Mais de um bilhão para reformar o estádio de Brasília

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Durante o encerramento dos Jogos Olímpicos de Londres, na euforia dos brasileiros ao receberem a incumbência de organizá-los em 2016, eu escrevi um artigo dizendo que nós somente poderíamos igualar ou superar Londres se todos os recursos estatais disponíveis fossem empregados nas obras. O nosso sucesso dependia do espírito público dos dirigentes esportivos e das autoridades governamentais, que teriam o encargo cívico de evitar a corrupção e as “caixinhas”. O dinheiro público, às vezes retirado de outras prioridades, deveria ser despendido exclusivamente em obras e serviços e não dividido com aproveitadores inescrupulosos.

Naturalmente este princípio mencionado na temática dos Jogos Olímpicos, é igualmente válido para o mundial de Futebol, para a Copa das Federações e ume série de eventos internacionais que o nosso país sediará no próximo quadriênio.

Entretanto, a expectativa patriótica de milhões de brasileiros, enquadrados entre os que têm uma visão sedimentada dos prejuízos que o malbarato de recursos poderá causar à imagem do Brasil perante um consenso internacional, recebeu um choque, uma grande desilusão: a mídia divulgou que a Arena de Brasília, programada para os mega eventos, passará de um bilhão de reais. O estádio de Brasília será o mais caro de todas as arenas atualmente em construção [um bilhão e quinze milhões].

A alegação para este custo desproposital foi que as licitações efetuadas em 2010 foram feitas através de itens isolados e não incluíam – imaginem- a cobertura do gramado e cadeiras. A outra causa foi o aumento em 25% do custo da mão de obra, quando sabemos que a mais alta correção monetária anual não passa de 6%.

O Itaquerão, que partiu do zero, e atenderá um estado com a pujança de São Paulo, ficará em 804 milhões e conta com uma forte presença da iniciativa privada, fato que não ocorrerá em nove das doze sedes da Copa do Mundo.

O civismo deve partir agora da mídia, denunciando qualquer irregularidade ao Tribunal de Conta da União.
Parece que a atitude corajosa do ministro Geraldo Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal ainda não deu um alerta aos aproveitadores do dinheiro público. É preciso que alguns figurões sejam encarcerados em decorrência do processo do mensalão para que a volúpia do dinheiro dos Jogos Olímpicos e do Mundial seja arrefecida.

A PENÚRIA DO ESPORTE NA ÁREA ESTADUAL

Dada a impossibilidade de um comparecimento pessoal à exposição do Secretário de Esporte, Lazer e Juventude na Assembléia Legislativa, realizada no dia 11 de Dezembro, solicitamos ao nosso amigo e leitor constante Walter Silva, que informasse à nossa coluna o que de importante acontecera na prestação de contas do Sr. José Benedito Pereira Fernandes;
Eis o relato de Walter Silva:

“O Secretário procurou mostrar como aconteceram os diversos eventos da Secretaria e o número de participantes em cada programa. Em que pese o esforço do Secretário e sua equipe para desenvolver o Esporte no Estado de São Paulo, a falta de sensibilidade por parte do governo central continua a manter o orçamento do Esporte em níveis muito baixos, nunca ultrapassando 0,1% e projetando para 2013 a parcela ainda menor de 0,09% do Orçamento do Estado de São Paulo.

Uma das principais reclamações dos presentes à reunião esteve voltada para a Lei de Incentivo, cujas inscrições deveriam ser abertas no mês de Fevereiro. No entanto, elas só aconteceram no mês de Setembro. Com isso, os projetos que poderiam se beneficiar da renúncia do ICMS por parte das empresas ficaram restritos aos meses de Novembro e Dezembro. Ora, além do pífio orçamento da Secretaria, dos 60 milhões que o governo disponibilizou para a Lei de Incentivo só puderam ser contemplados R$ 14 milhões.

