O choro de Tite

AINDA SOBRE O EPISÓDIO NA BOLÍVIA:

1. O Tite disse que “daria seu título mundial” em troca da vida do garoto.
Pergunta: será que ele daria a vida de sua filha em troca da do garoto que se foi? Trocar um título mundial por vida não me parece uma equação justa. Afinal, um troféu, uma alegria, uma conquista pessoal não pode – e nem deve – ser comparada a uma vida.

2. Mesmo a gente pedindo para os corintianos (e anti-corintianos) esquecerem a camisa – muita bobagem se falou – e ninguém , em momento algum, tentou imaginar a situação contrária:
Pergunta: e se o jogo fosse no Pacaembu e  um torcedor boliviano tivesse matado um corintiano. Vocês imaginaram a comoção nacional que tomaria o futebol e o povo brasileiro? O pessoal colocaria até a ONU no meio do processo.

É aquela coisa: pimenta nos olhos dos outros, é refresco! O Corinthians ameaça sair do campeonato em sinal de represália contra a medida da Conmebol. Uma pena que o motivo seja esse. Seria digno se abandonassem o torneio em represália a atitude do seu torcedor. Mas para isso, teria de haver uma evolução imensa na mentalidade desse povo do futebol.

Os torcedores estão presos – e se fosse aqui, duvido que algum boliviano atravessaria a fronteira. É preciso um pouco de bom senso nesta barbaridade toda. Embora, falar em bom senso num caso desses me parece algo difícil e pouco provável.

Ps. nos posts anteriores – recebi mensagens coléricas por conta de torcedores que não conseguem enxergar – de forma ampla – o absurdo da morte desse menino. Peço que reflitam com cautela para que possamos estabelecer um diálogo minimamente coerente – em meio a tanto repúdio!

A punição ao Corinthians e o silêncio vazio da ignorância

E agora?
O Corinthians já havia vendido 85 mil ingressos para os jogos da primeira fase da Libertadores!

E a tv, o que irá fazer? Silêncio nas transmissões?

E os patrocinadores?

E o clube, vai devolver o dinheiro aos torcedores? Como?

Futebol – o reflexo da doença psicossocial cada vez mais presente na rotina do ser humano.

Vamos ver qual será a próxima manobra – não confio na Conmebol e desconfio seriamente dos interesses envolvidos nesta trama sinistra!

Não vai resolver nada e não trará a vida do garoto de volta. O problema, amigos, é muito mais embaixo! Existe um distanciamento perigoso entre indivíduo e instituição – quando interessa a uma das partes. Quando não, joga-se a sujeira para debaixo do tapete da ignorância e ganância (leia-se “interesses políticos e financeiros da mídia”).
Se um jogador é expulso e prejudica a equipe, a torcida vaia, cobra, xinga. Se um torcedor – chefe da maior torcida organizada do clube – está envolvido no caso de assassinato – o que o time faz? Nada. Aliás, quando casos de violência aguda envolvendo integrantes das torcidas organizadas ocorrem – em geral, o presidente, diretor ou supervisor vem a público explicar que é impossível controlar tudo e todos. Agora, quando um chefe destas torcidas está diretamente envolvido – como explicar?

Bom, o Corinthians jogará com as arquibancadas vazias. Aliás, vazio fica o sentimento nisso tudo.
Ah! e o menino que se foi? perguntará o amigo:
- Logo todo mundo esquece. Responderá o senso comum (em silêncio e nem envergonhado).

Essa é a Conmebol, uma entidade desorganizada e sem moral alguma. A Libertadores é o campeonato continental mais importante da América e o mais bagunçado. Na UEFA Champions League, times com torcidas racistas são punidos, não com estádios fechados, mas com perdas de pontos, desclassificação, etc. Isso porque não há mortes envolvidas (ainda).

A questão está mais na prevenção e, por aqui, prevenir – quase sempre, significa punir. Foi assim desde nossa colonização e, pelo visto, não vai mudar tão cedo!

Ps. Novamente, peço aos fanáticos de plantão que pensem – uma vez na vida – com a razão e não com a emoção antes de fazer comentários passionais-destrutivos e que nada ajudarão no momento.

Eterna violência no futebol

O Corinthians está correndo o sério risco de ser eliminado da Libertadores 2013 por conta da morte de um garoto de 14 anos no jogo de ontem, na Bolívia, por conta de um rojão que a torcida paulista disparou dentro do estádio – na direção dos bolivianos. Tite disse que “trocaria seu título mundial pela vida do garoto” – e, conhecendo o treinador, estou certo que ele falou a verdade.

Fato é que o futebol, há tempos, virou refúgio de bandidos que se aproveitam da cegueira que ocorre por conta da paixão e da autodissolução da identidade pessoal em prol da coletiva – para expor o lado mais negro da alma humana.

