Reprovado no teste

Bristol (EUA) – A Copa da Ásia, encerrada na semana passada no Qatar, era um teste para a capacidade do país organizar um grande evento de futebol, agora que foi escolhido como sede para a Copa do Mundo de 2022.

A Copa de 2022 ainda está longe, é verdade, mas Qatar falhou logo no mais essencial e comezinho direito de um torcedor em uma competição esportiva: entrar no estádio se tiver pago o preço do ingresso.

Por razões ainda obscuras, mas que aparentemente tinham a ver com o que dirigentes em Qatar chamaram “segurança da família real”, milhares de torcedores ficaram de fora, embora tivessem adquirido entradas para a final. Os portões foram fechados  e os recalcitrantes proibidos de permanecer nas cercanias do estádio pela polícia. (As  autoridades locais dizem que o número de torcedores barrados “não passou de 700″.)

O Japão ganhou a Copa da Ásia ao derrotar a Austrália por 1 a 0 e está classificado para a Copa das Conderações no Brasil, um ano antes da Copa do Mundo de 2014.

Quanto ao Qatar, a polêmica vai continuar. Faz um calor de derreter os untos no verão, o que levou Franz Beckenbauer a sugerir fazer a Copa no inverno. Sepp Blatter, presidente da FIFA, primeiramente apoiou a ideia, mas já parece ter voltado atrás. Os gays protestaram contra a escolha de Qatar, pois se dizem perseguidos no país, onde o homossexualismo é considerado crime. Os apreciadores de bebidas alcoólicas também estão preocupados, pois elas só podem ser servidas em locais restritos, como hotéis de luxo, e por preços caríssimos.

Já pensaram num torcedor com seu ingresso na mão mas que é proibido de entrar no estádio e não pode nem beber uma cerveja para se consolar?

Mulheres só podem reforçar

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Bristol (EUA) – No Brasil há no momento perto de mil corridas de rua, anualmente, metade delas com reconhecimento das 27 federações estaduais. Cerca de 40 são oficialmente registradas na Confederação Brasileira de Atletismo, tem seu percurso com medição certificada e exame anti-doping.

É um crescimento impressionante, embora devamos lamentar que nem todas possam ser medidas oficialmente. A verdade porém é que não há medidores em quantidade suficiente para certificá-las.

Talvez a Confederação Brasileira possa pedir à Associação de Maratonas Internacionais (AIMS) para conceder o título de medidor certificado a mais gente no Brasil.

Além das provas com “permit” oficial da CBAt, há uma enorme quantidade de outras oficializadas pelas federações estaduais.

Só em 2010 a Federação Paulista sancionou 287 provas, com 416 mil corredores, o que dá uma média de 1.450 por evento. Os homens ainda aparecem em maior número, com 300 mil dos 416 mil inscritos. Uma proporção de mais de dois homens para cada mulher, só em São Paulo.

Está na hora de incentivar uma maior participação feminina. Afinal, mesmo com um número relativamente pequeno de mulheres, o Brasil já é um dos países que mais realizam corridas de rua.

As mulheres só podem reforçar nossa posição mundial, que já é importante.

Steelers ganha na defesa

Bristol (EUA) – Meu leitores já devem ter notado que não sou grande admirador do Futebol Americano, por considerar o esporte bruto demais. É longa a lista de jogadores que sofreram paralisia parcial ou total em consequência deste jogo, de outros que perderam a vida durante suas carreiras e de outros que, já depois de abandonarem a profissão, morreram ainda jovens. A vida média de um jogador de Futebol Americano se situa na casa dos cinquenta e poucos anos. As exigências físicas levam ao consumo de anabolizantes, de hormônio de crescimento e, se tais produtos já são perniciosos em si, se tornam ainda mais graves porque muitos dos atletas e ex-atletas, para fugir ao estresse da carreira ou minorar dores crônicas, acabam entregues ao abuso de analgésicos ou drogas.

