Psicologia do Esporte e as emergências de final de ano

Todo ano é a mesma coisa. Que falta de criatividade desta gente! Os dirigentes dos times que estão para ser rebaixados correm atrás dos psicólogos como derradeira tentativa de evitar a sempre catastrófica queda para a segunda divisão. O filme é sempre o mesmo. Só mudam as cores das camisas e os personagens.

O que me intriga é a dificuldade na mudança das escalas de valores e concepções daqueles que, a princípio, deveriam zelar pelo bem estar e produtividade dos atletas. Quando o telefone toca, seguido de um convite sedutor, é preciso ter os pés no chão e rejeitar qualquer tipo de proposta num momento como este. Até porque, os psicólogos que aceitam a vestimenta de bombeiro ampliam ainda mais a lacuna da compreensão, do respeito e da ética nesta ciência.

No mundo do futebol, quando algo não vai bem, demite-se o treinador. Se não der certo, mandam meia dúzia de atletas embora. Os problemas continuam? Sobe o morro para falar com o Pai de Santo. Em seguida, um palestrante motivacional  (está cheio por aí) que cobra rios de dinheiro para um papinho básico com o time (alguns amam passar filminhos “Dois filhos de Francisco” e a história do Ayrton Senna costumam ser os favoritos).  Não acredito! Nada mudou? Então, aceitam o inevitável: é chegada a hora de  procurar um psicólogo (?!).

Além da absoluta falta de autoestima e consideração pela ciência, o aceite de um convite como este é a prova absoluta – e surreal – da mais completa desinformação e irresponsabilidade com os demais colegas.

Portanto, minha gente, abram os olhos e, por favor, FUJAM destas propostas indecentes. Por mais alta que seja a remuneração, acreditem, o prejuízo para todos nós será imenso!

Faça-nos uma visita no novo site da Associação Paulista da Psicologia do Esporte – acesse   www.appeesp.com
Abraços, João Ricardo Cozac

Seleção para inglês ver

Nunca coloquei muita fé no tal ranking da FIFA, mas alguma coisa isso quer dizer.

Muito bem: somos atualmente a 14a (!!!) melhor seleção do mundo através deste mapeamento (sabe-se lá por qual critério). O fato é que o momento é delicado e ganhar de 88 a 0 do Iraque não quer dizer nada – rigorosamente nada. Aliás, o próprio Mano solicitou à CBF que agendasse amistosos com adversários da cor e da potência do vento.  Típico para inglês ver. Afinal, vencer a Argentina desfalcada e desfigurada com gol impedido e um penalty na bacia das almas, aos 48 do 2o. tempo também é preocupante.

Pior: esta base de barro que está sendo montada e reforçada na Seleção não contará com trabalho psicológico – como foi previsto e solicitado pelo Mano Menezes.
Imaginem os amigos como será o clima e a cobrança no nosso país na época da Copa do Mundo e estes garotos que não conseguem formar uma equipe (hoje, um bando de bons atletas) e com base mental e emocional nada sólida terão de segurar uma barra que – nem o mais pessimista deles é capaz de imaginar o tamanho da encrenca que os aguardam.

Não existe efeito sem causa. E este ditado é antigo. Bem antes de inventarem o futebol e ele se tornar – durante muito tempo – nossa melhor forma de representação, cultura, folclore, raízes e talento dentro e fora dos gramados tupiniquins.

O que era carnaval e alegria – virou um terreno de pão e circo que sobrevive pelo clima do fanatismo de torcedores que procuram – a todo custo – uma satisfação utópica e subjetiva para suas demandas mais íntimas e pessoais.

Ou se recuperam as bases e raízes de nosso futebol – associando-as com o mínimo de modernidade e bom senso – ou venceremos o prêmio de “mico do milênio” no próximo Mundial.

Será que algum dirigente está preocupado ou tem a mínima ideia deste quadro extremamente preocupante? No final, amigos, tudo não passa de uma grande ilusão – digna de um estudo profundo – nas bases inteligentes de um pesquisador e cientista como Oliver Sacks, por exemplo, que nadaria de braçada em sua obra “Um antropólogo em Marte” para melhor entender esta viagem solitária na busca de uma resposta plausível sobre a paixão tão volátil quanto sincera do torcedor brasileiro.

As folhas de papel celestial do saudoso Nelson Rodrigues, uma hora destas, já acabaram.

Nos sobra indignação.
E muita!

Ignorância no Couto Pereira

Uma moça de 13 anos – torcedora do Coxa – quase apanhou dos próprios torcedores do alviverde em pleno Couto Pereira após receber de presente a camisa do jogador Lucas, do São Paulo,no empate entre as equipes no último domingo.
Revoltados com a torcedora, marmanjos irracionais correram atrás da menina e de seu pai na arquibancada do estádio- xingando, ameaçando e amedrontando  ambos de forma bárbara e covarde!
Imaginem se esta moda pega dentro de campo? Ora, se os jogadores trocam as camisas, qual o pecado de uma torcedora receber a camisa do time rival?
Depois do apito final, não existe a confraternização?
Vale lembrar que o Neymar entrou em campo em Porto Alegre, no mesmo domingo, cercado por 60 crianças uniformizadas do Grêmio que tiraram fotos e – felizes, desfilaram com o craque santista em pleno território gaúcho e nem por isso apanharam dos torcedores locais.
O que ocorreu em Curitiba não pode passar em brancas nuvens. As câmeras podem – e devem – identificar os mamutes enlouquecidos e executar uma punição exemplar! Afinal, o que está em jogo, é muito mais que uma simples camisa do jogador adversário.
Nosso futebol chegou neste caos atual porque não é mais permitido idolatrar os atletas – ainda que dos times adversários, a admiração da criançada é sumariamente abafada pela ignorância de boa parte da  massa coletiva que, há tempos, perdeu a graça com esta passionalidade ridícula e descabida.
O futebol, de fato, perdeu seu encanto. Dentro e fora dos gramados!