O patrocínio mais diversificado

Acervo Pessoal

Acervo Pessoal

Em artigo desta série, publicado no último dia 15 de junho, falamos sobre um dos maiores eventos que produzimos nestas sete décadas de jornalismo contínuo. Trata-se do “Revezamento Gigante”, a maior prova de natação realizada no mundo e reconhecida pelo Guinness Book. O cliente foi “Casas Pernambucanas”, um dos patrocinadores mais fiéis dos eventos efetuados sob a égide de A Gazeta Esportiva.

Em outros textos desta série, citamos a “Pernambucanas” como colaboradora com merchandising de quadra no 1º Campeonato Mundial Universitário de Futebol de Salão, divulgado pelo mais completo jornal esportivo do continente.

Entretanto, esta é apenas uma pequena parte da diversidade de eventos que caracterizaram o vínculo da empresa criada pela família Lundgren com a Fundação Casper Líbero.

Se buscarmos a relação das iniciativas que se enquadram neste caso, vamos encontrar, entre elas, o Programa Ricardo Prado, que recebeu a medalha de ouro do Prêmio Colunistas em 1984 e que deu margem ao aparecimento de Gustavo Borges na natação brasileira. Voltaremos a publicar uma reportagem exclusiva sobre este evento. Por ora, apenas dizemos que ele era constituído por várias dezenas de competições para nadadores não filiados a então Federação Paulista de Natação, com uma final em São Paulo com os 16 melhores classificados no ranking de todas as competições regionais.

Outro super certame que vai receber um artigo exclusivo são os Jogos do Oeste, mais tarde rebatizados com o nome de Jogos Pernambucanas. Esta foi uma disputa colegial poliesportiva, realizada em uma dezena de regiões e com a grande final itinerante, efetuada em diversas cidades do Paraná e Santa Catarina, área na qual as Casas Pernambucanas tinham interesse mercadológico especial.

No verão de 1985, a “Casas Pernambucanas” patrocinou o “Vôlei no Parque”, um evento realizado no Parque do Ibirapuera, nos meses de janeiro e fevereiro. As equipes eram mistas (três homens e três mulheres), fato original nesta modalidade esportiva. O público alvo era amplo, ia desde os jovens (18 anos) até os “coroas” de mais de 35 anos. O público acompanhava interessado todas as partidas.

Já o Programa Pernambucanas de Natação foi uma ampliação do Programa Ricardo Prado, e convidou nadadores do exterior para exibições e clínicas. Uma delas teve a participação do recordista mundial Alex Bauman. As “Pernambucanas” também convidaram os nadadores mais destacados neste torneio para assistir aos Jogos Olímpicos de 1984, em Los Angeles.

Juntamente com A Gazeta Esportiva, patrocinaram ainda uma travessia do nadador carioca Gastão Figueiredo, de 75 anos de idade, no Rio Tietê. Frustrado por não ter conseguido atravessar o Canal da Mancha, ele se dispôs a nadar da foz do Rio Piracicaba até chegar em Barra Bonita, 33 quilômetros a frente e 12 horas depois. Comunicações Nicolini foi contratada para a estrutura desta ação, que constava da autorização de autoridades para a locação de uma embarcação para o acompanhamento do nadador e seu médico e outra maior para jornalistas e autoridades.

Concluindo, podemos dizer que “Casas Pernambucanas” foi uma das primeiras patrocinadoras, permanecendo como cliente de A Gazeta Esportiva durante mais de uma década, criando até vínculos de amizade entre seus executivos e os jornalistas encarregados da implementação de tantos mega eventos.

Resgatando a memória do esporte

Acervo/Gazeta Press

Acervo/Gazeta Press

Já contamos mais de uma vez neste blog que na segunda quinzena de março do próximo ano completaremos setenta anos de atividades ininterruptas no jornalismo esportivo. Na avaliação desta carreira, verifiquei que nenhum outro colega de São Paulo e mesmo do Brasil havia chegado a uma vida profissional tão longa. Estou pesquisando no Guinness Book se minha carreira não é a mais longa do mundo.

Sou o associado mais antigo da ACEESP e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo e o funcionário com mais tempo de registro na Fundação Casper Líbero.

