River Plate e o inédito rebaixamento

Após 110 anos de história, o River Plate – pela primeira vez – disputará a série B do Campeonato Argentino. Até então, apenas Boca, Independiente e o próprio River jamais tiveram esta experiência.  O clube cujo presidente é o ex-ídolo Daniel Passarela viveu um dia amargo no Monumental de Nunes ao empatar com o Belgrano e dar adeus à elite do futebol nacional.

No jogo de ida, em Belgrano, uma cena incomum chamou a atenção durante o primeiro tempo da derrota do River Plate para a equipe local por 2 a 0, na última quarta-feira, em Córdoba, pela Promoción do Campeonato Argentino (uma espécie de repescagem para definir quem jogará a Primeira Divisão). Nos minutos finais do primeiro tempo, o técnico J.J. López chegou a chorar logo após o primeiro gol do adversário.

Em campo, o time foi o reflexo da atitude do comandante: sofreu o segundo gol e não conseguiu reagir.

Amigos, a figura do treinador tem um significado muito importante. É o termômetro do time. Lembram do Azulão? O São Caetano começou a perder aquela Libertadores de 2002 quando Jair Picerni foi expulso, na final contra o Olímpia.

A falta de equilíbrio do treinador – de fato – foi  catastrófica para a equipe. Ele é a referência. Se o maestro vai mal,  a orquestra desafina.  J.J. López  deveria ser o primeiro a passar a segurança para que os atletas tivessem o equilíbrio emocional necessário para reverter um quadro tão desforável como este.

Ser rebaixado no campeonato argentino é como repetir de ano naqueles colégios em que você tem todas as chances (e mais algumas) de recuperação, prova substitutiva, reposição, segunda época, terceira época, conselho de classe e, se ainda assim não passar de ano, tem a possibilidade de bater um papo com a diretora da escola e pedir clemência.

De nada adiantou. O River desperdiçou todas as oportunidades e deixou o mundo do Boca Juniors em festa. Aliás, festa que não tem hora para terminar. Assim como o sofrimentos dos torcedores do River.

Futebol: baladas, adolescência ou vida normal?

Ser jogador de futebol não é – definitivamente – tarefa das mais fáceis. Se for famoso, piorou. O sujeito não pode aparecer num boteco que sempre tem um celular ou câmera digital para constatar que o atleta também pode ser um sujeito normal e fazer tudo igual. É bem certo que o corpo do atleta é seu ganha pão e, desta forma, deve ser preservado e ter um cuidado todo especial com a saúde.

Por outro lado, o sensacionalismo cultural já institucionalizado atingiu níveis desnecessariamente altos e os jogadores, cada vez mais expostos, devem exagerar no resguardo e cuidados quando das aparições públicas.

Sim, amigos, o preço por calçar chuteiras famosas é alto. Bem alto. O torcedor não quer nem saber se o clube liberou ou não o atleta para uma saidinha. Nem que seja um simples jantar com a namorada. O que importa é que os despertadores cantam bem cedo e – com eles – as trombetas implacáveis e afiadas que são trazidas pelo nascer do sol perseguem o jogador até na hora do supermercado.

Já passou da hora desta meninada aprender a lidar com o assédio da imprensa, torcida e os fiscais da boa saúde que – de fato – pouca saúde tem. No futebol – e também em outras modalidades – a sobrevivência depende destes pequenos (grandes) cuidados que nem sempre são observados.

É como se a sociedade tivesse se tornado – para estes garotos – uma espécie de pai autoritário que regula a hora do filho chegar em casa. Se abusar, é castigo na certa!

A síndrome da adolescência normal – ao que tudo indica – não é vista com tanta normalidade quando o foco é a exigência por comportamentos adultos de jovens que abriram mão deste período fundamental do desenvolvimento humano.

Afinal, atrás daquelas entrevistas estereotipadas (“o jogo foi bom e, se Deus quiser, vamos ganhar” – ou  “o jogo foi bom e se a bola tivesse entrado, teríamos vencido” ) há almas incandescentes e carentes de vida – no melhor sentido da palavra.

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