Parada dura

Bristol (EUA) – Continua indefinida a situação da greve de patrões na NBA. Jogadores e donos de times conversaram durante cinco horas nexta sexta-feira em Manhatttan, mas, como já se tornou rotina desde o dia 1 de julho, quando foi iniciado o “lock-out”, nada foi resolvido. A única boa notícia é que as partes concordaram em continuar a conversar e vão se reunir outra vez no sábado.

Mas se neste fim de semana as partes não chegarem a um acordo, David Stern, o chefão da NBA, já advertiu que as consequências serão “enormes”. Todos estão considerando isto uma ameaça de cancelar por completo a temporada 2011-2012. A temporada tem 82 jogos. Em 1988-1989 ela começou apenas em fevereiro (o início normal é 1 de novembro). Agora, David Stern vem dando a entender que, se os jogadores não cederem em suas reinvidicações, o melhor é cancelar logo a temporada inteira.

Alguns astros importantes estiverem nesta sexta-feira nas negociações, ao lado do presidente do Sindicato de Jogadores, Derek Fisher. Eles foram Dwayne Wade, LeBron James, Carmelo Anthony, Kevin Durant e Chris Paul. Dizem que  Kobe Bryant, que está em negociações para jogar ao menos um mês na Itália, no Virtus Bologna, enquanto a situação na NBA não se decide, vai comparecer neste sábado em Manhattan para as novas conversas entre patrões e jogadores.

Kobe, que passou parte de sua infância na Itália, onde seu pai jogava basquete, fala bem o italiano.

Tática antiga

Bristol (EUA) – Até aqui nos Estados Unidos chegou a not’icia de que a CBF está preparando uma vasta boca livre para ilustres senhores magistrados que gostam de jogar peladas de futebol e são muitas vezes autênticos craques frustrados.

Um torneio para os meritíssimos, com direito a passagens  e hospedagem, com acompanhantes e familiares.

Esta é uma antiga tática da CBF e vem de longe, pelo menos desde o tempo do senhor João Havelange – ex-sogro do senhor Ricardo Teixeira – aos tempos da CBD (Confederação Brasileira de Desportos) e também durante sua passagem pela FIFA. Na verdade, não se limitava a juízes, federais ou estaduais, abrangia outros ramos, inclusive o de jornalismo. Durante anos o jornalista Hélio Fernandes foi convidado  da CBD ou da FIFA para diversas Copas do Mundo. Com a ascensão do sr. Ricardo Teixeira, parece que caiu em desgraça na CBF. Tudo indica que não fez parte da herança deixada pelo senhor Havelange.

O encrenqueiro Tevez

Bristol (EUA) – Carlos Tevez está novamente brigado com o técnico Roberto Mancini, do Manchester City. Agora, por ter aparentemente se recusado a entrar em campo, lá pelos 15 minutos do segundo tempo, em Munique, quando o Manchester City já estava perdendo para o Bayern por 2 a 0.

Desta vez, parece que a paciência de Roberto Mancini – ele mesmo, um belo jogador no passado – chegou ao fim com o complicado argentino. Tevez foi o artilheiro do Manchester City na última temporadea (além de co-artilheiro da Premier League) e levantou a taça da vitória na conquista da Copa da Inglaterra, mas cansou-se de criar problemas. Não queria nem mesmo participar do desfile da vitória depois da conquista da Copa da Inglaterra e só o fez por ter sido ameaçado de pesada multa.

Tevez já deixou claro que destesta a cidade de Manchester e fez tudo para sair do clube. O problema é que ele parece influenciado demais por seu agente, o iraniano Kia Joorabchian, e suas constantes indisciplinas o tornaram uma “persona non-grata” em muitos outros clubes. Outra grande barreira está, claro, no imenso salário que Tevez ganha, de quase 400 mil dólares por semana.

Vocês já pensaram no que é ganhar 400 mil dólares por semana? Qualquer pessoa normal, com um salário de tal tamanho, estaria em paz com a vida. Mas Tevez é tão mal-humorado  que, há coisa de poucos meses, estava em casa mas mesmo assim  recusou-se a atender a um telefonema de Mancini, seu técnico. Que espécie de relacionamento profissional é este?

A próxima janela de transferência na Europa será em janeiro. Mancini diz que Tevez não jogará mais no Manchester City, enquanto ele for técnico.

