Salvemos o CR Tietê

XIII – Uma grande obra nos esportes aquáticos

Nos anos 30, no mesmo período em que o CR Tietê ampliava a sua área de ocupação com a anexação do São Paulo FC (da Floresta) e da AA São Bento (que fora Corinthians entre 1917 e 1926), através de comodato com a Prefeitura, o clube vermelhinho construiu sua piscina olímpica (50 metros).

Este natatório gerou uma importante fase de evolução dos esportes aquáticos paulistas, pois foi seguida pela inauguração quase simultânea das piscinas do SC Germânia (hoje EC Pinheiros) e do Clube Esperia (esta de 25 metros).

A primeira piscina construída no Estado de São Paulo foi a do Clube Atlético Paulistano, em 1926, que tinha uma medida estranha: 33 metros de comprimento. Tratando-se, porém, de uma agremiação de elite, suas instalações não eram cedidas para competições da Federação, restringindo-se exclusivamente aos seus associados.

A natação começou a sair do rio Tietê a partir de dezembro de 1929, com a inauguração da piscina da Associação Atlética São Paulo, que recebia sem restrição a presença de competidores de outras agremiações nos torneios oficiais.

Até 1932, a natação era regida pela FPSR – Federação Paulista das Sociedades de Remo, com sede em Santos. A emancipação da natação do remo aconteceu em 20 de novembro desse ano, no salão nobre de A Gazeta, que na ocasião localizava-se na Rua Líbero Badaró.

O paladino deste esforço foi Carlos Joel Nelli, então redator do jornal, que em A Gazeta, e na edição semanal de A Gazeta Esportiva, lutou sempre contra a sede da natação em Santos e contra a diretoria de uma entidade mais interessada nas remadas que nas braçadas.

Não faltou crédito ao CR Tietê para financiar a construção de sua piscina, uma das maiores do país daquela década. O surto do progresso do clube, resultante desta iniciativa, causou um aumento do número de associados tão grande que o clube saldou a sua dívida dois anos antes do final programado. A execução da obra foi da Construtora Adolfo Lindenberg, uma das mais conceituadas do país. Até hoje aquela piscina presta serviços à comunidade tieteana.

A esse natatório também correspondeu na época a formação da melhor equipe aquática de São Paulo. Carlos de Campos Sobrinho foi contratado como técnico, levando consigo as irmãs Maria e Sieglinda Lenk. Inclusive o pai das campeãs, Paulo Lenk, foi contratado como professor de natação. O autor deste texto chegou a ter aulas de aperfeiçoamento do estilo com o velho Lenk (as minhas primeiras braçadas tinham sido dadas no “cocho” no Tietê, quando o rio já começava a apresentar os primeiros indícios de poluição).

Este progresso da aquática não foi exclusivo do CR Tietê, do Esperia e do Germânia, mas de toda a natação paulista, que passou a enfrentar, de igual para igual, os nadadores do Rio de Janeiro.

Da equipe do Tietê participaram grandes nomes do esporte, como Miguel Paes Laureiro, o “Piolho”, João Podboy Jr., que terminou sua carreira sucedendo Carlos de Campos Sobrinho como técnico da equipe “vermelhinha”. Teve também o Dr. Otávio Germeck, que se destacou igualmente na medicina, chegando a catedrático da Faculdade de Medicina da USP. Era um tempo em que cada competidor do clube tinha um apelido como “Lamparina”, “Chocolate”, “Anjinho”, “Banha” e outros.

Um clube com esta bela história e uma inolvidável contribuição para o esporte paulista e brasileiro não pode ser preterido num momento de renovação do comodato. Urge uma providência urgente para a normalização do problema, que pode dar um ponto final à vida de uma instituição que é um grande símbolo do esporte, justamente numa semana em que se disputa o segundo turno das eleições municipais, fato que levanta diversas dúvidas sobre a imparcialidade da Câmara.

Rio 2016 – Espera-se mais da Secretaria Estadual

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

A série de artigos do nosso blog pretende criar uma mentalidade estimulando a mobilização geral da população, clubes, federações e órgãos públicos visando à criação de uma atmosfera favorável para que o esporte do nosso país se apresente bem nos Jogos Olímpicos de 2016.

O fluxo da correspondência sobre esse tema aumentou significativamente e, em casos especiais, temos dado oportunidade para os leitores apresentarem suas opiniões ou críticas a respeito. Outro dia foi o leitor José Pinto Lapa que teve a oportunidade de externar suas opiniões. Na coluna de hoje é a vez de ceder a palavra ao prof. Walter da Silva, que nos mandou o seguinte comentário:

O Governo do Estado de São Paulo continua colocando o Esporte e o Lazer como atividades supérfluas, demonstrando que a importância do Esporte se restringe a organizar e oferecer competições. Faltam ao governo políticas sociais através do Esporte e do Lazer, visando à saúde e ao lazer do trabalhador, para o pleno exercício de sua cidadania.

