A “nossa” Olimpia

Foto: Divulgação

Foto do Estádio Tereza Breda, que recebe as partidas do Olímpia Futebol Clube

Entre os 5570 municípios brasileiros, para mim, se existe algum que tem uma denominação feliz, este é Olimpia, cidade localizada na região noroeste do Estado de São Paulo, a 435 quilômetros da capital paulista.

Ela homenageia a sua homônima grega, sede dos Jogos Olímpicos da antiguidade e origem de atividade esportiva que hoje envolve como um valor quase toda a humanidade. A prática esportiva está difundida em mais de duzentos países, número maior que os afiliados à ONU.

A realização dos Jogos no Brasil abre uma excelente oportunidade para esta cidade do nosso interior aproveitar seu nome simbólico para se evidenciar e sair do anonimato e desde já associar-se ao evento que, no próximo ano, terá por sede a nossa pátria.

Podemos sugerir muitas atividades que o município, com o apoio do Estado e do Governo Federal desenvolveria, entre eles:

1)    Incluir no currículo de todas as escolas, do primário ao universitário, o papel que tinha Olimpia como sede dos Jogos na antiga Grécia.

2)    Realizar palestras de atletas que participaram dos Jogos Olímpicos antigos e modernos e historiadores. Convidar para essa missão Laurete Godoy, a nossa maior especialista em história olímpica.

3)    Criar um atrativo na cidade e convidar turistas, principalmente do exterior, para conhecer a cidade. Uma possibilidade é a construção de um mega monumento dos anéis olímpicos. Esta iniciativa não teria somente valor externo. Os próprios habitantes da cidade teriam um tema do qual se orgulhar.

4)    Mobilizar a rede escolar da cidade incentivando o esporte nas escolas e realizar os Jogos Olímpicos Estudantis, visando incluir o esporte na escala de valores da juventude, tornando o amor ao esporte uma ação permanente.

5)    Criar atividades análogas para adultos, terceira idade e paraolímpicos.

6) Pleitear junto ao Comitê Organizador dos Jogos para que no itinerário da tocha olímpica que acenderá a pira na solenidade inaugural seja incluída a cidade de Olimpia.

7)    Conseguir que a Secretaria Estadual de Esportes programe eventos de sua égide na cidade de Olimpia. Sua participação nesta experiência inédita, sem similar na história do nosso esporte, seria importante para promovê-la.

8)    Um congresso sobre Olimpismo envolvendo todas as escolas de Educação Física do Estado ou do país. Poderia envolver neste evento o CREF-4.

Outras iniciativas poderão ser efetuadas além das citadas pelo jornalista autor deste Blog.

A fixação desta imagem olímpica quebrará o relativo anonimato da cidade, melhorando sua imagem e abrindo oportunidades de desenvolvimento social, cultural e econômico e tornando-a um polo esportivo da região.

O povo aumentaria ainda mais o orgulho de ser cidadão de Olimpia.

 

NO PÉ

Estive uma vez em Olimpia em uma excursão àquela cidade. Aconteceu em 1945, quando eu estava no primeiro ano da Escola Superior de Educação Física do Governo do Estado, hoje incorporada à USP.

 

Jogos Olímpicos – Diversificação cultural

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

A realização dos Jogos Olímpicos no Brasil vai trazer grandes vantagens para o nosso esporte. Uma delas é a diversificação de disputas programadas para o maior certame esportivo do mundo, com algumas modalidades pouco conhecidas de nosso público.

A competição programada para o Rio de Janeiro contará com vários eventos nas modalidades de:

  • Atletismo
  • Basquetebol
  • Boxe
  • Canoagem
  • Ciclismo
  • Esgrima
  • Futebol
  • Ginástica
  • Golfe
  • Halterofilismo
  • Handebol
  • Hipismo
  • Hóquei sobre grama
  • Judô
  • Lutas
  • Nado sincronizado
  • Natação
  • Pentatlo moderno
  • Polo aquático
  • Remo
  • Rugby
  • Saltos ornamentais
  • Taekwondo
  • Tênis
  • Tênis de mesa
  • Tiro
  • Tiro com arco
  • Triatlo
  • Vela
  • Voleibol

A reunião de modalidades até então praticadas por minorias estará introduzindo novas culturas entre nós, fato que constitui um índice a favor de nosso esporte e uma contribuição para nosso índice de civilização. Passaremos da mono à policultura.

