Com João Darezzo morre um pouco da história do remo

A seção de necrologia do “Estadão” publicou há uma semana uma notícia sucinta do falecimento de João Darezzo.

Poucas pessoas da geração jovem atual saberiam que se tratava de um dos maiores nomes do remo paulista, principalmente nos anos 40 e 50.

Darezzo venceu a maioria dos páreos de que participou. Era especialista em esquife e em “double scull”. Fez parceria com outros grandes nomes do remo na “palamenta dupla” como Nuno Alexandre Valente, Antonio Campos, Arnaldo Tescari e foi várias vezes campeão paulista e brasileiro, na então Regata das Forças Armadas e em eventos realizados em outros Estados e no Exterior.

Ele era pelo menos dez anos mais velho que seus companheiros de guarnição. Entrou para o Tietê como associado em 1942. Em um ano, ele deixou de remar a catraia, barco de passeio recreativo e passou a remar “canoes”. Logo depois, era chamado para completar uma falha na equipe de principiantes do clube “vermelhinho”.

Embora mais velho, era forte como um touro e sempre estimulava o esforço de seu parceiro. Ficou ele na ativa como campeão e somente parou por volta de 1954 (na prova do Quarto Centenário da Cidade de São Paulo), mas permaneceu mais um pouco como um dos dirigentes do departamento náutico do CR Tietê.

Faleceu neste mês, aos 92 anos de idade. Para nós, esta perda foi muito sentida. Fomos testemunha ocular de seus triunfos, pois, a partir de outubro de 1947, fomos admitidos na A Gazeta Esportiva, quando ela passou a circular diariamente em tamanho grande (antes desta data era semanário e tablóide).

Fui designado pelo diretor Carlos Joel Nelli para cobrir a área da natação, pólo-aquático, saltos ornamentais e remo e tornei-me amigo dos dirigentes da Federação Paulista da Sociedade de Remo, especialmente de Alberto Pereira de Castro, o “Lobé” e toda a sua família.

Como jornalista conheci o remador Adib Jatene, antes dele ser o cardiologista mais famoso do país. Ele remava o “dois com” e fazia dupla com o também médico Miguel Zuppo.

Um comentário em “Com João Darezzo morre um pouco da história do remo

  1. Gosto do que escreve, Nicolini. Eu sou da geração que nasceu nos anos 80 e muita coisa não sabia. Espero que continue passando, para nós, as suas histórias que se misturam com a história paulistana para mantermos ela vivo no futuro também. abraços!

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