Gazeta Esportiva

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Mesmo antes da partida decisiva contra o Santos, na final do Campeonato Paulista de 2013, o SC Corinthians Paulista já era campeão estadual.

Em evento oficial, resultante da parceria da Federação Paulista de Futebol e do Panathlon Club São Paulo (integrante de uma instituição mundial, reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional), ele sagrou-se Campeão Estadual da Disciplina.

A avaliação teve como base o número de cartões amarelos (menos 1 ponto) e de vermelhos (menos 3 pontos) registrados durante a fase classificatória do Paulistão, quando todas as equipes estavam concorrendo. O alvinegro obteve 34 pontos perdidos. Em segundo lugar ficou o Santos, com 39 pontos e em terceiro o Mirassol com 45 pontos. Em último lugar ficou o Botafogo de Ribeirão Preto, com 94 pontos.

Pelo importante título conquistado, o Corinthians receberá o Troféu Fair Play na próxima quinta-feira, dia 23, numa solenidade programada para o Clube Esperia. Estarão presentes autoridades esportivas, dirigentes do Corinthians e da FPF, diretores de clubes e associados do Panathlon de todo o país.

O técnico Tite, do Parque São Jorge, também receberá um diploma assinado pelo presidente da Federação Paulista e do Panathlon. A comissão organizadora do evento reconhece a elevada participação daquele técnico para a conquista deste prêmio e o seu papel de educador no exercício de sua profissão.

O prof. José de Souza Teixeira, membro do Panathlon Club São Paulo e figura muito ligada ao Corinthians, informou que, além dos membros da diretoria, estão convidados para esta festa os inesquecíveis jogadores Badeco e Vladimir, jogador que participou do maior número de partidas da história do Corinthians.

A demonstração de esportividade da torcida corintiana, no final do último jogo da Libertadores contra o Boca Junior, é a garantia de que, mesmo com um eventual resultado negativo, ela também agiu com Fair Play, reforçando de sua parte a justiça do prêmio. Ela nunca desanima, fato que também incentiva a conduta dos jogadores. Não é sem motivo que a torcida corintiana é chamada de “Fiel”.

Divulgacao

Divulgacao

No dia seguinte ao da publicação do texto abaixo, todo jubiloso por uma medida idônea da juíza de primeira instância, lemos a notícia de apenas sete linhas informando que a juíza Leila Mariano, do Tribunal de Justiça do Rio, suspendeu a liminar concedida pela respeitável Gisele Faria.

Surpreende-nos que a justiça brasileira, endemicamente morosa, agiu neste caso com velocidade supersônica.

Mantivemos este post, já superado, em nosso blog, como uma forma de homenagear Gisele Guida de Faria pelo seu gesto.

Não entendemos nada de Direito Civil. Esperamos que o Ministério Público possa recorrer da medida a favor da Odebrecht, da AEG e da IMX de Eike Batista, tomada com a velocidade de um Fórmula Um.

O noticiário da mídia independente divulga em quase todo o espaço disponível falcatruas, incompetência, sonegação, corrupção e obras importantes que não saem do papel.

Quando terminamos de ler o jornal pela manhã, começamos o dia com um desânimo enorme quanto ao futuro do Brasil. Vemos o nosso país como aquele corredor que está sendo ultrapassado pelos demais e sem nenhum esboço de reação. São poucas as notícias alvissareiras e animadoras como a da conquista da OMC (Organização Mundial do Comércio) por um brasileiro, ou da conduta do Supremo Tribunal Federal no caso do Mensalão, o primeiro em que a inidoneidade foi punida.

Quando conquistamos a sede do Mundial de Futebol e dos Jogos Olímpicos, chegamos ingenuamente a julgar que, por patriotismo e desejo de conquistar uma excelente imagem no exterior, a avidez da corrupção seria contida. A maioria esperava que todos abririam mão de seus interesses em favor de um grande benefício para a nossa nação.

Tudo ao contrário. Nada de altruístico aconteceu. Os turistas prematuros passaram a ser os principais alvos dos nossos bandidos. Cada crime deste tipo soa como um trombone na mídia do exterior levando nossa imagem para o brejo. Os custos das obras para a Copa e Jogos Olímpicos dobraram e as despesas com dirigentes e serviços viraram um escândalo.

Parte do judiciário desapontou quem quer ver o nome do Brasil no alto, também facilitou o caminho dos que agem menos eticamente.

Quando se verifica um ato que foge a todo este contexto geral, vem a consciência e a esperança de que é possível melhorar o nosso país. Foi o que sucedeu com o contrato para a exploração do Maracanã pelos próximos 35 anos.

