Salvemos o C.R. Tietê

IX – AS GLÓRIAS ENTRE 1914 E 1930

O Clube de Regatas Tietê, em 1914, ocupando um espaço às margens do Rio, embora possuísse apenas 433 sócios, passou por uma fase auspiciosa. Construiu novas instalações para as modalidades mais praticadas na época: o remo, a natação e o atletismo. Para a natação, construiu cochos, que eram tanques de madeira, onde se podia exercer o aprendizado com segurança. Desde a primeira Travessia de São Paulo a Nado, iniciada em 1924, um ano antes da São Silvestre, o Tietê já participava daquele evento (realizado até 1943) e teve vários vencedores “vermelhinhos”.

Nos fundos da área que lhe foi atribuída, o Tietê construiu um local específico para competições de natação, com pontões de madeira flutuantes demarcando os 25 metros, que era a distância oficial na época. Competições inesquecíveis foram efetuadas naquele local, onde se destacavam Carlos de Campos Sobrinho, o banqueiro Herbert Levy e as irmãs Maria e Sieglinda Lenk.

Partidas memoráveis de water polo também foram disputadas lá, até a construção de sua piscina em 1934.

Ao Tietê, comprimido entre a Associação Atlética das Palmeiras e a margem do rio, somente sobrava espaço para uma pequena pista de atletismo, com circunferência de apenas 200 metros, mas onde surgiram Álvaro de Oliveira Ribeiro (mais tarde dedicado à vida religiosa e patrono de uma prova clássica), Domingos Pugliese, campeão dos 400 metros, Luiz Pagliari, grande arremessador de dardo, e Bento de Camargo Barros, o inesquecível campeão das provas de arremesso, o inconfundível “Pastelão”. Anos mais tarde, sua projeção esportiva valeu-lhe uma grande homenagem: o seu nome foi dado a um logradouro público, a praça que fica em frente ao CR Tietê.

Naturalmente, era ao remo que se dedicava a maioria dos associados do clube. Motivados pelo fervor despertado pela modalidade, nos anos 20 e começo dos anos 30 do século XX, os remadores militantes iam dormir em alojamentos nos barracões de barcos às 9 horas da noite, para poder acordar no dia seguinte às 5 horas da manhã, fazer seus treinamentos e depois irem para as respectivas ocupações.

Foi nessa época que se ampliou a rivalidade histórica entre o Tietê e o Esperia. Os tieteanos tinham um canhãozinho de pólvora (sem obuses) que se caracterizava pelo estrondo que fazia. Quando os “vermelhinhos” venciam os esperiotas em uma regata, disparavam o canhão em direção ao outro lado do rio, com um barulho tão grande que chegava a quebrar os vidros do clube rival.

As grandes glórias do Clube de Regatas Tietê começaram cedo, mas em 1930 houve um marco que o levou a ser um dos principais clubes amadores do país.

Este será o tema do próximo artigo desta série.

Um comentário em “Salvemos o C.R. Tietê

  1. Faço parte desta história meu pai foi remador do clube. Passei minha infância às margens do Rio Tiête assistindo as regatas.Meu pai contava como era sua preparação para as competições. Foi cmpeão brasileiro 5 vezes pelo clube,tem outras tantas medalhas e até uma caneta de Chopp de uma festa de confraternização dos remadores. Bons tempos da nossa história de vida.Pena o clube encontrar-se nestas condições. Talvez agora com esta série de reportagens, sucite o interesse de transformar o Clube em um Pólo esportivo para o Rio 2016.Ai talvez minha filha que segue os passos do avó possa brilhar novamente pelo clube. Quem sabe?

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