Seleção para inglês ver

Nunca coloquei muita fé no tal ranking da FIFA, mas alguma coisa isso quer dizer.

Muito bem: somos atualmente a 14a (!!!) melhor seleção do mundo através deste mapeamento (sabe-se lá por qual critério). O fato é que o momento é delicado e ganhar de 88 a 0 do Iraque não quer dizer nada – rigorosamente nada. Aliás, o próprio Mano solicitou à CBF que agendasse amistosos com adversários da cor e da potência do vento.  Típico para inglês ver. Afinal, vencer a Argentina desfalcada e desfigurada com gol impedido e um penalty na bacia das almas, aos 48 do 2o. tempo também é preocupante.

Pior: esta base de barro que está sendo montada e reforçada na Seleção não contará com trabalho psicológico – como foi previsto e solicitado pelo Mano Menezes.
Imaginem os amigos como será o clima e a cobrança no nosso país na época da Copa do Mundo e estes garotos que não conseguem formar uma equipe (hoje, um bando de bons atletas) e com base mental e emocional nada sólida terão de segurar uma barra que – nem o mais pessimista deles é capaz de imaginar o tamanho da encrenca que os aguardam.

Não existe efeito sem causa. E este ditado é antigo. Bem antes de inventarem o futebol e ele se tornar – durante muito tempo – nossa melhor forma de representação, cultura, folclore, raízes e talento dentro e fora dos gramados tupiniquins.

O que era carnaval e alegria – virou um terreno de pão e circo que sobrevive pelo clima do fanatismo de torcedores que procuram – a todo custo – uma satisfação utópica e subjetiva para suas demandas mais íntimas e pessoais.

Ou se recuperam as bases e raízes de nosso futebol – associando-as com o mínimo de modernidade e bom senso – ou venceremos o prêmio de “mico do milênio” no próximo Mundial.

Será que algum dirigente está preocupado ou tem a mínima ideia deste quadro extremamente preocupante? No final, amigos, tudo não passa de uma grande ilusão – digna de um estudo profundo – nas bases inteligentes de um pesquisador e cientista como Oliver Sacks, por exemplo, que nadaria de braçada em sua obra “Um antropólogo em Marte” para melhor entender esta viagem solitária na busca de uma resposta plausível sobre a paixão tão volátil quanto sincera do torcedor brasileiro.

As folhas de papel celestial do saudoso Nelson Rodrigues, uma hora destas, já acabaram.

Nos sobra indignação.
E muita!

2 comentários em “Seleção para inglês ver

  1. “O que era carnaval e alegria – virou um terreno de pão e circo que sobrevive pelo clima do fanatismo de torcedores que procuram – a todo custo – uma satisfação utópica e subjetiva para suas demandas mais íntimas e pessoais.”

    FLAP FLAP FLAP FLAP FLAP FLAP FLAP FLAP FLAP FLAP

    Disse tudo, meu caro Cozak, o futebol hoje é só business e muitos torcedores ainda cegos, não enxergam isso, ainda acreditam na ¨garra¨, ¨raça¨, ¨técnica¨ dos ¨craques¨ brazucas e apenas para contar vantagem com rivais. Fingem não ver que os ¨craques¨ apenas querem aparecer na mídia e arrumar um bom contrato no velho continente ou um contrato de superstar no BRASIL. Sobre seleção, o fato de jogar com equipes do porte da China e Iraque, é somente pra arrecadar um dinheiro pra CBF, se bem que os torcedores tem uma certa fatia de culpa por esses ¨clássicos¨ do futebol mundial, pois ainda acompanham esses jogos sem nenhuma importância, tanto técnica, tática, fisica, pq nossos ¨craques¨, brincam em campo e os torcedores desprovidos de inteligência ainda aplaudem essas goleadas fajutas. Acredito ser de importante valia a psicologia do esporte com os jogadores da seleção brasileira, porque, se em 1950 o goleiro Barbosa foi taxado de vilão pela perda do título mundial, imagina como seria a ira dos fanáticos com esses ¨novos ricos¨, no caso de mais uma decepção em terra tupiniquim? Nas final das Olimpíadas de Londres já tivemos uma amostra de como ficam alguns jogadores em situações adversas(entenda Rafael e Juan) mas numa Copa do Mundo, pode vir a ser qualquer outro jogador numa situação semelhante, porque aí sim, a pressão será de uma dimensão imensurável. Falta alguém cochichar isso no ouvido do Mano Menezes…pois ele tbm sofrerá e muito no caso de uma perda de Copa do Mundo.

  2. Cara, não vivemos mais os nobres momentos, não temos mais a força do povo, não jogamos mais futebol. Infelizmente acabou, foi maravilhoso enquanto durou, mas como tudo nesse mundo o futebol como nós, brasileiros conhecemos, agora é mito. Não fico mais entusiasmado com meu time, muito menos com a seleção, o brilho e a alegria do futebol são irreconhecidos escondidos por toda essa maquina e o modismo do futebol.
    A copa vai ser um fiasco, vai sim, mas e daí?? Isso não vai abalar em nada jogadores, o povo vai reina, mais logo acaba, e como tudo no brasil, vai virar em pizza…

    Triste cenário, mas realista.

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