O primeiro Mundial de Futebol de Salão

Arquivo Pessoal

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Tivemos o privilégio de organizar o I Campeonato Mundial de Futebol de Salão, em 1982, quando a modalidade não se chamava futsal. Este evento teve a divulgação massiva da A Gazeta Esportiva e transmissão da TV Globo. A entidade responsável por essa modalidade esportiva era a FIFUSA, então presidida pelo brasileiro Januário D’Aléssio. Este evento correspondeu à primeira disputa da modalidade na área internacional. O Brasil foi representado pelo presidente da Confederação Brasileira de Futebol de Salão, o deputado federal Aécio Borba, e principalmente pelo dirigente paulista Vicente Piazza.

O pioneirismo levantou uma série de problemas logísticos, a começar pelo tamanho e peso da bola, problemas esses que foram enfrentados pela organização. Tratava-se de um certame efetuado em uma época em que as regras do jogo divergiam em cada país disputante. Mas as dificuldades acabaram em acordo e nenhuma dúvida veio empanar o grande êxito do torneio que foi disputado por dez nações: Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina, Colômbia, Costa Rica, Tchecoslováquia, Itália, Holanda e Japão.

O certame reuniu grande público em todas as jornadas. Na final, entre Brasil e Paraguai, foram 17 mil espectadores, recorde absoluto de público do Ginásio do Ibirapuera, fato que não poderia ser repetido hoje, pois a lotação naquela época não era limitada pela colocação de cadeiras individuais. Até os corredores de acesso foram ocupados por torcedores. Nem a transmissão da TV ao vivo (com narração de Luciano do Vale) reduziu o número de pessoas presentes. Esta grande afluência aconteceu em duas oportunidades: dia 16 de maio, na abertura, e dia 6 de junho, no encerramento.

Este Mundial não teve patrocinador. As despesas foram cobertas pela bilheteria, pelo merchandising de quadra e pelas cotas de transmissão da TV Globo.

O Brasil venceu este campeonato, que apresentou a seguinte classificação final:

Campeão: Brasil

Vice-campeão: Paraguai

3º Uruguai

4º Colômbia

5º Holanda

6º Argentina

7º Itália

8º Tchecoslováquia

9º Japão

10º Costa Rica

Foram as seguintes as contagens obtidas pela equipe do Brasil:

Brasil 5        x        0 Argentina

Brasil 14      x        0 Costa Rica

Brasil 4        x        1 Tchecoslováquia

Brasil 5        x        1 Uruguai

Brasil 4        x        1 Colômbia

Brasil 1        x        1 Paraguai

Jogaram pela equipe do Brasil: Pança, Barata, Beto, Valmil, Leonel, Paulo César, Paulinho, Branquinho, Cacá, Paulo Bonfim, Jackson, Jorginho, Douglas, Carlos Alberto e Miral.

Houve ainda mais dois campeonatos mundiais, realizados a cada três anos, pela FIFUSA, que encerrou suas atividades em 2004 e logo após foi sucedida pela Associação Mundial de FUTSAL – AMF.

O homem em primeiro plano

Alguns clientes contrataram A Gazeta Esportiva e os serviços de Comunicações Nicolini para ações que não se enquadravam nos objetivos de marketing externo, isto é, o aumento de vendas e a ampliação de sua imagem junto ao público alvo.

Algumas empresas preferem patrocinar eventos para seu público interno, isto é, estabelecer o bom relacionamento com seus servidores e a maior integração entre os vários departamentos que as integram.

O slogan escolhido por um dos clientes que nos contratou (a Alumínios Alcan) resume a finalidade de uma promoção interna: “O homem em primeiro plano”. Nesta área A Gazeta Esportiva e Comunicações Nicolini já atenderam outros clientes como a Editora Abril, Nadir Figueiredo, São Paulo Alpargatas (fábrica de São José dos Campos) e a Philips, nas comemorações de 70 anos de presença no mercado brasileiro. Esta iniciativa da Philips foi tão grande que vai receber uma coluna específica em nosso blog.

