Blatter com a razão

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Nos dois meses que se seguiram às derrotas desmoralizantes do Brasil, os jornais saíram plenos de notícias que procuraram explicar os resultados de 7 a 1 contra a Alemanha e 4 a 0 frente a Holanda.

Assuntos como nossa tática em campo, ou a competência e a liderança do técnico Luiz Felipe Scolari dominaram a mídia quase toda, direcionada para comparações entre o futebol do Brasil e o da Europa. Todos os textos eram escritos em busca de uma justificativa pouco lógica.

Na Europa, o tema também ainda não morreu – o pós Copa perdura até hoje, embora no Brasil a divulgação dos Jogos Olímpicos comece a ganhar espaço que justamente merece.

Numa coletiva dada em sua cidade natal – Ulrichen, interior da Suíça – na última semana, Blatter aproveitou para criticar Havelange, deixando para seu antecessor na presidência da FIFA a responsabilidade do fracasso nacional em 2014, afirmando que ele não havia praticado ações necessárias para estimular a base do futebol brasileiro enquanto era presidente da CBF.

Pelo visto Blatter concorda pessoalmente com uma frase, repetida à fartura nesta coluna, dizendo que “o vértice qualitativo só pode ser atingido se houver uma base quantitativa correspondente”.

Este conceito faz com que a maioria dos talentos do esporte de um país sejam correspondentes ao trato e ao número de praticantes de uma modalidade esportiva.

Dentro deste princípio que defender quantidade e trabalho, é fundamental também o preparo dos valores descobertos por técnicos de alto gabarito, uma estrutura que varia de acordo com o nível cultural da nação.

Neste 2014, o número da população total dos 32 países que disputaram a Copa do Mundo é de 1.841.530. Só o Brasil possui 200 milhões, isto é, 20% do total do número acima.

Até países com população muito baixa conseguiram classificação para o Mundial, como o Uruguai com 3,39 milhões, Portugal com 10,5 milhões, Honduras com 7,9 milhões, Costa Rica com 4,8 milhões, Grécia com 11,2 milhões etc.

Isto mostra que os jogadores de cada uma das nações participantes foram testados com grande critério e muito bem treinados antes de integrar a seleção de seus países.

 

Vejam o número de habitantes dos países que integraram a Copa de 2014:

em   milhões

EUA

313

BRASIL

200

NIGÉRIA

168,8

RÚSSIA

143,5

JAPÃO

127,6

MÉXICO

120,8

ALEMANHA

81,89

IRÃ

76,42

FRANÇA

65,7

ITÁLIA

60,92

INGLATERRA

53,01

CORÉIA DO SUL

50

COLÔMBIA

47,7

ESPANHA

47,27

ARGENTINA

41,09

ARGÉLIA

38,48

GANA

25,37

AUSTRÁLIA

22,68

CAMARÕES

21,7

COSTA DO MARFIM

19,84

CHILE

17,46

HOLANDA

16,77

EQUADOR

15,49

GRÉCIA

11,28

BÉLGICA

11,14

PORTUGAL

10,53

SUIÇA

8

HONDURAS

7,93

COSTA RICA

4,8

CROÁCIA

4,26

BÓSNIA

3,83

URUGUAI

3,39

 

A CONSULTA DE SANTINI

Giacomo Santini, presidente do Panathlon International, um amigo residente na Itália, mandou-nos 10 perguntas querendo saber detalhes da realidade brasileira. Em uma delas, ele perguntou se todos os jovens brasileiros tinham oportunidade de se afirmar no futebol, ou somente os filhos dos ricos podem frequentar os grandes clubes para tornar-se campeões.

Em outra consulta demandou se os habitantes das favelas “também” jogavam futebol.

É interessante que este desconhecimento sobre a procedência dos nossos jogadores e seu “comportamento” em campo seja o oposto de sua expectativa.

No período pré Copa, o noticiário preocupou-se justamente em apresentar os nomes dos escolhidos para a nossa seleção, mostrando que a maioria provinha de pequenos clubes, de locais quase anônimos, com escolaridade deficiente e vivendo com baixo estipêndio enquanto eles não desenvolviam plenamente suas aptidões.

