CBF inaugura Parque dos Dinossauros

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Vou começar com um sambinha tipicamente brasileiro:

“Eu sou país do futebol, negô
Até gringo sambô
Tocô Neymar é gol”

É justamente nesse ritmo que o futebol brasileiro agoniza na UTI da ignorância e ausência de modernidade. Em vez de convocar treinadores que atuam – no momento – no futebol brasileiro, chamaram Parreira, Leão, Lazaroni e outros ex-técnicos que já ficaram no passado.

A piada pronta que virou o futebol brasileiro foi construída com muito afinco pelos governantes do mundo da bola. O ex-presidente da CBF, inclusive, hoje vê o sol nascer na prisão.

O que Parreira e Lazaroni farão pelo futebol brasileiro em 2015? Faltou chamarem o Zagalo. Não é possível. Será que não perceberam que de trágico, a situação está ficando cômica?

Vocês lembram aquela Seleção do Lazaroni? foi um dos piores times que vi jogar na vida. E agora, em vez de um grande departamento de Psicologia do Esporte (assim como fazem alemães, holandeses, americanos e outros), temos um engenheiro motivador ocupando o espaço designado a psicólogos do esporte.

Só mesmo ficando fora de uma Copa do Mundo para algo mudar.

Senhores da CBF: devolvam a Seleção Brasileira ao povo. Ela não pertence a vocês. A questão não é a idade, mas sim, que os senhores não se reciclaram e ainda vivem mundos distantes da realidade e modernidade exigida pelo futebol.

É hora de renovação e não de repetição!

São Paulo e a fragilidade administrativa e psicológica

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Atrasado política e administrativamente, frágil dentro de campo e pessimamente gerido pelo novo diretor de futebol. Esse é o São Paulo Futebol Clube de hoje. Um time sem identidade, fraco psicológica e emocionalmente e longe daquela equipe vencedora que tantos títulos já conquistou.

Sei que a Psicologia do Esporte é pessimamente compreendida no futebol (até engenheiros entram para esse papel) , concebida com preconceito e desinformação – mas deixarei – aqui, as opiniões de quem atua na área há 20 anos e percebe, através das lentes mentais, a fragilidade clara de um time de futebol.

Após as conquistas dos títulos mundiais, o São Paulo desenvolveu uma crença de magnitude absoluta . Tanto que passou a ser conhecido como “soberano”, numa jogada de marketing do clube. Essa crença gera pensamentos automáticos diretos no grupo de atletas que, por conseguinte, promove um comportamento de insegurança e falta de confiança na necessidade de produzir resultados positivos a qualquer custo. Não me parece tão complicado entender esse processo psicológico. A bola, não é de hoje, queima nos pés tricolores.

O ponto principal do time do Morumbi, a meu ver, além de um presidente que ficou 35 anos distante do futebol, um diretor que parou no mundo jurássico e não se reciclou (as ideias dele são absolutamente atrasadas) , é que a soma dos estilos de personalidade dos jogadores do São Paulo gera uma resultante frágil em termos de tendências de competência competitiva.

O time consegue se impor apenas e tão somente diante de equipes mais frágeis tecnicamente. Quando os desafios mais fortes se apresentam, o grupo não consegue se unir positivamente em termos de comunicação, força interna e pró-atividade (tomada de iniciativa, ação e reação) nas partidas. Os jogadores demonstram uma apatia contagiante, ainda que consiga uma maior posse de bole – o resultado é bem abaixo do investimento que é realizado.

Afinal: será que é tão difícil assim perceber que o Ganso, por exemplo, não demonstra assertividade comportamental esperada para um camisa 10 do seu porte? Especialmente depois das cirurgias, o jogador nunca mais foi o mesmo. E o que tem sido feito para mudar esse quadro de reclamações após os jogos e apatia dentro de campo? Nada. Rigorosamente nada.

