A viagem de Dorival Jr e Mancini

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Dorival Jr. e Mancini – aproveitem que vocês estão desempregados e foram a Europa para uma reciclagem – perguntem ao Guardiola:

1. Qual o conceito de atleta que vocês tem aqui na Alemanha?
2. Como é realizado o trabalho de Psicologia do Esporte por aqui?
3. Vocês chamam comandantes da polícia para dar palestras motivacionais?
4. Quais foram os segredos do #eterno7a1 ?
5. Os clubes por aqui contratam psicólogos ou os chamam apenas na época de crise?
6. Procurem saber, com quem entende, quais os caminhos para a modernização tática, técnica, física e psicológica do futebol.
7. Em tempo: os alemães adotam a leitura e aplicação multi e interdisciplinar no futebol e em outras modalidades. Se vocês não sabem o que isso significa – é hora de saber.

Se vocês trouxerem as respostas dessas cinco perguntas ao Brasil e, em especial, aplicá-las no nosso futebol, a viagem terá valido demais!

Do contrário, continuarão sendo meros “entregadores de coletes” nos treinamentos.

Por que isso, Bellucci?

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Essa é a pergunta que ouço desde ontem. Aliás, ouvi de uma colega: “não assisto mais os jogos do Bellucci. Nunca sei qual tenista vou encontrar na quadra: se será um bravo guerreiro ou um atleta derrotado mentalmente. E isso me irrita”, completou.

Perplexo. Essa é a melhor definição para a sensação que tive após a derrota de Bellucci na estréia do Brasil Open. Creio que o tenista, hoje, esteja sentindo da mesma forma após uma sincera autocrítica de seu rendimento na partida contra Martin Klizan após desperdiçar dois match points num jogo perfeitamente ganhável e sem grandes sustos. No entanto, Bellucci transformou -novamente – uma partida tranquila num pesadelo desnecessário. Até quando?

Talentoso, rápido, ágil, forte e habilidoso – Thomaz Bellucci vem derrapando no campo emocional. Chegou muito perto daquele espaço que poucos e raros tenistas brasileiros ocuparam. Bellucci está – visivelmente, e uma vez mais, sem força mental para vencer as adversidades comuns a este esporte. Pior: ele “cria” a adversidade e acaba derrotado por ela. Uma espécie de armadilha mental absolutamente desnecessária e evitável.

Em alguns jogos e torneios , o brasileiro demonstra grande dificuldade nos momentos cruciais dos sets e das partidas. Especialmente quando a confiança precisa ser a maior aliada para derrubar o adversário.

Será que os fantasmas de enfrentar os melhores do mundo por um espaço no topo do ranking assombra a mente de Bellucci ? Ele sabe – em alguma dimensão – que se mantiver o crescimento e evolução, breve terá de encarar – frente a frente – as feras do tênis mundial e aí tudo pode acontecer. Inclusive a vitória! Isso soa estranho, mas acreditem: não é!

Pesquisas científicas e estudos da Psicologia Esportiva no tênis e em várias outras modalidades apontam para a possibilidade da criação de vastos planos de sabotagens mentais. Há medos relacionados com a derrota, fracasso e desilusão. Há temores relacionados com a possibilidade do sucesso e tudo aquilo que pode surgir caso o atleta triunfe e vire o novo herói nacional. Aliás, nosso povo carece desta figura e – a cada vez que aparece um personagem (seja no campo esportivo ou fora dele) com potencial para ocupar este espaço de carência e de baixa auto-estima que levamos na nossa bagagem, parece que alguma coisa pesa naquele instante em que tudo precisa dar certo.

É muito triste constatar um talento tão raro como o de Bellucci e, ao mesmo tempo, percebê-lo com tantas fragilidades. Seus adversários certamente já conhecem bem os pontos fracos do tenista brasileiro e sabem que – a qualquer momento – o tenista poderá sucumbir de seus obstáculos internos.

O pior é saber que, por aqui, Bellucci não é o único atleta estruturado num corpo de aço, mas a base de barro. Tomara que ele consiga superar tudo isso e tenha um pouco mais de tranquilidade e estabilidade interna para trabalhar. Talento não lhe falta.

O pedido de socorro de Nadal

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<br /> “Apertado”, Felip o deixa Thiago Silva iniciar reconhecimento de gramado | GE.Net na Copa

Não é de hoje que Rafael Nadal apresenta comportamentos – no mínimo, estranhos. Puxar a cueca e colocar as garrafas de água milimetricamente uma ao lado da outra são apenas dois dos diversos e evidentes sintomas do tenista. O custo interno e o sofrimento desse tipo manifestação comportamental são altíssimos.

