“Encontro de Craques”: psicologia no futebol

Como é o trabalho do psicólogo do esporte num clube de futebol? Quais as principais demandas de atletas, equipes e treinadores? no dia 5/11- das 14:30 às 18 horas – o Prof. João Ricardo Cozac (Cruzeiro, Palmeiras, Corinthians) e Paulo Ribeiro (22 anos de Flamengo e Vasco da Gama) estarão no evento “Encontro de Craques” falando sobre suas experiências profissionais e o papel do psicólogo esportivo no futebol. Todas as informações do evento estão disponíveis no site www.ceppe.com.br – e no folder anexo. Informações, fichas de inscrição e matrícula no email secretariapsidoesporte@uol.com.br . Local – IBRAPE ( Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino) – Av Brigadeiro Luis Antonio 3005 – São Paulo/SP. Garanta já sua vaga em nossa arquibancada! Abraços, Cozac.

Cura e desempenho ótimo: as funções da imaginação.

Os esportistas estão dispostos a empregar, durante anos, todas as forças físicas e espirituais disponíveis para alcançar seus objetivos no esporte.
É fácil compreender que especialmente o esporte de competição representa um campo de ação e de vivência onde se pode estudar magnificamente os processos psíquicos, antes, durante e depois de situações de performances extremas.

A imaginação é o processo de comunicação entre a emoção, percepção e mudança corporal. Importante causa tanto da saúde quanto da doença, a imaginação é a maior e mais antiga fonte de cura e aperfeiçoamento do rendimento e da performance.

Os exercícios de visualização e as demais técnicas visuo-motoras representam as principais formas de atuação e intervenção psicológica no esporte.

Muitos ainda se questionam sobre a validade de um trabalho clínico com atletas. Ora, amigos, já está na hora de darmos um passo à frente. O psicólogo esportivo não atua somente com grupos e equipes. Há uma grande demanda individual de atletas que precisa ser atendida.

O método de trabalho clínico com atletas baseia-se, acima de tudo, na elaboração de um psicodiagnóstico (levantamento das demandas psicológicas) e posterior intervenção, na grande maioria dos casos, através dos exercícios de mentalização.

Há ainda muito preconceito sobre a prática da imaginação e visualização no esporte. Muitos ainda pensam que é uma espécie de lavagem cerebral. Já, outros, confundem-na com teorias e métodos tais como a Neurolinguística e Inteligência Emocional. Não é nada disso.

É preciso saber que a utilização dos exercícios imaginativos e as técnicas visuo-motoras representa uma importante via de acesso ao diagnóstico e intervenção psicológica no esporte e fora dele.

Através da imaginação é possível vivenciar uma situação sem estar presente no ambiente em que ela se desenrola. Este ensaio de vivência produz um relato bastante fiel sobre as emoções e pensamentos envolvidos no ato em questão. Este tipo de exercício mental já é considerado um treinamento esportivo em vários países do mundo. Infelizmente, no Brasil, estas técnicas se confundem com práticas de curandeirismos e/ou feitiçarias. Nada contra estas duas práticas. O ser humano, ao longo da história, desenvolveu sua fé, valores, princípios e autoconhecimento através dos magos e gurus. Ressalvo, apenas, que vivemos uma nova Era e, com ela, novas tendências e necessidades evidenciam a necessidade de se revolucionar o método e a intervenção.

O ser humano pode direcionar o caminho que pretende trilhar através de sua postura imaginativa. Pode optar pela saúde ou doença. A mente assume um caráter determinista e final no processo evolutivo de nossa espécie. No esporte, a motivação, concentração, controle de ansiedade e gerenciamento do estresse representam apenas a ponta do iceberg mental que deve ser cuidado.

Repito as palavras do curador navajo Thomas Costeletas Grandes: “ Eu não sei o que você aprendeu nos livros, mas a coisa mais importante que aprendi com meus avós foi que há uma parte da mente que não conhecemos realmente, e que essa parte é da maior importância na doença e na saúde”.

Alguém duvida?

Leão e a síndrome do pequeno poder

A Síndrome do pequeno poder, segundo a psicologia, é uma atitude de autoritarismo por parte de um indivíduo que, ao receber um poder, usa de forma absoluta e imperativa sem se preocupar com os problemas periféricos que possa vir a ocasionar.

No caso de Emerson Leão, após algumas horas do anúncio de sua contratação pelo São Paulo, os problemas  começaram. O técnico já implicou com a televisão ligada no horário das refeições e não gosta que os jogadores joguem sinuca na concentração. Historicamente, Leão tem arrumado muitas confusões e deixado dívidas imensas em todos os clubes que dirigiu. Rombos violentos nos cofres de Goiás, Sport, Santos e Palmeiras ainda existem e os dirigentes trabalham para sanar as dívidas deixadas pelo treinador.

A profecia para seus resultados costuma ser “notícia velha”. Ele chega impondo uma ditadura totalmente pautada no poder. Em inglês se diz:  “my way or the highway” (ou do meu jeito, ou rua!). Incapaz de conquistar seus atletas utilizando o formato da liderança pelo exemplo (mais duradoura e saudável), o treinador coleciona inimigos no meio futebolístico dentro e fora das quatro linhas. E isso vem desde sua época como goleiro do Palmeiras.

No início, os resultados costumam aparecer – até por conta do choque violento que ele causa na estrutura do grupo. Os jogadores logo entendem que se não seguirem à risca, estão fora. Correm dobrado, treinam dobrado, são vigiados e tem todos os passatempos confiscados. O time, sob pressão, apresenta resultados a curto prazo. Não tarda e os atletas começam a fazer conchavos para derrubar o treinador (sim, isso existe! antes que me perguntem) . O inevitável corpo mole começa a aparecer dentro de campo e as derrotas expõem a falta de sensibilidade e sabedoria no comando do técnico além do cansaço físico, mental e emocional do grupo.

