O esporte que mata

Bristol (EUA) – Mais uma morte no Futebol Americano. Desta vez foi no futebol universitário. Derek Sheeley, de 22 anos, morreu em consequência de um trauma craniano. A razão? Um choque durante um treino, pela equipe da Universidade Estadual Frostburg, em Maryland,  uma semana antes. Embora estivesse usando capacete, Derek perdeu os sentidos, foi levado ao hospital e operado. Nada porém conseguiu salvá-lo.

Pior  do que uma morte como esta, de um universitário, é saber que todos os outonos nos Estados Unidos (época em que começam os treinos de Futebol Americano) entre dois e cinco alunos de curso secundário também morrem em resultado de concussões cerebrais por causa do esporte.

Os médicos dizem que os golpes na cabeça são mais perigosos para crianças e adolescentes do que para adultos. Por que pais e mães ainda encorajam seus filhos a jogarem Futebol Americano, eis o mistério.

Largada em falso

Bristol (EUA) – Peço perdão aos leitores pelo sumiço, mas acabo de sair de um furacão, o  furacão Irene. O pior é que já estão anunciando outro, que será meu xará, com o nome José. O mais curioso é que até aqui, que eu saiba, todos os furacões tinham nomes femininos.

Quem também deve estar pedindo perdão a seus admiradores é o velocista jamaicano Usain Bolt. Numa temporada em que as coisas já não vinham  muito bem para ele, pois sua melhor marca do ano, com 9:88 para os cem metros, é 0.3 segundos mais lenta do que seu recorde mundial (e apenas, creio, a sexta ou sétima melhor de todas as épocas), Bolt cometeu o erro capital de queimar uma largada.

Mas acho que a nova regra da IAAF, em vigor desde o ano passado, é rigorosa demais. Agora, a primeira largada antecipada, de quem quer seja, resulta na desclassificação imediata do culpado. Não há mais colher de chá para ninguém, nem aquela camaradagem de permitir primeiro uma largada em falso para o campo coletivo e depois punir quem queimasse uma outra vez.

Bolt sempre foi um pouco lento na largada, recuperando-se depois brilhantemente. Agora, talvez procupado com seus tempos relativamentes ruins, quis adivinhar e se deu mal.

O soccer cresce – 2

Foto: AFP

Bristol (EUA) – Uma revolução parece estar ocorrendo no gosto americano por certos esportes e um exemplo é uma reportagem nesta segunda-feira, 22 de agosto, sobre o que se passa em duas cidades próximas no Estado de New Jersey: Newark, que preferiu o beisebol, e Harrison, que preferiu o futebol, que os amercianos chamam de soccer.

O estádio de beisebol, o Bears and Eagles Riverfront Stadium, onde jogam equipes da chamada Liga Americana-Canadense, anda às moscas, com média de  público de 916 pessoas, enquanto o de futebol, bem próximo, o Red Bull Arena, vem com uma média de público de 18.796 torcedores, sem contar a lotação esgotada no All-Star Game e em alguns jogos amistos0s com equipes estrangeiras.

Harrison na verdade é um subúrbio de New Jersey, com uma grande população de portugueses e brasileiros. Isto explica em parte o maior interesse por futebol na área, mas é também inegável que, entre a garotada nos Estados Unidos, vem havendo muito mais entusiasmo por soccer do que por beisebol. Mesmo entre a população negra, que tradicionalmente tinha grande interesse por beisebol, houve um declínio de 26% na popularidade do esporte entre os anos de 2000 e 2009.

Mundial de Triathlon – 21

Bristol (EUA) – Minha mulher, Dawn Webb Werneck, passou no teste que fez no Campeonato Americano em Burlington, Vermont, depois de ficar cinco dias em tratamento e total inatividade por causa de um súbito problema de joelho. Ela fez a prova na distância olímpica (1,500-40K- 10K) sem forçar, ciente de que o mais importante era  não correr o risco de ficar fora do Campeonato Mundial, em Pequim, em setembro.

Mesmo assim ela foi a nona entre 16 competidoras em  sua faixa etária de 65 anos a 69 anos, com o tempo de 3:12:43.

Quem teve um excelente resultado foi Carlos Roberto Dolabella, terceiro colocado geral na distância sprint (750-20K-5K), com 1:07:42, e primeiro em sua faixa etária de 50 a 54 anos.

Neste domingo, Rebecca Werneck Stephenson foi a primeira colocada no Triathlon de Bridgeport, Connecticut, na distância olímpica, com o tempo de 2:14:49, mas a prova estava um pouco longa na parte da corrida, pois, segundo seu diretor, tinha “no mínimo 6,3 milhas”. Este é um problema comum nos Estados Unidos, onde continuam insistindo em marcar distâncias em milhas. Ora, é praticamente impossível converter exatamente dez quilômettos em milhas, pois a distância ficaria entre 6,2 e 6,3 milhas.

Rebecca vai agora disputar o Hy-Vee  Championships em Des Moines, Iowa, em 3 de setembro, e o Best of the USA National Triathlon Championships em Alabama, dia 10 de setembro, para o qual se classificam apenas três homens e três mulheres de cada Estado Americano. É quase certo também que em novembro ela irá ao Brasil disputar a classificação para a Olimpíada de 2012.

