A falta de bom senso dos técnicos de futebol

Toda vez que me perguntam sobre a tal “Inteligência Emocional”, confesso que tenho arrepios. Estes termos da moda que banalizam a Psicologia parecem proliferar como pragas nas redes sociais e livrarias.

Só que agora me rendo – ao senso comum (importante frisar) – para falar que está faltando inteligência emocional para os técnicos brasileiros. Como assim? Reagir no momento certo, com a pessoa correta, na intensidade desejada e no espaço adequado. Difícil? Teoricamente, sim – mas não impossível. Ao menos é preciso constatar e, na medida do possível, minimizar os danos destes comportamentos.

E não é de hoje que observo e constato este fato. Aliás, a relação entre treinadores e árbitros é digna de uma análise e intervenção  mais profunda dos psicólogos do esporte.

Hoje assisti ao jogo do Atlético Mineiro contra o Grêmio e vi o treinador Cuca, do Galo, ser expulso nos acréscimos do segundo tempo após reclamar com o árbitro Héber Roberto Lopes sobre algumas faltas não anotadas pelo juiz.

Héber,visivelmente  já cansado depois de uma partida nervosa,cheia de lances violentos – reclamações de ambos os lados, estádio lotado, não hesitou em mandar Cuca para o chuveiro dois minutos antes do final do jogo.

E Cuca será julgado. Punido, poderá desfalcar o Atlético Mineiro por algumas partidas.

Fiquei pensando na falta de sensibilidade, bom senso, astúcia e malandragem de muitos treinadores quando se relacionam com os árbitros. E aqui, vale dizer, não é apenas com este juiz em questão. Faço deste caso, um exemplo que vale para todos os senhores do apito que, aliás, andam realmente cometendo falhas grosseiras neste Brasileirão.

Nem por isso os técnicos devem perder a calma. Até porque, boa parte deles representa o eixo de equilíbrio de suas equipes. Quando expulsos ou punidos – fazem muita falta no banco.

O mais importante de toda esta situação é a constatação da falta de equilíbrio – a famigerada e vendida Inteligência Emocional que abandona os técnicos nos momentos mais indesejáveis.

A Psicologia do Esporte poderia ser uma excelente parceira destes senhores – auxiliando a reduzir os prejuízos que os comportamentos emocionais limitados e nada equilibrados geram para os times e clubes que trabalham e representam.

O irônico – e mais triste – de todo este processo é que são justamente os próprios treinadores os primeiros a fechar as portas para os trabalhos psicológicos na maioria dos times de futebol no Brasil.

Nelson Rodrigues, no auge de sua obra “Sombra das Chuteiras Imortais”  realizou a seguinte constatação: “ … mas afinal, o que entende de alma, um treinador de futebol?”

Sábio Nelson – sempre atual!

2 comentários em “A falta de bom senso dos técnicos de futebol

  1. Oi Cozac…eu venho pensando sobre a demasiada importância que a cultura do futebol deposita na figura do profissional “tecnico de futebol”.Claro que passada a fase da inocência fica claro que é um fantoche a ser queimado,que não tem do que reclamar pois sabe perfeitamente que de santo passa longe,vide esse papo de aranha de “tecnico paizão”…mas sabe de uma coisa caro Cozac?!…Porfim entendo o porque dos técnicos desaparecerem no momento em que as fotos são tiradas para a confecção dos posters do time campeão.Eles sabem demasiadamente,melhor não sair na foto!
    Forte amplexo.
    Pablo

    • Pablo, fantástico! adorei o seu comentário.
      Pertinente, real e com a pitada de ironia que merece nosso futebol.
      A foto, se eles aparecerem, pode sim queimar!
      Abração, Cozac

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