O grande plano para o esporte do Brasil é desenvolver ao limite a prática de todas as modalidades esportivas, inclusive as não olímpicas, cuidando concomitantemente da escolaridade de cada participante.

Esta “peneirada” aproveitaria a população escolar de todos os graus, os frequentadores dos centros de Educação Física, do esporte varzeano e da periferia, e não só o das capitais e grandes centros urbanos.

 

KANICHI SATO

Esta teoria foi preconizada antes da metade do século passado por Kanichi Sato, um agrônomo imigrante do Japão, que foi convidado nos anos 30 para ser técnico de natação no Clube Esperia. O presidente do Esperia da época era João De Lorenzo.

Na ampla visão desses pioneiros, o objetivo não era o pódio olímpico ou a vitória em torneios importantes, como os campeonatos brasileiros, sul-americanos, mundiais e Jogos Olímpicos.

Os praticantes envolvidos que não demonstrassem condições técnicas de se tornar campeões se beneficiariam nas questões de saúde. O plano de Sato previa também as atuais ações contra a obesidade, um comportamento ético e a prática do fair play da população esportiva, isso tudo em competições de alta participação.

Até núcleos para a especialização de docentes em medicina deveriam ser formados para suprir esta deficiência de profissionais.

O esporte deve figurar na escala de valores da população, ultrapassando a busca do campeão. O direito de não ser campeão deve ser respeitado em favor de outros objetivos.

Estas ideias já foram expressadas no varejo e estão sendo compiladas para o meu próximo livro sobre o assunto. A frase do pouco amado presidente da FIFA está nessa direção para o progresso. Como diz o título desta matéria: “Blatter com a razão”.

 

Valeu a pena sediar a Copa

Foto: Wagner Carmo/Gazeta Press

Foto: Wagner Carmo/Gazeta Press

As derrotas do Brasil para a Alemanha, por uma dilatada diferença (7 a 1), e para a Holanda (3 a 0) lançam a questão da conveniência de termos aceitado a organização deste evento em 2014.

Foram tantas as críticas danosas em todos os momentos, começando no período da pré-implementação, quanto à capacidade de organização das nossas autoridades, que o país teve de se entrincheirar diante dos ataques vindos das mais diversas direções.

Inicialmente apareceram as manifestações com plaquetas “Fora a Copa” e rotuladas de “democráticas”. Surgiram depois expressões populares que foram recebidas como uma demonstração de civismo, mas logo distorcidas pela incorporação entre os manifestantes de entidades pouco confiáveis, defendendo o aproveitamento de vantagens pessoais na área da habitação e da transformação do espaço público em favor dos bens particulares.

A estas iniciativas bem vistas inicialmente como democráticas por uma minoria, reuniram-se os black blocs, vândalos, destruidores da propriedade privada, levando para o exterior uma péssima expectativa quanto à Copa e a atuação dos brasileiros.

A estes fatores juntou-se a intolerância da FIFA que, por motivos eleitorais ou pela busca de mais recursos financeiros, aproveitava-se para demolir a imagem do nosso país com entrevistas que corriam por todos os continentes.

É verdade que algumas obras estavam em atraso, mas nada justificava a frase que o Brasil estava recebendo: “um pontapé nos fundilhos”. Foi criada a imagem “padrão FIFA” para tornar primário o trabalho brasileiro.

Os dirigentes nacionais resolveram então acelerar as obras, incentivando os investimentos. O resultado foi idêntico ao de um atleta que, correndo no final do pelotão, dá um arranco e, aos poucos, assume uma dianteira.

O resultado foi receber com fidalguia a presença de 31 países que participavam da Copa. As delegações, os turistas e os próprios habitantes das nações concorrentes foram numerosos. O Brasil teve oportunidade de mostrar que é um país bonito e as distâncias entre os 12 estádios demonstraram que nosso país é um continente.

Nossa população, cordial por natureza, logo acolheu de braços abertos os visitantes, expondo aos milhares de jornalistas a nossa competência e alegria que foram amplamente correspondidas.

Quem duvidava de nossa capacidade administrativa viu que o transporte interno e o acesso dos expectadores às “arenas” funcionaram perfeitamente: uma infraestrutura digna de organizar um evento a ser chamado de “A Copa das Copas”. Nenhum jogo em todas as fases deixou de estar repleto.

