Bosque da Fama – êxito previsto

DANIEL DIAS - NATAÇÃO PARALÍMPICA (Divulgação)

DANIEL DIAS – NATAÇÃO PARALÍMPICA (Divulgação)

A solenidade da homenagem aos nossos principais atletas de todos os tempos está com êxito previsto. Os preparativos estão adiantados para a realização do plantio das árvores pelos atletas (ou seus familiares, no caso de homenageados falecidos).

A lista inicial resultante de uma reunião entre a Secretaria Municipal de Esportes e o Panathlon Club São Paulo já encontrou importantes adesões, entre as quais a do cestobolista Amaury Pasos e do paratleta da natação Joon Sok Seo. Também os familiares de Oberdan Cattani, Hideraldo Luiz Bellini e Waldir Pagan Perez já confirmaram presença.

Outros esportistas de destaque deverão confirmar suas presenças na solenidade programada para o dia 8 de dezembro, no final da pista de atletismo do Centro Olímpico, a partir das 10 horas da manhã, e que será prestigiada por autoridades, dirigentes esportivos, jornalistas e panathletas.

Palco, banners, banda da PM, organista e uma atmosfera de entusiasmo marcarão o evento.

 

TAMBÉM OS ATLETAS DOS ANOS ANTERIORES

A solenidade do Bosque da Fama existe desde 2008. Os homenageados dos anos anteriores são convidados para o evento, pois todos recebem, no ano seguinte ao plantio das árvores, um diploma de membro da “Ordem do Bosque da Fama”

 

OS INTEGRANTES

Desde que foi criado, o Bosque da Fama homenageou os seguintes ícones do esporte:

- Maria Esther Bueno – tênis

- Helen Cristina Santos Luz – basquete

- Hortência Marcari – basquete

- Manoel dos Santos Jr. – natação

- Ricardo Prado – natação

- Rogério Sampaio Cardoso – judô

- Maria Paula Gonçalves da Silva – basquete

- Janeth Arcain – basquete

- Gustavo Borges – natação

- Nelson Prudêncio – atletismo

- Alberto Marson – basquete

- Amauri Ribeiro – voleibol

- Carlos Domingos Massoni – basquete

- Éder Jofre – pugilismo

- Fernando Meligeni – tênis

- José Macia (Pepe) – futebol

- José Ely de Miranda (Zito) – futebol

- Ana Beatriz Moser – voleibol

- Ana Margarida Vieira Álvares (Ida) – voleibol

- Antônio Wilson Honório (Coutinho) – futebol

- Daniel Farias Dias – natação paralímpica

- Douglas Vieira – judô

- Jair Picerni – técnico de futebol

- Maurren Higa Maggi – atletismo

- Antônio Salvador Succar – basquete

- José Montanaro Junior – voleibol

- Emerson Fittipaldi – automobilismo

- Fabiana Murer – atletismo

- Henrique Guimarães – judô

- Marcelo Negrão – voleibol

- Miguel de Oliveira – boxe

- Wiliam Carvalho da Silva – voleibol

- Walter Carmona – judô

 

In memoriam

 

Representados por seus familiares, foram homenageados:

 

- Adhemar Ferreira da Silva – atletismo

- Ayrton Senna da Silva – automobilismo

- Carmo de Souza – basquete

- Edson Bispo dos Santos – basquete

- Gylmar dos Santos Neves – futebol

- Ícaro de Castro Mello – atletismo

- João Carlos de Oliveira – atletismo

- José Ferreira Santos – dirigente

- Moacyr Brondi Daiuto – basquete

- Sylvio de Magalhães Padilha – dirigente

- Tetsuo Okamoto – natação

- Ubiratan Maciel – basquete

O nome do Palmeiras

Recebemos um amável comentário do leitor Luiz Margutti Neto sobre nosso post anterior. A principal razão do seu e-mail é nos mostrar a origem verdadeira do nome “Palmeiras”, quando seu tio, Estevam Margutti, era presidente do Palestra Itália em 1945, ocasião em que o clube passou a ser denominado Sociedade Esportiva Palmeiras.

Luiz Margutti Neto terminou sua missiva com as seguintes palavras: “Depois de ouvir tantas versões sobre a origem da Sociedade Esportiva Palmeiras, resolvi então procurar seu blog na Gazetaesportiva.Net em razão de sua credibilidade como jornalista, grande historiador alviverde admirado por todos nós, e também por estarmos em pleno ano do centenário do clube, que por sinal não anda nada bem…”

Naturalmente, nosso “blog” está à disposição para divulgar o que herdeiros de antigos presidentes guardaram sobre a história do alviverde.

A única coisa que eu sei, e não deve estar relacionada com o nome “Palmeiras”, foi que a Associação Atlética das Palmeiras era uma equipe que disputou o primeiro Campeonato Paulista de Futebol. A A.A. Palmeiras era formada pelos jogadores que não encontraram um lugar na forte equipe do Clube Atlético Paulistano.

Na falta de um campo, o time passou a jogar em um terreno de propriedade de Dona Veridiana Prado, na rua das Palmeiras. Pouco tempo depois, mudou seu estádio para a atual Praça Bento de Camargo Barros, onde permaneceu por 30 anos e chegou a vencer um campeonato paulista.

Em vez de verde, a sua cor era o preto, ou melhor, alvinegra. Por volta de 1930, quando foi fundado o São Paulo da Floresta, o Palmeiras, com integrantes do C.A. Paulistano, entrou com o seu estádio e suas cores para formar o novo Tricolor. O campo do São Paulo da Floresta foi o primeiro da cidade a ser iluminado; pudera, seu vice-presidente era Edgard de Souza, então vice-presidente da Light.