Estava claro que a “concorrência” para a exploração do maior estádio do Brasil era lesiva aos interesses do país. O Estado do Rio de Janeiro sairia perdendo e o consórcio vencedor havia participado inclusive da redação do edital da concorrência. Tudo era dirigido para a vitória de um triunvirato que tinha em sua composição Eike Batista, a Odebrecht e uma empresa norte-americana.

No dia 9 de maio, o Ministério Público entrou em ação. A denúncia feita encontrou acolhida na idoneidade da juíza Gisele Guida de Faria, da 9ª Vara da Fazenda Pública do Rio de Janeiro. Ela concedeu a liminar impedindo que o governo do Rio de Janeiro levasse avante seus preocupantes projetos. A mesma juíza também tomou a decisão contra outra loucura: a demolição do Parque Aquático Júlio Delamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros para a construção de um edifício-garagem. Um empreendimento caríssimo que seria utilizado raríssimas vezes. Este assunto foi o tema publicado neste blog em 11 de abril deste ano.

Eu poderia parecer ridículo, mas, se eu cruzasse com a juíza Gisele, gostaria de beijar-lhe as mãos, um agradecimento em nome do esporte ético nacional.

O Estado do Rio de Janeiro prometeu recorrer da liminar concedida. Tomara que na segunda instância este processo seja distribuído a um membro do judiciário com a mesma integridade de uma Gisele Guida de Faria, ou de um Joaquim Barbosa, presidente do STF. Afinal, o bem precisa, ao menos algumas vezes, vencer o mal.

NO PÉ

Para Belém

Dias depois da divulgação da decisão de Gisele Faria, veio a notícia que os atletas domiciliados no Rio de Janeiro não tinham onde treinar para os Jogos e os principais eventos nacionais e internacionais. Mudaram de endereço. Foram para Belém, no Pará. O histórico Célio de Barros virou canteiro de obras da reforma do Maracanã. Que pena!

Prestigiar o Ministério Público

O desfecho (até o momento) deste caso mostra a incoerência de vários processos que tramitam no legislativo querendo reduzir a ação investigativa do Ministério Público, deixando-a exclusivamente para a polícia. Este trabalho de promotores e procuradores públicos estaria perdido se os “políticos” já tivessem conseguido aprovar o projeto em favor da impunidade nacional.

Foi firmado em meados de março um acordo entre o BNDES e a Sabesp que prevê investimento para a terceira etapa no Programa de Despoluição do Rio Tietê.

Os dois órgãos assinaram um contrato de financiamento da ordem de um bilhão e trezentos e cinqüenta milhões. Os investimentos totais no lendário rio, com outras aplicações, vão somar dois bilhões e novecentos milhões e vão abranger 27 municípios da região metropolitana de São Paulo.

Toda esta dinheirama pretende tornar o rio dos paulistas despoluído até 2016 e há planos para que os serviços tenham continuidade também após esta data, para que os esgotos continuem longe do lendário Anhembi.

Esta despesa é destinada à implantação de coletores, interceptores, redes coletoras e ligações domiciliares de esgoto. Este será um dos maiores projetos ambientais do mundo.

Se estes recursos forem bem empregados, a cidade devolverá o rio Tietê para o esporte, para a natação, para o remo (esportivo e recreativo) e até para o turismo.

Muitas pessoas estão torcendo (como o autor destas linhas) para o êxito deste empreendimento. Nós somos autores do livro “Tietê – O Rio do Esporte”, aprendemos a nadar no Rio Tietê e competimos em quatro Travessias de São Paulo a Nado (evento realizado pela A Gazeta Esportiva até 1943), temos muitas razões para gostar deste rio ligado à minha infância e juventude.

Se tudo der certo, em 2017, a Travessia, a São Silvestre da água, poderá retornar ao calendário da natação paulista e o Esperia, o Corinthians, o C.E. da Penha e outros clubes ribeirinhos também terão condições de, novamente, soltar suas catraias no rio para a recreação de seus associados. A Federação Paulista de Remo também voltará a realizar regatas na mesma região de outrora, que entrou em decadência a partir de 1944, época em que João Havelange pegou tifo por nadar no rio já poluído.

NO PÉ

HAVELANGE

Já que falamos de João Havelange, quero dizer que não pactuo com o “mata e esfola” de toda a mídia para com o ex-presidente da FIFA. Eu conheci João Havelange no tempo em que ele era nadador do Fluminense, mais tarde nadador e aquapolista do Esperia e da seleção nacional.

Ele era presidente da CBD, entidade esportiva eclética que também abrangia o futebol e sempre agiu esportivamente, com grande correção. Fui membro do conselho técnico de esportes aquáticos nessa época e ele sempre, como dirigente e como militante, agia com lisura.

Apesar de tudo o que está ocorrendo em relação à sua imagem, precisamos nos lembrar do esportista que ele foi. Ele merece esta atenuante.

