Balanço olímpico: Brasil e a pré-história no esporte

Atrás de países como a Jamaica, Coréia do Norte, Irã e Cazaquistão, o Brasil terminou sua participação nos Jogos Olímpicos no modesto 22º lugar da classificação geral. Nada de novo para um país que investe mais de 80% de seu orçamento esportivo no futebol. Ainda assim, vários atletas, de forma heróica, conquistaram medalhas sensacionais. Até porque, chegar ao podium olímpico com os baixíssimos investimentos, ausência de mídia e apelos publicitários, falta de quadras, campos, clubes, condições favoráveis de treinamento e uma política esportiva minimamente moderna e ousada é tarefa para poucos. Muito poucos.

Apesar de todas as dificuldades, modalidades como o handebol, judô, basquete masculino, natação, pentatlo moderno, maratona e tantas outras que poderiam competir por medalhas caso houvesse um olhar e condições profissionais para o desenvolvimento e formação de novos atletas. Mas isso, vale dizer, não acontece de um ano para o outro. Nem de quatro em quatro anos. Até porque, amigos, o ciclo olímpico para a formação de atletas em condição de brigar por medalhas deve durar oito anos.

E o que dizer do trabalho psicológico? Alguns profissionais foram mobilizados pelo COB para acompanhar os atletas. O problema é que esta mobilização ocorreu muito pouco tempo antes do evento e, como sabemos, não é possível mudar padrões de pensamento e emoção em períodos curtos de treinamento mental. Os Estados Unidos, por exemplo, levaram 28 psicólogos na delegação. Cada qual com trabalhos desenvolvidos desde 2008 com os atletas e equipes de diversas modalidades. Por aqui, muitos psicólogos que atuam com atletas olímpicos não estiveram em Londres por conta da falta de apoio e valorização do COB que optou em fazer comissões de profissionais oferecendo a eles poucas oportunidades e tempo limitado para o desenvolvimento adequado das atividades.

Vivemos numa cultura com características peculiares em suas demandas afetivas, carências e fragilidades emocionais, sociais, comportamentais, políticas, econômicas e midiáticas. A expressão e exposição destes valores ocorrem em eventos internacionais de grande porte. A identidade do povo brasileiro – historicamente – é dependente de ícones, mitos e heróis. Esta projeção maciça é carregada na bagagem emocional de nossos atletas quase sempre desguarnecidos de um apoio profissional adequado para auxilia-los no enfrentamento destes imensos desafios.

O fato é que estes quatro anos que nos afastam das Olimpíadas no Brasil poderiam ser otimizados se o COB saísse um pouco mais do discurso e das intenções e partisse para uma ação conjunta com clubes, instituições esportivas, profissionais de ponta nos diversos segmentos da preparação desportiva.

Sobre o futebol, vou me ater apenas à seguinte reflexão: temos atletas envernizados pela vaidade, soberba, identidade dissipada em meio a tanto dinheiro e celebridades que são apenas jogadores de futebol. Nada mais. No feminino, confesso, não esperava grandes coisas. Uma modalidade que praticamente inexiste no país não tem a menor chance de lutar contra países que investem fortunas no desenvolvimento de atletas e equipes vencedoras.

Os Jogos Olímpicos de Londres encerraram o ciclo de vários atletas brasileiros e novas gerações deverão ser formadas. Não tenho dúvidas que o voleibol continuará forte já que conta com uma estrutura diferenciada em todos os níveis – inclusive humanos, institucionais e psicológicos.

É inconcebível que um país que conta com um povo saudável, forte, cheio de habilidades motoras, recursos naturais e paixão pelo esporte passe este tipo de vexame. Assim como em cada quatro anos – o momento é de reflexão e, logo (por favor), de mudanças!

10 comentários em “Balanço olímpico: Brasil e a pré-história no esporte

  1. Como sempre, Cozac nos brindando com suas ótimas palavras.
    Só queria questionar uma coisa: no jogo de vôlei masculino contra a Rússia, havia algo que o Bernardino poderia ter feito após a derrota do terceiro set?

    • Valeu, Juliano!
      Pensei isso na hora tb, mas acho que a contusão do Dante pegou todo mundo de surpresa. Enqto o Brasil dependia do Giba, a Russia crescia cada vez mais.
      Não tinha jeito. Eles mereceram. Abração, Cozac

  2. Caro João

    Sou professor de Educação Física e vivo no esporte desde os 5 anos de idade.

    Concordo plenamente quando vc diz que “É inconcebível que um país que conta com um povo saudável, forte, cheio de habilidades motoras, recursos naturais e paixão pelo esporte passe este tipo de vexame.”

