O perigo para o City

Foto: AFP

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Bristol (EUA) – O Manchester City mereceu derrotar o Manchester United e agora lidera a Premier League por diferença de gols. Leva uma boa vantagem de oito gols. Mas o perigo existe, por uma razão muito simples: o Manchester United faz suas duas últimas partidas contra equipes como o Swansea e o Sunderland que estão ali pelo meio da tabela, sem muito por que lutar.

Já o Manchester City faz dois jogos perigosos porque primeiro pega, fora de casa, o Newcastle United, que está buscando uma vaga na Champions League. Segundo, porque joga, no Etihad Stadium, com o Queen’s Park Rangers, que peleja para escapar do rebaixamento.

São aspectos positivos de um campeonato por pontos ganhos, em turno e returno, com acesso e descenso de times.

Mundial de Triathlon – 42

Bristol (EUA) – Aí estamos depois de uma corrida como preparativo para o Mundial de Triathlon, na Nova Zelândia. Minha mulher, Dawn Werneck, ganhou sua faixa etária feminina, de 60 a 69 anos, com o tempo de 56:35 para os Dez Quilômetros. Eu ganhei minha faixa etária,  de 70 a 79 anos, com  29:34 para os Cinco Quilômetros (na verdade, as duas distâncias estavam cerca de cem metros mais compridas).

Nosso neto, David Stephenson, de 12 anos, foi o terceiro colocado na faixa abaixo de 19 anos, com 48:49 para os Dez Quilômetros. Nosso outro neto (estou falando apenas dos netos que moram em Connecticut), Timothy Stephenson, de nove anos, correu os Cinco Quilômetros na faixa abaixo  de 18 anos (uma faixa etária forte demais, é claro) em 26:26.

Nosso  amigo Craig Boettger completou os Dez Quilômetrtos em 50:45, na faixa etária de 60 a 64 anos. (Algumas faixas etárias masculinas eram diferentes das faixas etárias femininas, nos Dez Quilômetros).

Nossa neta, Hannah Stephenson, de seis anos, correu a milha em 8:37, sem colocação, pois era uma “fun run”.

Nossa filha, Rebecca Werneck Stephenson, está se preparando para disputar o Half Ironman de St. Croix, no próximno fim de semana. Não correu, pois foi fazer um percurso longo de bicicleta.

Minha mulher e eu já nos inscrevemos no Triathlon de Cape Cod, no início de junho, como classificação para o Mundial em outubro.

O azar de Splitter

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Bristol (EUA) – Ele jogou apenas 7:08 minutos, marcou quatro pontos, pegou um rebote, conseguiu um toco e sofreu uma torção no pulso esquerdo. Foi na vitória do San Antonio Spurs sobre o Utah Jazz por 106 a 91 neste domingo.

Uma vitória tranquila para  abrir os playoffs, mas o técnico Gregg Popovich deve estar preocupado. Afinal, o azar não é só do pivô Tiago Splitter mas também do treinador, que vem preparando o brasileiro para ser o sucessor de Tim Duncan no Spurs como Tim Duncan, hoje um veterano, foi o sucessor de David Robinson.

Aos poucos, Splitter vinha aumentando seu tempo na quadra, com números significativos de 17,6 pontos e 9,8 rebotes por partida. O Departamento Médico do San Antonio Spurs  ainda não  se pronunciou sobre o tempo de recuperação de que Splitter vai precisar, mas já é possível dizer a esta altura que o brasileiro se tornou um homem importante na rotação do Spurs, por causa de seu tamanho e eficiência nos dois garrafões.

Splitter vem sonhando em ser o primeiro brasileiro a ganhar um título na NBA. Se ele não puder voltar nestes playoffs, o título vai ficar mais difícil para o Spurs.

Bom senso

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Terry não precisará cumprimentar um de seus desafetos

Bristol (EUA) – Há algum tempo escrevi um “post”, a propósito dos incidentes entre  Luís Suarez, do Liverpool, e Patrice Evra, do Manchester United, dizendo que a melhor coisa a se fazer era acabar com o ritual dos jogadores terem que compulsoriamente trocarem apertos de mão antes das partidas.

Houve quem me acusasse de ser contra o “fair-play”.

Agora, pela segunda vez em poucos meses, um jogo na Inglaterra será dispensado de uma troca de aperto de mãos. Primeiro, foi pela Copa da Inglaterra. Desta vez, é pela Premier League. Nos dois casos, estão envolvidos John Terry e Anton Ferdinand, sendo que este acusa aquele de racismo.