É verdade que em março de 2015 já deveríamos ter detonado a realização das competições pouco praticadas entre nós. Os meios de comunicação já deveriam estar plenos de notícias sobre esses esportes, a fim de que em todos os locais onde, no ano que vem, eles estejam sendo disputados, as competições não sejam acompanhadas exclusivamente por um público composto pelos estrangeiros.

A diversificação esportiva será mais uma herança que os Jogos Olímpicos deixarão para a nossa pátria. Nesta altura dos acontecimentos, a pouco mais de um ano do desfile inaugural, deveríamos estar em plena atividade olímpica. Lamentavelmente, o brasileiro deixa tudo para a última hora.

É verdade que a situação econômica nacional é bastante preocupante, a ponto de levar um milhão de pessoas à Avenida Paulista, em São Paulo, e mobilizar populares de 26 Estados e do Distrito Federal para reclamar contra quase tudo o que está ocorrendo. Felizmente, não vimos nenhum cartaz contra os Jogos Olímpicos, evento acolhido com simpatia pelos brasileiros, desejosos de abraçar esportistas de outras 205 nações.

O nome de Marcello

DivulgaçãoNa última sexta-feira, assisti pela televisão a um jogo de voleibol emocionante, entre SESI e Osasco. A peleja teve lugar nos redutos do SESI, ao qual o locutor se referia como Ginásio Vila Leopoldina.

Confesso o meu desapontamento em não ouvir, nem ao menos uma vez, o nome do patrono daquele ginásio, Marcello de Castro Leite, já falecido e que em vida foi um dos meus melhores amigos.

Marcello foi durante quase meio século diretor da Divisão de Esportes do SESI e, neste posto, deixou uma grande obra em favor do esporte do trabalhador. Ele levou ao apogeu os Jogos Esportivos Operários, que mobilizavam milhares de empregados das indústrias de São Paulo, além de desenvolver um ativo calendário que movimentava as principais modalidades esportivas paulistas.

Era de sua responsabilidade administrar a área de educação física e de esportes da rede de núcleos do SESI distribuída por todo o Estado de São Paulo.

Eu, no início de minha carreira jornalística, tive oportunidade de cobrir os Jogos Operários, aos quais A Gazeta Esportiva dava grande destaque.

Foi justíssima a atribuição do nome de Marcello de Castro Leite à unidade da Vila Leopoldina, assim como a atuação dos locutores que cobrem eventos naquela arena quando citam o nome de Marcello, a primeira pessoa que eu consultei se “topava” fundar o Panathlon Club São Paulo há quarenta anos.

Uma verdadeira amizade não termina nem com a morte.

Presidente do COI é um “gentleman”

AFP

AFP

Esteve em visita ao Brasil o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, para avaliar os preparativos para 2016.

Esta era a segunda viagem à sede dos próximos Jogos Olímpicos. Na primeira vez, ele voltou seriamente preocupado com o atraso das obras, mas como homem educado não assumiu a posição agressiva do presidente e do secretário da FIFA em relação ao Mundial de Futebol, que, em idênticas circunstâncias, afirmaram que o Brasil merecia um pontapé nos “fundilhos”.

O presidente do COI desta vez mostrou-se muito bem impressionado com o avanço dos trabalhos em todas as áreas envolvidas pelo maior certame esportivo do mundo e expressou sua confiança em que tudo ficará pronto a tempo.

Em reunião de duas horas com a presidente Dilma, ele recebeu a garantia que o Governo Federal vai assumir despesas no valor de 100 milhões de reais e responsabilidades como fornecimento de energia durante o período dos Jogos, isto é, que não vai haver “apagão”. Thomas Bach também recebeu a promessa de que competidores, dirigentes e turistas de mais de duzentos países receberão plena garantia de segurança. As polícias Federal, Estadual e Municipal estarão unidas para que não ocorra qualquer incidente que venha empanar o brilho da competição e a imagem do nosso país no exterior.

Brincando, ele disse que o primeiro atleta que chegar para competir vai cumprimentar o último operário que, terminando seu trabalho, estará deixando a obra de um dos locais das quarenta modalidades que estão na programação dos Jogos.

 

NO PÉ

 

Já escrevemos este conceito várias vezes em nosso Blog, mas sentimos sempre vontade de repetir o emprego errôneo da palavra “Olimpíadas”.

“Olimpíadas” não é sinônimo de Jogos Olímpicos e sim uma unidade de tempo, é o espaço de quatro anos entre dois Jogos. É o mesmo que quadriênio. Mesmo assim, erradamente lemos e ouvimos o emprego do termo nos principais veículos de comunicação de nosso país e do exterior.

