pessoa que, menos de um mês antes, recebera perante três bilhões de espectadores a bandeira olímpica, tinha sentido na pele a significação e a responsabilidade daquele desafio, mas dias após dava uma “afinada” altamente desapontadora para toda a opinião pública nacional e, por que não dizer, mundial.

Paes está sendo colocado pelos habitantes deste país na posição de um super-competidor olímpico, com as mesmas características de muitos outros que também estarão defendendo nossa terra. A sua disputa chama-se “organização”. Se, entretanto, antes de um tiro de partida o principal responsável já está proclamando a sua derrota, ele já é um perdedor, não nos levará ao pódio de uma disputa na qual não está em jogo somente a vaidade de ter vencido, mas a conquista de uma série de outras vantagens sociais, econômicas e culturais de que o Brasil tanto necessita.

Seu argumento (ou justificativa) para não vencer é de que Londres é uma cidade que já estava muito mais adiantada na área de instalações esportivas e de serviços (aeroportos, tráfego urbano e outros setores), diferentemente do Brasil, que tem inúmeros problemas ainda para superar.

Qual campeão chega em primeiro lugar na fita de chegada sem enfrentar adversários fortes, treinamento intenso e obstáculos de todos os tipos? O que caracteriza o campeão é justamente ser um lutador para superar as dificuldades que todos conhecem.

Sabemos que, na luta pelo sucesso para empatar com Londres (nem seria necessário vencê-la), teremos que superar a corrupção voluptuosa de maus dirigentes, interessados muito mais em receber comissões do que pensar na grandeza do país. Todos os recursos, públicos e privados, teriam de ser realmente investidos nos Jogos Olímpicos, nos estádios, na preparação dos atletas, na tecnologia dos serviços correlatos. Falar em “over price” é dizer um palavrão.

Os aeroportos e os transportes urbanos deveriam ser remodelados, mantendo uma distância milenar da corrupção. A criminalidade teria de ser contida e bandidos e traficantes dos morros cariocas que desafiam diariamente a polícia poderiam fazer turismo nas cadeias de segurança máxima de outros Estados. Durante a quinzena dos Jogos de Londres não houve uma ocorrência grave sequer. Eis o exemplo.

Nesta luta, na qual Paes é o portador da bandeira, é preciso ter muita coragem, mas ele não está sozinho. Ao seu lado estão os governos estadual e federal, o legislativo, empresas privadas, o povo e uma grande riqueza cultural que o Brasil tem para mostrar ao mundo. Uma música e um ritmo que os outros não têm.

Só falta Eduardo Paes agir como competidor idôneo e vencedor. A bandeira que está nas suas mãos é muito grande. Se ele vencer esta batalha, entrará para a galeria dos maiores vultos da história do Brasil.

A voz do leitor

No dia do encerramento apoteótico dos Jogos Olímpicos de Londres, possivelmente o de melhor organização desde o primeiro em 1896, começamos uma série de artigos visando um êxito idêntico e, se possível, superior no compromisso que o Brasil terá em 2016, no Rio de Janeiro.

Assunto é o que não vai faltar, pois um quadriênio é muito pouco tempo para discutir o que falta para que o nosso país atinja seus objetivos e o reconhecimento como uma nação séria.

O universo de pessoas interessadas nessa temática é tão grande que quase diariamente minha secretária deposita na minha mesa de trabalho um texto de alguém que, como nós, está preocupado em evitar um fracasso no grande teste que o Brasil vai ter de enfrentar.

Entre o material que me chega, eu não posso deixar de dar uma atenção especial ao trabalho remetido por meu particular amigo José Pinto Lapa, de Recife, alma do Panathlon Club daquela cidade, possuidor de uma larga folha de serviços prestados ao desporto pernambucano e do Brasil.

A razão da minha escolha preferencial não foi só a amizade que me liga a Pinto Lapa, mas a mesma preocupação por ele partilhada com o alargamento da base quantitativa do esporte. Por coincidência, este foi o tema exposto ontem neste blog.