Em relação a Lei de Incentivo ocorreu um outro problema. No ano passado, a Secretaria recebeu por volta de 350 projetos para serem analisados. Neste ano, as inscrições a partir de Setembro chegaram num único mês totalizando mais de 700 Projetos. Algumas entidades passaram a noite às portas da Secretaria de Esporte para protocolarem seus projetos no dia seguinte. A surpresa veio depois, quando o projeto de nº 30 foi analisado sem seguir a ordem de inscrição, pulando para 60, depois 100 e em seguida para o nº 534 (aproximado). Essa situação levou um grupo de atletas a ter uma audiência com o Governador do Estado, para as devidas reclamações. Lá, receberam a promessa que as inscrições no próximo ano se iniciarão no dia 02 de janeiro.

Na oportunidade nós (Walter Silva) fizemos um questionamento: lembramos que, na primeira administração do Governador Geraldo Alckmin, foram colocadas como prioridade para o Esporte a reforma do Ginásio do Ibirapuera, a reforma do Baby Barioni e a conclusão da Vila Olímpica Mário Covas (na Raposo Tavares). Passaram-se dez anos e nada aconteceu. Ou melhor, no Governo Serra iniciou-se a reforma do Complexo Vaz Guimarães, agora na sua fase final, com a surpresa que esse Complexo está incluso entre os 550 imóveis que o Estado pretende colocar em alienação, como garantia para a Companhia de Parcerias Público Privadas. O Secretário disse que não se trata de venda, mas da alienação como garantia para a referida Companhia. No entanto, não há nenhum dispositivo que impeça a Companhia de se desfazer do imóvel. O Baby Barioni terá no início do próximo ano o projeto de reforma aprovado. Até agora, entretanto, está tudo desativado. A Vila Olímpica tem ampliado a oferta de atividades à população, mas ela está longe de estar totalmente concluída. Foi feita a observação de que o novo prefeito da cidade, Fernando Haddad, sinalizou o interesse da Prefeitura em fazer uma parceria com o Governo do Estado para a conclusão da reforma dessa Vila Olímpica.

Há um programa na Secretaria que se chama “Jovem em Foco”, com o valor projetado para 2013 de R$ 1,6 milhões. Como o esporte não é utilizado na formação de crianças e adolescentes, o Estado acaba correndo atrás do prejuízo, investindo R$ 1,105 bilhões na Fundação Casa, onde ficam jovens infratores que não tiveram oportunidade de acesso aos instrumentos que contribuem para a formação da cidadania.

Um dos poucos programas da Secretaria voltados para inclusão social de crianças e adolescentes através do Esporte tem a denominação de “Esporte Social”. No Governo de José Serra, essa ação teve o seu orçamento cortado em 50%. No orçamento de 2013, a proposta orçamentária projeta o valor de R$ 3.432.275,00 para atender 8.000 pessoas. Como o programa oferece a participação de 100 crianças e/ou adolescentes por núcleo, só é possível atender 80 entidades e/ou municípios do Estado de São Paulo. Todavia, nem isso deve acontecer, já que neste ano de 2012 a Secretaria de Esporte empenhou nessa ação R$ 980 mil até o mês de Novembro, ou seja, 21,4% do seu valor constante no orçamento.

Embora haja bons Projetos da Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude, os resultados nunca serão positivos, considerando-se o orçamento pífio destinado ao Esporte”. Assim terminou o nosso colaborador Walter Silva.

NO PÉ

POR QUE CRESCEM O VÍCIO E A DELINQUÊNCIA

Sob este título em nosso blog, o prezado leitor poderá complementar a visão que queremos divulgar sobre a importância do esporte e o ímpeto indomável das autoridades estaduais para se apropriar dos recursos dedicados ao esporte, esforços que, além de contribuírem para a saúde da população, afastam a juventude da bebida, das drogas, da criminalidade e da perversão dos costumes.
O texto acima citado foi publicado em 11 de dezembro, coincidentemente no mesmo dia em que o Secretário de Esporte falava na Assembléia Legislativa.

