Loucuras de março

Bristol (EUA) – O maior acontecimento esportivo dos Estados Unidos, depois do Super Bowl, é o que os americanos chamam de “March Madness”, o campeonato de basquete universitário masculino , no sistema mata-mata: perdeu, está fora.

É rápido e cruel. A loucura chega ao seu auge nos próximos dias, quando já estaremos em abril. As semi-finais serão no sábado e a grande final na segunda-feira a noite, com transmissão nacional ao vivo pela cadeia CBS.

A Universidade de Connecticut, aqui perto de onde moro, conhecida como UConn, já está em uma das semi-finais. A UConn é uma das grandes forças do basquete universitário nos Estados Unidos, tanto entre os homens quanto entre as mulheres.

A NCAA, a Associação Nacional de Esportes Universitários, tem um contrato de televisão que lhe rende a bagatela de 10 bilhões e 800 milhões de dólares ao longo de 14 anos. Se minha matemática não me desempara, são quase 800 milhões de dólares por ano.

Ganham as universidades e ganha a televisão. Os jogadores, obrigatoriamente amadores, recebem bolsas de estudo. Muitos abandonam o curso universitário pelo meio e se tornam profissionais da NBA.

Agora há gente reclamando, dizendo que os jogadores universitários deveriam ter o direito de também ganhar dinheiro, mesmo porque as partidas são depois transformadas em video-games, que passam anos a fio. O caso foi parar na Justiça. Muitos ex-universitários, agora profissionais da NBA, não quiseram se envolver, mas um entrou firme, colocando seu nome como um dos queixosos na ação. Ele é Joakim Noah, que joga pelo Chicago Bulls e é filho do antigo astro francês de tênis, Yannick Noah.

Razões para se preocupar

Bristol (EUA) – O fato de que o Knicks fez treino pela manhã hoje, segunda-feira, antes de sua partida à noite com o Orlando Magic, mostra que o técnico Mike D’Antoni está preocupado e pensa até na possibilidade – ainda remota – da equipe novaiorquina ficar de fora dos playoffs.

A matemáticsa é um pouco complicada. Faltam nove jogos para o fim da temporada regular. Entram oito times de cada conferência nos playoffs e o Knicks está em sétimo lugar na Conferêncisa do Leste, três jogos e meio à frente do Indiana Pacers.

Charlotte está na nona posição, quatro jogos e meio atrás do Knicks e o Milwaukee Bucks está na décima, cinco jogos e meio atrás. Teoricamente, qualquer uma das equipe acima citadas pode se classificar para os playoffs, embora seja necessário que Bobcats e Bucks apresentem um rendimento superior ao que mostraram até agora na temporada.

Mas desde que Carmelo Anthony chegou, o Knicks perdeu 12 partidas e ganhou apenas sete. Outro dado significativo é que oito das derrotas aconteceram diante de times fracos, com um aproveitamento abaixo de 50 por cento.

O aproveitamento do Knicks no momento também é fraco, com três jogos abaixo de 50 por cento. Se o time continuar a render tão pouco, enquanto Bobcats e Bucks melhorlam… bem, vocês podem ver que Mike D”Antoni tem razões para se preocupar.

Neymar: A cotação sobe

Foto: AFP

Bristol (EUA) – A Escócia era o tipo do adversário de que precisávamos depois de perder para a Argentina e para a França. Hora de dar um pouco de confiança ao time e ao técnico Mano Menezes.

Há muito tempo o Brasil náo perdia três jogos seguidos e não haveria de ser agora, contra um time que apenas se defendia e conseguiu uma única finalização em todo o primeiro tempo. Mesmo assim, demoramos para marcar, por preciosismo e também por um pouco de azar na excelente cabeçada de Leandro Damião depois da cobrança de um escanteio por Elano.

Gostei de Leandro Damião, mas devo adiantar que só vi o primeiro tempo e depois alguns dos melhores momentos do segundo, como a cobrança do pênalti por Neymar. Tive que sair para levar um de meus netos a seu jogo de futebol perto de onde moro, na cidadezinha de Farmington.

A esta altura do ano a garotada ainda está jogando em recinto fechado, por causa das baixas temperaturas. Mas as instalações são excelentes, de dar inveja a qualquer país do mundo em que o futebol seja o esporte mais popular – o que aqui ainda não aconteceu. É o quinto em popularidade, depois do futebol americano, do beisebol, do basquete e do hóquei no gelo.

Todavia, como ficou claro mais uma vez no jogo entre Estados Unidos e Argentina, a popularidade do futebol está crescendo. Em duas semanas meus netos e demais garotos da mesma faixa etária estarão jogando em campos abertos. É um parque com nada menos de 11 campos, aqui perto, de diferentes tamanhos, com ótimos gramados, juízes, tudo o que é necessário.

Fiquem de olho. Quanto ao Brasil, Neymar deu o seu recado e sua cotação vai subir no mercado internacional. Mas também gostei do Leandro Damião.