Um evento interno foge um pouco das características das promoções voltadas para clientes do mercado externo. Ela apela para a diversificação, não se concentrando exclusivamente nas modalidades óbvias que são o futebol de salão, o voleibol, o basquete e o atletismo. O objetivo é programar atividades menos ortodoxas como dominó, truco, bocha, malha etc. O interesse em ampliar o leque das opções leva também à atividades fora do esporte, como concursos de pintura e desenho, escolha da mais bela funcionária, a festivais de música nos quais se disputa o prêmio de melhor cantor e instrumentista. Cada cliente escolhe a programação que melhor se adapte ao seu objetivo específico.

 

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JOGOS OLÍMPICOS NADIR

Foi o evento com o qual a Nadir Figueiredo comemorou seus 75 anos de fundação. O desfile de abertura foi realizado no Círculo Militar de São Paulo com a presença de 3000 pessoas. Este certame foi disputado nas modalidades de atletismo (masculino e feminino), futebol de campo, futebol de salão (masculino e feminino), sinuca, tranca (masculino e feminino), truco, voleibol (masculino e feminino) e xadrez. Os jogos olímpicos foram considerados como o principal evento das comemorações daquele aniversário.

 

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JOGOS ALCAN DE INTEGRAÇÃO

De acordo com o título, o objetivo dos Jogos Alcan de Integração, promovido pela Alcan Alumínios do Brasil, era a integração dos funcionários de todas as unidades da empresa, localizadas em São Paulo (escritório Central), Via Anchieta (Distribuição), Utinga, Jundiai, Pindamonhangaba, além de Contagem e Ouro Preto (Minas Gerais).

O evento mobilizou o Ginásio Mauro Pinheiro, do Conjunto Constâncio Vaz Guimarães nos dias 15 e 16 de agosto de 1987 e teve repercussão internacional.

 

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SÃO PAULO ALPARGATAS

Em abril e maio de 1985, a São Paulo Alpargatas realizou um evento comemorativo ao Jubileu de Prata (25 anos de fundação) de sua fábrica de São José dos Campos. Ele recebeu a denominação de Olimpíada da Integração e foi disputado nas modalidades de natação, futebol de salão, futebol de campo, pingue-pongue, voleibol, basquetebol, malha, truco, dominó, bilhar e concurso musical.

A iniciativa envolveu 3000 funcionários e o setor contratante do cliente não foi o departamento de marketing, mas o de recursos humanos.

 

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CAIXA ECONÔMICA ESTADUAL

A Caixa Econômica Estadual, através da União de seus Servidores, realizou de 18 a 21 de agosto de 1988, na Colônia de Férias da entidade localizada no Suarão, próximo a Itanhaém, um certame de integração entre seus funcionários.

Participaram representações da Capital, São Caetano do Sul, Araraquara, Bauru, Campinas, Sorocaba, Marília, Ribeirão Preto, Presidente Prudente, São José do Rio Preto, Santos e Taubaté.

O evento constou de um desfile monumental (Gylmar dos Santos Neves acendeu a pira), de disputas de uma prova pedestre (masculina e feminina), bocha, futsal, natação (masculina e feminina), pingue-pongue (masculino e feminino), truco, xadrez (masculino e feminino) e voleibol (masculino e feminino).

Foi a maior realização de caráter interno de toda a história da Caixa Econômica Estadual, hoje incorporada pelo Banco do Brasil.

 

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EDITORA ABRIL

A Editora Abril também fez seu evento interno realizando um festival poliesportivo no Centro Educacional Edson Arantes do Nascimento, na Lapa, estádio que ficava próximo à sede que, na ocasião, era o centro operacional daquela editora. Esse estádio prestava-se ao desfile inaugural que visava integrar todos os funcionários da empresa.

A motivação para a realização de um evento interno de integração foi decorrência de uma outra promoção, voltada para o público infantil, com uma ação efetuada na pista do Ibirapuera. Constou de competições para 3500 crianças e uma demonstração de Educação Física de 600 crianças. A motivação deste evento foi o lançamento de um álbum de figurinhas sobre os Jogos Olímpicos. O espetáculo, filmado pelos integrantes da própria família Civita, teve seu tape apresentado no Congresso Mundial dos Representantes Disney.