Outra coisa: estão querendo transformar o Luis Fabiano num anjo. Isso é claro e evidente que não funcionará. Aliás, ele já está com a cabeça nos EUA. A questão é desenvolver um trabalho psicológico de adequação de comportamento e não de extinção de suas respostas agressivas que prejudicavam a si e ao grupo por conta das contínuas expulsões. Hoje, Luis Fabiano não é mais expulso, mas também esqueceu como se joga futebol. Ele literalmente “largou mão”.

Quando as equipes de futebol se abrirem para a ciência da Psicologia do Esporte e pararem de achar que Psicologia é sinônimo de corpo de bombeiro ou pronto socorro, assumindo que o psicólogo do esporte deve ser um parceiro da Comissão Técnica – certamente muitas coisas serão alteradas na compreensão do alto rendimento individual e coletivo dos times – além do conceito de atleta e ser humano que entra em campo.

Na seleção, engenheiro é psicólogo

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Não sei nem por onde começar a descrever essa barbaridade que li hoje na Folha de São Paulo. Aliás, nesses últimos quase 25 anos que atuo na Psicologia do Esporte, perdi a conta dos absurdos que o futebol nesse país já promoveu. Agora, mais esse. O engenheiro que deu o aval para a saída do Neymar da concentração. É o fim da picada!

Só sei que o Brasil precisa – e merece – tomar (mais) uma sonora goleada para ver se acorda, embora eu tenho cá comigo que só ficando fora de uma Copa para alguma coisa mudar, de fato.

Bem que eu achei estranha a saída do capitão da equipe – que, a priori, nesse posto, teria responsabilidades para além das quatro linhas. Só mesmo a opinião de um engenheiro motivador para dar o aval para que o líder do grupo pudesse passar suas férias no Guarujá, distante do grupo que está na Copa América. Isso é um carnaval, mesmo. Aliás, 7 a 1 foi pouco.

Chamar um engenheiro motivacional para atuar no esporte é como convocar um físico ou um mecatrônico para fazer uma operação de estômago. Quem sabe um fisioterapeuta para construir uma casa ou até mesmo um padeiro para extrair um dente.

Assim caminha o combalido, retrógrado, perverso e ultrapassado futebol brasileiro, com seus “jeitinhos” para escapar da realidade e das demandas psicológicas, emocionais, culturais e sócio institucionais. É de dar pena. Isso parece piada pronta.

Falo sempre nos meus cursos que quem usa aspas no “psicólogo” tem muito mais espaço no meio esportivo do que aqueles que trabalham pelo reconhecimento e valorização da ciência. Embora, atuar numa instituição cujo último presidente está na cadeia por crimes contra o dinheiro público não me parece um bom sinal nem uma boa ideia.

Sobre o Dunga, sempre achei ele fraco – inclusive emocionalmente para liderar um grupo. Um ex-boleiro que assumiu a Seleção, sem o menor preparo e atualização das técnicas esportivas psicológicas de preparação.

Quando a gente acha que não pode piorar, sempre tem um “fato novo” que nos faz distanciar ainda mais de algo que já foi a alegria do povo e, hoje, virou motivo de chacota.

7 a 1 foi pouco!

Para quem quiser (e conseguir) acompanhar a matéria da Folha, segue o link:

http://www1.folha.uol.com.br/esporte/2015/06/1646459-engenheiro-motivador-deu-aval-a-saida-de-neymar-da-concentracao.shtml

Neymar e a faixa de capitão

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As recentes atitudes de Neymar na Seleção Brasileira mostraram que ele não tem a menor condição emocional de ser capitão da equipe. Até porque, espera-se de um capitão, controle emocional e psicológico, responsabilidade coletiva, comportamento adequado, bom senso e comprometimento com o grupo.

A decisão de abandonar o barco da Seleção e curtir o iate e suas férias no Guarujá só confirmam que o atleta, genial em termos de talento, ainda precisa amadurecer – e muito – para ter a 10 da Seleção e a faixa de capitão do time. Ser capitão  exige uma carga de responsabilidade que o atleta, até aqui, não conhece. Espera-se de um capitão, ações e atitudes diametralmente opostas àquelas que Neymar demonstrou com a faixa no braço. Talvez precise um pouco mais de humildade – baixar a bola, como se fala no “futebolês”.

