Rio 2016 – Espera-se mais da Secretaria Estadual

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

A série de artigos do nosso blog pretende criar uma mentalidade estimulando a mobilização geral da população, clubes, federações e órgãos públicos visando à criação de uma atmosfera favorável para que o esporte do nosso país se apresente bem nos Jogos Olímpicos de 2016.

O fluxo da correspondência sobre esse tema aumentou significativamente e, em casos especiais, temos dado oportunidade para os leitores apresentarem suas opiniões ou críticas a respeito. Outro dia foi o leitor José Pinto Lapa que teve a oportunidade de externar suas opiniões. Na coluna de hoje é a vez de ceder a palavra ao prof. Walter da Silva, que nos mandou o seguinte comentário:

O Governo do Estado de São Paulo continua colocando o Esporte e o Lazer como atividades supérfluas, demonstrando que a importância do Esporte se restringe a organizar e oferecer competições. Faltam ao governo políticas sociais através do Esporte e do Lazer, visando à saúde e ao lazer do trabalhador, para o pleno exercício de sua cidadania.

Os benefícios alardeados do Esporte ficam apenas no discurso. A bem da verdade, não há sequer quadros para gerenciar a estrutura esportiva do Estado. A Secretaria sempre foi usada como moeda de troca. Na primeira administração do governador Geraldo Alckmin, ficou com o PFL (demo) e na administração Serra passou para o PTB. Agora, na segunda administração, permanece com o PTB.

Com certeza, durante esta administração, a maioria da população ainda não experimentou os benefícios da atividade esportiva. Primeiro, porque o Esporte permaneceu fechado à participação de muitos, restringindo a sua prática aos mais abastados financeiramente e às entidades apadrinhadas do Governo. Segundo, o Esporte foi oferecido à população por meio do espetáculo televisivo, no qual os verdadeiros beneficiários são os atletas e os seus patrocinadores.

Na mídia, mantém-se a idéia e a sensação de que o Esporte é uma coisa maravilhosa, e realmente é, mas para aqueles que o praticam. Na teoria, todos são unânimes quanto à importância do Esporte na vida dos cidadãos. Na prática, o Governo do Estado tem usado o Esporte como massa de manobra e de projeção política, apesar dos investimentos exíguos e das migalhas que compõem o orçamento da Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude.

Infelizmente, a política neoliberal do Governo do Estado não vem contemplando o Esporte como fenômeno social, deixando de atender às necessidades da população, de contribuir para a melhoria da qualidade de vida e de ser eficiente no processo educacional.

Hoje, o Esporte deixa de ser um fim em si mesmo e se apresenta como um recurso indispensável para alicerçar as políticas públicas voltadas para a educação, a saúde, a cultura, o meio ambiente e a segurança pública.

As ações da Secretaria têm se caracterizado por benesses assistencialistas, terceirização dos eventos esportivos e investimento no Esporte competição, voltado para o alto rendimento. O desconhecimento da importância do Esporte e do Lazer entre os dirigentes do Estado vem perpetuando a idéia de que este é uma forma de espetáculo que se volta para a minoria e não de educação, qualidade de vida, cidadania, que envolve a participação popular.

A única ação da Secretaria que apresenta um significado social e atende os municípios do Estado, o Esporte Social,continua com baixo investimento e conseguirá atender no máximo 80 entidades e/ou municípios.

Às vésperas de uma Copa do Mundo, as perspectivas para a Olimpíada de 2016 no Brasil colocam o Governo do Estado fora da realidade do país. De 2009 a 2012,o orçamento do Esporte manteve-se em 0,1% do Orçamento Geral. Quando se esperava que o governo saísse do discurso demagógico para investir realmente no Esporte, o orçamento chega com uma projeção de 0,09% para 2013.

O orçamento para 2013 projeta o valor de R$ 164.250.659,00 e corresponde exatamente à negação de todos os valores e benefícios do Esporte mencionados e à falta de política pública para os jovens no Estado de São Paulo, com valores irrisórios para o programa Jovem em Foco. Quando o orçamento do Estado atinge R$ 173 bilhões, o orçamento de Esporte, Lazer e Juventude é reduzido para 0,09% do orçamento geral (longe de 1%).

