São Jorge levou Romarinho na garupa!

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Milagre na Bombonera! 7 minutos para o final do jogo em que o Boca dominou o segundo tempo e fazia uma pressão no Corinthians, o talismã Romarinho entrou em campo e fez um golaço.

Após os dois gols marcados diante do Palmeiras, Romarinho mostrou que tem talento e, claro, estrela! Há jogadores que só conseguem este tipo de performance por conta de uma simplicidade e objetividade singulares.

Romarinho está no grupo de atletas que jogam em qualquer campo do planeta como se estivessem no terrão – na praia, na rua ou no terreno baldio.  A frase de Leandro Castán no final da partida resumiu o Corinthians dentro de campo: “não me assustou aqui. Aliás, até gosto. Sempre aprendi que a torcida não pode roubar a bola de mim”.

Com esta vibração e energia vitoriosa (agora com um amuleto que tem tudo para virar o herói de uma possível conquista da sonhada Libertadores), o Corinthians entrará em campo na semana que vem com a torcida ao seu lado e Romarinho dentro de campo. Afinal, o primeiro toque na bola do atleta na Argentina foi para adormecer a bola da fiel dentro das redes do Boca.

Predestinado? Maravilhoso? Fabuloso? Imperador? Rei? Não. Nada disso.

É só o Romarinho, simples assim.

Assim como deve jogar o Corinthians na 4a que vem. Não precisa complicar o que pode – com naturalidade, tranquilidade e alegria conquistar. A final está em aberto, mas o time brasileiro tem um astral e uma lição que deverão fazer toda a diferença. Os argentinos tentarão enervar os brasileiros com a famosa catimba. A resposta deve ser dada com futebol. Nada mais!

Leão é sintoma – não causa!

O que dizer sobre a demissão de Emerson Leão do São Paulo? Não existe notícia pronta, mas esta me pareceu óbvia desde o primeiro dia em que foi anunciado para dirigir o time. Nesta coluna eu cheguei a afirmar (e, claro, ser atacado por grande parte da massa tricolor) que o treinador não vingaria até a metade do Brasileirão. Dito e feito: fracassos no Paulistão, Copa do Brasil e Brasileirão e lá se foi o nobre comandante.

A questão da demissão de Émerson Leão (sabidamente um treinador ultrapassado, com idéias retrógradas e protagonista de um péssimo relacionamento com dirigentes e atletas por onde passa) é apenas a ponta de um iceberg muito mais delicado e perigoso que vive o time do Morumbi. É bom o pessoal abrir os olhos e perceber que não será com a ausência de Leão que tudo estará resolvido. É apenas um primeiro passo.

Os diretores do clube tentam esconder uma crise política e administrativa bastante grave. Jogam sujeira debaixo do tapete e pisam em cima para acomodá-la. Juvenal Juvêncio se esforça para não perder a cadeira da presidência e, para isso, tem que abrir mão de idéias e opiniões convictas sobre ações internas na instituição. Marco Aurélio Cunha assiste de camarote ao horror político e esfrega as mãos já prevendo que terá chances para administrar o clube após as próximas eleições.

No lado técnico, o São Paulo tem a triste (e cruel) mania de deixar os treinadores se fritarem na própria gordura – para não perder o rótulo de time moderno, fabuloso, soberano – aquele que jamais demite o treinador por conta de uma ou duas eliminações em torneios importantes. Um pouco parecido com o tal “projeto” que o Wanderley Luxemburgo adora defender – embora o nome do referido treinador seja proibido no time paulista.

Uma hora a casa cai e agora, amigos,me parece que se nada for feito no clube para mudar este quadro, o presidente Juvenal Juvêncio corre um risco imenso de repetir o que fizeram Mustafá e Dualib em seus respectivos clubes – e a coisa, garanto, não é nada agradável.

Leão deve dar um tempo em sua carreira ou, talvez, voltar para seu circuito no Norte/Nordeste até se aposentar oficialmente. Os jogadores do São Paulo estão comemorando a demissão do treinador já que, de forma pública, muitos deles reclamaram do relacionamento e da conduta do técnico demitido. Quando falo de prazo de validade – muitos acham que é perseguição. Sete/oito meses é o prazo máximo que um grupo consegue suportar um comando falido, opressivo e ultrapassado. Que seja o começo do fim da presença de treinadores que depõem contra a evolução do futebol brasileiro e o início de uma necessária renovação técnica e administrativa nos clubes.