    Enquanto esses cânceres não saírem de onde estão (principalmente o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman), o Brasil estará fadado ao ostracismo olímpico!

    O que pode ser feito para que isso não ocorra? Vc tem alguma sugestão?

    Vc acabou de ganhar mais um leitor!

    Grande abraço

    Batista Haddad
    Atletismo Araraquara – SP

    • Caro Batista, muito obrigado por sua mensagem e pela leitura de minha coluna (blog).

      Realmente vivemos num terror esportivo sem precedentes. Você que é do esporte entende muito bem a tudo o que procurei descrever no texto.
      COB e CBF – enquanto viverem embaixo desta politicagem e com interesses outros tantos que não apenas o crescimento do nosso esporte – só nos resta colocar a boca no trombone, falar, escrever e mostrar descontentamento. Ainda será necessário perdermos muitos torneios para que algo seja alterado.

      Abração, Cozac

  3. Poxa falar que o (Pais) aplica 80% da verba esportiva no Futebol e uma tremenda mentira ou no minimo inverdade. O Pais nao aplica bem os recursos para o Esporte ou eles tambem sao desviados no meio do caminho ai ate eu aceito, ja que o Futebol e o unico dos esportes que vao a olimpiada que tem auto sustencacao, o Brasile pago para se apresentar em amistosos e torneios ao contrario de outros esportes, onde o problema maior deve ser mesmo desvio de verbas, pois o Pais tem aumentado ano ano o investimento nas Federacoes Esportivas, mas o Brasil so consegue medalha individual gracas aos Esquivas E Falcoes que treinam em Pe de Bananeira. Prescisamos de um Ministro do Esporte que entenda as nescessidades dos Atletas e como funciona uma Olimpiada e nao e o que vemos, e sempre indicado algum Politico que nunca ganhou nem em bolinha de gude.

  4. Sobre o futebol, vou me ater apenas à seguinte reflexão: temos atletas envernizados pela vaidade, soberba, identidade dissipada em meio a tanto dinheiro e celebridades que são apenas jogadores de futebol. Nada mais.

  5. “Com o pé,com a mão,o Brasil é bicampeão”,este era o refrão escrito
    e falado no inicio dos anos 60 quando ganhamos o bicampeonato de futebol em 1962 e o bicampeonato de basquete em 1963.
    Na época as escolas públicas tinham melhor qualidade e eram maioria,
    e em muitas delas se praticavam volei,basquete,futebol de salão e
    a as aulas de educação física eram obrigatórias.
    O espírito olímpico nasce nas escolas mas os brasileirinhos não têm
    mais acesso ao esporte gratuíto e adequadamente estruturado.
    Quanto ao COB atual,não podemos negar que no periodo de 1920 a 1992
    o Brasil conquistava em média 3 medalhas por Olimpíadas e à partir
    de 1996,com a gestão de Carlos Arthur Nuzmann,a média pulou para 13
    e em Londres batemos o record com as 17,apesar de ainda ser muito
    pouco para as expectativas do povo brasileiro.
    No Brasil a aposentadoria no setor privado é por volta dos 65 anos
    e o Sr.Nuzmann já está com 70,ou seja,sua data de validade está
    vencida.

  6. PORQUE SERA QUE NOSSA JUVENTUDE DEIXA ESTA VEIARADA MANDAR EM NOSSO ESPORTE OU SERA QUE ELES ESTAO LEVANDO ALGUM TAMBEM VAMOS TROCAR GENTE URGENTE CHEGA DE VEIOS DEIXEM ELES NA APOSENTADORIA ESTA DE BOM TAMANHO COM A GRANA QUE ELES TEM

  7. PRECONCEITO DECLARADO!!!! NO FUTEBOL???? NO BRASIL????

    Fiquei estarrecido quando li uma postagem feita por um pseudo jornalista chamado Luiz Augusto Simon, vulgo “Menon”. Nela ele afirma que o futebol brasileiro não está fazendo mais a “alegria do povo” como em tempos de outrora, e responsabiliza os atletas evangélicos, por conta de sua postura, pela tristeza nacional do nosso futebol. Na referida postagem o “infeliz pseudo repórter” usa o exemplo do jeito alegre e espontâneo de Usain Bolt, o velocista jamaicano, afirmando que os atletas evangélicos deveriam adotar a mesma forma de ser e agir do corredor africano. Abaixo apresento o texto na íntegra:

