As bases da solução

Bristol (EUA) – A sugestão mais interessante que li a propósito da vexaminosa eliminação da Seleção Americana que pretendia se classificar para a Olimpíada de Londres veio de um leitor do New York Times.

Primeiro, a eliminação. Os Estados Unidos estavam tentando passar à semi-final do Torneio Pré-Olímpico, onde, como escrevi em um “post” abaixo, provavelmente seriam eliminados pelo México. Para tanto o time precisava derrotar El Salvador, um time medíocre, mas acabou empatando em 3 a 3.

Agora, a sugestão. O leitor do New York Times quer que o governo americano abra bases militares no Brasil. A explicação é a seguinte: ao longo dos últimos 20 anos alguns dos melhores jogadores surgidos nos Estados Unidos são ou foram filhos de militares estacionados nas bases americanas na Alemanha. Tais militares tiveram filhos com alemãs (casados ou não com elas, pouco importa), os garotos, com nacionalidade dupla, cresceram jogando futebol e podem ser convocados para a Seleção Americana.

Assim tem acontecido a partir de 1994, com as seleções americanas (estou me referindo à Seleção principal) apresentando um rendimento bem superior ao de gerações anteriores. Agora o leitor acha que está na hora de aproveitar o embalo da próxima Copa ser no nosso país e abrir bases ianques no Brasil, para um pouco de “mistura de sangue e de talentos”.

Será que o governo brasileiro acharia uma boa ideia?

Ninguém inventou o frescobol

Bristol (EUA) – Dizem os jornais que MillIôr Fernandes, morto esta semana, inventou o frescobol no Rio de Janeiro na década de 60. Estão enganados. O frescobol já era largamente praticado nas praias do Rio na década de 50 e provavelmente antes.

Lembro-me particularmente bem de um dia, em fins de verão, em 1955, em que joguei frescobol por longo tempo, no Posto Zero, na Praia do Leme, que costumava frequentar. A razão de minha memória tão vívida é simples: eu havia acabado de passar no vestibular para a Faculdade de Direito, ia também começar a trabalhar e aquele era como o adeus a uma era: o último dia em que tinha um verão para aproveitar vagabundeando na praia, sem maiores compromissos.

O nome frescobol tinha surgido bem antes e também já perdera toda a conotação preconceituosa com que fora criado. Fresco era a gíria que se usava na ocasião para homossexuais. Acho que o frescobol nasceu provavelmente nos anos 40, inicialmente por jogadores de tênis que levavam suas raquetes para as praias e ensaiavam algumas jogadas. Como tênis era jogo de ricos, surgiu a designação pejorativa de frescobol.

A ligação do frescobol com o tênis era tão óbvia que, no início, mesmo depois de aparecerem as improvisadas raquetes de madeira, o frescobol era jogado com bolas de tênis raspadas a gilete, para não ficarem pesadas ao cair na água do mar. Apenas depois apareceram as bolas de borracha, um pouco menores, especificamente para o frescobol.

Millôr Fernandes gostava de jogar frescobol. Mas daí a tê-lo inventado, vai uma diferença muito grande. Millôr não foi criado em beira de praia (era do Méier) e, quando se mudou para a Zona Sul, o frescobol provavelmente já existia, nascido aos poucos, por ideias e sugestões de diversos autores desconhecidos.

Importamos os hooligans

Bristol (EUA) – O Brasil parece gostar de imitar tudo o que é de ruim em outros países. A notícia sobre a morte de um torcedor do Palmeiras em um conflito com a torcida de Corinthians mostra que insistimos em copiar a violência dos hooligans ingleses, enquanto na Inglaterra a polícia, os times de futebol e as torcidas organizadas já conseguiram controlá-la.

A dois anos da Copa, nada poderia ser pior. Será que não bastaria o atraso nas obras dos estádios, a indefinição da Lei Geral da Copa, a falta de estrutura nos aeroportos?

A notícia sobre a morte vem repercutindo no mundo inteiro, acompanhada de fotos de policiais fortemente armados em confrontos com pessoas ao redor dos estádios.

É uma péssima recomendação para quem pretende viajar ao Brasil para a Copa do Mundo ou a Copa das Confederações.

Americanos se complicam

Bristol (EUA) – A Seleção Americana que procurava se classificar para os Jogos Olímpicos em Londres sofreu um sério tropeço ao ser derrotada pelo Canadá por 2 a 0. Com isto, os americanos precisam derrotar El Salvador nesta segunda-feira para se classificarem para as semi-finais do torneio pré-olímpico no próximo fim de semana em Kansas City.