O futebol, há tempos, perdeu a graça. Como diz um amigo: “o futebol, hoje, é um espetáculo muito mais mercadológico que passional”. Sem dúvidas, ele está certo. A preocupação central de boa parte de treinadores e dirigentes é fazer um futebol mais valioso para ser vendido e muito menos para ser apreciado e acompanhado.

Sinal dos tempos e das cifras.

Leão – seu reinado terminou!

Espero agora, que os amigos paguem os almoços e jantares que apostaram comigo quando o treiandor chegou (se é que alguém vai se pronunciar) . Estou de regime, mas há alguns rodízios de comida japonesa que são fantásticos! Valeu!

Luis Fabiano e o fracasso tricolor na Copa do Brasil

A queda do São Paulo na Copa do Brasil deixa algumas lições aos comandantes tricolores – caso queiram olhar o que me parece óbvio:

1. Luis Fabiano foi punido com uma multa alta em seu salário. O que adiantou? Falo sempre sobre esta questão dos fatores financeiros no campo motivacional dos atletas e demais profissões: “a presença do dinheiro não motiva. A ausência, necessariamente desmotiva”. Luis Fabiano está triste, fora de foco e pessimamente enquadrado no clube e time. Por que será que na Espanha ele não se comportou desta forma? Cultura? Administração? Limites? Que tal pensarmos?

2. No jogo contra o Coritiba, o atleta entrou mudo e saiu calado. Aliás, esqueceu de jogar futebol também. O jogador é apenas um sintoma (grave) de que as coisas não andam nada bem na equipe e instituição. Fabiano não é a causa principal de nada que acontece no time nem no clube. Ele denuncia a gravidade e o amadorismo com que o clube vem sendo trabalhado ultimamente.

3. Leão – muito provavelmente -  deverá deixar o comando da equipe. Com um altíssimo índice de rejeição – o treinador do São Paulo falhou no Paulistão e na Copa do Brasil. De quebra, detém a antipatia de boa parte do elenco. Seis meses é o prazo de validade do treinador e isso, pelo visto, já virou regra! Ainda que tenha mudado um pouco seu jeito autoritário (até porque não teria a menor moral para ditar regras) Leão está desatualizado no mundo do futebol. E não venham reclamar. Eu avisei 5 meses atrás e pedi que me cobrassem! Por outro lado, não me surpreenderia se a direção do clube bancasse o treinador por mais alguns jogos no Brasileirão por pura falta de opção no mercado. Será?

4. Para se executar uma tarefa em alto rendimento e com qualidade, todos nós precisamos de uma quantidade de energia de ativação. O que foi feita com a energia do “Fabuloso”? Em vez de trabalhar o equilíbrio emocional de Luis Fabiano, a cúpula tricolor optou por fazer uma visita num lar de crianças carentes para “motivar” o grupo. Nada contra, caso as crianças tenham ficado felizes, já que os atletas, pelo visto, nem viajaram à Curitiba.

5. O São Paulo está, hoje (e há muito tempo), nas mãos de Juvenal Juvêncio. O presidente já ajudou – de forma positiva e atuante – na conquista de vários títulos do time. Falta  tranquilidade, humildade e coerência para passar o bastão a um novo dirigentes que possa mudar os ares tricolores. Do contrário, entrará Leão, sairá Adilson Batista, cogitará Cuca, entrará Dunga e assim por diante. O resto do imbróglio todos já conhecem! Enquanto isso, deixam um psiquiatra aplicando testes e “performando” o trabalho de um psicólogo do esporte.

Lamentável!

Síndrome do fracasso neurótico – jogadores pedem socorro!

Os psicanalistas costumam dizer que “tudo começa na infância”. Neste caso, podem estar corretos. Jogadores de futebol provenientes de famílias menos favorecidas social, educacional, econômica e culturalmente exibem – com preocupante frequência – o que passou a ser chamado de “síndrome do fracasso neurótico”. Comportamentos que testam o poder de autoridades, dimensão dos limites e identidade de mídia. Ora, até onde o atleta pode chegar para defender o apelido de “Fabuloso”, “El tanque”, “Imperador” e tantos outros codinomes que geram uma rebeldia emocional difícil de ser controlada?

Certamente nomes como os de Felipe Mello, Luis Fabiano, Adriano e tantos outros surgem como candidatos a protagonistas deste comportamento rebelde e contestador diante dos limites impostos dentro de campo por árbitros e treinadores – e pouco (ou nada) vivenciado fora das quatro linhas nos períodos do desenvolvimento humano.

