Vergonha e escândalo

Bristol (EUA) – Pelo que leio nos jornais de nossa terra, vem por aí uma vergonha e um escândalo no Brasil. Mais uma vergonha e mais um escândalo.

É sabido que a FIFA vem pressionando o Legislativo para obter a autorização para vender bebidas alcoólicas durante a Copa de 2014, já que é patrocinada pela Budweiser, fabricante de cerveja. Pois, senhores, em vez de nosso governo dizer à FIFA que a legislação brasileira deve ser respeitada, que não vai mudar só por causa de uma Copa do Mundo,  que Pindorama não é a casa da sogra, apareceu agora um projeto de lei “liberando geral”. Em vez de permitir a venda de bebidas alcoólicas só durante a Copa do Mundo, vai-se permiti-la já a partir do próximo mês de março, durante a Copa e depois da Copa.

Ora, a finalidade da proibição estava em que “bebidas ou substâncias proibidas podem gerar a prática de atos de violência”.

É o que está no Estatuto do Torcedor. O Estatuto está errado? Não, está certíssimo. Só a obtusidade córnea ou a má fé cínica podem negar que o consumo de bebidas em estádios gera violência.

Mas agora, segundo leio nos jornais brasileiros, o novo Diretor de Seleções da CBF, antigo presidente do Corinthias, Andrés Sanchez, está dizendo que “não é justo penalizar o comerciante”. Pior é que o Ministro da Sa’ude, Alexandre Padilha, que em dezembro afirmara ser contra a venda de álcool nos estádios, agora parece estar “convencido” do contrário.

É o caso de perguntar: ele é Ministro da Saúde ou Ministro do Comércio? Talvez, quem sabe, Ministro contra a Saúde e a favor da Violência?

O campeonato é do Real

Bristol (EUA) – O campeonato espanhol é o campeonato de duas notas só. O q ue me leva à conclusão de que nesta temporada o título será do Real Madrid, embora ainda faltem 18 rodadas para o fim.

O problema é  que, antes de mais nada, o Barcelona não poderá perder mais nenhum ponto e torcer para que o Real Madrid,  que até agora só perdeu oito pontos, venha a perder sete. Isto para os dois times terminarem empatados em pontos ganhos.

O grande desafio para José Mourinho agora é saber se vai perder do Barcelona outra vez no returno e amargar um título com duas derrotas para seu odiado rival. Seu único consolo seria ver a distância entre o Real e o Barcelona aumentar, em vez de diminuir, porque o time do Barcelona, embora brilhante, volta e meia se atrapalha. Aliás, ja escrevi aqui e vou repetir, embora com certeza muitos venham a reclamar: o time do Barcelona, em grande parte por causa do cansaço, é capaz de vitórias maravilhosas mas, no geral, deixa a impressão de que começa a declinar.

Afinal, nenhum time do mundo consegue se manter em um extraordinário nível por tempo infindo. Não esqueçamos que, para contribuir para o cansaço do Barcelona, vem aí a semi-final da Copa del Rey contra o Valencia, atual terceiro colocado em La Liga, enquanto o Real Madrid já está fora.

O futuro dirá se tenho razão.

Leia mais

O mergulho do Pinguim

Bristol (EUA) – Estava eu assistindo a partida entre Djokovic e Nadal nesta manhã de domingo quando fui convidado para uma corrida-treino de oito quilômetros em um clube aqui perto, o Winding Trails. Quando acabei, estava se rralizando ainda um evento anual, chamado Penguin Plunge ( O mergulho do Pinguim), que é organizado para levantar fundos para o Special Olympics, uma competição para pessoas com deficiências. Os organizadores  tinham cavado uma área de regular tamanho na superfície congelada do lago e pensei: por que não?

