O Blefe da FIFA

Bristol (EUA) – Tenho lido nos jornais brasileiros notícias sobre divergências entre o governo federal e a FIFA para a Copa de 2014. Há algumas sobre as quais prefiro calar agora, inclusive a que diz respeito à meia entrada para estudantes. Este último é um campo que, historicamente, tem permitido todo tipo de fraudes. Aparecem os mais improváveis “alunos” dos mais improváveis “cursos”.

Mas há dois pontos em que o governo deve se manter absolutamente firme: o ingresso a preço reduzido para idosos e a proibição da venda de bebidas alcoólicas nos estádios.

Ambos são itens consolidados na legislação brasileira e, na verdade, mundial. Qual é o país do mundo em que idoso não tem direito à proteção do Estado? A Somália, talvez, mas lá tampouco há governo e a expectativa média de vida é tão baixa que poucos chegam a ser idosos.

Quanto à proibição da venda de bebidas alcoólicas nos estádios, é assunto de segurança pública, de saúde pública, de prevenção contra a desordem e a embriaguez ao volante.

Se a FIFA é patrocinada por uma marca de cerveja, muito bem, faça nos estádios a propaganda que bem entender.

Só não venda o produto. A mesma FIFA que faz campanha contra os “hooligans” quer lhes dar  a oportunidade de se embriagar nos campos e provocar conflitos?

Quando a FIFA ameaça tirar a Copa do Brasil por causa de meia entrada para idosos e venda de bebidas alcoólicas, está blefando.

O governo deve pagar para ver.

Indignai-vos

Bristol (EUA) – No momento em que escrevo, noticia-se que sai um ministro do PCdoB e entra outro ministro do PCdoB para tratar do esporte. Não vou discutir partidos em particular, mas o que acontece no Brasil hoje é uma divisão do poder por um grupo de partidos  que se juntam, se aliam e trocam favores para auferir proveito.

Entre os poderes do ministro demitido, Orlando Silva, estava não apenas o de se beneficiar pessoalmente mas também beneficiar o seu partido. Se ele sai e entra outro do mesmo grupo, a limpeza é feita apenas pela metade. A outra metade, a das vantagens, propinas, arranjos e outras coisas para o partido continuam. Sai um homem, mas o esquema permanece.

É preciso que o brasileiro manifeste sua idgnação com tal sistema. Nossos partidos políticos existem apenas para armar conchavos. As obras da Copa do Mundo de 2014 estão atrasadas, enquanto os custos já ultrapassaram o   previsto para o atual estágio. Os Jogos Pan-Americanos realizados no Rio de Janeiro explodiram  em muito o seu orçamento, ninguém explicou nada e ficou tudo por isto mesmo. A mesma turma está cuidando da Olimpíada de 2016. Será possível esperar resultado melhor?

Só se  o povo mostrar sua indignação.

Congresso de Triathlon

Bristol (EUA) – Uma boa notícia no esporte que reune natação, ciclismo e corrida: de 8 a 12 de novembro será realizado em São Paulo um Congresso de Triathlon, com um Curso Técnico sobre treinamento de alto nível e outros assuntos importantes.

Teremos também a discussão de temas como a participação do Brasil na Olimpíada de 2016 , doping e competições em nosso país.

Entre os palestrantes, nomes destacados como os de Alberto Klar, um dos pioneiros do triathlon no Brasil (ao tempo em que era técnico de natação do Flamengo), Marco La Porta, que atualmente é o homem responsável pela preparação dos triatletas brasileiros e o técnico português Sérgio Santos, chefe de  um projeto para atletas de elite.

Mais informações com a Confederação Brasileira de Triathlon.

Parabéns no triathlon e na maratona

AFP

Bristol (EUA) – Parabéns ao Reinaldo Colucci, medalha de ouro no triathlon dos Jogos Pan-Americanos, a Adriana Aparecida da Silva, medalha de outo na maratona dos Jogos Pan-Americanos e a Pamela Nascimento Oliveira, medalha de bronze no triathlon dos Jogos Pan-Americanos.

Reinaldo completou a prova, na distância olímpica (1.500 metros de natação, 40 quilômetros de ciclismo e dez quilômetros de corrida) em 1:48:02. Entre as mulheres, na mesma distância, Pamela ficou com o tempo de 2:00:32.

Não me lembro de ter visto Reinaldo ou Pamela no Mundial de  Triathlon, em Pequim, em setembro. Talvez estivessem se poupando para os Pan-Americanos. Carla Moreno, a mais bem ranqueada representante brasileira no triathlon, que esteve em Pequim mas não completou a prova, não pode ir aos Pan-Americanos em Guadalajara, com uma contusão na panturrilha. Provavelmente esta também foi a causa de não ter completado sua prova em Pequim.