Abandonar o grupo dizendo que “não quer atrapalhar” me pareceu uma vitimização desnecessária do atleta. Se ele não aguenta treinar com os companheiros, ajudando no dia a dia, mesmo sabendo que não irá jogar, mas compondo o grupo e auxiliando o treinador (como um “capitão”) aí, sim, , realmente ele tomou a atitude certa.

Por outro lado, não vou achar estranho se o Dunga e a CBF mantiverem o atleta como capitão do time. Num país curto em termos de filosofia administrativa, escândalos políticos para todos os lados (inclusive e especialmente no esporte) e superficialidade na concepção de treinamento esportivo e do lado humano dos atletas , manter o  Neymar como o principal “comandante” do grupo do Dunga me parece até provável.

Me preocupa também o fato desse foco intenso em cima do jogador. Tudo gira em torno dele. Se o Brasil perder, é porque o Neymar não jogou. Se a Seleção ganha, não precisa do Neymar. O futebol e o esporte como um todo mudaram e já faz tempo. A noção de grupo se sobrepõe ou, ao menos,  deveria se sobrepor à questão da valorização individual.

Por aqui, a cultura sempre demonstrou que várias seleções eram conhecidas como apenas um jogador: “a seleção do Romário” , “a seleção do Ronaldo”  etc.  E agora vivemos a tal “seleção do Neymar”. Nesse ponto (e em tantos outros), a NBA dá um verdadeiro show no futebol. O basquete americano sempre teve (e ainda conserva) grandes ícones ao longo dos tempos. Entretanto, são astros que compõem grandes e importantes constelações. Lebron James não ganhou o título para o Cleveland. Curry e uma equipe completa – bem treinada e entrosada – conquistaram o anel na NBA esse ano. Essa é a concepção esportiva que se deseja no futebol.

Colocar toda expectativa num só jogador é não considerar os aspectos humanos envolvidos na vida de um atleta. Todos eles podem se machucar (a Alemanha mesmo perdeu dois ou três atletas semana antes da Copa e nem por isso foi o fim do mundo para eles – vocês sabem), podem receber um cartão vermelho, uma punição maior ou menos – enfim, ficar fora de campo. E a partir daí? Teremos uma equipe como a de 98, quando Ronaldinho teve aquele surto na concentração e toda equipe ruiu na decisão do Mundial?

Ao Neymar, fica a reflexão sobre o papel correto de um líder, capitão e referência de um grupo. Ele precisa conhecer melhor o que é designado para performar esse papel com excelência e não falta de maturidade. Afinal, uma liderança coesa e participativa deve ser iniciada através do exemplo comportamental do líder. Essa, sim, é permanente e efetiva. Com esse comportamento, Neymar apenas se afasta do modelo correto e equilibrado que se espera de um capitão de time.

A todos nós, cobrarmos a formação de um grupo mais forte que o elemento individual. Ainda que vá contra nossa cultura e história, uma hora precisamos nos atualizar. E creio que já passou da hora…

Dunga e o time do nada

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Já dizia o filósofo: “o nada é”. Pois bem. a seleção do Dunga pode ser descrita como uma espécie de “nada”. Não tem emoção, garra, identidade, talento técnico, tático nem controle emocional. Ou seja, é o puro retrato do “nada”.

Time desorganizado e psicologicamente tenso e nervoso. O 7 a 1 continua vivo no meio desses meninos e a CBF chama ex-boleiros para dar palestra no lugar de psicólogos do esporte. Aliás, esse me parece o “time do Neymar”. É ele e mais 10. Se ele não joga bem – ninguém mais joga em campo. É uma catástrofe completa.

Dunga estava bem quieto em Porto Alegre e foram buscá-lo. Confesso que não sei quem teve essa ideia de gênio. Os jogadores por ele convocados não formam metade de um time competitivo. Chega a dar pena presenciar tanta fragilidade em TODAS as áreas da preparação esportiva.