Esta rara circunstância me levou a escrever uma série de artigos sobre a diversidade das ações desenvolvidas nestas sete décadas através de A Gazeta Esportiva, um mega projeto que está precedendo outro com a mesma ousadia: escrever cerca de 500 artigos sobre a história do Olimpismo Brasileiro. Devo iniciá-lo dentro de um mês, quando espero concluir a série sobre os setenta anos.

Ela pretende ser um dos mais completos relatos do jornalismo eletrônico, começando em 23 de junho de 1894, quando os Jogos Olímpicos foram restabelecidos e fundado o Comitê Olímpico Internacional, até fins de setembro de 2016, um mês após o encerramento daquele grandioso evento programado para o Brasil. Será o balanço final da disputa da qual seremos os anfitriões.

Quando já havíamos avançado bastante no primeiro mega projeto, nos demos conta de que este trabalho está tendo uma outra finalidade além dos motivos pelo qual foi criado e que não fazia parte das intenções iniciais. Através dos meus artigos sobre momentos vividos e das coberturas que fiz, acabamos contando muita coisa da própria história de A Gazeta Esportiva, o que não deixa de ser do próprio esporte nacional, tal o papel que este jornal representou no esporte brasileiro.

Contribuir para preservar a memória do esporte constitui uma responsabilidade para um jornalista com muitas décadas de vivência, que cobriu os 1º Jogos Desportivos Pan-americanos em 1951 e que viveu todas as promoções deste jornal que, além de noticiar, produzia esporte.

O entusiasmo com que me dedico nos meus quase 90 anos a esta tarefa prende-se também ao fato de que as gerações modernas, em sua maioria, ignoram os acontecimentos que levaram à atual estrutura do esporte. No grande revezamento de gerações, é fundamental que os mais jovens tenham conhecimento do que fizeram os que correram o percurso anterior. Um sólido conhecimento do passado é a base para o planejamento do futuro. Nesta série, também divulgamos com grande felicidade a grandeza da Fundação Casper Líbero.

 

Mundial Universitário de Futsal

MUNDIAL UNIVERSITÁRIO 20001O êxito obtido pela realização no Brasil do 1º Campeonato Mundial de Futebol de Salão, em 1982, animou a Confederação Brasileira de Desportos Universitários a seguir a trilha de sucessos, unificando a regulamentação da modalidade esportiva que estava nascendo e conquistando um recorde de público no Ibirapuera.

MUNDIAL UNIVERSITÁRIO 30001_pO clima já estava formado e, dois anos depois, em 1984, foi lançado o certame estudantil, que contou com a participação dos principais países da América do Sul, onde a modalidade já estava consolidada, e ainda com a presença de Alemanha, Itália, Espanha e Líbano.

A solenidade inaugural do evento universitário, também realizada no Ginásio do Ibirapuera, foi primorosa, seguiu todos os preceitos olímpicos e caracterizou-se por seu alto nível. Alguns jogos do certame foram realizados na cidade de Sorocaba, mostrando para as equipes visitantes o vigor do esporte no Interior de São Paulo.

Todas as partidas estavam repletas de espectadores, fato comprovado pelas fotos que ilustram este artigo. A Gazeta Esportiva deu grande cobertura a este evento, cuja organização esteve a cargo de Comunicações Nicolini.

A CBDU não conseguiu um patrocinador. Os recursos para a sua realização foram obtidos por intermédio de “merchandising” de quadra, do qual participaram as Casas Pernambucanas, a Cia Souza Cruz (promovendo a marca Plaza) e Pão Americano Ind. Com. S.A. (fabricante do pão Pullman).

Este 1º Campeonato Mundial Universitário teve prosseguimento com 13 edições do certame. O último foi efetuado em 2014, em Málaga, na Espanha, com a equipe feminina conquistando o tetracampeonato e a equipe masculina ficando com a prata.

A edição de 2016 está programada para o Brasil, na cidade de Goiânia, com a presença de 30 países.

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Natação: Capital X Interior

Nestes setenta anos de promoção do esporte a Yakult se destacou por ter sido a primeira patrocinadora da “Operação Juventude” (corrida e salto em distância). Ela também diversificou a sua atuação na área do esporte, promovendo um importante evento na área da natação. Foi o primeiro confronto entre as seleções da Capital e do Interior. A sede da competição obedecia um sistema de rodízio entre São Paulo e uma das cidades interioranas.