Passemos a palavra ao pernambucano:

Londres é passado – Rio e os Jogos de 2020 é o futuro

1) Recursos humanos – o desenvolvimento: O desenvolvimento e a orientação técnico-pedagógica das aulas de educação física na Escola têm a intervenção profissional do professor licenciado da área, legalmente habilitado e capacitado, mas com inúmeras deficiências na fundamentação teórica e prática das modalidades esportivas.

Esta deficiência é de responsabilidade das instituições formadoras dos referidos profissionais (CURSOS SUPERIORES DE EDUCAÇÂO FÍSICA).

As diretrizes curriculares dos licenciados em educação física, encaminhadas pelo Ministério da Educação, aprovadas e regulamentadas pelo CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, estabelecem em média uma carga horária de 30 a 45 horas para as modalidades esportivas, num curso de quatro anos, tornando praticamente inviável o conhecimento adequado do futuro profissional de educação física para trabalhar o Esporte na Escola.

2) Educação Física Escolar (hoje em fase terminal!)

Soluções:

- Construir, manter e equipar nas escolas instalações compatíveis com o Esporte.

- Elaborar proposta curricular do ensino da educação física na escola priorizando atividades esportivas.

- Democratizar e massificar estas práticas esportivas mediante processos pedagógicos da iniciação e aperfeiçoamento esportivo.

Estabelecer os horários das aulas de educação física fora da grade curricular.

- Sistematizar Jogos na Escola (Municípios, Estados e União)

- Institucionalizar os Clubes Escolares.

- Dinamizar capacitações dos profissionais de educação física na área da administração esportiva e dos Esportes.

- Identificar talentos escolares e encaminhá-los aos centros poliesportivos para iniciar o processo de aperfeiçoamento técnico e de alto rendimento.

3) Centros poliesportivos

Soluções:

- Identificar Centros Poli Esportivos existentes, reformulando,mantendo e equipando.

- Construir novos Centros Poliesportivos.

- As escolas que não possuam infra-estrutura desportiva devem centralizar as aulas de educação física nestes centros.

- Local de treinamento esportivo dos talentos identificados nas Escolas.

- Estabelecer mecanismo de encaminhamento desses atletas escolares para clubes, federações e confederações.

4) Sistema esportivo nacional

Soluções:

- Reformular o Sistema Esportivo Nacional/Gestão do Sistema.

- Incorporar a Educação Física / Desporto Escolar ao Ministério dos Esportes.

- Institucionalizar nacionalmente Políticas Públicas do ESPORTE NA ESCOLA

5) Fonte de recursos

- Loterias da Caixa Econômica Federal, com percentual que viabilize recursos para o ESPORTE NA ESCOLA.

- Estimular a iniciativa privada (Lei Incentivo ao Esporte/Piva) direcionada para ESCOLA.

CONCLUSÃO:

Estas propostas têm como objetivo estimular, dinamizar e massificar o ESPORTE NA ESCOLA

Meta: Prospectar futuros atletas com potencialidades de alto rendimento para as Olimpíadas de 2020, mediante as ações:

* Rever a formação do profissional educação física.

* Reformular a educação física na escola

* Construir e equipar escolas com infra-estrutura esportiva.

* Construir e manter os Centros Poli Esportivos.

* Incorporar a educação física e o desporto ao Ministério do Esporte.

* Institucionalizar Políticas Públicas no Esporte.

Rio 2016 – Do período da caça ao da agricultura

Simultaneamente com uma organização exemplar, que não nos envergonhe na comparação com Londres, o Brasil vai ter de cuidar do desempenho técnico das equipes que representarão o nosso país nas várias arenas de competição.

Em artigos anteriores já dissemos que participações brasileiras nas diversas modalidades do programa olímpico não correspondem à nossa potencialidade econômica ou à nossa densidade demográfica. Repetir a mesma performance dos Jogos anteriores corresponderia a uma grande desilusão para toda a população nacional. Temos, portanto, duas frentes para combater na batalha que durará até 2016: a da organização e a técnica.

Por força de regulamento, não precisaremos nos submeter a índices para a classificação de nossos atletas. Os brasileiros terão presença automática no total das vagas das modalidades em disputa. É verdade que, em alguns esportes pouco praticados no país, precisamos nos empenhar para aprimorar o nosso desempenho para não sermos o “cavaleiro da triste figura”.

