
Antes de sair para treinar, tenho que tirar a neve que bloqueia minha garagem
Bristol (EUA) – Como eu disse no vídeo que faço para a ESPN Brasil, resolvi encarar um desafio que, cá entre nós, não é brincadeira para quem, como eu, está perto de completar 74 anos. Conversei esta semana com o Carlos Fróes, presidente da Confederação Brasileira de Triathlon, e vou tentar me classificar para disputar o Mundial de Triathlon que este ano será em Pequim, capital da China, no mês de setembro. A trágica morte de Armando Erik de Carvalho e toda a sua família, no temporal em Teresópolis, me mostrou que não devemos adiar a tentativa de realizar nossos sonhos.
Como aqui no nordeste dos Estados Unidos agora é inverno, só haverá provas classificatórias em junho. Mas meu problema no momento é conseguir sair de casa para treinar. Como vocês podem ver na foto, preciso primeiro remover uma imensa quantidade de neve na entrada da minha garagem.
No vídeo da ESPN Brasil, em que cito pioneiros do triathlon no Brasil, omiti alguns nomes por não terem me ocorrido na hora, mas quero agora reparar tal injustiça. É claro que não posso me lembrar de todos, mas devo fazer uma menção a Rômulo Arantes Junior (o Rominho), a Roberto Deleage e a Mônica Lucena.
Um dos participantes daquele triathlon original, no Rio de Janeiro, que saiu do Forte da Urca e chegou no Aterro do Flamengo, foi o nadador e jogador de pólo aquático (para nós, sempre water-polo), Alexandre Médicis. Ele ficou de nos dar um relato do que foi aquela experiência, em 1982, mas por enquanto nos conta abaixo o que se passou com ele na primeira vez em sua vida em que participou de uma corrida de rua, cinco anos antes.
Aí vai:
A PRIMEIRA CORRIDA NINGUÉM ESQUECE
O movimento de corridas e consequentemente dos exercícios aeróbicos de caminhadas, bicicleta, etc., no Rio/Brasil , começou no fim dos anos 70.
Este movimento de corridas teve seu verdadeiro inicio com uma corrida de 12km, do Hotel Nacional , São Conrado, até o Leme, com chegada dentro do forte do Leme. A corrida foi no dia 31 de dezembro de 1977, toda organizada pelo Yllen Kerr.
Uma semana antes da corrida, li nos jornais, que o Yllen Kerr estava organizando uma corrida para os “coopistas”, como se chamavam os corredores da época, seguidores do Kenneth Cooper, o verdadeiro iniciador e pioneiro de todo este movimento mundial pro exercícios. Esta corrida teria 12km, entre o Hotel Nacional e o Leme.
Sem nunca ter corrido 12km, mas com longa experiência esportiva, resolvi me inscrever. A inscrição era em uma carrocinha de Kibon onde você escrevia seu nome e sua idade em um caderno espiral. Correram cerca de 36 corredores.
Fui para a praia de Ipanema, e no primeiro dia , poucos dias antes da corrida , corri 6km… que sacrifício. No dia seguinte repeti os 6km, no terceiro dia corri 8km. Passei mal, nunca havia corrido tanto.
Não corri mais até o dia da corrida, domingo de manhã.
No domingo , por volta das 7.00h estava eu, junto com meu filho mais velho, já falecido, no Hotel Nacional, calçando um tênis CONGA ( imaginem, era o mais leve que existia na época) e vestindo uma camisa , daquelas de flanela, bastante quente, do Flamengo.
A corrida foi boa , até a altura do Hotel Othon, em Copacabana. Na praça do Lido, 10km de corrida, já inteiramente morto, me lembro que ao passar escutei três pessoas conversando na calçada, e um disse para o outro – Este aí não chega , vai morrer antes-. Era quase verdade, mas eu cheguei.
Quando chequei na Praça do Leme vi que a chegada era dentro do quartel, e o que se passou pela minha cabeça , já inteiramente e completamente morto de cansaço, foi – Este forte começa no Leme e termina quase na Praia Vermelha , não vou aguentar correr nem mais um metro por dentro dele. Alucinações do cansaço. Mas , graças a Deus a chegada era exatamente ao você cruzar a porta do forte. Deste modo, brilhantemente completei a minha primeira corrida. Primeira corrida que nunca esqueci.