 

Ladroeira endêmica

O tema de hoje está interrompendo a série de artigos sobre os 70 anos de jornalismo ativo que estou publicando neste blog. Rendo-me ao assunto que há várias semanas predomina em todos os veículos de comunicação: o da corrupção do futebol mundial e, principalmente, o do Brasil. A repercussão é tão profunda que chega até a tomar o espaço destinado a outra corrupção, a da política e da administração pública.

A razão da interrupção da série é evidenciar que a imoralidade é muito maior em nosso país e não é exclusiva da modalidade do futebol. As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público deveriam encarar o esporte dentro de um contexto mais amplo.

Os custos dos Jogos Pan-americanos, realizados em 2007 no Rio de Janeiro, até hoje causam náuseas em todos os cidadãos que gostariam que a nossa imagem fosse a de uma nação idônea. Continuamos no terceiro mundo devido a esta desonestidade endêmica. De um orçamento inicial de 386 milhões de reais, chegamos aos gastos finais de 3,097 bilhões.

Precisamos também ir fundo em outra questão: o motivo que leva alguns presidentes de confederações nacionais a permanecer décadas em seus quadros. Ser presidente deve ser um bom negócio. É necessário, principalmente neste momento de penúria de nosso país, fiscalizar os recursos destinados aos Jogos Olímpicos do ano que vem.

Deslizes dos gestores da maior competição esportiva do mundo poderão nos levar além do fundo do poço em que já estamos. Se, ao contrário, as verbas forem bem aplicadas em instalações esportivas, infraestrutura urbana, em uma ação policial que contenha a criminalidade do Rio de Janeiro o oposto ocorrerá. A cordialidade do brasileiro e a beleza de nosso país serão ressaltadas por milhões de turistas, milhares de dirigentes e de jornalistas que levarão para os cinco continentes as coisas que temos de bom.

Parece pouco, mas desta fiscalização e demonstração de eficiência depende a saída do nosso país do atoleiro. Nunca as Polícias Federal, Estadual e Municipal, o Ministério Público e a coragem do Judiciário foram tão importantes.

Precisamos terminar com a ladroeira endêmica.

UM EVENTO NO GUINNESS BOOK

Foto: Gazeta Press

Foto: Gazeta Press

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Muitas vezes, além da divulgação de um evento, o cliente de A Gazeta Esportiva necessita de apoio da área de merchandising para tirar maior resultado do investimento na promoção. Nem sempre, porém, os patrocinadores possuem um departamento próprio para produzir peças de merchandising e, mesmo, aproveitar eventos de acordo com os seus objetivos mercadológicos. Para cobrir este espaço, criamos Comunicações Nicolini, uma empresa para implementar os certames que A Gazeta Esportiva comercializava.

Um dos principais clientes neste aspecto foi “Casas Pernambucanas”, cuja atuação voltará a ser abordada, não somente nesta coluna, mas em muitas outras, dada a diversidade de ações patrocinadas por aquela empresa na A Gazeta Esportiva.

Começamos pelo “Revezamento Gigante”, competição aquática agraciada no ano de 1987 pelo “Guinness Book of Records” como o maior do mundo. Trata-se de um revezamento de 50 nadadores, perfazendo o percurso de 50 metros cada um.

Balizamos a piscina do Ibirapuera no sentido lateral, obtendo 18 raias. Foram colocadas também 6 balizas no tanque de saltos, obtendo-se um total de 1200 nadadores, em uma mesma competição.

Em um lado das arquibancadas ficavam os nadadores, que desciam para as pilastras de partida por intermédio de escadas de madeira que foram construídas.

Para um clube completar os 50 nadadores necessários para montar uma equipe, apelava não só para seus campeões, mas também para os infanto-juvenis e veteranos. Como curiosidade, informamos que a prova realizada em 1984 teve a participação de quatro recordistas mundiais: Maria Lenk, José Silvio Fiolo, Manoel dos Santos e Ricardo Prado (foto).