Trabalho e trabalho

Para que este êxito na parte técnica ocorra e tenha como conseqüência a “felicidade geral da nação”, é preciso trabalho, trabalho e trabalho. Usando uma imagem criada por Kanichi Sato, um técnico de natação, mas antes de tudo um profundo filósofo, o Brasil, no preparo de uma equipe de âmbito nacional, “precisa passar do período da caça para o da agricultura”.

Todos os que freqüentaram as escolas sabem que, nas etapas percorridas pela civilização, pela evolução da humanidade o homem atravessou vários períodos para garantir a sua sobrevivência. No da caça, o ser humano, para subsistir, caçava os animais que encontrava em sua região, comia os frutos silvestres, alimentava-se do que a natureza oferecia. Ele estava, obviamente, sujeito à escassez de mantimentos conforme a oferta da natureza ao seu redor.

Já no período da agricultura, ele passou a subsistir graças ao que plantava e aos animais que criava. Não dependia mais dos caprichos da natureza silvestre.

Também no esporte

Esta comparação também é válida na área do esporte. Não há um trabalho sistemático amplo para a formação de nossos competidores para eventos de equipes nacionais, para os Jogos Olímpicos ou campeonatos mundiais. Eles são simplesmente “colhidos” por dirigentes de federações e confederações. É o caso das nossas medalhas de ouro e de prata do pugilismo e judô: gente nascida longe dos centros de grande tradição esportiva, ou como no caso de nossa futebolista Marta, originária do sertão e que se tornou a melhor do mundo.

O tiro de partida para este trabalho já foi dado e reconhecemos que quatro anos é um tempo exíguo para se formar um medalhista olímpico, mas em algumas modalidades pode ser suficiente para colocar um brasileiro no pódio. O importante é que nossos dirigentes saibam que é preciso trabalhar, plantar, e não somente esticar o braço e colher o fruto que a natureza está ofertando esporádica e espontaneamente.

A mudança do período da caça para o da agricultura não terá efeitos somente para os Jogos Olímpicos do Rio em 2016. Ela vai ser de uma valia permanente. Na realidade, se mantida, equivalerá a uma reciclagem do Brasil no “ranking” das potências olímpicas, o que, como já dissemos, atualmente não é motivo de orgulho nacional.

Em que consiste

Este plano consiste numa prospecção de talentos entre toda a população brasileira, realizando um intenso trabalho de base que não deixe uma instalação esportiva inativa em um período sequer.

Consiste em mobilizar clubes, federações, escolas de todos os níveis, programas sócio-esportivos de empresas, corporações militares e em realizar competições massivas. Da largura da base quantitativa depende a altura do vértice qualitativo. Ninguém chega ao topo de uma escada sem pisar no primeiro degrau e, certamente, o degrau mais alto é o padrão olímpico.

Este tema é muito amplo e, certamente, voltaremos a detalhá-lo. O leitor deve considerar o artigo de hoje somente como um quadro sinótico.

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Paralímpicos

No próximo dia 29 de agosto começam os Jogos Paralímpicos. A delegação brasileira costuma destacar-se neste evento pelo carinho de nossas entidades para com os esportistas com necessidades especiais.

O universo do esporte deve abranger todos os segmentos, sendo o esporte paralímpico um dos de maior retorno social, pelos benefícios físicos e psicológicos que proporciona aos seus praticantes.

A nossa delegação retorna da Paralimpíada no próximo dia 11 de setembro, e o Governador Geraldo Alckmin e a Dra. Linamara Battistella, Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, receberão no Palácio dos Bandeirantes, às 11 horas, os paralímpicos paulistas que são apoiados pelo governo estadual com recursos daquela Secretaria.

Rio 2016 – Grã Bretanha realizou os Jogos com a economia em recessão

Em nosso post de 31 de julho, comentamos que o Brasil iria ter de implementar os Jogos Olímpicos de 2016 em um período de grande recessão, não somente nossa, mas também mundial.

Esta conjuntura, sem dúvida, contribuiria para a redução dos recursos públicos e privados disponíveis para aquele mega evento e que ainda terão de ser repartidos com outras prioridades orçamentárias nacionais.