Convém lembrar que, desse orçamento, R$ 77.663.840,00 correspondem à administração geral da Secretaria. Os Jogos Regionais e os Jogos Abertos do Interior e outros mais têm uma verba de R$ 37.929.000,00 (sendo 85% verbas federais). Para as construções, reformas dos equipamentos esportivos e centros de excelência foram disponibilizados  R$ 26.265.035,00. Esses valores somados correspondem a R$148.962.040,00. Isso significa que do orçamento restam apenas R$ 15.288.610,00. Esse valor, teoricamente, poderia atender os 645 municípios do Estado de São Paulo. No entanto, essa sobra deve ser destinada a outras ações da Secretaria, como o Bolsa Talento, o Esporte Social, Esporte para o Deficiente, Jovem em Foco e o Lazer como qualidade de vida. Justamente, nos municípios onde ocorre a formação do cidadão, onde surgem os atletas de rendimento e onde o Esporte exerce a sua plenitude como instrumento de inclusão social, não há verba e, conseqüentemente, política pública para o Esporte, o Lazer e a Juventude. O programa destinado à juventude apresenta o valor irrisório de R$ 1.672.000,00. Como o Esporte não é utilizado na formação das crianças e adolescentes, o Estado acaba correndo atrás do prejuízo, investindo milhões e milhões na Fundação Casa, onde ficam os jovens infratores que não tiveram oportunidade de ter acesso aos instrumentos que contribuem para a formação da cidadania.

Retomamos a luta para um orçamento decente para o Esporte no Estado de São Paulo.

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Laudo Natel é um “gentleman”. Nunca nos esquece. Já recebemos o calendário de 2013. Há mais de duas décadas todos os nossos dias são acompanhados pela lembrança do esportista que ergueu o Morumbi, o maior estádio dos paulistas.

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Outro pontual cultor do Natal e do Ano Novo é o Della Monica, ex-presidente do Palmeiras. Todos os anos, ainda em novembro, ele telefona pessoalmente para os integrantes da multidão de amigos que possui.

2 comentários em “Rio 2016 – Espera-se mais da Secretaria Estadual

  1. Quero emitir minhas congratulações ao eminente pensador do Esporte como política pública de inclusão e formador de conceitos de ciadadania, Dr. Walter Silva.

    A falácia de orçamentos pífios só instrumentaliza o esporte espetáculo que graças aos valorosos atletas brasileiros sempre elevou a nossa alto estima em mega eventos esportivos (Jogos Olímpicos e Mundiais), entretanto a formação cidada através do esporte de base e no equipamento escola pública ainda esta em condições de pais terceiro ou quarto mundista.

    Portanto, muitíssimo pertinente o artigo do Prof. Walter, que entre outras ações propositivas, criou a exitosa Volta da Cidade Universitária na minha saudosa Universidade de São Paulo.

    Enquanto não houver políticas eficazes para o Esporte estaremos sujeitos a somente uma face dessa milenar instituição que promove há séculos a paz mundial; ou seja a exploração pelo Capitalismo do Esporte Espetáculo movimentando bilhões de dólares no mundo.

    Parabéns Walter pela brilhante exposição de teoria plausivel e modificadora de vidas!!!!!

    Dr. Sérgio Santos
    Diretor de Centro de Estudos do Talento Esportivo
    Universidade Federal do Paraná

  2. Realmente o texto expressa, com detalhes, a ausência de uma clara política pública para o Esporte em nosso país. Tivemos um presidente que considerou o material esportivo como “superfluo” e agora temos o esporte como tal. Não observamos seriedade na condução das secretarias municipais, quando existem, que são entregues a políticos que acreditam que “dar camisas para times de futebol de várzea” é uma política pública coerente.
    Quem sabe, um dia, teremos a oportunidade de ver políticos que atentem para a questão, tenham a audição de profissionais que compreendam o significado do estabelecimento de políticas públicas e superem a mediocridade em que vivemos.
    Parabéns Walter.

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