O pecado de Dudu

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Há um bom tempo noto que a vaidade de boa parte dos jogadores de futebol tem aumentado. Em alguns casos, a “marra” ou “mala” (termo utilizado no futebol para designar a vaidade extremada de um atleta) é mais contundente que a esperada seriedade na ação esportiva de atletas que ganham uma fortuna para defender os clubes.

Hoje, na final do campeonato paulista, Dudu desperdiçou um pênalti quando o Palmeiras vencia por 1 a 0 e contava com um jogador a mais em campo. Poderia ter dado um passo imenso na direção do título. Em vez disso, Dudu valorizou cada passada – olhar, cada segundo de televisão e rádio – e, provavelmente nem considerou a possibilidade de errar a cobrança.

Na cabeça do atleta, parecia que tudo estava resolvido e ele poderia desfilar, lentamente, diante dos 40 mil torcedores presentes no campo. Deu no que deu: a bola bateu no travessão e o Palmeiras deixou escapar a oportunidade de levar dois gols de vantagens para Santos na partida final. Parecia um castigo – uma espécie de afogamento no espelho do lago que refletia apenas a imagem de seu rosto.

O que me chama a atenção no futebol moderno é a falta de foco da maioria dos jogadores que demonstram ter muito mais preocupação com os fones de ouvidos, carros, modismos lançados pelo Cristiano Ronaldo e Messi do que, propriamente, jogar futebol de forma comprometida e séria.

A tal “marra” tem sido uma característica comportamental que se disseminou no futebol mundial e só tem reforçado o narcisismo e falta de objetividade dos jogadores em diversos momentos das partidas.
Dudu não é o único a cobrar uma penalidade máxima dessa forma. Vários outros atletas parecem aproveitar o momento para serem admirados diante das câmeras. Ronaldinho Gaúcho foi um dos atletas que reforçou essa forma de cobrança e, da mesma forma, desperdiçou muitas cobranças.

Óbvio que não se pode comparar o talento de ambos, mas esse desfile monitorado pelas câmeras precisa ser revisto pelos atletas que estão colocando o “eu” na frente do “nós” em momentos cruciais de jogos e torneios.

A moda do futebol (dentro e fora de campo) é ditada pelas chuteiras rosas, brincos, tatuagens, carros, loiras e todos os apetrechos que reforçam a vaidade e narcisismo desses meninos que – boa parte, não sabe nem escrever o próprio nome.

Quando reforço a necessidade de um estudo e intervenção mais aprofundado na Psicossociologia do Esporte, pretendo alertar que demandas e questões do desenvolvimento, base, origem e valores psicológicos, sociais e emocionais desses garotos também entram em campo e, se não for bem trabalhado, facilmente se tornam reféns dos apelos da mídia e das “marras” do homem moderno.

Dudu, que o som da bola no travessão na penalidade que você cobrou possa servir de um alerta ou um despertador para uma assertividade e objetividade necessárias e esperadas numa decisão de campeonato – atuando nos próprios domínios e diante de 40 mil torcedores que depositam o coração na ponta de sua chuteira.

 

São Paulo: um time sem alma

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Sei que a Psicologia do Esporte é pessimamente compreendida no futebol, concebida com preconceito e desinformação – mas deixarei – aqui, as opiniões de quem atua na área há 20 anos e percebe, através das lentes mentais, a fragilidade clara de um time de futebol.

Na visão de Jung, discípulo de Freud, “anima” é o termo utilizado para designar “energia de vida, de produtividade e desenvolvimento”. Tudo aquilo que falta ao time do Morumbi: alma! E na partida da Vila Belmiro não foi diferente: eliminado pela oitava vez nas semi finais do campeonato paulista, o São Paulo amarga uma péssima fase que parece não ter mais fim. Ao menos não tão logo.

Por exemplo: o São Paulo desenvolveu uma crença central – nesses últimos anos – que “vencer o Corinthians, em seus domínios, é uma tarefa árdua, quase impossível – um desafio de extrema dificuldade” e, assim, atua de forma reticente, insegura. Essa crença gera pensamentos automáticos diretos no grupo de atletas que, por conseguinte, promove um comportamento de insegura, baixa autoestima e confiança. Não me parece tão complicado entender esse processo psicológico.