Tiros, pisoteamentos, rojões, pedras e facas não são utilizados apenas por ladrões e arruaceiros – nos campos de futebol e arredores – a guerra urbana é declarada e até agendada virtualmente. Os metrôs costumam ser as arenas de encontro para estes animais.

Pessoalmente, não vou mais a estádios desde 1997. Compareço aos jogos apenas quando estou trabalhando com alguma equipe e, mesmo assim, chego no campo dentro do ônibus do time e saio de lá junto com todos.

Outra coisa: na Libertadores é comum assistirmos àquela famosa chuva de objetos na cobrança de escanteios nos estádios colombianos, equatorianos, peruanos. Policiais utilizam escudos para proteger os atletas – e rigorosamente NADA acontece contra estas equipes. Se voa uma pilha de rádio por aqui,o mundo cai em cima do clube. E ninguém fala nada. Parece que já virou regra: por lá, pode tudo. Que mensagem estranha é essa?

A cor da camisa do torcedor que atirou o sinalizador e matou o garoto na Bolívia poderia ser azul, tricolor, grená, alvi-rubro, colorada ou verde. Não creio que seja prudente – nem produtivo execrar o clube por conta de um imbecil – o que não  livra a instituição  de uma condenação forte. Até porque, na história social e esportiva moderna – um infinito número de torcedores de equipes  variadas se envolveram em crimes, vandalismos e cenas deploráveis de violência contra o ser humano e seu patrimônio.

Uma possível exclusão do Corinthians na Libertadores abriria uma discussão sobre a conduta das torcidas de futebol. Do contrário, “apenas” mais uma vida terá sido perdida e nada mudará. O ser humano, pelo visto, não muda suas atitudes – a não ser por aquele velho – e ainda atual ditado: pelo amor ou pela dor.

Voltando ao triste acontecimento desta última quarta-feira, se a Sulamericana fosse uma entidade séria, cancelava a Libertadores 2013, sem campeão, sem nada, em memória a alma da criança que se foi.

Ps. por favor, evitem comentários desnecessários e fanáticos neste momento – procurem olhar para além da camisa do clube – do time de coração e vamos pensar um pouco mais além dos fatos. Obrigado.

Bruna Marquezine: nossa Copa depende de você!


Querida Bruna Marquezine – boa noite!
Sabedor de seu amor incondicional pelo Neymar – gostaria imensamente de te pedir alguns favores listados abaixo:

1. Converse no pé do ouvido do seu  loirinho e diga a ele que – nem sempre – ele vai ganhar.
2. Fale pra ele – no momento apropriado – que há zagueiros que, SIM, conseguirão pará-lo e nem por isso ele deixará de ser amado pelo povo brasileiro. Ele não precisa ficar bravo por isso! Até Pelé já foi parado na marcação!
3. Ah, sim, claro, diga a ele que, obviamente, ele não é Deus, tá? Sabe como é – né – muita beleza e glamour juntos pode confundir a cabeça do garoto.
4. Avise a ele – talvez num momento mais íntimo – que chutar as partes íntimas de um atleta durante uma partida pode resultar num baita problemão pra ele – ainda que ele tenha tentado atingir a terceira bola – pode haver duas antes dela e aí o cartão vermelho vai colocá-lo no chuveiro.
5. Explique pra ele o que significa futebol chato – gente chata – momento chato – porque ele entende que “tudo o que vai contra ele – é chato” – ele cresceu, certo? para ter um mulherão como você ao lado dele – creio que já não é mais um menino de 17 anos.

Por fim, minha amiga Bruna, avise ao Ney que ele precisa, urgentemente sair do país para enfrentar uns zagueiros dinamarqueses, suecos, finlandeses, suíços, alemães – para ele conhecer, finalmente, o que é “ser chato”. Nossa preocupação é que o país projeta nele – neste garoto que muda o visual a cada 10 dias, a conquista de uma Copa e não dá para este rapaz ficar de birra quando as coisas não saem do jeito que ele gostaria.

Aproveite que “Salve Jorge” está no final – convide ele – com passagem apenas de ida – para conhecer melhor a Espanha ou Inglaterra. Tenho certeza que vocês serão muito felizes por lá – imagine você ganhando a camisa do Messi? Nada mal, certo?

Afinal, se ele pode até te namorar – como lidará diante de oponentes truculentos que o impedem ele de brincar?

Um abraço, Bruna, e que Deus te ilumine (assim, iluminará nossa esperança em 2014)

Ps. as lembranças do romance entre o Ronaldo e a Susana Verner ainda estão vivas, certo? os franceses, em 98, agradecem até hoje!

Brasil 2014 será o quintal de Lionel Messi?