 

Tomie Ohtake e o Esporte

O falecimento de Tomie Ohtake, que repercutiu de forma intensa em todos os setores de nossa sociedade, chegou até a área do esporte. Eu a conheci no limiar dos anos 50, quando fui sócio de Kanichi Sato em um curso de férias de natação, (provavelmente o primeiro de São Paulo) que funcionava na piscina do colégio Rio Branco. Entre as múltiplas funções que exerci na vida, esteve a de ensinar a nadar.

Tomie, que estava ainda nas primeiras obras de sua carreira, levava seus dois filhos Ruy e Ricardo para dar as suas primeiras braçadas, onde assistia embevecida as aulas nas bordas daquele natatório. Ninguém chamava o Ricardo pelo nome, mas pelo apelido Cáo. Ambos figuram hoje entre os arquitetos de maior prestígio em nosso país.

Foi com Ruy que mantive o maior contato. Ele tornou-se dirigente da Liga Aquática Colegial e, juntamente com Hiroo Sato (filho de Kanichi Sato), já falecido, e Antonio Hori lançaram o boletim “Vida Aquática”, noticiando tudo sobre a natação nas escolas.

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Ruy Ohtake, filho de Tomie Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Neste período da vida Ruy frequentou A Gazeta , onde eu já trabalhava no início de minha carreira jornalística. Levavam informações e queriam “dicas” da minha profissão. Em uma ou outra ocasião, cruzava-me com Ruy e ele me contava novidades de sua gloriosa carreira e também me dava notícias de sua mãe, sempre ativa.

Até hoje, quando contemplo o monumento de Tomie, na Av. 23 de Maio, logo após a Beneficência Portuguesa, eu digo para mim ( e continuarei dizendo): “ela é minha amiga!”

Meu convívio com Ricardo foi menor. Ambos escrevemos um livro sobre o Rio Tietê, mas de ângulos diferentes. Nunca conversamos sobre o assunto.

Este artigo tem a finalidade de homenagear a principal pintora e arquiteta de nossa geração e, mais uma vez, mostrar que o esporte é a melhor maneira de se manter uma amizade.

Civismo no Hino Nacional

Foto: AFP

Foto: AFP

Não é a primeira vez que voltamos ao tema do Hino Nacional no início das partidas de futebol. Quando as câmeras focalizavam a abertura do jogo do qual participou o time colombiano Once Caldas, ficamos impressionados com o fervor patriótico com que os jogadores cantavam o hino de seu país, com as mãos no peito e soltando a voz. Naquele ato, estava sendo prestada uma verdadeira homenagem à nação, externando uma grande amizade à terra em que nasceram.

Em atitude digna de aplauso, a Confederação Brasileira de Futebol (e a de muitas outras modalidades) além da maioria das federações estaduais também instituíram a execução do Hino Nacional antes das partidas de seus campeonatos. É na interpretação do hino que se nota a grande diferença entre o Brasil e os demais países latino-americanos. Bem menos de cinquenta por cento canta como ele deveria ser cantado (boca prá fora e bem alto). A maioria apenas balbucia ou fica totalmente em silêncio, numa atitude despida de civismo.

Trata-se indiscutivelmente de uma atitude de desvalorização do Brasil, ou de ignorância da letra por falta de escolaridade.

Os gestores dos clubes ou os próprios técnicos poderiam ensaiar a música que representa a nossa nação e fazer de cada time um coro que, indiscutivelmente, irradiar-se-ia para as arquibancadas, contribuindo para melhorar a disciplina em campo e fora dele. O dirigente que assumir esta atitude em favor do nosso hino marcará para sempre a sua gestão.

Civismo faz bem para o esporte e para a nossa própria pátria, é um índice de civilização.

 

E os Jogos Olímpicos?

Divulgação

Divulgação

Quem acompanha a divulgação dos temas ligados à atividade esportiva nos veículos de comunicação impressa e eletrônica deve estar notando a carência de notícias sobre os Jogos Olímpicos.

Parece que o maior evento do esporte mundial (que será sediado pelo Brasil) está marcado para daqui algumas décadas, quando apenas um ano e meio nos separam da data em que atletas de mais de duzentas nações estarão desfilando no Maracanã.

Este mega evento reunirá competidores de mais de quatro dezenas de modalidades. Somente contar como vai o preparo das equipes nacionais em cada uma delas já daria para preencher o espaço de um jornal inteiro.