Nosso país tornou-se um campeão na categoria “anfitrião” e não tinha a obrigação de ser o Campeão Mundial. É verdade que sofreu uma derrota humilhante da Alemanha, mas na parte técnica está entre os quatro primeiros entre todos os mais de 200 países praticantes da modalidade mais popular do planeta. O “padrão FIFA” desmoronou-se com a descoberta pela polícia brasileira de uma quadrilha de contrabando de ingressos oficiais.

Se formos fazer um balanço dos itens em que o Brasil ganhou ao realizar a Copa do Mundo em 2014 e aqueles em que perdeu, inclusive levando em conta as amargurantes derrotas, achamos que as vantagens se destacam.

Nosso prestígio internacional como país tornou-se muito maior depois da Copa. O fluxo turístico cresceu significativamente, dando possibilidade a que muitos homens e mulheres do mundo financeiro conhecessem a nossa realidade, naturalmente abrindo portas para o intercâmbio comercial.

Até imagens do subdesenvolvimento nacional foram amainadas após a visita feita por delegações ao Complexo da Rocinha. Os nossos dirigentes ganharam a respeitabilidade como organizadores e, como consequência, o beneplácito da imprensa mundial.

Continuamos de cabeça em pé, mesmo após o acidente que abalou o mundo futebolístico, mas que provocou a maior onda de solidariedade que já aconteceu no esporte de massa.

 

NO PÉ

TEM MAIS

Este artigo não esgotou os argumentos em favor do tema defendido hoje. Um deles é a experiência que nossa infraestrutura adquiriu com o evento. Em 2016, teremos duzentas e dez nações competindo em uma diversidade de meia centena de modalidades. Vamos para esta luta com maior autoconfiança.

Em outros artigos falarei sobre como poderemos melhorar o nível técnico do Brasil, fazendo uma correlação entre a base quantitativa e o vértice qualitativo do futebol e demais modalidades praticadas no Brasil.

Ainda podemos integrar a este contexto a propaganda que a Copa fez do esporte não profissional, um esporte voltado para a saúde e para a recreação. Um esporte que deixa a juventude longe da droga, do vício e do alcoolismo.

 

 

E POR FALAR EM BRASIL X CHILE

Foto: Jose Duran/AFP

Foto: Jose Duran/AFP

Aproveito o meu blog para inserir um texto de Lauret Godoy, uma das maiores estudiosas da história do esporte. Catedrática em Olimpismo, na vida de Santos Dumont e outros temas, ela é uma grande historiadora, razão da cessão deste espaço.
Eis o e-mail que ela nos mandou:

“ Olá, querido Professor Nicolini
Aconteceu há 25 anos….

Decidi registrar, para que os jovens saibam o que aconteceu no Maracanã em 1989, durante o jogo entre Brasil e Chile.

Como amanhã é dia de novo confronto, é bom espalhar, o senhor não acha?”

Um abraço,

Laurete Godoy

ROSEMARY E O ROJÃO

Laurete Godoy*

A cada quatro anos a mesma história: Copa do Mundo de Futebol e a esperança de um novo título para o Brasil. Vem à lembrança a bonita figura dos capitães do passado, com a taça brilhante levantada lá no alto e depois, o desfile dos jogadores, em carro aberto, pelas capitais do país.

Era um futebol de lindos passes, dribles miraculosos, pernas que corriam o campo inteiro, pé bem treinado, batendo forte na bola ensinada a encontrar o caminho do gol. Bons tempos aqueles! Cada jogador com sua mágica, procurando vencer, mas respeitando o adversário. Vez ou outra o tempo esquentava contra argentinos e uruguaios, nossos eternos rivais sul-americanos. Mas os chilenos eram amigos. Até vencemos uma Copa do Mundo em solo chileno! E foi aquela bruta festa! Mas faz tanto tempo… Isso aconteceu em 1962.

Com o passar dos anos as coisas mudaram. Em 1989 explodiu uma guerra envolvendo, justamente, Brasil e Chile. O mais forte de nervos venceria, porque chute e cabeçada não eram apenas na bola, mas, de preferência, no adversário.

