Mega eventos e a escola

Divulgação/Prefeitura de Mogi das Cruzes

Divulgação/Prefeitura de Mogi das Cruzes

Quem abre os jornais ou liga a televisão encontra um farto noticiário de críticas ao atual governo. Eu mesmo, em artigo anterior, já me referi a este aluvião, um fato que é desanimador. Todo o ânimo destinado à programação de algum trabalho esvai-se com as notícias de corrupção, ineficiência e descumprimento de prazos.

Nesta segunda-feira tomamos conhecimento de um fato que, desta vez, quebrou a rotina e deu-nos o otimismo necessário para enfrentar o dia.

Estão lançados projetos de incluir o esporte na grade curricular das doze cidades que sediarão os jogos da Copa do Mundo. Não somente o esporte será objeto de ensino. A Geografia, a História e os costumes dos países visitantes ampliam este universo de conhecimento que, certamente, será recebido com grande interesse pelo corpo discente.

Este panorama entusiasmante poderá ser ampliado com as cidades que hospedarão equipes: Ribeirão Preto receberá a França, Cotia a Colômbia, Águas de Lindoia a Costa do Marfim, Guarulhos o Irã, Itu a Rússia e o Japão, Sorocaba a Argélia, Porto Feliz receberá Honduras, Mogi das Cruzes a Bélgica, Campinas a Nicarágua e Portugal, Santos terá o México e a Costa Rica.

Fomos informados que a Secretaria Municipal de Mogi das Cruzes (cidade da família de minha esposa) elaborou um minucioso estudo sobre a Bélgica que já foi incluído na grade escolar. A cidade vai inaugurar uma estátua para aquele país europeu.

Creio que estes atos de cortesia para com estas nações serão retribuídos por visitas dos futebolistas às escolas locais que, através de intérpretes, poderão discursar diretamente para os alunos. Nenhuma equipe de futebol aguentará 24 horas de concentração. O contato com a juventude não deixa de ser um estímulo também para os jogadores.

Se esta perspectiva já é tão entusiasmante, o que dizer da inclusão do estudo dos Jogos Olímpicos em toda a rede nacional de ensino pelo Ministério da Educação em 2015 e 2016? A juventude estaria recebendo noções da história grega, a escala de valores do helenismo e dos filósofos esportistas, a localização geográfica de 200 países participantes numa visão ampla da geografia e da história universal. Estudaria o restabelecimento dos Jogos Olímpicos em 1896, a figura do Barão Pierre de Coubertin, a presença do Brasil desde os Jogos de 1920, em Antuérpia, quando conquistamos nosso primeiro ouro, e a nossa história em um século de participação.

Com esta atitude das autoridades nacionais, os Jogos ampliarão sua importância de uma forma inimaginável, com milhões de cidadãos conhecendo a significação do evento que se realizará pela primeira vez em nosso país (e na América do Sul) cento e vinte anos após o seu restabelecimento pelo Comitê Olímpico Internacional.

Este programa, no Rio de Janeiro, pode incluir atenção, cordialidade e respeito não só para com os mais de 10.000 atletas concorrentes, mas para com os técnicos, dirigentes e principalmente jornalistas, que poderão, em suas informações, até falar bem de nós e melhorar nossa imagem no exterior.

Temos algo de muito construtivo pela frente, não podemos perder esta oportunidade.

Jogos Olímpicos – começar já!

A concentração do interesse da maioria dos habitantes dos cinco continentes na Copa do Mundo de Futebol tem, de certa forma, prejudicado a expectativa pelos Jogos Olímpicos, que também serão sediados pelo nosso país.

O tempo destinado aos preparativos daquele evento poliesportivo está sendo consumido com as obras e a organização do mundial futebolístico, sobrando muito pouca disponibilidade das autoridades, recursos públicos e privados em obras de infraestrutura para que realizemos um certame olímpico à altura dos efetuados na Grécia, China ou na Grã-Bretanha. A exposição na mídia, fundamental para o êxito de um mega evento, também está com nítida preferência direcionada para o torneio da FIFA.

