Absolvição de Luis Fabiano só ameniza onda intervencionista do STJD

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Pelo menos no caso de Luis Fabiano, prevaleceu a decisão do árbitro de campo. Ao não acatar a denúncia formulada por sua procuradoria, o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) absolveu o atacante, que poderia perder até seis partidas por suposta simulação em partida contra o Palmeiras (3-0, 28ª rodada do Campeonato Brasileiro). Durante o jogo, o atacante sequer fora advertido com cartão amarelo.

Os auditores que absolveram o atacante são-paulino não se deixaram levar por uma denúncia compatível com o momento de judicialização do futebol brasileiro: procuradores e auditores passam a fazer parte do jogo; e os holofotes miram a atividade da justiça desportiva, vista como componente do espetáculo.

Casos recentes são emblemáticos.

Na 27ª rodada do Brasileiro, o árbitro Leandro Vuadem considerou ofensiva a faixa com os dizeres “não irão nos derrubar no apito” e atrasou em 17 minutos o início da partida entre Náutico e Atlético Goianiense (2-0) – o jogo só começou quando a manifestação foi abafada. Dias depois, a procuradoria do STJD não apenas considerou normal a conduta de Vuadem, como também denunciou o Timbu, ao menos absolvido pelo tribunal (ver post de 04/10).

Na 29ª rodada, o Atlético Mineiro foi privado de contar com Ronaldinho Gaúcho na derrota para o Internacional (0-3). Com voto de auditor flamenguista, o meia-atacante foi suspenso por cometer falta de jogo sequer punida com cartão pelo árbitro Héber Roberto Lopes (ver post de 11/10).

Na vitória contra o Fluminense pela 32ª rodada (3-2), a torcida do Atlético Mineiro formou mosaico que dispunha a sigla “CBF” de ponta cabeça. Aparentemente discreto, o protesto contra a Confederação Brasileira de Futebol sequer foi mencionado na súmula da partida, mas também não passou incólume: Paulo Schmidt, o procurador-geral do STJD, declarou que apresentará denúncia contra o Atlético Mineiro.

Os exemplos indicam que os tribunais do futebol estão longe de serem os únicos responsáveis por esta interferência externa no jogo. Uma tendência desencadeada não apenas pelos julgadores, mas sobretudo pelos procuradores do STJD.

São eles os responsáveis pela formulação de denúncias que ora extrapolam suas funções (por intervirem em questões disciplinares de responsabilidade do árbitro de jogo), ora carecem de critérios minimamente objetivos (ex: enquanto um caso de simulação é levado ao tribunal, outros muito passam despercebidos).

Em resumo, a procuradoria do principal tribunal esportivo do Brasil parece ter assumido postura “mais realista do que o rei”: da mesma forma que esta caça às bruxas não trará credibilidade à justiça desportiva, a evolução das competições nacionais não passa pela judicialização do futebol.