Em um Maracanã lotado, no dia 3 de setembro o Brasil disputou uma vaga para a Copa de 1990. O time da casa jogando pelo empate, mas o desejo era mesmo de vencer os chilenos, de goleada, para comemorar na Avenida Atlântica e na Paulista. Até o “bicho” dos jogadores ficou sofisticado. Americanizou-se. Em vez de ser pago em cruzados novos, moeda nacional vigente na época, seria em dólares.

No segundo tempo, o Brasil vencia por 1 x 0. Os chilenos estavam nervosos, à espera de uma oportunidade que, de repente, aconteceu. Foi apenas um gesto. Com o puxar do cordão de um sinalizador da Marinha, o céu iluminou-se no Maracanã. O clarão, a fumaça no gramado e Rojas, o goleiro chileno, foi ao chão, mãos segurando a cabeça e contorcendo-se. O jogo foi interrompido e a confusão generalizou-se. Os chilenos abandonaram o campo e a partida não terminou.

Indagada, Rosemary, a autora, disse que não sabia de nada, que foi sem querer. Com relação ao Chile, mais tarde a verdade veio à tona. Rojas confessou que estava com um plano preparado para anular a partida. Descoberta a fraude, ele foi banido do Futebol. E tudo isso por quê? Por causa do rojão de Rosemary, que a levou para as páginas da revista Playboy, transformando a fogueteira em estrela temporária e apagando, por longo tempo, a estrela de Rojas.

Coisas do esporte… Que podem ser relembradas neste ano de 2014, em que o mundo vive as emoções de mais uma Copa do Mundo de Futebol.

E de outro confronto entre Brasil e Chile…

* Laurete Godoy é pesquisadora e escritora

NO PÉ

Após o artigo publicado ontem, a autora nos escreveu acrescentando um anexo importante àquele texto.

Informou-nos ela:

Rosemary, a que disparou o petardo, faleceu em 2011, vítima de um aneurisma quando tinha 47 anos. O Rojas, após ter sido perdoado, virou treinador de goleiros do S.Paulo F.C. e nestes dias está na fila de espera para um transplante de fígado por causa de uma grave hepatite.

 

Plano para sermos ainda maiores

AFP

AFP

Os meios de divulgação que estão cobrindo a Copa do Mundo de Futebol, com diversidade e profundidade de temas, revelam aspectos históricos e sociológicos da vida de jogadores que chegaram à seleção. Esta vasta série de reportagens, a meu ver, vai contribuir para a projeção da nossa eficiência em âmbito mundial.

Mostrando o meio ambiente de onde surgiram os jogadores do nosso país, compreendemos melhor o nascedouro e os caminhos que levam à glória. A elite da seleção e dos clubes da 1ª Divisão vem de cidades localizadas em quase todos os Estados brasileiros. São garotos que se destacaram nos jogos de várzea, em “peladas” ou em campinhos que muitas vezes nem têm dimensões oficiais.

Como o Brasil é muito populoso, esta prospecção de valores esportivos, de promessas para o futuro, aqui é maior do que em outras nações que possuem times que estão se destacando nesta Copa do Mundo. Somos uma nação de duzentos milhões de habitantes enfrentando às vezes países que não possuem cinco milhões.

Esta alta produção transformou o Brasil em exportador de craques, o que nos leva a possuir o maior número de atletas atuando no exterior.

Em várias outras reportagens, os meios de divulgação estão mostrando o amplo espaço que o futebol está ocupando na economia internacional.

Dizemos frequentemente neste nosso Blog que na pirâmide do esporte o vértice técnico (qualitativo) depende da base quantitativa. Dessa maneira, se desenvolvermos um plano de amparo ao futebol mirim e de várzea nos mais de 800 municípios brasileiros, continuaremos sendo cada vez mais o maior do mundo nesta modalidade. Para isso, os municípios devem transformar pequenos locais em centros educacionais e colocar neles toda a nossa juventude aos cuidados de técnicos especialistas.

Este plano não é somente uma mega busca de talentos. Tem um profundo sentido social e educacional. Todos os jovens, mesmo os que não se destacarem como craques, continuando a praticar esportes não seguirão os maus caminhos que o mundo atual oferece, isto é, não serão consumidores de “crack” e outras drogas e continuarão a usar o esporte como fator de recreação e saúde, principalmente nesta época em que a medicina está preocupada com a obesidade de nossa juventude.

