A série de artigos do nosso blog pretende criar uma mentalidade estimulando a mobilização geral da população, clubes, federações e órgãos públicos visando à criação de uma atmosfera favorável para que o esporte do nosso país se apresente bem nos Jogos Olímpicos de 2016.
O fluxo da correspondência sobre esse tema aumentou significativamente e, em casos especiais, temos dado oportunidade para os leitores apresentarem suas opiniões ou críticas a respeito. Outro dia foi o leitor José Pinto Lapa que teve a oportunidade de externar suas opiniões. Na coluna de hoje é a vez de ceder a palavra ao prof. Walter da Silva, que nos mandou o seguinte comentário:
O Governo do Estado de São Paulo continua colocando o Esporte e o Lazer como atividades supérfluas, demonstrando que a importância do Esporte se restringe a organizar e oferecer competições. Faltam ao governo políticas sociais através do Esporte e do Lazer, visando à saúde e ao lazer do trabalhador, para o pleno exercício de sua cidadania.
Os benefícios alardeados do Esporte ficam apenas no discurso. A bem da verdade, não há sequer quadros para gerenciar a estrutura esportiva do Estado. A Secretaria sempre foi usada como moeda de troca. Na primeira administração do governador Geraldo Alckmin, ficou com o PFL (demo) e na administração Serra passou para o PTB. Agora, na segunda administração, permanece com o PTB.
Com certeza, durante esta administração, a maioria da população ainda não experimentou os benefícios da atividade esportiva. Primeiro, porque o Esporte permaneceu fechado à participação de muitos, restringindo a sua prática aos mais abastados financeiramente e às entidades apadrinhadas do Governo. Segundo, o Esporte foi oferecido à população por meio do espetáculo televisivo, no qual os verdadeiros beneficiários são os atletas e os seus patrocinadores.
Na mídia, mantém-se a idéia e a sensação de que o Esporte é uma coisa maravilhosa, e realmente é, mas para aqueles que o praticam. Na teoria, todos são unânimes quanto à importância do Esporte na vida dos cidadãos. Na prática, o Governo do Estado tem usado o Esporte como massa de manobra e de projeção política, apesar dos investimentos exíguos e das migalhas que compõem o orçamento da Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude.
Infelizmente, a política neoliberal do Governo do Estado não vem contemplando o Esporte como fenômeno social, deixando de atender às necessidades da população, de contribuir para a melhoria da qualidade de vida e de ser eficiente no processo educacional.
Hoje, o Esporte deixa de ser um fim em si mesmo e se apresenta como um recurso indispensável para alicerçar as políticas públicas voltadas para a educação, a saúde, a cultura, o meio ambiente e a segurança pública.
As ações da Secretaria têm se caracterizado por benesses assistencialistas, terceirização dos eventos esportivos e investimento no Esporte competição, voltado para o alto rendimento. O desconhecimento da importância do Esporte e do Lazer entre os dirigentes do Estado vem perpetuando a idéia de que este é uma forma de espetáculo que se volta para a minoria e não de educação, qualidade de vida, cidadania, que envolve a participação popular.
A única ação da Secretaria que apresenta um significado social e atende os municípios do Estado, o Esporte Social,continua com baixo investimento e conseguirá atender no máximo 80 entidades e/ou municípios.
Às vésperas de uma Copa do Mundo, as perspectivas para a Olimpíada de 2016 no Brasil colocam o Governo do Estado fora da realidade do país. De 2009 a 2012,o orçamento do Esporte manteve-se em 0,1% do Orçamento Geral. Quando se esperava que o governo saísse do discurso demagógico para investir realmente no Esporte, o orçamento chega com uma projeção de 0,09% para 2013.
O orçamento para 2013 projeta o valor de R$ 164.250.659,00 e corresponde exatamente à negação de todos os valores e benefícios do Esporte mencionados e à falta de política pública para os jovens no Estado de São Paulo, com valores irrisórios para o programa Jovem em Foco. Quando o orçamento do Estado atinge R$ 173 bilhões, o orçamento de Esporte, Lazer e Juventude é reduzido para 0,09% do orçamento geral (longe de 1%).
