Bristol (EUA) – Acho que os técnicos brasileiros de triathlons e os organizadores de eventos deveriam estar acompanhando o que vem saindo no New York Times a respeito da morte de dois competidores (uma homem de 64 anos e uma mulher de 40) por ataque cardíaco no New York City Triathlon de domingo da semana passada.
Como já expliquei em “posts” anteriores, entre 2006 e 2008 morreram 14 pessoas em triathlons nos Estados Unidos e 13 delas foram na etapa de natação,
É preciso antes de mais nada ressaltar que o triathlon vem crescendo de modo espantoso nos Estados Unidos. Em 2010 havia 140 mil atletas federados, sem contar os que se federam por um dia apenas (c0mo eu fiz em Cape Cod) para participar de uma competição. Em 2010 houve 326.732 atletas que se federaram só para um evento especifico. Os números de 2011 serão ainda mais altos, para as duas categorias, mas estamos no mês de agosto e não há estatísticas no momento.
Em 2010 já hav ia 869 clubes de triathlon nos Estados Unidos e 1.800 técnicos oficialmente certificados pela Federação de Triathlon.
Mas por que as pessoas tem ataques cardíacos na etapa de natação, como aconteceu nesta etapa de 1500 metros no rio Hudson no triathlon em distâncias olímpicas em Nova York? (O ciclismo tinha 40 quilômetros e a corrida 10 quilômetros.)
Porque na natação há um ansiedade muito grande na largada. Os triatletas que não têm experiência se assustam com aquele chocar de corpos, com gente dando chute, cotoveladas e passando por cima deles, bebem água e entram em pânico. Os diretores do New York City Triathlon disseram que estavam separando os triatletas em grupos de 20, com alguns segundos de intervalo, o que acho difícil de acreditar, porque precisariam tê-los divididos em 150 grupos, já que eram três mil inscritos.
Para ficarmos em um aspecto mais prático, um dos técnicos entrevistados, Neil Cook, disse que toma precauções especiais no preparo de seus triatletas, já que muitos estão acostumados a treinar natação em piscina, onde não há gente se chocando, não há ondas, marolas, correntezas nem marés. Cook leva seus discípulos para treinar em piscina olímpica, em grupos de cerca de 20 pessoas, sem raias, dizendo que devem nadar em círculos, para se acostumarem com a confusão no dia da prova.
Leva-os também para treinar no mar, em condições ainda mais reais.
Isto me lembra que, quando começamos a realizar provas de triathlon no Brasil, no Rio de Janeiro, no início da década de 80, sempre levávamos os interessados para treinos no mar – algumas vezes no Recreio dos Bandeirantes, na maioria das vezes em Guaratiba.
O fato é que em triathlons há um risco de 1,5 mortes súbitas para cada cem mil participanrtes, enquanto a Maratona, com 42.195 metros, tem um risco de morte súbita de apenas 0,8 por cem mil participantes.
Segundo as normas da USA Triathlon Federation, os organizadores podem colocar um máximo de 150 triatletas em cada grupo de largada na natação e dar um intervalo de três minutos entre os grupos. Cá entre nós, é demais ter 150 pessoas em cada grupo .