Gazeta Esportiva

Ao apresentar a lista de pessoas autorizadas a entrar no Pacaembu, a Conmebol esclareceu que, desde que previamente credenciada, a imprensa poderá trabalhar normalmente na partida entre Corinthians e Millonarios (COL), pela Copa Libertadores.

Nem poderia ser diferente: conforme esta coluna adiantou ontem, não há fundamento legal para proibir o acesso de cronistas esportivos ao estádio.

Nem fundamento legal, nem razão de ser. Afinal, restringir a liberdade de imprensa não significaria penalizar o Corinthians, mas privar o grande público de informação.

Logicamente, não é este o escopo da punição imposta pelo tribunal disciplinar da Confederação Sul-Americana, que sequer teria competência para tanto.

Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Menos por razões jurídicas, e mais pela necessidade de mostrar efetividade com rápida resposta à opinião pública, o presidente da Câmara de Apelações da Conmebol confirmou que o Corinthians jogará a Copa Libertadores sem a presença de sua torcida até a apreciação do caso que culminou com a morte do boliviano Kevin Espada, de 14 anos.

O Tribunal Disciplinar da entidade deverá julgar o caso dentro do prazo de 60 dias, contados a partir da último dia 22.

Privados de entrar no Pacaembu para assistir à partida desta quarta-feira contra o Millonarios (COL), torcedores corintianos sinalizaram com a possibilidade de manifestar seu apoio ao clube do lado de fora do estádio.

Uma forma de incentivar o clube que, no entanto, pode agravar ainda mais a situação jurídica do atual campeão continental em relação à nova corte do futebol sul-americano: o código disciplinar da entidade é claro ao responsabilizar as agremiações por atos inapropriados de seus torcedores também fora dos estádios, seja antes, durante ou depois das partidas.

Exatamente como sugere um comunicado do Corinthians, a prudência recomenda, portanto, que nesta quarta-feira sejam evitadas manifestações de grande porte nas imediações do Pacaembu.

Em tempo: uma eventual restrição ao ingresso da imprensa estádio seria nitidamente abusiva. Os cronistas esportivos não estão diretamente relacionados ao jogo e não se sujeitam ao disposto no código disciplinar da Conmebol. Tal situação configuraria atentado à liberdade de imprensa.

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Se mesmo nos tempos das decisões políticas o Corinthians dificilmente sairia ileso após a tragédia de Oruro, seria demais imaginar que, com a criação de seu novo tribunal, a Conmebol (confederação sul-americana) deixaria o caso passar em branco.

Impressiona, no entanto, a rapidez da decisão cautelar publicada 24h depois do incidente. O alvinegro aguarda o resultado do recurso contra a imposição de mandar seus jogos da Libertadores com portões fechados e de disputar os jogos como visitante sem a presença de torcida.

A Câmara de Apelações deve se pronunciar nas próximas horas, provavelmente antes da partida de quarta-feira contra o Millonarios (COL), no Pacaembu. Se a análise do órgão de revisão for estritamente jurídica, as chances de reversão da medida são consideráveis: se é verdade que as medidas cautelares são expressamente previstas pelo código disciplinar, também é certo que as mesmas devem ser aplicadas em circunstâncias restritas (art. 64).

Talvez por conta da comoção provocada pela tragédia, o tribunal optou por sancionar imediatamente o Corinthians. O problema é que, além de não motivar a decisão publicada em 21 de fevereiro, o órgão foi silente em relação ao clube boliviano.

Uma postura incoerente, já que o código disciplinar da Conmebol imputa ao mandante da partida a responsabilidade objetiva pela manutenção da ordem em seu estádio. E, se existe um medida de urgência essencial ao caso, esta medida é o fechamento do estádio de Oruro até o julgamento do feito.

O que indica que a exemplar medida cautelar adotada contra o Corinthians poderia até ser justificável, mas desde que igualmente aplicada ao San José.

Recurso à parte, o alvinegro prepara sua defesa referente ao procedimento principal.

Em regra, os clubes são objetivamente responsáveis por atos violentos de seus torcedores (art. 6.1): em outras palavras, as agremiações podem ser sancionadas ainda que não sejam culpadas pela ocorrência da infração.