Arquivo pessoal

Esta foto de 1931 foi tirada no C.R. Tietê, quando o autor deste blog tinha 5 anos de idade. Ele aparece ao lado de seu irmão Oswaldo, na época com 9 anos e hoje com 91. O coreto que se vê ao fundo é da última década do século XIX. Ele já foi utilizado quando o local era um parque público, o recreio e restaurante do Sr. Baptista Peyroncelli (até 1899), sede do Clube Esperia (de 1899 a 1903), sede do Clube de Regatas São Paulo (de 1903 a 1913) e do Clube de Regatas Tietê (a partir de 1913)

Não é nosso hábito publicar as mensagens que recebemos dos nossos leitores. Às vezes temos que abdicar desta atitude em obediência à ética jornalística que recomenda ouvir “o outro lado”. Por esse motivo, estamos cedendo o espaço do nosso post de hoje a Sally Palmer, leitora e dirigente do Clube de Regatas Tietê sobre o nosso artigo “O destino do Clube de Regatas Tietê”, publicado no dia 22 de abril de 2013.

“A reunião do dia 25/10/2012, denominada de conciliação, praticamente não aconteceu, visto que o Tietê não teve nenhum direito de fazer uma proposta, mas sim foi de intimação para desocupar o clube.

- Foi concedida a permanência da Escola Tietê, mas, como o Tietê é o mantenedor e a Prefeitura irá tirar todos os bens do clube para um depósito da prefeitura, a cabine de força que fornece luz terá que ser retirada, pois pertence ao clube. Como vai funcionar a escola sem luz? Deverá ser pedida a re-ligação para a AES, mas o Tietê não pode pedir, visto que deve para a mesma e a energia que estávamos tendo era baseada em dedução das comodities que tínhamos a receber. O advogado que cuidava disso não mais poderá receber honorários e já se retirou. A água era fornecida através de um poço artesiano que o Tietê abriu, mas a bomba que puxa a água é alugada. Quem iria pagar o aluguel?

- A Faculdade Zumbi dos Palmares, que também ganhou o direito de ficar até 2013, está acionando o clube e conseguiu uma liminar para que liguemos a luz. Então usarão nossa cabine de força, gastarão a luz e a conta ficará para o Tietê, visto que o nome que consta é Tietê e não Afro-brasileira.

A Afro-brasileira que ficou está cobrando o estacionamento e apoderou-se também do salão social e da boate, que eram do Tietê; o espaço deles não constava esse setor. Estão tentando alugar também esses espaços.

- Todos os bens do clube deveriam ser usados para serem vendidos e cuja arrecadação é para suprir algumas despesas que continuarão a ter, visto que o clube não foi encerrado. Todos os bens foram emparedados nos ginásios do clube e não podemos ter acesso. Inclusive alimentos que foram doados para fazer cesta de natal para os funcionários se encontram nesse emparedamento, sem podermos retirar.

- Já que não temos mais diretoria, nem conselho, deveria a juíza que nomeou essa comissão gestora ser avisada para extinguir essa responsabilidade dessa comissão que não terá como continuar, visto que não mais terá nenhuma renda e nem como administrar as dívidas.

- Quanto às dívidas, tendo o Tiete uma propriedade que vale R$ 50.000.000,00 e que foi desapropriada pela Prefeitura, não poderia se entrar na justiça contra a mesma visto que está nos impedindo de sanar nossas dívidas.

- Não estariam aplicando uma lei leonina onde a Prefeitura fica com tudo, passa para outros que nada construíram e o Tietê, que ergueu esse parque atlético, além de perder tudo ainda fica com as dívidas?

Alegações da Prefeitura para excluir o Tietê de qualquer beneficio:

- Terminou o comodato e não entregaram o clube. Os demais que também terminaram não o fizeram.

- Não estão pagando a reciprocidade de aluguel do espaço. Os outros clubes também não estão pagando.

- Dizem que o Tietê não apresenta reciprocidade cedendo o clube para eventos sociais. Não é verdade, como pode ser demonstrado no processo onde centenas de pedidos de escolas municipais, estaduais, entidades da própria prefeitura e do estado estão constantemente usando o clube.

- Que temos dívidas e não temos como pagar.

- Os demais clubes também têm e nós temos como pagar, visto que temos o clube de campo em Parelheiros. Se nos deixasse vender, pagaríamos tudo e ainda sobraria para reformar a sede.

Gostaríamos que nos explicasse porque colocaram no projeto para renovar o comodato 8 clubes, com comodatos vencidos antes mesmo do nosso, e não incluíram o Tietê?

- Por que o Clube Pinheiros teria o direito de usar o nosso clube sem indenizar o que foi gasto com a construção de todo esse parque esportivo?