Quero afirmar e reafirmar que hoje fomos derrotados para o time que perdeu da Venezuela, certo? E no domingo enfrentaremos o pessoal do vinho tinto e eles não estão para brincadeira. A chance da vergonhosa desclassificação na primeira fase é muito maior que muitos podem supor.

Talvez seja melhor sair agora, mesmo, do que perder de mais 7 de uma Argentina ou Uruguai mais para frente. Isso seria intolerável.

Outra coisa: o Brasil chutou 2 bolas no gol da Colômbia em 90 minutos. Isso é falta de tudo – até de vergonha na cara. Enquanto estivermos reféns de gols nos pés de Philipe Coutinho, Firmino, D.Costa, D. Taredeli – e outros que quase não conseguem formar um “catadão amarelo”, viveremos noites inacreditáveis como essa de hoje na derrota para os colombianos. O Dunga anda bem sorridente e simpático, certo? Aguardem cenas dos próximos capítulos. Ele não suporta pressão. Nem o Neymar (que não tolera a derrota e consegue ser expulso depois da partida) – nem ninguém. É o time à deriva no mar da ignorância dos pseudo dirigentes do futebol brasileiro.

Enfim, patético e vergonhoso. Esse é o projeto de time do Brasil que vai precisar bater a forte Venezuela (!!!) no próximo domingo, sem o Neymar (portanto sem time). Jogadores nervosos e descontrolados em campo. Isso é o que nos espera. Não precisa ser guru, psicólogo nem profeta. Esse catadão amarelo é a vergonha esportiva do nosso país.

… é o nada.

O pecado administrativo na falta de motivação corintiana

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Cá estou eu novamente para falar o óbvio: os clubes de futebol não se cansam de banalizar os aspectos motivacionais dos atletas e equipes. Dessa vez, o Corinthians está abusando da falta de conhecimento desse processo básico. Na escala das necessidades humanas proposta por Maslow, o fator financeiro é reconhecido como um “elemento higiênico” – ou seja: a presença não necessariamente motiva, mas a ausência, necessariamente desmotiva.

O Corinthians não conseguiu se planejar financeiramente e agora encara um time apático, sem energia e com uma evidente falta de alma e esforço do grupo. Além de precisar pagar o estádio e os jogadores, o Corinthians irá perder atletas importantes num futuro muito breve e terá de se renovar internamente para que o prejuízo não seja ainda maior do que o atual.

Para os amigos entenderem melhor: esse não é um momento propício nem para um trabalho psicológico. De nada adiantaria trabalhar com demandas internas do grupo se o básico – o fator higiênico financeiro – não está presente. É como jogar baldes de água num incêndio de uma cidade. Por mais baldes que se tenha, jamais será suficiente para apagar o fogo da falta de conhecimento e ignorância administrativa, política e humana numa mesma instituição. E nessa hora, acreditem: não surgirá liderança alguma dentro de campo capaz de mudar esse quadro caótico. Ou as esferas política e administrativa se movimentam, ou os jogadores não correrão mais como antigamente.

O amigo leitor pode até chamar os jogadores de “mercenários”, mas será que nós trabalharíamos com o mesmo empenho sem receber o nosso dinheiro no final do mês? Fica essa dica reflexiva sobre o tema. Aliás, para arrumar a casa corintiana, será preciso um esforço imenso – diante de uma calculadora matemática, auxílio financeiro, empréstimo e sei lá mais o que para colocar as coisas nos seus devidos lugares.

A tarefa de Tite está longe de ser fácil ou simples. Ele terá de fazer uma omelete com poucos ovos que restaram no elenco que comanda. A pior tarefa de todas será a de convencer essa meninada a jogar bola, dar o sangue sem receber o dinheirinho no final do mês. Não sei como o clube foi parar num buraco financeiro dessa magnitude. Só sei que sair desse poço exigirá o mínimo de discernimento, bom senso e reestruturação financeira e administrativa no clube. Do contrário, almas penadas continuarão andando em campo – desanimados e apáticos – como não se deve permitir uma equipe com o peso, a história e o nome do Corinthians.

