Gazeta Esportiva

A nova geração de leitores pertence a uma faixa etária que não sentiu a revolta do torcedor brasileiro com o destino dado à Copa do Mundo de 1978.

Já na semifinal, a Argentina (que jogou depois do Brasil) entrou em campo sabendo que somente se classificaria para a decisão final contra a Holanda se vencesse na semifinal, no mínimo, por quatro a zero frente ao Peru, equipe que até então tinha tido um desempenho excelente naquela Copa. Entrou então em campo uma mutreta de alto coturno e o país andino acabou perdendo por 6 a 0, favorecendo os platinos que se tornaram campeões do mundo. O Brasil foi vice invicto e campeão moral.

Somente agora, trinta e quatro anos depois, apareceram os detalhes da vergonhosa transação, que não mereceu nenhuma atitude mais firme da FIFA, hoje tão intrometida.

O Judiciário argentino abriu, no ano passado, investigações contra o ex ditador peruano Francisco Morales Bermúdez e, na semana passada, pediu a sua prisão contra crimes de seqüestros e assassinatos. Depondo nesse processo, o ex-senador peruano Genaro Ledesma revelou dados inéditos sobre o certame de 1978. Disse ele que a “entrega” do jogo por goleada foi pactuada entre os dois ditadores que governavam os dois países na época: Bermúdez (Peru) e Jorge Videla (Argentina).

A moeda de troca foi a Argentina ficar temporariamente com exilados contrários ao governo peruano. Além disso, Bermúdez recebeu empréstimos e a doação de 14.000 toneladas de trigo.

Está claro que a Copa de 1978 foi decidida fora de campo.

Continuamos na nossa campanha para a melhoria de imagem do nosso país no exterior nesta década dos mega eventos e, a cada dia, chegam notícias que nos afastam deste objetivo.

O “motim” da Polícia Militar da Bahia – força armada não pode fazer greve – já começou a dar sua contribuição para “pixar” o nosso país. O Consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro emitiu uma nota de alerta e desaconselhamento de viagens de norte americanos à Bahia enquanto durar esta situação de falta de segurança. Isto inclui o Carnaval. Os pacotes turísticos para o período momístico estão sendo cancelados levando a um prejuízo econômico, a uma perda de receita que as autoridades tanto desejavam.

Um fato deste, como qualquer outro que seja desairoso ao Brasil, já ganhou uma cadeira cativa na imprensa do exterior, a começar pela inglesa, que tem uma bronca endêmica contra o nosso país. Fomos destaque negativo na BBC e em muitas agências noticiosas transmitindo informes pelos cinco continentes. O El Pais, espanhol, disse que em Salvador o crime ganhou as ruas. O El Clarin, da Argentina, também tirou sua casquinha, divulgando com destaque matéria venenosa.

Afinal, Salvador é uma das mais prestigiosas sedes da Copa do Mundo de 2014.

Se não quisermos aumentar o prejuízo é chegado o momento de o governo baiano agir com energia, esquecendo a doutrina populista do partido que governa tanto o Estado quanto a nação.

Fiquei revoltado quando li a notícia que, por arbítrio de Andres Sanchez, o Todo Poderoso diretor de seleções da CBF, deixou para segundo plano o preparo da equipe brasileira para os Jogos Olímpicos. Em vez de destinar as vagas privilegiadas pela FIFA para os jogos da nossa seleção olímpica, que estará em Londres dentro de cinco meses, ele preferiu destiná-las a nossa seleção principal, que disputará a Copa do Mundo do Rio de Janeiro somente em 2014, daqui quase três anos.

Esta mudança revela uma ignorância histórica do significado de um evento que tem uma tradição de milênios e integra o ponto mais alto da escala de valores de qualquer cidadão medianamente culto.

Vários fatores apontavam para que, neste semestre, as luzes da ribalta iluminassem na Olimpíada uma plêiade de jogadores jovens na qual já estão Neymar e Ganso. O Brasil vem de bons desempenhos em certames Sub-20, e nosso país, sem dúvida, ganharia a mídia mundial neste efervescente período pré-olímpico.