A decisão de se tornar um jogador de futebol tem altíssimos custos e, não raro, deixa sequelas emocionais, sociais e afetivas. Atletas necessitam abandonar períodos fundamentais do crescimento em nome da plena dedicação no caminho da profissionalização. Muitos crescem com carências jamais supridas. Quando se deparam com a fama e imensas fortunas buscam, a todo preço, confrontar as relações de poder com a imagem frágil de uma infância sofrida e cercada de limites e dificuldades.

A questão central do desequilíbrio emocional de vários atletas está na caixa preta mental e afetiva destes meninos-grandes que desfilam seus medos, conflitos e inseguranças diante das multidões de fanáticos torcedores.

O mais impressionante de todo este processo é constatar o descaso e a desinformação dos dirigentes e treinadores diante de um quadro que se agrava e expõe as fragilidades de atletas e seres humanos que não tiveram (na vida e nos clubes) o amparo necessário para compreender e melhor lidar com as regras sociais, limites e impossibilidades.

Afinal, como alguém pode expulsar de campo alguém que é conhecido como “Imperador” ou “Fabuloso”?

O estresse emocional de Nalbandian

O tenista argentino Nalbandian chutou a placa publicitária, acertou o juiz de linha e foi desclassificado da final do torneio de Queen’s.

Na entrevista coletiva disse: “algumas vezes fico muito frustrado e é difícil controlar. Cometo erros. É um momento muito difícil”.

O estresse emocional – termo utilizado pela Psicologia do Esporte para designar atitudes como a de Nalbandian – é mais comum do que se possa imaginar. Especialmente quando atletas chegam ao limite da ansiedade e do autocontrole.

Finais de campeonatos, momentos críticos de partidas, pressão interna e/ou externa, falta de preparação psicológica adequada são alguns dos principais fatores que podem fragilizar atletas de diversas modalidades esportivas.

No tênis não é diferente. O diálogo interior do atleta deve ser treinado com o mesmo afinco que as esferas técnica, tática e física. O adversário deve ser apenas o tenista que está do outro lado da quadra.

A linha tênue que separa a alta e equilibrada energia de ativação da total quebra de concentração e gerenciamento emocional deve ser analisada, conhecida e trabalhada para que o atleta tenha recursos internos favoráveis nestes momentos agudos das competições.

Nalbandian chegou ao limite do estresse e pagou caro por isso. Outros tenistas sofrem – em maior ou menor grau – diante deste processo interno que merece maior atenção dos psicólogos do esporte.

Apesar de exigir um preparo físico intenso e uma técnica apurada, o tênis é uma das modalidades esportivas que mais exige controle emocional, foco, atenção e equilíbrio mental. Afinal, ansiedade e concentração são inversamente proporcionais. Um elevador perigoso que pode levar o tenista do céu ao inferno em apenas um golpe.

Acompanhe o lance da Nalbandian na final do torneio de Queens:

http://www.youtube.com/watch?v=GKeMVMHClgg

A exaustão de Neymar

Gênio, craque, diferenciado: um jogador incrível.

Assim pode ser definido Neymar que vive um momento de evidente exaustão. Neymar cansou – cansou das baladas, dos compromissos sociais, dos programas, das mídias, dos comerciais (até aí tudo bem). Só que – momentaneamente – ele cansou dos gramados, dos jogos, dos torneios, da rotina, da concentração. Cansou do futebol. É uma espécie de estresse  generalizado. Ele precisa descansar de tudo – inclusive do Neymar construído internamente para poder dar conta de tantas expectativas da mídia e torcida.

A cada semana, aparece com um novo parceiro publicitário. É propaganda de tudo que se possa imaginar. Chega uma hora que, com 20 anos de idade, o garoto acusa o golpe. É óbvio e evidente que ninguém esquece como se joga futebol da noite para o dia. Especialmente um jogador diferenciado como ele. Uma semana de treino e tranquilidade (longe de eventos que possam desviar sua atenção e consumir energia), Neymar terá a oportunidade de retomar seu caminho de melhores apresentações.

Basta pensar em quem era o Neymar apenas há 4 anos e comparar com o que se transformou hoje. Venhamos e convenhamos. A diferença é absurdamente gritante. Manejar e administrar todas estas mudanças não é fácil e exige um empenho que nem sempre é suficiente para manter o rendimento dentro e fora de campo.

Alguns podem perguntar: “na década de 70, 80, os meninos jogavam duas, às vezes três vezes por semana e não sentiam nada. Por que hoje em dia a coisa é diferente”? A cultura do futebol empresa mudou todo este panorama romântico de 30 – 40 anos atrás. Mídia, treinamento físico, patrocinadores e, mais que tudo: a abdicação da identidade original em nome da construção e manutenção de um mega ídolo das massas e telinhas tem um custo muito maior do que muitos podem supor.

