Argentina fecha o cerco contra a lavagem de dinheiro no futebol

Buenos Aires (Argentina) – Para o bem ou para o mal, não é a primeira vez que o governo Cristina Kirchner interfere no futebol. Em 2009, a presidente argentina anunciava em cadeia nacional o programa Fútbol para todos: por 600 milhões de pesos, ela tirava de cena o canal privado TSC, adquiria os direitos de transmissão do Campeonato Argentino e garantia a difusão gratuita de todos os jogos da Primeira Divisão. Três anos depois, a Administración Federal de Ingresos Públicos (AFIP), autarquia encarregada da fiscalização de impostos na Argentina, passa a marcar presença nas páginas esportivas ao aumentar a vigilância sobre transações de jogadores de futebol.

Amparadas pela associação de futebol argentina (AFA), as suspeitas levantadas pelo ente arrecadador de impostos daquele país são motivadas por diversas triangulações envolvendo atletas na última janela de transferências. O caso mais emblemático é o de Jonathan Bottinelli que, no entanto, teve final feliz: até receber o sinal verde da AFIP, o zagueiro esteve prestes a desfalcar o River Plate no último fim de semana por suposta irregularidade em sua transação (a operação envolveu o chileno Unión San Felipe, agremiação estranha à relação entre River, atleta e seu ex-clube, o San Lorenzo, também de Buenos Aires).

Mas contratação de Bottinelli está longe de ser a única sob investigação. Conforme noticiou neste domingo o diário portenho La Nación, a justiça de Buenos Aires solicitou à AFIP informações sobre as transferências de 446 jogadores, todos supostamente envolvidos em manobras de evasão fiscal.

Entre os principais nomes da lista levantada pelo juiz Norberto Oyarbide estão D’Alessandro (Internacional), Abbondanzieri (ex-Internacional), Mascherano (ex-Corinthians, atualmente no Barcelona) e Agüero (Manchester City).

A iniciativa do fisco argentino é lançada no mesmo momento em que se discute também na Europa o tema dos crimes financeiros relacionados ao futebol: às vésperas do seminário intitulado “A fraude no esporte”, organizado em 30 de agosto na cidade suíça de Neuchatêl, o cotidiano genebrino Le Matin publicou reportagem elucidativa sobre as manobras utilizadas para lavar dinheiro e fraudar as autoridades fiscais em transferências de atletas.

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