Quando a Copa terminar e terminarmos de arrumar a casa, estarão faltando apenas dois anos para se organizar os Jogos Olímpicos, indiscutivelmente muito maiores e mais abrangentes que o certame deste ano. Enquanto do certame de futebol participam 32 países, no torneio de 2016 teremos duas centenas. Em vez de uma única modalidade, teremos a soma de 33, numa saudável diversidade que tem até influência cultural, pela difusão de esportes pouco praticados em nosso país.

Esta é a primeira vez que o Brasil sedia os Jogos Olímpicos desde seu restabelecimento em 1896. Esta competição com raízes gregas tem uma história de três séculos. Tanta amplitude diversifica o interesse dos vários países, em particular, cada qual voltado para as modalidades de que estão participando, indo dos esportes de força, como o levantamento de pesos, até a ginástica artística, dos esportes individuais aos coletivos, dos participantes masculinos aos femininos, que estão concorrendo com quase 50 por cento dos inscritos.

O Brasil está entre os mais cotados ao ouro em diversos esportes, principalmente os coletivos, como voleibol (masculino e feminino), futebol (masculino e feminino), handebol (feminino), vela, futebol de areia (masculino e feminino), além de algumas provas da programação individual.

Mas em uma disputa de Jogos Olímpicos não está no rol das atrações apenas o aspecto competição. Há também o da superação humana. Juntamente com a restauração da tradição grega, o barão Pierre de Coubertin instituiu o lema “Altius, Citius, Fortius” – Mais alto, mais rápido, mais forte. Através de recordes e performances pode-se avaliar o ápice que um ser humano pode atingir em uma prova de corrida, de salto ou de força. É importante verificar os resultados e compará-los com os Jogos anteriores e prognosticar onde podemos chegar.

Dois anos para tudo o que deve ser feito não são nada. Dessa maneira, neste 2014, embora com uma Copa em curso, devemos iniciar os trabalhos para os Jogos Olímpicos. Estes devem também entrar para a ordem do dia. Apesar do “estouro” de todos os orçamentos da Copa do Mundo de Futebol, os primeiros recursos para as arenas e locais de treinamento de 33 modalidades devem começar já.

 

NO PÉ

Olimpíadas

O leitor deve ter observado que nós não utilizamos neste artigo a palavra “Olimpíadas”. Ela não substitui a denominação “Jogos Olímpicos”. Olimpíada é uma unidade de tempo, um termo ligado à cronologia. Corresponde ao período de quatro anos entre um “Jogos Olímpicos” e o seguinte. Nos anos de 1940 e 1944 não houve Jogos Olímpicos, mas contaram como Olimpíadas.

O poder do nosso hino

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Mais de uma vez escrevemos sobre a importância da execução do Hino Nacional no início dos jogos de destaque, não só internacionais como os dos campeonatos nacionais e estaduais. Ela representa uma demonstração de civismo que agrada os espectadores e os telespectadores, um estímulo ao patriotismo.

Nos artigos anteriores, louvamos a iniciativa e lamentamos somente a mudes de alguns jogadores, que nem movem seus lábios naquele momento solene. Este comportamento pode ser fruto do desinteresse do futebolista ou da sua ignorância. Muitos deles nem frequentaram a escola ou tiveram ocasião de aprender a letra que enaltece o grito do Ipiranga. Outros frequentaram uma escola que nem ensinou o hino pátrio aos seus discípulos.

Neste ano especial de 2014, com a Copa do Mundo pela frente, seria o caso de uma recomendação da CBF, de cada federação regional ou ainda dos próprios técnicos para que o hino seja cantado bem alto pelos jogadores. Boca para fora mesmo. Quem não soubesse que aprendesse.