Temos em nosso gabinete de trabalho o certificado do Guinness, confirmando o recorde mundial e complementamos a comprovação com duas fotos panorâmicas, uma das raríssimas vezes em que a piscina, hoje denominada Caio Pompeu de Toledo, esteve repleta.

Uma foto vale mais do que 1.000 palavras. Quatro fotos valem mais do que 4.000 palavras.

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Itaú – o melhor certame colegial até hoje

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Um dos eventos colegiais de mais alto nível até hoje realizado foi o Intercolegial Itaú, disputado em 1985 e 1986.

O certame congregou grande quantidade de estabelecimentos de ensino, predominando os de maior fama em nosso Estado.

A abertura, no Ginásio do Ibirapuera, lotou toda a quadra e parte das arquibancadas com as 3.459 equipes participantes. A sofisticação de sua implementação levou à colocação de mais de 150 metros de flores que formavam um tapete multicolorido.

No cerimonial olímpico inicial, quem hasteou a bandeira nacional foi o fundador do banco, o empresário Herbert Levy, destacado nadador em sua juventude. Na tribuna de honra estava, praticamente, toda a diretoria do Itaú.

Como parte da cerimônia, foi apresentado um show musical, tendo como maior atração Cazuza, então em seu pleno apogeu.

Melhor que qualquer adjetivo para qualificar a quantidade de participantes nas modalidades das diversas categorias integrantes do certame, vejam o quadro abaixo:

 

CATEGORIA A – ATÉ 14 ANOS

Basquetebol          -        271 equipes

Voleibol                -        354 equipes

Handebol              -        175 equipes

Futebol de Salão    -        351 equipes

Futebol de Campo -        316 equipes

Subtotal                -        1467 equipes

CATEGORIA B – ATÉ 16 ANOS

Basquetebol          -        1901 equipes

Voleibol                -        322 equipes

Handebol              -        271 equipes

Futebol de Salão    -        309 equipes

Futebol de Campo -        354 equipes

Subtotal                -        1456 equipes

 

CATEGORIA FEMININA (única) – ATÉ 16 ANOS

Basquetebol          -        84 equipes

Voleibol                -        290 equipes

Handebol              -        156 equipes

Subtotal                -        530 equipes

 

TOTAL GERAL        -        3.453 equipes participantes

 

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Os vencedores do I Intercolegial Itaú foram os mais prestigiados estabelecimentos de ensino da rede particular de São Paulo, como pode ser observado pelo quadro abaixo:

 

Basquetebol (Categoria A)

Campeão: Colégio Anglo-Latino

Vice-campeão: Colégio Pueri Domus

 

Basquetebol (Categoria B)

Campeão: Colégio Tabajara

Vice-campeão: Colégio Campos Salles

 

Basquetebol feminino

Campeão: Colégio Anglo-Latino

Vice-campeão: Colégio Arquidiocesano

 

Futebol de campo (Categoria A)

Campeão: Colégio Campos Salles

Vice-campeão: Colégio Bandeirantes

 

Futebol de campo (Categoria B)

Campeão: Colégio Bilac

Vice-campeão: Colégio Santo Américo

 

Futebol de salão (Categoria A)

Campeão: Colégio Bandeirantes

Vice-campeão: Colégio São Bento

 

Futebol de salão (Categoria B)

Campeão: Colégio Bilac

Vice-campeão: Colégio Rio Branco

 

Handebol (Categoria A)

Campeão: Colégio Santa Cruz

Vice-campeão: Colégio Mackenzie

 

Handebol (Categoria B)

Campeão: Colégio Rio Branco

Vice-campeão: Colégio Santa Cruz

 

Handebol feminino

Campeão: Colégio Santa Cruz

Vice-campeão: Colégio Arquidiocesano

 

Voleibol (Categoria A)

Campeão: Colégio Campos Salles

Vice-campeão: Colégio Arquidiocesano

 

Voleibol (Categoria B)

Campeão: Colégio Tabajara

Vice-campeão: Colégio Campos Salles

 

Voleibol feminino

Campeão: Colégio Singular Monteiro Lobato

Vice-campeão: Colégio Campos Salles

 

Com o mesmo êxito, esta Copa foi repetida em 1986.