Mas assisti a partida entre o Pittsburgh Steelers e o New York Jets, para decidir quem iria ao Super Bowl contra o Green Bay Packers, em parte por causa da curiosidade despertada pela presença de um jogador americano/mexicano, Mark Sanchez. Ele nasceu em Long Beach, na Calif’ornia, e fala muito mal o espanhol, mas mesmo assim é um ídolo da comunidade hispânica.

Há uma semana ou pouco mais houve uma espécie de concurso de beleza entre Mark Sanchez e outro quarterback, Tom Brady, do New England Patriots, que vem a ser o marido da brasileira Gisela Bündchen. Brady foi considerado mais boa pinta, mas Sanchez ganhou boas notas, sobretudo por causa de seu cabelo (o bigode, ao que parece, lhe valeu pontos negativos.)

Contra o Steelers, porém, Sanchez não repetiu o feito de outro famoso quarterback do Jets no passado, Joe Namath, que não apenas levou o time ao Super Bowl como garantiu que o Jets iria ganhá-lo, como de fato aconteceu.

Sanchez começou nervoso contra o Steelers e errou alguns passes importantes, além de ter sido sacado duas vezes. Mas aí, vamos reconhecer, a culpa foi mais dos homens de seu time encarregados de cercá-lo, dar-lhe proteção.

No segundo tempo, Sanchez ganhou confiança e seu time quase chegava lá. Foi porém a vez da defesa do Steelers brilhar, evitando um touchdown em uma descida do Jets com a bola a apenas uma jarda da linha. (Na jogada anterior, com a bola também a uma jarda da linha, Sanchez conseguiu fazer o passe na direção de um companheiro, mas parece que houve um erro de comunicação entre os dois, pois o lançamento se perdeu.

Mas, no fim, achei o resultado justo. Assim como no futebol e no basquete, há ocasiões em que uma defesa ganha o jogo e foi o que aconteceu. A defesa do Steelers aguentou bem a pressão.

Liderança brasileira

Bristol (EUA) – Se há um setor em que o Brasil indiscutivelmente lidera no mundo esportivo da América do Sul, é o de medição de corridas de rua, coisa que no passado não era encarada com seriedade.

Eu mesmo participei de duas maratonas, no Rio de Janeiro, em 1979 e 1980, em que o percurso foi medido com o odômetro de um automóvel. Mas já naquele mesmo ano consegui reunir uma turma de pessoas interessadas, entre as quais José Rodolfo Eichler, e medimos a primeira Maratona Atlântica-Boavista, em fins de novembro, com o que se chamava trumeter.

Já era uma melhoria. No ano seguinte, em Honolulu, participei da fundação da AIMS (Association of International Marathons) e, de lá pra cá, o progresso foi constante, com a liderança, nos anos iniciais, de Allan Steinfeld, que era o assistente do Diretor da Maratona de Nova York, Fred Lebow.

Allan esteve no Rio, ajudou a criar uma equipe de medição da qual participavam, entre outros, o já citado Rodolfo, Gabriel Monteiro, Fernando Azeredo e o locutor que vos fala. Foi quando começamos a usar o Clay-Jones Counter, aparelho montado em uma bicicleta, e o método de lá para cá vem sendo aplicado com crescente precisão e sofisticação.

Anexo a este post (espero que com sucesso) uma reportagem da televisão venezuelana documentando a recente passagem de José Rodolfo Eichler por Caracas, na Venezuela. (Cliquem em “descargar archivo media“.) É mais uma maratona na América do Sul que se inscreve entre as provas mundiais com medição de percurso certificada pela AIMS.

Sempre com liderança brasileira.

Transmisión:
18/01/2011 09:53:00 p.m. (-04:30 GMT)
Fuente:
TV | Globovisión

Noticias Globovisión (Emisión Estelar)
Contenido:
(Noticia) Participantes del Maratón CAF contarán con certificación internacional
Participantes:
Marcos Oviedo (Secretario General, Federación Venezolana de Atletismo), Luis Enrique Berrizbeitia (Vicepresidente Ejecutivo, Corporación Andina de Fomento, CAF)
Menciones:
Corporación Andina de Fomento, CAF, Federación Venezolana de Atletismo
Media:
Video | 3 mins. 33 segs.