Quando estávamos consolidando a convicção de que esta era uma circunstância inédita para o nosso país, deparamos com uma reportagem na última edição da Revista Veja sobre a recessão européia, mostrando o PIB da Inglaterra com um índice muito inferior ao nosso durante o período que precedeu a organização de um dos melhores Jogos de toda a história do Olimpismo.

Uma comparação do PIB (Produto Interno Bruto) do Reino Unido dos 1º e 2 º trimestres de 2012, com o do ano anterior, mostrou um resultado negativo, respectivamente de -2% e -0,8%. O mesmo cálculo do Brasil mostrou um saldo positivo de 0,2% no 1º trimestre (não temos os índices do 2º trimestre).

Portanto, pelo menos por enquanto, este passa a ser um argumento a menos para que o Brasil apresente em 2016 uma edição dos Jogos Olímpicos abaixo do padrão londrino.

Todos os fatores que levam a atingirmos nossas metas dentro do nível desejável estão se concentrando no item “gestão”, num trabalho idôneo e competente, transparente e distante da corrupção, um labor voltado não só para a eficiência na área do esporte propriamente dito como, também, no que diz respeito à superação do custo Brasil, um verdadeiro freio ao nosso país, resultante da incompetência e inidoneidade dos governos anteriores.

Atletismo é o rei

Embora não devesse acontecer, não se pode negar a existência de uma hierarquia entre as modalidades que integram o programa olímpico. Se em 2016 já se prevê maior público e interesse pelos esportes coletivos (com o futebol liderando a lista), na Europa a realidade é diferente.

Os países do velho continente manifestam uma preferência indiscutível pelo atletismo. Em todos os dias em que as provas desta modalidade estavam programadas o estádio olímpico esteve lotado, sempre com mais de 60 mil espectadores querendo acompanhar os saltos, os arremessos e as corridas de velocidade, meio fundo e fundo.

Este índice de freqüência é uma demonstração de um alto nível de cultura e civilização dos povos que vêm a disputa de apenas uma prova com o valor de uma modalidade esportiva.

Acreditamos que no Brasil as coisas serão diferentes. Seria uma grande surpresa se, em 2016, tivéssemos durante 10 dias o Maracanã cheio para igualarmo-nos aos Jogos de Londres.

Rio 2016 – A água do beija-flor

A empreitada deste blog de lutar pela criação de uma consciência cívica do povo brasileiro, tendo em vista o fortalecimento da imagem de nosso país, quando sediaremos os Jogos Olímpicos de 2016, pode parecer quixotesca. Com uma pequena lança, estamos investindo contra o enorme moinho de vento da irresponsabilidade política, da criminalidade, da corrupção e dos desmandos que a mídia denuncia diariamente “ad nauseam”.

Este fato não nos faz desistir dos nossos propósitos e preferi continuar em nossa decisão, imitando a lenda do beija-flor, bem conhecida de nossos leitores.

“Para combater um incêndio florestal de grandes proporções, um beija-flor enchia o seu pequeno bico de água e a soltava nas chamas. Pessoas próximas alertaram-no que aquela quantidade de líquido representava nada, ou quase nada, diante da extensão do fogaréu. A sábia resposta do beija-flor explica a sua conduta estranha: Estou fazendo a minha parte no limite das minhas possibilidades. Se os outros fizessem o mesmo, todo este incêndio estaria extinto”.

De nossa parte, e no limite de nossas possibilidades, estou dando o máximo de mim para que o Brasil realize em 2016 uma Olimpíada que não fique nada a dever à da Grã Bretanha, terminada com um grandioso êxito. Escrevendo com a maior freqüência possível e dando sugestões para melhorar o desempenho nacional em todos os aspectos daquele mega evento, estamos cumprindo nossa obrigação.

Assessoria de ingleses

Nossa colaboração principal reside em apontar o bom caminho, criticar erros e aplaudir ações acertadas que atinjam o objetivo proposto.

A revista Veja desta semana nos conta, na seção “Holofote”, de Otávio Cabral, que o Governo Federal vai reunir em outubro representantes de 27 Estados e 40 países para discutir estratégias de segurança para os mega eventos como a Copa das Confederações, visita do Papa, Copa do Mundo e, naturalmente, Jogos Olímpicos.