Devemos nos lembrar que os órgãos de comunicação andam à procura de fatos específicos do período pré-olímpico. O Brasil entraria em foco na divulgação internacional, o que seria de grande interesse para o nosso país, que caminha para um upgrade em seu prestígio mundial. Lembremos que os Jogos Olímpicos reúnem mais de 200 nações e terão uma cobertura internacional maior do que o próprio Mundial de Futebol.

Na frente interna, o fato do Brasil nunca ter sido campeão olímpico seria um tema para a motivação e mobilização da nossa opinião pública.

Oxalá, nesta medida inoportuna da CBF não haja o dedo da Globo, que perdeu para a Record a exclusividade de transmissão do certame programado para Londres.

Em muitas modalidades (natação e atletismo, por exemplo) o título de campeão olímpico tem mais peso que o de campeão mundial.

A população brasileira precisa colocar o esporte olímpico em uma posição mais elevada na escala de valores e melhorar com isso seu índice de nação desenvolvida.

Este texto pode ser enquadrado nos objetivos da campanha sugerida em nosso último artigo. Nele, eu defendo a tese de que cada cidadão deveria defender a integridade moral brasileira e não aceitar qualquer desmando como vaca de presépio.

Parabéns ao STF

 

Queremos cumprimentar o Supremo Tribunal Federal pela decisão de manter a autoridade do CNJ, sob presidência de Eliana Calmon. Qualquer atitude em defesa da moralização tem a conseqüente repercussão positiva, alastra-se para outras áreas, notadamente entre os responsáveis pela administração da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. Se nem o Judiciário vai ter moleza na hora de ser julgado, obviamente este espírito vai abranger também as empreiteiras e os órgãos governamentais ligados aos mega eventos.

Um leitor escreveu ao “Estadão” que votaria em Eliana Calmon se ela fosse candidata a presidência da República. Eu também e, creio, grande parte da população brasileira.

A grande catástrofe ocorrida no Rio de Janeiro – a queda simultânea de três edifícios ceifando duas dezenas de vidas – ocupou durante quatro dias oitenta por cento do espaço e do tempo da mídia nacional, que relatou de todos os ângulos possíveis aquele infausto acontecimento.

Naturalmente todo este “tsunami” noticioso cruzou as fronteiras nacionais e chegou a quase duas centenas de países que integram a ONU.

No exterior, mais um aspecto foi acrescentado aos múltiplos já abordados pelos veículos impressos e eletrônicos nacionais: o despreparo do Brasil para sediar a Copa do Mundo de Futebol e os Jogos Olímpicos. Como dizia sempre Carlos Joel Nelli, o saudoso diretor de A Gazeta Esportiva, temos mil olhos para procurar erros e defeitos e apenas duas palmas de mão para aplaudir.

A má vontade

 

Os principais jornais e agências noticiosas do mundo concentraram-se na divulgação daquele fato com o propósito de evidenciar a falta de estrutura da cidade do Rio de Janeiro para receber os dois mega eventos programados. Eles defendem veementemente a incapacidade das autoridades brasileiras, vinculando um acidente isolado, alheio à estrutura da Copa e das Olimpíadas a quem não tinha nada a ver com isso. Os mais ácidos foram os principais jornais da Inglaterra, que lembraram até da explosão do restaurante no centro do Rio de Janeiro ocorrida em outubro. Esta é uma prova do que se espera daqui por diante na mídia do resto do mundo. As duas palmas de mão para aplaudir o que fizemos de certo serão muito raras.

Abrindo os olhos

 

Diante da formação gradativa de uma atmosfera com que são recebidos os eventos esportivos importantes efetuados fora da Europa e dos Estados Unidos, é hora do Brasil abrir os olhos.

Além da notícia citada, nada honrosa para o nosso país, existem centenas de fatos potencialmente bastante comprometedores e que, com justiça, poderiam fornecer material para os órgãos de divulgação do resto do mundo se esbaldarem contra nós como gostam.

As mesmas mazelas ocorridas no Pan-americano de 2007 no Rio de Janeiro, e inexplicavelmente abafadas no Brasil, encabeçam a lista nos dois hiper eventos programados. Elas já estão claramente delineadas no noticiário dos órgãos nacionais.

