De heptacampeão a devedor: o calvário de Lance Armstrong

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Prejuízo esportivo, sobretudo com a destituição de sete títulos da Volta da França. Mas também prejuízo econômico: a decisão da União Ciclística Internacional (UCI) divulgada na última terça-feira determina que Lance Armstrong devolva à federação francesa da modalidade (FFC) 2,95 milhões de euros (aproximadamente R$ 2.730.000), referentes a prêmios obtidos em provas supervisionadas pela entidade. O norte-americano foi banido do esporte pela utilização de substâncias proibidas naquele que é considerado o maior esquema de doping da história do ciclismo.

O regulamento da UCI prevê que “se um corredor ou uma equipe perde a colocação que lhe rendeu um premio, o mesmo deve ser restituído no mês seguinte ao organizador do evento, que procederá a sua redistribuição” (artigo 1.2.073).

Em agosto, quando decretada a suspensão de Armstrong nos Estados Unidos, a FFC declarou que pretendia reaver os valores recebidos em razão das participações do ciclista na centenária competição – o Tour é disputado desde 1903.

A federação francesa gerencia os prêmios por vitórias referentes a provas disputadas em seu território. A ASO, empresa organizadora do evento, disponibiliza os valores à FFC, que os repassa aos ciclistas ao final de cada temporada. A entidade garante que, se recuperada, a quantia será reinvestida em um programa para desenvolvimento do ciclismo entre os jovens.

Segundo o jornal Le Monde, alem das dívidas relacionadas à Volta da França e da rescisão de todos seus contratos de patrocínio, Armstrong também poderá enfrentar problemas com a seguradora SCA (perdas de até R$ 15,2 milhões), com o governo dos Estados Unidos (até R$ 3,1 milhões) e com o jornal inglês Sunday Times (até R$ 1,9 milhões). Isso sem contar a possibilidade de o ex-ciclista ser processado em seu país por evasão fiscal.

Estimada em R$ 251 milhões, a fortuna pessoal de Armstrong certamente ameniza o drama do ex-ciclista. Mas fato é que, como atesta sua apresentação no twitter, o “heptacampeão do Tour de France” transformou-se em “pai de cinco crianças maravilhosas”.