CÁSSIO PRECISA SER BEM EXAMINADO

Escreve-nos um leitor, com importante currículo na nossa medicina, que observando Cássio, seus dois irmãos e a sua genitora teve a forte suspeita que ele deve ter acromegalia, um tumor benigno na hipófise, mas que pode provocar no atleta morte precoce, hipertensão e cardiopatia. Foi o que aconteceu há muitas décadas com o grande pugilista italiano Primo Carnera.

Diz o provérbio “cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”. Por isso é conveniente que ele seja examinado com alguma urgência por um endocrinologista. É importante um esclarecimento conclusivo das condições físicas “do bola de ouro” da Copa dos Campeões, para que ele e os corinthianos se acalmem, e se for o caso, dar início a um tratamento especifico.

EFEITO MULTIPLICADOR

Nosso artigo, publicado em 11 de dezembro com o título “Por que crescem o vício e a delinquência”, teve um efeito multiplicativo. Ele foi reenviado a muitas centenas de integrantes do cadastro do CEV Panathlon.

Igualmente, o esportista Laércio Pereira, de Manaus, que coordena provavelmente o maior CEV esportivo do país, também mandou para mais de mil destinatários a matéria sobre o nosso dirigente olímpico Ferreira Santos, escrita há 50 anos e publicada no dia 15 de dezembro.

É altamente gratificante para o autor do artigo este efeito multiplicador, reencaminhando matérias da sua coluna para um público especificamente vinculado aos temas do esporte ético, do fair play e do esporte como fator de saúde e cidadania.

Um artigo atual comemora meio século!

Após a inesquecível festa anual da ACEESP, eu chamei a mim a tarefa de localizar um artigo escrito num 15 de dezembro, há exatamente meio século, no dia seguinte ao falecimento do Dr. Ferreira Santos, então presidente do Comitê Olímpico Brasileiro e membro do Comitê Olímpico Internacional.

Nele eu descrevi toda a minha emoção assim que cheguei à redação, retornando do funeral de um dos dirigentes mais idôneos que o Brasil já teve.

Ao relê-lo, cinqüenta anos depois, eu o achei ainda atual e, ao republicá-lo abaixo, dedico este texto aos leitores jovens e a todos os familiares do grande esportista.

“Bom velhinho!

Descanse em paz bom velhinho! Repouse que você merece, bem merecido, como muito poucos!

Descanse em paz Dr. Ferreira Santos que a sua obra aqui ficou como exemplo a uma juventude, a uma geração!

O seu Esporte sempre começou com “E” grande, muito muito grande, tão grande que muita gente não chegou a enxergá-lo inteiro. O seu Esporte era de anéis entrelaçados, era de elos ligando continentes e pessoas, era de louros, justo e único prêmio do esforço. O seu Esporte era bonito, bonito mesmo, tão bonito que todos se cumprimentavam antes e depois da luta.

Talvez fosse por isso que ontem o céu estava triste. Era uma garoa triste. Era um céu de quem queria chorar. Na Consolação, uma viúva inconsolável imaginava a vida sem o companheiro ao lado e um filho altivo sofria o duro golpe de cabeça erguida. Centenas de esportistas, fulminados pela surpresa não sabiam dizer nada mais do que um reticente:

- Pois é…!”

Havia flores e havia uma bandeira de cinco anéis que foi com ele até a tumba, como um ideal que não se abandona nem na morte. As flores – paradoxo! – não quiseram deixar a bandeira só: as coroas de diferentes cores queriam na coincidência formar também anéis olímpicos em sua forma circular. A mãe natureza prestava uma homenagem ao bom velhinho, o velhinho que, em seu ideal de servir se Esporte bem grande, nunca teve inimigos – somente as preocupações…

Sim, preocupações o esporte lhe dava em penca e em quantidade.  Ainda estamos vendo o bom homem de óculos de aros grossos dizendo:

- Ontem eu assinei uma letra de doze milhões para nossa delegação ir a Melbourne!

E “cochichou”:

- Eu não posso dar nada de garantia, mas assinei… O Brasil não pode deixar de participar.