Onde eles teriam razão

 

Se a mídia do exterior começar a nos “malhar”, vejam que material estamos oferecendo de bandeja: Dispensa de licitação para obras e serviços; descrédito do judiciário; multiplicação dos casos de corrupção dentro do executivo; o “mensalão”; a redução do alcance da lei da ficha limpa nas próximas eleições; superfaturamento das obras da Copa; funcionários fantasmas; problemas do Enem; falta de confiabilidade da CBF e muitos outros escândalos noticiados por uma imprensa nacional livre e desassombrada. Com a proximidade da Copa e da Olimpíada eles serão tema também da crônica internacional, principalmente quando começarem a chegar os primeiros enviados especiais para a cobertura dos nossos mega eventos. Desta vez eles terão fatos subsistentes para contar.

A Copa e os Jogos Olímpicos foram trazidos ao nosso país exatamente para melhorar a nossa imagem externa, com reflexos na nossa economia, e para ampliar o fluxo turístico. Se não tomarmos providências, podem ter um efeito exatamente oposto.

Plano anti-vexame

 

É preciso frear a ganância dos empreiteiros e terceirizados, os interesses escusos de alguns dirigentes e a criminalidade que já desceu dos morros e emigrou para os centros urbanos. É necessário segurar o tráfico e os traficantes. É urgente modificar o país e a escala de valores de sua população.

Temos muitos produtos a vender para os que nos visitarem. Temos nossa alegria, nossa música, as belezas naturais. Se juntarmos a tudo isto credibilidade, superaremos até certos embargos safados de outros países que estão boicotando nossas exportações de carne, suco de laranja e outros produtos brasileiros competitivos com as demais nações.

O orçamento dos dois mega eventos desviou recursos de várias prioridades nacionais, como educação, saúde, segurança e outras de infra-estrutura que reduziriam o chamado “custo Brasil”. Se, entretanto, cada brasileiro se convencer que pode incrementar uma onda moralizadora na política e na administração pública, se cada cidadão começar a cobrar honestidade, este sonho pode se tornar realidade edificante e a Copa e a Olimpíada terão ajudado a modificar não só a imagem exterior, mas o próprio Brasil, justificando plenamente os investimentos feitos.

O que esperamos dos brasileiros

 

Este artigo é a nossa contribuição para esta campanha. Ele pode estar na proporção da história do beija-flor que queria apagar o incêndio na floresta, transportando gotas d’água e quando questionado respondia:

“A minha parte está feita. Faça você a sua no limite de suas possibilidades. Afinal, mais vale acender uma vela do que lamentar a escuridão”

Ao lermos diariamente nos jornais o estrago que o crack está causando em grande parte da nossa sociedade, como sendo entre todos os narcóticos o de conseqüências mais nefastas, lembramos que até bem pouco tempo o significado de crack era algo bem diferente. “Craque” era ser habilidoso, principalmente na área do esporte.

Ser craque era ser o bom do time, era estar entre os melhores. Agora este termo designa uma droga mortífera. Em pouco tempo passou a simbolizar exatamente o oposto.

Se formos puxar pela memória, veremos que a significação de muitas das palavras se transformou através dos tempos. São questões explicadas pela semântica, termo definido pelos dicionários como “estudo das variações do sentido das palavras no decurso da evolução da língua”.

Aliás, a própria história nos apresenta como exemplo a evolução semântica da palavra “solteira”, que atualmente significa mulher não casada. Ela já significou outrora “mulher solta, ou de costumes soltos”.

Hoje pode até ser ofensivo chamar um grande astro do futebol como “crack” ou “craque”.

Nacionalizando

O autor destas linhas já passou da marca das oito décadas e contemplou outras nomenclaturas dos termos usados no futebol e atualmente abrasileirados. Quando eu era garoto, um jogador impedido estava “off-side”, quem batia um escanteio cobrava um “corner”, um zagueiro era um “back” (pronunciado como “beque”), o goleiro era o “goal keeper”, o médio era o “half”, o atacante um “forward”, e assim por diante. O predomínio dos termos britânicos no princípio da metade do século passado decorreu do fato da grande influência inglesa nos primeiros anos do futebol brasileiro, introduzido no país por Charles Miller. Duas palavras, porém, resistiram a um sinônimo nacional. Foram o “goal” (para nós gol) e “penalty”. Chegou-se a substituir o termo gol por “tento”, mas o seu uso foi muito restrito, a palavra não “pegou”.

