Mais ou menos

Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Bristol (EUA) – Apertado por compromissos sociais, vi poucos minutos do primeiro tempo, o suficiente para achar que foi mesmo pênalti do zagueirão filho de imigrantes nigerianos e que havia domínio completo do Brasil.

Mas o segundo tempo, que assisti por inteiro, mostrou alguns erros da zaga brasileira, o que obrigou o goleiro Rafael a ser um dos dois destaques de nosso time. Um time de futebol não vai bem quando o goleiro é sua melhor figura. Felizmente para o Brasil, havia um outro jogador que se destacou pelo aspecto técnico, Marcelo, embora infelizmente tenha também se destacado pelo lado disciplinar. Se destacado negativamente, quase incendiando, com seu temperamento exaltado, um mero jogo amistoso.

Os americanos acertaram uma cabeçada no travessão – do já citado Onyewu, o americano-nigeriano – e obrigaram nosso goleiro a pelo menos três grandes defesas neste segundo tempo, uma com os pés. Mas Pato também acertou uma bola na trave e finalizou com perfeicão o ótimo passe de Marcelo, no quarto gol.

Um jogo que acabou em 4 a 1 como poderia ter sido 5 a 3. Para preparar a Seleção Olímpica, foi bom. Como expressão do melhor futebol brasileiro, mais ou menos.

Senso coletivo

AFP

Bristol (EUA) – Tiago Splitter não está mal nos playoffs da NBA, mas em uma coisa ele precisa melhorar: seu aproveitamente de lances livres é algo do nível de Shaquille O’Neal.

Na primeira partida da série final contra Oklahoma City, Splitter aproveitou apenas um em cinco lances livres. Cá entre nós, nível até pior do que o de Shaquille.

Na segunda partida, aproveitou seis em 12. Ainda pouco.

Na primeira partida, Tiago Splitter ficou 12:38 na quadra e marcou um total de nove pontos, aproveitando quatro em cinco arremessos de quadra, já que não tenta mesmo os chutes de longe.

Na segunda partida, terça-feira à noite, ficou 11:20 na quadra, tentou apenas um arremesso de quadra e convertou. Total de oito pontos.

Splitter vem fazendo, nas mãos do técnico Gregg Popovich, o mesmo longo aprendizado pelo qual já passaram Tony Parker e Tim Ducan, esteios da equipe. O Spurs alcançou 20 vitórias seguidas, incluindo os atuais playoffs, e está jogando um basquete de grande senso coletivo.

Esta é por sinal a grande diferença de um time treinado por Gregg Popovich, onde nem Tim Duncan assume os ares de estrela, para a imensa maioria dos outros times da NBA, onde astros tipo Lebron James, Carmelo Anthony e muitos outros são extremamente individualistas.

La Liga é uma piada

Foto: AFP

Foto: AFP

Bristol (EUA) – Há algum tempo fiz um comentário com este título em um vídeo na ESPN Brasil. Houve quem protestasse. Mas leiam agora o que disse o técnico José Mourinho em uma entrevista na Turquia:

“Se o Barcelona não existisse, o Real Madrid seria campeão sem precisar de um técnico. Nos acumulamos cem pontos no campeonato e o Barça 91. Isto é algo que você não vê em ligas como a inglesa, a italiana e a francesa”.

Mourinho poderia, é claro, ter citado outras ligas, como a alemã. É por isto que eu sempre digo que o campeonato espanhol é o campeonato de duas notas só: o Real Madrid e o Barcelona. Os próprios espanhóis reconhecem este problema, dizendo que na Espanha existem duas ligas: La Liga , com Real Madrid e Barcelona, e La Otra Liga, com os demais clubes.

Qual a principal causa? O fato de que a parte do leão nas rendas de televisão fica com o Real Madrid e o Barcelona. É preciso cuidado para que o mesmo não venha a acontecer no Brasil.

José Mourinho também deu a entender que, ao fim de seu novo conrrato com o Real Madrid, em 2016, deve voltar a ser técnico de um clube inglês, pois sua filha estará na idade para cursar uma Universidade e ele gostaria que fosse uma Universidade inglesa.