Após a (anunciada) eliminação para o Santos na semi final do Paulistão – o São Paulo terá de encarar novamente o Corinthians em sua casa pela decisão de sua vida na Libertadores. Se o time entrar dessa forma apática e sem vida, o prognóstico do resultado não me parece assim tão difícil.

Na partida contra o frágil Danubio, a vitória veio na bacia das almas, com Centurion, aos 47 do segundo tempo. Se o Corinthians encaixar seu melhor jogo, deve vencer o São Paulo e colocar o time do Morumbi muito provavelmente fora da disputa da fase seguinte na Libertadores.

O ponto principal do time do Morumbi, a meu ver, é que a soma dos estilos de personalidade dos jogadores do São Paulo gera uma resultante frágil em termos de tendências de competência competitiva (será que os dirigentes tricolores sabem o que isso significa?) O time consegue se impor apenas e tão somente diante de equipes mais frágeis tecnicamente. Pra piorar, o clube está sem a figura de importante referência de um treinador de futebol. Não há raça dentro de campo e isso me parece evidente.

Quando os desafios mais fortes se apresentam, o grupo não consegue se unir positivamente em termos de comunicação, força interna, personalidade e pró-atividade (tomada de iniciativa, ação e reação) nas partidas. Os jogadores demonstram uma apatia contagiante, ainda que consiga uma maior posse de bole – o resultado é bem abaixo do investimento realizado.

Afinal: será que é tão difícil assim perceber que o Ganso, por exemplo, não demonstra assertividade comportamental esperada para um camisa 10 do seu porte? Especialmente depois das cirurgias, o jogador nunca mais foi o mesmo. E o Pato, que apesar dos gols, desaparece na maior parte do tempo dos jogos? Isso por não dizer que há partidas que ele é apenas figurante dentro de campo.

Outra coisa: estão querendo transformar o Luis Fabiano num anjo e ainda anunciam o fim de seu contrato durante a Libertadores. Pior: já foi avisado que não permanecerá no clube. Isso é claro e evidente que não funcionará.

Como sempre acontece no futebol, quando questões psicológicas estão envolvidas, os dirigentes e treinadores não sabem o que fazer com as demandas. A questão é desenvolver um trabalho psicológico de adequação de comportamento e não de extinção de suas respostas agressivas que prejudicavam a si e ao grupo por conta das contínuas expulsões. Hoje, Luis Fabiano não é mais expulso, mas também esqueceu como se joga futebol.

Quando as equipes de futebol se abrirem para a ciência da Psicologia do Esporte (eu disse: “ciência” e não “senso comum”) – e pararem de achar que Psicologia é sinônimo de corpo de bombeiro ou pronto socorro, assumindo que o psicólogo do esporte deve ser um parceiro da Comissão Técnica – certamente muitas coisas serão alteradas na compreensão do alto rendimento individual e coletivo dos times – além do conceito de atleta e ser humano que entra em campo.

 

Rosberg está se comportamento como um “mau perdedor”

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Com o mesmo carro de Hamilton, mas com talento menor que o britânico, Rosberg tem demonstrado como não se comportar no universo competitivo do esporte. Pior: se preocupou tanto com Hamilton na tomada de tempos para a prova do Bahrein que esqueceu de Vettel. O alemão da Ferrari veio babando e conseguiu o segundo lugar no grid de largada. Rosberg ficou com aquela cara de “ué, de onde veio esse maluco?”

Rosberg, aliás, tem provocado polêmicas com suas declarações imaturas e distantes de um campeão ou de alguém que persegue o título mundial em sua categoria. Reclama do “companheiro” de equipe, da estratégia da equipe e tudo mais que está fora dele, à sua volta.

Ele só esquece de pilotar com tranquilidade e, se preciso for, aceitar a soberania de Hamilton mais dignidade e humildade: características que tem faltado no comportamento de Rosberg e que – talvez ele não saiba – mas o afastam ainda mais do lugar que ele pretende chegar a todo custo e de qualquer jeito.