- Por que a faculdade Zumbi dos Palmares tem todo privilégio, recebe dos alunos, aluga o espaço para terceiros, tem patrocínios e sempre é considerada a vitima? Preconceito não é, porque logo que alugaram o prédio que também não era para ser total, e invadiram as outras áreas, sem nosso consentimento, enviamos um convite para que todos os alunos se tornassem associados.

- A Prefeitura reintegrou o local onde está o Tietê e eles nomearam um responsável para tomar conta enquanto não decidem o que fazer? Eles enviaram as listas dos pertences emparedados?”

Há algumas semanas, comentaristas de diversos veículos de comunicação impressa e eletrônica manifestaram opiniões pouco favoráveis aos campeonatos regionais de futebol. Achavam eles que muitos jogos são desinteressantes e não congregam o público de outros eventos de âmbito nacional e mundial programados para a mesma época.

Eu, pessoalmente, discordo destes colegas e continuo achando que o esporte é uma pirâmide, na qual a altura do vértice técnico repousa na base quantitativa de seus praticantes. Sem quantidade, não há qualidade. O “vértice” não flutua no ar.

Não se pode dizer que não temos quantidade em nosso país. O futebol é aqui praticado com tal capilaridade que abrange parte da periferia das grandes metrópoles e vai até os mais distantes vilarejos do Interior. O grande problema é que esta infra-estrutura não é suficientemente organizada quanto deveria, perdendo-se a potencialidade que o futebol poderia vir a ter. Os certames infanto-juvenis e das Ligas municipais não despertam, nem nos dirigentes, nem na mídia, a atenção e a divulgação desejáveis. Os jogos do Interior e todos os eventos das divisões intermediárias, que na realidade são a base do esporte, não recebem o aplauso que merecem. Os olhos estão voltados somente para as estrelas.

O fato citado, aliás, lembra-nos uma lenda atribuída a Newton, pai da gravitação universal. Conta-se que ele, de cabeça erguida olhando fixamente as estrelas, foi chamado à realidade por uma velhinha que estava ao seu lado. Ele não percebeu que estava pisando num charco.

Em um artigo sobre este tema, escrito há décadas, dissemos que nosso futebol iria dar um salto de progresso no dia em que um presidente de Confederação brasileira se dignasse a entregar o troféu ao vencedor do Campeonato Municipal de Taubaté ou de Sertãozinho.

É verdade que o Brasil é o maior exportador de grandes futebolistas para o exterior, mas, se tivesse uma infra-estrutura mais organizada e valorizada, estaria muito mais à frente. Cuidar da base facilitaria uma prospecção de valores e a inclusão social de muitos milhares de conterrâneos que jogam na várzea ou em divisões amadoras.

O fato de a TV apresentar preponderantemente partidas (algumas até secundárias) dos campeonatos de Portugal, França, Alemanha, Rússia e até da Argentina e de outros países não tão importantes, implica numa posposição de cidades do Interior do Brasil, com clubes que se destacam pelo número de afeiçoados e até em termos de mídia publicitária. A divulgação constante destes clubes iria incluí-los na escala de valores dos apreciadores do esporte.

Este princípio vale não só para o futebol, mas para todas as modalidades. A atividade esportiva valorizada é um instrumento enorme de inclusão social e de anti-drogas. Ela afasta a juventude da criminalidade e torna-se um fator de saúde numa época em que uma explosão de obesos preocupa a saúde pública, criando uma geração de gordos em todo o mundo.

A grande verdade é que o primeiro degrau, tão desprezado, é o primeiro passo para a chegada ao pódio.

Recebemos nesta semana um e-mail do advogado Alberto Murray Jr manifestando a sua revolta contra a atual administração da Secretaria de Esportes do Estado de São Paulo. Ele passou pelo Conjunto Esportivo do Ibirapuera e verificou que as placas de inauguração do ginásio de esportes e da pista de atletismo com o nome de seu avô, Major Sylvio de Magalhães Padilha, haviam sido removidas. Ele considerou isso uma afronta e uma desconsideração a Sylvio de Magalhães Padilha, bem como à memória desportiva de São Paulo.

Pessoalmente, achamos que jamais o titular da pasta estadual deixaria, após as reformas, de restituir aqueles marcos aos seus devidos lugares, numa ação de respeito a um dos mais importante de seus antecessores.

Com 67 anos de crônica esportiva, acompanhei cada etapa da luta para que o Conjunto tivesse a configuração atual.

O Conjunto foi construído aos poucos, com cada unidade respondendo a uma luta específica, tentando solucionar problemas também específicos do nosso esporte que vinham acontecendo no decurso de sua longa gestão.