Americanos alegres

Bristol (EUA) – Nem sempre posse de bola ganha jogo. Num amistoso em Nova Jérsei, a Argentina deu um show em cima do time dos Estados Unidos no primeiro tempo: bola de pé em pé, passes pra cá e pra lá, como no gol de Cambiasso. Messi estava a todo vapor, com lances extraordinários e teve 95% do mérito no gol de Cambiasso.

Mas, ao fim do primeiro tempo, o marcador estava em um magro 1 a 0, conseguido quando faltavam apenas quatro minutos para o intervalo.

No segundo tempo tudo mudou, quando Juan Agudelo, um jogador nascido na Colômbia, entrou no time dos Estados Unidos. Agudelo empatou aos 14 minutos e, dali em diante, os americanos cresceram e tiveram até a oportunidade de ganhar a partida.

Os argentinos queriam ganhar, tanto que mantiveram Messi até o fim. Mas ele não repetiu o milagre de fazer um gol no último minuto, como conseguiu contra o Brasil. Os americanos defenderam muito bem e o resultado foi ótimo para o crescimento do esporte no país.

Terça-feira os Estados Unidos enfrentam o Paraguai, que acaba de perder para o México. Vai ser difícil para o técnico Bob Bradley manter Agudelo no banco.

Desperdício no fim

Bristol (EUA) – De uns tempos para cá, o New York Knicks, apesar do reforço de Carmelo Anthony, só faz perder. Na sexta-feira à noite perdeu de novo, a quinta derrota seguida, agora para o Milwaukee Bucks. O problema é que, depois da contratação de Carmelo Anthony, famoso como cestinha, o Knicks não melhorou no ataque e piorou na defesa.

Ao menos, agora que faltam apenas dez jogos para o fim da temporada regular, tudo indica que o Knicks estará nos playoffs, o que não vem conseguindo há seis anos. O Knicks, jogando hoje de novo no Madison Square Garden, vai enfrentar o Charlotte Bobcats.

Para complicar, o Bobcats, que disputa justamente com o Milwaukee Bucks a chance de desbancar Indiana na oitava colocação na Conferência do Leste, estará cheio de moral, pois nesta sexta-feira conseguiu derrotar o Boston Celtics, em Boston, por 83 a 81. O Bucks saiu de uma desvantagem de 13 pontos no último quarto para conseguir a vitória. Nos derradeiros segundos o Celtics teve a oportunidade de ganhar com dois arremessos de três pontos: o primeiro de Ray Allen, o segundo de Kevin Garnett.

Ambos erraram.

Quousque tandem, Adriano?

Bristol (EUA) – Adriano provavelmente não sabe, mas os italianos o batizaram de Imperador porque realmente tiveram um Imperador Adriano no passado, nos primeiros anos da era cristã. Sob sua direção o Império Romano alcançou sua maior extensão geográfica e ele é famoso, entre outros feitos, por ter construído a Muralha de Adriano (Hadrian’s Wall), entre a Escócia e a Inglaterra.

Mas já que estamos na história romana, convém lembrar que o Adriano moderno não teve uma passagem muito boa pela Itália. Enquanto o Adriano antigo foi considerado um dos “cinco bons imperadores”, o moderno ficou mais conhecido por aprontar casos de sul a norte da península. Como já virou moda sempre que um jogador brasileiro é rejeitado pelo futebol europeu, Adriano é recebido agora (mais uma vez) no Brasil com fanfarras, festas (festa é com ele mesmo) e expectativas que provavelmente não serão contempladas.

Para Adriano podemos parafrasear o famoso rasgo oratórico de Cícero, em seu primeiro discurso contra o político e militar Catilina: Quousque tandem abutere, Adriano, patientia nostra?

Até quando abusarás, Adriano, de nossa paciência?

As nuvens de Catar

Bristol (EUA) – Quando Catar foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2022, seus dirigentes prometeram estádios com ar condicionado, para amenizar o escaldante sol de verão daquela região desértica.

A isto o representante americano, Chuck Blazer, que havia perdido para Catar o direito de sediar a Copa, retrucou que “vocês não podem refrigerar um país inteiro”.

Os homens de Catar devem ter ficado ruminando o assunto e agora aparecem com o que consideram a solução: os cientistas do país descobriram um modo de fazer “nuvens artificiais”. Elas serão criadas, durante a disputa da Copa, para cobrir todos os estádios, campos de treinamento e até locais de maior concentração de torcedores.

Cada nuvem custará a bagatela de 500 mil dólares, mas para a turma de Catar dinheiro não é problema. As nuvens serão feitas de uma estrutura ultra-leve de carbono carregando uma espécie de “envelope” com hélio. A estrutura será movida por energia solar.

O ar condicionado nos estádios também será produzido por energia solar.

Será que dará certo? De saída, convém notar que as estruturas serão feitas de carbono, que vem a ser um dos componentes do dióxido de carbono (CO2), gás do efeito estufa responsável pelo aquecimento global.