Mundial de Triathlon – 20

Burlington – Estou no Estado de Vermont, onde minha mulher, Dawn Webb Werneck, disputa neste sábado o Campeoanto Ameriano, na distância olímpica: 1500 metros de natação, 40 quilômetros de ciclismo, 10 quilômetros de corrida.

Hoje, sexta-feira, nos encontramos por acaso com Carlos Roberto Dolabella, que também estará na prova de amanhã e também vai disputar o Mundial de Triathlon, em Pequim. Ficamos sabendo que, por coincidência, estaremos no mesmo vôo, dia 5 de setembro.

Minha mulher teve esta semana um problema de última hora: um dor misteriosa no joelho direito, que os médicos não sabem ainda explicar. Está em tratamento e já a aconselhei a parar no meio da prova, se necessário. O mais importante é estar em boa forma para Pequim.

Esta será a última prova que ela disputa antes da viagem. Quanto a mim, fiz minha última prova na semana passada, em Lake Terramuggus, Connecticut.

As condições de tempo aqui em Burlington, no Lago Champlain, são ótimas. A temperatura do ar deverá chegar no máximo a 28 centígrados, mais para o fim da prova, e a temperatura da água está em 24 centígrados.

Mundial de Triathlon – 19

Bristol (EUA) – Acho que os técnicos brasileiros de  triathlons e os organizadores de eventos deveriam estar acompanhando o que  vem saindo no New York Times a respeito da morte de dois competidores (uma homem de 64 anos e uma mulher de 40) por ataque cardíaco no New York City Triathlon de domingo da semana passada.

Como  já expliquei em “posts” anteriores, entre 2006 e 2008 morreram 14 pessoas em triathlons nos Estados Unidos e 13 delas foram na etapa de natação,

É preciso antes de mais nada ressaltar que o triathlon vem crescendo de modo espantoso nos Estados Unidos. Em 2010 havia 140 mil atletas federados, sem contar os que se federam por um dia apenas (c0mo eu fiz em Cape Cod) para participar de uma competição. Em 2010 houve 326.732 atletas que se federaram só para um evento especifico. Os números de 2011 serão ainda mais altos, para as duas categorias, mas  estamos no mês de agosto e não há estatísticas no momento.

Em 2010 já hav ia  869 clubes de triathlon nos Estados Unidos e 1.800 técnicos oficialmente certificados pela Federação de Triathlon.

Mas por que as pessoas tem ataques cardíacos na etapa de natação, como aconteceu nesta etapa de 1500 metros no rio Hudson no triathlon em distâncias olímpicas em Nova York? (O ciclismo tinha 40 quilômetros e a corrida 10 quilômetros.)

Porque na natação há um ansiedade muito grande na largada. Os triatletas que não têm  experiência se assustam com aquele chocar de corpos, com gente dando chute, cotoveladas e passando por cima deles, bebem água e entram em pânico. Os diretores do New York City Triathlon disseram que estavam separando os triatletas em grupos de 20, com alguns segundos de intervalo, o que acho difícil de acreditar,  porque precisariam tê-los divididos em 150 grupos, já que eram três mil inscritos.

Para ficarmos em um aspecto mais prático, um dos técnicos entrevistados, Neil Cook, disse que toma precauções especiais no preparo de seus triatletas, já que muitos estão acostumados a treinar natação em piscina, onde não há gente se chocando, não há ondas, marolas, correntezas nem marés. Cook leva seus discípulos para treinar em piscina olímpica, em grupos de cerca de 20 pessoas, sem raias, dizendo que devem nadar em círculos, para se acostumarem com a confusão no dia da prova.

Leva-os também para treinar no mar, em condições ainda mais reais.

Isto me lembra que, quando começamos a realizar provas de triathlon no Brasil, no Rio de Janeiro, no início da década de 80, sempre levávamos os interessados para treinos no mar – algumas vezes no Recreio dos Bandeirantes, na maioria das vezes em Guaratiba.

O fato é que em triathlons há um risco  de 1,5 mortes súbitas para cada cem mil participanrtes,  enquanto a Maratona, com 42.195 metros, tem um risco de morte súbita de apenas 0,8 por cem mil participantes.

Segundo as normas da USA Triathlon Federation, os organizadores podem colocar um máximo de 150 triatletas em cada grupo de largada na natação e dar um intervalo de três minutos entre os grupos. Cá entre nós, é demais ter 150 pessoas em cada grupo .

Mundial de Triathlon – 18

Bristol (EUA) – Disputei meu último triathlon nos Estados Unidos antes de embarquer para Pequim. Foi em um triathlon “sprint”, em Lake Terramuggus, com o tempo total de 1:37:17 e uma péssima (mais uma vez), transição  da natação para o ciclismo. Se há alguma coisa em que preciso melhorar, é esta primeira transição. Como já acontecera em junho, em Cape Cod, levei mais de dois minutos, o que, francamente, é muito ruim.