Os benefícios alardeados do Esporte ficam apenas no discurso. A bem da verdade, não há sequer quadros para gerenciar a estrutura esportiva do Estado. A Secretaria sempre foi usada como moeda de troca. Na primeira administração do governador Geraldo Alckmin, ficou com o PFL (demo) e na administração Serra passou para o PTB. Agora, na segunda administração, permanece com o PTB.

Com certeza, durante esta administração, a maioria da população ainda não experimentou os benefícios da atividade esportiva. Primeiro, porque o Esporte permaneceu fechado à participação de muitos, restringindo a sua prática aos mais abastados financeiramente e às entidades apadrinhadas do Governo. Segundo, o Esporte foi oferecido à população por meio do espetáculo televisivo, no qual os verdadeiros beneficiários são os atletas e os seus patrocinadores.

Na mídia, mantém-se a idéia e a sensação de que o Esporte é uma coisa maravilhosa, e realmente é, mas para aqueles que o praticam. Na teoria, todos são unânimes quanto à importância do Esporte na vida dos cidadãos. Na prática, o Governo do Estado tem usado o Esporte como massa de manobra e de projeção política, apesar dos investimentos exíguos e das migalhas que compõem o orçamento da Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude.

Infelizmente, a política neoliberal do Governo do Estado não vem contemplando o Esporte como fenômeno social, deixando de atender às necessidades da população, de contribuir para a melhoria da qualidade de vida e de ser eficiente no processo educacional.

Hoje, o Esporte deixa de ser um fim em si mesmo e se apresenta como um recurso indispensável para alicerçar as políticas públicas voltadas para a educação, a saúde, a cultura, o meio ambiente e a segurança pública.

As ações da Secretaria têm se caracterizado por benesses assistencialistas, terceirização dos eventos esportivos e investimento no Esporte competição, voltado para o alto rendimento. O desconhecimento da importância do Esporte e do Lazer entre os dirigentes do Estado vem perpetuando a idéia de que este é uma forma de espetáculo que se volta para a minoria e não de educação, qualidade de vida, cidadania, que envolve a participação popular.

A única ação da Secretaria que apresenta um significado social e atende os municípios do Estado, o Esporte Social,continua com baixo investimento e conseguirá atender no máximo 80 entidades e/ou municípios.

Às vésperas de uma Copa do Mundo, as perspectivas para a Olimpíada de 2016 no Brasil colocam o Governo do Estado fora da realidade do país. De 2009 a 2012,o orçamento do Esporte manteve-se em 0,1% do Orçamento Geral. Quando se esperava que o governo saísse do discurso demagógico para investir realmente no Esporte, o orçamento chega com uma projeção de 0,09% para 2013.

O orçamento para 2013 projeta o valor de R$ 164.250.659,00 e corresponde exatamente à negação de todos os valores e benefícios do Esporte mencionados e à falta de política pública para os jovens no Estado de São Paulo, com valores irrisórios para o programa Jovem em Foco. Quando o orçamento do Estado atinge R$ 173 bilhões, o orçamento de Esporte, Lazer e Juventude é reduzido para 0,09% do orçamento geral (longe de 1%).

Convém lembrar que, desse orçamento, R$ 77.663.840,00 correspondem à administração geral da Secretaria. Os Jogos Regionais e os Jogos Abertos do Interior e outros mais têm uma verba de R$ 37.929.000,00 (sendo 85% verbas federais). Para as construções, reformas dos equipamentos esportivos e centros de excelência foram disponibilizados  R$ 26.265.035,00. Esses valores somados correspondem a R$148.962.040,00. Isso significa que do orçamento restam apenas R$ 15.288.610,00. Esse valor, teoricamente, poderia atender os 645 municípios do Estado de São Paulo. No entanto, essa sobra deve ser destinada a outras ações da Secretaria, como o Bolsa Talento, o Esporte Social, Esporte para o Deficiente, Jovem em Foco e o Lazer como qualidade de vida. Justamente, nos municípios onde ocorre a formação do cidadão, onde surgem os atletas de rendimento e onde o Esporte exerce a sua plenitude como instrumento de inclusão social, não há verba e, conseqüentemente, política pública para o Esporte, o Lazer e a Juventude. O programa destinado à juventude apresenta o valor irrisório de R$ 1.672.000,00. Como o Esporte não é utilizado na formação das crianças e adolescentes, o Estado acaba correndo atrás do prejuízo, investindo milhões e milhões na Fundação Casa, onde ficam os jovens infratores que não tiveram oportunidade de ter acesso aos instrumentos que contribuem para a formação da cidadania.

