Quem foi sem ingresso à Argentina sofreu para assistir à primeira final da Libertadores. Muitos corintianos sequer chegaram à Bombonera e outros foram barrados na porta do estádio com ingressos falsos.
O setor de visitantes do estádio boquense comporta 4.000 pessoas. Já no Pacaembu, o espaço equivalente só pode receber 2.450 torcedores.
A diretoria do Boca Juniors poderia ter enviado a carga total disponível. Mas não o fez. E só disponibilizou os mesmos 2.450 bilhetes a que terá direito na grande final da competição.
O problema é que, segundo relatos, a torcida do Corinthians teria ocupado toda a arquibancada destinada ao visitante. Explicação: um lote complementar de bilhetes teria sido colocado à venda, no mercado paralelo, por preço bem maior do que o original.
Este episódio demonstra o tratamento habitual recebido pelos visitantes quando o assunto são ingressos para a nobre competição. Há vezes em que a relação entre os clubes, nem sempre cordial, precisa superar mais uma questão: o regulamento da Libertadores não estabelece uma carga de entradas mínima a ser cedida pelo mandante.
Na falta de critérios claros e objetivos, diriam os internacionalistas que a situação é solucionada com base na reciprocidade. Na prática, tudo é resolvido na boa e velha diplomacia clubística latino-americana. Em outras palavras: os ingressos “oficiais” para o jogo de ida só chegam se os da partida de volta já estiverem assegurados.
Em competições nacionais, o Regulamento Geral das Competições da CBF assegura ao visitante o direito de adquirir 10% dos ingressos colocados à venda.
Em tempo: seria demais pedir que a Conmebol (confederação sul-americana) tomasse medida semelhante?