O entusiasmo do canto seria automaticamente transferido para o público das arquibancadas que se transformaria em um orfeão de mais de 60 mil pessoas, despertando em todos o espírito patriótico.

Num momento em que o nosso país estará enfrentando um adversário difícil, na Copa da qual é anfitrião, esta atmosfera tem uma importância decisiva para o resultado da partida.

Além de dar um belo exemplo para duas centenas de países que estarão acompanhando o Campeonato do Mundo por meios eletrônicos em todos os continentes, o canto reverente do hino causará um sentimento patriótico para os brasileiros, o que é muito válido justamente neste momento em que enfrentamos vicissitudes econômicas, além de uma corrupção endêmica, ocasião em que o país sofre mais protestos que aplausos.

Se esta sugestão for compreendida em sua ampla importância, ela poderá resultar na melhoria de nossa imagem no exterior.

Eu gostaria de, juntamente com todos os conterrâneos, poder cantar bem alto a última estrofe que diz:

Pátria Amada Brasil!

A “capilarização” do futebol

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

São Paulo (SP) – Teremos em 2014 a maior temporada do futebol brasileiro e a possibilidade de uma das principais transformações estruturais desta modalidade esportiva em nosso país.

Vários fatos ocorridos recentemente mostram que caminhamos em direção a um fenômeno que foi tema de nossas ultimas colunas e que poderíamos chamar de “capilarização”.

O futebol do Brasil, país de mais de 200 milhões de habitantes e de muitos campeonatos mundiais no seu acervo de conquistas, tem características metropolitanas. As grandes equipes e os grandes jogadores estão concentrados nas capitais estaduais ou cidades interioranas com mais de 500 mil habitantes, caso de Santos, Campinas, Ribeirão Preto e Joinville, por exemplo.

Temos defendido com ardor a tese de que esta modalidade esportiva deve desenvolver-se também em alto nível em cidades menores e de todos os Estados do Brasil.

A mídia deve também contribuir para este objetivo com maior noticiário voltado para agremiações que representam estas comunidades menos populosas e mais distantes dos grandes polos de futebol.
Este fortalecimento da base do futebol já começou nesta direção este ano de 2014 com a Copa São Paulo, que registrou 104 conjuntos de jogadores Sub 20, com grande incidência de equipes provenientes de regiões distantes, ou de clubes poucos conhecidos.

Numerosas localidades de fronteira com times que não frequentam o noticiário jornalístico diário, ganharam a chance de enfrentar o Corinthians e o Flamengo. Na lista que se segue estão alguns exemplos de “cinderelas” que tiveram esta chance para aparecer: Aquidauanense (MT), J.V.Lideral (MA), Rondonópolis (MT), Guaicurus , Real Deodorense, São Mateus (ES), Ji-Paraná(RO), Primavera , Sumaré de São Paulo.

É estimulante para uma equipe e para a própria população de uma pequena cidade o intercâmbio com esquadrões da Divisão “A”, notadamente Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Vasco, Flamengo ou Botafogo, Cruzeiro ou Grêmio. Este intercâmbio aumenta o entusiasmo das torcidas, bem como a arrecadação, o prestígio e a consistência do futebol e nas comunidades envolvidas.

De acordo com informações da CBF, o mesmo principio de capilarização do futebol que existe há anos na Taça São Paulo acontecerá na Copa Brasil, programada entre 12 de março e o fim de novembro. Este evento é conhecido como um caminho mais curto para o Libertadores da América.

Este ano a Confederação está estimulando a realização de partidas das grandes equipes em locais distantes de suas sedes, estabelecendo o contacto de clubes que dificilmente se cruzariam em outros campeonatos. Na primeira rodada, por exemplo, estão programados encontros entre Vilhena e o Palmeiras, o Goianense e o Barueri, o Fluminense e o Horizontino (AM). Este princípio da CBF de fazer os clubes viajar evitará que a Copa Brasil deixe de ser a mesma “mesmice”, apresentando um diferencial de inegáveis vantagens da valorização dos clubes distantes do eixo Rio – São Paulo.