Mais tarde, quando foi absorvido pelo Clube Tietê, este campo se transformou em uma grande pista de atletismo, que sediou o Campeonato Sul-americano desta modalidade em 1937. Eu assisti a este evento e dele recebi um forte impacto em favor do esporte. Cheguei mais tarde a ser juiz da Federação Paulista de Atletismo. Lembro-me bem dos principais atletas que participaram deste inesquecível campeonato sul-americano, entre eles Ícaro de Castro Mello, Alberto Mendes, Luiz Pagliari, José Bento de Assis, José Carlos Figueiredo Ferraz, Bento de Camargo Barros e muitos do exterior, como os peruanos Mera e Castro, o velocista uruguaio Walter Perez e tantos outros.

Naturalmente o Palmeiras alvinegro da Ponte Grande não tem nada a ver com o time do Parque Antarctica. Por isso, aguardo muito interessado o prometido contato do nosso leitor.

 

A gloriosa história do Palmeiras

1TimeNo último post de nosso Blog prometemos publicar a história completa da Sociedade Esportiva Palmeiras, nascida com o nome de Palestra Itália.

Trata-se da reprodução integral do capítulo sobre o alviverde publicado em meu livro “Tietê – O Rio do Esporte” que se tornou um verdadeiro “best seller”, com uma venda de mais de 20 mil exemplares.

Certamente é um trabalho longo, a mais longa coluna que já escrevemos desde que estamos vinculados à gazetaesportiva.net, isto é, desde o início de suas atividades.

Nesta época da entrada do Palmeiras na “Ordem das Entidades Centenárias” justifica-se esta prodigalidade informativa.

Vamos ao assunto:

 

O nacionalismo, como já vimos ao longo deste livro, foi um fator aglutinador dos clubes formados nas primeiras décadas do esporte paulista. Podemos até distinguir duas ondas nesse movimento de associativismo esportivo: a primeira, até a virada do século XX, quando foram fundados, entre outros, os clubes alemães de ginástica e o SC Germania, o Clube Esperia por italianos e o São Paulo Athletic Club por ingleses.

O Palestra Itália, agremiação que teve como sucessora a atual Sociedade Esportiva Palmeiras, fez parte da segunda onda, ocorrida concomitantemente ou logo após a primeira conflagração mundial. Também integravam esse grupo o SC Sírio, a Portuguesa de Desportos e a Hespanha de Santos (naquele tempo escrevia-se com H), que posteriormente se transformou em Jabaquara AC.

Antônio Figueiredo, jornalista de O Estado de São Paulo e historiador, contemporâneo à época da fundação do Palestra Itália, conta, em seu livro sobre a história do futebol, como as coisas aconteceram. A visita a São Paulo de duas equipes italianas, a Torinese e a Pró-Vercelli, cada qual convidada por uma das duas entidades que, naquele tempo, disputavam o prestígio da direção do futebol paulista, a Apea e a Liga Paulista de Futebol, despertou grande interesse pelo esporte na sociedade de origem italiana estabelecida em São Paulo.

Segundo Figueiredo, um grupo de empregados da Casa Matarazzo, entusiasmados pelo êxito das apresentações dos futebolistas visitantes, decidiu fundar um clube que representasse a colônia italiana sediada na capital, cobrindo assim uma grande lacuna. O mesmo autor, em uma publicação de 1918, informava que a primeira assembleia que contou com o comparecimento de 35 pessoas foi realizada no Salão Alhambra, na rua Marechal Deodoro nº 2, em 14 de agosto de 1914.

Surpreendentemente, porém, predominou nessa reunião inicial a ideia de constituírem uma sociedade basicamente recreativa, sem outros objetivos ou interesses. Um grupo minoritário que participava das discussões, todavia, insistia para que essa sociedade tivesse um cunho esportivo, sendo, por esse fato, seus integrantes alcunhados de “fundadores” da parte esportiva do clube: Adolpho Izzo, Luiz Izzo, Alfredo Izzo, Luiz Emmanuel Marzo, Sylvio Lagreca, Herculo Russo, Guido Gianetti, Jorge e Giulio Gianetti, Armando Rubicci, Luigi Vanini e A. Camargo.

A primeira diretoria do clube estava integrada por Ezequiel Simone, presidente; Luiz Marzo, vice; Luiz Cervo, secretário; Antônio Aulicino, sub-secretário; Francesco de Vivo, caixa; Francesco Morelli, 1º mestre-sala; Vicente CIllento, 2º mestre-sala; Guido Gianetti, Oreste Giangrande e Armando Rebucci, revisores de contas; e Vicente Ragonetti, diretor de esportes.

Os “mestre-salas” corresponderiam, nos dias de hoje, a diretores sociais e indicam a tendência predominante nos primeiros anos de fundação. Felizmente, a ala esportiva, com o passar do tempo, foi adquirindo prestígio e força, protagonizando a belíssima história futura do clube emergente. O termo “revisor de contas” corresponde ao conselho fiscal. A terminologia é até hoje adotada nos clubes e associações italianas. O nome Palestra Itália foi escolhido por indicação de Luiz Cervo.

A joia para a entrada no clube era de cinco mil réis e a mensalidade de três mil réis, que garantiriam a participação nas atividades sociais e o direito de assistir aos jogos de futebol. Comparado às demais associações da época, o total cobrado era módico, fato indicativo de que o Palestra começou sua trajetória como clube popular.