500 mil jovens na pista

Caiu uma tempestade em São Paulo numa das finais da Operação Juventude, mas os professores dos participantes pediram que o evento não fosse transferido.

Caiu uma tempestade em São Paulo numa das finais da Operação Juventude, mas os professores dos participantes pediram que o evento não fosse transferido.

Neste balanço dos meus 70 anos de jornalismo talvez seja a Operação Juventude a maior realização dentro da minha vida em A Gazeta Esportiva. Trata-se de um evento que visava dar à juventude uma oportunidade de competir em atletismo pela primeira vez. Uma prospecção de valores em escala quase que inconcebível para o esporte brasileiro.

A Operação Juventude começou em 1973, tendo a Yakult como a primeira patrocinadora de um planejamento inicial, já ousado, de envolver 10.000 estudantes masculinos e femininos, nas faixas etárias mirim (até 15 anos), infantil (até 17 anos) e juvenil (até 19 anos).

Uma competição com o mesmo programa de provas era realizada por escolas, clubes, secretarias municipais de esportes e outras unidades que se candidatassem, por puro voluntarismo, a realizar uma competição e enviar por via postal ou mesmo telefonicamente para A Gazeta Esportiva, que fazia um ranking dos resultados.

As provas do programa constavam de uma corrida, um salto (em extensão) e um arremesso (de peso).

VOLUNTÁRIOS

As provas eram realizadas em pistas, em praias, em ruas e até na praça principal de cada cidade.

Elas eram fruto do espírito esportivo de professores, dirigentes de municípios e de gente de boa vontade. Nada lhes era oferecido além da divulgação. Nem as passagens para a participação nas provas finais que reuniam os 16 melhores resultados técnicos de cada prova programada eram pagas.

Deste sentimento patriótico o Brasil tinha muito que se orgulhar.

 

O RANKING

Numa época em que o computador ainda não estava suficientemente desenvolvido, uma comissão de funcionários de A Gazeta Esportiva, diante dos resultados recebidos, fazia a seleção dos 16 finalistas de cada prova.

Os resultados das eliminatórias eram altamente confiáveis, pois se o deslocamento para a final corria às expensas dos organizadores daquelas provas preliminares, não haveria vantagem nenhuma na adulteração das marcas técnicas obtidas na fase regional. Se os resultados da etapa local fossem discrepantes da final, pegaria mal para o organizador da preliminar. A Operação Juventude era idônea pela própria natureza.

 

A FINAL

Finalistas da categoria Petiz

Finalistas da categoria Petiz.

A final era realizada na pista de atletismo do Centro Olímpico de São Paulo. Era emocionante ver a diversidade de procedência dos finalistas, indicada pela plaqueta de cada grupo desfilante. Nos anos de apogeu da Operação Juventude, viam-se placas de Belém (PA), Brasília (DF), Blumenau (SC), Campo Grande (MT) ou do Rio de Janeiro, além, obviamente, de centenas de atletas do Interior de São Paulo.

A abertura seguia um cerimonial olímpico e a tribuna de honra era prestigiada por autoridades, dirigentes esportivos, grandes ex-atletas e patrocinadores.

A arbitragem ficava por conta da Escola de Educação Física da PM de São Paulo que contribuía também para a solenidade final com a Corporação Militar.

 

ATÉ 500 MIL PARTICIPANTES

Premiação para as equipes mais eficientes.

Premiação para as equipes mais eficientes.

A Operação Juventude começou com a ousada meta de 10.000 participantes, que já foi ultrapassada em sua primeira versão em 1953. Foi obtida a presença de 30.000 concorrentes procedentes de 10 cidades.

Ainda com o patrocínio da Yakult, em 1975, o evento abrangeu 100 competições regionais, envolvendo mais de 250 municípios e mais de 200.000 participações.

Em 1976, o patrocínio do evento passou para a Colgate-Palmolive e ampliou ainda mais o seu âmbito de abrangência, tornando-a praticamente nacional.