Tevez diz que não se recusou a entrar em campo, apenas não “entendeu” o que o técnico  queria. Será  que um gesto para entrar em campo é assim tao difícil de entender?

Será  que o Corinthians ainda quer Tevez? E o Kia Joorabchian, quem quer o Kia Joorabchian?

O recorde de Makau

Bristol (EUA) – Quando um atleta correrá a Maratona em menos de duas horas e três minutos? A julgar pela atuação do queniano Patrick Makau neste fim de semana, em Berlim, muito em breve. Ele perdeu algum tempo antes de estabelecer a marca de 2:03:38, por dois motivos. O primeiro é que resolveu fazer três ziguezagues durante o percurso, para livrar-se do até então recordista mundial, o etíope  Haile Gbreselassie, que  vinha em seus calcanhares. (Ele realmente livrou-se de Gbreselassie, que abandonou a prova.) O segundo é que, aproximando-se da linha de chegada, desviou-se um pouco do caminho e precisou saltar por cima de uma placa de publicidade.

A melhor marca anterior de Makau havia sido em Rotterdam, no ano passado, com 2:04:48. Quer dizer, ele melhorou em mais de um minuto.

A prova viu uma dobradinha para Quênia, já que Florence Kipglat ganhou entre as mulheres, com 2:19:44. Uma marca bem atrás do atual recorde mundial (leiam abaixo, em “A idade de Paula”) da inglesa Paula Radcliffe, que chegou em terceiro lugar mas conseguiu confirmar sua classificação na Maratona Olímpica, do ano que vem, em Londres.

Florence Kipglat é casada com seu conterrâneo Moses Mosop, que no ano passado correu a Maratona de Boston em 2:03:06, perdendo para o igualmente queniano Geoffrey Mutai, que conseguiu 2:03:02. Mas nem o tempo de Mutai nem o de Mosop conta como recorde mundial, já que o percurso de Boston é em declive e é também  ponto a ponto, o que contraria as regras internacionais.

Quênia está em festa, com a queda do recorde mundial de um atleta da Etiópia, pois os dois paises são grandes rivais no mundo das maratonas.

Mundial de Triathlon – 30

Bristol (EUA) – Recebi de Raquel Rodrigues, fisioterapeuta da delegação brasileira que esteve no Mundial de Triathlon, em Pequim, um simpático e-mail com parabéns à minha mulher Dawn Werneck pela medalha de ouro e comiserações endereçadas a mim por ter sido desclassificado.

Na verdade, Raquel, tive verdadeiros pesadelos depois da prova, pois tinha estado na vésspera no local onde era iniciada a segunda volta no percurso de ciclismo e tudo o de que eu precisaria era perguntar: “onde começa a segunda volta no percurso de ciclismo”? Mas não me ocorreu perguntar e, no dia seguinte, acabei me enganando. Mea culpa, mea maxima culpa.

Eu estava preparado fisicamente, mas não logisticamente. Não me informei como deveria e o triathlon, ao contrário de corridas de rua,  é um evento complicado. Mas para uma coisa meu engano serviu. Eu estava pensando em parar de competir depois de Pequim. Agora, estou não apenas decidido a disputar o Mundial de Triathlon do ano que vem, em Auckland, na Nova Zelândia, como venho analisando minha atuação, procurando ver onde posso melhorar. Uma das coisas que já decidi é mudar minha tática na etapa de natação.

Além, é claro, de estudar cuidadosamente  o percurso de ciclismo.

A idade de Paula

Bristol (EUA) – A maior atração da Maratona de Berlim neste domingo não é um homem, mas uma mulher, Paula Radcliffe, que estará tentando se classificar para sua quinta Olimpíada seguida. Esta próxima, no ano que vem, em sua terra natal, na Inglaterra.

Para se classificar, Paula precisa de um tempo até modesto para sua categoria de três vezes campeã da maratona em Londres, duas em Nova York e uma em Chicago, além de ter os três melhores tempos femininos de todas as épocas na distância. Esta semana já houve grande controvérsia quando a Federação Internacional de Atletismo resolveu anular o recorde mundial de 2:15:25 de Paula em Londres, em 2003, passando a considerá-lo apenas uma “melhor marca mundial”. O “recorde mundial” tornou-se o tempo da mesma Paula com 2:17:42, também em Londres, em 2005. A diferença entre “melhor marca” e “recorde mundial”? A diferença é  que em 2003 Paula correu com “coelhos” e, em 2005, com “coelhas”. Em outras palavras, em 2003 Paula foi “puxada” por homens contratados para tanto e, em 2005, por mulheres.