Como qualquer agremiação em vias de estruturar-s, o Palestra atravessou períodos difíceis. Passaram pela presidência, nos primeiros doze meses de existência, nada menos do que quatro dirigentes, até que o marco de sua consolidação definitiva aconteceu em 9 de janeiro de 1915, quando foi realizado um baile de inauguração no Salão Germania, na rua Dom José de Barros. Participou desse baile o real cônsul geral da Itália em São Paulo, Pietro Barolli, convidado de honra que acabou recebendo o título de presidente honorário do clube. Ficou famoso o discurso entusiasmado do diplomata, pronunciado na ocasião, conclamando os sócios a praticarem esportes ao ar livre. Também o apelo lançado por Vicente Ragonetti, pelo Fanfulla, fez com que um significativo número de futebolistas de origem italiana, que jogavam em outros clubes de São Paulo, viessem a fazer parte da equipe do Palestra Itália. A mensagem foi atendida por nomes de peso daquela época, como Bianco, Amilcar, Policci, Vale I, Américo Fiaschi, Ferré e Cervinati, transformando o clube que mal havia nascido em um grande esquadrão.

A equipe do Palestra jogou pela primeira vez com o Sport Club Savoya, de Votorantim, vencendo por dois a zero. Foi o primeiro troféu da atual Sociedade Esportiva Palmeiras.

Essa vitória inicial constituiu um forte estímulo para a agremiação emergente que buscava, a partir de então, não somente congregar os jogadores, mas toda a colônia italiana em sua torcida. Já se notavam iniciativas que reforçavam o nacionalismo peninsular, a ponto de a bandeira da Itália ser hasteada antes de cada partida. No seu segundo jogo, contra o Santos, equipe de ponta, em partida beneficente em favor da Cruz Vermelha, o Palestra mostrou que precisava melhorar muito se quisesse, tecnicamente, atingir os escalões principais do futebol paulista. Perdeu por 8 a 0. A partida seguinte já revelou progresso: a derrota foi por apenas três a zero para o Paulistano, um dos principais participantes do campeonato da Apea.

A essa altura, os palestrinos partiam para uma sede (a primeira delas ficava na rua Florêncio de Abreu) e já alugavam um campo na Vila Mariana, na rua Major Maragliano. O fato de a Itália ter declarado guerra a Áustria meses mais tarde levou a um arrefecimento do ímpeto com que o clube avançava. Muitos italianos dirigentes, reservistas na Itália, foram obrigados a partir. A agremiação ficou nas mãos de um pequeno grupo de associados.

Apesar dessas vicissitudes, por empenho de Luiz Cervo e Ernesto Giugliano, palestrinos da primeira hora, a agremiação conseguiu reagir e passar para uma sede melhor, na rua Riachuelo, perto do Largo São Francisco. Além desses dois dirigentes, destacaram-se, por seu devotamento, Ludovico Bachiani e José Roberti, respectivamente presidente e secretário naquele período.

Uma coincidência importante colaborou para que o Palestra Itália conseguisse o seu grande sonho: um lugar no campeonato da Apea, a mais badalada das duas entidades que, na ocasião, regiam o futebol de São Paulo. Estava sendo dissolvida a equipe do Scottish Wanderes, um clube britânico que havia ocupado a vaga do São Paulo Athletic Club no campeonato. A boa vontade de dois dirigentes da Apea, Edgard Nobre de Campos e Rangel Christofle, amainou qualquer possível dificuldade para a admissão do Palestra como representante da colônia italiana.

No Campeonato de 1916, o Palestra pagou o imposto do noviciado e colecionou derrotas. Nenhuma, porém, que lembrasse aquele amistoso beneficente com o Santos. A partir de 1917, a eficiência do clube progrediu. Nesse ano, o clube já estava em uma sede melhor, na rua Líbero Badaró, e mantinha ainda o seu campo na Vila Mariana. Em 1918, o Palestra abandonou o campeonato da Apea, desgostoso com o resultado de um jogo contra o Paulistano. Retornou, porém, meses depois, atendendo a pedidos das demais entidades.

Faltava um estádio à altura do prestígio adquirido em tão pouco tempo. O Parque Antarctica era propriedade da Cia Antarctica Paulista e, já em 1902, fora local do primeiro jogo entre o Mackenzie e o Germania. O estádio, que ia da avenida Antarctica até a avenida Pompéia de um lado e da avenida Água Branca (hoje Francisco Matarazzo) à rua Turiassu do outro, era utilizado para treinos e jogos de futebol e de outras modalidades. Aquele espaço era um teatro permanente de importantes acontecimentos esportivos. Em 1916, a Cia Antarctica Paulista fez um contrato de locação amplo de todas as instalações com o SC Germania, com vigência até 1921.

Entretanto, a Primeira Guerra Mundial veio interferir nesse contrato. Todas as agremiações de origem alemã foram alvo de grandes “pressões” e o Germania foi obrigado a renunciar a um compromisso ainda em vigência, situação da qual se aproveitou o Palestra Itália para adquirir o Parque Antarctica, saindo assim das precárias instalações conhecidas por “Barradão”, na rua Major Maragliano, na Vila Mariana.

A assinatura do contrato de compra ocorreu no dia 26 de abril de 1920. Firmaram o documento, representando a Societá Sportiva Palestra Itália, seu presidente, Menoti Falchi, o secretário geral, Eurico Belli, e o tesoureiro em exercício, Luiz Izzo.

A história do esporte reservou a Menotti Falchi um lugar muito especial: graças a esse empresário (era proprietário dos Chocolates Falchi), dois grandes clubes chegaram a possuir um respeitável patrimônio: o Esperia, que ele presidiu em 1903, e o Palestra Itália. O Parque Antarctica custou 500 contos de réis, com metade daquela quantia de entrada e o restante em duas prestações de 125 contos de réis, uma com vencimento em dezembro de 1921 e a outra em dezembro de 1922. Era garantida ainda a exclusividade de comercialização dos produtos da Antarctica naquele local.

