Quem corre mais?

Bristol (EUA) – Sempre achei interessante aquela informação que leio ao pé da tela nos jogos da Liga dos Campeões, quando um jogador é substituído: por intermédio dela ficamos sabendo exatamente quantos quilômetros ele correu. A informação é tão precisa que diz, por exemplo: 10.675 metros.

Sou de um tempo em que havia um jogador de meio de campo do Fluminense, chamado Edmílson, natural do nordeste, que, segundo a imprensa carioca, ia “ficar tuberculoso”, pois era obrigado a correr insanas distâncias no gramado por causa das táticas adotadas pelo técnico Zezé Moreira. Nunca ninguém soube ao certo quanto Edmílson corria.

Mas, a partir de amanhã, 1 de Dezembro, começará a ser vendida nos Estados Unidos  uma chuteira  chamada miCoach Speed Cell com um “chip” embutido que informará automaticamente que distância o jogador cobriu enquanto esteve em campo. Quer dizer: qualquer um de nós agora, mesmo os simples peladeiros, pode usá-la e depois contar vantagem.

Pouco entendo de tecnologia, mas me dizem que o “chip” pode passar a informação automaticamente, sem fio, para qualquer computador. Agora jogador que ficar em campo apenas chupando o sangue dos companheiros de time não terá mais como disfarçar sua preguiça. O preço da verdade, representado pelo par de chuteiras, é de 200 dólares.

Entre o cansaço e o declínio

Bristol (EUA) – Poucos dias depois de derrotar o Mílan pela Liga dos Campeões, o Barcelona dominou totalmente a partida contra o Getafe pela Liga Espanhola e acabou derrotado, debaixo de certa controvérsia. Afinal, Messi chutou uma bola na trave e houve um gol anulado por impedimento discutível, porque, embora o argentino estivesse de fato adiantado, a bola veio de um defensor, não de um companheiro seu.

Andrés Iniesta, Cesc Fábregas e Carles Puyol não jogaram. É apenas a primeira derrota do Barcelona na atual temporada e apenas a nona vez em que o Barcelona perde na Liga com Pep Guardiola como técnico.

Mesmo assim, é possível especular que um pouco da magia do Barcelona está desaparecendo. Nenhum time consegue manter por tanto tempo um nível tão alto quando o Barcelona vem mostrando nos últimos anos. Os adversários descobrem formas de congestionar o meio de campo e o cansaço natural de jogo após jogo acaba se impondo.

Enquanto isto, o Real Madrid vai subindo. Ganhou do Atlético de Madrid com dois pênaltis e duas expulsões, é verdade, mas também é verdade que os jogadores profissionais precisam se compenetrar de que nos últimos anos tem estado em vigor uma regra muito simples que diz: quem é o úlltimo defensor (goleiro incluído) e comete um pénalti para evitar uma situação de gol, ganha expulsão direta.

Reclamar não resolve. Como afirma o ditado cearense, quem protesta já perdeu.

Demagogia

Bristol (EUA) – Não sei se Ronaldo será mesmo o presidente do Comité Organizador Local para a Copa de 2014, mas suas declarações de que o Brasil está no caminho certo fazendo amistosos contra  Gabão e quejandos, além de dizer que “nosso talento sempre prevaleceu”, não passam de  um fenômeno de demagogia.

A verdade é que nosso talento nem sempre prevaleceu e nem mesmo sempre tivemos talento em seleções que disputaram a Copa do Mundo. É bom deixar de lado a noção de que o jogador brasileiro é privilegiado pela natureza para jogar futebol. Tivemos no passado alguns super-craques mas outras nações também tiveram. A atual Seleção Brasileira está bem longe de atingir o patamar necessário para ganhar uma Copa do Mundo, seja ela disputada no Brasil ou em qualquer outro lugar.

O que se vê no momento em nosso país é jogada política para todos os lados, como a indicação do presidente do Corinthians para ser Diretor de Seleções da CBF. O mínimo que se pode dizer é que faltou ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira, bom senso para esperar e nomear o homem somente após o fim do Campeonato Brasileiro.

Os velhinhos da FIFA

Bristol (EUA) – A primeira vez em que vi, in loco, uma injustiça cometida numa controvérsia se a bola entrara ou não foi em uma ocasião muito importante: a final da Copa do Mundo de 1966, contra a Alemanha Ocidental. Eu estava no estádio de Wembley, ao lado dos jornalistas Janos Lengyel e Achilles Chirol, quando a bola chutada por Geoff Hurst, da Inglaterra, bateu no travessão e quicou no chão. O bandeirinha soviético imediatamente correu para a linha central, na indicação clássica de que a bola entrara.

