Novo puxão de orelhas no Brasil

Na última quinzena de agosto sentimos a emoção de ver o Brasil, como futura sede, receber a bandeira olímpica. Era como a passagem do bastão de um revezamento, uma transferência de responsabilidade de correr o percurso de quatro anos para realizar o maior evento da história do esporte mundial.

Num irrefreável otimismo resultante do entusiasmo do momento, já estávamos imaginando o recrutamento de toda a população nacional num voluntariado cívico, com o objetivo de que se o nosso país não superasse a Grã Bretanha, ao menos mostrasse para o resto do mundo que o que os ingleses fazem os brasileiros também podem fazer.

Cheguei a conjecturar que, em nome de uma grande imagem internacional, os nossos conterrâneos abrissem mão da corrupção endêmica de nossa terra. Imaginamos que todos os recursos arrecadados, tanto da iniciativa privada quanto dos órgãos governamentais, fossem utilizados totalmente em favor dos Jogos Olímpicos. Afinal, uma grande imagem mundial traria, a médio e longo prazos, enormes vantagens de caráter econômico, cultural, político e turístico.

Como o bicho que perde a pele mas não perde o vício, uma comissão do COB, sem autorização, roubara dados e programas sigilosos dos britânicos, organizadores dos jogos internacionais.

Logo de cara o carimbo “subdesenvolvido” foi estampado na nossa face. Os súditos da rainha, com seu “gentleman agreement” minimizaram o episódio e o planeta todo voltou à interrogação: “E agora, o que irão fazer os brasileiros?”

Continuou o que ninguém queria: o exército de “voluntários” muito bem remunerado, aumento das previsões orçamentárias e tudo “a la brasileira”.

Vergonha, porém, foi a reunião desta semana do “staff” brasileiro com a cúpula do Comitê Olímpico Internacional. Foi uma grande sessão de puxão de orelhas, no mesmo diapasão das primeiras reuniões da CBF e do Comitê Organizador da Copa do Mundo de Futebol, quando se falou até em pontapé em nosso traseiro.

Embora previstos para 2016, já hoje se sente atrasos na construção de arenas para a realização da Copa e a ausência de locais para as disputas de golfe, rúgbi e outras modalidades pouco praticadas em nosso país.

Na parte administrativa dos Jogos, foi evidenciada a falta de capacidade de gestão de Carlos Arthur Nuzman na direção do Comitê Olímpico Brasileiro e das autoridades administrativas do Rio de Janeiro e mesmo do país. O transporte terrestre, o Metrô e o ferroviário estão do mesmo jeito do passado. Se nestes serviços não dão conta do movimento do cotidiano quanto mais durante a Copa e os Jogos, quando o número de passageiros ficará 4 ou 5 vezes maior. Também nesta área o problema é gestão.

O lado aeroportuário está tão calamitoso que agora está prejudicando até o turismo interno. Entre outras causas está o desenvolvimento do hábito dos brasileiros irem gastar no exterior os reais e dólares ganhos no país em vez de facilitar a vinda de estrangeiros, para com o dinheiro deles aqui, criar empregos e aumentar a riqueza em nosso país.

Já é chegada a hora de não pensarmos somente em nós, mas em nossa nação, onde viverão filhos, netos e bisnetos.

Ser patriota, amar a pátria não é ser superado e fora de moda. É agradecer uma nação que muitos não merecem. Toda melhoria é possível, vejam o exemplo do Supremo Tribunal Federal.

3 comentários em “Novo puxão de orelhas no Brasil

  1. O Brasil está, realizando a copa 2014 e olimpiadas 2016, fadado a fazer um papelão em termos de organização, indisponibilidade de infraestrutura adequada na área de transporte público, indisponibilidade de acomodações mínimas (principalmente nas sedes da copa 2014). Esses dois projetos tem origem na megalomania dos nossos dirigentes (principalmente Lula em relação a copa 2014, e COB em relação a olimpiadas 2016), pois é claro que o Brasil não tem condições adequadas, e nem terá, para a realização desses dois eventos, com a organização mínima exigida. Melhor teria sido que, os recursos e esforços destinados às providências até agora tomadas, tivessem sido utilizadas para melhorar a vida interna do País. E evitariamos os problemas que criamos de graça, para os próximos anos em relação a essas gigantescas competições.

  2. Enquanto houver corrupção jamais melhoraremos nada em nosso País. Quanto a realização de uma Copa do Mundo e de uma Olimpíadas, até parece que outros países não tinham nenhum problema social na época que realizaram estes eventos. É claro que esconderam seus problemas e varreram suas sujeiras pra debaixo do tapete, e deram a impressão ao mundo que organizaram os melhores jogos de todos os tempos. Então porque não podemos fazer a mesma coisa??

  3. ” EXCELSO NICOLLINI:
    APRECIO-O MUITÍSSIMO; O SEU NOME É UMA LENDA VIVA DA IMPRENSA ESPORTIVA BRASILEIRA.
    QUERO CONHECÊ-LO PESSOALMENTE.
    RESPONDA-ME POR GENTILEZA SE PODERÁ RECEBER-ME.
    AGUARDO COM ANSIEDADE.
    UM ENORME ABRAÇO.”

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