Nada mais importante para a consolidação de qualquer agremiação esportiva do que a posse de um patrimônio, principalmente um estádio e uma sede social. Os dirigentes palestrinos, com a aquisição do imóvel, garantiram a perpetuidade do clube, pois uma propriedade patrimonial resiste às vicissitudes e às tormentas dos resultados negativos do gramado.

O ano de 1920 ficou histórico para o Palestra, pois, além do estádio, o clube  conquistou seu primeiro título. A decisão se realizou no campo da Associação Atlética Palmeiras, na Chácara Floresta, onde hoje fica a pista de atletismo do Clube de Regatas Tietê. A final foi contra o Paulistano, o grande rival dos três últimos campeonatos, em 19 de dezembro de 1920, e o jogo terminou 2 a 1.

A partir desses sucessos, o Palestra colocou-se entre os maiores esquadrões do futebol paulista, conquistando o vice-campeonato em 1921, 1922 e 1923 e voltando a vencer em 1926, proeza repetida em 1927.

Os anos de 1932, 1933 e 1934 foram especialmente gloriosos – obteve o primeiro tri de sua história. EM 1936, venceu mais uma vez.

Em 1942, quando o Brasil, abandonando a neutralidade dos três primeiros anos, entrou na Segunda Guerra Mundial, surgiram problemas para os clubes de origem japonesa, alemã e italiana. A declaração formal de guerra ocorreu em 22 de agosto de 1942 e o tradicional Palestra Itália foi obrigado a trocar subitamente de nome. Em 14 de setembro de 1942, menos de um mês depois, o time entrava em campo para a partida decisiva do campeonato paulista com o nome de Palmeiras. O Palestra despediu-se com a vitória, legando o título para um Palmeiras que nascia campeão.

Como todas as agremiações integradas pelas colônias alemã e italiana, a Sociedade Esportiva Palmeiras atravessou momentos de grandes riscos. O patrimônio desses clubes despertava grande cobiça. Contribuiu muito para a solução específica do caso da Sociedade Esportiva Palmeiras a ativa participação de Adalberto Mendes, um oficial do Exército que posteriormente atingiu o generalato. Ele não só preservou o clube, como, naquele jogo histórico de 14 de setembro, entrou em campo à frente da equipe com a bandeira do Brasil, demonstrando publicamente que, com o passar dos anos, aquela agremiação tinha se transformado em uma entidade antes de tudo brasileira. O Palestra, desde abril daquele ano, não usava mais o vermelho no seu uniforme: seis meses antes já era alviverde.

Se houve muitas glórias com o nome do Palestra Itália, elas se multiplicaram com a denominação de Palmeiras. A partir de então, passou a colecionar títulos e alcunhas, pelos quais é hoje ainda chamado e reconhecido por sua numerosa torcida, hoje multirracial. Foi campeão em 1941 e o feito repetiu-se em 1949.

Nesses anos todos, tem sido o berço de grandes nomes da história do futebol, como Junqueira, Ademir da Gruia e Waldemar Fiume, transformados em estátuas no Parque Antarctica. Entre as alcunhas famosas, destaca-se a de “Campeão das Cinco Coroas” em 1950/51 e, em 1960, a de “Academia”.

Embora este livro enfoque os primeiros cinquenta anos do esporte paulista, não custa resumir toda a glória esmeraldina:

  • Uma vitória na Libertadores da América;
  • Quatro títulos de campeão brasileiro;
  • Vinte e uma vezes campeão paulista;
  • Inúmeros títulos e troféus internacionais,      documentados por uma galeria que deveria fazer parte do roteiro turístico      de São Paulo.

Um clube, porém, como dissemos, não é feito só de títulos, mas também de patrimônio; nesse particular, aconteceram fatos que engrandeceram na mesma proporção que as vitórias em campo. Foram gols marcados por dirigentes que plantaram para o futuro. Essas melhorias no estádio de futebol começaram a ser feitas logo após a aquisição do Parque Antarctica, em 1920. Tudo ocorreu gradativamente.

Em 1933, na gestão de Dante Delmanto, um dos principais advogados da época, uma parte das arquibancadas do estádio tinha sido erguida em concreto. Uma outra grande reforma, ocorrida em 1964, na gestão de Delfino Fachina, deu ao estádio também o nome de “Jardim Suspenso”, aumentando a sua capacidade para receber espectadores.

Outro marco na evolução do Palmeiras foi a construção da piscina, em 1955, na primeira gestão de Paschoal Walter Byron Giuliano. Acompanhamos os detalhes dessa obra como jornalista, com reportagens frequentes solicitadas por dois palmeirenses dedicados: José Capobianco e Oswaldo Caviglia. A natureza do terreno não permitia a utilização de maquinário moderno. As escavações foram feitas “na antiga”, ainda com caçambas e burros.

Cobrimos a festa inaugural desta piscina. A família de Ermelindo Matarazzo paraninfou o ato e Giugliano, com o sorriso de orelha a orelha que o caracterizava, foi jogado, de roupa e tudo, na piscina, que iria mudar completamente o perfil do clube. Zezinho Capobianco e Caviglia, trabalhando mineiramente em silêncio, conseguiram que logo depois, em 1960, fosse inaugurado o Ginásio de Esportes, teatro de grandes acontecimentos, palco da fama de Oscar Schmidt na primeira gestão de Delfino Fachina, que durou 12 anos.

O clube, que praticava a modalidade de tênis desde 1937, atualmente possui um conjunto de 14 quadras e instalações complementares tão luxuosas que receberam o nome de “Palácio do Tênis”. Em 1963, sob a presidência de Delfino Fachina, foi adquirida uma área de 455 mil metros quadrados na margem da represa Guarapiranga. Ali, além de arruamentos urbanizados, existem sede social, piscinas, quadra de basquete, vôlei e futsal, playground e instalações para a prática de esportes náuticos.