O plano será inspirado num esquema que terá por modelo o sistema adotado por Londres neste ano. A mistura de civis e militares foi considerada bem sucedida.

O secretário extraordinário de segurança de grandes eventos, delegado Valdinho Caetano, esteve em Londres e já contratou a assessoria de 10 ingleses “experts” nessa área. Eles serão consultores até os Jogos Olímpicos de 2016.

Pizza faz mal aos Jogos

A convulsão gerada por processos que agitam o país nos dias presentes não faz bem ao Brasil. Ela denigre nossa imagem, justamente num momento em que é preciso mostrar ao mundo nossa credibilidade para sediar os próximos Jogos Olímpicos.

Se tanto o processo do “Mensalão” no STF, quanto a CPI do escândalo do “Cachoeira” terminarem em pizza, a situação ficará ainda muito pior. Quando o objetivo principal é a conquista de uma imagem de competência na gestão dos Jogos Olímpicos de 2016, a pizza é um alimento muito indigesto. Faz muito mal ao nosso amor próprio.

Rio 2016 – A azeitona é para a nossa empada!

É preciso convencer todos os brasileiros, dos dirigentes aos leitores e telespectadores, de que os Jogos de 2016 já começaram e não vão iniciar somente dois meses antes da abertura.

Para que se consiga o clima que nos leve a atingir o mesmo êxito obtido por Londres, é preciso principiar agora. A dimensão sobre as perspectivas que envolvem a organização do evento deve ser notícia de preferência a partir de agora. É importante ampliar a ênfase aos certames locais e nacionais de “todas” as modalidades olímpicas. Elas precisam ser muito difundidas, pois na avaliação final da eficiência de cada país, o número de medalhas de ouro obtido em uma modalidade pouco popular em nosso país, por exemplo a categoria de levantamento de peso, tem o mesmo valor que o de todo o time campeão olímpico de futebol masculino.

Neste aspecto, a mídia também pode ajudar a classificação geral do Brasil, remanejando o critério de utilização dos espaços disponíveis e divulgando em maior dose modalidades carentes de apoio, como o pugilismo, a vela, o judô. Os campeonatos de basquete, voleibol, handebol, pólo-aquático bem que merecem ser transmitidos ao vivo. Poucos imaginam o estímulo que estas coberturas causam em dirigentes, jogadores e todos os envolvidos com cada setor esportivo.

O futebol desfruta no Brasil e no mundo de uma situação privilegiada, pois possui um “status” já consagrado e tem cobertura e divulgação próprias. Na TV por assinatura, existe espaço sobrando nas inúmeras redes que dedicam vários canais à difusão desta modalidade. Na falta de material local inédito, muitos jogos de futebol são transmitidos várias vezes, É o “replay” ampliando um “déjà vu”. Outra medida para preencher espaço vago está sendo transmitir jogos do exterior. Admitimos que decisão de campeonatos europeus possa receber cobertura da nossa TV, mas nossas emissoras a cabo divulgam, “ao vivo”, jogos secundários dos campeonatos de países sul-americanos ou do leste europeu, em detrimento de jogos locais e esportes que poderiam ganhar espaço na escala de valores dos brasileiros.

Num momento em que o lado poliesportivo nacional precisa ser avidamente estimulado, estamos dando espaço para nossos futuros concorrentes, colocando a azeitona na empada alheia.

É verdade que esta é uma proposta inusitada e estranha para as emissoras, viciadas no monopólio do futebol profissional, mas a evolução de modalidades pouco praticadas entre nós precisa de soluções que fujam do convencional, principalmente no quadriênio que precede a Olimpíada do Rio.

Além do mais, uma centralização no tema “esporte” nos levará a dar um grande passo em direção da difusão de sua prática pela juventude, reduzindo o apelo às drogas, às baladas e aos bailes “funk”, onde a permissividade perdeu os freios. Esta divulgação poderá multiplicar a quantidade de praticantes dos esportes de base. Isto representa mais medalhas em Jogos Olímpicos, campeonatos pan-americanos e sul-americanos futuros.