O Corinthians poderá, contudo, utilizar uma brecha legal na tentativa de escapar de punição esportiva: por falta de rigor técnico, o texto do código disciplinar não é claro quanto à responsabilização do clube na hipótese de identificação do infrator.

Assim, se apostar em interpretação viável, a defesa do clube poderá usar o reconhecimento do responsável pelo disparo (art. 11.2.g) para influenciar os julgadores na tentativa de ao menos amenizar eventual penalidade.

Vale lembrar que, aliada à imprecisão da norma aplicável, a ausência de precedentes torna ainda mais imprevisível o desfecho do caso. Resta esperar que os novos juízes do futebol continental atuem com bom senso na busca pela melhor interpretação à regra.

Em tempo: parece lógico que a punição eventualmente aplicada ao Corinthians não vá além da imposição de jogar um determinado número de jogos com portões fechados, sem prejuízo de multa pecuniária. Afinal, apesar de juridicamente possível, parece improvável (e mesmo injusto) que o último campeão seja excluído da atual edição da Copa Libertadores. A mais drástica das punições não deve ser aplicada ao caso em que o clube, além de não ter contribuído diretamente com a morte do garoto de 14 anos, sequer era o mandante da partida.

Imaginar que Ronaldinho Gaúcho buscava algo mais do que um gole de água ao abordar Rogério Ceni não só parece conspiração como também indica excesso de confiança na criatividade do melhor do mundo em 2004 e 2005.

Independentemente de sua intenção, fato é que o meia-atacante beneficiou-se do gesto do antigo companheiro de Seleção para receber receber em posição privilegiada o lateral que culminou em gol do Atlético Mineiro, o primeiro da vitória sobre o São Paulo pela Copa Libertadores (2-1).

Em outras palavras, ainda que não tenha premeditado a jogada, Ronaldinho apresentou-se para receber a bola, quando poderia ter retornado em direção à intermediária.

Um lance com final semelhante, mas feição bem diferente daquele protagonizado por Luiz Adriano, do Shakhtar Donetsk (UCR), na atual edição da Liga dos Campeões – o atacante não devolveu a bola após atendimento a um companheiro (ver post de 26/12/2012: http://www.gazetaesportiva.net/blogs/jeannicolau/2012/11/26/por-valores-do-jogo-uefa-atira-a-primeira-pedra-em-novo-vilao-do-futebol-mundial/).

Ainda assim, um gesto que, se não afronta, arranha o tal fair play, conceito literalmente estrangeiro em campos sul-americanos: jogar limpo pressupõe lealdade perante o adversário. E, doa a quem doer, na prática Ronaldinho tirou vantagem da cortesia são-paulina.

Nada suficiente, vale ressaltar, para ensejar ao jogador do Atlético punição semelhante àquela imposta pela UEFA ao atacante do clube ucraniano. Até porque, assim como as jogadas foram diferentes, igualmente distinto é o nível de rigor com o qual as entidades encaram a questão da lealdade no futebol.

Por isso, o que merece destaque no caso é bem menos a avaliação da intenção de Ronaldinho Gaúcho do que a postura do público em relação ao controverso gesto, recebido mais como lampejo de genialidade do que como comportamento ardiloso digno de anti-herói.

Se é verdade que não existem meias virtudes, quem aprova a malandragem do Gaúcho não tem direito de queixar-se de conhecidas práticas como simulação, não devolução da bola pelo adversário após atendimento médico e retenção da mesma pelos gandulas, entre outros pequenos vícios socialmente aceitos por parte da comunidade esportiva brasileira.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Para os padrões de um grande do futebol nacional, o valor não deveria assustar. Ainda assim, o Palmeiras não pagou à LDU do Equador a última parcela referente à transferência do atacante Hernán Barcos (28 gols em 2012). Uma dívida de R$ 1,5 milhão que, apesar das reconhecidas dificuldades econômicas, a nova diretoria promete quitar, conforme comunicado publicado no site oficial do clube:

http://www.palmeiras.com.br/noticias/2013/02/07/14h10-id8786-esclarecimento+sobre+a+situacao+do+atacante+barcos.shtml#.URQHfM1HB8c

Uma postura tão correta quanto prudente, já que o inadimplemento de obrigações internacionais pode acarretar punições efetivas por parte da FIFA (federação internacional de futebol).