No fundo, é a mesma história envolvendo Suarez e Evra. Tais apertos de mão são hipócritas, quando os jogadores não se gostam. Fair-play, como o nome em inglês indica, é algo que você mostra jogando. O futebol viveu décadas e décadas sem a obrigação de apertos de mão antes do jogo e poderá vivê-las de novo.

A Europa encolhe

Bristol (EUA) – O futebol é uma atividade econômica inserida nas  demais  existentes num país. Quando as pessoas falam das imensas dívidas dos clubes europeus, muito superiores às dos brasileiros, devem refletir que o perigo é ainda maior do que parece, pois grande parte do Velho Continente  encontra-se de novo em recessão.

Uma recessão em cima de uma que mal acabou. A economia do Reino Unido, da Espanha, da Itália, da França, de Portugal, da Holanda e de outros países importantes no universo do futebol está de novo encolhendo. A da Alemanha ainda resiste, mas não se sabe por quanto tempo. A da Grécia, nem é bom falar.

Como os clubes europeus pretendem sobreviver? Dependendo cada vez mais do mercado externo, importante também para as cotas de televisão, sobretudo o da Ásia e da América do Norte. Por isto, sempre defendo que os clubes brasileiros também devem voltar seus olhos para estes mercados. Dizem que um significativo empecilho para tanto é o calendário de nosso futebol. Então, impõe-se modificar o calendário de nosso futebol.

Outras providências se impõem, é claro, como a segurança e o conforto para o público, pois, embora a atividade econômica no Brasil, ao contrário da europeia, esteja crescendo, nossos estádios vivem com público reduzido. Em algumas partidas, para piorar as coisas, os horários são absurdos.

Outro dia tomei conhecimento de um manifesto protestando contra a reforma de nossos estádios para a Copa do Mundo, com lugares todos sentados e numerados, “porque isto não faz parte da cultura brasileira”. Bobagem. O que faz parte da cultura brasileira? O desrespeito ao público, o desconforto, a sujeira, a má educação e a violência?

Apenas um gol de campo

Foto: AFP

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Bristol (EUA) – Semi-final estranha, em que apenas um gol de campo é marcado e em que jogadores experientes como Kaká e Cristiano Ronaldo cobraram mal pênaltis no “shootout”, já sem falar em Sérgio Ramos, totalmente desequilibrado, talvez por nervosismo.

Os representantes de La Liga, o campeonato de duas notas só,  não conseguem chegar à final do mais importante torneio europeu. Vamos ver o que conseguem os de La Otra Liga, na competição B do continente. Muito apropriado, já que no Campeonato Espanhol são também competição B.

O primeiro tempo da partida foi muito bom, com três gols em menos de meia-hora, mas pontuado por erros do juiz. Entretanto, tivemos  um segundo tempo monótono, em que os dois times mostravam medo de se arriscar e levar um gol no contra-ataque.

Receio que me parecia mais justificado por parte do Real Madrid, já que um gol do Bayern obrigaria o time espanhol a responder com dois. Vamos porém aos dois maiores erros do juiz no primeiro tempo, ambos beneficiando o Real Madrid: um pênalti inexistente que ele deu contra Alaba, que não tinha como tirar o braço da frente da finalização de Di Maria, e um pênalti claro de Pepe, ao desviar com o braço a cobrança de falta de Arjen Robben, ao fim do primeiro tempo, que ele não marcou.

Diga-se também que Pepe teria levado o segundo carão amarelo, pois já havia recebido um no pênalti anteriormente marcado, ao empurrar Mario Gomez dentro da área. O juiz deu também uma falta absurda de Gustavo, ao desarmar limpamente Ozil, no segundo tempo. Cristiano Ronaldo desperdiçou a cobrança.

Em suma, um árbitro  abaixo da importância do espetáculo.

Mario Gomez foi, no correr de todos estes prmeiros 90 minutos, uma figura patética, lenta, chutando fraco, longe de mostrar suas qualidades de artilheiro.

Na prorrogação de meia-hora, continuava a valer a vantagem de gol no campo do adversário, o que justificava uma maior cautela por parte do Real Madrid.

Todavia, é o Real Madrid que começa a jogar melhor e tem três claras oportunidades. Na primeira, Kaká mata bem a bola no peito, mas desperdiça o seguimento. Na segunda, o goleiro Neuer faz em Granero um pênalti que o juiz deixa passar e, na terceira, Cristiano Ronaldo estraga por completo uma ótima arrancada de Marcelo, ao se colocar em impedimento.

Uma eternidade se passou deoois dos três gols no primeiro tempo e agora vamos aos pênaltis.

Erros de Cristiano Ronaldo, Kaká, cobrança ridícula de Sérgio Ramos, idem por parte de Lahm. Profissionais regiamente remunerados, com os nervos à flor da pele. Até que chega Schweinsteiger para resolver o problema. Enfim, um representante da frieza germânica.