Retomamos a luta para um orçamento decente para o Esporte no Estado de São Paulo.

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Laudo Natel é um “gentleman”. Nunca nos esquece. Já recebemos o calendário de 2013. Há mais de duas décadas todos os nossos dias são acompanhados pela lembrança do esportista que ergueu o Morumbi, o maior estádio dos paulistas.

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Outro pontual cultor do Natal e do Ano Novo é o Della Monica, ex-presidente do Palmeiras. Todos os anos, ainda em novembro, ele telefona pessoalmente para os integrantes da multidão de amigos que possui.

Salvemos o CR Tietê

XII – A década de ouro!

Terminamos o capítulo precedente desta série sobre o glorioso clube da Ponte Grande dizendo que a década de 30 foi a mais importante da história do CR Tietê. Além de ter incorporado as importantes áreas do São Paulo FC (da Floresta) e do Clube São Bento, aquela agremiação ainda construiu sua piscina olímpica, suas quadras de tênis, novos vestiários e a pista de atletismo, onde se realizou o inesquecível Campeonato Sul-americano desta modalidade em 1937.

Tudo isto foi fruto de uma administração eficiente e idônea, uma vez que não entrou em todas as despesas nem um tostão fora da arrecadação proveniente das mensalidades dos associados.

Foi visto nos capítulos anteriores como o Tietê conseguiu triplicar o espaço ocupado, e também é importante contar a história da construção das principais obras e benfeitorias.

Comecemos pelo atletismo, dizendo que, nos anos que sucederam 1913, o clube apenas possuía uma pista de reduzidas dimensões, designada como “pistinha”. Quando o Tietê fez a fusão com o São Paulo FC da Floresta, ele entrou na posse do estádio de futebol, com arquibancadas, vestiários e outras instalações complementares.

Em minha infância, eu tive condições de ser uma testemunha ocular dessa transformação. Logo depois da incorporação, vi naquela época Friedereich dirigindo um treino de futebol, fato que indicava que, em 1936, poderia ter acontecido um desejo efêmero do clube continuar com o time daquela modalidade. Entretanto, não tive conhecimento da realização de algum jogo oficial. Na realidade eu era um menino de apenas 10 anos.

Logo depois começaram as obras de adaptação do campo de futebol, transformado na melhor pista do país. Já estavam prontas as tribunas e arquibancadas, faltava somente fazer a pista (de 400 metros), os tanques de saltos e os locais específicos para o arremesso no lugar onde antes era o gramado.

Para inaugurá-la, foi marcado o Campeonato Sul-americano de 1937, do qual eu não perdi nenhuma prova. Lembro dos nomes de quase todos os participantes, tal o impacto que aquele certame me causou. O meu ideal pelo esporte nasceu daquele espetáculo ao qual assisti aos 11 anos de idade.

O Tietê necessitou colocar arquibancadas móveis suplementares para abrigar os que queriam ver competindo Ícaro de Castro Mello, Aluízio Queiróz Teles, José Carlos Figueiredo Ferraz (depois grande arquiteto e prefeito de São Paulo), Bento de Assis, Luiz Pagliari, Bento de Camargo Barros (o Pastelão), Walter Rehder, Alfredo Mendes e representantes de países sul-americanos, entre eles José Ibarra, que dominou todas as corridas de fundo. Os intervalos eram preenchidos pelos cânticos de uma torcida uniformizada de meia centena de integrantes, comandada pelos tieteanos históricos Zoccoli, Banha e Fuzarca.

Eu me aproximei dos dirigentes, fiz amigos entre atletas e os próprios dirigentes e, aos 14 anos, já me tornei juiz das provas de saltos de extensão e triplo. Até hoje guardo recortes publicados dando a minha escalação.

Eu era de estatura pequena. Não me atrevi a ser atleta, por isso militei na natação, com uma carreira muito modesta como competidor, mas muito expressiva como dirigente.

Esta série do meu blog não é para falar de mim, mas para me qualificar como testemunha de uma história que não pode ser ignorada e sensibilizar os administradores dos dias presentes em favor da renovação do comodato do clube que é uma verdadeira instituição.

A pista de que hoje falamos serviu ao atletismo de São Paulo e do Brasil durante meio século. No próximo capítulo é a vez da natação.

