Rio 2016 – Sujaram nossa imagem

A maior oportunidade decorrente de ser a sede dos Jogos Olímpicos de 2016 é poder projetar para todo o mundo a imagem de que somos um país sério, confiável, economicamente estável e componente do primeiro mundo. O fato de que seremos os protagonistas de um mega evento – o maior da história do esporte – nos coloca numa super exposição que nos permite livrar-nos de uma avaliação distorcida que nos acompanha desde que éramos colônia. Charles Darwin, a caminho das Ilhas Galápagos, passou alguns meses na Bahia, tempo suficiente para dizer que em nosso país gente rica não ia para a cadeia.

Charles de Gaulle, mais de um século depois, afirmou que “este país não é sério!”, frase fartamente repetida por quem não nos estima.

Na atualidade, qualquer proeza do tráfico, que mata jovens e derruba helicópteros da polícia, circula fortemente em âmbito mundial. As “garfadas” de Ricardo Teixeira na tesouraria da FIFA deixaram nossa imagem de honestidade mais suja do que tábua de gaiola ou pau de galinheiro num cenário internacional.

Quando começava a tomar forma um conceito de que até os Jogos de 2016 era preciso criar uma opinião coletiva de moralidade nacional, para desencanto dos que gostariam de ver nossa imagem melhorada, surge um “affaire” justamente com a Inglaterra, que joga tudo por água abaixo: a ampla divulgação da notícia de apropriação de informações confidenciais sobre segurança na Grã Bretanha.

Ele se refere ao roubo de documentos do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Londres. Dezesseis funcionários do Comitê Organizador do Rio/2016 foram demitidos por terem copiado arquivos sigilosos que abordavam, entre outros temas, a segurança.

Esta atitude vai custar caro ao COB. De agora em diante, as autoridades inglesas, até então disponíveis na colaboração com o nosso país, darão o mínimo apoio nos problemas que iremos enfrentar em 2016, apoio este que era fundamental para que conseguíssemos atingir a meta de produzir os Jogos no mesmo padrão que o Reino Unido obteve há meses.

O Comitê Olímpico Internacional tem um temor ainda maior: que estes dados obtidos ilicitamente sejam revendidos para terceiros.

Este roubo repercutiu na maioria dos veículos de comunicação do mundo. O erro que poderia ficar nos decibéis de um sussurro ganhou um alto falante ouvido por bilhões de pessoas em torno de todo o nosso planeta. Tudo caminhou na direção oposta aos principais propósitos dos brasileiros.

Com a rede de informática inglesa devassada, muita coisa que não deveria vir à tona apareceu e o Brasil recebeu qualificações nada favoráveis, nas quais predominam palavras como “vergonhoso” e outras exatamente na direção oposta da nossa pretensão.

Nos dias que se seguiram, o tema ainda continuou repercutindo nos jornais. Não vamos gastar toda a munição de informes disponíveis num único artigo. Vamos guardar um pouco para os próximos “posts”, pois continuar condenando esta terrível mancada nacional é a melhor maneira de melhorar uma imagem pouco correta que nos acompanha desde que D. João VI chegou em nossa terra fugindo da artilharia de Napoleão.

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