Muricy e a motivação no futebol

O treinador do Santos, Muricy Ramalho, disse em entrevista que não acredita em trabalhos motivacionais realizados nos clubes. O comandante santista justificou que os altos salários recebidos pelos atletas deveriam, por si só, ser capazes de motivar os jogadores.

Há dois erros conceituais na declaração de Muricy. O primeiro é que, de fato, o trabalho motivacional não pode – nem deve – ser uma ação isolada dos clubes. Isso já está mais que provado que é perfumaria. Vários profissionais já tem palestras motivacionais prontas e cobram fortunas para desfilar conteúdos perigosamente desconectados com a realidade dos clubes, equipes e instituições.Isso sem dizer que não conhecem as demandas, linguagem, ambiente de vestiário e dia a dia dos atletas.

Pior: se o time ganha a partida após a palestra motivacional, o trabalho é reconhecido e elogiado. Se a equipe perde, não custa nada para que se diga que a Psicologia do Esporte não surte efeito algum. Portanto, Muricy está correto quando narra seu descontentamento diante das palestras motivacionais. Por outro lado, erra ao declarar que os atletas deveriam se motivar pelo dinheiro recebido.

Na escala motivacional, o fator financeiro é considerado como “higiênico”. Ou seja: a presença não necessariamente motiva, mas sua ausência necessariamente desmotiva. Muricy falou de acordo com o senso comum que aposta na alta e melhor performance diante dos altíssimos valores recebidos pelos profissionais da bola.

Os fatores motivacionais devem ser mais bem estudados, analisados e conhecidos. E isso não é tarefa para treinadores nem  dirigentes. Para isso, existe o psicólogo do esporte – com as ferramentas oferecidas por esta fundamental área do treinamento esportivo. O grande ponto em discussão é a equivocada concepção desta ciência já tão banalizada principalmente no futebol.

O ser humano, infelizmente, ainda é massificado diante de visões que colocam o ser atleta numa forma institucionalizada e impessoal. Quando dirigentes e treinadores descobrirem os benefícios reais que um trabalho sério, ético e científico vinculado à Psicologia do Esporte pode gerar, acreditem, muita coisa vai mudar!

Até lá, ficamos com o senso comum – cada vez mais comum!

Um comentário em “Muricy e a motivação no futebol

  1. Olá João.
    Muricy é um boleirão. Virou técnico mas continua nas antigas fileiras. Faz média com os jogadores quando diz que não vê necessidade de um profissional para a área pois a grande maioria não aceita mesmo e acha que é coisa prá louco.
    Jogador um pouco mais esclarecido é simplesmente proibido pelos seus pares a dar opinião favorável. Todos sabem disso.
    Os dirigentes então, são os primeiros a aceitarem a situação pois além de fazerem a natural média ainda economizam uma grana.
    Quando a corda estoura do lado mais fraco ( os coitadinhos que dependem de empresários até prá abotoar camisa ) é um Deus-nos-acuda ( Vide Jobsons da vida ).
    É assim mesmo: ” …pimenta nos olhos dos outros é refresco.”
    Um dia a coisa muda, você vai ver!
    Um abraço.

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