Em outro caminho, nesta mesma direção, caminham os dirigentes do grupo denominado “Bom Senso” que acaba de se pronunciar a favor da interiorização do esporte (ao lado de outros interesses de futebolistas como a pontualidade salarial, o direito a férias e outras ações importantes para a classe que vive do futebol). Os dirigentes deste movimento sentiram a importância do fortalecimento das series C e D do Campeonato Brasileiro. (Detalhes sobre este assunto o leitor encontrará no nosso blog publicado em 07/01/2014).

A própria organização da Copa do Mundo de Futebol, sediada este ano no Brasil, também contribui para a capilarização da modalidade. As 32 melhores equipes da seleção do mundo estarão realizando jogos decisivos distribuídos em cidades que cobrem toda a extensão do território nacional, como Natal, Cuiabá, Porto Alegre, Fortaleza, Belo Horizonte, Salvador, Curitiba e não somente São Paulo, Rio e Brasília.

Cremos que, após 2014, nosso futebol poderá ser diferente e sofrer uma grande evolução especialmente causada por esta capilaridade.

Como consequência, os jogos de todas as categorias poderão ter mais público e divulgação, divulgação esta que ocuparia o espaço que hoje é dedicado aos campeonatos de outros países, o que está superando em transmissão os eventos nacionais.

Talvez o aparecimento de um Neymar em Rondonópolis, Ji-Paraná ou em Sabiá do Maranhão venha a ganhar o espaço resultante desta capilarização. A balança comercial será incrementada com a redução quase que completa da importação de craques e uma grande ampliação da exportação de bons jogadores provenientes desta base quantitativa que ganharia novas vitrines para aparecer. Grandes talentos, anônimos pela ausência de oportunidade, terão chance de se revelar.

Mais uma vez, cabe aqui a máxima que escrevemos em quase todos os artigos de nosso blog: na pirâmide do esporte, a largura da base quantitativa é razão da altura do vértice qualitativo.
Uma quantidade enorme de jogadores precisa de um primeiro degrau para chegar ao vértice.

O Bom Senso do Bom Senso

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

O surgimento da entidade autodenominada Bom Senso não deixa de ter algo de estranho. Ela dá voz aos jogadores na organização do futebol brasileiro, ação de competência das Federações e Confederações. Mesmo com este toque de “estranho no ninho”, foi divulgada na mídia do segundo dia deste 2014 uma posição de extremo Bom Senso da entidade do Bom Senso.

Nas declarações de Paulo André, zagueiro do Corinthians, ele diz que sua principal missão “é expandir as fronteiras para o interior do País, mobilizando os atletas das séries C e D do Brasileiro”. Esta é a melhor maneira de fortalecer o nível técnico das divisões principais.

Um levantamento feito recentemente mostrou que existem 641 clubes nas quatro divisões de âmbito nacional e que somente 15% deles têm atividade o ano inteiro.

A tese do Bom Senso calha com o que temos escrito com grande frequência no nosso blog, dizendo que na pirâmide do esporte a altura do vértice técnico depende da base quantitativa. À medida em que as divisões C e D receberem a divulgação que merecem, o nível de seus jogadores melhorará consideravelmente, contribuindo para que as 1ªs. e 2ªs. divisões também recebam um grande progresso qualitativo mantendo o nosso país como o melhor futebol do mundo. O Brasil nunca vai precisar gastar dólares ou euros com jogadores do exterior. Ao contrário, passará a ser exportador de craques.

Este esforço para o progresso das divisões C e D também terá reflexos no êxito dos Campeonatos das Federações Estaduais. Para as agremiações dos Estados colocarem seus clubes em divisões C e D nacionais, elas terão também que melhorar seus eventos.