A primeira obra foi a do ginásio, que permitiu a São Paulo receber os grandes eventos internacionais, solvendo uma das grandes carências de nossa cidade. Depois foi construída a pista, que em sua primeira edição era conjugada com o Velódromo. Depois ganhamos uma piscina olímpica e o edifício dos alojamentos permanentes do Projeto Futuro da Rua Manoel da Nóbrega, onde tiveram abrigo durante o período de treinamento atletas que se transformaram em campeões olímpicos.

O Conjunto foi implementado com outras instalações, como o ginásio poliesportivo da Rua Abílio Soares, quadras descobertas e restaurantes.

Cada melhoramento marcou cada época, todos com verbas de orçamento e nenhuma negociata. O arquiteto Ícaro de Castro Mello era funcionário do DEFE e fez todos os projetos. Nos primeiros tempos, não havia nem a Secretaria de Esportes, tudo era feito pelo DEFE (Departamento de Educação Física e Esportes do Estado de São Paulo).

Padilha começou a lutar pelo Conjunto desde a conquista da extensa área em que ele se encontra. Foi uma longa e vitoriosa negociação com o II Exército e a Prefeitura.

Tudo que existe no Conjunto é obra de Padilha, que também acrescentou ao seu currículo o Conjunto da Água Branca: um ginásio poliesportivo, a primeira piscina coberta do país e um edifício para a sede das federações estaduais que ocupavam o espaço gratuitamente e estão sendo expulsos pela atual administração. Não havia este foco argentário que, infelizmente, hoje restringe a ocupação destas instalações construídas com o dinheiro do povo e o progresso da própria prática esportiva.

Ainda antes de sermos jornalista, há mais de setenta anos, vimos Padilha levando governadores de Estado (no fim da década de 30 e início da de 40) para lá assistir a competições de atletismo.

Padilha merece mais do que a recolocação de duas placas (deveriam ser muito mais!). Se houver uma verdadeira justiça, quando terminar esta prolongada reforma, precisaria ser erguido um busto para ele.

Arquivo pessoal

Esta foto de 1931 foi tirada no C.R. Tietê, quando o autor deste blog tinha 5 anos de idade. Ele aparece ao lado de seu irmão Oswaldo, na época com 9 anos e hoje com 91. O coreto que se vê ao fundo é da última década do século XIX. Ele já foi utilizado quando o local era um parque público, o recreio e restaurante do Sr. Baptista Peyroncelli (até 1899), sede do Clube Esperia (de 1899 a 1903), sede do Clube de Regatas São Paulo (de 1903 a 1913) e do Clube de Regatas Tietê (a partir de 1913)

Os jornais da última sexta-feira dão conta de que foi publicado no dia anterior, no Diário Oficial do Município, um decreto que define o destino do local ocupado pelo Clube de Regatas Tietê como um Clube-Escola.

Este tema do futuro do clube vermelhinho, como deve ser do conhecimento dos leitores do nosso Blog, já foi alvo de uma série de treze artigos que focalizaram a história daquela agremiação desde as origens até os nossos dias. Nós vivemos as transformações deste clube desde quando tínhamos quatro anos de idade (vide foto).

Do nosso ponto de vista, há diversas situações positivas naquele decreto, sugerindo a forma de aproveitamento das instalações preciosas de cinco piscinas (duas olímpicas), pista de atletismo, ginásios, sete quadras de tênis, quadras poliesportivas, um acervo que não pode ser desprezado, principalmente diante da conjuntura social que atravessamos na atualidade.

Declarações do Secretário Municipal de Esportes, Celso Jatene, afirmam que é necessário um aproveitamento imediato daquele acervo, uma vez que deixar deteriorado um patrimônio com aquele valor, construído durante cento e seis anos, seria um contra-senso.

Pelo decreto, o local será transformado em um Centro Educacional, integrante do programa Clube-Escola, com o objetivo de oferecer atividades físicas, esportivas, de lazer e recreação, especialmente para os alunos da rede pública e seus familiares, bem como a população das proximidades. Os centros educacionais da Prefeitura eram muito ativos na época em que Carlos Joel Nelli, Paulo Machado de Carvalho e, principalmente, Caio Pompeu de Toledo foram titulares da SEME. Hoje, pouco se ouve falar da atividade do C.E. Thomaz Mazzoni, na Vila Maria, Pelé, na Lapa, etc.

Em nossa opinião, Celso Jatene podia, pela importância da região geográfica do C.R. Tietê, criar um centro diferenciado dos demais que, sob a direção municipal, fosse aberto aos alunos das escolas da Ponte Grande, Santana e Bom Retiro, com acompanhamento e severa vigilância dos professores destes estabelecimentos e uma fiscalização rígida da Prefeitura.

