Ibirapuera é inegociável

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Os esportistas mais esclarecidos de São Paulo receberam com desaponto, e de certa maneira estupefatos, o projeto do orçamento de 2013 destinado à Secretaria Estadual de Esportes, que de 0,1% em 2012 (isto é, a décima parte de um por cento), foi ainda reduzido para 0,09% (nem sei como se escreve este número por extenso).

Nem foi lembrado na proposta orçamentária que teremos os Jogos Olímpicos de 2016 e que grande parte do preparo dos atletas paulistas que participarão daquele mega evento será realizada em São Paulo.

Outra notícia ainda mais estarrecedora é a de que consta na Assembléia Legislativa o projeto de lei nº 650, que coloca à venda 550 imóveis do patrimônio público.  O dinheiro arrecadado irá para a Companhia Paulista de Parcerias (CPP).

Está incluído nesta lista o Conjunto Constâncio Vaz Guimarães, do Ibirapuera, o qual abrange o Ginásio Geraldo José de Almeida, o estádio de atletismo e ciclismo Ícaro de Castro Mello, o Ginásio Mauro Pinheiro, a piscina Caio Pompeu de Toledo e outros logradouros.

Nada contra a CPP, que junta o capital privado ao público para novas ações.  É uma iniciativa até louvável, mas nela incluir justamente o Conjunto do Ibirapuera é uma coisa inaceitável e que revela a pobreza de visão de políticos quanto à significação cívica do esporte, bem como a sua contribuição para a educação e a saúde do país.

Por maior que seja a sua destinação, nunca será melhor e mais importante do que a que está ou deveria estar acontecendo presentemente.

O verdadeiro problema está na política estadual oferecendo a pasta do Esporte como mercadoria de troca, como prêmio de consolação para contentar partidos aliados que estariam sendo marginalizados na acomodação política pós eleitoral.

Estes partidos também se encarregam de nomear seus caciques. A maioria nunca vestiu o uniforme de uma equipe esportiva, nunca entrou em uma competição colegial ou de federações. Este fato cria um grande problema de gestão em que o interesse do esporte deixa de ocupar o topo das metas.

Quando a escolha do comandante é alguém efetivamente ligado ao esporte, suas decisões ganham grande destaque e eficiência. Tivemos no passado Sylvio de Magalhães Padilha, o verdadeiro construtor do esporte do Estado. Mais recentemente Lars Grael, por ser também oriundo de competições, teve uma gestão excelente.

A falta de amor ao esporte fez com que os inesquecíveis campeonatos colegiais de outrora, que mobilizavam a juventude e a mantinha longe das drogas, fossem marginalizados. A conquista da sede dos Jogos Abertos do Interior antigamente era motivo para uma municipalidade construir uma arena esportiva, e um campeonato de fanfarras era razão suficiente para que em cada escola aparecesse um grupo musical.

Quem, como nós, acompanhou, conviveu e participou de tanto idealismo pelo esporte não se conforma em ver no futuro um patrimônio como o Ibirapuera em mãos incógnitas.

Nos dias atuais, na Secretaria Estadual de Esportes parece que tudo gira em torno de dinheiro. A Federação Aquática e outras entidades que se abrigavam no Conjunto do Ibirapuera foram despejadas e as suas instalações somente são cedidas a pagamento, mesmo que se destinem a eventos esportivos amadores, sem fim lucrativo.

A pasta dos Esportes é diferente das demais, é um caso a parte, e não pode ser atribuída a quem não seja esportista, a quem não lute por ela.

2 comentários em “Ibirapuera é inegociável

  1. O que podemos fazer para que coisas nefastas como essas ocorram, pois denuncias de casos desses inexistem na mídia e quando aparece é de forma minúscula. Ou seja, vamos sair perdendo como sempre.

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