Em 1991, na administração de Carlos Fachina, foi inaugurada a Academia de Futebol, um conjunto de três campos de treinamento, arquibancadas para duas mil pessoas, ginásio e muitas outras instalações numa área cedida em comodato pela Prefeitura Municipal de São Paulo, ocupando 500 mil metros quadrados na rua Marquês de São Vicente, ao lado do Parque Antarctica, no próprio bairro da Água Branca.

O Palestra, um clube distante do rio Tietê, não poderia deixar de integrar essa relação de agremiações de colônia que se tornaram brasileiras de corpo e alma, um clube da “terra nostra” que se tornou da “nossa terra”.

 

 

Panathlon comemora o centenário do Palmeiras

Divulgação

Divulgação

A Sociedade Esportiva Palmeiras será homenageada no dia 16 deste mês de outubro pelo Panathlon Club São Paulo, que dedicará todo o seu próximo convívio para comemorar um século de fundação do clube alviverde.

Desde o ano de 2000, o Panathlon Club São Paulo homenageia com a outorga de um diploma as entidades que completam 100 anos de existência, contribuindo dessa forma para o crescimento e a difusão do esporte do Estado de São Paulo.

Todos estes clubes juntos formam a “Ordem das Entidades Centenárias”, à qual a SE Palmeiras, sucessora do Palestra Itália, será incorporada.

Até a presente data e por ordem cronológica passaram a integrar a “Ordem” as seguintes entidades: Clube Esperia, Esporte Clube Pinheiros, São Paulo Athletic Club (Clube dos Ingleses), Clube Atlético Paulistano, São Paulo Golf Club, Mackenzie College, Federação Paulista de Futebol, Clube Atlético Ypiranga, Clube de Regatas Tietê, Escola de Educação Física da Polícia Militar de São Paulo, Sport Club Corinthians Paulista, Associação Cristã de Moços, Associação Atlética São Paulo e agora a Sociedade Esportiva Palmeiras.

A comemoração ocorrerá no restaurante do Clube Esperia e, além das figuras mais expressivas da direção palmeirense, contará também com dirigentes de federações estaduais e, obviamente, com representantes dos integrantes da “Ordem das Entidades Centenários”. Acreditamos que na solenidade contaremos também com o apoio da crônica esportiva.

Este Blog pretende, até o próximo dia 16, publicar um histórico do glorioso clube alviverde.

Pedro Barros Silva

Nosso blog recebeu, por intermédio do seu amigo e leitor Alberto Murray Neto (neto do Major Sylvio de Magalhães Padilha), a infausta notícia do falecimento de Pedro Barros Silva, um grande esportista da “velha guarda”.

Nós não podemos deixar de avaliar o texto de Alberto como uma descrição completa da obra do grande dirigente que realmente foi Barrinhos.

Esta é a razão pela qual estamos cedendo o espaço da coluna deste fim de semana ao texto publicado no Blog do familiar de Padilha, para que um número maior de esportistas dele tomem conhecimento.

 

“Soube hoje, neste 24 de setembro, que no dia 29 de agosto morreu o professor Pedro Barros Silva. Atleta exemplar, foi jogador de basquete e graduou-se em Educação Física. Foi professor universitário e fez parte de uma geração de professores de educação física que fincaram as bases do esporte educacional no Estado de São Paulo.

Foi um dos mais importantes colaboradores do meu avô no Departamento de Esportes e Educação Física do Estado de São Paulo, o D.E.F.E. e no Comitê Olímpico Brasileiro. Um de seus amigos mais próximos.

Ajudou a criar e organizar as mais importantes competições de base em São Paulo, como Jogos Abertos do Interior, Jogos Regionais, Campeonatos Colegiais e tantos outros torneios cujo objetivo era massificar e democratizar a prática do esporte nas escolas públicas. Tinha a visão de que o esporte é, antes de tudo, elemento de educação e saúde. Ajudou a levar o esporte para a escola pública, quando isso sequer existia no Brasil.

No Comitê Olímpico Brasileiro – COB – também foi um colaborador muito próximo ao meu avô, com atuações marcantes. Foi Chefe e Sub-Chefe de várias missões brasileiras a certames olímpicos, panamericanos e sulamericanos e membro do Conselho Fiscal. Serviu ao Comitê Olímpico Brasileiro por muitos anos, sempre com competência e dedicação, sem qualquer interesse financeiro.

Integrou a Comissão Organizadora dos Jogos Panamericanos em São Paulo, em 1.963, tendo papel preponderante na realização daquela competição, considerada um sucesso e cujo legado para a Cidade se vê até hoje, um evento em que se gastou quase nada de dinheiro público.

Recentemente, a produção que fez o documentário sobre a vida do meu avô quis entrevistar o Professor Barros, para ter seu depoimento no filme, já que sempre trabalharam tão próximos. Mas àquela altura a família dele disse que já não reunia condições de dar entrevistas. Ficava muito emocionado. A última grande entrevista que me lembro do Professor Barros foi dada ao Jornalista Edgar Alves, à Folha de São Paulo, pouco antes dos Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro, em 2007.

O Barros fez parte de uma geração de Professores de Educação Física que entrou para história do esporte de São Paulo e do Brasil. Foram os precurssores da organização da prática esportiva nas escolas e da regulamentação da atividade do professor de educação física.

O Comitê Olímpico do Brasil, que tem o dever de manter viva a memória do nosso esporte, deve render ao Professor Barros as maiores homenagens.

Barros fez parte de uma época em que o esporte era coisa de gentlemen.”

Alberto Murray Neto

 

Quem foi Chico Piscina

Foto: Arquivo

Foto: Arquivo

Um dos certames de maior tradição da aquática nacional é o “Chico Piscina”, realizado desde o ano de 1968, na cidade de Mococa.