A instituição Bom Senso, se for bem sucedida nas metas que se propôs, já estará dando a sua contribuição para que nenhum talento que esteja perdido anonimamente no imenso território nacional deixe de ser descoberto.
O movimento proposto corresponde a uma grande escada cujos degraus nos darão condições para chegar ao título mundial e ao pódio olímpico, isto é, à hegemonia mundial.

Se for conseguido todo o apoio que o pessoal do Bom Senso está buscando, é possível que também se consiga maior arrecadação nos jogos e maior interesse nos contratos do mercado publicitário. Tudo isto representa recursos que evitarão o atraso tão frequente da folha de pagamento dos jogadores. O Bom Senso (instituição) estará ajudando a própria categoria profissional.

NO PÉ

O Bom Senso segundo Descartes

O Bom Senso foi um termo muito bem escolhido pela entidade dos futebolistas. Essa ideia ocupa um lugar histórico na própria filosofia, pois consta da estrutura do “Discurso sobre o Método de Bem Conduzir a Razão”, da obra de René Descartes.
Esse filósofo afirmava, em uma das quatro partes de seu livro, que o “Bom Senso é a base do raciocínio”, e ele é muito bem distribuído (plus bien partagé) entre as pessoas e não há nenhum indivíduo que se queixe de não tê-lo.

“COPINHA”

Já escrevi sobre este assunto há um ano, mas volto a repeti-lo por uma forte convicção. Eu não concordo que a Copa S.Paulo de Futebol Junior seja chamada de “Copinha” por alguns veículos de comunicação. Embora pareça um diminutivo carinhoso, esta denominação não deixa de ser uma diminuição em relação às suas proporções. A Copa S. Pauo reúne 104 equipes em 26 grupos localizados em diversas cidades do nosso Estado. Das 104, uma é do exterior, do Japão. Trata-se de uma verdadeira “Copona” que corresponde à principal atividade futebolística do nosso país em todo o mês de janeiro. Ela envolve todos os estados brasileiros. É uma grande vitrine dos “new faces” da temporada que está para iniciar.
“Copinha” é muito pouco pelo que ela representa para o futebol nacional.

São Silvestre ainda no apogeu!

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Dia 31 tivemos a 89ª edição da Corrida de São Silvestre, uma prova com diversas matizes e que, em cada época, tem apresentado atrações específicas do momento.

No começo dos anos 30, Nestor Gomes era o símbolo da prova e falar neste atleta era falar na São Silvestre. Na metade dos anos 40 (1946), a São Silvestre tornou-se internacional, incorporando entre os primeiros estrangeiros os atletas do Cone Sul: Argentina, Uruguai e Chile. Foi o período de destaque de Oscar Moreira, uruguaio, do chileno Inostroza e do argentino Oswaldo Sanches.

Quando Carlos Joel Nelli convidou Viljo Heino , o maior do mundo e da história do pedestrianismo da época, começou a fase de grande prestigio pela presença dos super nomes. Em um tempo em que ainda predominava o amadorismo olímpico, vieram Emil Zatopek, da Tchecoslováquia, Ken Norris, da Inglaterra, o russo Wladimir Kutz, Franjo Mihalic, da Iugoslávia, e outros tantos que despontavam nas corridas de fundo, como o etíope Abebe Bikila que havia vencido a Maratona dos Jogos Olímpicos de 1960 em Roma.

A organização do evento até então apenas pagava a passagem e a estadia dos participantes, mas com o decurso do tempo os grandes nomes passaram a exigir enormes cachês o que foi recusado pela A Gazeta Esportiva. Este fato deu origem a uma fase em que os atletas africanos passaram a dominar os principais postos no evento, uma vez que eles participavam em busca dos prêmios que as provas ofereciam. A África tornou-se o grande núcleo do pedestrianismo mundial, colocando este ano cinco atletas como primeiro classificados.