Hamilton, por sua vez, parece “brincar” com o emocional de Rosberg. O inglês já percebeu onde aperta o calo de Nico e deita rola nessa fragilidade. Aliás, Nicky Lauda afirmou – esses dias no Bahrein que “quem quer ser campeão do mundo precisa ser egoísta e egocêntrico”. Sim, Lauda tem razão, mas isso precisa ser feito com o emocional e mental equilibrados. Do contrário, restará um piloto de formula 1 se comportando como se fosse uma criança brincando de correr a 320 km/hora.

A aula de Djokovic

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O comentarista e ex-tenista, Dacio Campos, definiu a performance de Rafael Nadal da seguinte mandeira: “Nadal está em forma, o problema dele não é físico – é psicológico!”. Será que precisa dizer algo mais depois dessa verdade aula que Djoko deu a Nadal na semi final de Monte Carlo?

Belíssima constatação – embora, os estudiosos do comportamento humano no tênis já constataram isso desde o ano passado. Como ele estava recém operado – foi preciso esperar um tempo para ver se o touro conseguiria retomar seu melhor jogo no saibro. Uma vez mais mostrou falta de força mental e dificuldade de concentração e foco.

Uma pena que existe tanto preconceito diante da Psicologia do Esporte. Tony Nadal jamais permitira que seu pupilo desenvolvesse um trabalho psicológico. Até porque, o tio do atleta se julga – entre outros – também o papel de “psicólogo” (notem as aspas).

Por outro lado, Djoko é um monstro (dentro e fora da quadra). A preparação do tenista sérvio é completa. Vai desde a Ioga, até os protocolos psicológicos de neurofeedback, biofeedback e a constatação e valorização também dos valores mentais que devem ser constantemente trabalhados.

Se o touro não constatar (e mudar) logo que a cabeça está derrubando seu rendimento, lamentavelmente ele ficará dando cabeçadas nos torneios e terá muita dificuldade para chegar ao topo do ranking. E aí a questão não será de quadra rápida ou saibro. O problema interno independe do ambiente. Uma pena quando as questões psicológicas e emocionais entram em quadra e os protagonistas não percebem (nem valorizam) suas presenças.

A balada de Centurion

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Algumas coisas me chamam a atenção na infeliz atitude do Centurion:

1. Comemorar na noitada após mais uma derrota e perder o treino do time após o fracasso na Libertadores me parece um grande desrespeito com a torcida e o grupo de atletas. Se restou algum tipo de comando no São Paulo – técnico ou administrativo, esse atleta deve ser punido severamente. Do contrário, aguardem fotos dos outros jogadores “celebrando” novas e prováveis derrotas do São Paulo nos torneios que disputa.

2. Há momentos que os jogadores podem e devem sair e se divertir sem que isso tenha impacto negativo no time. Se optaram por essa carreira – na idade desse atleta já se sabe (ou deveria saber) quais são os limites impostos pela escolha de ser jogador de futebol. Afinal, são pessoas públicas que assumiram compromissos públicos. Muitos parecem não saber o que isso significa.

3. Por outro lado, boa parte dos jogadores de futebol não teve infância nem adolescência. Friso que ninguém vive a fase adulta sem ter sido adolescente. O pior é quando isso acontece após os 20 anos e com o bolso cheio de dinheiro. Adolescentes em fase adulta querendo recuperar o tempo perdido. Como se isso fosse possível. De toda forma, é uma tentativa de compensação que, em geral, não dá certo. Diversos jogadores já foram engolidos pela fama e decretaram o final de suas carreiras. Será esse mais um caso?

O resto, amigo, é boleiragem. E aí sai da minha área.

 

 

O pedido de socorro de Fabrício

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“Antes de atirar a primeira pedra – conheça a dor de quem a recebe”

Recebi diversos emails hoje solicitando uma explicação que justificasse a atitude desequilibrada do jogador do Inter, Fabrício, em partida realizada pelo campeonato gaúcho – quando, após ser vaiado, o atleta interrompeu o lance que participava e fez gestos obscenos para a torcida. Em seguida foi expulso e jogou a camisa do clube no chão. Visivelmente nervoso, Fabrício foi levado ao vestiário amparado por colegas de equipe.