Pode ser que os homens de Catar estejam despindo um santo para vestir outro.

A história me lembra as peripécias do dr. Janot Pacheco, um cientista que andou tentando produzir chuvas artificiais no Brasil na década de 50. Os resultados não foram convincentes.

Quem sabe o dr. Janot teria tido mais êxito se dispusesse de 500 mil dólares para cada nuvem, como Catar vai fazer?

Mundial de Triathlon – 6

Bristol (EUA) – É primavera no Hemisfério Norte mas, por incrível que pareça, voltou a nevar no nordeste dos Estados Unidos. Pedalei um pouco na bicicleta estacionária e saí para correr sete quilômetros e meio antes que a neve apertasse.

Depois da corrida no último sábado, pedalei no domingo, nadei na segunda-feira, pedalei de novo na terça e hoje combinei um pouco de bicicleta com corrida. Amanhã, quinta-feira, é dia de malhar no ginásio. Mas esta noite vai nevar mais forte e terei que acordar mais cedo para desobstruir o meu “driveway” e poder sair para trabalhar.

É um pouco mais de exercício. Também conta

Sabor especial

Foto: AFP

Foto: AFP

Bristol (EUA) – Na semana passada, quando o Inter de Milao enfrentava o Bayern de Munique pela Liga dos Campeões da Europa, tudo era pessimismo no futebol italiano. O Inter estava empatando com o Bayern até o penúltimo minuto da partida, não restaria mais nenhum time italiano nas duas principais competições do continente e a Série A estava praticamente decidida em favor do Mílan.

Mas agora tudo é diferente. O Inter derrotou o Bayern, está nas quartas-de-final da Liga dos Campeões e, na Série A, encontra-se a apenas dois pontos do líder Mílan. Depois da folga dos próximos dias para os amistosos internacionais, o Inter enfrentará o Milan no San Siro, com a possibilidade de assumir a liderança, quando faltam oito rodadas para o fim do campeonato.

Quando o brasileiro Leonardo assumiu o lugar de técnico, na virada do ano, o Internazionale estava 13 pontos atrás do Mílan, com dois jogos a menos. O jogo da próxima rodada terá sabor especial para Leonardo, que foi demitido do Mílan pelo dono do time, o Primeiro-Ministro Sílvio Berlusconi, homem que sabidamente gosta de interferir no trabalho dos treinadores e ditar a escalação da equipe.

Mas não é só Internazionale que tem a possibilidade de ser campeão. O Napoli está agora três pontos atrás do Mílan.

Podemos também citar o Udinese, que vem com uma surpreendente campanha desde o início de 2011. O time está invicto de lá para cá e ganhou 33 pontos em 13 jogos. Seis pontos separam o Udinese do Mílan. Difícil, mas não impossível.

No “derby” Inter-Milão haverá duas ausências importantes: Lúcio pelo Inter e Ibrahimovic pelo Mílan. Ambos suspensos.

Mundial de Triathlon – 5

Participei da Fun Run com minha netta Hanna e depois entrei na prova de oito quilômetros

Participei da Fun Run com minha netta Hanna e depois entrei na prova de oito quilômetros

Bristol (EUA) – A primavera começa aqui no nordeste dos Estados Unidos e primavera por aqui é assim: um dia a temperatura está em 20 centígrados, no outro cai para quatro. Foi o que aconteceu de sexta para sábado. Entrei numa corrida de cinco milhas (oito quilômetros), no sábado, como parte de meus preparativos para o Mundial de Triathlon em Pequim, em setembro.

A grande notícia é que nada senti no joelho esquerdo e na panturrilha esquerda. Creio que estou curado. Fiquei em segundo lugar em minha faixa etária (de 70 a 79 anos), com o tempo de 50:18 e minha mulher Dawn ganhou a faixa etária dela (de 60 a 69) com o tempo de 44:58. Pudera, ela é nove anos mais moça do que eu, e melhor atleta, no momento um pouco fora de forma. Dawn também vai ao Mundial de Triathlon.

O bônus foi a presença de três dos cinco vernequinhos (os outros dois netos moram em Virginia Beach). David Stephenson, de 11 anos, ganhou sua faixa etária, com 38:18, e poderia ter feito melhjor tempo se não tivesse desperdiçado energia discutindo com a mãe, Rebecca (que apenas o acompanhava, pois está em recuperação de uma contusão), sobre a melhor tática de corrida. Timothy Stephenson, de oito anos, foi o segundo em sua faixa etária (na distância de duas milhas, pouco mais de 3,200 metros), com 15:14. Hanna Stephenson, que tem apenas cinco anos, entrou na Fun Run de crianças, em um quarto de milha, sem marcação de tempo.

Até nosso genro, Greg Stephenson, entrou pela primeira vez em sua vida em uma corrida de rua. Completou as duas milhas em 17:30, o que não está nada mal para uma primeira experiência, em sua idade. Ele chegou à conclusão de que, já que tem que ir às corridas para acompanhar a família, o melhor é também participar.