O primeiro destes certames foi realizado na cidade de Campinas, com a presença de grande público, porque apresentava os melhores nadadores do Estado de São Paulo.

O curioso é o contraste entre os dois eventos patrocinados pela Yakult: um, a Operação Juventude, na área do atletismo e voltada para a base do esporte, para os jovens que nunca tinham competido anteriormente; o outro, de natação, somente para os atletas consagrados.

 

NO PÉ

1 – Nos três degraus do pódio

nico_PÓDIO VÔLEI DE PRAIAComo brasileiro senti-me muito feliz ao ver, no último domingo na televisão, a solenidade de premiação do Grand Slam de Vôlei de Praia, realizado em São Petersburgo, no Estados Unidos.

Os três degraus do pódio estavam ocupados por duplas brasileiras, mostrando nitidamente para todo o mundo a hegemonia do nosso país nesta modalidade esportiva.

Fazemos votos que esta superioridade prossiga até o início do segundo semestre do próximo ano, quando qualquer das três poderá conquistar mais um ouro para o Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

 

2 – Faleceu Celso Pinheiro Doria

nicolini_300É uma pena a gente verificar como o culto à nossa memória esportiva é desprezado pelos esportistas das gerações atuais.
A notícia da missa de sétimo dia de falecimento de Celso Pinheiro Doria saiu somente na seção de necrologia do “Estadão”. Não vimos nenhuma referência ao grande campeão nos jornais ou noticiários de TV que costumamos acompanhar.

Celso foi um grande atleta na década de 40 e voleibolista do CA Paulistano. No atletismo, conquistou três medalhas de prata no sul-americano de 1945, no Uruguai.

Em 1946, foi vice no sul-americano de decatlo, e nos anos 60 foi para o basquete e o vôlei, modalidades em que se tornou um dos melhores de São Paulo defendendo o CA Paulistano. Chegou a ser campeão sul-americano de voleibol.

Como dirigente, ocupou importantes cargos na direção da agremiação alvi-rubra do Jardim Europa.

Nosso blog, que sempre prezou a história do esporte, não poderia esquecê-lo, principalmente porque sempre presenciei e escrevi em minha longa carreira jornalística sobre inúmeras apresentações do grande campeão, quer na pista do CR Tietê, quer no ginásio do Paulistano.

 

3 – Bem-vinda Luiza

Os jornais de ontem contam que o Governo Federal nomeou Luiza Trajano para representá-lo na Comissão Organizadora dos Jogos Olímpicos, que serão realizados no ano que vem no Rio de Janeiro. Ela substitui Henrique Meirelles que teve, há alguns anos, uma atuação destacada no Banco Central.

Luiza Trajano é proprietária da rede de lojas de varejo Magazine Luiza e é altamente considerada por sua experiência administrativa.

Para chegar no ponto em que chegou, creio que não há dúvidas quanto à sua  idoneidade, o que a torna a esperança de todos os esportistas bem intencionados de nosso país. Esperamos que ela venha coibir os abusos de corrupção, que chega a ser endêmica na área do COB.

A expectativa é que ela, como grande administradora, faça com que os parcos recursos provenientes do Governo e dos patrocinadores sejam efetivamente utilizados para os Jogos e desviados dos bolsos de gestores pouco idôneos.

Bem-vinda Luiza!

 

O evento mais diversificado

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foto01No artigo de 17 deste mês de junho, que integrava a série dos meus setenta anos de atividade jornalística ininterrupta, citamos as empresas que patrocinam eventos para o público interno, isto é, o estímulo aos seus servidores e a integração entre os diversos setores que as compõem. Propositadamente, deixamos o caso da Philips para um capítulo específico, pois o evento por ela encabeçado teve uma ação tão ampla e diversificada que merecia um texto a parte. Esta deve ter sido a maior iniciativa do gênero já realizada em nosso país.

