Gazeta Esportiva

Quer saber o que está rolando dentro do time? Pergunte ao roupeiro. Se eu fosse treinador, ficaria mais próximo destes homens que – com sensibilidade, intuição e, sobretudo, informação, sabem muito mais dos atletas que qualquer técnico que imagina ter o controle de absolutamente tudo o que acontece dentro do grupo. Pior, boa parte dos treinadores mal cumprimenta os roupeiros.

O medo que os jogadores tem de se abrir com os treinadores é muito grande. Como infelizmente os clubes ainda resistem ao trabalho psicológico por conta do preconceito, desinformação e ações infelizes de muitos profissionais da Psicologia do Esporte – os roupeiros fazem as honras da casa.

Se você é psicólogo do esporte e trabalha com o futebol – recomendo que – de imediato – faça amizade com este profissional que – quase sempre, conhece as características mais peculiares no comportamento dos atletas.

Eles sabem o que os jogadores comem, bebem, o último filme assistido, a relação conjugal, as insatisfações domésticas, os medos, as inseguranças, as opiniões. A forma de comando autoritária de boa parte dos técnicos faz com que os jogadores se fechem no próprio mundo – independente do que acontece ao seu redor.

Os grandes amigos que fiz no mundo do futebol trabalham nas rouparias dos clubes. Pessoas simples, mas com uma sabedoria invejável. Gente que tem uma visão ampla dos processos internos da equipe.

Até que haja uma reciclagem de treinadores e dirigentes no futebol e uma nova geração surja neste universo que insiste em viver nos tempos pré-históricos, os jogadores continuarão a se abrir com os roupeiros e a verdadeira roupa suja continuará manchando a performance individual e coletiva, derrubando treinadores e criando climas de insatisfação difíceis de serem trabalhados.

Este costuma ser o momento em que o psicólogo do esporte é lembrado. Exatamente quando a doença já tomou o corpo e a unidade do grupo. Prevenção e promoção de saúde mental e emocional nos times de futebol ainda são tabus a serem vencidos – com ou sem a ajuda dos roupeiros – como esta simpática figura que é o Robertão – roupeiro do Ituano que tive a felicidade de trabalhar em 2011.

“Vamos sentar e ter toda boa vontade para ter o retorno, mas precisamos entender como será essa liberdade. Temos que saber se ele poderá se ausentar da comarca onde está sendo julgado [Minas Gerais] e se poderá dormir fora de casa durante esse período”, esclareceu o vice jurídico do clube carioca.

A partir desta análise do departamento jurídico do Flamengo, creio que algumas reflexões merecem destaque.

  1. Meu colega Rodrigo Falcão – psicólogo do esporte – fez um comentário fundamental e extremamente pertinente a esta questão: “O futebol tem uma dimensão gigantesca, imaginem se isso ocorrer realmente, qual será o impacto para quem trabalha na formação e desenvolvimento de crianças e jovens? Não só com o esporte, mas em outros contextos também”.  Boa, Rodrigo! Por outro lado, os clubes não demonstram a preocupação que deveriam na promoção e prevenção de saúde no esporte nem – muito menos – nos cuidados fundamentais na formação dos atletas. Deixam os garotos a “Deus dará” em termos de cultura, comportamento e ausência de modelos construtivos e positivos – vivendo apenas a dinastia do capital e dos melhores negócios para enriquecer a qualquer custo.
  2. O Flamengo é, hoje, um time quebrado. Tão quebrado que, pelo visto, não rescindiu o contrato do atleta. Se tivesse dinheiro em cofre e o mínimo de coerência política-administrativa-financeira e jurídica, já teria resolvido este imbróglio anos atrás. Aliás, se tivesse tudo isso, não teria afastado o Zico da forma que foi feita, não teria demitido o psicólogo do esporte Paulo Ribeiro – que, com 20 anos de servições brilhantes prestados ao clube – foi desligado do clube pelos caprichos do Luxemburgo. Enfim, são tantos absurdos que melhor nem começar a listar.
  3. Imaginem o Engenhão lotado e o Bruno no gol do Flamengo num clássico. O que isso representará para o futebol brasileiro às vésperas de uma Copa do Mundo? Qual será a repercussão nacional e internacional do retorno do goleiro aos holofotes da fama? Como seria o grito das torcidas? Já pensou?
  4. Se o tal do Macarrão assumir toda a culpa pela morte da Elisa, o Bruno sairá como inocente do caso e continuará sua carreira normalmente como atleta do Flamengo. E a torcida do clube? Como receberá o goleiro? E no seu clube, o que você acharia de recebê-lo?
  5. A incoerência, raiva, revolta e tristeza que a possível volta do goleiro aos campos de futebol gerou na opinião pública é algo digno de nota. Pelas redes sociais, a esmagadora maioria está revoltada com esta situação. Tenho cá minhas dúvidas se a Gávea será, assim, tão receptiva!
  6. Ainda que não seja provado e comprovado que Bruno matou Elisa, somente pelo seu envolvimento no caso – já me parece suficiente para que as portas do futebol sejam fechadas para ele. Aliás, se Bruno sair mesmo da prisão e reingressar no clube carioca, não terá cumprido pena alguma (mesmo que por participação indireta no caso)e Macarrão mofará na cadeia por longos 30 anos. Será correto e a justiça teria sido realizada neste caso?