Inicialmente era um torneio de características singelas, mas foi aos poucos se ampliando, até nos últimos anos ganhar foros internacionais e ser respeitado inclusive no exterior.

Mas, afinal, quem foi este “Chico Piscina”, tão reverenciado por todos?

Ele era mocoquense, passou algum tempo em São Paulo na década de 30 do último século, quando frequentava a Associação Athletica São Paulo e afeiçoou-se pelos esportes aquáticos.

Cessada a razão de sua permanência na Capital do Estado, ele retornou à sua cidade, levando o desejo de construir uma piscina numa época em que a cidade de São Paulo não tinha mais de meia dúzia delas.

Desta piscina nasceu a Associação Atlética Mocoquense, que já deu grandes nadadores ao esporte de São Paulo, como Maria de Lourdes Caixeta e a melhor equipe de natação infanto-juvenil do Estado. Graças a Chico Piscina, Mococa entrou para a história da natação.

Eu vim a conhecê-lo no dia 1º de setembro de 1978 (puxa, quantos fatos importantes são comemorados em 1º de setembro, inclusive o Dia da Educação Física). Fui àquela cidade para presidir a fundação do Panathlon Club Mococa, o 5º clube do Brasil e o de nº 164 na comunidade internacional. Chico Piscina tornou-se panathleta atuante até que, anos mais tarde, contristado, soube do seu falecimento.

Naturalmente tive de ir a Mococa para as suas exéquias. Fiquei emocionado quando no velório vi na lapela do paletó de um dos maiores benfeitores da história do esporte o distintivo do Panathlon. Nessa viagem de São Paulo a Mococa também dei carona para Coaracy Gentil Nunes, desde então presidente da Confederação Brasileira de Esportes Aquáticos.

Trinta e três anos depois continuo me lembrando de um grande homem na história da natação nacional.

 

O vértice começa na base

blog_nicoliniTeve início nesta terça-feira a fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa, importantíssimo evento de futebol mundial.

Tanto a Folha quanto o Estadão, dando destaque a este acontecimento, fizeram um levantamento do amplo interesse sobre a elevada presença de brasileiros e sul-americanos nas equipes classificadas para disputar o mega torneio.

A Folha deu uma página completa dos 32 times que estão competindo em um torneio cujo campeão receberá 37,4 milhões de euros. Este levantamento continha o nome do time, o país a que ele pertence, títulos que já conseguiu, o nome e a nacionalidade do técnico e o principal destaque americano que defende o clube.

Analisando as informações dos 32 disputantes, nós verificamos que apenas 4 times não possuem estrangeiros. O destaque é o Brasil, cujos jogadores estão escalados por 26 dos 32 clubes. Dos que sobram, 4 são da Argentina, 2 do Chile e 2 da Colômbia.

O Estadão abordou o assunto pelo ponto exclusivamente quantitativo, pois em muitas equipes participando deste prestigioso certame europeu pode haver mais de um brasileiro.  Dessa forma, verifica-se que existem 75 jogadores do Brasil participando do torneio máximo da Liga dos Campeões Europeus.

  • Shakhtar Donetsk (Ucrania) – 13 brasileiros
  • Benfica (Portugal) – 8 brasileiros
  • Paris Saint-Germain (França) e Porto (Portugal) – 5 brasileiros cada
  • Barcelona (Espanha), Apoel (Chipre), Chelsea (Gra-Bretanha), Lodogorets (Bulgária) – 4 jogadores cada
  • Sporting (Portugal) – 3 jogadores
  • Real Madrid (Espanha), Bayern de Munique (Alemanha), Liverpool (Grã-Bretanha), Roma (Itália), Manchester City (Grã-Bretanha), CSKA (Russia), Monaco (Principado de Monaco), Galatasaray (Turquia) – 2 jogadores cada
  • Atlético de Madrid (Espanha), Juventus (Itália), Maribor (Eslovenia), Malmo (Suécia), Zenit (Rússia), Shalke 04 (Alemanha), Olympiacos (Grécia), Bayer Leverkusen (Alemanha), Anderlecht (Bélgica) – 1 jogador cada

Os números que a Liga dos Campeões da Europa apresentam mostram que até o 7 a 1 da Copa do Mundo não arrasou o prestígio do futebol brasileiro no exterior. Se somarmos os jogadores brasileiros dos clubes europeus que não estão neste grande torneio da Liga Europeia e se contarmos também os brasileiros que estão em times de outros continentes, chegamos à conclusão que ultrapassam vários milhares os jogadores que recebem em moedas de outros países.

Seria plausível o torcedor brasileiro lamentar a falta de tantos grandes craques nos campeonatos locais. O nosso futebol poderia melhorar extraordinariamente se esta exportação incrementasse as várias divisões do futebol local, decuplicando o número de “pratas da casa”, que assim proporcionariam partidas de alto teor. Repetimos mais uma vez a batida frase deste nosso Blog: “Na pirâmide do esporte a altura do vértice técnico, do pódio, depende diretamente da base quantitativa”.

Temos em nosso país 5570 municípios, grande parte com condições de ter uma liga própria de futebol. A esta pesquisa de valores esportivos podemos acrescentar talentos até o futebol feminino que possui um currículo internacional invejável.

Esta capilaridade esportiva nacional não precisa ser exclusiva do futebol. Considerando-se que estamos a dois anos da abertura dos Jogos Olímpicos no Brasil, o mesmo princípio se aplica a mais de trinta modalidades olímpicas e a outras não olímpicas. Este conceito pode ser avaliado pelo número de medalhas ou boas classificações olímpicas, destaques do Brasil em certames sul-americanos, pan-americanos, campeonatos mundiais de várias categorias e faixas etárias.