Quatro anos mais do mesmo!

Foto: AFP

Foto: AFP

A importância de uma imagem positiva é fundamental para o sucesso em qualquer área de atividade, seja ela uma pessoa física, entidade empresarial privada, produto de consumo ou mesmo um país.

Verdadeiras fortunas são gastas na mídia em propaganda e marketing e em eventos que se transformam em instrumentos de comunicação, a fim de se elevar uma imagem. Empresas aéreas chegam a construir grandes estádios para que elas assumam a denominação da razão social dos mesmos e participam de cotas de patrocínio em mega eventos. Certames enormes dos esportes mais populares chegam a valer verdadeiras fortunas.

Se, a custo benefício, o investimento em imagem não fosse vantajoso, ele não seria tão intenso e universal.

Infelizmente, o Brasil não pontifica nesta área tão rendosa. Embora seja a sexta economia do mundo e possua inúmeros méritos ausentes em outras nações, nosso país é pessimamente divulgado nos cinco continentes deste planeta. Nossa mídia e a do exterior publicam preponderantemente noticiário do tráfico nos morros, a criminalidade precoce dos jovens que neles habitam, a corrupção de nossa política e também da policia e toda uma série de informações que nenhum cidadão gostaria de ouvir sobre a sua pátria.

Esta cultura somente poderia ser alterada diante de uma situação de impacto, do aparecimento de uma bandeira que levaria políticos, empresários, professores e cidadãos conscientes desta situação mudar seus hábitos e valores, passando a considerar o Brasil um país sério, apagando a sua imagem atual como se apaga um exercício errado na lousa de uma sala de aula.

Muita coisa favorável nesta campanha do “Muda Brasil!” já vem sendo conseguida. No atual processo do Mensalão, a impunidade, maior aliada dos corruptos, está sendo visivelmente derrotada. O STF mostrou a cruz para o diabo e agora em diante os maus políticos irão pensar duas vezes antes de entrar numa ciranda de ilicitudes.

A realização de um Mundial de Futebol, outro de Judô, uma Concentração Mundial da Juventude Cristã e ainda os Jogos Olímpicos e os Paralímpicos, alem da Copa das Confederações criaram uma expectativa de responsabilidade social, a necessária bandeira mobilizadora para mudar consciências e comportamentos para transformar a imagem do nosso país.

Quando o Brasil recebeu em Londres a Bandeira Olímpica, vinha junto com ela o desafio de uma comparação entre o último e o próximo Jogos Olímpicos. Iniciava-se um dos quadriênios mais importantes não só para o esporte, mas para o próprio país.

É verdade que, para que a grande meta seja atingida, é necessário remover o entulho e acabar com o lixo que teima em continuar enegrecendo a nossa imagem predominante no exterior.

O que se temia ocorreu com a queda do esquema da CBF, do Ricardo Teixeira e do Ministro dos Esportes, Orlando Silva. Quando esperávamos que o primeiro desafio estivesse superado com o afastamento do cenário de dois grandes figurantes, uma nova barreira se ergue com o fortalecimento do estigma que queremos extirpar dos personagens da nova peça que entrou em cartaz, a quinta “reeleição” de Carlos Nuzman; “mais quatro anos do mesmo”, a anti-renovação de uma realidade que queremos extinguir.

Sem entrar em pormenores (que já foram alvo de comentários anteriores), lembramos do caso entre o Comitê Organizador Londrino e do Brasil sobre a divulgação pelos brasileiros de detalhes sigilosos referentes à segurança dos Jogos Olímpicos recentemente concluídos na capital da Inglaterra. Nem precisamos dizer que a nossa imagem já foi emporcalhada logo no início do super quadriênio que está apenas se iniciando. A imprensa mundial deitou e rolou com o fato publicando amplamente o nosso despreparo para dirigir os eventos do mega quadriênio.

Entre outras coisas, é preciso mudar o sistema de distribuição dos recursos provenientes da Lei Piva, que garantem ao presidente do COB reeleições por unanimidade e até por aclamação. Não é que ele seja adorado. É que não há presidente de confederação (os votantes) que queira se arriscar e ver a dotação de sua entidade prejudicada ao desafiar o dono da chave do cofre. A vantagem dessa posição é tão grande que ele já lançou sua candidatura para o período de 2015 a 2020.

A imprensa, nesta luta moralizadora, tem uma grande missão. Se ela conseguiu na área do Mensalão contribuir para criar uma atmosfera de mudanças, será muito mais fácil evitar que os presidentes do COB transformem em benesses os recursos e os direitos do esporte que cabem a essa entidade zelar.