Mas os problemas não param aí. Também nesta segunda-feira o Canadá deve passar pela fraca seleção de Cuba. Se isto acontecer, mesmo que derrote El Salvador o time americano, como segundo colocado no Grupo A, terá que enfrentar o México na semi-final e apenas o vencedor se classifica para a Olimpíada.

O time dos Estados Unidos teve que jogar com o Canadá sem Juan Agudelo, de 19 anos, nascido na Colômbia e naturalizado americano. Agudelo teve rotura de menisco e vai ficar parado por algum tempo. O simples fato de que o melhor jogador da seleção pré-olímpica dos Estados Unidos nasceu fora do país oferece um eloquente testemunho de que os Estados Unidos vem revelando poucos jogadores de qualidade em sua nova geração. Este aliás é um problema que já chamou a atenção de Jurgen Klinsmann, novo técnico da seleção principal dos Estados Unidos.

Klinsmann quer ser responsável por tudo o que diz respeito ao futebol nos Estados Unidos e já disse que vai procurar novos jogadores entre as minorias raciais do país (hispânicos e negros.). Ele acha que o “soccer” entre garotos vem se baseando muito no trabalho com jogadores dos subúrbios, predominantemente brancos (nos Estados Unidos as classes mais ricas em geral moram nos subúrbios e os mais pobres no centro das cidades, a “inner-city”).

Mundial de Triathlon – 39

Bristol (EUA) – Aí estou eu, com três de meus cinco netos (os outros dois moram em Virginia Beach) depois da prova Shamrock Race em que todos nós ganhamos troféus. A foto foi tirada por minha mulher, Dawn Werneck, que não disputou a prova por precaução, já que ainda está se recuperando de um problema no joelho e o percurso tem muitas subidas e descidas.

David Stephenson, de 12 anos, foi o terceiro colocado nas cinco milhas (oito quilômetros), na faixa etária de 11 a 13 anos, com o tempo de 37:05. Timothy Stephenson, de nove anos, foi o segundo colocado nas duas milhas (pouco mais de 3.200 metros), na faixa etária de dez anos para baixo, com o tempo de 14:46. Hannah Stephenson, de seis anos, foi a segunda colocada feminina nas duas milhas, na faixa etária de dez anos para baixo, com o tempo de 17:52. Eu ganhei em minha faixa etária, de 70 a 79 anos, nos oito quilômetros, com o tempo de 49:31.

Acho que a melhor coisa que me aconteceu no ano passado em Pequim, no Mundial de Triathlon, foi ter sido desclassificado, pois ganhei a motivação necessária para me preparar melhor para a prova deste ano, que será em outubro, na Nova Zelândia. Vejam a comparação: no ano passado, com 73 anos, completei o percurso na Shamrock Race em 50:23. Este ano, com 74 anos, melhorei em quase um minuto. Se vocês me permitem, wow!

No Mundial, em Auckland, estarei com 75 anos, na faixa etária de 75 a 79 anos.

O calendário e a jaboticaba

Bristol (EUA) – O calendário do futebol brasileiro entra em choque com o do resto do mundo. Neste jogo, o resto do mundo ganha.

Um resultado direto de nossa derrota é que os clubes brasileiros sumiram do cenário internacional. Antes eles iam à Europa, ganhavam um bom dinheiro, mostravam sua marca.

Agora que temos um universo do futebol que se espalha também pela Ásia e pelos Estados Unidos (incluindo o Canadá), nossos clubes não excursionam, ninguém fala neles, não ganham dinheiro.

Deixam de ganhar dinheiro em bilheteria e em patrocínios.

O único jeito é adaptar nosso calendário, com uma pré-temporada de excursões em agosto, depois das férias (que agora são no fim/início do ano).

Stanislaw da Ponte Preta dizia que tudo que só tem no Brasil e não é jaboticaba é besteira.

Nosso calendário é besteira.

Uma boa Maratona

Bristol (EUA) – Informo aos interessados que a 27a. edição da Maratona de Hamburgo vai ocorrer dia 29 de abril e quem não conhece esta bela cidade ao norte da Alemanha deveria aproveitar para visitá-la. Foi lá que os Beatles fizeram sua fama e, quando visitei Hamburgo em 1978, numa excursão da Seleção Brasileira antes da Copa do Mundo na Argentina, comprovei que a vida noturna da cidade era ainda mais “quente” do que se dizia.