Achei a distância da natação um pouco curta, embora não tenha uma informação oficial. Mas gostei de meu desempenho no ciclismo e na corrida, com percurso cheio de curvas e ladeiras. Mais importante ainda é que nada senti no joelho esquerdo. E a hérnia que andou me atrapalhando no começo do ano, parece ter sumido. Ao menos por enquanto.

Minha mulher, Dawn Webb Werneck, vai disputar um Triathlon Olímpico no próximo sábado, em Burlington, Vermont. Será também sua última prova nos Estados Unidos, antes da viagem, dia cinco de setembro.

Segundo Carlos Fróes, presidente da Confederação Brasileira de Triathlon, nossos nomes já estão no Start List do Campeonato Mundial.

O “soccer” cresce

Foto: AFP

Klinsmann é o novo técnico da seleção norte-americana

Bristol (EUA) – O interesse do público americano por “soccer”, como o futebol é aqui conhecido, continua crescendo. Agora foi anunciado que os jogos da Major League Soccer e também  da Seleção Americana serão transmitidos pela rede NBC, tanto em canal pago quanto em emissora aberta. Só em relação ao canal (NBC Sports Network, antigo Versus) teremos  um alcance  de 80 milhões de lares.

A NBC, em transmissão aberta, mostrará também o “Game of the Week”. O jogo da semana.

É um contrato de três anos, que entrará em vigor a partir de 2 de janeiro. O futebol continuará também a ser transmitido pela ESPN e pela rede ABC, emissora aberta.

O futebol é o esporte que mais cresce nos Estados Unidos. Ainda nesta quarta-feira a ESPN transmitiu o amistoso entre Estados Unidos e México que terminou com o empate de 1 a 1 e marcou a estréia de Jurgen Klinsmann como novo técnico dos americanos. Klinsmann terá a missão de classificar os Estados Unidos para a Copa do Mundo no Brasil em 2014.

Em relação a Klinsmann, uma curiosidade: ele aboliu o trema de seu nome, colocado sobre a letra “u”, para facilitar a vida dos americanos. Ele agora é oficialmente Jurgen.

Mundial de Triathlon – 17

Bristol (EUA) – Infelizmente, a mulher que sofreu um ataque cardíaco durante o Triathlon de Nova York no domingo, na etapa de natação, e que foi retirada viva da água, morreu no hospital, às quatro e meia da  tarde de segunda-feira.

Os dirigentes do evento, com três mil pessoas, estão agora procurando achar soluções para a crescente ameaça de ataques de coração que vem sendo notada na parte de natação, como já analisei no tópico Mundial de Triathlon – 16. Uma coisa eu posso garantir, pois minha filha Rebecca Werneck Stephenson participou da prova: não é verdade que os organizadores tivessem limitado a 20 o número de competidores que podiam entrar simultâneamente na água.

Isto só valeu para a galera – isto é, para os que competiam em faixas etárias. Nas largadas para os profissionais e os atletas de elite, homens e mulheres, a largada foi em massa mesmo.

Mundial de Triathlon – 16

Bristol (EUA ) – Mais uma pessoa morreu no Triathlon de Nova York, neste domingo. Como aconteceu em 2008 com o argentino Esteban Neira, foi na parte de natação.

A grande maioria das mortes no triathlon ocorre na natação. Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association mostrou que, entre 2006 e 2008, 14 pessoas morreram disputando triathlons nos Estados Unidos e 13 dessas mortes ocorreram na parte de natação. Nove dessas 13 pessoas foram autopsiadas e  sete delas apresentavam anormalidades cardiovasculares.

É obvio que uma pessoa com  problemas cardiovasculares não deve disputar provas de resistência como o triathlon. Mas por que a natação é a parte mais perigosa deste evento que compreende ainda ciclismo e corrida?

Em primeiro lugar, há sempre uma grande ansiedade na largada da natação, com pernas e braços se debatendo, corpos se chocando dentro d’água. É fácil entrar em pânico e perder o fôlego.

Em segundo lugar, é bem mais difícil identificar quem está passando mal dentro d’água. Na morte agora em Nova York quem morreu foi um homem de 64 anos, achado inconsciente no rio Hudson, depois de cumprir cerca  de metade do percurso de 1500 metros.

Os triathlons vêm procurando dividir as largadas em grupos menores, como em Nova York, onde (pelo menos segundo as regras) apenas 20 pessoas de cada vez podem iniciar a natação. O fato é  que além de Michael Kudryk, que morreu, uma mulher teve um ataque cardíaco dentro d’água, foi socorrida e sobreviveu.

Minha filha, Rebecca Werneck Stephenson, foi a décima colocada entre as competidoras de elite e classificou-se para o Hy-Vee 5150 U.S. Elite Championship Triathlon, em Des Moines, Iowa. Eu, que me preparo para disputar o Mundial de Triathlon em Pequim, em setembro, participarei de um triathlon nesta quinta-feira, aqui em Connecticut,  e minha mulher, Dawn Webb Werneck, que também irá ao Mundial em Pequim, competirá na semana que vem, no Estado de Vermont.

Na natação, o segredo é manter a calma.