Vitor Belfort dá o recado!

Ao ser indagado por um repórter se sentia medo antes das lutas – Vitor Belfort respondeu:
- Medo, por que teria medo?
- Ora, disse o repórter. Porque seu adversário é grande e forte.
- Mas eu também sou – completou Vitor.
O repórter se calou e Belfort completou:
- Dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. Eu sinto amor e não medo. Os dois não podem coexistir! Você precisa escolher um deles para seguir vivendo e lutando!

Neto Berola: problema pode ser psicológico

Antigamente quando um atleta não jogava bem ou não conseguia atingir um bom preparo físico, mandavam a tia da cozinha embora e comentavam nas esquinas do clube que “o cabra estava sofrendo da cuca” ou até que “seu miolo estava meio torto”. Nelson Rodrigues, após nossa inesquecível derrota para os uruguaios na final do Mundial de 50 no Brasil publicou: “se em vez do treinador Flavio Costa no túnel do Maracanã estivesse o Freud, talvez tivéssemos conquistado a Copa”. Muito bem, isso foi há 62 anos.

Hoje li uma matéria sobre as dificuldades de performance do jogador Neto Berola do Atlético Mineiro. O preparador físico Carlinhos Neves, com décadas de experiência em grandes clubes e também na Seleção Brasileira jogou a toalha e já está achando que o problema do atleta é psicológico. Aliás, todos os males não explicados pelos médicos, treinadores, preparadores físicos, presidentes, diretores de futebol se tornam psicológico da noite para o dia.E nada costuma ser feito após esta constatação.

Depois de quase 20 anos pesquisando, atuando, lecionando e pensando a Psicologia do Esporte, confesso que sinto um desânimo imenso ao me deparar com este tipo de notícia. Nos clubes que atuei como psicólogo do esporte, constatei – em alguns dirigentes, atletas e treinadores – o ranso de desconfiança, dificuldade de compreensão do papel do psicólogo esportivo e de suas funções – além de um estranho olhar para as atividades desenvolvidas e propostas por esta nova e fundamental ciência do treinamento esportivo.

Neto Berola pede ajuda através de sua insistente queda de rendimento físico – pelas palavras do Carlinhos Neves e da torcida do Galo. Cuca, Khalil e Eduardo Maluf devem estar pensando numa solução para o problema do atleta. E Nelson Rodrigues, se vivo, certamente diria neste momento: “mas afinal, o que entende de alma  um treinador de futebol”?

Copa SP: pouca bola e muita vaidade

Indonesian Soccer Journal

Amigos, a Copa São Paulo de futebol juniores está chegando ao final da primeira fase. Falta de talento, excesso de vaidade, melindre e raros momentos de bom futebol.

Será um reflexo do que tem apresentado as nossas equipes profissionais?

Com sete Romários espalhados pelas 90 equipes, jogadores com o corte de cabelo do Neymar e com o futebol fora de comparação com o ídolo santista e um  “ai se eu te pego” a cada  bola na rede, o torneio mais importante da categoria é a ponta de um iceberg perigoso e que denuncia a falta de cuidado dos dirigentes com as categorias de base.

Fato comum no interior de SP, muitos times sumariamente ignoram a importância da formação de atletas e deixam seus plantéis à mercê dos empresários. E olha que não são poucos os clubes que adotam este expediente.

Já na capital, uma das instituições que mais investe nas categorias de base foi eliminada logo na primeira fase. O São Paulo Futebol Clube está naufragando dentro de suas próprias fragilidades. Na base, perdeu o treinador Sérgio Baresi para o Paulista de Jundiaí. Coincidência – ou não – após a saída de Baresi a equipe de juniores perdeu seu formato de jogo e gerou um espanto em toda a cúpula tricolor.

Outro fato ainda incompreensível é a ausência de setores de Psicologia do Esporte nos clubes de futebol. Especialmente nas categorias de base. Como formar atletas competentes (dentro e fora de campo) sem a valorização do trabalho psicológico na formação destes seres humanos que tão cedo são expostos a dificuldades altíssimas diante de suas fragilidades sociais, emocionais e culturais?

Meninos de grandes times passeiam em campo desfilando escudos emblemáticos de clubes que são referências no mundo futebolístico nacional. Não importa o resultado do jogo. O que vale é o toque de calcanhar ou lances de efeito mesmo com o time perdendo a partida.  Nos bancos de reserva, treinadores pouco preparados para lidar e reconhecer estas demandas.

A esperança de tempos melhores no nosso futebol ainda é uma névoa branda no horizonte da desinformação, ignorancia e superficialidade…

O BBB – há dez anos em horário nobre – não nos deixa mentir…