O gerente de futebol da LDU, Esteban Paz, afirmou com razão à GazetaEsportiva.net que a campeã da Liberdadores-2008 teria o direito de pleitear perante a FIFA o recebimento do valor. Se isto ocorresse, o órgão competente da entidade notificaria o clube paulista para o cumprimento da obrigação.

Contudo, a diretoria do Palmeiras também está certa ao dizer que o risco de perder o vínculo do atleta não é iminente como se poderia imaginar: uma improvável inadimplência continuada por parte do Palmeiras provocaria, sim, a imposição de multa; segundo o Código Disciplinar da FIFA (art. 64), apenas em último caso o clube seria punido com perda de pontos ou proibição de transferir jogadores por prazo determinado.

Em tempo: Esteban Paz também declarou que a LDU, detentora de 30% dos direitos econômicos de Barcos, pode forçar sua saída no meio do ano caso apresente proposta não coberta pelo Palmeiras. Se de fato existir, esta cláusula afronta disposições da nova Lei Pelé e do Regulamento da FIFA, que buscaram minimizar a influência de terceiros na relação entre atleta e clube empregador.

Ou seja, o Palmeiras tem armas para lutar pela permanência de seu goleador.

Foto: AFP

Foto: AFP

Quatro dias depois da tragédia de Santa Maria, por pouco o Rio Grande do Sul não foi palco de outro incidente com vítimas fatais por responsabilidade de autoridades e entidades privadas.

Em seu primeiro jogo oficial, a Arena Grêmio explodiu aos 16 minutos do segundo tempo com o gol marcado por Elano, que levaria aos pênaltis a disputa contra a LDU (EQU) por uma vaga na fase de grupos da Libertadores (ao final, 5 a 4 para os gaúchos).

Assim como faziam no Olímpico, os torcedores situados nas populares do novo estádio comemoraram com a tradicional avalanche, correndo arquibancada abaixo em direção ao gramado. Com a pressão da massa, o alambrado do setor cedeu e feriu 11 pessoas (sem gravidade) após queda no aparentemente obsoleto fosso que separa o campo das tribunas – raros são os estádios erguidos recentemente que se valem deste artifício para reduzir o risco de invasões.

Fosso à parte, vale lembrar que o projeto original da nova Arena foi alterado por pressão de torcedores e até dirigentes gremistas, preocupados em preservar o costume, historicamente argentino, de correr em direção ao alambrado: na contramão de práticas modernas, a Grêmio Empreendimentos entrou em acordo com a Brigada Militar do Rio Grande do Sul para… evitar que se instalassem cadeiras no setor ocupado sobretudo pela organizada Geral do Grêmio. Objetivo: menos conforto, mais 5.000 lugares e, supostamente, mais emoção.

Se por si só a avalanche já não é hábito dos mais prudentes, a frágil estrutura do estádio estimado em R$ 540 milhões contribuiu com o ocorrido ao mostrar-se insuficiente para garantir minimamente a segurança do torcedor. E Brigada Militar, que antes cedeu à pressão do Grêmio e agora volta a pedir o fim da avalanche, foi nitidamente negligente.

Fosse uma competição nacional, o clube seria provavelmente punido pela justiça desportiva. O novo tribunal disciplinar da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), no entanto, dificilmente analisará o caso: ao estabelecer punições por “comportamento inadequado da torcida”, o artigo 11 do novo código disciplinar não é claro ao tratar de incidentes que não causam prejuízos diretos à equipe adversária.

Em tempo: ao final de janeiro de 2013, a entidade ainda não publicou em seu site nem o regulamento da atual edição da Copa Libertadores, nem o código que deverá reger as competições continentais. Novos tempos?

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Dois dias antes da estreia do São Paulo na Copa Libertadores contra o Bolívar, o novo tribunal da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) pode suspender o estádio do Morumbi em razão dos incidentes ocorridos na final da Copa Sul-Americana de 2012, contra o Tigre (ARG).

Nesta segunda-feira (21/01), a entidade anunciou a abertura do processo disciplinar que pode impor ao São Paulo a inabilitação de seu estádio por certo número de jogos, além do pagamento de multa pecuniária. O clube terá de apresentar sua defesa até as 18h da próxima quarta-feira, mesmo dia da estreia na Libertadores.