O esporte constitui um excelente campo para a avaliação pelos estudiosos destas alterações de natureza semântica. Em outras modalidades como a natação, o nado borboleta foi chamado por muito tempo de “butterfly”.

São curiosidades que as novas gerações gostariam de saber.

Preenchendo espaço

Para completar o espaço que temos para este artigo, apontamos mais alguns termos que os nossos netos desconhecem (são exemplos de palavras fora do âmbito do esporte):

  • Rapaz elegante era “almofadinha”
  • Mulher de formas acentuadas era “peixão”
  • Carro conversível era “baratinha”
  • Motorista profissional era “chaufeur”, aquele que precisava esquentar o motor do carro antigo para que ele funcionasse. 

Entre os eventos que compõem o vasto calendário brasileiro de futebol há um pelo qual eu tenho especial carinho e acompanho com um interesse muito grande. Trata-se da Copa São Paulo de Futebol que, nos primeiros dias de janeiro, dá o tiro de partida para uma correria de certames que somente termina com a chegada do Natal.

As razões desta preferência podem ser facilmente identificáveis para os leitores que nos acompanham desde que o nosso site foi lançado há mais de uma década. Vamos a elas:

A – A base e o vértice

O primeiro motivo está na minha arraigada convicção de que, na pirâmide do esporte, a altura do vértice qualitativo está diretamente na dependência da base quantitativa. O progresso é uma escada que começa pelo primeiro degrau. Os três últimos são os do pódio olímpico.

B – Uma oportunidade para 2.000

Embora seja tecnicamente evoluído, com partidas emocionantes, este evento de certa forma não deixa de ter um cunho de campeonato voltado para a base. Ele envolve quase 2.000 jogadores de 96 equipes, representando todos os Estados do país. É considerado a grande vitrine do futebol brasileiro e o início da carreira de jogadores de fama mundial. Constitui uma oportunidade excelente para muitos subirem a escada do sucesso.

Estamos trabalhando em um livro sobre este tema que terá por título “Esporte – da Base ao Vértice” e que indica um caminho para a prospecção de talentos, não só no futebol, mas em todas as modalidades esportivas.

C – Não ao termo “Copinha”

Talvez por ser endereçada a jogadores de menos de 18 anos, esta competição ganhou o epíteto de “Copinha”. A não ser que o diminutivo tenha um cunho carinhoso, discordamos do “inha”, pois ela não tem nada de pequeno. Pelo que significa como o único evento que reúne todo o país competindo pelo título, poderia ser, isto sim, chamada de “Copona”.

D – Vinte e quatro sedes

A Copa São Paulo prestigia nada menos de vinte e quatro cidades do Interior do Estado, cuja população assiste, jogando em seus estádios, à participação de equipes com os distintivos de Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Botafogo, São Paulo, Vasco da Gama, Grêmio, Cruzeiro, Internacional, Atlético Mineiro, Sport do Recife e outros tantos times de destaque.

É uma forma “delivery” de levar para Monte Azul, Mirassol, Araraquara e São Carlos jogos de prestígio. Este ano até Jaguariúna foi sede da “Copona” que corresponde à interiorização de grandes eventos.

E – Desde o tempo da SEME

Talvez esta minha estima à Copa São Paulo se deva à minha participação pessoal no evento. Ela foi criada no âmbito municipal, quando uma comissão dirigia o esporte da cidade. O autor da idéia foi o saudoso Fábio Lazzari, meu amigo desde o início dos anos 60, quando ele ia pedir divulgação para a Copa São Paulo, em companhia de Paulo Soares Cintra, nas páginas de A Gazeta Esportiva, da qual eu era o editor-chefe dos esportes amadores.

Mais tarde, ela incorporou-se à DEPEL, departamento de promoções esportivas da recém-criada Secretaria Municipal de Esportes, cujo primeiro titular foi Carlos Joel Nelli.

F – Além da SEME

Vicissitudes na política municipal fizeram com que o evento fosse anos depois para a égide da Federação Paulista de Futebol, ainda com a supervisão de seu criador, Fábio Lazzari.

Aos poucos ela cresceu. Passou para o âmbito estadual e, mais tarde, para o nacional. Hoje é transmitida por diversos canais de TV, despertando o interesse de todo o país.