Este fato poderia sugerir uma decadência da São Silvestre, como citaram algumas reportagens de outros veículos de comunicação. Ledo engano. Se em cada época a prova tem apresentado uma atração própria, na fase atual temos outras constatações para nos animar e encher o nosso peito: um número nunca visto de disputantes. Mais de 27 mil atletas representa um recorde absoluto de corredores. A presença de atletas voluntários sempre existiu e fez parte da história da prova. Em 1925 eram menos de uma centena. Eles aumentaram com o transcorrer dos anos, todavia chegar à quantidade atual mostra que a S. Silvestre ainda está no seu apogeu. Ela conseguiu reunir atletas provenientes de 41 nações, número de países superior ao das provas do tempo em que correram Zatopek ou Kutz.
Quando se mencionar a prova de 31 de dezembro é para os esportistas brasileiros continuarem tirando o chapéu ela é o símbolo do pedestrianismo mundial .

Corinthians monta fábrica de craques

Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

O objetivo da coluna de hoje é aplaudir o Corinthians por uma decisão extraordinariamente lúcida. O clube alvinegro decidiu construir uma mega estrutura para a divisão de base.

A obra, segundo divulgou o “Estadão” é integrada por três campos para treinamento. Um chega a ter arquibancadas para receber 2000 expectadores. O conjunto tem ainda alojamento para 150 jogadores, restaurantes e um setor administrativo informatizado.

O clube do Parque São Jorge superou nesta área de prospecção de valores os seus concorrentes. Três campos e interesse pelos atletas sub 17 e sub 20 correspondem a uma verdadeira fábrica de craques. Os 36 milhões que o plano custará não chegarão a cobrir o total que poderia ser eventualmente dispendido com a contratação de jogadores já consagrados, vindos de outros clubes ou até do exterior, o que seria lamentável para um país de mais de 200 milhões de habitantes, os quais poderão produzir muitas joias para serem garimpadas para a primeira camada de profissionais.

Se os dirigentes corinthianos complementarem este trabalho providenciando educação de base, e escolaridade para estes jovens, terá feito uma obra de inclusão social que tornará os responsáveis por este programa dignos de aplausos e alta consideração.

Se faltarem recursos para este plano, creio que haverá uma legião de corinthianos que queiram ajudar espontaneamente o clube e os jovens candidatos aos jogos da Série A.

Este movimento massivo também produzirá um excedente de atletas promissores que poderão ser negociados com outros clubes do país e do exterior.

Para o autor destas linhas, esta medida do Corinthians está plenamente de acordo com o livro que está sendo escrito e que terá o título “Esporte: da Base ao Vértice”. Nesta obra, é defendido para todas as modalidades o princípio de que, na pirâmide da atividade esportiva, a altura do vértice técnico depende da base quantitativa.

Seguindo este princípio, o Corinthians igualmente economizaria recursos com contratações externas, pois a promoção dos jovens “feitos em casa” compensaria o custo de jogadores de outras origens sem a necessária dose de amor ao clube que teria a “prata da casa”.

A Copa São Paulo de Futebol Jr., os certames nacionais sub 17, e sub 20 e até o sub 15 serão excelentes vitrines para os futuros valores do nosso futebol demonstrarem talentos. Eles correspondem à escada que, a partir do primeiro degrau, chega aos degraus do pódio olímpico.

Quem poderá dizer que a nossa seleção dos jogos de 2016 não terá um representante deste excelente programa que está sendo planejado.

 

NO PÉ

O entusiasmo com que defendemos este programa poderá ser interpretado com fruto de uma paixão futebolística.

Não é o que ocorre. Com 67 anos de militância na crônica esportiva (sou decano da ACEESP), sou do tempo em que, por razões éticas, um jornalista tinha a obrigação de ser apartidário, não ser cronista torcedor.

Gostaríamos que outros clubes, que igualmente têm uma boa infraestrutura, também aumentassem a produção desta fábrica de craques e assim não tivessem necessidade de importar jogadores do exterior.

Jogador de futebol seria mais um item de nossa pauta de exportações. Este trabalho ajudaria ainda mais a economia do país.

