Gazeta Esportiva

Seven Heaven - Castle Journal - USA

Caio Jr foi demitido do Grêmio e – mais um vez – teve abortado o sonho de “barcelonizar” um clube que dirige. Fico impressionado em constatar como o povo brasileiro, muitas vezes, opta pelo imediatismo em detrimento ao trabalho de base, construção de equipe, formação de treinadores e modernização na política e administração dos clubes. Com um jogo perigoso de palavras, constróem castelos que caem sobre suas cabeças em pouquíssimo tempo.

Caio Jr é um sujeito bem intencionado e tem boas idéias. No entanto, precisa rever seus conceitos. O técnico costuma atuar com motivadores que não são formados em Psicologia e que acabam depondo contra a seriedade do seu próprio trabalho. Aliás, a Psicologia do Esporte perde ainda mais espaço cada vez que técnicos optam pelo trabalho destes “fazedores de milagres” que nada conhecem o trabalho científico desta fundamental área do treinamento esportivo.

Por falar em “fazedores de milagre”, o Grêmio conversa com Luxemburgo para levá-lo o comando do time. Luxa – que contrata os serviços do Pai Robério de Ogun (o mesmo que garantiu o Flamengo campeão em 2011) – deve ser a novidade no Grêmio para a temporada deste ano.

Se alguém, aqui, me apontar Pais de Santo, engenheiros motivadores, animadores culturais, baixíssima ou inexistente construção de atletas na base e esta esbórnia política/administrativa no Barcelona, prometo me retratar publicamente. Do contrário, senhores treinadores, evitem falar na “barcelonização” – pois isso pode pegar muito mal nos clubes que forem comandar. O torcedor brasileiro é, sim, o mais fanático do planeta – mas nem por isso é o mais alienado!

O castelo (montado por pecinhas da Lego) foi mal colado e  quebrou, mas a lição, pelo visto, ainda não foi bem compreendida!

Prezados,

Gostaria de convidar a todos os amigos e leitores da Gazeta Esportiva a conhecer o novo espaço da Psicologia do Esporte inaugurado no Youtube e por mim administrado. Espaço em que abordo- via audio e video -  temas importantes do esporte e sua relação com esta nova ciência do treinamento:

http://www.youtube.com/user/jrcozac1

Será um prazer contar com sua visita e comentários!

Abraços e obrigado, Joao Cozac.

A derrota no clássico diante do Corinthians foi emblemática diante dos problemas políticos, administrativos, técnicos e institucionais que a equipe do São Paulo vive atualmente. Ao longo da transmissão da partida em que perdeu a invencibilidade comentou-se diversas vezes  que o time sofre pelo desequilíbrio emocional. Aquele discurso já conhecido e que, infelizmente, nada é feito para atender estas demandas. Afinal, reconhecer que o time necessita de um trabalho psicológico parece demérito aos olhos dos dirigentes tricolores.

O Corinthians, por sua vez, mostrou maturidade e bom futebol – embora tenha atuado sem titulares importantes que foram poupados para a estréia do time na Libertadores. A equipe dirigida pelo treinador Tite combinou tranquilidade, boa marcação e objetividade. Já o time comandado por Émerson Leão demonstrou fragilidades psicológicas e emocionais. Não apenas por conta da expulsão de João Filipe nem da perda da penalidade por Jadson, mas sobretudo, por um flagrante comportamento ansioso e com baixíssima capacidade de concentração.

A ativação interna e emocional de um grupo passa, necessariamente, pela forma de condução de seu treinador. No caso do São Paulo, Leão não tem (e nunca teve) um formato comportamental adequado nos grupos que trabalhou. Visivelmente nervoso à beira do gramado e gritando com o quarto árbitro, o que menos Leão consegue fazer é tranquilizar o elenco. Tite, consegue passar uma tranquilidade ao elenco. Por mais críticas que possa receber na forma tática de atuar, o técnico do Corinthians tem muito mais carisma e bom senso no relacionamento com seus atletas. E isso pode ser observado dentro de campo!

O Corinthians vive a expectativa da estréia de um torneio que toda sua torcida almeja conquistar. O São Paulo ainda tenta encontrar o time ideal para 2012. A meu ver, iniciou errado pela opção do treinador. O campeonato paulista pode ser um termômetro interessante para o que virá pela frente. Tanto a Libertadores para o Corinthians, como a Copa do Brasil e Brasileirão para o São Paulo.