Convém lembrar que, desse orçamento, R$ 77.663.840,00 correspondem à administração geral da Secretaria. Os Jogos Regionais e os Jogos Abertos do Interior e outros mais têm uma verba de R$ 37.929.000,00 (sendo 85% verbas federais). Para as construções, reformas dos equipamentos esportivos e centros de excelência foram disponibilizados R$ 26.265.035,00. Esses valores somados correspondem a R$148.962.040,00. Isso significa que do orçamento restam apenas R$ 15.288.610,00. Esse valor, teoricamente, poderia atender os 645 municípios do Estado de São Paulo. No entanto, essa sobra deve ser destinada a outras ações da Secretaria, como o Bolsa Talento, o Esporte Social, Esporte para o Deficiente, Jovem em Foco e o Lazer como qualidade de vida. Justamente, nos municípios onde ocorre a formação do cidadão, onde surgem os atletas de rendimento e onde o Esporte exerce a sua plenitude como instrumento de inclusão social, não há verba e, conseqüentemente, política pública para o Esporte, o Lazer e a Juventude. O programa destinado à juventude apresenta o valor irrisório de R$ 1.672.000,00. Como o Esporte não é utilizado na formação das crianças e adolescentes, o Estado acaba correndo atrás do prejuízo, investindo milhões e milhões na Fundação Casa, onde ficam os jovens infratores que não tiveram oportunidade de ter acesso aos instrumentos que contribuem para a formação da cidadania.
Retomamos a luta para um orçamento decente para o Esporte no Estado de São Paulo.
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Laudo Natel é um “gentleman”. Nunca nos esquece. Já recebemos o calendário de 2013. Há mais de duas décadas todos os nossos dias são acompanhados pela lembrança do esportista que ergueu o Morumbi, o maior estádio dos paulistas.
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Outro pontual cultor do Natal e do Ano Novo é o Della Monica, ex-presidente do Palmeiras. Todos os anos, ainda em novembro, ele telefona pessoalmente para os integrantes da multidão de amigos que possui.

Quero emitir minhas congratulações ao eminente pensador do Esporte como política pública de inclusão e formador de conceitos de ciadadania, Dr. Walter Silva.
A falácia de orçamentos pífios só instrumentaliza o esporte espetáculo que graças aos valorosos atletas brasileiros sempre elevou a nossa alto estima em mega eventos esportivos (Jogos Olímpicos e Mundiais), entretanto a formação cidada através do esporte de base e no equipamento escola pública ainda esta em condições de pais terceiro ou quarto mundista.
Portanto, muitíssimo pertinente o artigo do Prof. Walter, que entre outras ações propositivas, criou a exitosa Volta da Cidade Universitária na minha saudosa Universidade de São Paulo.
Enquanto não houver políticas eficazes para o Esporte estaremos sujeitos a somente uma face dessa milenar instituição que promove há séculos a paz mundial; ou seja a exploração pelo Capitalismo do Esporte Espetáculo movimentando bilhões de dólares no mundo.
Parabéns Walter pela brilhante exposição de teoria plausivel e modificadora de vidas!!!!!
Dr. Sérgio Santos
Diretor de Centro de Estudos do Talento Esportivo
Universidade Federal do Paraná
Realmente o texto expressa, com detalhes, a ausência de uma clara política pública para o Esporte em nosso país. Tivemos um presidente que considerou o material esportivo como “superfluo” e agora temos o esporte como tal. Não observamos seriedade na condução das secretarias municipais, quando existem, que são entregues a políticos que acreditam que “dar camisas para times de futebol de várzea” é uma política pública coerente.
Quem sabe, um dia, teremos a oportunidade de ver políticos que atentem para a questão, tenham a audição de profissionais que compreendam o significado do estabelecimento de políticas públicas e superem a mediocridade em que vivemos.
Parabéns Walter.