O tempo que Paula precisa neste domingo em Berlim para disputar a Olimpíada de 2012 é de 2:31. Duas horas e 31 minutos. Teoricamente, não será difícil, mesmo porque a Maratona de Berlim é considerada a mais rápida do mundo e Paula terá grandes adversárias, como a cazaquistã, naturalizada alemã, Irina Mikitenko.

O problema é que Paula completará 38 anos no mês de dezembro. Estará velha para a prova? Creio que não. No passado já tivemos exemplos como o do português Carlos Lopes, ganhando maratonas aos 40 anos e, no presente, o etíope Haile Gbrsilassié, que afirma ter 38 anos mas dizem que é gato, com mais de 40.

Paula porém já teve tudo o que é possível e imaginável em matéria de problemas físicos: anemia, asma, contusões, distensões, joelhos, fascite plantar, canelas, etc. Tem dois filhos, uma menina e um menino, mas isto não atrapalha, a mulher fica até mais forte depois de dar à luz.  Paula porém tem também um problema mental: seu fracasso em todas as Olimpíadas anteriores. Agora ela quer se clsassificar para finalmente conseguir uma medalha olímpica em 2012, correndo diante de seu público.

FIFA volta atrás

Bristol (EUA) – Apanhada mais uma vez em flagrante de mau comportamento, a FIFA voltou atrás de sua decisão de nomear o camaronês Issa Hayatou para supervisionar o torneio de futebol durante a Olimpíada de 2012.

Por incríivel que pareça, embora o cidadão em questão esteja sob investigação da Comissão de Ética do Comitê Olímpico Internacional, a FIFA o havia nomeado. para ser “chairman” do torneio olímpico. É muita desfaçatez.

A notícia provocou tantos protestos que a FIFA bateu em retirada em menos de 24 horas, explicando que a divulgação da nomeação de Hayatou havia sido “um erro técnico”.

Ah, está explicado. A nomeação de Hayatou para o “FIFA Goal Bureau” também foi cancelada. O dirigente africano, um cartola encastelado no Comitê Executivo da FIFA e na presidência da Confederação Africana de Futebol há duas décadas, está sendo investigado por aparentemente ter aceito suborno da ISL, uma empresa de marketing da FIFA, hoje extinta, e com a qual também estiveram envolvidos os brasileiros Ricardo Teixeira e João Havelange.

Maratona adiada

Foto: AFPBristol (EUA) – A Rio Maratona, que seria disputada no próximo dia 2 de outubro, domingo, foi adiada para janeiro de 2012, por causa do Rock in Rio.

A prova vai ser realizada pela Yescom e, pelo que eu sei, é fruto de uma ótima idéia de Rodolfo Eichler, medidor da AIMS, de fazer no Rio uma maratona nos moldes do que será a Maratona Olimpica em Londres, no ano que vem: um percurso com três voltas, para permitir melhor acompanhamento pelo público.

Não tenho muitas informações sobre o percurso que Rodolfo tem em mente, mas pelo que eu sei o Aterro do Flamengo compõe o seu “miolo”.

Lamento o adiamento. Será que uma cidade como o Rio, que vai sediar a Olimpíada de 2016 e será também o principal palco da Copa do Mundo de 2014 não pode comportar ao mesmo tempo o Rock in Rio e uma maratona?

Não existe ainda um dia confirmado para a Rio Maratona em 2012, mas uma coisa é certa: em janeiro o calor carioca é demais. Como já cantava Gilberto Gil, o Rio de janeiro, fevereiro e março é muito bom para coisas outras que não uma Maratona.

Mundial de Triathlon – 29

Bristol (EUA) – A pessoa que eu menos esperava ver no Mundial de Triathlon em Pequim era um agente escocês chamado Ian Ladbrooke, procurado por atletas no mundo inteiro porque lhes deve grandes quantias. Entretanto, lá estava ele. Consta que era “coordenador de atletas de elite da prova”, organizada pela ITU (União Internacional de Triathlon).