Antes de escrever sobre o caso em si, convido os amigos a lembrar da fala do treinador Muricy Ramalho, do São Paulo, após as sucessivas derrotas do time paulista. Jogadores apáticos, equipe que não se comunica, desmotivação, queda de rendimento individual e coletivo, além da evidente falta de referência efetiva dentro e fora de campo.

Obviamente, diante de tantas demandas comportamentais, era de se esperar que o treinador do São Paulo concordasse que o problema central do time é psicológico. Qual não foi minha surpresa quando o técnico – ao ser indagado sobre o tema – disse que “o problema do time não é psicológico, já que os jogadores recebem em dia e não falta nada a eles no clube”. Muito bem. Agora chegamos ao ponto crucial que talvez descreva, mas não justifica o comportamento intempestivo do atleta.

Se você perguntar para 100 pessoas ligadas ao futebol o significado e as funções de um psicólogo do esporte atuante numa Comissão Técnica, certamente mais de 90 entenderão que esse profissional está lá para dar palestras ou apenas aplicar testes. Raríssimos treinadores, atletas e médicos do esporte que atuam com o futebol entendem a Psicologia Esportiva como uma parceira de outras áreas da preparação esportiva. Poucos relacionam fatores psicossomáticos com a queda da performance de atletas e equipes.

O sentido simbólico da Psicologia do Esporte no futebol profissional é semelhante a de um corpo de bombeiros ou pronto socorro. Ou seja: quando a situação aperta e os nervos estão fora de controle, convoca-se um psicólogo. Isso se parece familiar?

Querem outra aberração? Vamos lá! Após a aprovação do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) na CBF, ao clubes são obrigados a contratar psicólogos para as equipes de base. Fora raríssimas exceções (conto nos dedos de uma mão), essas contratações são feitas apenas e tão somente para livrar as instituições das multas impostas pela CBF. Eu mesmo recebi diversos convites de bases de times de futebol e, quando fui ver a proposta de perto, percebi que o motivo central era apenas assinar a folha e aparecer no clube de vez em quando. Obviamente neguei todos esses convites.

Mas e o Fabrício nessa trama toda, onde fica? Não estou aqui para julgar o atleta. Até porque algo deve tê-lo motivado a reagir daquela forma quando foi insistentemente vaiado pela torcida colorada. O que chamam de “surto” do atleta é apenas a ponta de um iceberg que nos fez levar de 7 a 1 numa Copa do Mundo e que, da mesma forma, promove as maiores vergonhas do nosso futebol nos últimos anos. Fabrício errou e deverá ser punido.

Afinal, tudo ocorreu diante das lentes da televisão e a imagem já rodou o Brasil e vários países do mundo. No entanto, lamento uma vez mais que pouco (ou nada) será feito para oferecer condições psicológicas a esses jovens meninos que viraram gente grande com os conflitos infantis. E essa constatação vem de quem já esteve dentro de vários clubes e conhece o sentido de representação atribuído ao trabalho psicológico.

O mais revoltante nisso tudo é saber que existem técnicas altamente modernas e científicas no trabalho psicológico no futebol e em outras modalidades. Biofeedback, controle da concentração, atenção, foco, redução dos níveis de ansiedade – a aplicação do neurofeedback, a construção e vivência da realidade tridimensional nos exercícios de visualização – testes, questionários, trabalhos de orientação, coaching e tantas outras atividades que – se concebidas e atuadas de forma séria e profissional – promovem resultados efetivos e incontestáveis. Equipes do futebol europeu já contam com departamentos de Psicologia Esportiva com psicólogos em todas as categorias – do mirim ao profissional.

Afinal antes de ser um atleta – o ser humano que entra em campo precisa de condições físicas, técnicas, psicológicas, emocionais e táticas para desempenhar o trabalho mais próximo da excelência. Não adianta maquiar o trabalho psicológico na base e ignorá-lo nas equipes profissionais. Isso só jogará a sujeira para debaixo do tapete. Lamento pelo Fabrício e por todas as almas que vagam nos gramados sem o reconhecimento e respeito devidos.

Como disse o saudoso dramaturgo e jornalista, Nelson Rodrigues, após a perda daquele Mundial no Maracanã em 1950: “… mas afinal, o que entende de alma, um treinador de futebol?”