Há algum tempo não assistia Nadal em quadra. No Australian Open, fiquei definitivamente preocupado com a saúde mental do espanhol. O repertório de tiques aumentou consideravelmente. Antes de cada saque, o tenista passa a mão no nariz, num lado da face, na testa, no outro lado da face e arruma o cabelo. Chega a ser angustiante acompanhar todo esse ritual. O calvário comportamental do atleta antes de suas ações nas partidas expõe dificuldades e aflições psicológicas que merecem – não é de hoje – a atenção dos especialistas.

Desde muito cedo, Rafael Nadal dedicou todos os seus esforços ao tênis e, ao lado do tio, conselheiro, treinador e empresário, Toni Nadal, trilhou os caminhos da profissionalização e dos inúmeros títulos como tenista.

O esforço, dedicação e doação de Nadal são conhecidos por aqueles que acompanham esse esporte. No dia seguinte à conquista de um título, pela manhã, lá vai Nadal para a quadra, treinar, treinar e treinar. O atleta cresceu na companhia de uma ideologia máxima do esporte praticado e pensado 24 horas por dia, 365 dias por ano em que o descanso representa uma dupla falta diante dos adversários.

Lembro-me de alguns professores que tive no cursinho que diziam: “enquanto você está sonhando, tem sempre outro estudando”. Como esquecer o terror que a gente sentia e até mesmo a culpa de não estudar a quantidade de horas que era sempre insuficiente?

Pois bem. Não quero nem vou colocar na conta do Toni Nadal, esse conjunto de sintomas estranhos que o sobrinho tem demonstrado nas quadras. Até porque, o tio foi um dos principais responsáveis pela carreira vitoriosa desse mega astro do tênis. Questiono, no entanto, essa necessidade mais que imperativa do “ter que ganhar a qualquer preço” – do “ser perfeito sempre” – ou do “ser atleta o tempo inteiro” – das caras e bocas que o tio faz quando Nadal erra ou perde uma partida que, teoricamente, teria todas as possibilidades de vitória. Há sempre uma sensação de débito no ar. Uma espécie de pendência que não tem mais fim.

Fato é que Nadal parece ter perdido muito de sua vitalidade, dos cabelos, da pele e do brilho nos olhos. O guerreiro das quadras está demonstrando dificuldades diante dos golpes do tempo. E aqui pergunto: o que será de Rafa quando abandonar o tênis? Como lidará com essa energia que, na quadra, não é mais a mesma e o aumento progressivo da sintomatologia compulsiva de tiques está aí para denunciar esse desencontro emocional?

O esporte de alto rendimento é lindo, tem o seu glamour e beleza. Por outro lado, se os cuidados no desenvolvimento dos atletas e seres humanos não forem considerados nem trabalhados, há sempre o iminente risco de se represar, perigosamente, a energia vital que necessita de campo e espaço para se manifestar.

Hoje, o cenário para esses evidentes conflitos de Nadal é a quadra – sempre repleta de fãs e admiradores de seu talento e força. Amanhã, quando os holofotes se apagarem, temo – de verdade – sobre como ele lidará com esses nítidos e crescentes sintomas comportamentais que, certamente, indicam a necessidade de apoio e auxílio.

Por hora, o guerreiro corre e luta para voltar ao topo do ranking – como sempre! E a Psicologia do Esporte, infelizmente, ainda sofre com o preconceito e desinformação de atletas e treinadores.

A aula de Maria Sharapova

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Há tempos não acompanhava uma vitória tão contundente como a da russa Maria Sharapova – em pouco mais de uma hora – nas quartas de final do Australian Open contra a canadense Eugenie Bouchard.

Costumo dizer aos tenistas que atendo que “o tênis é como um diálogo: ganha aquele que tiver mais argumentos”. No jogo de hoje, Sharapova fechou todas as portas e a canadense – que entrou visivelmente nervosa – nada conseguiu fazer para se defender dos ataques impiedosos da russa.

Quando a autoestima é somada à força, coragem e talento – acontece exatamente o que vimos nessa partida: uma tenista plena em termos de convicções e outra que não conseguiu resistir a pressão desde o primeiro ponto da partida.

Isso ficou muito evidente especialmente nos pontos em que a canadense sacou. Sharapova montou nas bolas de Bouchard – afunilando o território de ação da adversária.

A energia de ativação interna – regulada através da concentração, controle de ansiedade foco e atenção – foi crucial e decisiva nesse jogo. Enquanto Sharapova entrou na quadra no auge de sua confiança e consciência técnica do que deveria realizar para vencer Bouchard, a canadense iniciou a partida acuada e indecisa. Ou seja, virou presa fácil e perdeu por 6×3 – 6×2.