A veiculação da Copa São Paulo de Futebol Junior, realizada com sucesso espetacular e a participação de mais de 100 equipes, cujos destaques poderão ser aproveitados para disputar os Jogos Olímpicos excepcionalmente foi muito boa. Como se sabe, há o limite de 23 anos para a participação na Olimpíada, com a permissão de apenas três acima da faixa etária.

Também a disputa Sub-20, que se efetua atualmente no Uruguai, tem servido de instrumento para a avaliação do nível técnico da seleção que nos defenderá no futebol no certame olímpico do Rio de Janeiro.

Abrindo um parênteses, achamos que é preocupante a atuação da seleção brasileira no torneio de jovens em Montevidéu. Daqui 18 meses, serão eles a esperança de mais de 200 milhões de brasileiros na conquista do título olímpico.

O anonimato que agora criticamos na divulgação dos Jogos Olímpicos inclui os informes sobre os principais atletas de todo o mundo, que estarão em nosso país lutando para chegar ao mais alto degrau da escada da eficiência esportiva. Já começou o momento para a discussão das perspectivas de quem ganharia as medalhas de ouro, prata e bronze, que perpetuariam por toda a vida a glória de quem vier a conquistá-las.

Todas estas disputas estão muito próximas de acontecer e o noticiário da mídia está concentrado na singela transferência de jogadores modestos entre os times de futebol e outros temas de interesse secundário.

Chegou a hora de entusiasmarmos o público, principalmente a juventude, para assuntos que fujam do dia a dia do futebol.

Estamos no momento de ampliar a escala de valores de nossa sociedade, diversificando a divulgação olímpica e a de modalidades que merecem ser valorizadas.

2015 – Amigos perdidos

Em começo de ano cheio de notícias de falecimentos de amigos meus, tenho que acrescentar mais um: o de Paulo Roberto Lobo Leandro, especialista em TV com importantes passagens pelas emissoras Tupi, Globo, Bandeirantes e Cultura. Ele faleceu de uma doença do aparelho digestivo, aos 67 anos.


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Paulo Roberto Lobo Leandro tinha sido um destacado aluno meu na década de sessenta no Colégio Estadual Prof. Macedo Soares. Seu espírito participativo, revelado nas sessões de Educação Física, deve tê-lo levado a um grande êxito profissional.

Neste 2015 já perdi quase uma dezena de amigos e ex alunos, entre eles Haroldo de Melo Lara e Alcina Carneiro da Silva, ambos da modalidade de natação.

No final dos anos 60, ainda recém formado, fui técnico de natação da seleção de Santos, campeã dos Jogos Abertos do Interior de 1963. Alcina foi várias vezes campeã santista e Lara foi o primeiro santista a baixar um minuto nos 100 metros livres. Ele tornou-se um grande tenor lírico, com o mesmo nível com que fora nadador. Vivia na Itália, onde as oportunidades que tinha no mundo lírico eram maiores. Visitando o Brasil para as festas de fim de ano, foi acometido por um AVC, deixando milhares de admiradores.

No Panathletismo, entidade internacional em favor do esporte ético, à qual eu me dedico há 40 anos, também perdemos Célio de Angelis Nunes de Assis, o Celinho, de Taubaté, e Silvio Silva Sampaio, ex professor do Colégio Alarico da Silveira, da Barra Funda.

Minha longa carreira ligada ao esporte, à educação esportiva e ao jornalismo levou-me a uma grande e estimada coleção de amigos, cuja perda dói muito, mesmo com alguns deles vivendo distante de mim no espaço e no tempo.

 

Pacaembu é inalienável

Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Com a construção pelo Corinthians da arena de Itaquera e com o Palmeiras tendo reformado o seu campo no Parque Antártica, ressurge a triste notícia que o poder municipal pretende privatizar, isto é, vender o Pacaembu.

Eu discordo completamente desta ideia, nascida provavelmente da crise econômica que assola os poderes públicos.

O Pacaembu tem uma história da qual a cidade não pode abrir mão. Foi a sede de grandes espetáculos desde a sua fundação, em 1940. Aconteceram lá o desfile inaugural e as principais disputas de natação, atletismo, tênis, basquete e vôlei dos IV Jogos Desportivos Pan-americanos. Durante décadas o Pacaembu foi o teatro das finais dos Jogos Colegiais, com demonstrações de educação física e também foi sede da Escola Superior de Educação Física, mais tarde incorporada à Universidade de São Paulo.

Atualmente o estádio dos paulistas não é utilizado somente para grandes jogos. Ele pertence à população da cidade, que utiliza suas instalações para a prática de atletismo, natação, tênis, basquete, vôlei e outras modalidades.