A motivação do patrocínio da Philips foi a comemoração dos 70 anos da chegada da grande empresa ao nosso país. Foi uma inspiração do então presidente Franciscus Sluiter e envolveu todas as empresas integrantes da holding. Na parte esportiva, foram realizadas disputas de voleibol (masculino e feminino), basquetebol, futebol de campo, tênis, xadrez, futebol de salão, dominó, tênis de mesa, atletismo, natação e truco.

Entre as atividades artísticas e culturais, foram realizados concursos literários, de desenho, de pintura, de fotografia e de música (composição e interpretação).

Foi criada ainda uma categoria a parte, para integrar a família dos competidores, nas modalidades de atletismo, natação, xadrez, concurso literário, pintura e desenho. Com esta medida, também filhos e esposas eram incorporados à festa.

A “Olimpíadas Philips” teve também competições eliminatórias, envolvendo unidades sediadas em Manaus e Recife.

Houve ainda ações que complementaram a programação, como a escolha da mais bela funcionária, a melhor apresentação no desfile de abertura e a entrega do Troféu Fair Play ao melhor comportamento ético esportivo do certame.

Com tal diversidade de universos, praticamente todos os funcionários da Philips acabaram sendo mobilizados, pois dificilmente haveria uma pessoa que não estivesse apta para participar de alguma ação da intensa programação.

Conseguimos que as principais finais fossem realizadas no Estádio Municipal do Pacaembu. Imaginem o orgulho das duas equipes finalistas jogarem a final de futebol no principal estádio de esportes daquela época ou os tenistas jogando as últimas partidas na quadra coberta de tênis de nossa municipalidade, bem ao lado da estátua de Maria Esther Bueno. As finais de natação tiveram lugar na piscina coberta da Água Branca.

O desfile da final nacional foi realizado no ginásio de esportes do Pacaembu e reuniu um dos maiores públicos da história daquele local. Lá foram realizadas as finais dos esportes de quadra, eleita a mais bela funcionária e todas as atividades artísticas. No palanque das autoridades estavam o Estado Maior da Philips, Osiris Silva (presidente da Embraer) e o presidente do COB. No júri, para a escolha da mais bela funcionária, estavam personalidades como Ala Szerman, Joyce Leão e Wolfgang Sauer. No espetáculo, registrando a glória de sua amplitude, os espectadores ouviram até um repentista do Nordeste.

A Philips editou uma revista específica sobre estas olimpíadas internas com fotos que documentaram toda a grandiosidade do evento.

Satisfeita com os resultados obtidos, esta empresa desenvolveu um programa muito ativo de estreitamento com seus clientes preferenciais, com a realização de um certame de futebol de salão de alto padrão. Concorreram 48 empresas de seu relacionamento comercial, através de convite, sediadas em São Paulo, Santo André, São Caetano do Sul, São Bernardo do Campo, Guarulhos, Americana, Campinas, Jundiai e Santos.

Nas escolas de samba do Rio

COPA-RIVER0001-2Uma das experiências mais extravagantes nos meus 70 anos de jornalismo ativos e sem interrupções aconteceu no Rio de Janeiro no ano de 1982, quando um dos dirigentes da RJ Reynolds, sediada naquela cidade e em São Paulo, solicitou que organizássemos um certame de futebol para as principais escolas de samba do Rio de Janeiro para divulgar sua marca de cigarros River. O torneio seria realizado no Aterro do Flamengo, espaço que na época era utilizado para “peladas” vinte e quatro horas por dia.

Este campeonato movimentou um público médio de 5000 pessoas por jogo, teve um espetacular retorno na mídia impressa e a participação das seguintes escolas de samba: Portela, Mangueira, Salgueiro, Beija Flor, Imperatriz Leopoldinense, União da Ilha, Mocidade Independente, Unidos de São Carlos, Unidos da Tijuca, Unidos da Ponte, Unidos do Lucas, Império Serrano, Império da Tijuca, Arrastão de Cascadura, Vila Isabel e Lins Imperial.

Como o cliente queria realizar o certame duas semanas antes do Carnaval, o regulamento foi divulgado um pouco em cima da hora. Ele previa que jogadores profissionais ou registrados na federação correspondente não poderiam ser inscritos, a fim de que fosse preservada a autenticidade dos participantes do evento.