A última edição foi em 1978 e constituiu a maior de todas, com 500 mil participantes, tornando a Operação Juventude o maior evento massivo de atletismo da história de nosso país.

Como prêmio, além das medalhas, os vencedores das finais ganhavam uma viagem turística até Foz do Iguaçu.

Terminada a Operação Juventude de 1978, a Maguary retornou à tradição realizando por dois anos este evento em São Paulo e no Paraná.

Até hoje a cidade de Taubaté realiza anualmente a Operação Juventude, que já revelou muitos atletas vencedores dos Jogos Regionais do Vale do Paraíba e Litoral Norte.

Uma verdadeira amizade não termina nem com a morte

Um dos fatos mais marcantes nestas sete décadas de jornal aconteceu no mês de abril de 1955 e teve como figurante Natalino Mastrofrancisco, presidente da Federação Paulista de Remo, modalidade que eu cobria para A Gazeta Esportiva e com o qual sempre mantive boas relações de amizade.

Um dia, no começo daquele mês, atravessando o Largo São Bento em companhia de minha esposa Lillian, no oitavo mês de gestação da nossa terceira filha, encontramos o Natalino.

Na ocasião, Natalino nos contou que ele e sua família eram proprietários de uma fábrica de móveis em São Carlos e prometeu-nos um presente: um berço para o futuro bebê que já tinha nome, embora naquela época não se costumasse usar o ultrassom para verificar o sexo do nascituro.

Uma semana depois recebi a notícia do falecimento do meu amigo presidente da Federação Paulista de Remo. Fiquei consternado com o fato, pois tinha grande estima por ele, que sempre estimulou o esporte náutico.

No final de abril, para minha estupefação, uma caminhonete deixou em minha casa, no Caxingui, um berço no qual estava gravado “Dulce Maria”, nome da minha filha. Um presente de uma pessoa que não mais existia.

Dulce Maria usou aquele berço até a época de cursar o jardim da infância. Hoje ele está em Boituva, sítio de sua propriedade, sendo usado pelos seus netos.

Dessa maneira a amizade a um comandante do esporte náutico ficou perpetuada.

Este fato confirma uma frase que digo com constância: “Uma verdadeira amizade não termina nem com a morte”. O esporte é uma fábrica de amigos.

 

Maior evento de futebol amador do mundo

Acervo/Gazeta Press

Acervo/Gazeta Press

A Gazeta Esportiva entrou na área do patrocínio de eventos pelo futebol amador. O primeiro cliente que conseguimos foi a Brinkman, empresa que possuía grande prestígio na indústria do fumo (naquele tempo não havia restrições ao patrocínio de marcas de cigarro). O primeiro certame foi a Taça Ouro e Prata e os dois seguintes, de âmbito estadual, foram para a marca LS. O sucesso foi tão grande que a final do ano de 1973 (entre “Sete de Setembro”, da Freguesia do Ó, e “Parque da Mooca”) foi realizada no Estádio Municipal do Pacaembu, na preliminar do jogo amistoso entre as seleções do Brasil e da Áustria.

A Cia Souza Cruz, líder de mercado e uma das maiores anunciantes do país, sentiu a concorrência e nos procurou com uma oferta que cobria a do concorrente. Ela decidiu realizar a Copa Arizona, de 1974 a 1980. Sob nossa coordenação geral, eram contratados outros veículos para divulgar as “chaves” de 32 equipes em cada unidade da Copa. A primeira Arizona foi efetuada somente em São Paulo, com 1024 equipes e 20.480 jogadores.

A segunda Arizona, realizada em 1975, já ganhou caráter nacional com a participação de alguns outros Estados do nosso país, envolvendo 2000 equipes e 40.000 jogadores.

Em 1976, a marcha ascendente levou ao registro de 3072 equipes e 61.440 jogadores. Neste ano, o CC Arthur Alvin, num jogo da fase final que sempre se realizava em São Paulo, reuniu no campo do CERET, na Zona Leste, um público de 20000 pessoas.