Beckenbauer esnoba Blatter

Bristol (EUA) – Sepp Blatter, o presidente da FIFA, fala demais. Todo mundo sabe. Sua última incursão havia sido a de deblaterar contra a cobrança de pênaltis para decidir um jogo empatado, dizendo que ela é uma “tragédia”. Imediatamente, torcedores de todo o mundo, inclusive do Brasil, começaram a dizer que gostam da cobrança de pênaltis. Como eu escrevi abaixo, é um gosto adquirido. Não gostavam no início, mas passaram a gostar, pois passaram a apreciar o que se exige de técnica e sangue frio, num ambiene dramático.

Blatter tinha encarregado Franz Beckenbauer de encontrar uma “solução”. O Kaiser, como se sabe, é o chefe de uma Força Tarefa com a missão de tornar o futebol mais interessante na próxima Copa do Mundo, a de 2014, no Brasil.

Ora, nem bem recebeu a missão, Beckenbauer declarou o seguinte aos jornais alemães: “gosto da cobrança de pênaltis, ela traz emoção às decisões”.

Agora, Blatter está declarando pelo tweeter que nunca foi contra a cobrança de pênaltis. Acha porém que ela deve envolver os 11 jogadores e não apenas cinco. (A verdade é que, se há empate depois de cinco cobranças, os outros jogadores são chamados a cobrar, até haver um vencedor).

Para mim, o sistema é bom como está. Parece que para Beckenbauer também.

Dia de decisão

Bristol (EUA) – Domingo é o dia decisivo para Haile Gebrselassie conseguir a classificação para representar a Etiópia na prova dos 10 mil metros na Olimpíada de Londres. É a 30a. edição da Fanny Blankers-Koen Games, prova integrante da IAAF World Challenge.

O local, muito conhecido de Gebrselassie, é a cidade de Hengelo, na Holanda. Domingo passado Gebrselassie, de 37 anos, ganhou o Bupa Great Manchester 10K, na Inglaterra, com o tempo de 27:36.

Gebrselassie é bicampeão olímpico nos 10.000 metros, além de antigo recordista mundial na distância, com o tempo de 26:27:75. En Hengelo, ele vai encontrar forte oposição de alguns conterrâneos, como Sileshi Shihine, com melhor tempo de 26:39:69, Imane Merga (26:48:35) e Gebre Gebremariam, cujo melhor tempo é de 26:52:33. Grande parte dos competidores estará procurando a classificação para a Olimpíada de Londres.

Gebrselassie já estabeleceu quatro redordes mundiais em Hengelo. Este domingo pode não ser dia de recorde, mas será dia de decisão.

Mundial de Triathlon – 44

Bristol (EUA) – Rumo ao Triathlon de Cape Cod. Hoje foi minha derradeira preparação antes do Triathlon de Cape Cod no próximo fim de semana, triathlon que por sua vez serve como treinamento para o Mundial de Triathlon em outubro, na Nova Zelândia.

Fui o quarto colocado no Delaney Dash, uma prova de quatro milhas (6.430 metros), com o tempo 38:27, na faixa etária de 70 a 79 anos, mas achei bom o resultado, porque a prova é o Campeonato de Corridas de Rua em Connecticut e os adversários que chegaram à minha frente tinham 70 anos (primeiro e segundo colocados) e 72 anos, no caso do terceiro. Eu estou com 75.

Minha mulher, Dawn Werneck, foi a primeira colocada na faixa etária de 60 a 69 anos, com o tempo de 34:32. Nosso neto, David Stephenson, foi o segundo colocado na faixa etária até 12 anos, com o tempo de 29:52.

Gosto adquirido

Djalma Vassão/Gazeta Press

Bristol (EUA) Homem irriquieto, este Joseph (Sepp) Blatter, presidente da FIFA. Agora encarregou Franz Beckenbauer, o Kaiser, de descobrir uma alternativa para a decisão por pênaltis, que ele considera uma “tragédia”.

Mas os comentários dos torcedores estão chegando e – surpresa! – há um número enorme deles que aprendeu a gostar da decisão por pênaltis. Mais ainda: há um grande número que começa a perceber que cobrança de pênaltis não é simples loteria, como diz o lugar comum do futebol. Cobrança de pênalti exige técnica, tanto da parte de quem chuta quanto da parte de quem defende, e uma grande força psicológica.

Qual seria a alternativa para a cobrança de pênaltis?

O chamado “golden goal”, o gol de ouro, em que é vencedor o time que marca primeiro, não aprovou, quando foi usado, pois descobriu-se que os times preferiam se fechar na defesa, com medo de levar um gol, e esperar… Esperar o que? Esperar a decisão por pênaltis.