Conhecer o plano psicológico de ativação e autorregulação é fundamental para um desempenho fluente e consistente numa partida de tênis. Hoje, em Melbourne, vimos apenas um monólogo de Sharapova – contra uma Eugenie Bouchard distante daquela tenista que conhecemos e aprendemos a admirar. Enquanto as forças da russa aumentavam – a canadense sumia, assim como um fade out – até desaparecer por completo.

Uma aula de tênis de Sharapova – em todos os sentidos da preparação esportiva.

 

 

Força Tales e parabéns aos meninos do terrão!

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No mundo da bola existe um ditado – que, de vez em quando, aparece para definir uma situação: “no futebol, a posição de goleiro é tão ingrata que nem grama nasce onde ele fica”.

A Copa São Paulo de futebol juniores foi decidida num lance isolado em que o excelente goleiro Tales, do Botafogo de Ribeirão Preto, falhou ao tentar defender o chute do jogador do Corinthians .

O camisa 1 do Bota fez uma Copa SP fantástica e espero que receba força e apoio dos dirigentes do clube. Ele tem presença, personalidade e talento. Tomara que o universo superficial e quase sempre cruel do futebol não prejudique a carreira desse garoto.

Em campo, as duas melhores equipes do torneio. O Botafogo de Ribeirão (profissional) terá, certamente, vários jogadores da base no Campeonato Paulista. Espero que Tales tenha sua chance também.

O Corinthians, pra variar, sempre forte na sua fábrica do terrão. O nono título da Copinha para o sorriso e alegria do Tite que, no Pacaembu, imagino, já escolheu algumas promessas para se juntar ao profissional.

Tales, levante a cabeça! No futebol e na vida, aprendemos e nos fortalecemos com os erros. Entenda esse momento de hoje como um combustível a mais para você mostrar seu imenso talento e dedicação. Não tenho a menor dúvida que você terá uma carreira de sucesso. Continue firme no seu caminho e nas habilidades que tão bem você desenvolveu. Momentos felizes e de grande vitórias te aguardam.

Copinha revela que a ignorância vem da base

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Cusparadas, socos, provocações e ignorância foram a tônica da semi final da Copinha entre Corinthians e São Paulo.

Dento de campo, o Corinthians foi superior ao São Paulo e mereceu a classificação para a final do torneio. Fora de campo, bombas, corre-corre, policiais jogando spray de pimenta para espalhar a multidão de brigões – e que já tomaram conta dos estádios.

Os juniores começam cedo na carreira do senso comum e da violência desenfreada do futebol. Por sorte a final da Copa São Paulo não será o clássico entre o Corinthians e Palmeiras – o que poderia resultar uma nova catástrofe.

O Botafogo de Ribeirão disputará a final contra o alvinegro paulista.
Lamento, uma vez mais, pela constatação desse pequeno mundo chamado futebol e que, pelo visto, não mudará tão cedo. A falta de bons exemplos povoa essa modalidade, dentro e fora das quatro linhas.

A falta de ética, respeito e cidadania repele pessoas de bem e atrai os arruaceiros e bandidos que nada tem a somar na esfera social desse esporte.

Em campo, meninos que crescem sem psicólogos do esporte (muito por conta do preconceito dos médicos que não valorizam nem estimulam o trabalho). O ECA (estatuto da criança e do adolescente) exige que os clubes tenham psicólogos na base. Estamos no Brasil. Adivinhem o que acontece? Muitos clubes contam apenas com a assinatura de psicólogos e raríssimas visitas profissionais nas instituições para afugentar a multa que é bem grande.

Psicologia do Esporte, de fato, pouco se vê ou se encontra nas bases dos clubes. No profissional, então, nem pensar. O futebol já credenciou a ignorância e o senso comum como seus maiores representantes.

Vocês acham que os dirigentes estão preocupados com isso? Algum empresário vai orientar esses meninos? O que esperar desses garotos que – com 17 ou 18 anos já reproduzem tudo de pior que aprendem com os “profissionais”? A resposta me parece simples.

O resto, amigos, é só ligar a televisão e lamentar.
Nada mais.

Gritos de socorro do estádio “Morenão”

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Lembro como se fosse ontem a professora e colega Suely Gevertz, do curso sobre Psicanálise bioniana no Instituto Sedes Sapientae, em São Paulo, ao falar sobre o suicídio: “é o profundo ódio ou desamor pela vida”.

