
O que dizer sobre a demissão de Emerson Leão do São Paulo? Não existe notícia pronta, mas esta me pareceu óbvia desde o primeiro dia em que foi anunciado para dirigir o time. Nesta coluna eu cheguei a afirmar (e, claro, ser atacado por grande parte da massa tricolor) que o treinador não vingaria até a metade do Brasileirão. Dito e feito: fracassos no Paulistão, Copa do Brasil e Brasileirão e lá se foi o nobre comandante.
A questão da demissão de Émerson Leão (sabidamente um treinador ultrapassado, com idéias retrógradas e protagonista de um péssimo relacionamento com dirigentes e atletas por onde passa) é apenas a ponta de um iceberg muito mais delicado e perigoso que vive o time do Morumbi. É bom o pessoal abrir os olhos e perceber que não será com a ausência de Leão que tudo estará resolvido. É apenas um primeiro passo.
Os diretores do clube tentam esconder uma crise política e administrativa bastante grave. Jogam sujeira debaixo do tapete e pisam em cima para acomodá-la. Juvenal Juvêncio se esforça para não perder a cadeira da presidência e, para isso, tem que abrir mão de idéias e opiniões convictas sobre ações internas na instituição. Marco Aurélio Cunha assiste de camarote ao horror político e esfrega as mãos já prevendo que terá chances para administrar o clube após as próximas eleições.
No lado técnico, o São Paulo tem a triste (e cruel) mania de deixar os treinadores se fritarem na própria gordura – para não perder o rótulo de time moderno, fabuloso, soberano – aquele que jamais demite o treinador por conta de uma ou duas eliminações em torneios importantes. Um pouco parecido com o tal “projeto” que o Wanderley Luxemburgo adora defender – embora o nome do referido treinador seja proibido no time paulista.
Uma hora a casa cai e agora, amigos,me parece que se nada for feito no clube para mudar este quadro, o presidente Juvenal Juvêncio corre um risco imenso de repetir o que fizeram Mustafá e Dualib em seus respectivos clubes – e a coisa, garanto, não é nada agradável.
Leão deve dar um tempo em sua carreira ou, talvez, voltar para seu circuito no Norte/Nordeste até se aposentar oficialmente. Os jogadores do São Paulo estão comemorando a demissão do treinador já que, de forma pública, muitos deles reclamaram do relacionamento e da conduta do técnico demitido. Quando falo de prazo de validade – muitos acham que é perseguição. Sete/oito meses é o prazo máximo que um grupo consegue suportar um comando falido, opressivo e ultrapassado. Que seja o começo do fim da presença de treinadores que depõem contra a evolução do futebol brasileiro e o início de uma necessária renovação técnica e administrativa nos clubes.
O futebol, há tempos, perdeu a graça. Como diz um amigo: “o futebol, hoje, é um espetáculo muito mais mercadológico que passional”. Sem dúvidas, ele está certo. A preocupação central de boa parte de treinadores e dirigentes é fazer um futebol mais valioso para ser vendido e muito menos para ser apreciado e acompanhado.
Sinal dos tempos e das cifras.
Leão – seu reinado terminou!
Espero agora, que os amigos paguem os almoços e jantares que apostaram comigo quando o treiandor chegou (se é que alguém vai se pronunciar) . Estou de regime, mas há alguns rodízios de comida japonesa que são fantásticos! Valeu!