Futebol não é religião

Port Fréjus (França) – Aqui longe nem sempre tenho notícias do Brasil, mas se é verdade que Mano Menezes proibiu a entrada de pastores evangélicos na concentração brasileira, fez bem. Espero que a medida seja ecuménica. Em outras palavras, proibição de acesso a sacerdotes ou ministros de qualquer crença.

A seleção brasileira representa uma nação laica, mas não é de hoje que nosso futebol tem sido vítima de investidas de marketing por grupos religiosos. No Rio havia um famoso padre da igreja de São Judas Tadeu, no Cosme Velho, que explorava a imagem do Flamengo.

Nos últimos tempos os evangélicos foram os que ficaram mais assanhados, com Lúcio e Kaká à frente, já para não falar do Assistente Técnico Jorginho. Está na hora de acabar com tais presepadas e deixar a Seleção Brasileira ser apenas um  time de futebol e mais nada.

Ponham a casa em ordem

La Grande Motte (França) – A morte de um turista francês que caiu de um bondinho de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, passou por um vão na suposta rede de proteção (estava enferrujada), estatelou-se 15 metros abaixo na Praça dos Arcos, em pleno centro da cidade, e, agonizante, foi ainda assaltado por dois pivetes, mostra os gigantescos passos que o Rio e o Brasil precisarão dar para que a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpiada de 2016 não nos desmoralizem por completo no exterior.

Nossa imagem, vamos reconhecer, já não é boa e o episódio sublinha a um só tempo as duas maiores críticas que são feitas a nossas cidades e a nosso país: uma infra-estruturaa carcomida e a insegurança pública, com desrespeito à vida e aos bens alheios.

Uma cultura de Terceiro Mundo que precisa ser encerrada.

Boa idéia

Foto:AFP

Londres (Inglaterra) – Os torneios de tênis não vem despertando o mesmo interesse de poucos anos atrás e John McEnroe surgiu com uma boa idéia para torná-los mais aceitáveis para os espectadores de televisão.

A boa idéia de McEnroe, que em sua carreira ganhou Wimbledon três vezes, pode ser dividida em duas sugestões. A primeira é a de acabar com o aquecimento na quadra, em que os jogadores ficam trocando bolas pra lá e pra cá, praticando o saque, os voleios, os smashes, por aí vai.

A segunda é a de acabar com o “let”, aquela jogada em que o saque é repetido quando a bola toca na rede mas cai do outro lado, na área correta. Aí, acabam sendo três saques e até mais. McEnroe acha que o “let” deve ser abolido. Isto é, se a bola bate na rede e cai do outro lado na área correta, a jogada segue. Se passa da rede e cai na área errada, foi erro do sacador.

McEmroe acha que em partidas em melhor de cinco “sets”, como em Wimbledon, sua idéia pode economizar uns dez minutos do tempo do espectador.

Apoiado.

Enquanto a FIFA dorme

Londres (Inglaterra) – Está em The Guardian: o Comitê Olímpico Internacional (COI) está investigando uma denúncia do programa da  BBC Panorama de que o senhor João Havelange recebeu um suborno de um milhão de dólares da extinta International Sport and Leisure (ISL), firma de marketing da FIFA . O dinheiro teria sido dado a ele em 1997.

Havelange foi substituído na presidência da FIFA em 1998 por seu braço direito na entidade, Sepp Blatter, que era o Secretário-Geral. Blatter não mostrou qualquer interesse em investigar a denúncia e Havelange recusou um convite da BBC para  se pronunciar a respeito.

Segundo The Guardian, o Comitê de Ética do COI recebeu “documentos da BBC que apóiam sua denúncia” e se encontra no momento na tarefa de examinar a “autenticidade do material”.

Havelange está sendo investigado pelo COI porque é seu membro, além de membro da FIFA.

Estou na Europa

Quando meus leitores estiverem tomando conhecimento desta nota, estarei desembarcando em Londres, cidade onde morei e que é ainda hoje a minha preferida. De lá irei à França, antes de voltar aos Estados Unidos.

Estou de férias, por três semanas,  e me desculpo pela interrupção do “blog”. Mas ela não será total. Em havendo um assunto mais interessante, darei notícas.

Até a volta.

John Herbert

Bristol (EUA) – Uma vez, na TV-Globo, fui apresentando a John Herbert, o ator. Ficou aí nosso relacionamento. Como moro no exterior, preciso me desculpar, mas só agora fiquei sabendo de sua morte.

O registro que quero deixar é que John Herbert, descendente de alemães e ingleses, não era apenas um ator. Foi também nadador e, se não me engano, bateu o recorde brasileiro dos 15o0 metros, em 1945, que estava em poder de João Havelange, ainda vivo. Sua vida de ator parecia porém um tanto incompatível com a de atleta, tanto que já naquela ocasião teve uma pneumonia e agora morre, aos 81 anos, de enfisema pulmonar.