A área também poderia ser destinada à população carente da região, segmentada em grupos supervisionados pela própria SEME.

Jatene foi feliz ao querer preservar o nome de Centro Tietê e consequentemente a história do local, criando um memorial para guardar dois mil e quinhentos troféus do C.R. Tietê, conquistados em inesquecíveis regatas, em esgrima, em atletismo, na Travessia de São Paulo a Nado e pelo departamento de tênis, onde surgiu a brilhante Maria Esther Bueno.

Entre os segmentos que teriam direito ao uso do local poderiam ser incluídos, inclusive, os mais de mil associados remanescentes do C.R. Tietê que, dessa maneira, não seriam desalojados de um direito conquistado há várias décadas. Tudo é questão de uma direção altamente capacitada e comandada por um coordenador de alto nível profissional.

Este esquema de multiuso pode dar certo, agradar a muitos e reduzir o número de frustrados. Entretanto, para poder funcionar, necessita de uma estrutura administrativa ultra competente. Neste ponto, a política poderia dar sua contribuição e não insistir na indicação de apaniguados que não sejam do ramo, funcionários incapazes ou despidos de um ideal. Se isto ocorrer, haverá um bom modelo para outros casos similares que possam vir a suceder, dando uma enorme contribuição aos esportes e à educação da juventude. Será uma grande ajuda para livrar os jovens da capital da contravenção e da droga.

Se tudo isto acontecer, a Chácara Floresta voltará a viver seus inesquecíveis momentos históricos. Afinal, aquele pedaço de chão merece respeito. Além do C.R. Tietê, já abrigou a Associação Atlética Palmeiras, o Clube de Regatas São Paulo, o Clube Esperia, o Corinthians, o São Paulo F.C. e a Associação Atlética São Bento.

Acervo/Gazeta Press

Acervo/Gazeta Press

Um dos maiores eventos da história do calendário promocional de A Gazeta Esportiva foi a “Operação Juventude”, certame efetuado várias vezes durante a década de 70 (há quase meio século), destinado a dar uma oportunidade de participação em uma prova de atletismo a jovens que nunca haviam entrado em uma pista. Esta iniciativa tinha caráter nacional e contava com o apoio de líderes municipais que se propunham voluntariamente a realizar competições com as mesmas provas e faixas etárias.

Numa de suas realizações, o certame chegou a reunir mais de 350 mil concorrentes, com a participação de centenas de cidades de todo o país. Os vinte melhores de cada prova eram selecionados por um “ranking” para competir em uma grande competição final, programada para a pista da Secretaria Municipal de Esportes, à Rua Pedro de Toledo.

A Operação Juventude correspondeu a uma mega prospecção de talentos para o esporte nacional e foi efetuada pela A Gazeta Esportiva durante uma década.

Foi com grande satisfação que verificamos que aquela chama de entusiasmo que caracterizava aquele evento ainda não se apagou após o encerramento desta promoção pela Gazeta Esportiva.

A Secretaria de Esportes do município de Taubaté mandou-nos nesta semana um e-mail cuja transcrição fala da realização da Operação Juventude naquela cidade. Melhor do que qualquer comentário sobre a grande significação do fato, basta publicar “ipsis literis” o texto da circular que nos foi enviada.

Nós, que criamos e implementamos este evento há quatro décadas, congratulamo-nos com os organizadores da “Operação Juventude” nesta cidade do Vale do Paraíba pela permanência daquele ideal.

Vejam o texto que recebemos:

A Prefeitura Municipal de Taubaté, por meio das “Secretarias de Esportes e Educação”, dá inicio ao calendário esportivo escolar com um dos maiores eventos esportivos da região, a “OPERAÇÃO JUVENTUDE DE ATLETISMO ESCOLAR– 2013”, que oportunizará o congraçamento de crianças e jovens pela disputa saudável em várias competições, demonstrando os grandes benefícios da pratica da educação física escolar, que vai desde a formação física, psicológica e da revelação de novos talentos para as equipes oficiais do município de Taubaté.

O evento será realizado nos dias 25 e 26 de ABRIL de 2013, com início as 8h00, na Pista do Centro Esportivo Felix Guisard – CTI – de Taubaté.

A inscrição da escola poderá ser efetivada no momento das provas, respeitando categorias e naipes.

Categorias:

Dia 25/04/2013 – Quinta-feira – Mirim Masculino e Feminino – até 14 anos (nascidos – 1999), Provas – 100 metros,  Salto em distancia, Arremesso de Peso -Juvenil Masculino e Feminino – até 18 anos (nascidos – 1995)

Provas – 100 metros, 1000 metros, Salto em distancia, Arremesso Peso.