    “O futebol brasileiro com seus atletas evangélicos, fanáticos que não conseguem ver nada à frente a não se o dedo de seu deus fariam muito mais a alegria do povo se fossem alegres e espontâneos como Usain Bolt.”
    (Autor: Luís Augusto Simon, apelido de Menon, atualmente trabalha como jornalista da Revista ESPN e no site Trivela, fonte: http://trivela.uol.com.br/blog/menon/bolt-faz-falta-ao-futebol-brasileiro)

    É espantoso como ainda permitem que gente preconceituosa e ignorante leve o título de um profissional tão importante como o de jornalista, e lamento muito, que instituições como o UOL, a ESPN e o site TRIVELA, permitam que o preconceito ainda permeiem suas “páginas” jornalísticas.
    Afirmar que o desgosto nacional, que o desinteresse pelo futebol, e que a falta de alegria no esporte são de responsabilidade da postura dos atletas evangélicos é, no mínimo, preconceito religioso. Particularmente defendo que, tais jornalistas teriam que ser extirpados do cenário jornalístico brasileiro, pois, gente deste tipo produz os pensamentos reacionários que maculam a maravilhosa tolerância religiosa que existe em todos os setores da sociedade brasileira, pois, todos tem a liberdade de expressarem seus credos e convicções, seja evangélico, seja católico, seja espírita, seja umbandista, seja ateu, ou qualquer outra religião, nenhum destes grupos podem ser covardemente responsabilizados pela falta de alegria, no Brasil, do esporte mais popular do mundo.
    Um jornalista de verdade saberia discernir as verdadeiras razões da manifestação do fenômeno nominado de tristeza do futebol brasileiro, contudo, mesmo sem ser jornalista, tentarei ajudar este amador das notícias, pois então vejamos:
    1) como ter alegria em um futebol desorganizado e estruturalmente amador?
    2) como ser feliz diante de tantos escândalos de corrupção no futebol?
    3) como regojizar-se diante da realidade de que muitos jogadores de nosso futebol não tem uma postura de atleta e sim de baladeiros e peladeiros de final de semana?
    4) como postular a felicidade, se muitos de nossos jogadores são péssimos exemplos de moralidade para as futuras gerações?
    5) como sorrir, diante de clubes de futebol que são verdadeiras máfias financeiras?
    6) como exteriorizar contentamento, se o tráfico de influências e o jogo podre da política permeou as instituições do nosso futebol?
    7) como sentir a mágica atmosfera de alegria proporcionada pelo futebol, se ele é usado como ópio para anestesiar o povo em relação aos grandes escândalos nacionais (julgamento do mensalão, aprovação do aumento salarial dos políticos, e outros)?
    8) como vislumbrar o sorriso espontâneo e um expectador do futebol, se a imprensa esportiva é preconceituosa e tendenciosa, a ponto de não esconder seus podres até mesmo diante das câmeras de televisão?
    9) como sentir alegria, se ainda há no futebol coisas como: cascas de banana em campo, preconceito religioso por parte dos jornalistas esportivos, os mosquitos da África, e outras “twitadas”?
    10) como ser feliz, se ainda tenho que escrever tais coisas, para combater as influências nefastas das mentes pequenas que ainda existem no contexto do futebol brasileiro?
    Por fim, infeliz jornalista, já que estamos falando de preconceito religioso, pense um pouco no decálogo acima, e que você e as instituições jornalísticas que lhe dão suporte, possam questionar o que realmente deve ser questionado, talvez consigamos resgatar AS ALEGRIAS FUTEBOLÍSTICAS DE OUTRORA!!!!

    O FUTEBOL É DEMOCRÁTICO, ABAIXO TODA A FORMA DE PRECONCEITO!!!!!

  8. Boa noite João.
    Me parece que o Brasil ainda é um gigante adormecido. Em vários aspectos. Em várias áreas.
    À margem disso tudo uns poucos desgarrados se destacam e até por sua infinita capacidade de lutar contra tudo e contra todos acabam arranjando um jeito de se manisfestarem arrancando suadamente uma medalhinha aqui outra acolá ( dependendo do vento às vezes ) .
    Alguns dirigentes absolutamente comprometidos com suas próprias gangues ( e aqui, no pior sentido da palavra ), envoltos em suas redomas e alheios a qualquer atividade democrática e transparente que apareça como solução ( várias ONGs têm em suas fileiras um sem número de meninos e meninas dispostos a seguirem o caminho do esporte ). E para piorar, alguns usam de seus cargos para pura campanha política. É de dar nojo.
    Quanto ao futebol masculino acho que de fato, colhe-se o que se planta! Simples assim.

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