Aos interessados em saber mais sobre as falcatruas de Ian Ladbrkooke, recomendo acessar o site http://www.globerunner.org/index.php/09/road-rage/.

Ladbrooke já está em apuros com diversos atletas,  com a IAAF (Federação Internacional de Atletismo) e com a AIMS (Associação de Maratonas Internacionais.) Pode ser que em breve comecem  a dizer que também deve dinheiro a triatletas. Seria interessante que a ITU o afastasse até que suas atividades sejam esclarecidas e suas dívidas  pagas.

Há muita gente esperta procurando se aproveitar de atletas, quer no futebol, quer no atletismo, tanto no de pista quanto no de corridas de rua. A IAAF não prestava muita atenção ao que se passava em maratonas e outras corridas de rua, mas agora está mais vigilante, porque as principais atrações  do atletismo passaram a ser as maratonas e demais corridas de rua. O triathlon também é imensamente popular no mundo, embora no Brasil seu crescimento tenha ficado um pouco aquém do esperado.

Ainda sobre o Mundial de Triathlon, recebi simpática mensagem de Carla Moreno e San Palma, publicada como comentário em “Mundial de Triathlon – 27″, abaixo. Agradeço e confirmo que estarei em Auckland, Nova Zelândia, no ano que vem.

Quanto a Pequim, quero dizer que, depois da prova, ouvi de um australiano uma frase que me ficou na memória: “Failure to prepare is preparation for failure”. “A falha em se preparar é uma preparação para a falha”. Foi exatamente o que se passou comigo. Eu estava preparado fisicamente mas não logisticamente, pois não estudei o percurso. Mesmo assim, como disse Rodolfo Eichler, medidor da AIMS e assessor da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) os organizadores deveriam ter posto no percurso de ciclismo uma simples placa, dizendo “2n lap, left”, “1st lap, right”.

Depois de consultar os resultados da prova, concluí que teria sido o quinto em minha faixa etária, de 70 a 74 anos. Mas no ano que vem, em Auckland, estarei estreando na faixa etária de 75 a 79 anos, o que, em vez de me deixar como o mais velho da turma, me deixará como o mais moço (se é que a palavra “moço” cabe no caso.)

Conduta de marginal

Foto: AFP

Foto: AFP

Bristol (EUA) –  A decisão do Árbitro-Geral do US Open , Brian Early, de aplicar uma multa de dois mil dólares a Serena Williams por seu comportamento cafageste na final do torneio, ganho pela australiana Samantha Stosur, merece ser recebida com gargalhadas e escárnio.

Em 2009 Serena Williams foi multada em 87.500 dólares e colocada em suspensão condicional por dois anos por ter tido atitude semelhante contra uma juíza de linha, ameaçando a pequenina senhora de enfiar-lhe a bola “goela abaixo”. Agora que ela estava completando o período de suspensão condicional, Serena adota uma postura igualmente agressiva, desta vez contra a juíza de cadeira, Eva Asderaki, dizendo-lhe “se você me encontrar no saguão, atravesse para o outro lado”.

O que é isto, senão nova ameaça física, agravada pelo fato de que Serena declarou ainda que “estamos na América”? Quer dizer que por estar em seu país Serena se considera merecedora de tratamento especial, acha que pode se espalhar, exibir sua truculência de forma impune?

A alegação de Serena Williams, depois da partida, de que a juíza errou “porque eu estava apenas expressando minha emoção” ao gritar “come on” depois de bater na bola, mandando-a para o lado da quadra de Samantha Stosur, é tão ridícula  quanto a multa agora aplicada por Early (multa que, para uma milionária como Serena Williams equivale a alguns trocados para um cidadão comum). A regra é clara: se você grita durante o ponto mas a adversária consegue ao menos chegar na bola, você comete uma infração, pois  o grito  atrapalha. A penalidade de perda do ponto só não ocorrre se a jogada foi tão boa que a adversária nem ao menos teve condição de chegar na bola.

Pode ser que a WTA, responsável pelo circuito feminino, vendo quão ridícula e tíbia foi a decisão do Árbitro-Geral do torneio, resolva tomar uma atitude mais firme contra Serena Williams. O que o senhor Brian Early fez foi desprestigiar os juízes de seu próprio torneio e dar a Serena Williams um salvo-conduto para continuar com sua conduta de marginal.