A GazetaEsportiva.Net noticiou inclusive que o Morumbi poderia ser suspenso preventivamente até a data do julgamento, que logicamente não ocorrerá nas próximas 48 horas. Esta hipótese parece, contudo, pouco provável em vista dos prejuízos que poderia causar ao São Paulo, na prática privado do direito de defender-se, e a seus torcedores – os ingressos para a partida estão à venda desde o último dia 13.

Em tempo: o Comitê Executivo, órgão político da Conmebol até então competente para tal, teve a oportunidade de analisar o caso em dezembro, mas preferiu abster-se (ver post de 21/12/12).

Independentemente da decisão quanto ao tema, fato é que o órgão judicante da entidade será inaugurado de forma pouco exemplar, como típico tribunal de exceção: o julgamento de fatos pretéritos é uma das principais características de cortes dificilmente lembradas pelo respeito conferido a garantias processuais ou mesmo a direitos fundamentais.

Em outras palavras, ainda que o Morumbi não seja vetado para esta quarta-feira, o julgamento pelo novo tribunal de fatos ocorridos no ano passado já é, por princípio, amplamente contestável.

Uma estreia que em nada combina com as promessas de um órgão criado para disciplinar e moralizar o futebol continental.

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Atualização

Como era esperado, o Morumbi não foi vetado preventivamente. O São Paulo também obteve prorrogação do prazo para apresentação de sua defesa, que foi encaminhada ao Tribunal Disciplinar da Conmebol em 28 de janeiro. O clube ainda pode, no entanto, ser punido com multa pecuniária e suspensão de seu estádio para alguns jogos da Copa Libertadores.

Excluído de competições oficiais desde sua chegada ao Bordeaux dois anos atrás, o argentino Valentin Vada poderá enfim voltar aos gramados. O clube francês teve seu recurso acolhido pelo Tribunal Arbitral do Esporte após duplo fracasso perante os órgãos judicantes da FIFA (Federação Internacional de Futebol), que não autorizava a inscrição do prodígio de 16 anos.

Não é de hoje que a entidade demonstra preocupação com negociações entre clubes de diferentes países envolvendo jovens. As transferências internacionais de menores de 18 anos são proibidas pela entidade, ressalvadas as hipóteses resumidas a seguir: transferências dentro da Europa, transferências para áreas fronteiriças (distância de até 100 km) ou mudança dos pais por razões não relacionadas ao futebol.

O problema é que essas exceções à regra geral servem para alimentar a criatividade de dirigentes, empresários e mesmo familiares interessados em regularizar a situação de menores negociados com o futebol europeu.

A transferência por razões familiares, argumento utilizado por Valentin Vada, é certamente a justificativa mais comum de atletas que tentam obter da FIFA uma licença excepcional para atuar no exterior antes da maioridade.

Proveniente do clube argentino Proyecto Crescer (financiado pelo Bordeaux), Vada passou a frequentar o centro de formação da equipe francesa aos nove anos de idade. Como forma de aclimatação, ele viajava duas vezes por ano à Europa, antes de fixar-se no Velho Continente aos 14 anos. Sua família, de origem italiana, também instalou-se na região. Desde então, o jovem atacante é escolarizado na França.

Fatos sobre os quais o clube da Gironda apoiou-se, sem sucesso, para tentar dobrar uma FIFA bem menos flexível do que em outros tempos. E em outros casos, como o de um certo Lionel Messi. O igualmente argentino, recém-eleito melhor do mundo pela quarta vez consecutiva, atua no Barcelona desde os… 13 anos.

O agente de Vada (irmão do atacante Gonzalo Higuaín, do Real Madrid) declarou que a resistência da entidade no imbróglio envolvendo seu representado explica-se por questões políticas: o Bordeaux não teria a mesma força de gigantes do futebol europeu. O agente ainda sugere o que o clube merengue e outros grandes do continente acompanhariam de perto a situação do argentino, de olho na oportunidade de tirá-lo da França.

Com o caso aparentemente resolvido, resta saber se a decisão do Tribunal Arbitral do Esporte que garante a inscrição do atleta fará com que a FIFA reformule seu sistema de transferências de menores jogadores.

Um mecanismo que, em tese, serviria para proteger tanto jovens atletas, quanto clubes formadores de mercados secundários; mas que, a bem da verdade, carece de alterações para tornar as regras mais claras, evitar arbitrariedades na concessão de licenças para menores e, com isso, contribuir efetivamente com o equilíbrio esportivo.