No que pensei, resolvei por em prática, antes  que o corpo esfriasse. A temperatura do ar estava em um centígrado acima de zero e a temperatura da água, me disseram depois, era de dois ou três centígrados acima, na hora em que mergulhei, às 11 da manhã, local. O  dia era ensolarado, o que faz com que a temperatura passe do abaixo de zero registrado durante a noite para acima, com certa rapidez. Mas outras partes do lago onde eles não tinham usado máquinas ainda estavam cobertas de gelo.

Me disseram depois que eu fui a única pessoa, entre as que entraram na água, que chegou a nadar um pouco, primeiro “crawl” e depois costas. Eu queria até nadar uma distância maior, mas bebi água, perdi um pouco o ritmo da respiração e, por ,medida de prudência, resolvi sair do lago. Lembrei-me daquele cidadão que morreu de ataque cardíaco no Triathlon de Nova York, no ano passado, justamente porque, dizem, com o choque térmico, perdeu o ritmo da respiração.

Se achar depois uma foto minha, mando, para ilustrar. (Achei a foto. Vocês podem ver que, mais além do buraco que eles cavaram, o lago ainda está coberto de gelo.)

Brilho da Etiópia

Bristol (EUA) – A Etiópia ficou com as três primeiras colocações da Maratona de Dubai, nexta sexta-feira. Grandes resultados, por sinal.

O primeiro lugar foi do estreante Ayele Abshero, de 21 anos, com o tempo de 2:04:23, que vem a ser simplesmente o mais rápido tempo em uma estreia em Maratona na história. É também o quarto tempo mais rápido da história da Maratona.

Em segundo lugar ficou Dino Safir, com 2:04:50 e, em terceiro, Markos Geneti, com 2:04:54. Portanto, uma diferença de apenas 31 segundos entre o vencedor e o terceiro lugar. Dino e Markos também conseguiram seus melhores tempos pessoais.

Os grandes vencedores em Dubai no ano passado haviam sido os quenianos, mas este ano o queniano mais bem colocado terminou na quarta posição. Ele foi Jonathon Mayo, com 2:04:56. Mais notável ainda é que Jonathon foi o único corredor entre os dez primeiros que não era etíope.

Nosso muito conhecido Martin Lel, de Quênia, chegou apenas na 35a. posição, com 2:34:57.

Mundial de Triathlon – 34

Bristol (EUA) – Continuo me preparando para o Mundial de Triathlon, em outubro, na Nova Zelândia. Minha rotina será a mesma: em junho vou a Massachusetts, disputar a prova classificatória, e não tenho amenor dúvida de que vou me classificar.

A razão de tal otimismo está no seguinte: No ano passado, a esta altura do mês de janeiro, eu estava colocando em meus “posts” fotos em que aparecia cavando imensas muralhas de neve em meu “driveway”, que me impediam de treinar e até de sair de casa. Este ano, nenhuma neve ou quase nenhuma neve. Nevou, é verdade, no dia 31 de outubro, no outono, o que levou muita gente a temer um inverno tão ou mais rigoroso do que o do ano passado. Mas que nada: tem feito dias secos, com sol, e a temperatura está baixa, é claro, mas nada que impeça de treinar corridas e até ciclismo.

Resultado: acho que aos 74 anos, nesta altura de meus preparativos, estou em melhor forma do que estava no ano passado, quando só tinha 73. Vamos ver em junho, mas estou animado.

Em tempo: a natação, é claro, é treinada em piscina coberta, com aquecimento. E até nela melhorei, pois resolvi mudar meu estilo. Depois eu conto.

A melhor do mundo (2)

Bristol – Meu “post” abaixo mereceu dois comentários interessantes de leitores. Realmente cometi um erro de digitação, ao esquecer o traço de separação entre All e Athletics. O nome correto do site é All-Athletics.com.

Mas vocês poderão notar que não se  trata de levar em consideração apenas o desempenho do pelotão de elite. Há resultados  com pelotão de elite, mas também resultados no geral, no masculino e  feminino combinados, só masculino, só feminino, etc.