Parece que foi ontem, em Chicago, com um sorriso nos lábios que ele me dizia:

- És o primeiro jornalista a saber: o Brasil vai ser sede dos IV Jogos Pan-americanos.

E depois, em tom de confiança:

- Sabes que eu estou com um medo danado!

E assim prosseguiu a vida de Ferreira Santos, o bom velhinho de fala pausada, a própria pira olímpica feita gente.

Ainda estamos vendo o nosso homem de avental alvo, deixando os clientes resmungando na sala enquanto nos falava de Coubertin, da estima de Baillet Latour para o Brasil, ou da amizade pessoal que o ligava ao Governador Azuma, de Tóquio, seu colega de Comitê.

Que orgulho ele tinha…! Era o número dois na antiguidade olímpica. Desde 1920 frequentava aquela grande festa da confraternização.

Bom velhinho, como é o destino… Tanta viagem, tanto congresso na casa dos outros. Desta vez você iria ser o anfitrião. Esquecendo as preocupações que a Vila Pan-americana lhe tinham dado, dentro de três meses você iria receber muitos que já haviam lhe hospedado. Era a sua festa, era o dia de ter todos em sua casa. Os Jogos Pan-americanos estão lá.

É uma pena. Em vez de receber seus companheiros da América com abraços bem latinos, estes é que irão deixar uma coroa lá no cemitério da Consolação, não suficientemente distante do local dos Jogos para que alguns acordes do hino olímpico deixem de chegar até sua tumba.

Descanse em paz, bom velhinho, não se preocupe mais como antes. Seu nome, agora, é a bandeira. Os que aqui ficaram não irão desapontá-lo…”  H.N.  

Por que Lemann foi o mais rico

Reprodução

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Houve uma alteração no ranking dos homens mais ricos do Brasil no dia 30 de novembro. Segundo as agências internacionais especializadas na avaliação das fortunas individuais, Eike Batista naquele dia não era o número um do nosso país, tendo cedido o cetro para Jorge Paulo Lemann, comandante da InBEV.

Resolvi escrever esta crônica porque são de meu conhecimento muitas passagens sobre este líder da economia, naturalmente do ângulo esportivo.

No final dos anos 70, Lemann era um tenista de destaque nos campeonatos cariocas da modalidade, quando o profissionalismo do tênis não havia ainda dominado o panorama esportivo nacional.

Foi nesta época em que nós, com a experiência adquirida na condução dos eventos do Departamento de Promoções e Provas de A Gazeta Esportiva, estreávamos numa promoção de implementação própria, destinada aos tenistas das várias categorias dessa modalidade. Era a “Copa Natu Nobilis de Tênis”, de âmbito nacional, voltada para a base do tênis e a prospecção de talentos anônimos.

Lemann venceu a etapa do Rio de Janeiro e colocou-se a disposição da organização da Copa para fazer o jogo de exibição integrante do programa inaugural da etapa de Santa Catarina.

Nunca a condição de ser economicamente mais abastado que os demais concorrentes foi citada ou comentada. Como qualquer tenista comum, acompanhado de seus familiares, ele hospedou-se em um hotel não muito estrelado do litoral catarinense e jogou contra o tenista internacional Restrepo, em Itajaí, local do evento nesse Estado.

O Campeonato prosseguiu e, como vencedor da jornada do Rio de Janeiro, ele participou da nova etapa do torneio, desta vez concorrendo com os campeões de todos os Estados onde o certame já tinha sido realizado.

A grande final, que indicaria qual seria o melhor do Brasil, foi efetuada em São Paulo, na quadra do Esperia, contra Celso Sacomandi, filho de um técnico de tênis e, pelo menos, quinze anos mais jovem que Lemann. Após uma disputa equilibrada e dramática, Lemann acabou vencendo com brilho.

Entre as múltiplas personalidades que presenciavam a decisão do campeonato, estava Lennart Bergelin, técnico de Bjorn Borg, o número um ranking do tênis mundial da época.