Só que não entrara. A Inglaterra ganhou aquela Copa. No ano passado, na África do Sul, numa justiça poética, a bola chutada por Frank Lampard, no jogo contra a Alemanha, claramente entrou, mas o juiz e o bandeirinha não viram. Entre os dois episódios, muitos outros, ao longo das décadas.

Agora finalmente a FIFA  parece disposta a se dobrar aos tempos modernos e aceitar a tecnologia. Vai depender ainda de muitas análises por parte da International Board, o famoso conselho de “velhinhos”  da FIFA. Ele é integrado por um representante inglês, um irlandês, um galês e um escocês. Cada um deles tem um voto. Para contrabalançar, há um representante da FIFA, de outra nacionalidade, com quatro votos. A matemática indica portanto  que as quatro associações britânicas não podem resolver sózinhos, mas o outro integrante, de nacionalidade diferente, também não pode.

Esperemos que tudo dê certo, o sistema  seja aprovado na fase experimental da Premier League e possa ser utlizado na Copa do Mundo de 2014, no Brasil. O espantoso mesmo é que o futebol tenha precisado esperar  tanto tempo por uma tecnologia que outros esportes vem adotando com sucesso há muitos anos.

A segunda medição

Bristol (EUA) – Vi nesta Gazeta a foto de José Rodolfo Eichler, da AIMS e da CBAt, pedalando nas ruas de São Paulo na segunda medição do novo percurso da São Silvestre para este ano. Parece que estão faltando alguns ajustes e me pronunciarei a respeito mais tarde.

Li também no blog de Carlos Gomes Ventura, o Carlão, uma pequena história das muitas vezes em que a distância da São Silvestre  mudou, desde 1925, quando tinha oito quilômetros. Corri-a em duas oportunidades, em 1982 e 1983, quando ela tinha respectivamente 13.548 metros e 12.640 metros. É bom que a distância agora tenha sido padronizada em 15 quilômetros.

Há algum tempo escrevi sobre a primeira corrida de rua realizada no Brasil, em Salvador, Bahia, lá pela virada do século XIX para o século XX. Agora, Carlão assegura ao José Rodolfo Eichler que a primeira prova de rua disputada em São Paulo foi em 1918, organizada pelo jornal O Estado de São Paulo.

Ninguém sabe direito a distância da prova, descrita como “de até 30 quilômetros”. Com o que, aproveito para perguntar ao Carlão quando foi disputada a primeira Maratona no Brasil, prova que, quando bem medida, tem 42.195 metros. Creio que foi em 1963, em São Paulo, nos Jogos Pan-Americanos, mas não tenho certeza.

A bola invisível

AFP

Bristol (EUA) – Há gente de marketing ligada ao futebol que nunca está satisfeita com o bom, com o óbvio. Sempre quer inventar. Foi o que aconteceu na decisão do Campeonato Americano, a MLS Cup, entre o Los Angeles Galaxy e o Houston Dynamo. Algum gênio achou interessante ter uma bola com uma mistura de azul e prateado, num jogo noturno.

Só que, na televisão, não dava para ver a bola direito. O Galaxy ganhou, com um gol da Landon Donavan, o brasileiro Juninho carregou o piano no meio de campo e, como sempre, as lantejoulas foram para o inglês David Beckham.

Depois de cinco anos no Galaxy, Beckham afinal vê seu time chegar ao título. Agora ninguém sabe se ele renovará o contrato com o Galaxy, se vai para o Tottenham Hotspur ou para o Paris Saint-Germain.

Mas os executivos que inventaram aquela bola deveriam ser demitidos. E alguém deveria obrigá-lo a escrever 500 vezes: de noite, a bola mais visível é a branca.

É muito dinheiro

Bristol (EUA) – Em três anos o dono do Manchester City, Xeque (que pelo título não se perca) Mansour bin Zayed al-Nahyan, já botou um bilhão e trezentos milhões de dolares no clube. Não se trata de empréstimo, mas de investimento de risco, que poderá ou não dar resultado.

