A difícil arte de competir

Auto-estima, identidade, confiança e segurança. Ingredientes fundamentais para que o atleta tenha estabilidade e bom rendimento nas competições.

Fato comum nas demandas psicológicas esportivas, constato o aumento considerável de atletas que treinam muito bem, mas na hora dos torneios – momento agudo em que se colocam à prova, boa parte deles apresenta queixa de perda de concentração, queda vertiginosa da motivação e aumento considerável dos níveis de ansiedade.

Muitos são os fatores envolvidos neste processo. Um deles (também recorrente) é a dificuldade dos treinadores em perceber que o treino pode – e deve – ser um momento de ensaio e simulação das provas. Outro fato constatado é a diferença de mentalidade dos técnicos e atletas. Muitos treinadores – provenientes de uma ou duas gerações anteriores – acreditam nos mesmos modelos de atuação, ensino e treinamento dos tempos em que eram atletas. É desnecessário afirmar que as demandas da atual geração são diferentes e o esporte – cada vez mais  próximo da ciência – evoluiu para caminhos mais tecnológicos e com exigências específicas que devem ser atendidas.

À parte de toda esta questão – existe o ser humano com sua história de vida, campo emocional, dificuldades de interação, crescimento e habilidades para lidar com as exigências e expectativas sociais. É inviável atuar com o ser atleta sem considerar as necessidades, fragilidades e potencialidades do ser humano.

Medo do fracasso e medo do sucesso. Medo da exposição e julgamento. Insegurança e vertigem nos momentos mais agudos. Trabalhos e técnicas cognitivas que ensinam estes garotos a respirar, manter o equilíbrio psicoemocional , dar sentido e significado a estas emoções quase sempre tão desorganizadas e desestruturadoras é tarefa dos psicólogos do esporte.

A competição está no ar desde o momento que acordamos. Ela está presente e nos convoca a todo instante para os árduos campeonatos do cotidiano. Para vencer o adversário, a luta incessante é derrotar a si-mesmo. E é aí, amigos, que a batalha é árdua. Ajudar estes garotos no processo do desenvolvimento e libertação é, seguramente, uma competição que devemos nos preparar com afinco, amor e dedicação.

Totstão diz: “falta psicólogo na Seleção”

Craque dentro e fora dos gramados – Tostão deixa seu recado: “Falta psicólogo na Seleção”. E ele tem total razão !

Confira!

TOSTÃO

Falta psicólogo


Em casa, tendo de jogar bem e vencer, os jogadores podem não suportar a responsabilidade

Apesar do crescente desânimo do público com a seleção, que é cada vez mais da CBF e de seus patrocinadores e parceiros e cada vez menos do torcedor brasileiro, insisto no assunto.
Tenho esperança no jogador brasileiro. Em 1968, o Brasil levou também um baile da Alemanha. Eu estava em campo. Todos diziam que o futebol brasileiro estava ultrapassado. Dois anos depois, na Copa de 1970, o Brasil encantou o mundo.
Na semana passada, a Alemanha foi muito melhor e deu uma aula de troca de passes, característica que o futebol brasileiro perdeu, por causa de muitos péssimos gramados e dos técnicos, com o apoio de parte da mídia.
Mesmo assim, se Kaká e Luis Fabiano estivessem presentes, na forma que tinham antes da Copa de 2010, o Brasil teria feito gols de contra-ataque, já que a Alemanha deixou enormes espaços. O Brasil não aproveitou.
Mano Menezes deve barrar André Santos e Pato. O lateral não deveria ser o titular, mas o técnico tinha motivos para não convocar Marcelo, que desdenhou da seleção. Está na hora de o técnico ter uma conversa franca com ele, olho no olho, para tentar trazê-lo, desde que seja por desejo do jogador, e não por obrigação. Ele não é também nenhum craque, mas não existe outro melhor.
Além de irregular e confuso, Pato é muito bobinho nas entrevistas. Isso o prejudica em campo. Não há outro superior. Leandro Damião é a melhor opção, sem ser a solução, pelo menos neste momento. Espero que não seja Fred.
Se jogassem no Brasil, Fernandinho, Jadson, Renato Augusto, Elias, Luiz Gustavo, André Santos, Sandro, Ramires, Pato e outros que são criticados seriam destaques e pedidos na seleção.
As outras seleções também enfrentam problemas. A Espanha tem vários excepcionais armadores e um estilo bonito e eficiente, porém só tem um ótimo atacante, Villa. Fez poucos gols na Copa e correu riscos de perder em quase todas as partidas. Essa dificuldade é, hoje, mais evidente.
Em casa, aumentam as chances de o Brasil ganhar a Copa de 2014. Por causa da pressão para vencer e jogar bem, pode ocorrer o contrário.
Além de formar um bom time, a seleção vai necessitar da ajuda, desde já, de um psicólogo. Isso não deve ocorrer. O futebol é machista. Acham que os atletas são super-homens, capazes de lidar com qualquer dificuldade.
Alguns atletas morrem de medo diante de uma grande responsabilidade, principalmente os mais falastrões e desinibidos fora de campo.

Futebol e a festa dos cartões forçados!

Amigos, desde que me entendo por gente, esta aberração dos jogadores forçarem o terceiro cartão amarelo para não atuar no jogo seguinte existe em todas as ligas de futebol do planeta.

Esta lacuna na lei deve ser revista. Os jogadores podem receber o cartão amarelo quando melhor lhes convier. Ora, me parece uma tremenda contradição e falha no código esportivo que um instrumento que serve para punir, possa, de alguma forma, beneficiar o infrator.

Os árbitros (todos eles) sabem quais são os jogadores pendurados dentro de campo e que já entram no gramado com a intenção de conseguir o terceiro cartão e aproveitar eventualmente uma convocação na Seleção Brasileira e cumprir a suspensão automática vestindo a amarelinha em solos europeus.

Sim, amigos, falo neste momento do lance bizarro de Ralf na partida contra o Atlético do Paraná. Sabendo que estava pendurado com o terceiro cartão e com o passaporte carimbado para a Alemanha – o volante do Corinthians chutou a bola  longe quando a partida estava parada para a cobrança de uma falta ainda no campo de defesa do seu time. O lance foi bizarro. Era mais fácil ele chegar perto do juíz e pedir: ” ô juizão, ajuda aê irmão, mostra o amarelinho para mim”.

Ralf não é o primeiro nem o último a praticar este anti-jogo. Os árbitros deveriam receber a instrução de não advertir estes atletas em jogadas forçadas. É uma encenação que descaracteriza e depõe contra a (pouca) seriedade que ainda sobrevive no futebol.  Outra coisa: jogadores convocados para jogar na Seleção não deveriam cumprir suspensão automática em seus clubes. Isso me parece óbvio. Assim como tantas outras coisas que são claras e contundentes e que passam despercebidas aos olhos dos governantes da bola.

A conclusão que o futebol é mais ou menos sério – pelo visto – já faz parte da 18ª regra deste esporte.