Sempre disse que algo grave – gravíssimo – ou, como gosta um grande amigo, “urgente, urgentíssimo”, deveria ocorrer para que o futebol brasileiro mergulhasse no poço profundo, nas mais tenra desgraça e, pelo visto, está tudo se desenhando de forma clara. Basta tirar um pouco a areia do fanatismo que cega pela paixão e observar os fatos.
Além de um treinador ultrapassado e que recentemente rebaixou o Palmeiras para 2a. divisão – temos uma time recheado de jogadores inexperientes – tecnicamente, no âmbito nacional, excelentes, mas no contexto internacional, jogadores comuns ou bons. Mesclado a isso, atletas que demonstram pouca disposição e motivação para disputar mais um Mundial. O time não tem cara, é desprovido de identidade e, novamente, uma imensa colcha de retalhos humanos está se formando – e, vale dizer, sem super visão psicológica alguma. Eventualmente, a elaboração de um ou outro perfil mapeado e nada mais.
O Parreira gosta do trabalho dos motivadores – pessoas que montam videos motivacionais de alto impacto sem, ao menos, ter a certeza e conhecimento das demandas que as próprias imagens mobilizam.

Neymar agora deu para reclamar. Ontem soltou o verbo, revoltado pelo fato do Santos aceitar o jogo contra o Paulista de Jundiaí, no Pacaembu, em pleno domingo de carnaval. Onde já se viu? o garoto ganha mais de dois milhões de reais por mês e ainda tem a ousadia de vir a público cornetar a instituição que defende. Aliás, com este comportamento, vai ter problemas no exterior. Este menino vai penar no Mundial – falta experiência internacional a ele – aprender a sair das faltas dos ingleses, alemães, franceses, italianos e holandeses. Jogar o Paulistão e dar balão no centroavante do Botafogo de Ribeirão me parece mais fácil que encarar o Lampard em seu pescoço.

Com tudo isso, amigos, é bom começarmos a nos preparar para o pior – e o que poderia ser pior que a Argentina levantando o Mundial em nosso país? Aliás, com a bola que o Messi está jogando, não será surpresa se isso acontecer. Muita gente vai detestar esta possibilidade. E não é para menos. Por outro lado, vejo apenas esta chance única para que uma mudança brusca, radical, densa e profunda ocorra no nosso futebol. Ainda que, na visão de alguns, esta Copa já é do Brasil – por motivos que não são passíveis de explicações públicas.
O mais absurdo de tudo isso é ver tanto dinheiro sendo enterrado no futebol e tantas modalidades – recheadas de atletas fabulosos no Brasil – sofrendo pela mais total e completa ausência de patrocínio.

Dizem que “somos o país dos contrastes” – sei não. Acho que já mudamos nosso status para “o país dos absurdos”! O maior de todos, muito possivelmente, será a festa de Messi no nosso quintal.

NOTA DE REPÚDIO – SELEÇÃO BRASILEIRA

No time do Marin jogam hoje o  FELIPÃO – MURTOSA – PARREIRA – e ainda colocam o Julio César que defende o gol do último colocado do campeonato inglês. Qual a próxima invenção? Cafu e Rivaldo? garanto que os vovôs dariam muito mais sangue que estes jovens garotos deslumbrados com as fortunas que recebem em suas equipes.
Chega a dar desânimo ver  junto naquele banco de reservas vários profissionais – que já deram – há milênios – o que tinha que dar! E a gente fica aqui vendo Ronaldinho Gaúcho rebolando no melhor estilo FIFA STREET na hora do penalty – vê o Neymar sentindo uma vez mais a camisa da Seleção diante de adversários dificeis (isso porque é a GRAAAAAAANDE esperança para a Copa) – vê estes meninos que cedo deixaram o país em busca de um sonho e a realidade é o mais absoluto distanciamento das raízes brasileiras corrompidas pelos milhões de euros. O Oscar – falo há tempos – não tem condição emocional e psicológica para um bom desempenho dentro de campo- ele é fraco nesta área (tecnicamente, muito bom, mas mentalmente, frágil – não podemos contar com ele em momentos decisivos!) A Globo gosta – os patrocinadores adoram – e nós, torcedores, lamentamos!
Vemos uma “arquiteta-psicóloga” mapeando perfil de atletas e sem acesso ao grupo já que o big Phill não permite! Logo chegarão os engenheiros e palestrantes motivacionais e a mediocridade parece não ter mais fim! Os absurdos são intermináveis e a ignorância continua em alta na CBF!
O futebol brasileiro, pelo visto, custará muito a se renovar. Vamos olhar para outras modalidades? que tal? Garanto que a vergonha e a desilusão são mínimos diante deste papel vergonhoso que nosso combalido e vendido futebol se tornou!

Só nesta nação – um treinador que rebaixa uma equipe é convidado para dirigir a Seleção!

5% do valor que movimenta este famigerado futebol poderia alavancar modalidades esportivas que contam com atletas de alto gabarito e capacidade – mas que carecem de apoio.
Até quando vamos ficar refém deste sistema? Tô cansado! bem cansado…

E antes que me perguntem se eu preferia o Mano – já respondo:

Prefiro o ESPORTE!

#REPÚDIO!

Ps. e o Muricy vai bem, obrigado!