O que me deixa ainda perplexo é saber que treinadores ultrapassados em todos os formatos de treinamento (físico, técnico e psicológico) ainda sobrevivem num futebol que,  há muito tempo, pede renovação e novos ares, culturas, propostas e dimensões de concepção de atleta e ser humano. Leão não valoriza a Psicologia do Esporte e entende que “jogador que precisa de psicólogo – que vá procurar na clínica”.

O São Paulo fez um contrato de dois meses com Leão. Ok. Os resultados podem surgir. Se isso acontecer, o clube promete sua aposentadoria. Será a coroação de um treinador que conquistou apenas um título importante na carreira – numa equipe que contava com onze atletas de extrema inspiração e talento. No mais, os títulos que Leão conquistou não são dignos de ser comemorados. Nem por ele, nem pelo futebol.

Antes – neste país – todos os profissionais com mais idade fossem iguais ou ligeiramente parecidos com o centenário Oscar Niemeyer. Mesmo com a idade avançada, Niemeyer continua produzindo obras e comparilhando seu talento com sabedoria, emoção e beleza.

Para o nosso futebol  a contratação de Leão é uma bola fora sem tamanho. Uma furada daquelas, na pequena área, em que o centroavante chuta a bola para a arquibancada!

Um dentista amigo sempre recomenda: ” é bom não acordar quem está dormindo” . Cutucaram a fera.

Agora aguenta!

Quer quer ser campeão?

Extra, extra! Quem aqui quer ser campeão brasileiro de futebol em 2011? Vende-se, oferece-se, doa-se uma taça de ouro que é capaz de promover alegria a milhões de corações fanáticos! Alguém se habilita?

Eu nunca vi tanta armadilha mental e emocional junta em toda minha vida. Qualquer um dos cinco primeiros grandes clubes da tabela poderia já estar com as mãos na taça se tivessem uma coerência, disciplina e equilíbrio psicológico em suas bases de performance.

Alguns times apresentam  uma flagrante fobia da vitória. Sim, amigos. Medo de vencer – uma das principais pragas que infestou a mente das equipes e dos atletas de alto rendimento nestes últimos dez anos. Pior: os dirigentes não constatam a ação quase sempre corrosiva deste desequilíbrio e investem milhões em atletas que demonstram fragilidade e rara capacidade de auto-controle nas partidas e nos momentos decisivos.

Os interesses que atravessam o mundo da bola são diferentes daqueles que, a princípio, deveriam existir e ser reforçados. Não adianta criarmos atletas e times com corpos e técnicas de aço – porém fincados em  bases de barro.

A taça está queimando na mão de todo mundo. O primeiro clube que aceitar a possibilidade de ser o campeão, aposto, estará a meio passo do título!

Mestres e professores de que?

O dia a dia clínico no atendimento psicológico esportivo é uma universidade à parte. O contato próximo com os atletas facilita a compreensão e conclusão de que muita, mas muita coisa não está certa no nosso universo esportivo. Queixas em relação à politicagem e falta de profissionalismo das confederações é  frequente no discurso e na prática destes heróis. Dinheiro, fama e poder constituem  a base institucional e  política de  boa parte de nossas modalidades esportivas.

No entanto, um outro fato – igualmente grave – tem me chamado  a atenção. E não é de hoje. A total falta de ética, cuidado, respeito e noção de comando e liderança de treinadores, Mestres e professores.

Há pouco soube de uma equipe de basquetebol feminino de adolescentes que perdeu a partida e o treinador proibiu as meninas de tomar água. Em seguida, ordenou, em forma de castigo, que todas caminhassem descalças no matagal tarde da noite.

Recebi email de um pai consternado relatando que o filho estava profundamente deprimido sempre que terminava a aula de natação. Resolveu aparecer de surpresa no final da tarde e não encontrou o garoto dentro da piscina. Ele estava preso dentro do que se intitulava entre a molecada e o professor de “sala da vergonha”: local onde os meninos ficam presos quando não se comportam adequadamente. O pai tirou o garoto da piscina e abriu um processo contra o professor e clube.

No campo das Artes Marciais é onde os maiores absurdos ocorrem. Mestres, professores e treinadores são muito mais déspotas e cruéis que educadores e técnicos. Falta ética, respeito e conhecimento para administrar grupos de atletas. Humilhações públicas, gritos e até surras ocorrem nos salões fechados e proibidos de serem visitados durante os treinos.

A explicação é sempre a mesma: tem atleta que só rende na base do grito e da porrada. Muitos destes Mestres e Doutores das Artes Marciais tiveram como exemplo treinadores igualmente áridos e sem noção alguma dos aspectos humanos do treinamento psicológico e desportivo.

É fato que alguns atletas necessitam de ativação interna mais elevada. Por outro lado, há várias metodologias utilizadas no processo de elevação da ativação que não as de xingamento, pancada, humilhação e gritos histéricos. O que ocorre comumente nestes casos é a quebra total da concentração do atleta após o primeiro erro durante a competição ou até mesmo num treinamento.

Sensibilidade, conhecimento e adequação devem ser trabalhados pelos técnicos. A dinastia da ignorância está fora de moda. Infelizmente ainda alguns dinossauros jurássicos sobrevivem no esporte brasileiro. Brucutus por natureza, ajudam no crescimento do burnout esportivo e reduzem ainda mais a possibilidade de surgimento de novos talentos no Brasil.