O recorde masculino do percurso, do espanhol Julio Rey, com 2:06:52, já dura há seis anos, mas acho que desta vez vai cair, pois teremos a presença de dois et’iopes, Dadi Yami e Shami Dawit, que em janeiro correram em Dubai com tempos de 2:05:41 e 2:05:42. Há ainda tr^es outros homens capazes de correr abaixo de 2:07, dois deles quenianos e um etíope.

O recorde feminino é da russa Irina Timofeyeva, com 2:24:14. À primeira vista, é capaz de permanecer, embora haja a ameaça da etíope Robe Guta, cuja melhor marca é de 2:24:35.

Serão cerca de 14 mil corredores, com outros quatro mil disputando em revezamentos.

Pelé, Maradona, Messi

Acervo/Gazeta Press

Acervo/Gazeta Press

Bristol (EUA) – Escrevi uma crônica sobre a Copa do Mundo de 1986 no site da ESPN Brasil em que faço uma comparação entre Pelé e Maradona.

Volta e meia alguém, brasileiro ou estrangeiro, me pergunta quem foi melhor. Acompanhei toda a carreira dos dois e acho que estou em condições de afirmar que Pelé foi melhor do que Maradona, por ser um jogador mais completo e por ser melhor atleta.

Digo aliás o seguinte: Pelé não apenas foi melhor do que Maradona, Pelé é melhor do que Maradona. Aos 71 anos, Pelé ainda pode entrar em campo e bater uma bola. Aos 51 anos, Maradona mal consegue caminhar.

Quanto a Messi, o júri ainda não tem um veredicto.

“Eu tento”, disse Muamba

Foto AFP

Fabrice Muamba - Foto AFP

Bristol (EUA) – A história da recuperação de Fabrice Muamba, como contada hoje pela imprensa internacional, é quase inacreditável. O jogador precisou de 15 choques de desfribilador para seu coração voltar a bater e, para todos os efeitos, esteve morto durante uma hora e 18 minutos. Os médicos dizem que uma hora é o tempo máximo em que é possível ressuscitar uma pessoa que sofre um ataque cardíaco.

Muamba, de 23 anos, bateu o recorde.

O mais notável é que há sinais de  que Muamba não sofreu dano cerebral. Algo também espantoso quando o cérebro fica privado de sangue durante tanto tempo. Um dos médicos que o socorreu, o dr. Andrew Deaner, estava na arquibancada, assistindo ao jogo no sábado, e pulou para o gramado quando viu Muamba cair.  Lá, ele juntou-se aos para-médicos que já haviam iniciado o socorro. O coração de Muamba recebeu choques durante 48 minutos a caminho do hospital e mais 30 minutos depois de chegar lá, até finalmente recuperar suas pulsações.

Mais impressionante, segundo o médico, é que, ao ressuscitar, Muamba foi capaz de mostrar um senso de humor. O médico disse que se debruçou sobre ele e murmurou em seu ouvido: “Me disseram que você é um ótimo jogador de futebol”.

- Eu tento – respondeu Muamba.

Os olhos do dr. Andrew Deaner se encheram de lágrimas.

Perdão ao mentiroso

Bristol (EUA) – O governo brasileiro decidiu aceitar Jérôlme Valcke novamente como representante da FIFA para assuntos da Copa de 2014, depois dele ter explicado que foi mal traduzido pela imprensa inglesa e nunca declarou ter dito que o Brasil precisava de um “kick in the back-side”.

Acontece que, ao tomar conhecimento das explicações de Valcke de que falara em francês e fora mal interpretado, as televisões, rádios e  jornais britânicos confirmaram que ele havia falado em inglês mesmo.

Acho que o governo brasileiro está se mostrando muito frouxo com a FIFA. Ainda agora o Ministro de Esporte, Aldo Rebelo, disse que o governo vai permitir a venda de bebidas alcóolicas nos estádios porque já assumiu compromissos neste sentido com a FIFA, “assim como também o fizeram a Rússia e Qatar”.

O Qatar, país muçulmano, já assinou compromisso com a FIFA garantindo que vai permitir a venda de  bebidas alcóolicas em seus estádios na Copa de 2022?  Onde está o documento?

Talvez Jérôlme Valcke não seja o único mentiroso.