Só na última temporada o Manchester City teve um prejuízo de  315 milhões e 200 mil dólares. Quer dizer: o dinheiro do xeque está saindo (ou entrando) pelo cano. Vale a pena lembrar que o Manchester City é o clube que se dá ao luxo de pagar 400 mil dólares por semana ao complicado argentino Carlos Tevez que, da última vez em que dele ouvi falar, estava em Buenos Aires, sem jogar e sem dar bola nem para o xeque nem para o técnico Roberto Mancini.

O problema é que em breve o Manchester City vai ter que equilibrar suas finanças, pois caso contrário estará infringindo as determinações da UEFA para que os clubes europeus vivam dentro de um orçamento mais racional. A família Mansour, de Abu Dhabi, é dona de 9% das reservas mundiais de petróleo.

Para eles não há problema. O incompreensível é que num momento de crise financeira mundial, com desemprego alto em toda a Europa, haja jogadores de futebol recebendo salários absurdos, em total descompasso com a vida que seus semelhantes menos bons de bola precisam levar.

Blatter está maluco

Bristol (EUA) – “Sepp” Blatter é mesmo uma figura interessante. Quando realizaram o sorteio para os grupos da Copa de 1994, em Las Vegas, ele quis ser mais engraçado do que o comediante americano Robin Williams,  que o ajudava na cerimônia. Perdeu feio, mas depois que foi eleito Presidente da FIFA tem sido o dirigente mais hilariante do mundo, quase sempre sem querer.

Certa vez  Blatter foi conduzido ao posto de  Presidente da Ordem Mundial dos Suspensórios. Tal confraria tinha o objetivo de convencer as mulheres a desistirem das cintas-calças e voltar a usar ligas para prender as meias compridas. Não sei se ainda ocupa a função. Como presidente da FIFA, tem sido pródigo em gafes e esta negando que haja racismo nos campos de futebol é apenas a mais recente delas. Para piorar, mandou publicar uma foto no site da entidade  em que aparece apertando a mão de um negro, como quem diz: “viram, eu dou mão a negro, não sou racista”.

Ele me lembrou um velho samba: “Não fala com pobre, não dá mão a preto, não carrega embrulho… Pra quê  tanta banca, doutor, pra quê tanto orgulho…?”

Debandada geral

Bristol (EUA) – Fui o primeiro jornalista brasileiro a escrever, segunda-feira à tarde, no “post” abaixo, que o impasse entre jogadores e a NBA tinha chegado a seu ponto máximo. Agora tem jogador viajando para tudo quanto é parte do mundo para exercer sua profissão, já que a NBA vem praticando o locaute, a greve dos patrões.

Como vai acabar o impasse? Há a possibilidade de que David Stern, o Comissário da NBA, esteja blefando quando ameaça cancelar a temporada inteira. O pior que já aconteceu no passado foi a temporada, que deveria ter começado a 1 de novembro, começar apenas em fevereiro. Isto foi em 1998-1999.

Se David Stern ficar firme e os jogadores continuarem a entrar com ações judiciais contra a NBA, a atual temporada pode estar perdida, mas alguma coisa de positivo resultará no futuro. Poderá haver uma reestruturação em que os clubes grandes, como Los Angeles Lakers, Boston Celtics  e New York Knicks, dividam um pouco mais a arredacação com clubes de mercados menores. Ou, o que é mais provável, poderá haver uma nova forma de contrato entre clubes e jogadores, um pouco como existe entre gravadoras e cantores, em que os jogadores seriam parceiros dos times e não apenas empregados.

Se não há a relação patrão-empregado, tampouco há locaute.

Inverno nuclear

Bristol (EUA) – Aconteceu os que os fãs de basquetebol mais temiam: o impasse entre patrões e empregados na NBA chegou a seu ponto máximo, com a decisão do Sindicato de Jogadores de “dissolver-se”. Isto significa que o Sindicato recusa  a última proposta dos patrões e os jogadores agora ou negociarão individualmente com seus times ou entrarão na Justiça, invocando a lei anti-truste.

David Stern, o Comissário da NBA, já declarou que negociações individuais são “impossíveis” e que a NBA  entrou em um “inverno nuclear”. Em outras palavras, está anunciando que não haverá temporada 2011-2012. A NBA não vai acabar, novas negociações acontecerão no futuro, mas tudo indica que bola em jogo mesmo só para a temporada seguinte.

Como ficam os jogadores brasileiros da NBA,, como Tiago Splitter, que precisam estar em forma para a Olimpíada de Londres?