Os que não nasceram para a “performance” poderão praticar o esporte para o lazer, para a saúde e para o cultivo da amizade. São eles também os que encherão os estádios como expectadores.

Uma política como esta em favor do esporte vai tirar da população o álcool, as drogas e sanear a idoneidade preconizada pelo esporte. Já estamos no momento de educar o nosso povo com a atividade na escola, nos centros municipais e, naturalmente, incentivando e aperfeiçoando a população em todos os graus de ensino.

Na Europa o trabalho já está rumando na direção da difusão. Esta também é a receita para o nosso país.

O esporte tornou-se exemplo

Foto: AFP

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Diversas vezes contei neste Blog o desânimo que me causa a leitura dos jornais pela manhã. É uma sequência tão grande de más notícias. Não há uma boa qualquer que seja, tanto na área da regência da nossa economia, como na pouca idoneidade dos políticos no controle dos recursos públicos e no aumento da enorme criminalidade.
O ânimo para continuar vivendo o resto do dia esvai-se e é substituído pelo pessimismo. Isto, sem dúvida, também desanima a autoestima coletiva.

A página de esportes de hoje, porém, trouxe um sentimento completamente oposto ao que era normal há uma década. Acreditamos que dificilmente na história da nossa atividade esportiva tivemos num único dia tantas e tão significativas vitórias:

1) Na sequência do Campeonato Mundial de Basquetebol, em jogo efetuado em Madri, vencemos a Argentina, nossa algoz dos dois últimos confrontos, por uma diferença de 20 pontos (85 a 65). Nosso time teve uma atuação maravilhosa, com destaque especial para Raulzinho, Anderson e Varejão.

2) Após alguns anos o nosso piloto Felipe Massa liberou-se da má sorte e subiu ao pódio no grande prêmio da Itália. Nossa bandeira galgou a haste do triunfo e ele entrou na guerra do champanhe, molhando os principais adversários, sobrando um fundinho da garrafa para um gole que nunca esteve tão delicioso.

3) O Futsal cresceu em prestígio, lotando o Estádio Mané Garrincha (sim, o da Copa do Mundo de Futebol), com um público de 55 mil espectadores. Além do recorde de público, houve a glória do retorno do craque Falcão, maior jogador de futebol de salão de todos os tempos. Com o resultado da partida (4 a 1) surramos mais uma vez os argentinos.

4) No Campeonato Mundial de Voleibol Masculino, que está sendo realizado na Polônia, o time do Brasil, jogando na cidade de Katowice, venceu Cuba, tradicional adversário, no último jogo da primeira fase.
O Brasil perdeu o 1º set por 25 a 23, mas venceu os três seguintes (25 a 23, 25 a 18, 25 a 17).
Agora, com adversários mais fortes, nosso país será protagonista de um evento sensacional.

5) Também há 15 dias a equipe brasileira feminina de voleibol venceu pela 10º vez o Grand Prix realizado no Japão, com 13 vitórias e apenas uma derrota.

Esperamos que a mudança de rumo do nosso esporte e a sequência de triunfos brasileiros irão apagar a derrota dos 7 a 1 do Mundial contra a Alemanha e sejam um estímulo para que possamos superar a fase vergonhosa e desanimadora exposta no início deste artigo. Se o esporte consegue, por que a administração, economistas e governo não conseguem também?

O esporte é o exemplo!

O exemplo de um jovem

Foi uma sugestão de meu amigo Georgios Hatzidakis, presidente do Panathlon Club São Paulo, que me fez tomar conhecimento de um fato que me emocionou pelo seu conteúdo humano e que foi divulgado através das redes sociais.

O acontecimento teve por protagonista um jovem que, ao assumir uma atitude de tamanha grandeza, levou um descrente do futuro a acreditar no porvir de nossa pátria.

O jovem esgrimista Guilherme Murray, graças ao seu talento técnico, foi escalado para defender o Brasil nas provas de florete e espada, no Campeonato Pan-americano de Esgrima realizado na última semana de agosto. Ele, com apenas 12 anos, nas disputas de que participou estava 2 anos abaixo da idade dos demais concorrentes exigida pelo regulamento.

No último dia 21 de agosto, Guilherme poderia estar entre os oito melhores da América em sua categoria. Durante a partida, o árbitro havia dado um “toque” a seu favor. Ele, porém, avisou o árbitro que o mesmo estava enganado e que o adversário havia tocado antes. Com isso perdeu a disputa por 10 a 9 pontos e não continuou no Pan-americano.

Este gesto de alta estirpe ética deve ser herança de seu pai, o esportista Alberto Murray, que sempre que pode, por todas as vias de comunicação, continua escrevendo contra as mazelas do nosso esporte, acusando as inidoneidades frequentes das confederações, a corrupção dos dirigentes de entidades particulares e governamentais.

Esta valorização da correção não vem somente de seu pai. Vem de sua avó Sonia e de seu bisavô, o grande Sylvio de Magalhães Padilha. Enquanto viveu o Major também foi impoluto moralmente nas funções de dirigente e campeão nas pistas.

Padilha deixou uma obra que resiste até a atualidade. Estimulou o esporte no Interior do Estado e foi dirigente das delegações do Brasil em competições realizadas no nosso país e no exterior. Foi um grande amigo pessoal do autor destas linhas. O comportamento decente e o êxito dos atletas do Brasil (ainda mais no clima de Jogos Olímpicos em que vive hoje o nosso país) era o seu ideal.

Se a conduta do bisneto de Padilha fosse acolhida por toda a juventude e a nossa população, haveria mais medalhas para contar a nossa história olímpica.

Este nosso blog lança um apelo:

“Que cada um veja em Guilherme um herói”.