 

Hoje vencemos os franceses

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Minha querida amiga e professora Suely Gevertz​ – outro dia na aula do curso sobre “raciocínio clínico na prática terapêutica” realizado no Instituto Sedes, disse: “o horário da sessão que passou, passou. Ele não volta mais. Não se pode repor aquilo que já passou”.

Na mesma linha, gostaria de refletir sobre a vitória do Brasil, hoje, em Paris diante da França por 3 a 1 – de virada. Muita gente  certamente – naquele peculiar sensacionalismo, está tentando afirmar que “a vingança de 98 foi feita”, quando perdemos aquele Mundial para os anfitriões por 3 a 0. Dunga e Ronaldo estavam em campo. Hoje, Dunga é o treinador e Ronaldo, comentarista. Portanto, muita coisa mudou de lá para cá.

Ora, amigos, aquela final de 98 jamais será vingada – tanto como a derrota para os uruguaios no Maracanã – em 1950 e o vexame histórico do #eterno7a1 na última Copa disputada em nosso país. As lágrimas derramadas não voltarão aos nossos olhos assim como não sumirão as dores e as lições que essas derrotas duramente nos ensinaram.

A Seleção comandada por Dunga jogou um belo e surpreendente futebol. Confesso que eu não esperava nem 10% da beleza que foi essa partida e o desempenho dos brasileiros. Sinal que é possível montar uma equipe competitiva e com belo futebol. Talvez nem o próprio Dunga poderia imaginar que isso fosse possível tão cedo.

Mesmo assim, o fantasma da convulsão de Ronaldo ainda habita o emocional de todos nós – os gols de Zidane, o baile que levamos dos franceses e todo aquele time que se desintegrou na partida final do Mundial em 1998.

Repito: nada, rigorosamente nada servirá de reposição ou moeda de troca de uma dívida esportiva que já foi feita e não há tempo para substituição, pagamento, financiamento ou descarga.

Vamos comemorar que um belo futebol foi jogado pelos nossos atletas e vencemos os franceses, hoje, dia 28 de março de 2015, na casa deles.

E é só.

São Paulo desaba na Arena do Palmeiras

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5 minutos. Esse foi o tempo que o São Paulo demorou para perder a partida de hoje. Tomou o primeiro gol da intermediária após a falha do Rogério Ceni e padeceu diante do destempero de Rafael Toloi – expulso com 7 minutos do primeiro tempo e da entrada (infantil e ao mesmo tempo reprovável) do Michel Bastos que também foi para o chuveiro mais cedo.

Para definir: baile. Sim, essa é a palavra que melhor define a derrota do São Paulo para o Palmeiras. Alguns jogadores do tricolor, visivelmente apáticos emocionalmente. Já, outros, demonstram um desequilíbrio altamente perigoso para um time que busca resgatar suas forças no futebol brasileiro. No banco, Muricy parece ter jogado a toalha.

Sei que a Psicologia do Esporte é pessimamente compreendida no futebol, concebida com preconceito e desinformação – mas deixarei – aqui, as opiniões de quem atua na área há 20 anos e percebe, através das lentes mentais, a fragilidade clara de um time de futebol.

O São Paulo desenvolveu uma crença central – nesses últimos anos – que “as coisas sempre vão melhorar no ano seguinte” e, assim, atua de forma reticente, irregular a nada consistente. Essa crença gera pensamentos automáticos diretos no grupo de atletas que, por conseguinte, promove um comportamento de insegurança, baixa autoestima e confiança. Não me parece tão complicado entender esse processo psicológico.

O ponto principal do time do Morumbi, a meu ver, é que a soma dos estilos de personalidade dos jogadores do São Paulo gera uma resultante frágil em termos de tendências de competência competitiva. O time consegue se impor apenas e tão somente diante de equipes mais frágeis tecnicamente. Quando os desafios mais fortes se apresentam, o grupo não consegue se unir positivamente em termos de comunicação, força interna e pró-atividade (tomada de iniciativa, ação e reação) nas partidas. Os jogadores demonstram uma apatia contagiante, ainda que consiga uma maior posse de bole – o resultado é bem abaixo do investimento que é realizado. Muito gente questiona se o grupo quer derrubar o Muricy. Por que faria isso?