Descargar archivo media

O recorde sobreviveu em Dubai

Bristol (EUA) – Haviam falado num possível recorde mundial na Maratona de Dubai, que foi disputada nesta sexta-feira, mas meus leitores devem lembrar que eu duvidei que isto acontecesse, porque as temperaturas nos Emirados Árabes, mesmo durante o inverno do Hemisfério Norte, não permitem muitas esperanças neste sentido.

Foi o que aconteceu. A umidade era baixa, mas a temperatura em Dubai (vejam no mapa, fica perto do Catar, que a FIFA escolheu para sede da Copa do Mundo de 2022) era de 21 centígrados.

O recorde mundial de Haile Gebrselassie, com 2:03:59, não podia estar sériamente ameaçado, embora os competidores, com o queniano Eliud Kiptanui à frente, saíssem muito forte, estimulados pela promessa de uma remuneração extra.

Eles estavam correndo abaixo de três minutos por quilômetro e cruzaram os 15 quilômetros em 44:38 (quarenta e quatro minutos e 38 segundos). Mas não havia condição de manter tal ritmo. O coelho Stephen Kibet bem que cumpriu seu papel, e abandonou a prova aos 30 quilômetros, mas um quilômetro depois Kiptanui levou a mão à cintura e parou. Desistiu.

O resultado foi a vitória surrprendente de outro queniano David Barmasai, com 2:07:18. Um tempo longe do recorde de Haile Gebrselassie, mas ainda assim respeitabilíssimo, se vocês compararem com as marcas conseguidas em maratonas no Brasil.

Foi a terceira maratona da carreira de Barmasai e sua primeira fora do Quênia. Ele havia ganho a Maratona de Nairobi, disputada numa altitude de cerca de 1,600 metros, em 2:10:31, no mês de outubro.

Barmasai ganhou 250 mil dólares de uma premiação total de um milhão de dólares para os homens. A etíope Aselefech Mergia, favorita feminina, também ganhou 250 mil dólares de um total de igualmente um milhão de dólares para as mulheres.

O tempo de Mergia foi de 2:22:45, cinco segundos mais lento do que sua melhor marca, conseguida em Londres no ano passado, quando ela colocou-se em terceiro entre as mulheres.

Temperatura apenas razoável, umidade baixa, contra-vento forte no fim do percurso, vitória de um queniano e uma etíope, sem quebra do recorde mundial. Tudo dentro do que se podia esperar.

O crime perfeito

Bristol (EUA) – Se há crime perfeito, ele vem sendo cometido há anos por Lance Armstrong, sete vezes ganhador do Tour de France. Ele vem sofrendo nos últimos meses uma rigorosa investigação para determinar se será ou não pronunciado judicialmente por uso de doping e conspiração para tráfico de drogas, mas até hoje o ciclista americano (no momento na Austrália) vem conseguindo driblar as acusações tanto em seu país quanto no exterior.

A investigação atual, na Califórnia, está sendo feita pela U.S. Food and Drug Administration, a mesma agência governamental que já complicou a vida da atleta Marion Jones e do jogador de beisebol Barry Bonds, entre outros. Suas conclusões serão levadas ao que se chama Grand Jury nos Estados Unidos e os jurados decidirão se há ou não elementos necessários para processar Lance Armstrong.

A revista Sports Illustrated, que parece ter acesso a pessoas ligads à investigação, está nas bancas e informa, entre outras coisas, que Armstrong é suspeito de ter tomado uma droga chamada HemAssist, usada para casos extremos de perda de sangue. Ela eleva a um nível altíssimo a capacidade do sangue de transportar oxigênio.

Há também acusações de que Lance Armstrong em suas viagens para competições sempre preferia fretar aviões particulares, porque eles facilitam a passagem pelas autoridades de controle ao fim da viagem. Mesmo assim ele foi parado uma vez em St. Moritz, as autoridades exigiram que ele abrisse sua valise e nela descobriram seringas de injeção e drogas com dizeres em espanhol. Armstrong pediu a um membro de seu círculo que convencesse os homens da alfândega de que as drogas eram vitaminas e os agentes acabaram deixando que ele fosse em frente, embora não se mostrassem muito convencidos.