Neymar irá voltar e pode ser a qualquer momento. Santistas e corintianos sabem  muito bem disso!

Lições vitoriosas de uma derrota!

A derrota de nossa Seleção deixou algumas lições que devem ser analisadas. Especialmente a evolução da equipe em termos de união, entrosamento, garra e força de vontade.

Isso signiica, sem dúvida, um aumento da ativação mental de toda a equipe e, nesta hora, atletas pouco preparados psicologicamente perdem a cabeça como o caso – mais uma vez – do lateral Marcelo.

Escutei o Galvão Bueno dizendo que “o Arnaldo Cezar Coelho” deveria dar uma palestra para os jogadores da Seleção para explicar o rigor dos critérios que serão utilizados no Mundial e nas Olimpíadas. Discordo do Galvão – acho importante a palestra do Arnaldo, sim, mas novamente entendo que a ausência de uma preparação psicológica correta e adequada faz uma falta incrível aos nossos atletas.

Se pensarmos num quadrado da preparação esportiva – em que os pés desta mesa são as partes técnica, tática, física e psicológica, me parece óbvio que começamos em desvantagem nesta carência de um olhar mais criterioso para este treinamento mental e emocional que – há tempos – nos derruba nas grandes partidas e competições.

Alguns meninos são “bombas relógio” na parte emocional. E esta explosão costuma ocorrer nos momentos mais delicados dos jogos (se é que existe algum momento adequado para isso). Há atletas de raro talento como o Oscar. Tecnicamente fantástico, mas visivelmente frágil em termos comportamentais. O meia brasileiro viveu anos difíceis de indefinição do seu futuro na briga entre Inter e São Paulo. Nas entrevistas, o atleta demonstra um olhar distante, frágil, sem brilho. Será que ninguém mais enxerga isso?

Outro fator que me chamou a atenção foi o desaparecimento dentro de campo do Neymar nestas duas últimas partidas. Penso que ele ainda reverencia o Messi além da conta e estou certo que uma passagem por um time do exterior já faz falta ao nosso atleta. Até para que ele tenha um pouco mais de conhecimento e senso de realidade do que se passa nos times europeus e passe a ver, quando atuar pela Seleção brasileira, estes grandes astros adversários de uma forma mais tranquila.

Sei que o argentino é o melhor do mundo, gênio, craque etc. Sei também que aquele quarto gol em que ele arranca na diagonal e arremata com a perna esquerda é mais antigo que andar para frente – pena que não tinha ninguém ali para interromper – de alguma forma – a evolução do atleta adversário.

É hora de fortalecer nossa auto-estima, confiança, equilíbrio e segurança. Tomara que os dirigentes de nossa Seleção analisem com mais profundidade e seriedade esta lacuna do trabalho psicológico na preparação para os Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Especialmente num grupo cheio de meninos, o equilíbrio e a adequação dos perfis psicológicos em situações competitivas devem ser trabalhados por profissionais da Psicologia Esportiva e não por engenheiros, padres nem humoristas.

Piada tem limite e o momento da preparação de nossa equipe é, hoje, pra lá de sério!

Seleção – corpos de aço em bases de barro

Pessoal, é duro mesmo! Há 20 anos que falo sempre a mesma coisa. Confesso que tem horas que nem eu aguento mais – mas realmente não consigo entender como esta nossa Seleção Brasileira não conta com um departamento sólido e permanente de Psicologia do Esporte.
Sabendo que o Neymar é um menino ainda e com sua genialidade, obviamente será provocado pelos adversários. Sua reação nem sempre será madura o suficiente para não se prejudicar (nem ao time que atua).
O lateral Marcelo já deu todas as provas de que necessita de mais equilíbrio emocional – da mesma forma que Felipe Mello, Marcelo volta e meia aplica golpes violentos e irresponsáveis na tentativa de roubada de bola ou de marcação simples.

Faltam referências emocionais e comportamentais dentro de campo. Temos um ótimo time – tecnicamente – porém, psicológica e emocionalmente, ainda derrapamos em nossas próprias fragilidades.
O preconceito e desinformação sobre a importância da Psicologia do Esporte no futebol ainda são imensos! Pagamos um preço altíssimo por isso, infelizmente.
Sei do apreço pelo trabalho psicológico dos treinadores Mano Menezes e Ney Franco – porém, algo (ou alguém)  na CBF impede que ele seja desenvolvido.

Enquanto isso, assistimos nossos craques com corpos e técnicas de aço em suas devidas bases de barro.