Certas de que não haveria tempo para conferir a condição dos jogadores, muitas equipes incluíram atletas registrados. Mas essa irregularidade foi anotada pela equipe de organização, deslocada de São Paulo, que apurou diversos jogadores que não poderiam participar.

De olho em um prêmio em dinheiro, alguns dirigentes de escola de samba vieram me “peitar” numa reunião realizada no restaurante do Hotel Novo Mundo, bem em frente ao local dos jogos. O presidente da Unidos de São Carlos era o interlocutor. Respondi com uma frase: “Assim como não estou deixando jogar um atleta irregular no seu time contra outro time, não estou deixando o de outro time jogar contra o seu”.

Numa atmosfera reinante de grande desconfiança dominada no samba Guanabara daquela época, a frase teve efeito fulminante: todos aceitaram a igualdade e abriram mão de seus “gatos”, certos de que a regra do campeonato era geral.

Sei que corri sérios riscos pessoais e que o certame poderia ter sido anulado, mas até hoje soa nos meus ouvidos uma frase dita por um dirigente de escola para outro e que eu consegui ouvir: “Precisava vir um paulista para moralizar o samba carioca”.

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A municipalidade do Rio instalou no local um palanque para as autoridades e o próprio prefeito municipal da cidade maravilhosa, Marcello Alencar, compareceu e assistiu partidas inteiras e deu a maior força para a competição.

Enquanto eu percorria o local das partidas em que a equipe de A Gazeta Esportiva atuava como anotadora, minha esposa me representava no reservado para autoridades. A Federação das Escolas de Samba colaborou, enviando uma das rainhas de bateria (ou comissão de frente) com tão pouca roupa que foi a grande atração do público masculino.

A satisfação das escolas com a participação no evento foi tão grande que, terminados os jogos, a direção da Portela convidou a mim e a minha esposa para uma noitada de samba em seu barracão de ensaios. Perto da exibição das passistas portelenses, vimos que nós, paulistas, não tínhamos “samba no pé”.

Até hoje, quando assistimos pela televisão ao desfile das escolas do Rio, nossa torcida é para a Portela.

Satisfeita com o êxito, a Reynolds decidiu realizar o mesmo evento em São Paulo. Na ausência de um local específico como as quadras do Aterro do Flamengo, o certame transformou-se na Copa River de Futebol de Salão, repetindo-se também em 1983 o certame no Rio Grande do Sul.

Mais informes sobre a Copa Arizona

No artigo publicado neste blog, no último dia 15 de junho, apresentamos uma fartura de números que comprovam que a Copa Arizona foi, quantitativamente, a maior do mundo, não havendo nenhuma dúvida a este respeito.

Todavia, mexendo em meus guardados, encontrei novos informes de grande interesse, que não haviam sido publicados naquele trabalho. Estes dados referem-se à abrangência geográfica obtida por aquela competição de futebol amador.

A participação das cidades-sedes das chaves não se limitava às Capitais dos treze Estados envolvidos. Alastraram-se pelo Interior, reunindo equipes e jogadores que passaram a integrar um todo nacional que atingiu o total de 116 municípios.

Vejam este quadro que testemunha a diversidade geográfica daquele evento:

 

PARÁ – Belém, Ananindeua, Icoaraci, Augusto Corrêa, Bragança, Monte Alegre

CEARÁ – Fortaleza, Iguatu, Juazeiro do Norte, Itapipoca

ESPÍRITO SANTO – Vitória, Vila Velha, Cariacica, Linhares, Cachoeira do Itapemirim

PARAÍBA – João Pessoa, Campina Grande

PERNAMBUCO – Recife, Olinda, Jaboatão, Cabo, Caruaru, Arcoverde

GOIÁS – Goiânia, Anápolis

MATO GROSSO – Cuiabá, Rondonópolis, Cáceres, Nobres

MATO GROSSO DO SUL – Campo Grande, Três Lagoas, Coxim, Camapuã, Aquidauana, Dourados

MINAS GERAIS – Belo Horizonte, Contagem, Betim, Ouro Preto, Juiz de Fora, Uberaba, Montes Claros, Uberlândia