E o futebol brasileiro, cada vez mais combalido, perde uma vez mais para sua falta de princípios e conhecimentos!

Onde está a Psicologia do Esporte, Corinthians?

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Já que parece ser tão difícil de compreender, resolvi desenhar. Vamos lá: na figura acima desse texto, o lado do triângulo A-B representa a preparação física. O lado A-C, a preparação técnica. A base da pirâmide – B-C – a parte psicológica/emocional. Eu disse a “base” da figura – ou seja – aquilo que dá suporte às demais.

Eliminado pelo Guarany do Paraguai (!) em pleno Itaquerão – após a derrota por 1 a 0 – o Corinthians ainda teve dois jogadores expulsos e demonstrou uma falta de controle emocional singular. Fabio Santos e Jadson deixaram o time com 9 atletas em campo, colocando um ponto final na esperança corintiana de avançar no torneio.

O que mais me chamou a atenção foi a apatia que o Corinthians demonstrou no Paraguai e também jogando em casa. Não posso acreditar que o atraso nos direitos de imagem tenha provocado essa mudança de comportamento. Se assim for, deveriam rever a permanência de vários atletas após essa eliminação. Sem o menor vigor psicológico, os comandados de Tite praticamente assistiram os paraguaios carimbarem a vaga e anotarem um resultado histórico para o clube.

Fico impressionado que, mesmo depois da surra que levamos dos alemães – ainda não se considera e valoriza a Psicologia do Esporte como uma área científica, necessária e imprescindível para uma boa performance individual e coletiva de um grupo. Essa ciência já avançou e, hoje, conta com técnicas modernas para controle da ansiedade, gerenciamento da concentração, mapeamento de perfil e leitura multi e interdisciplinar de atleta. Ainda assim, os dirigentes insistem em fazer vistas grossas para essa realidade. O resultado está aí!

Digo sempre: a presença de psicólogos do esporte nos clubes não garante vitória. No entanto, a ausência pode ser determinante para o fracasso.

Antes de atletas, esses rapazes são seres humanos com emoções, dúvidas, medos e angústias. Se o futebol brasileiro insistir em não valorizar essa esfera, outras catástrofes certamente estarão por vir.

Acompanhar as eliminações de São Paulo e Corinthians, hoje, apenas reforçou minhas convicções desses últimos 22 anos de trabalho, pesquisa e dedicação a essa fundamental área da preparação esportiva. A Psicologia do Esporte precisa ser melhor divulgada e atuada no meio do futebol. A ignorância, preconceito e desinformação precisam ceder e os treinadores e cartolas valorizarem mais os aspectos mentais dos atletas.

Até lá, paraguaios, venezuelanos, argentinos e tantos outros virão ao Brasil para fazer festa. E não estamos acostumados com isso.

A corintianos e sãopaulinos pergunto: “vocês sabem o que é a Psicologia do Esporte ou ainda acreditam que seja apenas uma palestra motivacional realizada por engenheiros ou comandantes de polícia?”

A cultura do futebol é refém de seus próprios limites. Uma tristeza total!

A perigosa e jurássica microvisão do ser humano no futebol

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É incrível como esses dirigentes de futebol insistem numa visão reduzida, minimalista e diminuta dos aspectos humanos dos jogadores de futebol.

Há momentos, confesso, que tenho vontade de desistir do esporte nesse país. Após 22 anos de pesquisa, estudo e atuação, é inevitável sentir um cansaço e desânimo diante desse empobrecido futebol brasileiro.

Duas semanas atrás, o jogador Fabrício, do Inter, teve uma crise nervosa dentro de campo ao ser vaiado pela torcida do time gaúcho que defendia. O atleta estava sendo perseguido inclusive fora de campo por alguns torcedores do Inter. Desligado do clube, o presidente do Colorado saiu-se como (mais) uma “pérola”: “Ninguém vai cuidar do Fabrício aqui porque isso aqui é time de futebol e não clínica de reabilitação”. Ou seja: para o cartola, a Psicologia serve para cuidar de gente maluca. Há algo mais clichê?