Afinal: será que é tão difícil assim perceber que o Ganso e Pato, por exemplo, não demonstram assertividade comportamental esperada para um camisa 10 do seu porte? Especialmente depois das cirurgias, o jogador nunca mais foi o mesmo. E o que tem sido feito para mudar esse quadro de reclamações após os jogos e apatia dentro de campo? Nada. Rigorosamente nada.

O presidente Carlos Miguel Aidar já afirmou que “o clube só contrata jogadores com todos os dentes” – numa desnecessária rixa com cartolas de outros clubes. Enquanto isso, Centurion começou o clássico no banco de reservas. Aliás, o atleta é um dos raros destaques comportamentais da equipe – uma espécie de balão de oxigênio de uma raça que falta aos demais atletas. Como no futebol (e na vida) “uma andorinha só não faz Verão” – pouco ou nada irá mudar com apenas um jogador que atua com o coração na ponta da chuteira.

Outra coisa: estão querendo transformar o Luis Fabiano num anjo. Isso é claro e evidente que não funcionará. A questão é desenvolver um trabalho psicológico de adequação de comportamento e não de extinção de suas respostas agressivas que prejudicavam a si e ao grupo por conta das contínuas expulsões. Hoje, Luis Fabiano não é mais expulso, mas também esqueceu como se joga futebol.

Quando as equipes de futebol se abrirem para a ciência da Psicologia do Esporte e pararem de achar que Psicologia é sinônimo de corpo de bombeiro, clínica psicanalítica ou pronto socorro, assumindo que o psicólogo do esporte deve ser um parceiro da Comissão Técnica – certamente muitas coisas serão alteradas na compreensão do alto rendimento individual e coletivo dos times – além do conceito de atleta e ser humano que entra em campo.

Confirmo, uma vez mais, que o ‪#‎eterno7a1‬ também teve a falta de um trabalho efetivo e duradouro da Psicologia do Esporte. Algo que sobrou aos alemães – que desenvolveram, nos últimos 15 anos, diversos departamentos de Psicologia Esportiva nos clubes do país.

O São Paulo, pelo visto, ainda vai padecer muito tempo nesse limbo institucional e ideológico que se encontra. Já não tem o estádio mais moderno da cidade – nem, muito menos, a direção e a equipe com valores e princípios mais adequados diante das exigências do futebol profissional. Pior: coleciona contínuas derrotas diante dos clubes grandes e continua se enganando após as vitórias contra os menores.

Quando cairá a ficha dos dirigentes tricolores que a culpa não é do Muricy – embora, a cultura futebolística nacional sempre coloca o treinador na berlinda como principal culpado pelos desastres de um time?

O São Paulo parou no tempo. E isso é o que de mais perigoso pode acontecer numa instituição esportiva.

 

 

 

Corinthians e a identidade institucional dos atletas

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Alguns dos fatores mais importantes no sucesso de um time são a coerência e similaridade da personalidade dos atletas com o conjunto histórico e institucional de um clube. O Corinthians de hoje é a prova viva do sucesso dessa equação. Longe de ser o “time dos sonhos”, mas com atletas dedicados e um esquema tático altamente efetivo, o time acumula vitórias e promete um ano repleto de conquistas. Do treinador aos reservas é possível constatar uma unidade que atua em conjunto e em perfeita integração com os valores e características do clube.

Diversos autores da Psicologia Social reforçam o modelo que a identidade é construída nas relações do cotidiano. No caso do esporte, os dados institucionais se relacionam diretamente com os valores pessoais e traços de personalidade dos atletas.

Basta constatar que alguns jogadores atuam em alto rendimento em determinadas agremiações e, em outras, simplesmente integram o elenco – sem sucesso nem destaque. O Corinthians tem, em seu elenco, atletas com profunda identificação com o clube. Somado a isso, um treinador que catalisa essa identificação através da valorização do trabalho de equipe. O resultado está aí: um começo de 2015 avassalador.

