Salvemos o CR Tietê

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Ajudar é a solução

Chegamos bem perto do epílogo de uma história que começou na última década do século XIX, quando a Chácara Floresta passou a ser o primeiro local onde se praticou esporte em São Paulo. Em treze capítulos anteriores, contamos as glórias e as vicissitudes pelas quais atravessou uma região símbolo de nossa Capital. Não só pelo CR Tietê, mas por quase uma dezena de clubes ribeirinhos, passaram muitas gerações de crianças, jovens e adultos que se beneficiaram da saúde, da recreação e da solidariedade inerente ao esporte, com o lazer ocupando o tempo livre do estudante com uma atividade sadia.

É óbvio que atender este objetivo seria uma função do poder governamental, neste caso específico o Municipal, mas o furor arrecadador fez com que todas as entidades que contribuíam para uma finalidade de tão grande importância social – existentes há mais de um século – fossem taxadas e ficassem endividadas.

O governo municipal pretendeu minorar a situação de algumas dessas agremiações que haviam dado grande contribuição à nossa sociedade, mas estavam com débitos de impostos municipais, uma vez que o terreno por elas ocupado é da Prefeitura. Incluíam-se neste rol alguns outros clubes profissionais, como São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Portuguesa e Juventus, cuja dívida de 107 milhões de reais é resultante também da contratação de futebolistas e diversos atletas renomados. Os clubes citados, que integram áreas públicas, sem contrapartidas financeiras ou sociais, teriam o direito de ocupar terrenos municipais por mais 70 anos. Da relação, porém, foi excluído o CR Tietê.

Ignoram nossos políticos que os graves problemas sociais que enfrentamos hoje, como a criminalidade precoce, a ampla difusão do uso de drogas, contrabando e outros crimes são praticados por adolescentes, cuja faixa etária está fora do alcance da lei penal.

Entre tantos clubes para se apoderar, os políticos voltaram-se justamente para o Clube de Regatas Tietê, que se apresentava como o mais debilitado. Em vez de ajudá-lo com dotações, decidiram encerrar as atividades de uma das agremiações mais gloriosas do nosso esporte (ver todos os treze artigos anteriores) por razões políticas, favorecendo seus currais eleitorais.

O Tietê não merece isso!

Mesmo perdendo na primeira instância de uma disputa, o clube vermelhinho pode encontrar em outras esferas da hierarquia do Judiciário um abrigo, alguém que não ignore sua gloriosa história. Se até os poderosos já encontraram no seu caminho um ministro com a visão de um Joaquim Barbosa, quem sabe o atual presidente tieteano Lauro de Mello Carvalho e muitos que estão ao seu lado consigam salvar o clube de aproveitadores, entre os quais os mais recentes são da Faculdade Zumbi dos Palmares e o E.C. Pinheiros.

Uma solução para o aproveitamento das magníficas instalações (erguidas com o esforço e os recursos de tieteanos de várias épocas) e dos bens ainda ali mantidos seria criar um convênio com os poderes estaduais e municipais. Por este sistema, o clube estaria aberto a alunos das escolas públicas da região. Isto ocorreria em horários pré-estabelecidos e com o acompanhamento conjunto de professores, técnicos do clube e outros profissionais pagos pelo governo. Os alunos de maior talento defenderiam as suas escolas nos certames colegiais e o Tietê nas competições das diversas federações esportivas de São Paulo.

Esta providência, feita com amor ao esporte, transparência e idealismo, seria uma boa contrapartida oferecida pelo clube ao poder público e uma bela forma de reduzir a criminalidade precoce, tão preocupante nos dias de hoje. Entidades como as Escolas de Educação Física (especialmente a da USP e a da PM) e o Conselho Regional de Educação Física de São Paulo poderiam fiscalizar o cumprimento deste programa que, aplicado em diversos clubes que ocupam áreas do Governo, além das citadas vantagens de natureza social, contribuiria para que o Brasil viesse a fazer melhor figura em todos os eventos internacionais de que venha a participar.

No pé

Resgatando a memória

Antonino Silva, um dos pilares do panathletismo mocoquense e mesmo de nosso país, enviou-nos um exemplar de sua mais recente obra, “Citius, Altius, Fortius… Jogos Olímpicos em Imagens”, na qual ele faz um brilhante trabalho de pesquisa e uma preservação da memória esportiva mundial.

Em edição artesanal, ele lançou sua obra em nome do panathletismo. Complementado por algumas poucas fotos que ainda faltam, seu trabalho pode ganhar a impressão de uma editora de prestígio e tornar-se ponto de referência para todos os que quiserem saber ou escrever algo sobre os Jogos que se realizarão em 2016 em nosso país.

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