 

Blatter com a razão

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Nos dois meses que se seguiram às derrotas desmoralizantes do Brasil, os jornais saíram plenos de notícias que procuraram explicar os resultados de 7 a 1 contra a Alemanha e 4 a 0 frente a Holanda.

Assuntos como nossa tática em campo, ou a competência e a liderança do técnico Luiz Felipe Scolari dominaram a mídia quase toda, direcionada para comparações entre o futebol do Brasil e o da Europa. Todos os textos eram escritos em busca de uma justificativa pouco lógica.

Na Europa, o tema também ainda não morreu – o pós Copa perdura até hoje, embora no Brasil a divulgação dos Jogos Olímpicos comece a ganhar espaço que justamente merece.

Numa coletiva dada em sua cidade natal – Ulrichen, interior da Suíça – na última semana, Blatter aproveitou para criticar Havelange, deixando para seu antecessor na presidência da FIFA a responsabilidade do fracasso nacional em 2014, afirmando que ele não havia praticado ações necessárias para estimular a base do futebol brasileiro enquanto era presidente da CBF.

Pelo visto Blatter concorda pessoalmente com uma frase, repetida à fartura nesta coluna, dizendo que “o vértice qualitativo só pode ser atingido se houver uma base quantitativa correspondente”.

Este conceito faz com que a maioria dos talentos do esporte de um país sejam correspondentes ao trato e ao número de praticantes de uma modalidade esportiva.

Dentro deste princípio que defender quantidade e trabalho, é fundamental também o preparo dos valores descobertos por técnicos de alto gabarito, uma estrutura que varia de acordo com o nível cultural da nação.

Neste 2014, o número da população total dos 32 países que disputaram a Copa do Mundo é de 1.841.530. Só o Brasil possui 200 milhões, isto é, 20% do total do número acima.

Até países com população muito baixa conseguiram classificação para o Mundial, como o Uruguai com 3,39 milhões, Portugal com 10,5 milhões, Honduras com 7,9 milhões, Costa Rica com 4,8 milhões, Grécia com 11,2 milhões etc.

Isto mostra que os jogadores de cada uma das nações participantes foram testados com grande critério e muito bem treinados antes de integrar a seleção de seus países.

 

Vejam o número de habitantes dos países que integraram a Copa de 2014:

em   milhões

EUA

313

BRASIL

200

NIGÉRIA

168,8

RÚSSIA

143,5

JAPÃO

127,6

MÉXICO

120,8

ALEMANHA

81,89

IRÃ

76,42

FRANÇA

65,7

ITÁLIA

60,92

INGLATERRA

53,01

CORÉIA DO SUL

50

COLÔMBIA

47,7

ESPANHA

47,27

ARGENTINA

41,09

ARGÉLIA

38,48

GANA

25,37

AUSTRÁLIA

22,68

CAMARÕES

21,7

COSTA DO MARFIM

19,84

CHILE

17,46

HOLANDA

16,77

EQUADOR

15,49

GRÉCIA

11,28

BÉLGICA

11,14

PORTUGAL

10,53

SUIÇA

8

HONDURAS

7,93

COSTA RICA

4,8

CROÁCIA

4,26

BÓSNIA

3,83

URUGUAI

3,39

 

A CONSULTA DE SANTINI

Giacomo Santini, presidente do Panathlon International, um amigo residente na Itália, mandou-nos 10 perguntas querendo saber detalhes da realidade brasileira. Em uma delas, ele perguntou se todos os jovens brasileiros tinham oportunidade de se afirmar no futebol, ou somente os filhos dos ricos podem frequentar os grandes clubes para tornar-se campeões.

Em outra consulta demandou se os habitantes das favelas “também” jogavam futebol.

É interessante que este desconhecimento sobre a procedência dos nossos jogadores e seu “comportamento” em campo seja o oposto de sua expectativa.

No período pré Copa, o noticiário preocupou-se justamente em apresentar os nomes dos escolhidos para a nossa seleção, mostrando que a maioria provinha de pequenos clubes, de locais quase anônimos, com escolaridade deficiente e vivendo com baixo estipêndio enquanto eles não desenvolviam plenamente suas aptidões.

O grande plano para o esporte do Brasil é desenvolver ao limite a prática de todas as modalidades esportivas, inclusive as não olímpicas, cuidando concomitantemente da escolaridade de cada participante.

Esta “peneirada” aproveitaria a população escolar de todos os graus, os frequentadores dos centros de Educação Física, do esporte varzeano e da periferia, e não só o das capitais e grandes centros urbanos.

 

KANICHI SATO

Esta teoria foi preconizada antes da metade do século passado por Kanichi Sato, um agrônomo imigrante do Japão, que foi convidado nos anos 30 para ser técnico de natação no Clube Esperia. O presidente do Esperia da época era João De Lorenzo.

Na ampla visão desses pioneiros, o objetivo não era o pódio olímpico ou a vitória em torneios importantes, como os campeonatos brasileiros, sul-americanos, mundiais e Jogos Olímpicos.

Os praticantes envolvidos que não demonstrassem condições técnicas de se tornar campeões se beneficiariam nas questões de saúde. O plano de Sato previa também as atuais ações contra a obesidade, um comportamento ético e a prática do fair play da população esportiva, isso tudo em competições de alta participação.

Até núcleos para a especialização de docentes em medicina deveriam ser formados para suprir esta deficiência de profissionais.

O esporte deve figurar na escala de valores da população, ultrapassando a busca do campeão. O direito de não ser campeão deve ser respeitado em favor de outros objetivos.

Estas ideias já foram expressadas no varejo e estão sendo compiladas para o meu próximo livro sobre o assunto. A frase do pouco amado presidente da FIFA está nessa direção para o progresso. Como diz o título desta matéria: “Blatter com a razão”.