Dia 26/04/2013 – Sexta-feira – Pré-Mirim Masculino e Feminino – até 12 anos (nascidos – 2001), Provas – 75 metros, Salto em distancia, Arremesso Peso -Infantil Masculino e Feminino – até 16 anos (nascidos – 1997)

Provas – 100 metros, 600 metros, Salto distancia, Arremesso Peso.

Assinaram a circular as seguintes autoridades: Prof. Claudio Teixeira

Brazão (Secretário de Esportes e Lazer) e Profª. Drª. Edna Querido de Oliveira Chamom (Secretária de Educação).

A continuidade deste grande evento durante quatro décadas deve-se ao Prof. Wiliam Saad Abdulnur e sua esposa Edna, que já no tempo da realização da Operação Juventude pela A Gazeta Esportiva tiveram atuação destacada.

O progresso do esporte do Brasil depende do infatigável trabalho dos voluntários que trabalham no esporte de base.

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

No meio de uma atividade febril, numa fase de ampla ocupação e agenda tomada, completei 87 anos (na primeira semana deste mês de abril). Recebi muitos cumprimentos de parentes e amigos na forma de abraços, e-mails e telefonemas, mas nenhum me agradou e comoveu tanto quanto um proveniente do ex aluno C.K., direto de Israel.

Nestas minhas quase nove décadas, colecionei gratas recordações da vida diferenciada que levei como jornalista, professor de filosofia, professor de educação física, escritor e empresário de eventos. Senti bem de perto as emoções das aberturas de quatro Jogos Olímpicos. Creio que fui muito bem sucedido em todos os segmentos a que me dediquei, pois sempre tive muitos reconhecimentos. Uma das maiores emoções de minha vida, entretanto, senti no exercício de minha profissão como professor de educação física.

Na década de 60, o ensino público era infinitamente melhor que o das escolas privadas. Sob o nome de exame de admissão, os alunos egressos do ensino primário lutavam por uma vaga nos principais colégios públicos. Era um verdadeiro vestibular, principalmente para obter uma vaga no Fernão Dias de Pinheiros, no Firmino de Proença da Mooca, no Anhanguera da Lapa ou no Macedo Soares da Barra Funda.

No dia do exame de admissão do Colégio Macedo Soares, onde eu era professor de educação física, apareceu para concorrer ao ingresso o jovem C.K.. Ele sofria de hidrocefalia, tinha uma cabeça enorme, mal podia andar e subiu carregado os vinte degraus que separavam a sala dos exames do pátio da escola. Diziam que ele tinha escolhido aquele estabelecimento de ensino porque era discriminado nas escolas judaicas (ele era israelita) onde fizera o curso primário.

Ele foi aprovado e, logo a seguir, começaram as aulas. Os alunos naquela época passavam por exames biométricos e alguns conseguiam dispensa das aulas de Educação Física por intermédio de atestados médicos oficiais.

Quando eu media peso e altura da classe de C.K., a expectativa óbvia dos demais alunos era uma dispensa.

Na hora de examinar C.K. eu disse:

- O que? Você não será dispensado e fará educação física! – (Logo ele que mal parava em pé). Os colegas, atônitos, eram testemunha daquele ato inusitado.

Logo na primeira sessão, C.K., uniformizado, entrou em forma, num símbolo de igualdade com os demais alunos e até fez movimentos ginásticos de braços, acompanhando o conjunto. Ele estava feliz por ter sido considerado normal e igual aos outros, apesar da flagrante diversidade de sua figura. Dois meses depois, ele já marchava com o passo certo junto com toda a classe, outro importante símbolo de integração.

Depois de dois anos, embora desajeitado, na qualidade de levantador, participava até do campeonato interno de voleibol, do qual nenhum aluno era dispensado. Defendia as bolas que vinham da equipe adversária.

Sua cabeça grande guardava os conhecimentos das matérias teóricas. Foi bom aluno e completou o curso com boas notas. Passou no vestibular da Faculdade de Medicina de Sorocaba, onde também diplomou-se brilhantemente.

Eu recebi provas de gratidão de C.K. e sua família que entre todas as vivências de minha existência talvez sejam as maiores emoções que já senti. Na solenidade de sua formatura como médico, entre os pouquíssimos convites que C.K. tinha à sua disposição para familiares e amigos, dois estavam separados, para mim e para minha esposa.

Naquela festa destinada à entrega dos diplomas, C.K. estava caminhando com desenvoltura, sorrindo alegremente e plenamente integrado e feliz. Ele estava até sendo paquerado por algumas garotas que viam nele um futuro brilhante.

De fato, ele tornou-se um nefrologista e, logo depois, atendendo aos clamores do judaísmo, foi para Israel, levando consigo como esposa uma bela enfermeira brasileira.