O tempo dirá? Ele já está dizendo…

Em tempo: meus parabéns ao árbitro Raphael Claus! Fantástico na parte técnica e impecável no campo disciplinar.

Versão 1
Santos e Palmeiras viajaram juntos para Presidente Prudente antes do clássico realizado no último domingo. No meio do vôo os jogadores se estranharam. Houve princípio de pânico no avião e os alertas de emergência foram acionados.
As comissões técnicas tentaram apaziguar o desentendimento entre os atletas e acabaram se envolvendo numa pancadaria que colocou em risco a segurança de todos os presentes.
Nem os pedidos frenéticos de calma do piloto foram capazes de tranqüilizar o ambiente. Após longos 40 minutos de discussão, finalmente os comissários de bordo conseguiram apartar focos da briga e terminar a viagem com a guerra aérea sob controle.
Na chegada dos times, quatro viaturas aguardavam o desembarque dos atletas. Cinco deles foram para a delegacia local e fizeram um boletim de ocorrência.
Versão 2
Santos e Palmeiras viajaram juntos para Presidente Prudente antes do clássico realizado no último domingo. Os jogadores estiveram juntos no avião em um clima ameno e de muita descontração.
Neymar foi conversar com Felipão e ali ficaram bons minutos trocando idéias. Marcos Assunção viajou ao lado dos colegas que trabalham no Santos. Em especial, do amigo Elano. Risadas e pagode foram escutados durante toda a viagem.
Os atletas aproveitaram o momento para colocar o papo em dia. Falaram de Seleção Brasileira, de Libertadores, dos novos momentos da aposentadoria do ex-goleiro Marcos – do Palmeiras – além do temor em relação ao calor que enfrentariam em Presidente Prudente.
Muricy deu um abraço em Felipão e os dois brincaram com Neymar – o aniversariante do final de semana. O avião pousou em Presidente Prudente e as equipes seguiram para o hotel no melhor clima de amizade e harmonia.
Reflexão necessária:
Se as equipes de dois times rivais conseguem interagir de maneira tão positiva dentro de um avião – por que torcedores do mundo inteiro brigam dentro e fora de estádios que tem muito mais espaço? Que estranha doença é esta que estimulou a avidez do ser humano pelas tragédias, se não, as próprias tragédias em si?

Calma meninos do Flamengo! O Papai Joel chegou com sua prancheta para as aulas animadas e aquela resenha esperta que todo mundo adora, certo?

Kid Madureira perdeu o braço de ferro com a direção do clube, empresários e atletas. Ficou sozinho no meio do oceano e acabou demitido pela presidente Patricia Amorim.

Aliás, em um  mandato mais que catastrófico, é óbvio e evidente que Patrícia Amorim, não é de hoje, já perdeu as rédeas da Instituição. Machismos à parte, o pessoal do clube passa por cima dela sem a menor cerimônia. Patrícia apenas ocupa a cadeira burocrática do clube. As decisões efetivas e importantes passam longe de seu escritório.

Um bando de meninos rebeldes, sem trabalho psicológico (desde que Luxa pediu para desligar o brilhante psicólogo do esporte Paulo Ribeiro da Comissão Técnica da categoria profissional) – com atrasos no pagamento dos salários e bichos, Papai Joel chega como uma espécie de apaziguador de uma situação que, a olhos vistos, passou dos limites da gravidade.

Ronaldinho Gaúcho está com a moral alta no clube que preferiu acertar as pendências financeiras com o jogador antes que problemas maiores pudessem ser gerados. Joel vai ter um papo espertíssimo com Ronaldinho. Vai aconselhar o garoto a satisfazer seus desejos sexuais em ambientes mais apropriados que em frente a um computador ligado na internet com webcam – certamente pedirá seu apoio para conquistar o grupo e naquele bate-papo simpático de boleiro, deve, aos poucos, colocar ordem no ninho do urubu.

Enquanto isso, Caio Jr corre da sombra de Luxa! E olha que o Kid Madureira não é lá muito chegado a palestras de engenharias de motivação! Ele já caiu neste conto e viu que é tudo papo furado!

E o futebol brasileiro ainda vive a mesmice da frenética repetição destes comandantes que já nos fizeram rir com suas idéias e comportamentos singulares!

Good sorte Joel! You will precisar de a lot of sorte!