Estes argumentos esvaziam os motivos dos grupos que criaram manifestações contra o Mundial, com depredação de lojas e bancos. O êxito do certame está, até o momento, mostrando que o nosso país não é desorganizado.

Todos os olhos do mundo voltam-se para nós e acompanham nossa capacidade de organizar, além das belezas naturais do país. Elas serão divulgadas em todos os cantos do planeta, aumentando para o futuro a nossa arrecadação em várias áreas do comércio internacional, inclusive a do turismo receptivo.

O que o êxito deve ao espírito de autoridade

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

A semana que precedeu a Copa do Mundo foi terrível. Uma greve injustificada lançou na população, nas autoridades e na FIFA uma onda de negativismo em uma iniciativa que tinha tudo para mostrar o nosso país para mais de dois bilhões e trezentos mil espectadores em 203 nações deste planeta.

Uma paralisação revoltante e inoportuna do Sindicato dos Metroviários e outras entidades pouco confiáveis não iria permitir a chegada de 62 mil pessoas ao Estádio de Itaquera, onde seria realizado o encontro futebolístico, com a cobertura de mais de 3.000 jornalistas, numa das maiores divulgações já feitas pelos meios jornalísticos desde que se inventou a escrita.

Todos sentiram a organização excelente do que se prenuncia como a melhor Copa do Mundo até hoje realizada, a enorme adesão da população nacional e a repercussão favorável que deve ter ocorrido em todos os países do planeta. A única crítica foi a pobreza da festa de abertura de responsabilidade da FIFA, que estava encarregada deste item da programação.

O temor de termos um estádio vazio por impossibilidade de acesso, decorrente de um ato atrevido (uma verdadeira chantagem) de alguns membros do Sindicato dos Metroviários e outras entidades terroristas somente mudou de curso quando uma autoridade estadual teve a coragem de enfrentá-los e demitir quarenta metroviários e ameaçar também de demissão todos os que se atrevessem a faltar ao trabalho no dia 12 de junho, histórica data para a propaganda do Brasil.

Até então, a leniência governamental havia servido de estímulo a atos de bandidagem de arruaceiros, muitos deles mascarados, com especial preferência para depredar lojas e estabelecimentos bancários ao longo dos percursos escolhidos para as manifestações.

Neste filme de “mocinhos” e “bandidos”, estes últimos estavam levando a melhor, demolindo a imagem do nosso país no exterior e reduzindo o nosso índice de patriotismo, pois a proximidade das eleições levava à pusilanimidade das autoridades.

O pulso firme do nosso Governador Geraldo Alckmin foi um balde de água gelada nas lideranças do boicote à Copa do Mundo. Apoiamos profundamente o Governador, pois a chegada do público ao “Itaquerão” era imprescindível para os jogadores receberem os aplausos respeitosos de espectadores, da imprensa e da opinião pública.

Alguns grupelhos, em locais distantes dos caminhos que levam ao Itaquerão, tentaram no dia 12 fazer baderna, mas sem nenhum resultado prático, levando uma grande maioria de patriotas a aplaudir e apoiar tudo o que de positivo aconteceu.

De um momento para outro o descaso e o clima frio dos torcedores de São Paulo e do Brasil mudaram para demonstrações de entusiasmo, o que contribuiu para reduzir os propósitos dos baderneiros.

O patriotismo com que foi cantado o Hino Nacional no Itaquerão comoveu o Estado de São Paulo e o país todo. O hino pátrio já estava sendo entoado espontaneamente até nos vagões de trens e metrôs que demandavam para a Zona Leste.

Os que não conseguiram ingresso demonstraram seu patriotismo no Anhangabaú, onde 30 mil pessoas aplaudiram a nossa seleção, evento que terminou em um animado sambão bem mais tarde do que o jogo em si.

O mesmo aconteceu no Rio de Janeiro, com o fulcro em Copacabana e em Belo Horizonte. Nesta cidade, além das manifestações da Praça 7 de Setembro, argentinos confraternizaram-se com uma grande quantidade de brasileiros.

Até em Olinda, no Nordeste, houve uma repetição do tradicional desfile do pós-Carnaval, com os bonecos gigantes.

Entre as 32 equipes, a rivalidade feroz foi substituída pelo abraço e pela troca de souvernirs.