Hoje – em diversas mídias –  foi publicada uma matéria sobre as tentativas de suicídios no estádio “Morenão”, em Mato Grosso do Sul. Pessoas desesperadas que escalam a torre de iluminação e ameaçam se jogar.
Muitos não compreendem as razões pelas quais um estádio foi eleito para essa atitude capital. Um grito de socorro no silêncio das multidões – pouco valorizado e reconhecido na sociedade moderna.

O professor Edilson Reis, de Bioética, leciona na UFMS e explica o fenômeno da seguinte maneira: “a resposta está em Durkheim: o suicídio é uma denúncia individual de uma crise coletiva”, afirma ele, em referência ao sociólogo francês autor de um clássico sobre o assunto.
“Essas pessoas estão sofrendo e não têm com quem compartilhar sua angústia. Escolhem um lugar público, de grande visibilidade, e o Morenão é um símbolo de Campo Grande, para denunciar seus problemas, problemas com os quais elas não conseguem mais lidar. Elas fazem isso para mostrar que existem e que precisam de ajuda. Nós temos que ajudá-las.”

Estádios são alimentados pelas pulsações quase histéricas das manchetes esportivas e pela coletividade inconsciente que habita esses frios gigantes de concreto. Suas histórias políticas se confundem com as batalhas do homem pelo espaço de reconhecimento e legitimação de seus anseios e ideais. Portanto, um holofote perfeito para pedidos incessantes de socorro de almas que não encontram empatia e interlocução socioafetiva.

Nessa dissociação psicoemocional entre o indivíduo e o grupo, quadros de sofrimento, desamparo e abandono são frequentemente desenvolvidos e, não raro, indivíduos que não conseguem o devido fortalecimento (espelhamento) nas relações – elegem palcos públicos para revelar a dor da solidão e da cruel sensação da ausência de alma e presença.

O caráter e as demandas de humanidade e psiquismo, sumariamente ignorados no mundo do futebol surgem, novamente, no ponto mais alto dos estádios – nas torres de luz tão pouco iluminadas, quase queimadas nos arredores dos campos de jogo da bola e da vida. Por que é tão difícil de compreender a dor do homem?

Compreender e ser continente com a dor do outro não são, infelizmente, atitudes comuns na contemporaneidade. Há sempre pouco tempo para si e uma névoa de idealizações e especulações sobre quem está ao lado. A lacuna que se forma nesse espaço de desencontros e desamparos é a protagonista dessa verdadeira decisão de campeonato entre o viver e a profunda angustia de não mais se reconhecer no grito das multidões.

Palmeiras: nada o que celebrar

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Nada o que celebrar. Um dos piores times do Palmeiras de todos os tempos,  escapou por um milagre do rebaixamento debaixo das vaias generalizadas após o apito final na partida de hoje, contra o excelente e jovem time “b” – de juniores – do Atlético Paranaense.  Milagre esse que veio da Bahia para abençoar o alviverde paulista.


A torcida está cansada de reclamar do amadorismo da diretoria e presidência do clube. Valdívia, com meia perna, joga mais que qualquer outro jogador do time. Algo está muito errado nos ares do Palestra. A verdade é que muito pouco foi feito -e conquistado a altura do cube após a era Parmalat.

A filosofia conduzida pelo “Palmeirinha” (apelido do Paulo Nobre) não produziu os resultados esperados. Muito menos a parceria com Brunoro que pouco fez para contribuir na estruturação de uma equipe minimamente competitiva.

A “Psicologia do Esporte”, no Palmeiras,  foi designada a um profissional que não é nem formado em Psicologia. Coisas da cabeça do Paulo Nobre, assinada pelo Brunoro. Um motivador – ex jogador que apenas palestrou com os jogadores. Acabou se salvando também do iminente rebaixamento. Logo estará em outro clube, com certeza.

No final, um estádio maravilhoso e moderno – e uma diretoria com valores e métodos absolutamente ultrapassados. Se o Paulo Nobre – incrivelmente reeleito na presidência, mantiver suas ideias e ações, anotem: o clube passará mais um ano de calvário a espera.

Uma vergonha perfeitamente evitável a um clube com passado glorioso e cheio de conquistas em sua história.

 

Medo do sucesso: usina de derrotas

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Nesses últimos vinte e dois anos pesquisando e atuando com proximidade o comportamento humano associado ao esporte – constatei o crescimento e a expressão de uma emoção complexa e rotineira: o medo do sucesso. Para alguns pode soar estranha a ideia de um atleta ter medo de vencer. Até porque, imagina-se que esse seja o alvo principal de uma ação esportiva de alto rendimento. Até então, temer a derrota parece-me mais coerente diante desse caminho cognitivo de metas esportivas.