O importante é  que, com a medalha de ouro, Reinaldo garantiu uma vaga para o triathlon brasileiro na Olimpíada de Londres, no ano que vem. É provável que ele mesmo venha a ser nosso representante.

Acho por sinal que o triathlon vai despertar um enorme interesse  em Londres porque a Grã-Bretanha é hoje o país com os melhores triatletas do mundo e o esporte lá tem muita popularidade. Em Pequim, a Grã-Bretanha foi  a nação com mais representantes.

O tempo de Adriana Aparecida da Silva na Maratona (42.195 metros) foi de 2:36:37, bastante aquém das melhores marcas mundiais femininas, mas, pelo que conheço de Guadalajara, nem o percurso nem a temperatura deviam ser muito favoráveis.

Para encerrar com o  triathlon, uma reportagem no mais recente número da revista USA Triathlon dá conta de dois triatletas americanos na faixa dos 90 anos. Charlie Futrell já completou 91 anos, John C. Taylon fez 90  em maio.

Quem sabe, eles estarão no ano que vem no Mundial de Triathlon em Auckland, na Nova Zelândia? Eu já estou me preparando para a prova e vou estrear uma nova faixa etária, com 75 anos.

Quanto a minha mulher, Dawn Werneck, está até hoje esperando a medalha de ouro a que fez jus em sua faixa etária em Pequim. Uma dirigente da International Triathlon Union, cujo nome, se não me falha a memória, é Zita, ficou de lhe enviar a medalha mas até agora, nada. Estou em contato com a Confederação Brasileira de Triathlon para resolver o caso.

Off Broadway

Bristol (EUA) – O Brasil na Copa de 2014 vai ser como aqueles musicais nos Estados Unidos obrigados a uma longa peregrinação antes de atingirem a Broadway, a grande Rua Larga, onde as peças finalmente conhecem a glória.

A pergunta é a seguinte: o Brasil terá time suficiente em 2014 para chegar ao Maracanã, a sua Broadway, o seu grande templo do futebol? O Maracanã é, junto com Wembley, um dos dois mais famosos estádios de futebol do mundo, com a vantagem de que o Maracanã, apesar de todas as reformas e maquiagens, ainda é essencialmente o mesmo que viu não apenas momentos importantes de nossa Seleção mas de times como o Santos que, sempre que precisava de uma torcida ardorosa, ia bater às suas portas, como fez contra o Benfica e o Milan (este duas vezes)  no Mundial de Clubes. A Seleção teve no Maracanã encontros decisivos em eliminatórias pela Copa do Mundo como contra o Paraguai, Peru e Uruguai, este último para ir ao Mundial de 1994. O Primeiro Mundial de Clubes da FIFA teve também no Maracanã seu principal palco.

Wembley, ao contrário, foi posto abaixo e reconstruído a partir do zero.

Com a atual geração do futebol brasileiro, nada brilhante, é muito possível que o Maracanã não veja o Brasil na Copa de 2014, enquanto uma ainda desconhecida seleção, a H-1, vai na primeira fase ser agraciada com partidas em São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro (quer dizer, o Maracanã). É o filé mignon do futebol brasileiro. Quem será a agraciada?

Ou a FIFA e a CBF estão mesmo dispostas a uma Copa de 2014 sem o Brasil no Maracanã ou estão muito certas de que, aconteça o que acontecer, com geração brilhante ou sem ela, nosso time estará lá, na grande final, no dia 13 de julho de 2014, às 16 horas.

Com a FIFA e a CBF, tudo é possível.

Esporte brutal

AFP

Bristol (EUA) – Neste fim de semana nos Estados Unidos tivemos a morte de um piloto da Indy Car, o inglês Dan Wheldon, em Las Vegas, sob grande publicidade. Menos notada, sobretudo por parte da imprensa mundial, foi a morte de um garoto de 16 anos, jogando Futebol Americano.

Era uma partida entre escolas, a Homer High School contra a John C. Birdlebough High School. O garoto se chamava Ridge Barden e jogava pela John C. Birdlebough, cujo time tem o nome de Phoenix Firebirds. Era um jogador de defesa, um defensive tackle, cuja função é impedir o progresso do time adversário.

Foi o que ele fez, no terceiro quarto, quando os adversários tinham uma descida (down) a apenas seis metros da linha de fundo do Phoenix Firebirds. Houve o empurra-empurra habitual só que, quando ao fim todos se levantaram, Ridge Barden permaneceu no chão. Foi atendido, levado às pressas para o hospital, mas chegou lá morto.

Em agosto, um jogador universitário, Derek Sheely, morreu durante um treino. Tanto ele quanto Ridge estavam usando capacetes, mas mesmo assim morreram.

O automobilismo e o Futebol Ameridano são dois esportes em que, apesar de cintos, capacetes e outros apetrechos, os riscos continuam demasiadamente altos.