São muitas as dúvidas e reflexões que o caso merece. Confesso que, em meio à tristeza, angústia e desânimo, encerro este post com a célebre frase e real constatação de Charles De Gaulle: “O Brasil é um país que não deve ser levado a sério”.

E ele tinha razão!

Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

O Santos Futebol Clube está na final do Paulistao 2012. Com um futebol técnico, de grupo e muito bem estruturado pelo treinador Muricy Ramalho – o Santos derrubou o São Paulo em pleno Morumbi por 3 a 1 com os três gols marcados pelo Neymar.

Algumas reflexões sobre o clássico:

1. Neymar é gênio e ponto final. Não vou comentar nada sobre esta afirmação. Me parece desnecessário. Ainda deve amadurecer alguns comportamentos desnecessários, mas a evolução deste atleta é fabulosa!

2. E o frango que o Denis levou? Não é a primeira vez que o goleiro do São Paulo falha. E agora? o Leão vai afastá-lo da Copa do Brasil? O Tite afastou o Julio César por menos que isso.

3. Emerson Leão – repito (e vou repetir sempre!) : é um treinador ultrapassado. Assim como Luxemburgo e Felipão. No entanto, com os jogadores que tem em mão, Leão fez um bom trabalho e demonstra um pouco mais de maturidade no comando. Até porque, o São Paulo fez um bom campeonato paulista e a ausência do Luis Fabiano foi sentida pelo elenco tricolor na eliminação para o Santos.

4. O Santos (ainda) é o melhor time do Brasil – disparado! Não conquistou o Brasileirão ano passado porque largou mão do torneio, mas numa dimensão nacional e em termos de América, não vejo nenhum time melhor que a equipe santista.

5. Enquanto o São Paulo fizer trabalho psicológico com médico psiquiatra – o emocional não será trabalhado adequadamente e no formato que a Psicologia do Esporte (ciência) pode oferecer.

O resto é choradeira, reclamação de arbitragem. Derrubar o Santos, hoje em dia, é tarefa para poucos. Bem poucos!

Hoje – dia internacional dos GOLEIROS – quero fazer uma homenagem ao JULIO CESAR – goleiro do Corinthians. Por que? motivos não faltam ! Ele é exemplo de amor à camisa – falha como todo BOM goleiro e ser humano “pode” falhar (e não me venham com esta de que “goleiro é o único que não pode falhar – porque isso é idealizar uma situação que só gera mais pressão num atleta que, como os demais, devem estar concentrados e equilibrados). Procurem ver a situação com menos paixão e mais coerência.