Mesmo os praticantes que não chegarem a ser campeões serão beneficiados pelo esporte que gera saúde, num momento em que profissionais da medicina estão cada vez mais impressionados com a obesidade endêmica da nossa juventude, que numa alimentação pouco balanceada consome mais calorias que deveria.

No que diz respeito ao conteúdo do noticiário sobre as Olimpíadas, é importante não deixar o interesse cair meses antes do desfile inauguração dos Jogos em 2016. A meta é não perder na comparação com a Grã Bretanha. É hora de nos reformarmos.

Rio 2016 – Os nossos voluntários

Nos artigos anteriores e em todos que ainda escreveremos, insistiremos que, para não ficarmos numa rabeira na comparação com o padrão de organização apresentado pela Grã Bretanha nos Jogos Olímpicos de Londres, precisamos mudar a nossa índole, imbuídos de uma onda de civismo, puxada pelas pessoas de melhor formação do país.

Um dos múltiplos aspectos que enfrentaremos nesta cruzada será o da mobilização dos voluntários, uma condição “sine qua non” para a realização do maior evento do mundo.

Na Inglaterra, eles foram unanimemente citados como um dos principais fatores que tornaram o país sede como centro dos aplausos vindos de todo o mundo. Setenta mil pessoas, por vontade própria, sem receber um níquel sequer além do uniforme, prestaram-se para as mais diferentes tarefas, desde indicar os locais numerados para os espectadores e até auxiliar na segurança. Foram indispensáveis na organização do desfile, na recepção de delegações e no guichê de informações. Participaram dos espetáculos de abertura e encerramento como protagonistas e foram portadores das plaquetas identificadoras das delegações. Para servir aos Jogos Olímpicos, abdicavam de assistir às disputas proporcionadas pelas competições das dezenas de modalidades esportivas da ampla programação.

Georgios Hatzidakis, vice-presidente do Panathlon Club São Paulo, passou três semanas na Terra da Rainha, e nos relatou, como testemunha, o magnífico trabalho por eles realizado. Ele detalhou as vezes que se serviu destes voluntários e o quanto eles o ajudaram a saber como chegar aos locais das competições. O mesmo aconteceu com os que foram como turista à capital da Inglaterra, provenientes de mais de 200 países.

A descrição deste quadro nos traz a uma comparação com a realidade brasileira. Não será difícil recrutar setenta mil voluntários em nosso país, mas a primeira questão que se nos antepõe está no conceito que nossos conterrâneos terão de “voluntário”. É fundamental que sejam recrutadas somente as pessoas interessadas em servir aos Jogos e não aquelas que quiserem servir-se dos Jogos.

O primeiro conceito a se transmitir será apagar da mente do candidato a voluntário no Brasil a frase clássica: “que vantagem eu levo em me inscrever?”

Além da consciência cívica de servir ao país, o voluntário não poderá querer tirar nenhum outro proveito para si, como negociar a troca de moedas, aproveitando-se da taxa de câmbio, encaminhar, em troca de eventual comissão, turistas para determinados bares, boates ou mesmo lojas de souvenirs.

O civismo terá de ser a motivação de cada um e a retribuição a eles será a possibilidade de poder dizer, até o fim de suas vidas, que contribuíram para que o Brasil superasse o Reino Unido na organização do mega espetáculo dos Jogos Olímpicos.

A missão dos encarregados do setor de seleção e treinamento dos candidatos dentro do organograma oficial dos Jogos é imensa. Cada voluntário deve estar apto para orientar, informar e exercer sua função no setor em que for escalado. Meses antes da inauguração dos Jogos, devem ser ministrados cursos que os habilitem plenamente a executar suas missões, inclusive fornecendo-lhes rudimentos de línguas estrangeiras, principalmente o inglês.

Considerando-se o alcance desta mobilização, pode-se desde já conscientizar o leitor sobre a imensidão de trabalho que nos espera. Ele precisa ser avaliado desde agora. O recrutamento não pode ficar somente para quando faltarem alguns meses para o evento.

