Revolta dos clubes

Bristol (EUA) – Infelizmente, estou falando dos clubes europeus e não dos brasileiros. Os clubes europeus  parecem dispostos a enfrentar a FIFA e seus cartolas, exigindo reformas verdadeiras na entidade e não a habitual conversa fiada com que Sepp Blatter promete uma “limpeza geral”.

A revolta é chefiada por alguém conhecido e respeitado: o antigo craque da Seleção da Alemanha, Karl-Heinz Rummenigge, no momento “chairman” da Associação Européia de Clubes e Executivo-Chefe do Bayern de Munique.

Aos 55  anos, Rummenigge diz: “Não admitimos mais ser guiados por pessoas que não são nem sérias nem honestas”.

Entre os clubes liderados por Rummenigge, além do próprio Bayern de Munique, estão potências como o Manchester United, o Arsenal e o Liverpool.

Rummenigge lista ainda “praticamente todos os clubes europeus e não apenas os mais conhecidos”. Diz também:

- Sepp Blatter declarou que está limpando a casa, mas perdeu toda a credibilidade. Quando você perde confiança em um líder, ele deixa de liderar.

Mundial de Triathlon – 15

Bristol (EUA) – Já estou inscrito na Federação de Triathlon do Rio de Janeiro, para poder representar o Brasil no Mundial de Triathlon, dia 10 de Setembro, em Pequim. Minha mulher já entrou em contato com a Federação Anericana para também poder representar o Brasil, já que é naturalizada brasileira.

Nossa filha mais velha, Rebecca Charlotte, vai ao Brasil em novembro disputar uma classificatória para os Jogos Olímpicos em 2012. Em 1989, ela foi a latino-americana mais bem classificada no primeiro Mundial de Triathlon, em Avignon, França, e ganhou diversas provas no Brasil, mas ultimamente passou um tempo no estaleiro, com contusões.

Quem está saindo do estaleiro é nossa filha mais nova, Sarah Jane, vítima de um acidente de carro há cinco anos que lhe causou problemas na coluna. Ela se dedicava mais à natação e depois de se mudar para os Estados Unidos representou o Flamengo em um Mundial de Masters de Natação, em Oakland, na Califórnia.

Hoje entrei em um Sprint Triathlon em New London, Connecticut, só para treinar a parte de natação, de meia milha. Meu objetivo se explica pelo fato de que o percurso era no sentido dos ponteiros do relógio, o que cria dificuldades para mim, que respiro para a esquerda no nado livrel. Minha mulher entrou oficialmente e ganhou sua faixa etária, de 65 anos para cima. As distâncias da natação e da corrida estavam corretas, com 800 metros e cinco quilômetrtos, respectivamente, mas a da bicicleta era mais longa, com 16 milhas, o que vem a dar quase 26 quilômetros.

Seu tempo foi de 1:44:31, com 23:51 na natação, 50:01 na bicicleta, e 27:43 para a corrida. Cá entre nós, outro motivo que me levou a não competir oficialmente foi que precisamos acordar às quatro e meia da manhã, para a largada às sete horas, já que New London fica longe de nossa casa. Meu corpo não gosta de entrar em ação tão cedo assim.

Dia 11 de agosto já estou inscrito em um Sprint Triathlon em Lake Teramuggus. Será na parte da tarde e vai ser também minha última competição antes do Mundial.

Por obra da natureza

Foto: Djalma Vassão/Gazeta PressBristol (EUA) – Está nos jornais que o Real Madrid quer que Neymar atinja os 70 quilos antes de levá-lo para a Europa. Deixo de lado no momento a questão da ida ou não de Neymar para um clube europeu – e que clube europeu. Espero porém que, se Neymar chegar aos 70 quilos, seja por obra pura e simples da natureza.

Em outras palavras, nada de tratamentos especiais. Quando Ronaldo foi para o PSV Eindhoven, era tão franzino que tinha o apelido de Ronaldinho. Lá, submetido a um tratamento que até hoje ninguém sabe como foi, cresceu e, mais do que crescer, ganhou corpo. Ganhou corpo de repente. A nova massa muscular colocou tanto sobrecarga em seus ligamentos e tendões que ali começaram seus problemas de joelho. Submeteu-se a duas cirurgias, disputou a Copa de 2002 no que foi considerado um milagre, mas na Copa de 2006 já tinha virado Ronaldão. Guardo até hoje na memória a cena em que ele, tentando dar uma pedalada na área francesa, caiu sózinho.

Se Neymar ganhar peso, torço para que seja porque a natureza assim quis.

Uma webcam para a FIFA

Bristol (EUA) – Nexta sexta-feira, 22 de julho, e sábado, 23 de julho, a FIFA estará decidindo o futuro de Mohamed Bin Hammam, o representante de Qatar, suspenso provisoriamente sob a suspeita de ter procurado subornar delegados de países do Caribe para se eleger presidente da entidade.

O presidente da FIFA, Sepp Blatter, estará na Argentina, longe dos acontecimentos na Suíça.

Mas Blatter e a FIFA estarão tão sob o foco das atenções mundiais quanto Bin Hammam. Na verdade, o  que está sob julgamento pela opinião pública mundial é toda a mentalidade de cumplicidade e negócios escusos desta organização que ao longo dos anos se transformou em uma espécie de  clube fechado, sempre dominado pelas mesmas pessoas.