Depoimentos de companheiros de Armstrong dizem que ele não apenas tomava EPO como estimulava os integrantes de sua equipe a tomá-lo. Uma batida na casa de um seu ex-companheiro de equipe, Yaroslav Popovych, revelou a existência de e-mails ligando Armstrong recentemente (2009) ao médico italiano Michele Ferrari, com quem ele dizia ter rompido em 2004, por causa do envolvimento deste com drogas.

Essas são algumas das histórias. O caso é que há anos as suspeitas sobre Lance Armstrong se avolumam mas jamais foi encontrada a prova inegável e definitiva. Em matéria de drogas, Armstrong parece conhecer como ninguém o caminho das pedras.

Zico versus Ronaldinho Gaúcho

Bristol (EUA) – Escrevi outro dia no site da ESPN Brasil que os clubes brasileiros deveriam aproveitar o fato de que a Copa de 2014 será em nosso país para se reestruturarem, tomarem partido dos bons ventos, recuperaram um pouco do prestígio que já tiveram no futebol mundial.

Hoje o mundo só se interessa pelo futebol inglês, pelo espanhol, pelo italiano, pelo alemão. A repercussão de nossos campeonatos – e advirto aos saudosistas que isto nada tem a ver com o sistema de disputa em turno e returno, por pontos ganhos – e de nossos clubes no exterior é mínima.

Disse também, em comentário em vídeo na mesma ESPN Brasil, que está na hora da CBF limitar os “estrangeiros” na Seleção. Restringir a três o número de jogadores radicados no exterior com possibilidades de serem convocados para a Copa. Está na hora de recuperar para o futebol brasileiro a originalidade e a criatividade que já tivemos e que agora virou uma mesmice: os jogadores que vêm da Europa parecem ter perdido a capacidade de imaginar e de surpreender. Ou estão tão absortos em seus milionários investimentos bancários que se importam pouco com o que sucede à Seleção.

Mas nunca fui e nem vou ser agora a favor da importação de meras celebridades, cuja melhor época já passou. Já defendi no passado a convocação de Ronaldinho Gaúcho para a Seleção Brasileira mas, depois de sua última passagem pelo Mílan, acho que ele não tem mais a condição atlética para ser outra vez o jogador de sonho que foi no passado.

Será que, em vez de revelarem novos talentos, de prestigiarem os bons jogadores que existem no país e estão ansiosos para mostrar seu valor, nossos clubes se contentarão em ser abrigo de jogadores que viraram refugo no futebol europeu, como Ronaldo Fenômeno, Roberto Carlos, Ronaldinho Gaúcho? Jogadores que, embora célebres, lá estavam na reserva?

Já tivemos no passado orgulho de que os clubes europeus nunca conseguiram levar Pelé e o Cosmos de Nova York só o levou depois que ele encerrou sua carreira na Seleção Brasileira e estava também pendurando as chuteiras no Santos.

Alguns agora querem estabelecer um paralelo entre Zico e Ronaldinho Gaúcho no Flamengo. Não vejo sentido. Zico cresceu no Flamengo. Ronaldinho Gaúcho, temo, vai decrescer.

O Mundial de Triathlon

Antes de sair para treinar, tenho que tirar a neve que bloqueia minha garagem

Bristol (EUA) – Como eu disse no vídeo que faço para a ESPN Brasil, resolvi encarar um desafio que, cá entre nós, não é brincadeira para quem, como eu, está perto de completar 74 anos. Conversei esta semana com o Carlos Fróes, presidente da Confederação Brasileira de Triathlon, e vou tentar me classificar para disputar o Mundial de Triathlon que este ano será em Pequim, capital da China, no mês de setembro. A trágica morte de Armando Erik de Carvalho e toda a sua família, no temporal em Teresópolis, me mostrou que não devemos adiar a tentativa de realizar nossos sonhos.

Como aqui no nordeste dos Estados Unidos agora é inverno, só haverá provas classificatórias em junho. Mas meu problema no momento é conseguir sair de casa para treinar. Como vocês podem ver na foto, preciso primeiro remover uma imensa quantidade de neve na entrada da minha garagem.