Perigo na Inglaterra

AFP

Bristol (EUA) – Foi ruim o jogo entre Liverpool e Manchester United, sobretudo no primeiro tempo. O pós-jogo também não foi dos melhores, com a controvérsia entre Patrice Evra, do Manchester United, que acusa Luis Suarez, do Liverpool, de tê-lo ofendido com termos racistas, e o uruguaio, branco, afirmando que o francês, negro,  é um mentiroso.

Agora o Liverpool quer que Evra seja punido se ficar mesmo provado que Suarez não usou termos racistas para ofendê-lo.

O perigo porém vem do alto, mais alto. Vem dos proprietários americanos de diversos clubes na Inglaterra. Sem entenderem nada de futebol, nem de suas tradições, os americanos (donos de times de Futebol Americano e Beisebol, nos Estados Unidos) querem acabar com o sistema de acesso e descenso na Premier League. Não compreendem que aí justamente, no fato de clubes serem promovidos ou rebaixados, residem a força e a popularidade do futebol da bola redonda, muito mais assistido no mundo do que o futebol da bola oval e o beisebol jamais serão.

Esperemos que a tradição inglesa saiba resistir.

O melhor do mundo

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Bristol (EUA) – O melhor campeonato de futebol do mundo não é nem o inglês, nem o espanhol, nem o italiano. É o Brasileiro, ou Brasileirão, com incessante sobe-e-desce entre os principais times e uma definição impossível de ser feita à medida que se aproximam as rodadas finais.

Um sucesso amparado na fórmula de pontos ganhos com turno e returno, todos contra todos, acesso e descenso, tão injustamente criticada por tantos no Brasil.

O Brasileirão padece porém de dois problemas. O primeiro é que nossos clubes não sabem fazer marketing, não se projetam no exterior. O segundo, intimamente ligado ao primeiro, deve-se ao calendário. Se nosso calendário coincidisse com o europeu, seria muito mais fácil aos nossos clubes participar de importantes torneios no exterior (inclusive agora, nos ricos mercados americano e asiático), como já aconteceu no passado.

A longo prazo, há outro potencial problema: os contratos de clubes individualmente com a televisão. A tendência é fortalecer os dois times de maior popularidade, Flamengo e Corinthians, em detrimento dos demais. Com isto, o Campeonato Brasileiro poderá perder sua maior atração, que é justamente a dança de candidatos ao título.

Será que vai?

Bristol (EUA) – Dá para acreditar que o inquérito da Polícia Federal quanto a uma possível entrada ilegal de dinheiro no Brasil por parte de Ricardo Teixeira, presidente da CBF, vai resultar em alguma coisa?

A investigação se prende a denúncias envolvendo não apenas Ricardo Teixeira como dois outros cartolas da FIFA e tem a ver com a extinta ISL (International Sports and Leisure), que era o braço de marketing da entidade. Dizem que há um relatório a respeito na Justica suíça, mas que não foi publicado ainda por envolver um cidadão já muito idoso e doente.

Vamos ver, mas é inegável que o cerco se aperta quanto a cartolas do futebol. Ainda agora acaba de ser divulgado na Europa um vídeo em que aparece claramente o antigo Vice-Presidente da FIFA,  Jack Warner, banido do esporte, falando a seus companheiros da União de Futebol do Caribe sobre 25 mil libras esterlinas a cada um deles (15 ao todo), numa gentil oferta de Mohamad bin Hammam, o homem de Qatar que era candidato à presidência da entidade.

A uma certa altura, Jack Warner diz: “Se alguém aqui é devoto, vá para a igreja, mas negócio é negócio”.

Domínio africano

Bristol (EUA) – Se alguém tem ainda alguma dúvida sobre o domínio africano em maratonas, deve dar uma olhada no mais recente ranking  da Federação Mundial de Atletismo. É impressionante, sobretudo entre os homens.

No ranking masculino, os 21 primeiros atletas são africanos: a maioria de Qênia, depois muitos da Etiópia e um de Marrocos. Como número 22 no ranking aparece o primeiro não africano e ele é um brasileiro, Marílson Gomes dos Santos. Em seguida, outros quenianos e etíopes e, como número 28, um japonês, Hyroiuki Horibata.

Entre as mulheres, a primeira colocada é uma russa, Lilya Shobukhova, mas logo em seguida vem seis quenianas e duas etíopes. Irina Mikitenko, da Alemanha, aparece na décima posição e daí para a frente surgem americanas, japonesas e suecas, mas intercaladas com diversas outras africanas. O domínio africano na maratona feminina náo é tão grande quanto na maratona masculina, mas tende a crescer.

A recordista mundial, Paula Racliffe, da Inglaterra,  não está ranqueada, provavelmente porque não tem disputado um número suficiente de provas nos últimos anos.