Julio César será afastado do time titular na sequência da Libertadores e isso, amigos, é o maior tiro no pé que um clube pode fazer pelo seu atleta. Afaste, sim, o Valdivia pelas conhecidas festas e faltas nos treinos como ele sempre costuma fazer na seleção chilena! afastem, sim, o Adriano pela total falta de comprometimento com o clube que defende – e olha que o Flamengo está prestes a fazer mais uma burrada! (não há tendão de Aquiles que suporte tanto peso!) – afastem, sim, o jogador irresponsável perante a si e ao grupo!

Agora, afastar um atleta exemplar em termos de comportamento, comprometimento e doação ao grupo é estupidez daquelas “de livro”! Sintoma de que a mentalidade frágil e superficial no futebol continua a mesma de sempre! No momento de dar força ao rapaz, os mandatários preferem afastar . Claro, é mais fácil! na cabeça deles, mais coerente. Afinal, ele anda falhando demais – deixem o rapaz pensar um pouco na vida. Como se o silêncio fosse o melhor educador neste caso.

Vocês já pensaram que tipo de mensagem este fato pode sugerir aos demais atletas? Olha, se falhar, tá fora!
E o trabalho psicológico no Corinthians vai ficando para 2o 3o 4o plano e a Libertadores correndo. O drama psicológico institucional que vive o clube (na minha opinião, o maior problema nesta relação turbulenta com a Libertadores) não é encarado da forma que deveria!
Se você é corintiano e não gostou do post, peço desculpas. Há momentos em que se deve conceber uma situação com menos paixão e mais coerência. Afundar que está por baixo, é fácil. Levantar quem precisa, ninguém tenta!
Deixa isso tudo pra lá! Parabéns Julio César, pelo exemplo que você dá de amor e doação ao seu clube. Parabéns a todos os goleiros pelo dia daquele que ocupa o espaço no campo quem nem grama nasce!

Pois é!  Esta mensagem – que não foi emitida pelos chefões da Ferrari e pedida pelo Galvão Bueno – poderia ter mudado  o resultado do GP do Bahrein. O estranho foi ler os jornais da internet e nada encontrar sobre este novo absurdo protagonizado pela equipe italiana que perdeu totalmente a credibilidade diante da opinião pública esportiva.

Quando o contrário ocorre, o rádio da equipe vira um megafone nos ouvidos do brasileiro como na corrida da China em que Massa estava à frente de Alonso e a Ferrari falou que “a estratégia era diferente”. Por que a “estratégia” nunca é a nosso favor? E o espanhol ainda pegou o vácuo de Kobayashi que entrava nos boxes para escapar da ultrapassagem de Felipe Massa e acabou atrapalhando ainda mais seu “companheiro de equipe” fazendo uma manobra ridícula na reta do Bahrein.

Nota ZERO para a Ferrari que é uma equipe de um piloto só e que perdeu a chance de mostrar que tem algum tipo de coerência, seriedade e competência. Na Espanha, quando o Rei vai caçar elefantes – o povo local perdoa. Quando Alonso mostra seu lado Dicky Vigarista (no melhor estilo do desenho “Corrida Maluca”), os espanhóis sempre dão um jeito de proteger e justificar.

Já, por aqui, a coisa parece ser bem diferente. Nem tanto ao mar. Nem tanto à terra. Não precisamos da ignorância absoluta na cega defesa dos absurdos nem, muito menos, da negação completa de uma visão realista e mais bem articulada!

Por menos jornal que isso possa vender!

A crise político-social vivida pelo Bahrein não preocupa o chefe da McLaren mais do que a violência urbana no Brasil. Foi o que Martin Whitmarsh deixou claro neste sábado, ao defender a realização do GP de Fórmula 1 no país asiático, no próximo final de semana.

Assim como em 2011, quando a corrida no Bahrein foi cancelada por falta de segurança, a nação do Golfo Pérsico segue vivenciado conflitos entre manifestantes e a polícia.