Ao ser indagado por um repórter se sentia medo antes das lutas – Vitor Belfort respondeu:
- Medo, por que teria medo?
- Ora, disse o repórter. Porque seu adversário é grande e forte.
- Mas eu também sou – completou Vitor.
O repórter se calou e Belfort completou:
- Dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. Eu sinto amor e não medo. Os dois não podem coexistir! Você precisa escolher um deles para seguir vivendo e lutando!

Antigamente quando um atleta não jogava bem ou não conseguia atingir um bom preparo físico, mandavam a tia da cozinha embora e comentavam nas esquinas do clube que “o cabra estava sofrendo da cuca” ou até que “seu miolo estava meio torto”. Nelson Rodrigues, após nossa inesquecível derrota para os uruguaios na final do Mundial de 50 no Brasil publicou: “se em vez do treinador Flavio Costa no túnel do Maracanã estivesse o Freud, talvez tivéssemos conquistado a Copa”. Muito bem, isso foi há 62 anos.

Hoje li uma matéria sobre as dificuldades de performance do jogador Neto Berola do Atlético Mineiro. O preparador físico Carlinhos Neves, com décadas de experiência em grandes clubes e também na Seleção Brasileira jogou a toalha e já está achando que o problema do atleta é psicológico. Aliás, todos os males não explicados pelos médicos, treinadores, preparadores físicos, presidentes, diretores de futebol se tornam psicológico da noite para o dia.E nada costuma ser feito após esta constatação.

Depois de quase 20 anos pesquisando, atuando, lecionando e pensando a Psicologia do Esporte, confesso que sinto um desânimo imenso ao me deparar com este tipo de notícia. Nos clubes que atuei como psicólogo do esporte, constatei – em alguns dirigentes, atletas e treinadores – o ranso de desconfiança, dificuldade de compreensão do papel do psicólogo esportivo e de suas funções – além de um estranho olhar para as atividades desenvolvidas e propostas por esta nova e fundamental ciência do treinamento esportivo.

Neto Berola pede ajuda através de sua insistente queda de rendimento físico – pelas palavras do Carlinhos Neves e da torcida do Galo. Cuca, Khalil e Eduardo Maluf devem estar pensando numa solução para o problema do atleta. E Nelson Rodrigues, se vivo, certamente diria neste momento: “mas afinal, o que entende de alma  um treinador de futebol”?

Indonesian Soccer Journal

Amigos, a Copa São Paulo de futebol juniores está chegando ao final da primeira fase. Falta de talento, excesso de vaidade, melindre e raros momentos de bom futebol.

Será um reflexo do que tem apresentado as nossas equipes profissionais?

Com sete Romários espalhados pelas 90 equipes, jogadores com o corte de cabelo do Neymar e com o futebol fora de comparação com o ídolo santista e um  “ai se eu te pego” a cada  bola na rede, o torneio mais importante da categoria é a ponta de um iceberg perigoso e que denuncia a falta de cuidado dos dirigentes com as categorias de base.

Fato comum no interior de SP, muitos times sumariamente ignoram a importância da formação de atletas e deixam seus plantéis à mercê dos empresários. E olha que não são poucos os clubes que adotam este expediente.

Já na capital, uma das instituições que mais investe nas categorias de base foi eliminada logo na primeira fase. O São Paulo Futebol Clube está naufragando dentro de suas próprias fragilidades. Na base, perdeu o treinador Sérgio Baresi para o Paulista de Jundiaí. Coincidência – ou não – após a saída de Baresi a equipe de juniores perdeu seu formato de jogo e gerou um espanto em toda a cúpula tricolor.

Outro fato ainda incompreensível é a ausência de setores de Psicologia do Esporte nos clubes de futebol. Especialmente nas categorias de base. Como formar atletas competentes (dentro e fora de campo) sem a valorização do trabalho psicológico na formação destes seres humanos que tão cedo são expostos a dificuldades altíssimas diante de suas fragilidades sociais, emocionais e culturais?

Meninos de grandes times passeiam em campo desfilando escudos emblemáticos de clubes que são referências no mundo futebolístico nacional. Não importa o resultado do jogo. O que vale é o toque de calcanhar ou lances de efeito mesmo com o time perdendo a partida.  Nos bancos de reserva, treinadores pouco preparados para lidar e reconhecer estas demandas.

A esperança de tempos melhores no nosso futebol ainda é uma névoa branda no horizonte da desinformação, ignorancia e superficialidade…

O BBB – há dez anos em horário nobre – não nos deixa mentir…

A goleada do Barcelona (a maior da história em finais deste torneio) não foi apenas uma simples aula de futebol. Tomamos uma surra tática, técnica, física e psicológica – além de um chacoalhão violento para cairmos numa realidade que o brasileiro não consegue encarar: não temos mais, há tempos, o melhor futebol do mundo!