As declarações do mestre após aquele memorável jogo talvez expliquem a razão de Lemann ter sido o homem mais rico do Brasil:

- “Persistência e luta sempre acabam vencendo!”

Por que crescem o vício e a delinquência!

Num momento em que vemos a nossa juventude destroçada pelo álcool e pelas drogas e os bailes funk tornando-se um símbolo da degradação, é necessário tomar providências muito sérias para estancar esta decomposição das futuras gerações. Nestes bailes, adolescentes “teen agers” chegam a simular publicamente gestos de relações sexuais, sem o mínimo de recato que sempre foi uma grande virtude feminina. Em muitos “bailes” chegam a consumar-se atos sexuais, sem considerar-se o risco da expansão do vírus HIV e da Aids.

É necessário endereçar esta juventude para as praças de esportes, sejam das escolas, de centros educacionais ou clubes. Nestes locais, os freqüentadores têm recreação sadia, evitam a obesidade precoce, ganham em saúde e ainda mantêm-se longe dos hábitos degenerativos que avançam rapidamente.

Estes núcleos de atividade física servem ainda de prospecção de talentos que participarão de importantes competições de caráter municipal, estadual e até internacional, como campeonatos mundiais e Jogos Olímpicos.

Não somente os jovens são os beneficiários destes centros esportivos, pois também os adultos os utilizam como locais de exercício para a prevenção de doenças, a manutenção da saúde e prolongamento da vida. São verdadeiras catedrais de saúde, redutores do número de atendimentos dos hospitais.

Os lugares para a prática do esporte infelizmente são insuficientes, face o nosso problema social. É por isso que chocam as notícias divulgadas ultimamente de desapropriações, venda e fim das atividades que ameaçam locais para o esporte. O Conjunto Constâncio Vaz Guimarães e o tradicional Clube de Regatas Tietê ganharam nova companhia. O “Estadão” da última segunda-feira nos dá conta da iminente desapropriação do Clube Jaraguá, no extremo leste da cidade, transformando sua bela piscina e suas quadras desportivas no Centro de Convenções de Pirituba, numa região com tanta área vaga e disponível.

O Jaraguá não é um “clubeco”. Tem 6.500 associados que costumam freqüentá-lo com seus familiares. É cercado por mata preservada e com fauna nativa. Existe há mais de 50 anos e, mediante aluguel, ainda serve para festas de casamentos, aniversários e outros eventos que atendem a comunidade.

Esta insensibilidade para os problemas do esporte e seu envolvimento social precisa terminar. Ao contrário, a prática esportiva precisa deve ser estimulada, com uma cobrança intensa da atividade dos gestores de centros educacionais e escolas, com o mesmo entusiasmo dos tempos de Caio Pompeu de Toledo, que deixou seu nome na história exatamente por gostar de tudo o que fazia, e mesmo com um orçamento reduzido, ocupava tanto a população com passeios e eventos massivos que, naquele tempo, nem se falava em drogas.

Se este desprezo pelo histórico e educacional não terminar, não admiro que a mentalidade dos políticos insensíveis venha a derrubar igrejas e hospitais.

Seria bom se este post chegasse às mãos de Haddad, o novo prefeito.

NO PÉ

Recebemos de Sally Palmeiro, presidente do conselho deliberativo do Clube de Regatas Tietê, o seguinte texto que se relaciona com o post publicado acima:

CARTA ABERTA AO PREFEITO

“Parabéns Sr. Gilberto Kassab

O Senhor conseguiu! Nos últimos dias de seu mandato finalmente conseguiu acabar com o Clube de Regatas Tietê.

Durante toda a sua gestão tentou de todas as manairas. Mas estava difícil. Os bravos soldados que sobraram, a maioria acima de 60 anos, até que resistiram, mas sua força é bem maior e terá essa grande satisfação.