Se o nosso estádio histórico permanecer nas mãos da municipalidade ele servirá para jogos em que não intervenham os clubes que já possuam suas arenas.

A mim, pessoalmente, a desmunicipalização do estádio causa uma grande desilusão. Creio que sou um dos poucos esportistas vivos que participaram do desfile inaugural daquele estádio. Como nadador do CR Tietê, integrei o grupo de seus militantes para representá-lo. Quando a Escola Superior de Educação Física de São Paulo funcionou naquele local, fiz todo o meu curso naquela casa do esporte. Nos Jogos Pan-americanos de 1963, como membro do conselho técnico da entidade que hoje seria a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, e como presidente da Federação Paulista de Natação, comandei a realização daquela Olimpíada das Américas.

Foi no Pacaembu que milhares de japoneses e descendentes asiáticos choraram durante a visita dos Peixes Voadores ao Brasil. Foi a primeira vez em que o hino nacional nipônico foi executado, após uma década do rompimento de relações diplomáticas causadas pela II Guerra Mundial.

O Pacaembu é um patrimônio público, até recentemente enriquecido neste aspecto como propriedade de nossa comunidade.

É uma imprudência deixar nas mãos de pessoas despreparadas a alienação de um patrimônio que representa a cultura da população de São Paulo. O Pacaembu é um bem cultural de nosso povo.

 

Uma “Copinha” bem grande

AFP

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Em janeiro de 2014, fizemos uma crônica neste meu blog discordando da denominação que parte do jornalismo esportivo está dando para a Copa de Futebol  Júnior.

Este evento está sendo chamado por muitos de “Copinha”, diminutivo que pode ter até um tom carinhoso. Mas, se ele não for empregado com este intuito, achamos que a denominação representa uma grande injustiça, dada a grande dimensão e a contribuição da Copa para a difusão da infra-estrutura  do futebol brasileiro.

Este certame foi criado há mais de meio século dentro da Secretaria Municipal de Esportes. Foi em torno de 1970, na gestão de Carlos Joel Neli, primeiro titular daquela pasta, que assumiu as funções no “Conselho Municipal de Esportes”.

A “Taça São Paulo” teve como principal condutor o esportista Fabio Lazari,na época chefe do DEPEL,  o Departamento de Promoções Esportivas da SEME.

Fabio acompanhou todas as vicissitudes da Copa São Paulo, inicialmente sob a égide da SEME (Secretaria Municipal  de Esportes) depois da Secretaria de Esportes do Estado de São Paulo e, a seguir, da Federação Paulista de Futebol.

Hoje, pela sua regulamentação, ela mobiliza 104 equipes de todo o país.  São 26 chaves de 4 equipes, em subsedes  distribuídas por todo o Estado de São Paulo . Esta diversidade de participação torna a Copa uma verdadeira vitrine do nosso futebol. É o primeiro degrau de uma grande escada, cujo último degrau significa o título de campeão, prestígio e resultados econômicos para times e jogadores.

De há muito tempo defendemos a tese (para todas as modalidades e não somente para  o futebol) que diz que a altura do vértice qualitativo depende da base quantitativa. A Copa São Paulo representa essa fase e é motivadora para times quase anônimos, que têm a oportunidade de jogar contra clubes da maior hierarquia dos grandes Estados brasileiros. Também motivados pela alta visualidade da competição, jogadores que estão dando os primeiros passos nas equipes vanguardeiras do futebol nacional lutam com todo denodo por uma chance de aparecer.

Cidades do interior paulista que sediam a fase classificatória ganham a possibilidade de assistir aos jogos das principais equipes do Brasil sem ter de sair da sede do município em que residem. Este trabalho de base está sendo incentivado em muitos países de destaque no futebol  mundial, principalmente após a Copa realizada recentemente.

Existem no Brasil outros eventos oficiais infanto-juvenis que contribuem para a formação da base horizontal , como a sub 17 e a sub 20, mas poucos possuem o “charme” e visibilidade da Copa São Paulo de Futebol Junior, cuja final será no dia 25 de janeiro, aniversário da capital paulista.

UM NOME A SER LEMBRADO

Quando a Secretaria Municipal de Esporte ainda não havia sido constituída e o Conselho Municipal promovia eventos para jovens, de uma dimensão muito menor que a “Copinha” de hoje, um dirigente da época lutava por certames para a juventude. Ele era Paulo Soares Cintra, que dividia com Fabio Lazari o pioneirismo dos eventos dessa categoria. Para que tivessem a necessária visualização, sempre contaram com o prestígio de “A Gazeta Esportiva”.