Cristiano Ronaldo, embora tivesse marcado os dois gols do Real Madrid no tempo normal, caiu verticalmente de produção depois da primeira meia-hora. Mário Gomez não deu o ar de sua graça.

Vamos para Chelsea contra o Bayern de Munique, que estará jogando na Allianz Arena, a sua casa. Uma final da Champions League surpreendente para todos aqueles que passaram os últimos seis meses endeusando os times espanhóis.

(Tenho enfrentado alguns problemas técnicos para publicar os comentários dos leitores, mas creio que eles estão sendo reparados.)

A pessoa “H”

Bristol (EUA) – É difícil, muito difíicil, meus amigos, não desconfiar – e desconfiar muito – que o senhor Ricardo Teixeira venha a ser a “pessoa H” que o relatório do Conselho Europeu está oficialmente acusando de ter recebido “pelo menos 13 milhões e setecentos mil dólares” no caso da ISL, a International Sports and Leisure, empresa de marketing.

O relatório é baseado em um depoimento do “prosecuting magistrate” (em outras palavras, membro do Ministério Público da Suíça), encarregado de investigar o caso, senhor Thomas Hildbrand. E o que o senhor Thomas Hildbrand disse, com todas as letras, é o seguinte: “Os pagamentos, feitos ao longo de um período de anos, eram destinados a usar sua influência dentro da FIFA e a Sports Holding AG, para garantir que ele subsequentemente influenciasse a conclusão dos contratos de sub-licenciamento, como presidente da Federação de Futebol de um país sul-americano”. (Os contratos de sub-licenciamente mencionados acima são os de direito de televisão).

Pronto, pela primeira vez aí está, com todas as letras, por uma autoridade oficial: o homem que recebeu o dinheiro era o presidente da Federação de Futebol de um país sul-americano. Não é um país africano, ou europeu, ou asiático, ou norte-americano. É um país sul-americano.

Que presidente de Federação é este: da Argentina, do Chile, do Uruguai? Do Brasil?

O “prosecuting magistrate” deixa mal o presidente da FIFA, senhor Sepp Blatter, e suas palavras mais uma vez têm uma ressonância especial. Senão, vejamos: “O senhor Blatter era diretor-técnico da FIFA de 1975 a 1981, Secretário-Geral de 1981 a 1998 e tem sido seu presidente desde então. Como a FIFA estava ciente de  que  quantias significativas eram pagas a alguns de seus dirigentes, é dif’ícil imaginar que o senhor Blatter nada soubesse a respeito”.

Ora, amigos, quando senhor João Havelange foi eleito para a presidência da FIFA? 1974. Quando ele nomeou o senhor Sepp Blatter para o cargo de diretor-técnico? 1975.

É difíicil, muito dif’ícil, deixar de imaginar que em 1974 instalou-se dentro da FIFA um sistema de corrupção que, como diz o senhor Thomas Hildbrand, acabou prejudicando a própria entidade. Senão, vejamos outra vez, ainda em suas palavras: “De acordo com a lei suíça, a FIFA aparece no processo como ré, mas também é vítima, porque o dinheiro pago a certos dirigentes inescrupulosos deveria ter sido pago à FIFA”.

Dirigentes inescrupulosos, no plural. Segundo Thomas Hildbrand, um deles (o presidente de uma Federação de um país sul-americano) recebeu “pelo menos 13 milhões e setecentos mil dólares”. O outro recebeu “um milhão e 650 mil dólares”.

Segundo leio na imprensa brasileira, o senhor Ricardo Teixeira, tão logo a Justiça Suíça resolva enfim liberar toda a sórdida historia ao conhecimento público, está pronto a jogar seu ex-sogro, João Havelange, debaixo do ônibus, dizendo que de fato recebeu os US$ 13,7 milhões, mas  como ”laranja”.

Mas e  o um milhão e seiscentos e cinquenta mil dólares? Teria tal pagamento sido uma comissão para desempenhar o papel de laranja?

São suposições, mas suposições cercadas de uma montanha de sérias evidências circunstanciais. O  que se torna cada vez mais claro é que este processo tem que vir em sua inteireza ao conhecimento público e, quando vier, dificilmente o senhor Blatter poderá continuar na presidência da FIFA, já que foi, no mínimo, negligente na defesa dos direitos da entidade.

Outras palavras do depoimento do senhor Hildbrand: “A acusada pessoa H enriqueceu-se com os pagamentos recebidos que não foram repassados, como era de sua obrigação, enquanto a FIFA foi prejudicada no mesmo montante”.