No vídeo da ESPN Brasil, em que cito pioneiros do triathlon no Brasil, omiti alguns nomes por não terem me ocorrido na hora, mas quero agora reparar tal injustiça. É claro que não posso me lembrar de todos, mas devo fazer uma menção a Rômulo Arantes Junior (o Rominho), a Roberto Deleage e a Mônica Lucena.

Um dos participantes daquele triathlon original, no Rio de Janeiro, que saiu do Forte da Urca e chegou no Aterro do Flamengo, foi o nadador e jogador de pólo aquático (para nós, sempre water-polo), Alexandre Médicis. Ele ficou de nos dar um relato do que foi aquela experiência, em 1982, mas por enquanto nos conta abaixo o que se passou com ele na primeira vez em sua vida em que participou de uma corrida de rua, cinco anos antes.

Aí vai:

A PRIMEIRA CORRIDA NINGUÉM ESQUECE
O movimento de corridas e consequentemente dos exercícios aeróbicos de caminhadas, bicicleta, etc., no Rio/Brasil , começou no fim dos anos 70.
Este movimento de corridas teve seu verdadeiro inicio com uma corrida de 12km, do Hotel Nacional , São Conrado, até o Leme, com chegada dentro do forte do Leme. A corrida foi no dia 31 de dezembro de 1977, toda organizada pelo Yllen Kerr.
Uma semana antes da corrida, li nos jornais, que o Yllen Kerr estava organizando uma corrida para os “coopistas”, como se chamavam os corredores da época, seguidores do Kenneth Cooper, o verdadeiro iniciador e pioneiro de todo este movimento mundial pro exercícios. Esta corrida teria 12km, entre o Hotel Nacional e o Leme.
Sem nunca ter corrido 12km, mas com longa experiência esportiva, resolvi me inscrever. A inscrição era em uma carrocinha de Kibon onde você escrevia seu nome e sua idade em um caderno espiral. Correram cerca de 36 corredores.

Fui para a praia de Ipanema, e no primeiro dia , poucos dias antes da corrida , corri 6km… que sacrifício. No dia seguinte repeti os 6km, no terceiro dia corri 8km. Passei mal, nunca havia corrido tanto.
Não corri mais até o dia da corrida, domingo de manhã.
No domingo , por volta das 7.00h estava eu, junto com meu filho mais velho, já falecido, no Hotel Nacional, calçando um tênis CONGA ( imaginem, era o mais leve que existia na época) e vestindo uma camisa , daquelas de flanela, bastante quente, do Flamengo.
A corrida foi boa , até a altura do Hotel Othon, em Copacabana. Na praça do Lido, 10km de corrida, já inteiramente morto, me lembro que ao passar escutei três pessoas conversando na calçada, e um disse para o outro – Este aí não chega , vai morrer antes-. Era quase verdade, mas eu cheguei.
Quando chequei na Praça do Leme vi que a chegada era dentro do quartel, e o que se passou pela minha cabeça , já inteiramente e completamente morto de cansaço, foi – Este forte começa no Leme e termina quase na Praia Vermelha , não vou aguentar correr nem mais um metro por dentro dele. Alucinações do cansaço. Mas , graças a Deus a chegada era exatamente ao você cruzar a porta do forte. Deste modo, brilhantemente completei a minha primeira corrida. Primeira corrida que nunca esqueci.

In memoriam

Bristol (EUA) – Há tragédias inexplicáveis, como a que matou Armando Erik de Carvalho, sua mulher Kitty, seu filha, seu genro e quatro netos, na tempestade em Teresópolis. Como, neste mundo cercado de tecnologia, as pessoas ainda podem morrer assim, sem que ninguém preveja a força cataclísmica da natureza?

Armando era um cavalheiro, uma pessoa educada, fina, gentil, que aparece na foto, na Corrida dos Principiantes, entre dois outros corredores – Carlos Augusto Boclin e Márcio Puga – nos tempos iniciais da Maratona do Rio (então Maratona Atlântica Boavista) e da Corja, o Clube de Corredores do Rio de Janeiro.