Tempos depois, mais ou menos há uma década, encontrei-me com outro aluno do Macedo daquela época, também israelita, que me disse:

- Minha mãe é amiga da mãe de C.K.. Ela nos contou que até hoje, todas as noites, ela reza pelo senhor em agradecimento à transformação de seu filho!

Nenhum momento de minha vida foi tão impactante como esse. Nenhuma visão dos quatro Jogos Olímpicos que eu cobri ou das 30 São Silvestres que eu ajudei a organizar me emocionaram tanto.

Quando recebi, neste começo de abril, um telefonema de Israel cumprimentando-me pelo aniversário eu compreendi o que representam aquele ato e a significação da educação física e os esportes para a vida humana.

Desculpe leitor por, neste texto, falar de mim na primeira pessoa. Com certeza não sou eu o objeto desta crônica. Na realidade, o tema central e básico é a importância da educação física quando levada a sério nas escolas do Brasil.

Érica Ramalho/Divulgação

Érica Ramalho/Divulgação

Em vários artigos após a conquista da sede dos mega eventos pelo Brasil exaltamos a grande oportunidade que eles proporcionariam ao nosso país para a nossa inserção definitiva no primeiro mundo. Um bom trabalho dos responsáveis pela implementação representaria a fixação de uma imagem do Brasil como país civilizado, ampliaria a vantagem econômica positiva do turismo receptivo e uma tranqüilidade em nossas contas externas, o que seria desfrutado por toda a população.

Para que este sonho (com um toque de utopia) ocorresse, era preciso uma grande dose de patriotismo dos executivos de todos os níveis. A cultura nacional não favorecia a implementação idônea da Copa das Confederações, do Mundial de Futebol e dos Jogos Olímpicos. Ela é caracterizada por elevado índice de corrupção política, pela criminalidade, pelo tráfico, pelo contrabando e outras ilicitudes.

O sonho dos idealistas de um Esporte (com E maiúsculo) está ruindo com o noticiário posterior aos Jogos de Londres (que pretendíamos superar em qualidade). São fartas as notícias de negociatas na construção de estádios, superfaturamento e elevação do orçamento previsto. A avidez de políticos e de muitos dirigentes do alto escalão está diariamente nas manchetes dos meios de comunicação. Uma delas foi relatada em nosso artigo anterior, informando o absurdo de demolir dois verdadeiros templos do esporte que são o conjunto aquático Júlio Delamare e o estádio de atletismo Célio de Barros, somente para a ampliação do espaço do estacionamento, fato que ocorreria unicamente em duas ou três ocasiões.

Agora chega ao público mais uma falcatrua: a justiça suspendeu o processo de licitação para a exploração do Maracanã, concedida a uma empresa privada. Por decisões da juíza Roseli Nalin, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, foi acatado o pedido feito pelo Ministério Público.

O edital era carente de detalhes e informações e as circunstâncias mostravam um suposto favorecimento à empresa IMX de Eike Batista, que nas últimas semanas tem estado no centro do noticiário econômico dos jornais pelas elevadas perdas de suas empresas que não iniciaram a execução de nenhuma das iniciativas na área da exploração de petróleo.

Os problemas da corrupção seriam ainda maiores, não fosse a ação do Ministério Público e de parte do judiciário que pretendem ver um Brasil melhor. O autor destas linhas passou a ser um admirador desta juíza Roseli Nalin, e de outros magistrados que devem continuar “de olho” para que esta concessão do Maracanã por 35 anos não se concretize.

Além dos atos ilícitos no atacado, também no varejo se notam fatos que denegriram a imagem do Brasil. Os bandidos dos morros e da periferia do Rio de Janeiro elegeram os turistas como alvos preferenciais de seus delitos. Estupros, roubos a mão armada estão se repetindo com grande freqüência a cada dia. Cada ocorrência tem tido grande repercussão na imprensa do exterior, tornando-se um arauto de nossas mazelas e indo em direção oposta ao que se pretendia.

O governo do Rio de Janeiro tem lutado muito neste campo, mas uma parte dos próprios órgãos policiais está contaminada, o que dificulta a “limpeza” que se torna a cada minuto mais necessária.

Vamos torcer para que o Ministério Público, a magistratura das Roselis Nalin, e ministros como Joaquim Barbosa, do Supremo, com a fibra de uma Margareth Tatcher incrementem esta luta contra os bandidos do colarinho branco e os de camiseta e bermudas.

NOTA

Este comentário já estava redigido quando recebemos a informação de que, em plena madrugada, quatro horas depois da juíza Roseli Nalin proferir sua sentença, uma desembargadora cassou a decisão e o processo de licitação teve prosseguimento.

Achamos que, mesmo assim, ele ainda tem sentido. Serve de tema de meditação sobre as expectativas em torno dos mega eventos.