Hoje, foi noticiado que o presidente do Joinville declarou que, ao ser indagado se o clube contrataria uma psicóloga para ajudar no emocional do grupo que vem demonstrando não suportar momentos de pressão (o altíssimo número de expulsões é apenas mais um sintoma) – “Não adianta trazer alguém que trabalha com crianças para falar com os jogadores. No futebol, a melhor psicologia é o salário e a premiação em dia.”

Em menos de um mês, duas declarações que apenas expõem a dura realidade do combalido futebol brasileiro e a visão limitada dos dirigentes diante dos aspectos humanos. Na visão de boa parte deles, “pagar em dia é a melhor Psicologia’ que um clube pode oferecer. O que dizer sobre isso, a não ser lamentar profundamente pela ignorância, preconceito e desinformação?

Enquanto isso, na Alemanha, um grupo de 12 psicólogos – coordenados pelo Dr Hans Dieter atua na Bundesliga (liga de futebol alemão), promovendo estudos, pesquisas e uma realidade multi e interdisciplinar bem distante da nossa. O #eterno7a1 não foi um acaso do destino – como querem pensar alguns dirigentes brasileiros. Depois dessa tragédia, deveriam juntar umas 100 pessoas ligadas e influentes no futebol para uma reavaliação profunda nas diretrizes e metodologias de treinamento e concepção de atleta e ação esportiva – além dos programas de prevenção e promoção de novos ciclos de treinamento físico, tático, técnico e mental no futebol.

O que vemos, no entanto, são os eternos dinossauros ditando suas visões ignorantes no universo do senso comum social e, assim, deixando-o cada vez mais comum.

Não vou desistir desse caminho, embora tenha a convicção plena que essa voz poderia ganhar mais corpo com a ajuda maior dos amigos e colegas da área.

Enquanto isso, mais um gol da Alemanha.

João Ricardo Cozac, psicólogo do esporte, presidente da Associação Paulista da Psicologia do Esporte. Membro acadêmico, doutorando e pesquisador pelo

Psicologia ajuda na vitória dos estaduais

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Digo sempre: a presença de psicólogos do esporte não garante a vitória. Entretanto, a ausência desses profissionais nos times de futebol pode ser definitiva. Quero dar os parabéns para essas duas psicólogas do esporte - Juliane Fechio, do Santos e Maíra Ruas Justo, do Vasco. Ambas contribuíram – e muito – na conquista do título das equipes que atuam.

A diferença do equilíbrio psicológico do Santos e Palmeiras foi fenomenal e visível a todos. O alviverde esteve extremamente nervoso desde o primeiro minuto de jogo. Pra piorar: após ser expulso, Dudu deu um empurrão no árbitro e deverá pegar uma pena bastante pesada por isso. Aliás, Dudu parece não ter superado a perda do pênalti na primeira partida da final, em São Paulo. Muita gente imaginou que aquela cobrança desperdiçada representaria a perda do título.

Pelo visto, acertaram.

De uma forma geral, o ritmo e a coerência mental e emocional do Santos estiveram muito mais  equilibrados durante toda final . Especialmente nos primeiros 45 minutos – quando a equipe abriu 2 a 0. No segundo tempo, o Palmeiras cresceu e o Santos não soube se impor. Senti o Oswaldo de Oliveira mais feliz com o retorno dele a Vila do que propriamente muito preocupado ou sintonizado na importância da decisão do título.

De toda forma, o Santos mereceu o título. Foi mais time em todas as áreas da preparação esportiva. Inclusive – e principalmente – na esfera psicoemocional. Mesmo na decisão das penalidades, os jogadores do Santos estavam visivelmente mais confiantes e inteiros no momento das cobranças.