Enfim, tudo foi festa e vários locais populares, como o Parque do Ibirapuera, ficaram quase vazios nessa tarde.

As faixas contra a Copa que foram exibidas no período pré Mundial perderiam todo o sentido se fossem visualizadas hoje.

 

Uma bandeira no meu terraço

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Contemplamos nestes dias que precedem a abertura da Copa do Mundo um clima de adversidade incomum, a ponto de mobilizar as maiores forças de segurança da nossa história. Atrasos das obras, corrupção desenfreada (na Copa e na administração do país), desvio de verbas e uma sanha terrorista estão prejudicando uma festa que poderia ser uma grande demonstração de nossos méritos.

A atual greve do Metrô paulista, acompanhada de depredação da estação de Itaquera, foi uma das maiores demonstrações de impatriotismo, pois visa impossibilitar o acesso ao local da abertura do Campeonato do Mundo.

Estas manifestações são verdadeiras chantagens, pois têm como objetivo propostas impossíveis de serem atendidas. Se fossem atendidas, causariam despesas pagas pelo povo e privariam de recursos a saúde, a educação e a segurança pública.

O que nos impressiona muito é a indiferença da população contra estas manifestações que mobilizaram até os índios. Diante desta inaceitável passividade, além da oportunidade que este Blog oferece nós tomamos uma atitude pessoal: pedimos para a minha filha produzir uma bandeira enorme, na dimensão de todo o terraço do meu apartamento, que possibilitará uma grande visão do símbolo de nossa terra em uma região nobre da cidade.

Não satisfeito, até a janela do quarto dos fundos da minha casa também ganhou o nosso pavilhão, possibilitando ser vista pelos apartamentos do lado sul.

Eu ficaria muito feliz se pudesse influenciar outros brasileiros a prestigiar a sua terra justamente num momento em que o patriotismo sofre uma grande injustiça proveniente de pessoas pouco esclarecidas.

 

O Hino Nacional

Divulgação

Divulgação

Numa tradição digna de aplausos, o Hino Nacional é executado como parte do cerimonial que precede os jogos de futebol de caráter oficial. É até estética a visão dos jogadores perfilados com a arbitragem ao centro.

Nesse momento as emissoras de televisão costumam passar um “close” da fisionomia dos integrantes de cada time e os expectadores têm oportunidade de verificar, constrangidos, que nem todos cantam o hino pátrio, numa demonstração de desprezo ou ignorância que merece uma reprimenda do técnico, das diretorias dos clubes, da Federação Estadual e mesmo da CBF.

A Copa das confederações, realizada no ano passado, foi uma exceção a esta lamentável conduta e o hino, cantado pela quase totalidade do público antes dos jogos do Brasil, transformou-se num estímulo patriótico para aqueles que iriam defender nossas cores.

O resultado foi a garra com que os nossos jogadores demonstraram em campo e um sentimento de amor à pátria que invadiu a alma de todos expectadores e nos ajudou a conquistar o título.

Neste momento, quando faltam somente alguns dias para a disputa inaugural no Estádio de Itaquera, a crônica esportiva ressalta “ene” fatores que podem interferir no desempenho de nossos defensores. São entrevistados jogadores do passado, dirigentes e todos os que têm alguma coisa a ver com a Copa. Eles desfilaram opiniões que, de certa forma, esgotam tudo o que se tem a dizer ou possa interferir no desempenho da nossa seleção.

Nós, neste tsunami de ponderações incluiríamos mais uma: vamos valorizar o Hino Nacional, criando um clima junto à torcida, em volume quantitativo nunca visto. É fundamental recomendar a todos os jogadores para naquele momento cívico não ficarem de boca fechada. É o caso até de distribuir a letra impressa para aqueles que não aprenderam o hino por terem frequentado escolas de má qualidade.

O Hino Nacional também é um excelente antídoto à ação negativa daqueles que fazem passeatas com o objetivo de desmoralizar a Copa, ou outros que, percebendo a situação aflitiva dos organizadores deste mega evento, desfilam com cartazes contra esta oportunidade do Brasil melhorar sua imagem junto a mais de três bilhões de pessoas dos cinco continentes que estarão acompanhando o certame.