Marcelo Ferrelli/Gazeta Esportiva.Net

Marcelo Ferrelli/Gazeta Esportiva.Net

Buenos Aires (Argentina) – O Rei morreu. Assim o diário argentino Olé anunciou o fim da história entre Boca Juniors e um de seus mais vitoriosos jogadores (11 títulos, dos quais 3 Libertadores). O não de Juan Roman Riquelme à proposta de retorno formalizada pelos dirigentes xeneizes seria motivado por questões contratuais e indica que a derrota para o Corinthians na final da última Libertadores terá sido a última partida do ídolo pelo clube que o consagrou. O caminho está aberto para ofertas de mercados emergentes, como o brasileiro.

Após semanas de negociação, e sobretudo com a segunda volta do técnico Carlos Bianchi ao comando do Boca, a reativação do contrato de Riquelme era dada como certa na Argentina – o vínculo do jogador estava suspenso desde julho do ano passado.

A decisão frustrou o vitorioso treinador (3 Libertadores e 3 Mundiais, entre outros títulos), que afirmara inclusive o desejo de montar o novo Boca em torno daquele que, sob a batuta, passou a ser considerado por muitos o maior jogador da história do clube.

Apesar dos comprovados encontros com diretores boquenses e da expectativa criada em torno do tema, o meia garante que nunca chegou a negociar seu retorno. O motivo? Questão de palavra.

Uma versão da história que não convence parte dos torcedores do clube e é interpretada pela imprensa argentina como uma saída honrosa para encobrir aspectos bem menos românticos: diferenças substanciais entre as exigências do atleta e a proposta apresentada pelo Boca.

O carinho dos fãs não parece ter seduzido Riquelme. Aos 34 anos e há mais de seis meses fora dos gramados, ele exigiu para seguir na Bombonera a extensão de seu contrato até o meio de 2015, além do atrelamento de seu salário à cotação do dólar, como garantia contra a instabilidade cambial do peso argentino.

O meia nega os rumores de que o compromisso atualmente em vigor com o Boca conteria cláusula de não concorrência que dificultaria sua transferência a outro clube argentino.

Pelo visto, o clube brasileiro que quiser contar com Riquelme não terá vida fácil.

A agressão a um jornalista do cotidiano L’Équipe custará caro a Cyril Jeunechamp. Por decisão da comissão disciplinar da liga francesa, o zagueiro do Montpellier ficará um ano afastado dos gramados.

O jogador do atual campeão francês acertou um soco no repórter do tradicional jornal esportivo após o empate entre seu clube e o Valenciennes (1-1), em partida válida pela 13ª rodada da Ligue 1, a primeira divisão nacional.

O episódio faz lembrar a confusão protagonizada por Edmundo na Libertadores de 1995. Ao final de uma partida contra o Nacional de Quito, no Equador, o ex-atacante do Palmeiras derruba um cinegrafista, chuta sua câmera e, de quebra, fica seis dias detido em quarto de hotel antes de ser liberado pela policia local.

Era outra época e outra competição. E o bad boy não recebeu nenhuma punição esportiva da Confederação Sul-Americana.

Nos grandes campeonatos europeus, como o francês, a história é outra.

O código disciplinar da federação francesa pune com rigor atos de brutalidade cometidos por atletas fora do campo de jogo contra o público em geral, inclusive profissionais de imprensa.

Por ter privado o jornalista de trabalhar por período de até oito dias, Jeunechamp ficará um ano fora dos gramados.

Em tempo: no Brasileiro de 2010, Émerson Leão, então treinador do Goiás, pegou apenas três jogos de suspensão por ter acertado um soco no repórter baiano Roque Santos.

Francisco Pessanha, o auditor responsável pelo caso, lamentou à época a impossibilidade de punir o técnico com mais rigor.

Ele declarou que o CBJD (código de justiça desportiva) não previa pena para casos de violência contra jornalistas.

Uma afirmação que não passa, contudo, de meia verdade: o artigo 253 do código estipula suspensão de até 540 dias para casos de agressão a “qualquer participante do evento desportivo”.

Dispositivo tão rigoroso quanto pouco aplicado no Brasil.