No Rio de Janeiro, minha alegria imensa no título conquistado pelo amigo Doriva. Conheci o treinador e ex-jogador no Ituano quando tive o prazer de atuar com ele como psicólogo do esporte na equipe do Juninho Paulista. Doriva incentiva e, acima de tudo, valoriza o trabalho psicológico como poucos treinadores do futebol brasileiro.

A psicóloga Maíra Ruas certamente deve estar desenvolvendo um excelente trabalho por seu talento e conhecimento além da abertura que o treinador oferece para a Psicologia Esportiva.

Ainda existe muito preconceito no futebol brasileiro diante da Psicologia do Esporte. Aqueles que insistem em permanecer no mundo jurássico da boleiragem – ficarão para trás. Quem concluir que – antes de um jogador de futebol – existe um ser humano, largará na frente.

O tempo vai mostrar – e já está mostrando.

Parabéns aos campeões.
ps. O Felipão perdeu mais uma para o emocional. Será que um dia aprenderá?

 

O pecado de Dudu

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Há um bom tempo noto que a vaidade de boa parte dos jogadores de futebol tem aumentado. Em alguns casos, a “marra” ou “mala” (termo utilizado no futebol para designar a vaidade extremada de um atleta) é mais contundente que a esperada seriedade na ação esportiva de atletas que ganham uma fortuna para defender os clubes.

Hoje, na final do campeonato paulista, Dudu desperdiçou um pênalti quando o Palmeiras vencia por 1 a 0 e contava com um jogador a mais em campo. Poderia ter dado um passo imenso na direção do título. Em vez disso, Dudu valorizou cada passada – olhar, cada segundo de televisão e rádio – e, provavelmente nem considerou a possibilidade de errar a cobrança.

Na cabeça do atleta, parecia que tudo estava resolvido e ele poderia desfilar, lentamente, diante dos 40 mil torcedores presentes no campo. Deu no que deu: a bola bateu no travessão e o Palmeiras deixou escapar a oportunidade de levar dois gols de vantagens para Santos na partida final. Parecia um castigo – uma espécie de afogamento no espelho do lago que refletia apenas a imagem de seu rosto.

O que me chama a atenção no futebol moderno é a falta de foco da maioria dos jogadores que demonstram ter muito mais preocupação com os fones de ouvidos, carros, modismos lançados pelo Cristiano Ronaldo e Messi do que, propriamente, jogar futebol de forma comprometida e séria.

A tal “marra” tem sido uma característica comportamental que se disseminou no futebol mundial e só tem reforçado o narcisismo e falta de objetividade dos jogadores em diversos momentos das partidas.
Dudu não é o único a cobrar uma penalidade máxima dessa forma. Vários outros atletas parecem aproveitar o momento para serem admirados diante das câmeras. Ronaldinho Gaúcho foi um dos atletas que reforçou essa forma de cobrança e, da mesma forma, desperdiçou muitas cobranças.

Óbvio que não se pode comparar o talento de ambos, mas esse desfile monitorado pelas câmeras precisa ser revisto pelos atletas que estão colocando o “eu” na frente do “nós” em momentos cruciais de jogos e torneios.

A moda do futebol (dentro e fora de campo) é ditada pelas chuteiras rosas, brincos, tatuagens, carros, loiras e todos os apetrechos que reforçam a vaidade e narcisismo desses meninos que – boa parte, não sabe nem escrever o próprio nome.

Quando reforço a necessidade de um estudo e intervenção mais aprofundado na Psicossociologia do Esporte, pretendo alertar que demandas e questões do desenvolvimento, base, origem e valores psicológicos, sociais e emocionais desses garotos também entram em campo e, se não for bem trabalhado, facilmente se tornam reféns dos apelos da mídia e das “marras” do homem moderno.

Dudu, que o som da bola no travessão na penalidade que você cobrou possa servir de um alerta ou um despertador para uma assertividade e objetividade necessárias e esperadas numa decisão de campeonato – atuando nos próprios domínios e diante de 40 mil torcedores que depositam o coração na ponta de sua chuteira.