Grupelhos aproveitam-se de temas alheios à Copa para paralisar o trânsito, prejudicar a vida dos trabalhadores e a economia do país, a fim de destruir e saquear entidades estabelecidas no percurso das manifestações.

O Hino Nacional com seu lado patriótico é uma grande arma contra estes interessados nesta ação de perturbação da ordem de caráter até criminoso e de desmoralização internacional de nossa terra.

Quando o Brasil mostrar sua pujança em 12 capitais e centenas de cidades que hospedarão turistas, temos a certeza de que o Hino Nacional vai ser cantado com patriotismo sincero e a totalidade da população brasileira vai participar de forma profunda, demonstrando reprovação àqueles que se serviram da Copa para obter favores pessoais, para atender a interesses políticos ou por puro terrorismo.

Este artigo não quer dizer que sejamos contra as manifestações democráticas, dentro da disciplina e de forma ordeira e em tempo próprio.

Lamentavelmente, foram poucas ou nenhuma as demonstrações de repúdio à corrupção que está correndo solta em todo o território nacional. Também não houve nenhuma demonstração de aplauso ao Supremo Tribunal Federal ou à Polícia Federal que lutam bravamente nos dias atuais em favor da moralização. Patriotismo e Hino Nacional continuam sendo fundamentais para a autoestima de nosso país.

Livro sobre os Jogos Paraolímpicos

Divulgação

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No dia 27 de maio de 2014, na Reunião do Panathlon Club Sorocaba será lançado o livro “O Futebol Brasileiro nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos”. Idealizado pelo professor Aristides Almeida Rocha, esportista e past presidente do Panathlon Club São Paulo, o trabalho com riqueza de pormenores e baseado em intensa pesquisa, resgata a história das participações e ausências do futebol brasileiro masculino e feminino em Olimpíadas, e também em Paraolimpíadas.

A obra aborda os fatos desde a estreia do futebol masculino na Olimpíada de 1952, em Helsinque, até os Jogos de 2012 em Londres. Destaca as medalhas conquistadas, inserindo dados estatísticos tanto do futebol masculino como do feminino, indicando qual a contribuição de cada clube brasileiro e do exterior para a conquista de medalhas, ressaltando que ainda não conseguimos a almejada medalha de ouro.

Apresenta também o futebol paraolímpico; futebol de 7, desde a Paraolimpíada de Barcelona, 1992, e o futebol de 5 que estreou em Atenas, 2004, alcançando para o Brasil a inédita medalha de ouro, performance repetida em Pequim, 2008 e Londres, 2012.

Há ainda o registro de várias curiosidades, como a origem do gol olímpico e o recordista desse tipo de jogada.

Este é o quarto livro no âmbito dos esportes editado pelo autor, que anteriormente publicou : “Manifestações Esportivas no Brasil”, “A Simbologia Animal no Esporte” e em co-autoria com o professor Henrique Nicolini “Olimpismo no Brasil: Medalhas e Classificações”.

É hora de virar o jogo!

A maior parte do tempo dos jornais televisivos e do espaço dos impressos é dedicada às manifestações públicas de grupos que representam as mais variadas comunidades e agrupamentos do povo.

São facções que se aproveitam do nosso país estar em foco pela realização da Copa do Mundo para reivindicar interesses que nem sempre se coadunam com o bom senso. Até a ausência de motivo é causa para passeatas que sistematicamente terminam em depredação e furtos.

Faz parte da democracia manifestações pacíficas e reivindicações justas, mas greves de categorias essenciais à realização da Copa, efetuadas concomitantemente e em período crítico, jogam nosso país para baixo.

Como estamos na ribalta no interesse mundial, uma simples paralisação de trânsito torna-se matéria de destaque nos principais veículos de comunicação internacional. A divulgação desses fatos passa do noticiário ao comentário, evidentemente desairoso.

A Copa, assim, torna-se um forte arauto de desmoralização do nosso país, com grandes prejuízos á economia e ao amor próprio de nossa nação. O evento, feito para nos projetar, acaba tendo resultado contrário.

É verdade que alusões contra a realização do mega evento no Brasil partem de uma minoria inconsciente e não da maioria dos nossos cidadãos com maior índice de civilização e bom senso. Estes avaliam que temos muita coisa para mostrar para o exterior, embora estejamos, como as demais nações, repletos de problemas sociais, religiosos com raízes milenares.