PARANÁ – Curitiba, Ponta Grossa, Umuarama, Londrina, Cascavel

RIO DE JANEIRO – Rio de Janeiro, Campos, Duque de Caxias, Niterói, Volta Redonda, Petrópolis, São Gonçalo, Teresópolis

RIO GRANDE DO SUL – Porto Alegre, Canoas, Guaíba, Gravataí, Ijuí, Bagé, Cachoeira do Sul, Caxias do Sul, Pelotas, Alegrete, Rio Grande, Passo Fundo, Lajeado, Santa Maria

SANTA CATARINA – Florianópolis, Lages, Itajaí, Chapecó, Tubarão

SÃO PAULO – São Paulo, Osasco, São Bernardo do Campo, Americana, Sumaré, Santa Bárbara D’Oeste, Jacareí, Matão, Araraquara, Birigui, Pederneiras, Dracena, Itapetininga, Marília, Registro, Iguape, Jaú, Santos, Praia Grande, Guarujá, Cubatão, Ituverava, Jaboticabal, Sorocaba, Votorantim, Tambaú, Piraju, Campinas, Valinhos, Vinhedo, Monte Alegre do Sul, Amparo, São José do Rio Preto, São Carlos, Brotas, Araras, Guarulhos, Ilha Solteira, Araçatuba, Ourinhos, Fernandópolis

 

OS CAMPEÕES

Nos anos em que o Campeonato de Futebol Amador da A Gazeta Esportiva foi disputado os campeões e vices foram os seguintes:

 

Campeões

1974 – Ajax (Osasco)

1975 – Colorado (Curitiba)

1976 – Golfinho (Guarulhos)

1977 – Francisco Xavier Imóveis (RJ)

1978 – Portofelicense (SP)

1979 – ADM Fran (SP)

1980 – Francisco Xavier (RJ)

 

Vice-campeões

1974 – São Carlos da Vila Mangalo (SP)

1975 – Ajax (Florianópolis)

1976 – Campineira (DF)

1977 – Lagoinha (Minas Gerais)

1978 – Elnima (SP)

1979 – Kosmos (PI)

1980 – Gigante Rubro (RN)

COPA ARIZONA 1978COPA ARIZONA 1976

O primeiro Mundial de Futebol de Salão

Arquivo Pessoal

Arquivo Pessoal

Tivemos o privilégio de organizar o I Campeonato Mundial de Futebol de Salão, em 1982, quando a modalidade não se chamava futsal. Este evento teve a divulgação massiva da A Gazeta Esportiva e transmissão da TV Globo. A entidade responsável por essa modalidade esportiva era a FIFUSA, então presidida pelo brasileiro Januário D’Aléssio. Este evento correspondeu à primeira disputa da modalidade na área internacional. O Brasil foi representado pelo presidente da Confederação Brasileira de Futebol de Salão, o deputado federal Aécio Borba, e principalmente pelo dirigente paulista Vicente Piazza.

O pioneirismo levantou uma série de problemas logísticos, a começar pelo tamanho e peso da bola, problemas esses que foram enfrentados pela organização. Tratava-se de um certame efetuado em uma época em que as regras do jogo divergiam em cada país disputante. Mas as dificuldades acabaram em acordo e nenhuma dúvida veio empanar o grande êxito do torneio que foi disputado por dez nações: Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina, Colômbia, Costa Rica, Tchecoslováquia, Itália, Holanda e Japão.

O certame reuniu grande público em todas as jornadas. Na final, entre Brasil e Paraguai, foram 17 mil espectadores, recorde absoluto de público do Ginásio do Ibirapuera, fato que não poderia ser repetido hoje, pois a lotação naquela época não era limitada pela colocação de cadeiras individuais. Até os corredores de acesso foram ocupados por torcedores. Nem a transmissão da TV ao vivo (com narração de Luciano do Vale) reduziu o número de pessoas presentes. Esta grande afluência aconteceu em duas oportunidades: dia 16 de maio, na abertura, e dia 6 de junho, no encerramento.

Este Mundial não teve patrocinador. As despesas foram cobertas pela bilheteria, pelo merchandising de quadra e pelas cotas de transmissão da TV Globo.