A cultura da FIFA é a cultura da corrupção, dos conchavos, de pessoas físicas aproveitando-se de despesas ilimitadas de pessoas jurídicas, de passagens de primeira classe que são pagas pelas entidades nacionais mas são depois pagas outra vez em Zurique pelo organismo internacional, de salários de 300 mil dólares anuais, de “diárias” de 500 dólares para os delegados, além de outros 250 para suas esposas ou “acompanhantes”.

Outro dia informou-se que um político na Índia decidiu instalar uma “webcam”, aquelas câmeras da internet, em seu gabinete, para que todos os seus eleitores pudessem acompanhar o que se passa lá dentro. A FIFA deveria fazer o mesmo, porque ninguém mais acredita na honestidade de seus integrantes.

As coisas ficariam um pouco mais transparentes, se bem que tanto o político indiano quanto os homens da FIFA achariam sempre um jeito de driblar a vigilância.

Bem que eu avisei

Bristol (EUA) – Achei pitoresca a indignação no Brasil quando a CNN definiu o Corinthians como um “clube pequeno”. Comparado às equipes da Premiership, o Corinthians seria apenas o 11 (décimo-primeiro)  em poder de arrecadação.

Os cinco clubes grandes da Liga Inglesa são o Manchester City, o Chelsea, o Manchester United, o Liverpool e o Arsenal. Um clube que ocupe a décima-primeira posição em poder de arrecadação tem que ser necessariamente considerado um clube pequeno. Não há ofensa, é apenas uma constatação da diferença financeira entre o futebol na Inglaterra e o futebol no Brasil.

Bem  que eu avisei em um vídeo que mandei para a ESPN Brasil, no dia 14 de julho, que o Corinthians não teria como fechar o negócio. Não teve mesmo.

Brasil passa por vergonha histórica

Bristol (EUA) – Há muitos anos circula no Brasil a frase “pênalti é loteria” e há muitos anos eu venho discordando com toda a ênfase de que disponho. Pênalti não é loteria. Pênalti é competência. Pênalti reflete técnica e também personalidade. Quem não confia em seu próprio taco vai tremer na hora, chutar por cima ou para fora.

Foi o que fez o Brasil agora na Copa América contra o Paraguai. Quatro cobradores, quatro cobranças ridículas, com a agravante de que, depois de mandar a bola por cima ou pelo lado, ou onde estava o goleiro, todos os nossos cobradores olhavam para o gramado, como se estivesse nele a explicação de sua falha.

Nunca vi um time perder quatro pênaltis seguidos. É uma marca negativa histórica que nunca será esquecida. Profissionais remunerados com altíssimos salários, mas com ainda mais alta incompetência.

O queixo de Ademir

Bristol (EUA) – Lionel Messi não foi o primeiro e certmente não será o último jogador franzino a passar por um programa de crescimento, à base de hormônios. No Brasil é bem conhecido o caso de Zico, mais jovem do que seus irmãos Edu e Antunes, também jogadores de futebol, e mais alto do que os dois. O Flamengo convenceu-se logo de que, como os irmãos, Zico não ia crescer muito e entregou-o aos cuidados da Academia Francalacci, de propriedade de seu preparador físico na ocasião.

Mas agora meu leitor Alexandre Médicis me conta um caso  curioso e que envolve Ademir Menezes, titular absoluto do Vasco, do Fluminense e da Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1950.

Ademir tinha o apelido de Queixada e a família de Alexandre Médicis, originária de Pernambuco, onde ele jogava no Esporte Clube Recife, desempenhou papel fundamental na história. Os dirigentes queriam promovê-lo do time infantil para as divisões superiores, mas o físico de Ademir – baixo e franzino – não ajudava. Foi então que o presidente do clube, o médico José de Andrade Médicis, tio de Alexandre, juntou-se a outro médico, o professor Nélson Chaves, e programou um tratamento à base de hormônio de crescimento.

Ademir não apenas ganhou altura e peso, mas também mãos e pés grandes, além do queixo protuberante que lhe valeu o apelido. Virou um caso típico de acromegalia. O tratamento foi autorizado pelo pai de Ademir, José Menezes, conhecido como Muriçoca, que era também seu empresário.

Um último detalhe interessante que me revelou Alexandre Médicis, há muitos anos residente no Rio de Janeiro, é que Ademir – quem sabe, talvez influenciado pelo contato com os médicos – fez vestibular para a Faculdade de Medicina e foi aprovado, mas abandonou os estudos no primeiro ano. Seu colega de estudos, Alexandre Médicis da Silveira, era primo de Alexandre Médicis.

Os terços de Qatar

Hedge End (Inglaterra) – A Fifa diz que não, mas já tem gente apostando que a Copa do Mundo de 2022, no Qatar, vai ser disputada em terços de 30 minutos, em vez de metades de 45.

Afinal, a Arup Associates, firma encarregada de refrigerar os estadios no verão de Qatar, já disse que não conseguirá manter a temperatura neles abaixo de 32 centigrados, limite que os médicos consideram o máximo suportável pelos jogadores para dois tempos de 45 minutos.

A solução, aventada pela própria Arup Associates, seria dividir as partidas em três partes de meia-hora, alcançando os 90 minutos exigidos pelas Leis do Jogo, desde os tempos vitorianos, há 150 anos.

Há ainda um incentivo financeiro: com as partidas dividas em terços de meia-hora, vai haver mais tempo para mensagens comerciais. E a Fifa adora mensagens comerciais.