Antes de sair da Prefeitura e de ter conseguido acabar com cerca de 200 abnegados associados que, naturalmente, sucumbirão, não com armas mortíferas que os acabariam rapidamente, mas com a mágoa, a desilusão de ver que toda a sua juventude e vigor físico que dedicaram a esse clube de nada valeram, pois agora que já perto de partirem, talvez para um lugar melhor, não mais poderão freqüentar aquele local que no momento é a sua razão de viver: o Clube de Regatas Tietê.

Não vão se rebelar, porque sabem que se a justiça humana não lhes dá o mínimo valor, a justiça divina está atenta, e tudo que fazemos de mal um dia volta-se contra nós.

Comemore, juntamente com seus pares que aguardavam ansiosamente esse desfecho, para como nas guerras medievais, se banquetearem com os despojos dos vencidos.

Associados do Clube de Regatas Tietê

26/11/2012”

Novo puxão de orelhas no Brasil

Na última quinzena de agosto sentimos a emoção de ver o Brasil, como futura sede, receber a bandeira olímpica. Era como a passagem do bastão de um revezamento, uma transferência de responsabilidade de correr o percurso de quatro anos para realizar o maior evento da história do esporte mundial.

Num irrefreável otimismo resultante do entusiasmo do momento, já estávamos imaginando o recrutamento de toda a população nacional num voluntariado cívico, com o objetivo de que se o nosso país não superasse a Grã Bretanha, ao menos mostrasse para o resto do mundo que o que os ingleses fazem os brasileiros também podem fazer.

Cheguei a conjecturar que, em nome de uma grande imagem internacional, os nossos conterrâneos abrissem mão da corrupção endêmica de nossa terra. Imaginamos que todos os recursos arrecadados, tanto da iniciativa privada quanto dos órgãos governamentais, fossem utilizados totalmente em favor dos Jogos Olímpicos. Afinal, uma grande imagem mundial traria, a médio e longo prazos, enormes vantagens de caráter econômico, cultural, político e turístico.

Como o bicho que perde a pele mas não perde o vício, uma comissão do COB, sem autorização, roubara dados e programas sigilosos dos britânicos, organizadores dos jogos internacionais.

Logo de cara o carimbo “subdesenvolvido” foi estampado na nossa face. Os súditos da rainha, com seu “gentleman agreement” minimizaram o episódio e o planeta todo voltou à interrogação: “E agora, o que irão fazer os brasileiros?”

Continuou o que ninguém queria: o exército de “voluntários” muito bem remunerado, aumento das previsões orçamentárias e tudo “a la brasileira”.

Vergonha, porém, foi a reunião desta semana do “staff” brasileiro com a cúpula do Comitê Olímpico Internacional. Foi uma grande sessão de puxão de orelhas, no mesmo diapasão das primeiras reuniões da CBF e do Comitê Organizador da Copa do Mundo de Futebol, quando se falou até em pontapé em nosso traseiro.

Embora previstos para 2016, já hoje se sente atrasos na construção de arenas para a realização da Copa e a ausência de locais para as disputas de golfe, rúgbi e outras modalidades pouco praticadas em nosso país.

Na parte administrativa dos Jogos, foi evidenciada a falta de capacidade de gestão de Carlos Arthur Nuzman na direção do Comitê Olímpico Brasileiro e das autoridades administrativas do Rio de Janeiro e mesmo do país. O transporte terrestre, o Metrô e o ferroviário estão do mesmo jeito do passado. Se nestes serviços não dão conta do movimento do cotidiano quanto mais durante a Copa e os Jogos, quando o número de passageiros ficará 4 ou 5 vezes maior. Também nesta área o problema é gestão.

O lado aeroportuário está tão calamitoso que agora está prejudicando até o turismo interno. Entre outras causas está o desenvolvimento do hábito dos brasileiros irem gastar no exterior os reais e dólares ganhos no país em vez de facilitar a vinda de estrangeiros, para com o dinheiro deles aqui, criar empregos e aumentar a riqueza em nosso país.

Já é chegada a hora de não pensarmos somente em nós, mas em nossa nação, onde viverão filhos, netos e bisnetos.

