Por vingança ou convicção, auditor flamenguista pune Ronaldinho, abre precedente e revolta presidente Kalil

Bruno Cantini/CAM

Bruno Cantini/CAM

Uma falta de jogo na 26ª rodada do Campeonato Brasileiro provocou a suspensão de Ronaldinho Gaúcho na… 29ª rodada da competição. Por decisão do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), o meia do Atlético Mineiro, que sequer recebera cartão amarelo após entrada no atacante gremista Kleber, virou desfalque de última hora na derrota fora de casa para o Internacional (0-3). Os mineiros contestam a ausência do camisa 10.

Se a inusitada suspensão no tapetão já daria margem a críticas de cartolas do Galo, fatos revelados na sequência explicam a revolta do presidente Alexandre Kalil: flamenguista declarado, o auditor do STJD responsável por punir Ronaldinho publicara em sua página de relacionamento montagem em que o atleta é intimidado pelo Capitão Nascimento, personagem do filme Tropa de Elite.  Em tempo: a imagem traduzia o sentimento de parte da torcida flamenguista à época em que o meia deixou a Gávea de forma litigiosa.

Uma brincadeira certamente incompatível com a função que Jonas Lopes Neto exerce no principal tribunal esportivo nacional, e que deu munição ao presidente Kalil, para quem Lopes é “um moleque”.

Como qualquer juiz – e apesar da relativização da exigência nos tribunais esportivos –, os auditores do STJD devem ser minimamente independentes e imparciais.

A punição de um jogo que, sem este pano de fundo, seria mais incomum e inadequada do que propriamente ilegal, parece, no caso de Ronaldinho, manifestamente contestável: a decisão do jovem auditor representa mais um caso de judicialização indevida do futebol brasileiro (sobre o tema, ver post de 4 de outubro).