“Nós viajamos ao Brasil, para uma variedade de lugares. Estamos conscientes da segurança que temos que ter para alguns locais que vamos, e não estamos sempre tão confortáveis como gostaríamos de estar, mas nós não decidimos isso”, afirmou Whitmarsh ao jornal britânico Daily Mail.

Pois é, amigos. Gostaria de saber o que este senhor tem a dizer do pânico que o povo inglês diante da possibilidade de ataques terroristas. O que o chefe da equipe inglesa tem a dizer do assassinato do brasileiro Jean Charles em território britânico – ao ser confundido por terroristas.

Ah, sim, lá eles tem a Scotland Yard!

Ninguém fala nada diante de um absurdo destes? Comparar o Brasil ao Bahrein e perceber o silêncio das pessoas é, de fato, comprovar o que Nelson Rodrigues – há 60 anos – já dizia sobre o povo brasileiro: “um país com complexo de vira-lata”.

Tão complexado que é incapaz de defender a própria nação diante de falastrões que não tem moral alguma para falar de nosso país. A ideologia de que “tudo o que vem de fora é melhor” parece ainda permanecer nas ações culturais e sociais de nossos órgãos de imprensa e no senso comum.

Não temos moral para ir contra a fala deste e tantos outros sujeitos que ainda se julgam acima de nós, tupiniquins? Até que ponto, os próprios brasileiros tem culpa nisso tudo? Atletas que nos representam fora do Brasil costumam contar com pouco – ou nenhum apoio construtivo – nas opiniões e críticas do nosso povo. Pelo contrário. Na maioria das vezes, são expostos e detonados por jornalistas do nosso próprio país. Se não impusermos respeito a partir de nossas próprias ações, sujeitos infelizes como este senhor britânico continuarão falando o que bem entenderem sobre o Brasil.

Aí o leitor pode pensar: “Ah, nós podemos falar mal do Brasil para o mundo. Eles não!”.

Depois não adianta reclamar nem ficar de cara feia, certo?

O Flamengo está fora da Libertadores. Revolta, choro, indignação. De nada adianta agora a tristeza por esta vergonhosa participação do time iniciado por Wanderley Luxemburgo e assumido por Joel Santana.

Nestes (e em tantos outros momentos), a presidente do clube, Patrícia Amorim, deveria refletir um pouco melhor sobre suas atitudes e decisões atrapalhadas em todo o período de sua gestão. Como “prêmio” pelo mandato – foi nomeada ontem chefe da delegação da Seleção Brasileira de futebol feminino. Custo a crer…

Alo, Patrícia Amorim – quero te dar uma NOTA ZERO (bem redondinho) – aquele 0,0 mesmo, sabe? Com gosto e louvor!
Por que?

Você terceirizou (entregou de bandeja) o dpto de futebol do clube para pessoas pouco (ou nada) experientes!

Você abriu mão de dirigir o clube porque não teve pulso para administrá-lo! Tomaram ele de suas mãos?

Você apostou num treinador que já demonstrou que, há muito tempo, não está mais no “pelotão de elite” do futebol brasileiro!

Você está em vias de perder o Ronaldinho Gaúcho que estuda a rescisão de contrato – o que será – possivelmente, sua maior derrota no Flamengo!

Você permitiu a saída do clube do Paulo Ribeiro: um profissional que tinha 21 anos de clube – um dos melhores psicólogos do esporte disparado deste país! Tudo por conta de que? do sr. Kid Madureira. ! Sim, aquele que a senhorita acreditou que tinha um “proxétu”, lembra?

Você se cercou e confiou nas PIORES pessoas que poderia ter “ao seu lado”…

E agora aposta no Adriano – que, há muito tempo deu TODAS as provas que não quer mais NADA com o futebol. Quanto você vai pagar a ele? Qual o rombo da dívida que o clube irá arcar por mais este erro de estratégia?

O Flamengo e sua história são maiores que tudo o que você tem feito pelo clube! Prefiro nem citar o episódio envolvendo o Zico para não tornar o quadro ainda mais caótico – mas você escolheu o lado errado a seguir, Patrícia.