Crise financeira e o Rio-2016

No nosso último comentário sobre os Jogos Olímpicos, que teve por título “Um país mais digno”, mostramos que, se tomássemos por meta superar a extraordinária organização do evento de Londres, seria necessário nos tornarmos um país sério com toda a população voltada para essa meta.

O esforço será imenso, pois os preparativos deverão ser realizados num período de intensa crise mundial que, na história, talvez somente encontrou um paralelo na de 1929/30.

Quem abre os jornais nos dias correntes se depara com o noticiário da queda do PIB das principais nações do mundo (inclusive o Brasil). Além disso, o vaticinio dos cronistas especializados em economia não é nada animador e, ainda por cima, o noticiário geral está voltado para o julgamento dos envolvidos no “Mensalão”, na CPI do Cachoeira e na divulgação de seqüestros, mortes e assaltos. São fatos que dão idéia de quanto teremos de modificar nosso país para alcançarmos a ousada meta atingida pela Grã Bretanha.

Se a comparação for com um grande prêmio de Turfe, somos um cavalo que terá de correr carregando uma tonelada a mais, causada por fatores circunstanciais externos ou por razões endêmicas internas.

Além da batalha da organização, teremos que enfrentar o desafio de uma performance técnica de nossos representantes na arena, na competição, pois não há em toda nossa população quem esteja satisfeito com os nossos resultados em 2012.

Contemplando este universo, vemos que há muito a comentar nestes mais de 1.400 dias que ainda faltam para sermos julgados e avaliados por toda a população do planeta.

Por onde começar

Na minha opinião, devemos começar a nossa luta pela limpeza da casa. Precisamos olhar para um passado recente e verificarmos o que houve de errado e, principalmente, inidôneo e tomar as providências cabíveis.

É preciso expurgar de uma vez qualquer esperança de impunidade nos atos pouco honestos de todos os que estiverem envolvidos na organização dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Especificamente, precisa ser verificada a razão dos Jogos Pan-americanos terem custado dez vezes mais que o previsto no orçamento original e qual foi o emprego de cada tostão naquele evento. É necessário analisar todas as falhas havidas na transparência das prestações de contas, pois achamos que o processo ainda não está concluído. Se estiver, precisamos verificar a possibilidade de uma reabertura.

Se houver culpados, estes, nem por sonho, poderiam ter cargos nos Jogos Olímpicos de 2016. Esta medida, sem dúvida, frustraria a priori as esperanças dos integrantes na organização dos Jogos de pretender faturar algum dinheiro “por fora”, tornando-se um “sócio” da Olimpíada.

Remover facilidades

A segunda providência prévia importante será a revogação do projeto já em vigor criando facilidades para a liberação dos recursos do tesouro para os Jogos Olímpicos e também para o Mundial de 2014, facilidades estas que levam a uma leniência na transparência das prestações de contas.

O que precisa ser feito é responsabilizar os burocratas dos órgãos públicos pela demora, de um dia que seja, na tramitação dos processos destes dois mega eventos que, ex ofício, já devem levar o carimbo “urgência urgentíssima”.

É necessária, também, pelo pulso da nossa presidente e do ministro da justiça, uma atitude firme, digna e correta, afastando qualquer influência política nesta área: os políticos que queiram “quebrar o galho” dos faltosos (para não dizer ladrões!).

Se todos os recursos destinados aos Jogos forem efetivamente utilizados nos Jogos, as dificuldades econômicas geradas pela crise referida no início deste artigo serão amenizadas.

Lembremo-nos que o balanço dos Jogos de Londres terminou no azul. Será que o Brasil não consegue idêntica proeza, ou a nossa índole não permite?

Tem muito mais

Há muitas coisas ainda a acrescentar no artigo acima e que pedem uma abordagem do nosso blog.

Sem precisar esmiuçar muito, temos as greves e paralisações por razões políticas, ou as greves promovidas por chantagem dos que exercem funções essenciais na administração do país.

Temos ainda que transmitir aos trabalhadores das obras dos estádios a conscientização de que eles estão exercendo uma função com uma finalidade patriótica. E nós, da mídia, arcamos com o maior peso nesta conscientização, que levará ao êxito deste evento em que o Brasil é o grande exposto.