Ser patriota, amar a pátria não é ser superado e fora de moda. É agradecer uma nação que muitos não merecem. Toda melhoria é possível, vejam o exemplo do Supremo Tribunal Federal.

O gol da ACEESP

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Luciano do Vale, Tatá Muniz, Lucas Neto, Henrique Nicolini e sua esposa Lillian

A noite da última sexta-feira pode ser considerada histórica para o jornalismo esportivo paulista. Nunca vimos reunidas tantas figuras de projeção da nossa crônica desde que quando, há 71 anos, Ary Silva juntou todos os que militavam nos bem poucos veículos de comunicação daquela época e fundou a ACEESP.

A entidade nestas sete décadas destacou-se pela diversidade de ações, cada diretoria sendo orientada para uma direção. Muitos consolidaram o reconhecimento da carteira da ACEESP como um “abre-te sésamo” para o ingresso em qualquer competição esportiva. Em outras épocas, como a da presidência de Emílio Colela, o enfoque centralizou-se na atenção à família do cronista. Nos festejos de Natal para os filhos dos jornalistas esportivos, Colela chegava a vestir-se de Papai Noel para distribuir presentes que ele conseguia arrecadar com grande empenho.

Nós, pessoalmente, porém, nunca vimos uma ação como a da sexta-feira, 30 de novembro, nos salões do Esporte Clube Sírio. A tradicional entrega de prêmios aos cronistas mais destacados do ano reuniu tantos e tão destacados profissionais que foi criou uma atmosfera de confraternização, de abraços e demonstrações de amizade. Uma modificação da sistemática empreendida pela atual diretoria na avaliação dos premiados conseguiu levar praticamente toda a classe jornalística à cerimônia, atingindo uma participação que eu nunca tinha visto ou da qual tivesse ouvido falar.

Emocionei-me ao ser chamado logo na primeira premiação da noite, destinada aos cronistas com mais de 50 anos de profissão e ainda em atividade. Éramos três: Luciano do Vale, Lucas Neto e o titular deste blog. Pessoalmente, eu sou o mais antigo jornalista esportivo em atividade, pois entrei para a ACEESP em 16 de março de 1946, algumas semanas antes de completar 20 anos. Se for feito um expurgo atual na lista de associados, excluindo-se os cronistas falecidos, eu ficarei com o número 2 da relação oficial.

Enquanto de acordo com a programação os melhores de cada área eram premiados, passavam pela minha mente fatos e coberturas ocorridos no passado, quando a maioria dos presentes nem tinha nascido. Eu estive na equipe de A Gazeta Esportiva que cobriu os primeiros Jogos Desportivos Pan-americanos, em 1951. Cobri também os Jogos Pan-americanos de Chicago, em 1959, e quatro Jogos Olímpicos: Munique (1972), quando os árabes do Setembro Negro assassinaram integrantes da delegação de Israel; Los Angeles (1984), como jornalista oficial da delegação brasileira; Seul (1988), quando fui chefe da delegação de imprensa do Brasil junto ao COI; e Barcelona (1992), quando a seleção brasileira, sob o comando de José Roberto Guimarães, voltou com a medalha de ouro de voleibol masculino.

Levei na festa da última sexta-feira a minha esposa Lillian, que falou por mim, pois numa operação de garganta perdi uma corda vocal, duas filhas e um neto que também curtiram, como eu esperava, a grande festa que foi até além de uma hora da madrugada seguinte.

Muitos jornalistas premiados no Sírio estariam no dia seguinte, às 10 da manhã, no Anhembi, cobrindo o sorteio da Copa das Confederações, “toque da alvorada” da série dos mega eventos programados para o próximo quadriênio em nosso país.

Muita gente da “velha guarda” veio me abraçar, conheci novos colegas e passei momentos de grande alegria e emoção.

Sou grato à ACEESP e dou o meu testemunho de que, no revezamento das diretorias da entidade, os dirigentes de hoje não deixaram cair a peteca.