A vida faz-nos compreender cada vez mais que não devemos adiar nossos planos e nossos sonhos, pois ninguém sabe o que acontecerá amanhã. Aquele era o mundo dos tempos heróicos da coluna Campo Neutro, dos amigos de Armando Erik, como Alexandre Médicis, os já citados Boclin e Márcio Puga, Maurício Applebaum, Ebnas Mello de Vasconcellos, Jorge Cordeiro, Edgard e Lourdes Kniriem, Ivanise e Ricardo Lins e Barros, minha mulher, Dawn, José Rodolfo Eichler, Pinguim, Pedro e Teresinha Stock, Maria Monteiro, Antonio Carlos Tognetti, Lenira Regufe, Yllen Kerr, Aldo Leão de Souza, Gustavo Bittencourt (o Almirante), Fernando Azeredo, Abrãao Fiszman, Alexandre Ribeiro (então um garoto de 15 anos), José Baltar, Leduc, Landau, Antenor Mayrink Veiga, Cristina e Júlio Reis, Ray Meagher, Lucinette de Souza, Vanessa Figueiredo, Denise e Odette Amaral, Aloísio Celestino, Heitor Puccioni, Paulo Olivieri, Luiz Mathias, Eleonora Mendonça e seu irmão Luis Carlos, Heleno Celestino, Augusto Barcelos. Alguns desses também já partiram, como Armando, a outros peço desculpa por não lembrar no momento.

Armando deixa saudades. Nós continuamos mais um pouco, neste carro sem marcha-a-ré que é a vida.

Aperto na Maratona

Bristol (EUA) – Pelo que me informaram, houve um público de mais de 200 mil pessoas na última São Silvestre e me disseram ainda que isto levou a conversas para talvez mudar o local de largada e chegada da prova ou empurrar o réveillon da Avenida Paulista para o lado da Consolação.

Antes de mais nada, peço desculpas se mostro pouco conhecimento da geografia da cidade de São Paulo, pois sou de fato a definição acabada do “forasteiro”. Se me encontrar sózinho em São Paulo, sem um guia ou um GPS, me perco em cinco minutos.

Mas o fato é que as corridas que começam e terminam no mesmo lugar (ou com a chegada num local próximo da largada) são chamadas internacionalmente de corridas em “loop”. Isto quer dizer “laço”. Elas dão uma volta completa.

Na última vez em que estive na Maratona do Rio, ela era linear. Largava no Recreio dos Bandeirantes e chegava no Aterro do Flamengo. Mas já ouvi dizer que o Comitê Olímpico Brasileliro quer um percurso em “loop” para a Maratona Olímpica de 2016, largando e chegando no Maracanã, Ou largando no Sambódromo, que fica ali perto, e chegando no Maracanã. É praticamente a mesma coisa.

Se é verdade, os organizadores vão precisar de muita cautela. A Maratona é o único grande evento gratuito de uma Olimpíada. Ela é disputada nas ruas de uma cidade e as ruas da cidade, afinal, são do povo (lembrem-se do que aconteceu em Atenas, em 2004). A Maratona masculina também marca tradicionalmente o encerramento da Olimpíada. É o último evento do programa. Depois dela, no local mesmo da chegada, só há a festa de encerramento.

Os organizadores da Maratona Olímpica de Londres, para 2012, já estão preocupados com o que lá vai acontecer. Tenho comigo, a respeito, um relatório cujo autor por enquanto prefiro manter em segredo. A Maratona Olímpica de Londres será disputada num laço de quase 12.800 metros, o que implica em três voltas no mesmo, mais um trecho de ida-e-volta de dois quilômetros, ao longo do rio Tâmisa.

Espera-se um público de meio milhão de pessoas, ombro a ombro, e, se damos teoricamente meio metro de espaço lateral para cada pessoa, haverá uma profundidade de dez assistentes para cada um desses espaços.

Não sei se estou me fazendo entender, mas acho que o controle de tal multidão será um feito maior do que qualquer recorde olímpico na Maratona. Os organizadores da Maratona Olímpica do Rio em 2016 precisarão estar muito atentos ao que vai acontecer quatro anos antes em Londres.