A Copa São Paulo, por sua história e principalmente por sua significação para o Esporte, até que merecia uma divulgação ainda maior por parte dos veículos de comunicação. O tempo das rádios e TV e o espaço de jornais e revistas estão majoritariamente ocupados pelo foco das transferências de jogadores e técnicos para outros clubes. Um simples indivíduo ocupando o espaço que deveria ser destinado para a difusão de equipes, de cidades que representam coletividades.

O imediatismo leva muitas vezes ao olvido da nossa própria história.

Que tal lembrar-se da história?

 

 Os atuais responsáveis pela Copa São Paulo, aproveitando uma oportunidade para a preservação de sua história, poderiam dar o nome de Fábio Lazzari a um dos troféus em disputa.

Considerando-se que os jogadores são todos menores de 18 anos, também poder-se-ia nomear um dirigente com sensibilidade e estima pelos sentimentos patrióticos e que lutasse para que os jovens (e se possível o público) cantassem o Hino Nacional. Nada mais lamentável do que, nas passagens de câmera de TV, ver alguns dos participantes quietos, sem ao menos saber balbuciar as palavras da música que representa a nossa pátria. Uma simples conversa antes das partidas acrescentaria mais um mérito a esta grande competição.

Juro que não é careta gostar do Brasil.

 

Passamos nossas férias natalinas na casa que possuímos em Peruíbe há vinte e cinco anos. Entre  26 de dezembro e o Dia de Reis, mais perto do mar do que do mundo. As duas exceções foram ouvir as transmissões da São Silvestre e os noticiários das várias emissoras no período de 19 às 21 horas.

Sobre a São Silvestre, as novidades foram as modificações do local de chegada (sobre a qual prefiro me calar) e o êxito da raça negra, que predominou no pódio da premiação, mostrando o quanto a negritude está próxima da vitória e das medalhas.

Nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, Hitler, que pregava a superioridade ariana, não escondeu seu desaponto com o triunfo do americano Jesse Owens. Hoje, os africanos passaram a liderar as provas de fundo, enquanto que as de velocidade ficaram por conta dos norte americanos e dos jamaicanos. Este país das Antilhas é o berço dos dois últimos recordistas mundiais dos 100 metros rasos.

Outro ponto que me chamou a atenção foi a grande presença de turistas nacionais e do exterior que ocuparam quase cem por cento da capacidade albergueira do Rio de Janeiro. As emissoras de TV, principalmente a Globo, dedicaram mais de 50% de seu tempo disponível na louvação do Réveillon da cidade maravilhosa, criada por Deus e pela natureza.

Os clamores iniciais da Copa do Mundo de Futebol e dos Jogos Olímpicos começam a colher os primeiros resultados pela presença de uma grande quantidade de turistas, nacionais e do exterior, atraídos pelo show do Réveillon que se realizava bem próximo das areias e dos desenhos típicos das calçadas de Copacabana. É de se imaginar o que é possível acontecer em termos quantitativos quando os dois maiores espetáculos do mundo forem efetuados no mesmo espaço abençoado pelo Cristo Redentor.

No meio de toda a louvação, a TV Record solta a notícia que nos abalou e rompeu parcialmente a maior atmosfera de “oba oba” já vista nos últimos tempos: casais de turistas do exterior estavam sendo alvo de assaltantes provenientes dos morros adjacentes. O maior esforço para melhorar a economia carioca era anulado por gente desqualificada que começava a dar a primeira demonstração das preferências dos fora da lei para quando chegarem os mega eventos.

Numa época de carência de noticiário causado pelas festas natalinas e pela ausência de grandes acontecimentos, a imprensa internacional deve ter sido acionada pelos correspondentes dos veículos estrangeiros sediados no Rio de Janeiro. Como as más notícias circulam em todo o mundo mais celeremente do que as boas, pode se imaginar os prejuízos que estes bandidos nos causaram.

As autoridades do país, especialmente as da Guanabara, precisam estabelecer de forma especial e muito rígida a defesa do turista do exterior, uma fonte inesgotável de prestigio. Receitas e empregos podem perder-se pela ação de possíveis ações nefastas de bandos organizados, cuja dimensão eles próprios não poderiam imaginar.