Esporte: antídoto contra o pessimismo

A primeira coisa que eu costumo fazer após despertar é ler o jornal matutino que encontro na minha porta, trazido pontualmente pelo porteiro do meu prédio.

Com aquele exemplar tomo o primeiro banho de desânimo do dia. A manchete é invariavelmente sobre algum fato ruim que aconteceu no dia anterior. Os comentários, os artigos de fundo e o noticiário nacional estão longe de estimular o ânimo da gente para enfrentar mais um dia. São informações sobre as péssimas condições econômicas do nosso país, sobre o crescimento do contrabando, o tráfico de entorpecentes, assaltos e insegurança nas grandes capitais.

Dá um pavor sentir que a insegurança, principalmente nos morros cariocas, seja tema diário no noticiário policial, justamente quando o Brasil está às vésperas de receber os dois maiores eventos do desporto mundial: a Copa de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Como grande parte dos leitores, eu procuro avidamente algum noticiário que eleve o meu astral para encarar o dia que, apesar da minha idade, é muito atribulado.

O recurso é buscar alguma coisa boa nas páginas de esporte que sempre apresentam algo de agradável, embora elas também possam trazer notícias vexatórias, como o atraso das obras das arenas da Copa, os puxões de orelha da FIFA, a lamentável conduta de Ricardo Teixeira na área financeira, a recente briga no jogo realizado em Joinville, ou ainda o tapetão sofrido pela Portuguesa numa decisão política para favorecer o Fluminense. Entretanto, existe naquelas páginas um conteúdo de vitórias que se diferenciam completamente do negativismo das demais do jornal.

Nestes últimos dias, pudemos registrar fatos animadores, alguns dos quais neste final de semana.
O Brasil venceu o Torneio Internacional de Futebol Feminino, realizado em Brasília. O Chile foi o adversário do último jogo mas confirmamos nossa liderança nessa modalidade com uma brilhante exibição e um triunfo por 5×0.

Na Copa das Nações de Futebol de Areia o Brasil venceu na semifinal por goleada o seu tradicional rival o Uruguai e, na final, superou Portugal por 7×4, tornando-se a principal equipe mundial em um evento efetuado em Recife.

Foto: AFP

Foto: AFP

O triunfo, porém, que mais empolgou a torcida brasileira foi a ascensão da modalidade de handebol feminino de nosso país. Vencemos a Dinamarca na semifinal e depois enfrentamos a Sérvia, quando triunfamos por 22×20 e nos sagramos campeões mundiais invictos, com um título que ninguém esperava. Até então, o principal posto obtido por nosso país em um evento internacional nessa modalidade havia sido um quinto lugar.

Também na frente interna aconteceram partidas muito atrativas e de alto nível técnico como as da Super Liga de Voleibol, tanto no setor masculino, mas principalmente no feminino. Todos os jogos com grande público e apresentando espetáculos de enorme entusiasmo.

O Palmeiras venceu o Campeonato Brasileiro da Categoria Sub 20, a maioria dos clubes revelando talentos, grandes promessas para os anos próximos. O certame, realizado em Gravataí, mostrou que cada clube continua sendo uma fábrica de craques.

Também os jogos da Liga Nacional de Basquete têm mostrado equilíbrio entre os concorrentes e partidas que agradam o público, tanto no estádio quanto na TV.

O antídoto antipessimismo está para o brasileiro no esporte.

A expectativa é que este espírito de otimismo prossiga no ano que está para se iniciar. Mais do que nunca, precisamos dele para criar a atmosfera de que tanto necessitamos para obter aplausos e não críticas na mega cobertura de imprensa que o Brasil está por receber. O Mundial de Futebol e as Olimpíadas serão o espelho do nosso país para mais de 200 nações do exterior.

Patriotismo é o remédio

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Contemplamos com grande tristeza o noticiário informando que, comparativamente, o custo da construção dos nossos estádios para a Copa será o mais alto de todo o mundo, fato vergonhoso para o nosso país.