Vamos ver o que Franz Beckenbauer vai arranjar. Mas Blatter está surpreso ao descobrir que muita gente gosta dos pênaltis.

É o chamado gosto adquirido.

Dívidas astronômicas

Foto: AFP

Campeão da Premier League após 44 anos, Manchester City gasta mais do que arrecada

Bristol (EUA) – Com raras exceções, os clubes ingleses estão mergulhados em um Mar Vermelho. Arrecadaram 2,2 bilhões de libras esterlinas (a libra esterlina vale 1,6 dólares) no ano passado e mesmo assim conseguiram ter um prejuízo de 392 milhões de libras.

Como não podia deixar de ser, o Manchester City é o maior gastador. Pagou 174 milhões de libras em salários, enquanto arrecadava 159 milhões, dos quais 20 milhões de libras em ingressos e 69 milhões de libras em televisão e outros meios de transmissão.

No total, incluindo compra e venda de jogadores, o Manchester City perdeu 197 milhões de libras esterlinas. Algo em torno de 315 milhões de dólares.

O Newcastle foi um dos poucos clubes com lucro, por ter vendido seu atacante Andy Carroll ao Liverpool. O Manchester United, colocado por seus proprietários americanos sob o regime de contenção de despesas, também teve lucro. Coisa pequena, de menos de 20 milhões de dólares. Mas está sobrecarregado de dívidas incorridas pelos donos e nada ganhou  em matéria de títulos.

Será esta a contrapartida? O preço da glória é um buraco financeiro cada vez maior?

Para a próxima temporada os clubes ingleses que estiverem na Champions League terão que se submeter a um controle financeiro pela UEFA. Mas os que só estão na Premiership podem continuar a gastar como bem entenderem.

O Manchester City, do xeque Mansour, e o Chelsea, do oligarca russo Roman Abramovich, estão na Champions League. Vamos ver se endireitarão mesmo suas finanças.

A FIFA pisa na bola (de novo)

Bristol (EUA) – Até quando abusará a FIFA de nossa paciência? A entidade acaba de adiar, mais uma vez (agora para julho), a escolha de um promotor e de um juiz, como personalidades independentes, para chefiar seu painel de investigações sobre corrupção.

Em matéria de corrupção a FIFA é, como se sabe, um prato cheio. Há o famoso caso da ISL, em que os nomes dos culpados, apesar de conhecidos no processo (dois são brasileiros), ainda não foram revelados ao público. A nomeação do promotor e do juiz para o painel de investigações contribuiria em muito para por um fim à novela.

O caso empacou desde outubro do ano passado. Mas, ao contrário do que muitos pensam no Brasil, existe ainda a forte possibilidade da Justiça suíça revelar afinal quem são os delinquentes.

Há também as investigações sobre a escolha da Rússia como sede da Copa de 2018 e do Qatar como sede da Copa de 2022.

A desculpa da FIFA para  ainda não ter anunciado os dois ocupantes dos cargos no painel de investigações é de que um deles “está doente”.

Moléstias são sempre ótimas desculpas nestas ocasiões. A FIFA precisa ser mais saudável, fisica e moralmente.

Deus nos acuda

Foto: AFP

Foto: AFP

Bristol (EUA) – Li hoje de manhã uma entrevista do Ministro do Esporte, Aldo Rebelo em uma edição online. Segundo ele, a imprensa exagera ao noticiar atrasos nas obras para a Copa do Mundo. Sua Excelência garantiu que não há atraso e disse que o Brasil tem uma tradição de realizar grandes obras, como a construção de Brasília.

Bem, o senhor Ministro que me perdoe, mas eu tinha 22 para 23 anos quando Brasília foi “inaugurada”. Tinha 13 anos quando o Maracanã foi “inaugurado”. Na verdade, nem Brasília nem o Maracanã estavam prontos. Foram “inaugurados” no peito e na raça, em condições precariíssimas, e só ficaram prontos muitos anos depois.

Quando pesquisei de novo a Internet, ao fim da tarde, a entrevista do Ministro não mais estava lá.Talvez ele tenha se arrependido de suas palavras. Mas se não, se continua mesmo achando que podemos esperar para a Copa do Mundo  ”inaugurações” como a de Brasília, Deus nos acuda.