Acho de fato muito difícil, quase impossível, organizar no Brasil uma Maratona que possa fazer frente às melhores do mundo, como Londres, Berlim, Chicago, Nova York, Frankfurt e Boston.

Mas o mesmo não se aplica a distâncias menores. Vejam o exemplo de  Portugal, Porto Rico e Emirados Árabes Unidos. Tenho um projeto para a melhor prova de Dez Quilômetros do mundo, no Rio de Janeiro. Falta aparecer quem se disponha a investir o dinheiro necessário.

A melhor do mundo

Bristol (EUA) – A melhor Maratona do mundo é a de Londres, como já vem sendo desde 2003, segundo o “Rankings de Competições” do site All-Athletics.com.  Sem contar Maratonas, a melhor corrida do mundo no ano de 2011 foi a Meia-Maratona de Nova Délhi, na Índia.

Vamos aos números, pois eles interessam aos leitores. As seis melhores Maratonas do mundo foram, pela ordem, Londres, Berlim, Chicago, Nova York, Frankfurt e Boston. Considerados apenas os competidores masculinos, as três melhores Maratonas foram Londres, Frankfurt e Berlim. Consideras apenas as mulheres, as três melhores foram Londres, Dubai (vejam bem, Dubai, nos Emirados Árabes) e Berlim.

Considerados homens e mulheres, as três melhores foram Londres, Berlim e Chicago.

Quer dizer, por qualquer critério, Londres dominou.

As três melhores corridas do mundo que não eram Maratonas foram Meia-Maratonas: Nova Délhi, Ras Al Khaimah (também nos Emirados Árabes Unidos) e a Filadelfia ING Rock ‘n Roll.

Isto se considerarmos a combinação homens-mulheres. Se considerarmos apenas mulheres, a Meia-Maratona de Lisboa ficou com o terceiro lugar. Se considerarmos apenas os homens, apareceu em terceiro lugar a Den Haag City-Pier City, na Holanda.

A Maratona de São Paulo foi considerada a melhor da América do Sul e a única do Brasil que entrou no ranking das cem melhores do mundo.

O pais com o maior número de Maratonas ranqueadas entre as cem primeiras foram os Estados Unidos (12), seguidos pela Alemanha e Itália, com dez.

Dito e feito

Bristol (EUA) – Amigos, como eu afirmei no “post” abaixo, a melhor coisa que Nenê fez em sua carreira foi aceitar a troca que o tirou do New York Knicks e o levou para o Denver Nuggets. Um leitor observou, também abaixo, que, no Nuggets, Nenê jamais será campeão da NBA. Pode ser, mas afirmo  que no Knicks ele tampouco jamais seria. Basta ver que o último título do Knicks foi na temporada 72-73.

A continuar como está, muito tempo ainda vai passar antes de um novo título. O Knicks foi derrotado sábado, em sua quadra, pelo Nuggets, em prorrogação dupla. Jogo duro, é verdade, mas o Nuggets esteve sem seus dois armadores arremessadores, Arron Arffalo (virilha)  e Rudy Fernandes (tendão de Aquiles) o que de saída colocava o Knicks na condição de favorito.

Como vem acontecendo, Carmelo Anthony, embora melhorando no último período e nas duas prorrogações, esteve dispersivo. No todo, acertou apenas dez em 30 arreemessos de quadra. O emprego do técnico Mike D’Antoni agora está em perigo, pois tudo indica que esta temporada será, mais uma vez, bastante negativa.

A torcida já começou a vaiar Carmelo Anthony, sobretudo porque viu Danilo Gallinari, um dos quatro jogadores pelos quais ele foi trocado no ano passado, brilhar pelo Denver Nuggets. Nenê (trocado anteriormente), que vinha de uma contusão, esteve regular na partida, com 12 pontos e 13 rebotes (quatro ofensivos) em 44min37s na quadra.

