Bristol (EUA) – Enquanto assistia à partida entre Arsenal e Chelsea pela televisão, passei os olhos pela entrevista de Eike Batista ao jornal inglês The Guardian em que ele faz os maiores elogios ao Rio de Janeiro, cidade que, em sua opinião, vai se beneficiar enormemente com a realização da Copa do Mundo em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016.
Eike, o oitavo homem mais rico do mundo, vem investindo pesadamente no Estado do Rio em geral e na cidade do Rio de Janeiro em particular, dizendo que em dez ou 15 anos ela estará transformada em uma das grandes metrópoles mundiais.
Se isto acontecer mesmo, será uma fantástica recuperação para o Rio, que caiu muito depois que deixou de ser a capital federal e, nos últimos tempos, se tornou prisioneira dos drug lords que aterrorizam não apenas as favelas mas toda a cidade. Eike também está contribuindo para a solução deste problema, financiando em parte a polícia pacificadora em ação nas favelas.
A luta será difícil, pois o que financia o tráfico de drogas é o consumo delas pelas classes de bom poder aquisitivo. Mas admitamos que a polícia pacificadora seja um passo na direção certa. O que me ocorreu ao ler a entrevista em que Eike fala do Rio é que – e isto é oportuno agora que vai ser disputada mais uma São Silvestre em São Paulo – falta ao Rio um grande evento de massa que marque a cidade aos olhos do mundo, como a Maratona de Nova York, a Maratona de Londres, a Maratona de Berlim, a Maratona de Boston.
Falo com algum conhecimento de causa, pois fundei a Maratona do Rio em 1980 e, por algum tempo, pensei que ela poderia dar esta caracrterística à cidade. Não deu, em boa parte porque o clima do Rio não permite que se realize uma Maratona com sucesso, nem mesmo no inverno.
Mas por que não marcar o Rio com uma grande corrida popular, atraindo os maiores nomes do mundo e também uma participação maciça da população – digamos, numa distância clássica, como Dez Quilômetros, Dez Milhas ou uma Meia-Maratona? Daria ao Rio uma identidade permanente, além da Copa do Mundo e das Olimpíadas, que são eventuais. As distâncias que sugiro adequam-se perfeitamente ao clima carioca.
Teria que ser num local que capturasse a paisagem do Rio em todo o seu esplendor. Por falar nisto, está também na reportagem do Guardian que Eike Batista vai pagar os custos de despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas. O dia em que ela voltar a ter águas límpidas será de fato uma ocasião marcante na cidade. Quem sabe não se poderia pensar numa prova que desse a volta a esta nova, bela e maravilhosa Lagoa Rodrigo de Freitas?