Como o plano emocional é cercado por nuances surpreendentes ao raciocínio humano – devo relatar que o medo do sucesso tem crescido de forma alarmante no plano das tendências competitivas – exigindo o aumento de estudos de campo dos pesquisadores do comportamento humano no esporte e fora dele.

Esse medo pode estar associado a uma perigosa forma de autoboicote que depõe contra o esforço e dedicação diária de atletas que fazem do esporte, o ofício e objetivo de suas ações profissionais e sociais. O sentido e significado da vitória assumiram contornos difíceis de serem internalizados – o que gera necessariamente – uma reflexão mais profunda sobre os aspectos humanos no universo das emoções do ser atleta.

Na rota da competição nos campos, ginásios, piscinas, quadras e arenas de todo o mundo – o medo do sucesso traz consigo o convite a uma viagem sobre os aspectos da identidade e da constituição do afeto social e familiar nos holofotes da vida. O trabalho psicológico com atletas necessita de maior aproximação com as vivências pessoais e construções de sentidos atribuídos a experiências competitivas nos mais variados cenários.

O quebra-cabeça do comportamento emocional é um desafio para os cientistas do esporte que devem acompanhar a dinâmica sócio afetiva dos praticantes de esporte e atividade física no espectro do alto rendimento ou apenas na planificação de metas para o exercício físico voltado para o ganho de saúde e qualidade de vida.

Vale dizer que nem sempre os atletas que evitam a derrota – perseguem a vitória. Entrar para não perder é diferente da postura mental de iniciar uma prova com o intuito de vencer. Os significados da derrota e vitória estão mudando de acordo com as relações sociais e do afeto quase sempre perdido e/ou danificado na caixa preta pessoal de cada indivíduo que – no ato esportivo, explicita suas dificuldades e conflitos diante das representações
elaboradas nas experiências passadas.

Atleta e ser humano em ação. Essa é a dica para mirarmos o olhar àquele que nos procura na clínica – quase sempre com a queixa de queda da concentração – aumento da ansiedade pré-competitiva ou simplesmente – pela perda do encanto na prática esportiva. Os segredos, quase sempre, estão escondidos bem longe de onde, a princípio, imaginamos encontrar as diretrizes e motivações desses jovens heróis que buscam a superação e realização pessoal através do esporte.

 

Obrigado, Minas Gerais!

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É isso aí, amigos: Minas Gerais, uai!
Lá tem futebol de VERDADE! O futebol renasce no mesmo local em que sofreu o maior golpe de sua história: o Mineirão!

O Atlético Mineiro tem – de sobra – o que chamamos de “comportamento competitivo”. Você sabe o que isso significa? Um conjunto de traços de personalidades individual e coletiva que fazem um grupo virar um time – na verdade, um timaço como esse do Galo!

Meu Deus! Que coisa mais linda. Fazia tempo que não me arrepiava tanto com os jogos de um time fantástico como esse do Atlético. Capacidade de superação – autocontrole, foco, atenção e a mais profunda doação dos atletas diante das adversidades.

Os dois melhores times – disparado
– do futebol brasileiro atualmente farão a final da Copa do Brasil – uma Copa Minas com o troféu nacional !

Cruzeiro x Atlético mineiro certamente realizarão as duas melhores partidas de 2014 – comparadas às brilhantes apresentações da Seleção da Alemanha na Copa do Mundo.

Estou com vontade de ir a Minas novamente para assistir – ao vivo e no Mineirão – os dois jogos antológicos que definirão o campeão da Copa do Brasil. Sede e fome de futebol bem jogado – com classe, categoria e disposição (inspiração e muita transpiração).

O Cruzeiro joga um futebol mais cerebral. O Galo, totalmente emoção – paixão. Agradeço aos amigos de Minas – Estado que tão bem me recebeu por dois anos quando trabalhei na Toca da Raposa cruzeirense – pelas aulas de futebol que estão dando a todo o país.

Fazer um gol no Galo – nos primeiros minutos – é quase uma sentença de morte.

Por outro lado, julgar que o Cruzeiro não é capaz de reagir é um erro imenso e quase insano.

O futebol brasileiro vive em Minas Gerais.
Histórico! Maravilhoso ! Sublime!

Nos vemos em Minas, amigos! Eu preciso ver um pouco de futebol de verdade e sentir a pulsação do futebol brasileiro das nossas raízes e hábitos históricos e culturais.

Seguinte: quem quiser ganhar do Galo e/ou do Cruzeiro – terá que ralar muito !

Futebol mineiro tá com tudo e TÁ PROSA, uai!

NOITE HISTÓRICA DO FUTEBOL BRASILEIRO! O país vai parar nos jogos finais da Copa do Brasil!