Uma lição ao mascarado

Foto: AFPBristol (EUA) – Nem sempre os mascarados recebem a lição que merecem, mas LeBron James recebeu. Na decisão contra o Dallas  Mavericks, LeBron James  foi o jogador que já tínhamos nos acostumado a assistir em situações semelhantes anteriormente, sobretudo contra o Orlando Magic há dois anos e contra o Boston Celtics no ano passado: na hora agá ele amarela, some na quadra.

Desta vez LeBron chegou à final da NBA, contra o Dallas Mavericks, ao lado de seus badalados companheiros Chris Bosh e Dwayne Wade, mas o palco maior só fará repercutir ainda mais o seu fracasso. Nos quartos periodos da série ele encolhia na quadra, enquanto Dirk Nowitzki se agigantava pelo Mavericks.

No ano passado, LeBron James praticamente entregou as duas partidas finais contra o Boston Celtics, deixando claro que queria sair do Cavaliers. Em meio a grande estardalhaço, anunciou em um programa especial da ESPN, chamado The Decision, que ia levar o que chamou “meus talentos” para o Miami Heat, onde pretendia conquistar o título ao lado de Dwayne Wade e Chris Bosh.

Pode ser que LeBron James ainda consiga o “anel”, mas, contra o Dallas Mavericks, visivelmente se apequenou, encolheu o braço. Não foi a primeira vez em sua carreira. Terá sido a última?

E agora, James?

AFP

Bristol (EUA) – LeBron James alcançou um triple-double: dez rebotes, dez assistências, 17 pontos, mas ainda não foi desta vez que conseguiu levar o Miami Heat à vitória sobre o Dallas Mavericks: a equipe texana, liderada pelo alemão Dirk Nowitzki, com 29 pontos, ganhou por 112 a 103 e agora lidera a série final da NBA por 3 a 2.

Falta apenas mais uma vitória para o Mavericks, mas os dois últimos jogos são em Miami. Dois últimos jogos, bem entendido, se Dallas não ganhar neste domingo, na quadra do adversário.

Dirk Nowitzki não quer saber de comemorações antecipadas. Ele bem se lembra que, há cinco anos,  o Mavericks liderava a série por 2 a 0 e acabou perdendo para Miami. Ele se lembra que no ano passado o Boston Celtics liderava por 3 a 2 mas perdeu o título para o Los Angeles Lakers.

Ao todo, Nowitzki tem 15 vitórias em jogos de playoffs, mas a que falta, a de número 16, é a mais importante. LeBron James tampouco tem um título de campeão na NBA. Ele saiu de Cleveland e foi para Miami depois da última temporada exatamente por achar que no Heat, com Dwayne Wade e Chris Bosh, poderia conseguir o título.

Mas está difícil. E agora, James?

Mundial de Triathlon – 14

Bristol (EUA) – Aos leitores que se interessaram pelo assunto, informo que de fato consegui a classificação para o Mundial de Triathlon, em Pequim, em setembro. em minha faixa etária. Minha mulher, Dawn Werneck, que n0 Brasil competia como Dawn Webb, já estava classificada e também vai.

Nossa filha mais velha, Rebecca Stephenson, que no Brasil competia como Rebecca Werneck, vai tentar a classificação para os Jogos Olímpicos de Londres. Nossa filha mais nova, Sarah Brown, que  no Brasil fazia mais natação do que Triathlon, sob o nome de Sarah Werneck, está no momento se recuperando de um problema na coluna, por causa de um acidente de carro.

Aquele “cantor espanhol”.

Bristol (EUA) – Chamar Plácido Domingo de “aquele cantor espanhol” é mais ou menos como chamar Pelé de “aquele jogador brasileiro”. Pois foi o que Sepp Blatter, o presidente da FIFA, fez ao dizer que o convidou para integrar o “Conselho de Sábios” da entidade (chamado por ele, em outras ocasiões, de “Conselho de Soluções), juntamente com Henry Kissinger e Johan Cruyff.

Cruyff, muito vivo, até agora não disse se vai aceitar. Henry Kissinger declarou que “dependerá das atribuições do Conselho e de quem vai integrá-lo”. Em outras palavras, não concordará em dividir o palco com figurantes de menor importância.

Blatter deve ter convidado Kissinger porque ele é conselheiro da Coca-Cola e a Coca-Cola é uma das patrocinadoras da FIFA. Blatter não quer perder o patrocínio. Quanto ao “cantor espanhol”, não deve ser porque Blatter aprecie muito as óperas, caso contrário não ia esquecer seu nome assim com tanta facilidade.

Plácido Domingo diz que se sentiria feliz em ajudar, mas aguarda novos detalhes. Como, por exemplo, ter certeza de que o Presidente da FIFA sabe o seu nome.

Daqui a pouco o nome de Blatter será menos lembrado do que o de Plácido Domningo, porque ele está enfraquecido na FIFA e provavelmente não chegará ao fim de seu mandato.