O mérito desse sucesso é do técnico e da administração do futebol do clube que conseguiram – através da contratação de alguns poucos atletas – formar uma equipe em harmonia com os segmentos sócio institucionais e históricos do clube. Afinal, de nada adianta contratar 10 ou 12 (ou mais) atletas que chegam ao elenco apenas para somar, como uma colônia de férias – sem ao menos apresentar características de personalidade e comportamento em harmonia com o perfil da instituição.

O São Paulo é o exemplo contrário ao Corinthians. Com um emaranhado de jogadores com pouca ou rara identificação com o clube, o time do Morumbi demonstra total fragilidade diante dos grandes desafios. Nesse time, apenas o treinador Muricy, o capitão Rogério Ceni e o atacante Luis Fabiano demonstram algum tipo de vínculo sócio institucional com o clube. Os demais (ou boa parte deles) , apenas vestem a camisa da equipe distantes de um contexto de identidade e relação com as características do clube. E nessas situações, não há muito a ser feito.

Fica apenas a dica a alguns clubes que saem contratando sem critério e, em vez de formar times vencedores, criam bandos de jogadores perdidos nos gramados e dissociados das características mais básicas das instituições que tentam representar.

Será que é tão difícil assim de entender?

 

São Paulo: refém da fragilidade mental

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Oito anos sem ganhar do Corinthians em casa e, hoje, mais uma derrota no Morumbi. Antes de descrever a evidente fragilidade psicológica do São Paulo, deve-se elogiar o trabalho do Tite no Corinthians que armou uma equipe aguerrida , com atletas bem preparados física, técnica e mentalmente. A equipe de Parque São Jorge atua como um time coeso e muito bem entrosado em todos os seus setores. Certamente terá ótimos resultados em 2015.

Sei que a Psicologia do Esporte é pessimamente compreendida no futebol, concebida com preconceito e desinformação – mas deixarei – aqui, as opiniões de quem atua na área há 20 anos e percebe, através das lentes mentais, a fragilidade clara de um time de futebol.

O São Paulo desenvolveu uma crença central – nesses últimos anos – que “vencer o Corinthians, em seus domínios, é uma tarefa árdua – um desafio de extrema dificuldade” e, assim, atua de forma reticente, insegura. Essa crença gera pensamentos automáticos diretos no grupo de atletas que, por conseguinte, promove um comportamento de insegura, baixa autoestima e confiança. Não me parece tão complicado entender esse processo psicológico.

O ponto principal do time do Morumbi, a meu ver, é que a soma dos estilos de personalidade dos jogadores do São Paulo gera uma resultante frágil em termos de tendências de competência competitiva. O time consegue se impor apenas e tão somente diante de equipes mais frágeis tecnicamente. Quando os desafios mais fortes se apresentam, o grupo não consegue se unir positivamente em termos de comunicação, força interna e pró-atividade (tomada de iniciativa, ação e reação) nas partidas. Os jogadores demonstram uma apatia contagiante, ainda que consiga uma maior posse de bole – o resultado é bem abaixo do investimento que é realizado.

Afinal: será que é tão difícil assim perceber que o Ganso, por exemplo, não demonstra assertividade comportamental esperada para um camisa 10 do seu porte? Especialmente depois das cirurgias, o jogador nunca mais foi o mesmo. E o que tem sido feito para mudar esse quadro de reclamações após os jogos e apatia dentro de campo? Nada. Rigorosamente nada.

Outra coisa: estão querendo transformar o Luis Fabiano num anjo. Isso é claro e evidente que não funcionará. A questão é desenvolver um trabalho psicológico de adequação de comportamento e não de extinção de suas respostas agressivas que prejudicavam a si e ao grupo por conta das contínuas expulsões. Hoje, Luis Fabiano não é mais expulso, mas também esqueceu como se joga futebol.

Quando as equipes de futebol se abrirem para a ciência da Psicologia do Esporte e pararem de achar que Psicologia é sinônimo de corpo de bombeiro ou pronto socorro, assumindo que o psicólogo do esporte deve ser um parceiro da Comissão Técnica – certamente muitas coisas serão alteradas na compreensão do alto rendimento individual e coletivo dos times – além do conceito de atleta e ser humano que entra em campo.