Afinal, clube de futebol não é piscina. E isso você já deveria ter aprendido!

Joel, amigo, abra seu olho…

A recusa de realizar o teste do bafômetro pelo treinador Mano Menezes reabre uma reflexão importante no mundo esportivo: até que ponto a participação de treinadores, atletas e dirigentes esportivos em comerciais de bebida alcoólica pode ser danosa em suas relações sociais e profissionais? Até que ponto fica comprometida sua confiabilidade na liderança da equipe e consistência no papel de comandante? Sendo garoto propaganda de uma famosa marca de cerveja e vivendo um período de desconfianças sobre seu trabalho à frente da Seleção Brasileira, não teria perdido nosso treinador, uma excelente oportunidade de dar um bom exemplo?

Atualmente, e durante toda a história, brasileiros, fanáticos por futebol, são surpreendidos por relatos de ídolos envolvidos com problemas decorrentes de consumo abusivo de álcool e outras drogas. Nesses casos, o enredo sempre se repete. Dirigentes, técnicos, colegas de profissão e imprensa lamentam o acontecido, anunciam providências e, nas entrelinhas, responsabilizam exclusivamente o jogador diretamente envolvido que, na maioria dos casos é uma vítima. Em vez  de ser tratado corretamente como um doente, é taxado como um irresponsável que está jogando seu talento pela janela.

A verdade é que todos os envolvidos com o espetáculo do futebol têm uma parcela de responsabilidade e desfilam hipocrisia ou ingenuidade em relação ao assunto. Ou, senão, vejamos:

É coerente um técnico condenar um jogador por suas “noitadas” regadas a álcool e ao mesmo tempo aceitar ser protagonista de uma propaganda de cerveja? É sincero o sentimento de solidariedade de um colega de profissão que lamenta a condição de alcoólatra do companheiro, mas aceita relacionar sua imagem à idéia de que aqueles que consomem determinada marca de bebida alcoólica alcançam mais sucesso? O dirigente que aceita o patrocínio da indústria de bebidas nos empreendimentos da sua entidade tem estatura moral para punir atletas que bebem? E os veículos de imprensa que financiam suas coberturas e transmissões com dinheiro da venda de cerveja, tem isenção para tratar casos desse tipo?

É preciso entender que a propaganda é o principal incentivador do consumo de bebidas alcoólicas no Brasil e no mundo. Por isso em muitos países ela foi banida, com excelentes resultados para a saúde pública. E quando relacionada ao futebol e aos ídolos do esporte, esse potencial cresce exponencialmente.

Todos envolvidos nesse esforço publicitário colaboram para o alcoolismo entre os jogadores. E, se apenas concorrer para que carreiras sejam interrompidas não comove a indústria do futebol, talvez a apresentação de outras estatísticas que tenham sua colaboração a faça pensar.

Segundo a ABEAD, Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas

- O alcoolismo causa 57 mortes por dia no Brasil

- 12,3% dos brasileiros entre 12 e 65 anos são portadores de alcoolismo.

- O álcool é responsável por 70% das mortes violentas ocorridas no Brasil.

- O álcool é responsável por 45% de todos os problemas familiares e conjugais.

- O álcool é responsável por 42% dos acidentes de trânsito.

- A cerveja representa 73% do consumo de doses acima do recomendável.

Os – quase inexistentes –  programas de prevenção e promoção de saúde no esporte fornecem um suporte de educação e orientação aos atletas. No entanto, não se pode garantir que jovens garotos – ou até jogadores mais experientes – não se tornem alvos vulneráveis a estas associações perigosas entre sucesso, fama e álcool. Até porque, a face ilimitada da busca pelo prazer expõe a fragilidade emocional e, muitas vezes, coloca um ponto final no sonho da realização profissional além, claro, de produzir danos irreparáveis à saúde.

E pensar que programas psicológicos, sociais e preventivos são raros – ou inexistentes – nos grandes clubes deste país. Os dirigentes, infelizmente, ainda não contabilizaram o prejuízo que esta lacuna gera na criação e desenvolvimento de atletas saudáveis e bem adaptados socialmente.