A fase final reunia o campeão de cada “chave” composta por 32 clubes. Os jogos eram disputados por eliminatória simples. Em caso de empate, a decisão ia para os pênaltis (houve uma partida em que um time ganhou por 19 a 18).

Em 1977, o número de equipes de futebol superou os 4.000. Os campeões da Copa Arizona eram premiados com uma viagem ao exterior, onde enfrentariam os campeões amadores dos países do Cone Sul.

 

RECORDE MUNDIAL – 4667 EQUIPES

O recorde mundial nosso e da A Gazeta Esportiva ocorreu no ano de 1978, com a presença de 4667 times e 83.340 jogadores. Deveríamos ter registrado este acontecimento no Guinness Book of Records, mas esta ideia não nos ocorreu na ocasião.

Para que esta afirmação não seja colocada em dúvida, apresentamos abaixo um detalhamento deste evento, o que vai ultrapassar o espaço normalmente destinado a este Blog. Pelo menos todos terão a certeza de que eu não estou “chutando”. Este é um dos fatos mais importantes dos meus 70 anos de jornalismo.

A divisão das equipes por Estado foi a seguinte:

 

AMAZONAS

2 chaves – 55 equipes

Campeão: Tuna Luza

 

PARÁ

7 chaves – 194 equipes

Campeão: EC Asas – Pedreira (Belém)

 

MARANHÃO

2 chaves – 63 equipes

Campeão: Cruzeiro do Norte EC – São Luiz

 

CEARÁ

6 chaves – 135 equipes

Campeão: Cofeco – Fortaleza

 

PIAUÍ

2 chaves – 42 equipes

Campeão: Construtora Poti

 

RIO GRANDE DO NORTE

2 chaves – 42 equipes

Campeão: AF Enserv de Natal

 

ESPÍRITO SANTO

4 chaves – 117 equipes

Campeão: Bate Bola Mat. Esp. – Vitória

 

PARAÍBA

4 chaves – 96 equipes

Campeão: Renascença FC – Campina Grande

 

PERNAMBUCO

10 chaves – 263 equipes

Campeão: AA de Futebol Vila Rica – Jaboatão

 

DISTRITO FEDERAL

3 chaves – 96 equipes

Campeão: Unidos de Sobradinho

 

GOIÁS

4 chaves – 97 equipes

Campeão: Monte Cristo FC – Goiânia

 

MATO GROSSO

4 chaves – 96 equipes

Campeão: Blocopan EC – Cuiabá

 

MATO GROSSO DO SUL

8 chaves – 206 equipes

Campeão: Sociedade FC – Dourados

 

MINAS GERAIS

20 chaves – 599 equipes – 36 cidades

Com 14 chaves e 432 equipes, Belo Horizonte foi a segunda cidade em número de participantes.

Campeão: Pingo de Ouro FC – Carpina Branca

 

PARANÁ

10 chaves – 293 equipes – 30 cidades

Campeão: AA Monoril – Ponta Grossa

 

RIO DE JANEIRO

10 chaves – 166 equipes – 17 cidades

Campeão: Francisco Xavier – Rio de Janeiro

 

RIO GRANDE SO SUL

19 chaves – 379 equipes – 35 cidades

Terceiro Estado em número de equipes

Campeão: Disul – Porto Alegre

 

SANTA CATARINA

9 chaves – 236 equipes – 35 cidades

Campeão: EC Corinthians – Florianópolis

 

SÃO PAULO

55 chaves – 1513 equipes – 130 cidades

Somente na Capital de São Paulo foram 16 chaves e 480 equipes

Campeão: EC Parque da Mooca

 

AVALIAÇÃO

As 4667 equipes que concorreram somente na primeira rodada geraram 2330 jogos. Se avaliarmos em 300 pessoas o envolvimento médio de cada partida (parte é composta pelos dirigentes e jogadores dos clubes), chegaremos a um total de 699.000 participantes, isto é, o correspondente a seis estádios do Maracanã repletos.