O Brasil venceu este campeonato, que apresentou a seguinte classificação final:

Campeão: Brasil

Vice-campeão: Paraguai

3º Uruguai

4º Colômbia

5º Holanda

6º Argentina

7º Itália

8º Tchecoslováquia

9º Japão

10º Costa Rica

Foram as seguintes as contagens obtidas pela equipe do Brasil:

Brasil 5        x        0 Argentina

Brasil 14      x        0 Costa Rica

Brasil 4        x        1 Tchecoslováquia

Brasil 5        x        1 Uruguai

Brasil 4        x        1 Colômbia

Brasil 1        x        1 Paraguai

Jogaram pela equipe do Brasil: Pança, Barata, Beto, Valmil, Leonel, Paulo César, Paulinho, Branquinho, Cacá, Paulo Bonfim, Jackson, Jorginho, Douglas, Carlos Alberto e Miral.

Houve ainda mais dois campeonatos mundiais, realizados a cada três anos, pela FIFUSA, que encerrou suas atividades em 2004 e logo após foi sucedida pela Associação Mundial de FUTSAL – AMF.

O homem em primeiro plano

Alguns clientes contrataram A Gazeta Esportiva e os serviços de Comunicações Nicolini para ações que não se enquadravam nos objetivos de marketing externo, isto é, o aumento de vendas e a ampliação de sua imagem junto ao público alvo.

Algumas empresas preferem patrocinar eventos para seu público interno, isto é, estabelecer o bom relacionamento com seus servidores e a maior integração entre os vários departamentos que as integram.

O slogan escolhido por um dos clientes que nos contratou (a Alumínios Alcan) resume a finalidade de uma promoção interna: “O homem em primeiro plano”. Nesta área A Gazeta Esportiva e Comunicações Nicolini já atenderam outros clientes como a Editora Abril, Nadir Figueiredo, São Paulo Alpargatas (fábrica de São José dos Campos) e a Philips, nas comemorações de 70 anos de presença no mercado brasileiro. Esta iniciativa da Philips foi tão grande que vai receber uma coluna específica em nosso blog.

Um evento interno foge um pouco das características das promoções voltadas para clientes do mercado externo. Ela apela para a diversificação, não se concentrando exclusivamente nas modalidades óbvias que são o futebol de salão, o voleibol, o basquete e o atletismo. O objetivo é programar atividades menos ortodoxas como dominó, truco, bocha, malha etc. O interesse em ampliar o leque das opções leva também à atividades fora do esporte, como concursos de pintura e desenho, escolha da mais bela funcionária, a festivais de música nos quais se disputa o prêmio de melhor cantor e instrumentista. Cada cliente escolhe a programação que melhor se adapte ao seu objetivo específico.

 

Arquivo Pessoal

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JOGOS OLÍMPICOS NADIR

Foi o evento com o qual a Nadir Figueiredo comemorou seus 75 anos de fundação. O desfile de abertura foi realizado no Círculo Militar de São Paulo com a presença de 3000 pessoas. Este certame foi disputado nas modalidades de atletismo (masculino e feminino), futebol de campo, futebol de salão (masculino e feminino), sinuca, tranca (masculino e feminino), truco, voleibol (masculino e feminino) e xadrez. Os jogos olímpicos foram considerados como o principal evento das comemorações daquele aniversário.

 

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JOGOS ALCAN DE INTEGRAÇÃO

De acordo com o título, o objetivo dos Jogos Alcan de Integração, promovido pela Alcan Alumínios do Brasil, era a integração dos funcionários de todas as unidades da empresa, localizadas em São Paulo (escritório Central), Via Anchieta (Distribuição), Utinga, Jundiai, Pindamonhangaba, além de Contagem e Ouro Preto (Minas Gerais).

O evento mobilizou o Ginásio Mauro Pinheiro, do Conjunto Constâncio Vaz Guimarães nos dias 15 e 16 de agosto de 1987 e teve repercussão internacional.

 

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SÃO PAULO ALPARGATAS

Em abril e maio de 1985, a São Paulo Alpargatas realizou um evento comemorativo ao Jubileu de Prata (25 anos de fundação) de sua fábrica de São José dos Campos. Ele recebeu a denominação de Olimpíada da Integração e foi disputado nas modalidades de natação, futebol de salão, futebol de campo, pingue-pongue, voleibol, basquetebol, malha, truco, dominó, bilhar e concurso musical.

