Tentativa válida, resultado previsível

Não houve surpresa. Por nove votos a zero, o pleno do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) negou provimento ao pedido de impugnação de partida feito pelo Palmeiras. O clube não conseguiu provar que o árbitro Francisco Carlos Nascimento cometeu erro de direito ao anular gol (de mão) anotado por Barcos. Como não cabe recurso, está confirmado o placar da derrota Alviverde para o Internacional (2-1).

O resultado do julgamento não invalida os legítimos esforços do clube. Não foram poucos os que se opuseram à tentativa de anular o jogo. Principalmente por interpretarem o processo menos como uma luta pelo respeito às regras do jogo do que como uma forma desesperada de permanecer na Série A do Brasileiro – segundo o matemático Tristão Garcia, as chances de rebaixamento elevam-se a 97%.

Sem entrar no mérito da real motivação palmeirense, a ampla cobertura acordada pela imprensa ao caso atribui-lhe importância que vai além da luta por três pontos no Brasileiro: o tema da discussão resvala, direta ou indiretamente, em questões estruturais tão polêmicas quanto atuais.

Primeiro porque o caso, originado por um juiz incapaz de ver nítido toque de mão, reforça a necessidade de ações para melhorar a arbitragem nacional.

E segundo porque, indiretamente, o imbróglio relançou o debate sobre o uso da tecnologia no futebol. Um tabu para a FIFA e os puristas do jogo; uma necessidade para os defensores de uma suposta modernização da modalidade.