A luz amarela acendeu. Que o farol do nosso país volte para o verde e não para o vermelho é o que todos esperam. Medidas enérgicas seriam melhor recebidas pela população do que qualquer lance de políticos demagógicos. Que se divulgue amplo noticiário da prisão dos assaltantes a turistas é o que todos esperam. Isto também dá votos!

Neste momento todos os meios de comunicação voltados para a área do esporte ainda estão concentrados na desilutória participação do Santos diante do Barcelona, na final da Copa do Mundo Interclubes.

Argumentos de todos os tipos são levantados para justificar uma derrota que não foi só de um clube, mas de todo o futebol do Brasil, que aos poucos vai perdendo a sua imagem de “país do futebol”.

Estávamos ontem mexendo em nossos guardados quando deparamos com um artigo escrito no segundo semestre de 1984, quando cobríamos os Jogos Olímpicos de Los Angeles, há 27 anos, e vimos como nada mudou em quase três décadas. Este artigo é plenamente válido nesta semana em que ecoam os acontecimentos ocorridos no país nipônico. Era um artigo enviado do Centro de Imprensa, ainda em telex, nos tempos em que a internet não tinha chegado aos usuários.

É bom também explicar aos mais jovens que a palavra Hulk refere-se a uma série de filmes em que o personagem principal, quando estimulado, ficava verde e realizava façanhas incríveis, impossível a um ser humano comum. Eis o que escrevemos:

UM POUCO MAIS NA HORA DE DECIDIR OU O ANTI-HULK

Quem, no Brasil, ficou acordado até a madrugada assistindo aos jogos do quarto dia da Olimpíada, deve ter ido dormir diante de uma sensação estranha, um sentimento de desorientação diante de um fato inegável e até certo ponto preocupante.

Não nos deixa tranqüilos a verificação da constância com que cada vez mais freqüentemente as seleções nacionais de nosso país deixam se dominar pela inércia, num momento de pressão psicológica e de alta tensão. Nossos representantes encolhem-se diante do maior entusiasmo do adversário, justamente num momento em que um pouco mais de fibra, um pouco mais de adrenalina e de autoconfiança seriam decisivos.

O estupor, diante de um adversário bem estruturado nestes momentos vitais, tem se repetido com tal constância que já deixa de ser um fato isolado de um jogador, para se transformar numa atitude coletiva e constante, notadamente nos esportes coletivos. Estamos adquirindo uma conotação de anti-Hulk.

Somente ontem este fato aconteceu duas vezes e já havia ocorrido no primeiro jogo do time de basquete. Este fenômeno teve sua versão clássica na final do último campeonato mundial de futebol, disputado na Espanha. O próprio leitor, por sua memória, poderá aduzir facilmente dezenas de outros exemplos a este fato que, infelizmente, está se tornando inegável.

Numa busca das causas deste fenômeno, temos, honestamente, que descartar a falta de preparo que ocorria outrora com nossas equipes nacionais. Nossos times têm treinado tanto ou mais que seus adversários, têm se concentrado e dado muito de si nesses treinamentos.

Vistos individualmente, nossos jogadores e jogadoras são ótimos. Sem reparos. Muitas de suas jogadas, executadas fora daquele momento de pressões psicológicas, mostram uma habilidade técnica superior à maioria dos contendores.

Também a clássica posição de se atribuir qualquer derrota aos técnicos por algum “erro”, nos momentos de pressão, tem como vantagem somente a comodidade de se encontrar uma explicação fácil, bem a mão. Um bode expiatório é ótimo para extravasar uma revolta, um desconforto, uma desilusão. Este imediatismo, porém, também deve ser descartado, pois raramente as derrotas têm esta causa. O poder de influência deste fator não merece o cacife que se pretende dar a ele.

Na realidade, temos que procurar as causas em algo mais profundo. Acreditamos que estas ultrapassam o aspecto técnico em si e devemos buscá-las na psicologia social e em tudo que leva a um estudo do comportamento humano em tais circunstâncias. Este é um tema apaixonante para uma pesquisa realmente científica.

Numa tentativa apriorística de relacionar as possíveis causas da inércia no momento decisivo, podemos levantar uma possibilidade nada cômoda para nós. Parece que as nossas equipes, em menor dose do que as outras delegações, estão apresentando aqui em Los Angeles uma ausência do crescimento técnico na hora decisiva. É o que, na falta de uma denominação mais científica, poderia ser chamado de “amor à camisa”, de espírito de luta.

