O futebol brasileiro é uma vergonha

Amigos, nosso combalido futebol tem sido uma fábrica de anti-exemplos dentro e fora de campo. Marmeladas, jogos de comadres, punições descabidas, violência e falta de ética são alguns dos temperos que, há tempos, azedam o doce gosto de acompanhar este esporte no Brasil. Vale dizer que baixa motivação e marmelada são coisas completamente diferentes. Alguns fatos revelam pontas de um iceberg doente, desmoralizado e frágil.

Palmeiras x Fluminense: pior que casados contra solteiros

Outro dia assisti, de graça, na cidade de São Roque, uma partida entre casados e solteiros num domingo de sol a pino – um calor de matar. Trabalhadores comuns que dão o sangue durante a semana e esperam aquelas duas horas dominicais como uma criança aguarda o Papai Noel.

Foi 5 a 3 para os solteiros que corriam mais e tinham menos churrasco e cerveja na barriga. Foi um jogaço!

Na Arena Barueri, com milionários passivos e desmotivados dentro de campo e pessimamente orientados, assisti um fiasco de partida. Vi, na arquibancada, palmeirenses revoltados xingando seus jogadores e exigindo que a partida fosse entregue ao adversário. Foi a primeira vez que escutei sonoras vaias após um golaço daqueles raros de acontecer atualmente.

O jogo terminou aos exatos 12 minutos do segundo tempo quando o Fluminense anotou o gol da vitória. Dali para frente, os palmeirenses ficaram com medo de encostar na bola, saíam de lado nas divididas e corriam nitidamente para não chegar na bola. Medo da torcida? Falta de amor à camisa? Prejudicar o rival Corinthians? Pagamentos atrasados? Qualquer uma destas hipóteses não justifica aquele papelão dentro e fora de campo. Os valores do futebol estão corrompidos há muito tempo e ninguém está se preocupando com isso. A tendência é que, em pouco tempo, tudo vire uma tremenda, permanente e irreversível marmelada. E o torcedor ainda paga seus 40 ou 50 reais por um ingresso. Vá para o teatro, cinema ou circo, amigo!

Você ganhará muito mais (ou perderá muito menos) e não será enganado na cara dura! Atualmente, perder uma partida para não favorecer o rival é um comportamento esperado e, de alguma forma, aceito e reforçado socialmente. A camisa, história, força e significado dos escudos já não tem a menor importância.

STJD faz parte do circo

Sim, o STJD tem demonstrado fragilidade e falta de coerência em seus julgamentos. Como explicar, por exemplo, que em 2009, Belluzzo ofendeu Carlos Eugenio Simon e a CBF,  pegando 870 dias de gancho e em 2010, Perrella ofendeu o árbitro Ricci, Sérgio Correia e Corinthians e ganhou apenas 30 dias de gancho? Será que como Perrella – convidado para ser chefe da delegação brasileira – poupou a CBF, a pena foi outra?

Dentro de campo, as últimas marmeladas (leia-se: Corinthians fazendo corpo mole em 2009 contra o Flamengo em Campinas, São Paulo e Palmeiras atuando de forma patética contra o Fluminense) apenas comprovam a falta de seriedade, respeito e total desmoralização do futebol brasileiro. Afinal, por aqui, a malandragem sempre teve seu espaço garantido em vários segmentos da nossa sociedade.

Neste total e completo “vale-tudo”, o torcedor, mais uma vez, é um fantoche diante de situações inusitadas que – com o andar da carruagem -  estão se tornando rotineiras e comuns.

Se o STJD faz alguma coisa diante de tudo isso? Definitivamente, não! O caminhão de barbaridades deve continuar em 2011. Isso é fato. O rigor que os tribunais de justiça desportiva europeus tratariam estas questões, acreditem, não seria tão amistoso e ausente como aqui se pode comprovar.

O Corinthians perdeu dentro de campo

Como no futebol, o “jogo só termina, quando acaba”, é sempre bom ter cautela nas afirmações. Eu mesmo já fui derrubado várias vezes em palpites de partidas que eram favas contadas. De toda forma, a atual segunda colocação do Corinthians se deu, basicamente, por dois motivos: as ações táticas e técnicas desastrosas do treinador Adilson Batista e, principalmente, pela dificuldade em vencer jogos disputados no Pacaembu que eram teoricamente fáceis contra times de menor expressão. De nada adianta vencer os gigantes se, na hora de encarar os anões, uma pane coletiva dominar o emocional, motivacional e psicológico dos atletas.

O Fluminense não tem nada a ver com isso. Se o título dos cariocas for concretizado, certamente estará em boas mãos. Até porque, ninguém nas Laranjeiras vai reclamar das vitórias obtidas contra São Paulo e Palmeiras, certo?

Vexame palmeirense no Pacaembu

Amigos, quando penso que já vi de tudo neste mundo maluco do futebol, sempre aparece uma surpresa disfarçada de zebra. Desta vez foi o rebaixado Goiás, que eliminou o Palmeiras da final da Copa Sul-americana.

Jogando com o time titular (reserva para o Felipão), a equipe de Palestra Itália demonstrou apatia, fragilidade defensiva, desconcentração, falta de comunicação e um nervosismo inexplicável durante o jogo.

O Palmeiras não assimilou bem o gol de empate do Goiás ainda no final do primeiro tempo e, na etapa final, praticamente não entrou em campo e foi completa e totalmente dominado pelo time adversário. Méritos, aplausos e todo merecimento aos goianos!

Em meio a uma turbulência política no clube e contando com um elenco dos piores nos últimos tempos, o Palmeiras se despediu de 2010 em clima melancólico. Todos ali sabem que a única jogada técnica e efetiva do grupo está nos pés de Marcos Assunção. Com o Valdívia fora por conta de lesão, o time ficou órfão na criação e em todo o setor de armação.

Ainda assim, quem – em sã consciência – poderia imaginar que o Palmeiras seria eliminado da tão sonhada final sul-americana após uma década de espera? A verdade é que este resultado derrubou meio mundo que já colocava o alviverde paulista na final. Inclusive este colunista.

Os primeiros dez anos deste milênio não deixarão saudades no coração do torcedor palestrino. Felipão demonstra um desgaste visível à frente do clube que paga um salário astronômico ao treinador. O psicológico do grupo – quando foi realmente testado – ruiu diante das armadilhas da ansiedade e ausência de concentração.

O clima no Palmeiras estará ainda mais complicado nos próximos dias. Felipão comentou que “vencendo ou perdendo a partida contra o Goiás, o time que entrará em campo no domingo será o mesmo que o dos jogos anteriores e recentes” – portanto, ironias do técnico à parte, ele virá com o grupo reserva diante do Fluminense.

O fato, amigos, é que o treinador do Palmeiras deitou, rolou e se divertiu com as notícias da imprensa nos últimos dias – como se sua equipe já estivesse na final da Sul-americana e o Brasileirão fosse coisa do passado (sem valor algum).

A torcida do Palmeiras está inconformada. E não é para menos. Como explicar o inexplicável para aqueles garotos chorando após a partida?

Nesta hora, de fato, a garganta trava e o peito chora. Não se pode brincar com o futebol. Ele é implacável e imprevisível. Todo cuidado é pouco. Mais uma lição para cartolas, treinadores e aplicadores de testes psicológicos no futebol brasileiro.