A iniciativa envolveu 3000 funcionários e o setor contratante do cliente não foi o departamento de marketing, mas o de recursos humanos.

 

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CAIXA ECONÔMICA ESTADUAL

A Caixa Econômica Estadual, através da União de seus Servidores, realizou de 18 a 21 de agosto de 1988, na Colônia de Férias da entidade localizada no Suarão, próximo a Itanhaém, um certame de integração entre seus funcionários.

Participaram representações da Capital, São Caetano do Sul, Araraquara, Bauru, Campinas, Sorocaba, Marília, Ribeirão Preto, Presidente Prudente, São José do Rio Preto, Santos e Taubaté.

O evento constou de um desfile monumental (Gylmar dos Santos Neves acendeu a pira), de disputas de uma prova pedestre (masculina e feminina), bocha, futsal, natação (masculina e feminina), pingue-pongue (masculino e feminino), truco, xadrez (masculino e feminino) e voleibol (masculino e feminino).

Foi a maior realização de caráter interno de toda a história da Caixa Econômica Estadual, hoje incorporada pelo Banco do Brasil.

 

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EDITORA ABRIL

A Editora Abril também fez seu evento interno realizando um festival poliesportivo no Centro Educacional Edson Arantes do Nascimento, na Lapa, estádio que ficava próximo à sede que, na ocasião, era o centro operacional daquela editora. Esse estádio prestava-se ao desfile inaugural que visava integrar todos os funcionários da empresa.

A motivação para a realização de um evento interno de integração foi decorrência de uma outra promoção, voltada para o público infantil, com uma ação efetuada na pista do Ibirapuera. Constou de competições para 3500 crianças e uma demonstração de Educação Física de 600 crianças. A motivação deste evento foi o lançamento de um álbum de figurinhas sobre os Jogos Olímpicos. O espetáculo, filmado pelos integrantes da própria família Civita, teve seu tape apresentado no Congresso Mundial dos Representantes Disney.

 

Ladroeira endêmica

O tema de hoje está interrompendo a série de artigos sobre os 70 anos de jornalismo ativo que estou publicando neste blog. Rendo-me ao assunto que há várias semanas predomina em todos os veículos de comunicação: o da corrupção do futebol mundial e, principalmente, o do Brasil. A repercussão é tão profunda que chega até a tomar o espaço destinado a outra corrupção, a da política e da administração pública.

A razão da interrupção da série é evidenciar que a imoralidade é muito maior em nosso país e não é exclusiva da modalidade do futebol. As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público deveriam encarar o esporte dentro de um contexto mais amplo.

Os custos dos Jogos Pan-americanos, realizados em 2007 no Rio de Janeiro, até hoje causam náuseas em todos os cidadãos que gostariam que a nossa imagem fosse a de uma nação idônea. Continuamos no terceiro mundo devido a esta desonestidade endêmica. De um orçamento inicial de 386 milhões de reais, chegamos aos gastos finais de 3,097 bilhões.

Precisamos também ir fundo em outra questão: o motivo que leva alguns presidentes de confederações nacionais a permanecer décadas em seus quadros. Ser presidente deve ser um bom negócio. É necessário, principalmente neste momento de penúria de nosso país, fiscalizar os recursos destinados aos Jogos Olímpicos do ano que vem.

Deslizes dos gestores da maior competição esportiva do mundo poderão nos levar além do fundo do poço em que já estamos. Se, ao contrário, as verbas forem bem aplicadas em instalações esportivas, infraestrutura urbana, em uma ação policial que contenha a criminalidade do Rio de Janeiro o oposto ocorrerá. A cordialidade do brasileiro e a beleza de nosso país serão ressaltadas por milhões de turistas, milhares de dirigentes e de jornalistas que levarão para os cinco continentes as coisas que temos de bom.

Parece pouco, mas desta fiscalização e demonstração de eficiência depende a saída do nosso país do atoleiro. Nunca as Polícias Federal, Estadual e Municipal, o Ministério Público e a coragem do Judiciário foram tão importantes.

Precisamos terminar com a ladroeira endêmica.