Quando o Brasil conquistou a sede do Mundial e dos Jogos Olímpicos, entusiasmado externamos em vários artigos que o Brasil estava diante de uma excelente oportunidade de melhorar a sua imagem em um âmbito internacional, com decorrências culturais, sociais e, principalmente, econômicas, o que propiciaria o advento de um superávit nas contas externas.

Esperávamos que acontecesse uma onda de patriotismo, no povo, no Governo e nos dirigentes esportivos, superando os nossos males endêmicos de corrupção, sonegação e até o perigo de assaltos a turistas.

Tudo o que eu otimistamente esperava era pura ingenuidade. Embora tenha uma idade avançada, cheguei com uma dose de pureza a acreditar no bom.

Os mega eventos, lamentavelmente, estão se transformando numa fonte de vantagens escusas e corruptas.

O leitor sabe que eu não morro de amores pelo Romário, mas a frase dele está mais do que certa: “Esta Copa vai ser o maior roubo da história deste país”.

Cremos que dificilmente outra nação irá nos superar neste aspecto. A idoneidade, infelizmente, não integra a cultura ou a escala de valores de grande parte de nossos conterrâneos e dos responsáveis pelo governo de nossa nação, que deveria estar, no mínimo, entre as três maiores do mundo.

Se Deus é brasileiro, mais do que nunca precisamos de sua presença em 2014, 2015 e 2016 para salvar a imagem de nossa terra de uma derrocada.

O economista que criou a sigla BRIC para anunciar as principais nações emergentes da economia mundial já acenou com a sua intenção de retirar a letra B, uma verdadeira humilhação para nossa terra num contexto internacional.

A hora é de não considerar o patriotismo um sentimento brega e apoiar o presidente do Supremo Tribunal Federal na sua tarefa moralizadora para podermos dizer no exterior com grande orgulho e cabeça erguida: Sou brasileiro!

 

Rebaixamentos manterão um futebol em alta em 2014

Photocamera

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Quando no futebol abandona-se a avaliação apaixonada do torcedor de cada clube, para se analisar as questões do esporte em si, o quadro varia  diametralmente. O assunto dos dias presentes,  o rebaixamento para a série B de dois grandes e tradicionais clubes cariocas – o Vasco e o Fluminense – enquadra-se como um exemplo da minha afirmação inicial.

Dentro do meu ângulo, este fato não tem nada de calamitoso para aqueles dois clubes. Neste 2013 aconteceu o mesmo com o Palmeiras, agremiação  que, jogando em dias diferentes da divisão A, teve uma exposição na mídia muito maior do que obteria se estivesse atuando em nível mediano na divisão principal, distante dos ponteiros do campeonato. O Palmeiras reforçou o prestígio da série B, obtendo um novo “status” através desta colaboração da imprensa.

A série B de 2014 vai ter, dentro deste aspecto, o seu interesse ampliado. O Vasco e o Fluminense vão jogar com outros clubes e em cidades diferentes da série A, vão ampliar a sua visualização com a incorporação de novos públicos e, certamente, não serão olvidados pela mídia.

É paradoxal, mas quem ganhou com o rebaixamento foi o público, especialmente o carioca, que em vez de um terá dois grandes campeonatos, praticamente do mesmo nível técnico para acompanhar.

Visto deste ângulo, não havia razão de ser o conflito ocorrido em Joinville, com tanta demonstração de violência. Os vascainos e a torcida do Fluminense não vão perder a motivação no próximo campeonato e a luta pelo retorno à divisão principal, como aconteceu este ano com o Palmeiras, é mais uma novidade que vai lotar o Maracanã e outros estádios do país.

Além do Mundial que ocorrerá em 2014, os nossos campeonatos nacionais também vão ajudar a manter o futebol em alta e todo o  mundo vai acompanhar o que estará acontecendo no país do futebol.