A nossa falta de sorte é a Copa do Mundo acontecer simultaneamente a um período de campanha política para as eleições de outubro e também estarmos enfrentando a incompetência e a inidoneidade dos executores ligados à implantação daquele mega evento, que causaram terríveis problemas de prazos e custos.

Acreditamos que toda a negatividade deste quadro será vencida por nossas virtudes, que são a amabilidade do nosso povo para com os visitantes e a estima pela nossa seleção, que colocará o hino nacional nas paradas de sucesso.

Se o Brasil for valorizado pelos 19.000 jornalistas que estão sendo esperados, e a turma do “Fora a Copa” se calar, o nosso lucro será imenso. Todo o planeta terra saberá que temos uma natureza bela e diversificada. Os visitantes conhecerão o Amazonas, as lindas praias do Nordeste, a fauna do Pantanal, o gigantismo de São Paulo, o “charme” dos cariocas, o Cristo Redentor e o significado econômico dos Estados do Sul. Eles aqui serão abraçados, mais do que em qualquer outro país do mundo que tivesse a chance de sediar um Mundial. Temos três semanas para ver nosso país totalmente transformado. É hora de virar o jogo.

 

Cantando mais alto o Hino Nacional

Divulgação

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Quando o Brasil conquistou, numa disputa com nações altamente consideradas, a sede do Campeonato do Mundo de Futebol (2014) e dos Jogos Olímpicos (2016), grande parte da nossa população pensante vibrou: tinha chegado a hora de mostrarmos a potencialidade da nação e elevar a sua imagem internacional!

O mundo estaria tomando conhecimento de aspectos positivos e altamente diversificados do nosso país: suas belezas naturais, as diferenças regionais, o acolhimento e a alegria do nosso povo, a variada gastronomia – que inclui desde o farto rodízio de carnes até a comida japonesa ou chinesa – a maravilha de nossas praias do sul, do sudeste e do nordeste, a Amazônia, a arquitetura de Brasília e o Cristo Redentor, que abençoa com sua boas-vindas os que aqui chegam.

Naturalmente, para tornar este patrimônio desfrutável era preciso encontrar muita competência em nossa administração pública para tornar realidade toda a nossa potencialidade.

Infelizmente, a cultura dos políticos (principalmente dos partidos que detêm a maioria) não está permitindo que a grande possibilidade se consolide. Começamos a trabalhar tarde, perdemos muito tempo, a incompetência e a corrupção corroeram nossos recursos para a construção de praças de esportes que já não eram muito amplos. Tudo custou muito mais do que o dobro. Os gastos excedentes de uma administração incompetente e pouco idônea sacrificaram a verba para outros destinos inegavelmente muito importantes.

O desaponto de setores da população gerou uma sequência de passeatas com uma frequência que hoje é quase diária. Arruaceiros transformaram em terrorismo manifestações que poderiam ter sido consideradas até como demonstrações democráticas contra os citados desmandos.

Lamentavelmente, a cultura do “leva vantagem” aumentou desmesuradamente as dificuldades que teriam os dirigentes bem intencionados de mostrar ao mundo a grandiosidade da nossa terra.

Entretanto, como os eventos de 2014 e 2016 são inadiáveis, se predominar um espírito patriótico e o Brasil puder mostrar aos cinco continentes quem realmente ele é, os mega eventos não causarão a médio prazo as dificuldades para áreas consideradas por parte da população prioritárias (saúde, educação, segurança), uma vez que o nosso êxito no Mundial e nos Jogos Olímpicos compensará o esforço realizado, inclusive na parte econômica.

O incremento do nosso turismo, a maior consideração da voz de nossos representantes em reuniões do comércio internacional e o orgulho generalizado de sermos brasileiros trarão de volta o que houver sido dispensado com a Copa e os Jogos Olímpicos. Vamos encarar estes dois eventos com patriotismo e civilização.

Patriotismo é sentimento ligado à altivez. Vamos arrumar o que for possível nestas semanas que nos restam para o início da Copa do Mundo, em vez de realizar manifestações pouco condizentes com o prestígio, vamos cantar mais alto o Hino Nacional.