Estes sentimentos, é pena, existem em menor dose entre nós, salvo gloriosas exceções. O gostar de um clube, de uma cor, de um país, de certa maneira está sendo desmoralizado como sentimento. Tais nobres atitudes chegam a ser tratadas como pieguices, ou outros “ices”. A valorização de qualquer instituição como o nosso país está de tal maneira sendo vilipendiada que se alguém, nas arquibancadas, gritar “Viva o Brasil”, pode ser considerado um estranho, um marciano.

Sempre foi mais fácil contestar valores do que defendê-los. Sempre foi mais fácil passar o pé num castelo na praia do que construí-lo, sempre foi mais fácil pichar um muro do que pintá-lo. Isto corrói um sentimento que deve aflorar na hora da decisão. De outro lado, também o exagero do interesse comercial e pecuniário ajuda a completar o quadro que acaba gerando este vazio interno na hora da decisão em favor de nossa pátria.

Acreditamos que o caminho a seguir seja o preenchimento deste espaço interno de cada um. Ao lado do treinamento técnico, precisamos colocar um sentimento de autoconfiança nos jogadores, no esporte e no Brasil. Precisamos de agora em diante, em nosso preparo, também dedicar um tempo para o ser humano, motivá-lo para o que se espera dele. O homem é um ser integral. Não importa somente a cesta, a cortada ou o chute a gol. Vamos cuidar também de quem arremessa, de quem corta e de quem chuta.

Daqui de Los Angeles não poderíamos deixar de dar esta nossa contribuição. Até nós da imprensa, para elevar este sentimento de confiança nacional, precisamos dosar melhor a centimetragem e a secundagem entre o aplauso e a crítica. É verdade que dizer “não” dá mais ibope que dizer “sim”, mas a constância desta atitude também pode originar causas funestas como a ablação de uma instituição.

Vamos ajudar, minha gente. Vamos apoiar no futuro sentimentos de confiança que não estão nem mortos e nem superados. Afinal, foi o próprio amor à camisa e a seus países que acabou por dar a vitória aos nossos adversários. Eles os tinham em uma dose um pouco maior do que a nossa.

Já é o momento de marcharmos respeitosamente e em forma no desfile inaugural. Está chegando a ocasião de termos orgulho do Hino Nacional e cantá-lo, sem acanhamento, cada vez que ele for executado.

Acervo/Gazeta Press

A sede da Fundação Cásper Líbero, na avenida Paulista, em 1950, ainda em construção.

Agora que a Avenida Paulista comemora seus 120 anos (altamente badalada pela mídia impressa e eletrônica), cabe-me contribuir para a história do cartão postal dos paulistas sobre a enorme influência que a Fundação Casper Líbero e a A Gazeta Esportiva tiveram nas profundas alterações verificadas naquela via nos últimos 50 anos.

Há meio século, a Paulista era composta por grandes palacetes e mansões construídas pela burguesia paulista enriquecida pela cultura do café. Desde o final do século XIX, um bem sucedido loteamento, obra de Eugênio de Lima, mantinha normas de zoneamento que perduraram por 70 anos.

No final da década de 50, a Fundação Casper Líbero, por inspiração de Carlos Joel Nelli, adquiriu um amplo terreno, na mesma quadra da mansão da família Matarazzo, para construir sua nova sede. A Gazeta desde o final dos anos 30 estava na Rua da Conceição (depois Avenida Casper Líbero), ao lado da Igreja de Santa Ifigênia. O proprietário desse terreno era Von Bullow, acionista da Cia. Antarctica Paulista.

É verdade que naquela época a medida foi arriscada, pois, para construir sua sede, projetada como um dos edifícios mais altos de São Paulo, era preciso superar as restrições da lei de zoneamento, que proibia a construção de arranha-céus em todo o trajeto entre a Praça Oswaldo Cruz e a Rua da Consolação.

Carlos Joel Nelli usou na empreitada todo o seu carisma e poder de persuasão e conseguiu, na Câmara Municipal, a revogação da lei que inviabilizava o grande sonho de todos os sonhos dos funcionários dos órgãos da Fundação Casper Líbero.