O jogador do 13 da Paraíba, Léo Rocha, foi demitido do clube após errar a última penalidade do time contra o Botafogo pela Copa do Brasil. Cenas lamentáveis de humilhação protagonizadas pelos jogadores do clube carioca e, pasmem: pelos diretores do clube paraibano! Sim, amigos, hoje assisti uma cena recuperada daquela noite em que um diretor praticamente chega a vias de fato no túnel de acesso ao vestiário após o triste desfecho para a ex-equipe de Léo.

O futebol realmente está ficando cada vez mais chato e óbvio. Tudo aquilo que – de alguma forma – tenta inovar e trazer um pouco mais de graça e leveza, logo se torna algo proibido ou concebido como falta de respeito. Ora, falta de respeito me parece o diretor de um clube empurrar e gritar com um jogador após um erro que poderia ter ocorrido com o Loco Abreu, por exemplo. Aliás, os jogadores do Botafogo precisam rever seus conceitos e comportamentos. A coisa por lá anda feia e não é de hoje. O clube – passou da hora – necessita resgatar suas origens e voltar a ter uma conduta e mentalidade vencedoras. Gritar e humilhar jogadores do 13 da Paraíba não é um bom sinal.

Por outro lado, o futebol perde ainda mais seu encanto cada vez que os sistemas defensivos e a obviedade são desafiados. Léo Rocha (assim com oLoco Abreu e uma porção de outros artistas da bola) já concretrizaram , com sucesso,  algumas penalidades que foram executadas com a famosa “cavadinha”. Só erra quem arrisca.

Léo Rocha foi do céu ao inferno e agora procura um time para jogar. O problema é que, boa parte deles, não vai querer jogadores ousados. Afinal, é muito mais fácil ficar na zona de conforto a colocar um pouco de graça, emoção e alegria ao nosso futebol.

Havia um famoso empresário em Ribeirão Preto – engraçado, carismático e corajoso que não perdia a chance de dizer, a cada novo lance ousado e arriscado em seus empreendimentos: “quem não morre, não vê Deus”.

Alô, pessoal – o futebol ficou redundante, previsível e entediante. Fair Play, ética e espírito competitivo são lembrados APENAS quando interessa.

É hora de mudar!

Amigos, depois de ver aquela foto lamentável do Bellucci virando o rosto na hora de cumprimentar o Roger Federer após mais uma derrota – demonstrando a total falta de maturidade e respeito,  assisti uma cena deplorável durante a decisão das penalidades na partida da Copa do Brasil entre Botafogo e Treze da Paraíba.

Na última cobrança, o jogador do Treze tentou uma cavadinha – que não deixa de ser mais um recurso – e o goleiro Jeferson pegou. Em seguida, correu para gritar na cara do jogador da Paraíba ( “aqui não! aqui não ! bradou o guarda-metas!) e os demais atletas do alvinegro carioca fizeram o mesmo – crescendo para cima do jogador adversário.

Xingaram e humilharam o atleta paraibano. O jogador do Treze, olhando para baixo, caminhou em direção aos vestiários – sem esboçar a MENOR reação. Longe de mim defender fracos e oprimidos. A idéia não é esta! Por outro lado, acho imperdoável esta falta de fair play. Em especial, quando existe – na teoria e prática – um atleta/equipe com superioridade flagrante, histórica e inquestionável.

Os jogadores do Botafogo do Rio merecem nota ZERO pela atitude antidesportiva diante do jogador do Treze. Ou será que o time dirigido pelo Oswaldo de Oliveira precisa de tanta agressividade e falta de desportividade contra o poderoso Treze da Paraíba?!

Do lado do tenista brasileiro, a nota zero em sua conduta apenas frisa – uma vez mais – a fragilidade psicológica e comportamental deste garoto que insiste em não enxergar e cuidar de suas fragilidades mais óbvias e evidentes.