Denver tem agora seis vitórias nas últimas sete partidas. New York seis derrotas consecutivas, quatro no Madison Square Garden. Desde que Carmelo Anthony foi para Nova York, o Knicks perdeu 24 jogos e ganhou 20. O Nuggets, depois que ele saiu, ganhou 30 vezes e perdeu 12.

A sorte de Nenê

Foto: AFP

Foto: AFP

Bristol (EUA) – Os jornais americanos estão cheios de histórias  sobre a partida desta noite, sábado, no Madison Square Garden, entre o New York Knicks e o Denver Nuggets. A atração gira em torno da troca que os times efetuaram no ano passado, com Carmelo Anthony indo para o Knicks enquantro o russo Timofey Mosgov e o italiano Danilo Gallinari tomavam o rumo oposto, para Denver.

De lá para cá, o Denver melhorou. Na atual temporada, vem de cinco vitórias nas seis últimas partidas e, sexta-feira, derrotou o Washington Wizards por 108 a 104. Já o New York Knicks piorou, sobretudo porque Carmelo Anthony é um egoísta que pouco passa a bola para os companheiros, preferindo arremessos difíceis e até impossíveis.

O resultado é que o Nuggets é um time sem estrelas, que se impõe pelo conjunto. O Knicks é um time com dois super-astros (Amar’e Stoudemire e Carmelo Anthony), mas acaba de amargar sua quinta derrota consecutiva (três delas em sua quadra), perdendo para o Milwaukee Bucks na sexta-feira por 100 a 86.

O que os jornais não dizem é que Nenê (que não jogou contra o Wizards por estar machucado, mas deve enfrentar o Knicks), também já foi do time de Nova York e também lá foi esnobado. Ele entrou para a NBA  selecionado exatamente pelo Knicks mas seu nome foi vaiado ao ser anunciado pelos alto-falantes. Por isto, foi passado adiante, para o Denver Nuggets.

Para quem sabe como o New York Knicks é um time complicado, a melhor coisa que sucedeu a Nenê em sua carreira na NBA foi ser passado adiante, ao Denver Nuggets.

Na terra do Lig-lig-lé

Foto: André Portugal/Vipcomm

Foto: André Portugal/Vipcomm

Bristol (EUA) – Ronaldinho Gaúcho anda às turras com o técnico Vanderlei Luxemburgo e não recebe seus salários integralmente há algum tempo, por causa de uma divergência contratual com a Traffic. Enquanto  isto acontece, chega a notícia de que ele estaria na mira do futebol chinês.

Parece que os chineses resolveram de uma vez por todas implantar o futebol, depois de experiências fracassadas e tumultuadas por casos de corrupção. Anuncia-se  que até o fim de janeiro (mais precisamente, dia 23 de janeiro, está próximo) será divulgada  a sentença contra os implicados.

É possível até  que toda a temporada venha a ser considerada nula, tamanha a pouca vergonha que parece estar impregnada no futebol chinês. Comenta-se que resultados de partidas podem ser comprados por trezentos mil dólares e uma convocação para a  seleção chinesa sai por 20 mil dólares.

Mas Xi Jinping, que deverá ser o novo presidente da China em julho, já disse que tem três objetivos para o futebol do país: classificar-se para a Copa do Mundo, sediar uma Copa do Mundo e ser campeão do mundo.

O fato  é que Nicolas Anelka, o controvertido jogador francês, com passagens, entre outros, pelo Chelsea, o Real Madrid, o Manchester City e o Arsenal - além de 69 partidas pela seleção francesa – acaba de chegar à China para jogar pelo Xangai Shenhua pela bagatela de 275 mil dólares por semana (eu falei por semana!), durante três anos.  Isto apesar do fato de que, por causa da investigação sobre a corrupção, o Shenhua talvez venha a ser relegado à Segunda Divisão.

Nicolas Anelka é um cara complicado, mas talvez não tão complicado quanto Ronaldinho. Já imagino Assis, irmão e empresário de Ronaldinho, fazendo febris contas no papel: 275 mil dólares por semana, meu irmão. Por semana!