A morte pela caridade

Bristol (EUA) – Dez pessoas já morreram na Maratona de Londres, desde que ela foi criada, em 1981. Não é um índice alto, o de uma morte a cada três anos, se considerarmos o número enorme de pessoas que disputam a prova, muitos sem saberem que são portadores de problemas médicos. Dos dez que morreram, cinco foram por ataque cardíaco e, desses, quatro tinham doença coronariana em estado avançado, só descoberta através de autópsia. Na Maratona deste último domingo o número de corredores ficou em  redor de 37.500.

A décima pessoa a morrer foi Claire Squires, de 30 anos, que era uma cabeleireira  em um salão de beleza e corria como voluntária para levantar fundos para uma instituição de caridade chamada Samaritans. Em março, Claire havia escalado o Monte Kilimanjaro, na África,  para arrecadar dinheiro para a Associação da Real Força Aérea.

Claire Squires caiu a cerca de dois quilômetros do final da prova. Foi socorrida e levada a um hospital por uma ambulância, mas não conseguiram reanimá-la. A causa de sua morte ainda não foi estabelecida.

A notícia da morte de Claire fez com que o número de doações para a Samaritans crescesse enormemente, ultrapassando já a casa dos 400 mil dólares. Em seu web site, com o nome de JustGiving, Claire Squires havia escrito: “É uma ótima oportunidade para ajudar pessoas necessitadas”.

Ela ajuda, mesmo depois de morta, pois as doações continuam a ser feitas.

Marílson bem, Solonei mal

Bristol (EUA) – Marílson Gomes dos Santos, que já estava garantido na equipe brasileira para a Maratona Olímpica, foi bem na Maratona de Londres, neste domingo, com o oitavo lugar e um tempo de 2:08:03. Na verdade, Marílson foi o único corredor não-africano colocado entre os dez primeiros. Seu recorde pessoal é de 2:06:34.

O vencedor, como vocês podem verificar no “post” abaixo, foi o queniano Wilson Kipsang, com 2:04:44, seguido por outro queniano, Martin Lel, com 2:06:51. Depois chegaram um etíope, dois marroquinos, dois quenianos e, atrás de Marílson, um atleta da Eritreia e outro da Etiópia.

Solonei Rocha da Silva, medalha de ouro nos últimos Jogos Pan-Americanos, precisava correr abaixo de 2h12min para se garantir entre os três primeiros brasileiros, que serão os selecionados para a Olimpíada no próximo dia 29. Solonei entretanto conseguiu apenas 2:14:57 e está fora da Olimpíada.

O tempo de Kipsang ficou quatro segundos além do recorde de percurso em Londres. Ele poderia ter conseguido um tempo melhor, mas não teve adversário que lhe oferecesse resistência nos últimos oito quilômetros.

O curioso é que Kipsang ainda não garantiu sua vaga na Olimpíada. O número de grandes corredores quenianos é tão vasto que a Federação faz mistério e só vai divulgar a lista no dia 29, data-limite. A Federação não diz sequer quais são os critérios para a escolha.

Os homens do Quênia ganharam o Campeonato Mundial de Maratonas de 2011, mesmo ano em que venceram todas as cinco principais maratonas: Londres, Nova York, Chicago, Berlim e Boston. Este ano já repetiram as vitórias em Boston e Londres.

As mulheres quenianas ganharam o Campeonato Mundial de Maratonas em 2011 e três das “cinco grandes”. Este ano as quenianas até agora conquistaram os três primeiros lugares tanto em Boston quanto em Londres, em menos de uma semana.

O tempo de Mary Keitany agora em Londres foi de 2:18:37, novo recorde africano e terceiro melhor tempo de todas as épocas, inferior apenas aos da inglesa Paula Radcliff e da russa Liliya Shobukhova.

Mas a atitude mais inteligente é a da Federação dos Estados Unidos, que fez seus “Olympic Trials” em janeiro e selecinou a equipe masculina e a feminina. Eles agora terão tempo suficiente para recuperar as energias e estarem em forma no dia da Maratona Olímpica.

Mary melhora seu tempo

Bristol (EUA) – O resultado ainda é extra-oficial, mas a queniana Mary Keitany ganhou a Maratona de Londres neste domingo e melhorou seu recorde pessoal, que era de 2:19:19. Seu novo resultado aguarda confirmação, mas a diferença será suficiente para garantir que será mesmo seu tempo mais baixo, pois foi de 2:18:36.

Entre os homens, outra vitória queniana. O vencedor foi Wilson Kipsang, com 2:04:43. Kipsang porém ficou aquém de meu melhor resultado até hoje, que é de 2:03:42.