O projeto, que teve até a participação de José Carlos Figueiredo Ferraz (depois prefeito da capital), era quase um conto de Mil e Uma Noites. O edifício planejado era tão alto que, quando pronto, interferiria nos planos de vôo de chegada a São Paulo. O slogan de Nelli dizia tudo: “Uma luz sobre São Paulo”.

O importante é que o brado de independência estava dado e, com o começo das obras, outras empresas e empresários, sequiosos de progresso, também deram início a seus empreendimentos. Como pioneiros podemos mencionar Nicolau Scarpa, com seu prédio na esquina do Parque Siqueira Campos, a Federação das Indústrias, perto da Rua Pamplona e, finalmente, o Conjunto Nacional, que selaram definitivamente a nova face da tradicional avenida.

As obras do nosso edifício cresciam em ritmo normal e já tinham seis andares construídos quando estourou a crise econômica de 1968. Ela afetou o ingresso de recursos para o seu prosseguimento. A principal fonte de renda da Fundação era proveniente do mercado aquecido pelos anúncios classificados, num momento de grande procura por mão-de-obra especializada. A Gazeta Esportiva era, consequentemente, do ponto de vista econômico, o carro chefe de toda a Fundação.

Com o dinheiro obtido com a venda da sede da Avenida Casper Líbero, foi possível dar acabamento aos andares já erguidos. Em seguida, o prédio número 900 da avenida dos paulistas abrigava redações, impressoras e até cinemas. O local de largada e de chegada da tradicional e internacional Corrida de São Silvestre também tinha novo endereço que já debutava com sua sede de grandes eventos, atrações e shows.

O nosso prédio foi subindo e agregando outros andares com os recursos do dia a dia. Não chegou (ainda!) à altura do projeto original, mas já ostenta no topo a torre da televisão iluminada pelos holofotes, a “luz sobre São Paulo” de que tanto falava Carlos Joel Nelli.

Lamentavelmente, quando todo o noticiário se concentra na história e nas magnitudes da nossa avenida agora com 120 anos, não estamos vendo nenhuma citação à grandiosa participação da nossa Fundação. Ciumeira?

Cel. Hudson Camilli, Comandante da Escola de Educação Física da PM, e o jornalista Henrique Nicolini e Cel. Corrêa de Carvalho, presidente da Comissão Organizadora

Ainda dentro do programa comemorativo ao centenário da Escola de Educação Física da Polícia Militar de São Paulo, foi realizada em 25 de novembro uma solenidade denominada “Encontro dos Campeões”, visando homenagear os ex-comandantes e altas figuras da oficialidade da PM ligadas à EEF. Foram também lembrados na ocasião os atletas que, na área da competição esportiva, defenderam a pioneira entre as escolas de Educação Física do Brasil.

Neste rol de homenageados, foram ainda incluídas pessoas vinculadas às atividades da PM na área dos esportes e da Educação Física, às quais aquela corporação desejava demonstrar a sua gratidão.

A cerimônia foi uma iniciativa da Associação dos Oficiais da Polícia Militar, presidida pelo Cel. Luiz Carlos dos Santos, da direção da própria Escola de Educação Física, sob o comando do Cel. Hudson Camilli, e de uma Comissão Organizadora sob a responsabilidade do Cel. Sebastião Alberto Corrêa de Carvalho, que foi o mestre de cerimônias.

Mais de uma centena de pessoas que se enquadravam no perfil dos homenageados receberam um diploma. Entre eles, Leandro Prates, atleta que acabou de sagrar-se campeão pan-americano dos 1.500 metros, o Cel. Niomar Cyrne Bezerra, ex-comandante do regimento da Cavalaria e da Rota, Cel. Nestor Soares Públio, ex-presidente da Federação e da Confederação de Ginástica, Milton Pereira dos Santos, atual campeão mundial master das provas de arremesso, Edgar Freire, vice-campeão da São Silvestre e Aristides Almeida Rocha, presidente do Panathlon Club São Paulo.

O titular deste blog recebeu seu diploma das mãos do Cel. Hudson Camilli, diretor da EEFPM, homenageado por suas atividades na A Gazeta Esportiva. Ele foi integrante do “staff” que organizou a São Silvestre nos anos 50, 60 e 70 do último século e de outros eventos esportivos do calendário da AGE que receberam um excepcional apoio e até a parceria da Polícia Militar de São Paulo.