500 artigos sobre os Jogos Olímpicos

AFP

AFP

Retorno hoje à minha série de artigos sobre os 70 anos de atividades jornalísticas contínuas, após uma pequena interrupção de apenas dois textos, dando a minha opinião sobre o escândalo que abalou o futebol do Brasil e de grande parte do mundo.

Voltamos a uma programação de cerca de 500 posts que só terminará nos últimos dias de setembro do próximo ano.

Até meados deste mês de junho, falaremos sobre minha vida na A Gazeta Esportiva, principalmente das grandes promoções efetuadas nos anos 70 e 80 do último século. Depois disso, iniciaremos uma série de artigos sobre os Jogos Olímpicos que irão até uma quinzena após seu encerramento.

Nosso plano é fazer uma cobertura histórica do maior certame esportivo do mundo. Pretendemos mostrar principalmente a conduta dos atletas do Brasil naquela competição desde 1920 e detalhes gerais a eles relacionados. Não falaremos somente do passado. A série será entrecortada por temas atuais envolvendo gerenciamento de recursos econômicos, construção da infraestrutura das arenas (onde serão disputadas 42 modalidades esportivas), possibilidades de medalhas de nossos defensores e, naturalmente, as vantagens de anfitrionarmos atletas, dirigentes, jornalistas e espectadores de 205 nações. Tudo isto está previsto em cerca de 500 artigos, pois os temas abrangerão o próprio desenvolvimento dos jogos.

Antes, porém, de mergulhar de corpo e alma nos Jogos Olímpicos, preciso passar para o leitor minhas vivências de quatro Jogos Olímpicos que cobri para A Gazeta Esportiva (1972/Munique, 1984/Los Angeles, 1988/Seul e 1992/Barcelona), os 1º Jogos Desportivos Panamericanos, realizados em 1951, em Buenos Aires, e como foram a Copa Arizona de Futebol Amador, o 1º Campeonato Mundial de Futebol de Salão, o Intercolegial Itaú, a Operação Juventude e os eventos para as Casas Pernambucanas, que nos renderam o Guinness Book de maior revezamento aquático do mundo, fora a São Silvestre que já foi objeto de vários artigos já publicados.

Em 70 anos de carreira, que comemorarei em 18 de março de 2016, há muitos fatos para contar.

Quem chutará o pênalti é a Polícia Federal

Isaac Amorim/MJ

Isaac Amorim/MJ

Ficamos felizes em verificar que uma medida preconizada em nosso post de ontem sobre o escândalo do futebol que abalou o mundo foi seguida pelo Governo. O Ministro da Justiça determinou a apuração da corrupção da CBF pela Polícia Federal. Esta instituição ganhou a confiança pública após a sua convincente atuação no Mensalão, no Petrolão e na Lava Jato.

Pelo que sentimos, a Polícia Federal do Rio de Janeiro ainda não assumiu com toda a magnitude a dimensão que esta missão requer. Em primeiro lugar, ela necessita procurar uma denominação específica como ocorreu nas suas grandes operações anteriores. Ela também não pode circunscrever-se aos poucos personagens até o momento envolvidos nos escândalos da FIFA. Deve abrir o leque e chegar a outras áreas como a do custo escandaloso do Pan-americano de 2007 e a razão de presidentes de outras modalidades permanecerem décadas nos cargos. Shakespeare, há quase meio milênio, já dizia que “tem algo de podre no reino da Dinamarca”. José Maria Marin é apenas um num rol que pode englobar muitas dezenas.

Ainda dá tempo destas medidas moralizadoras beneficiarem inclusive os próximos Jogos Olímpicos. Os recursos oficiais e privados previstos deverão ser utilizados no próprio evento e não ter grande parte desviada para os bolsos de gestores pouco dignos. Nossos jogadores de futebol provavelmente voltarão a receber seus salários contratuais em dia e uma valorização da infraestrutura do esporte de base permitirá, no futuro, uma oportunidade de divulgação dessas divisões de nosso país, ao invés de sermos obrigados a engolir a transmissão de jogos inexpressivos que se realizam no exterior para atender a interesses de empresários que têm a concessão dos mesmos.

A Polícia Federal precisa entrar com tudo na área do esporte.