Depois do Carrossel Holandês que reiventou o futebol ao mundo, o Barça mostrou que este esporte exige profissionalismo, cultura, seriedade, administração, filosofia de trabalho, macro e micro ciclo de treinamentos (em todas as áreas) com monitoramento realizado por profissionais qualificados.

O Santos, por sua vez, poderia ter feito um pouco mais nos noventa minutos. Por outro lado, sem um departamento de Psicologia atuante e capacitado por profissionais das psico e neurociências do esporte – como no caso do Barça – a equipe de Muricy Ramalho entrou com as pernas pesadas – aliás, comum em equipes brasileiras que disputam o mundial interclubes da Fifa. Visivelmente nervosos e pouco concentrados, os jogadores do Santos perderam o rumo diante da correria mais objetiva, envolvente e impressionante que já vi num time de futebol. O que mais preocupa é que o próprio Santos figura, atualmente no cenário nacional, entre os melhores times brasileiros.

Precisamos baixar nossa bola, amigos! se não tivermos a humildade necessária neste momento, para refletirmos e mudarmos tantas coisas erradas no nosso combalido futebol, certamente perderemos ainda mais espaço para os clubes e seleções européias.

Pensem no seguinte: poucas semanas antes do Mundial, o time do Barcelona atuou com sua equipe principal nos torneios locais. O Santos, por sua vez, abandonou o Brasileirão – colocando os titulares para “descansar”. E a parte psicológica? O Santos (e a esmaagadora maioria dos times no país) não aposta numa preparação psicológica, motivacional e emocional adequada e científica. Como muitos outros clubes costumam fazer, contrata psiquiatras e leva humoristas para descontrair o ambiente dos atletas. O resultado deste “trabalho” me parece óbvio.

Outro fator que me parece relevante: 9 dos 11 jogadores titulares do Barcelona cresceram e se desenvolveram no clube catalão. Aprenderam a cultura e filosofia da instituição. E o melhor: a custo zero para o clube! Por aqui a coisa é bem diferente! Mesmo que muitos clubes tenham atletas formados em suas bases, nossa cultura ainda privilegia a formação de craques e não de equipes.

Pepe Guardiolla afirmou, após o jogo que seus pais sempre lhe diziam que o futebol ágil e rápido na posse de bola dos brasileiros deveria ser copiado. Foi tão bem xerocado que eles, hoje, nos fizeram lembrar o quão longe ficamos de nossas bases e origens futebolísticas.

Por aqui, muita gente reclama que as televisões ficam passando os jogos da Champions League . Será que preferem assistir aos jogos contra Gabão, Catar, Uzbequistão em estádios que praticamente não tem nem gramados? Pois é – planejamento é algo que foi para terceiro, quarto, quinto plano na CBF.

Mano Menezes, ao assumir a Seleção, colocou a criação de um departamento de Psicologia Esportiva como prioridade. Faltam  poucos meses para a Copa das Confederações e o projeto, pelo visto, ficou para sexto plano.

A verdade, amigos, é que ainda estamos no ginásio do futebol , enquanto tem muito time e seleção por aí que já é livre-docente (pós-doutores). O que mais me assusta é que o continuismo desta filosofia ultrapassada no Brasil tende a permanecer. Ainda buscamos ídolos que nos representem nos gramados (e fora deles!) , esquecendo que, dentro de campo, o ídolo não sobrevive sem um todo, uma unidade que atua dentro de uma engrenagem que privilegia o espírito de grupo e coesão de interesses. Vejam o Messi na Argentina. Quando ele atua pela seleção, não consegue nem 40% de seu potencial. Será que é tão difícil assim encontrar a resposta sobre esta diferença de performance?

Constatar é fácil. Fazer é que são elas. Não montaremos “Barcelonas” da noite para o dia, mas é preciso começar por algum lado. A fiolosofia institucional e concepção de preparação esportiva (áreas de atuação) devem ser repensadas e alteradas com critério e bom senso. Após cair a ficha do baile que levamos na final do Mundial, é preciso reconsiderar algumas questões sumariamente ignoradas pelos nossos dirigentes que ainda vivem em períodos jurássicos e vaidosos – sonhando que ainda temos o melhor futebol do mundo.