A Olimpíada de 2016

AFP

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Bonito (Mato Grosso do Sul) – Estou aqui nadando, pedalando e correndo. No entrementes, recebi de uma amiga residente na Alemanha um vídeo  com a publicidade da Olimpíada em 2016 e a observação: “it’s very cool”.

Sim, o vídeo é very cool. Resta saber se as obras ali prometidas estarão mesmo prontas, como prometido. Ainda neste último domingo, no Triathlon do Rio,  estive com Alexandre Médicis, engenheiro, com vasta experiência no assunto, que me disse: “Estou alarmado”.

Está alarmado, claro, com a possibilidade de que boa parte daquilo hoje apresentado em belas propagandas, fique nos vídeos e nas pranchetas. Devo dizer que nunca fui contra a realização da Olimpíada no Rio. O problema é como realizá-la. Acho que o Rio precisa mais de uma Olimpíada do que Londres, porque Londres, afinal, é um nome tão famoso como destinação turística que uma Olimpíada a mais ou a menos não faz grande diferença. O Rio ainda não tem o mesmo reconhecimento internacional.

Acho também que muitas obras  prometidas no vídeo serão importantes para a infraestrutura da cidade, como o metrô até a Barra, o novo Porto e a despoluição da Baía de Guanabara.

O vídeo assegura  que Copacabana já está escolhida como o local do Triathlon Olímpico. Não sei se é de pedra e de cal. Acho, por exemplo, que, com a despoluição da Baía de Guabara, a área que compreende o Aterro do Flameno, a Praia da Glória (ali ao lado da Marina da Glória) e o trecho  que vai até o Porto (para o ciclismo) seria melhor para o triathlon. Mesmo que o Triathlon Olímpico fique  em Copacabana, no futuro acho que na área que acima mencionei pode ser realizado um triathlon que entre com força no calendário internacional como uma competição de alto nível, atraindo os grandes competidores mundiais.

É mais ou menos nesta área que no domingo, 9 de Setembro, será disputada a Maratona Pro Adidas, com um bom projeto, tirado da Maratona Olímpica de Londres. A idéia é, como em Londres, dar três voltas num percurso na parte nobre da cidade, mostrando o Aterro do Flamengo, o Pão de Açúcar, o Corcovado, a Marina da Glória, o Monumento aos Pracinhas, o Teatro Municipal, o trecho a que já me referi com o novo Porto e a chegada no Sambódromo. Este percurso, ou parte dele, será testado na Maratona Pro Adidas e estarei lá para dar minha opinião.

O problema, escrevi acima, não é a Olimpíada, mas como realizá-la. Acho que a imprensa precisa marcar nossos cartolas e políticos em cima, não apenas para que as obras saiam do papel mas que sejam executadas com honestidade. É necessário que haja uma prestação de contas e que seja totalmente transparente. Vai ser?

O triathlon do Rio

Divulgação

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Bonito (Mato Grosso do Sul) – Estou no Pantanal, entregue às feras. Peço desculpas aos leitores por ter demorado a registrar seus comentários ao Triathlon do Rio de Janeiro, do qual participei neste último domingo.

Aí vai uma foto minha durante a prova, por gentileza do Paulo Prudente. Meu resultado no Sprint Triathlon foi de 1:54:09, com 22:40 para os 750 metros de natação, 55:16 para os 21 quilômetros de bicicleta e 34:13 para os cinco quilômetros de corrida.

Sempre digo que é muito difícil comparar resultados em trathlons, porque há sempre muitas variáveis. Neste domingo, por exemplo, a etapa de natação começou ainda na areia, com uma faixa de largada e uma corrida até a água, enquanto em algumas outras provas você já começa na água. A distância do fim da natação para a transição das bicicletas era longa. Por falar nisto, nos tempos parciais que dei acima estão incluídas as transições.

Sempre digo que a responsabilidade de conhecer o percurso é dos competidores e posso citar meu próprio exemplo neste domingo. Fiz entre 100 e 150 metros a mais no ciclismo, mas por minha própria culpa, por ouvir palpites de pessoas que assistiam à prova, fazer um contorno no lugar errado e ter que voltar para refazê-lo. Eu deveria ter prestado um pouco mais de atenção às explicações no Simpósio, na véspera, mas viajara de avião a noite inteira, sem dormir, e estava cansado.

Pelo que me dizem, a Federacão Carioca é a que tem mais atletas registrados no Brasil. Parabéns. O triathlon é um esporte com um crescimento vertiginoso no mundo afora. É pena  que no Brasil, como o leitor Rafael Proença lamenta em um “post” mais abaixo, a imprensa pareça tão desinteressada por ele. Ou desinformada.

Os resultados do triathlon

Rio de Janeiro – Como prometi, tenho agora os principais resultados da segunda etapa do Campeonato Carioca de Triathlon, disputado neste domingo, no Aterro do Flamengo.

Entre os homens, no triathlon olímpico, a vitória, como escrevi no “post” abaixo, foi de Diogo Sclebin, um dos brasileiros que estiveram na Olimpíada de Londres. Seu tempo foi de 1:51:39. O segundo colocado foi Pedro Arieta, cm 1:57:29, e o terceiro foi Rafael da Silva, com 1:50:40.

No sprint triathlon (também chamado de “short”), o vencedor foi Marcos Hallack, com 1:04:41. O segundo colocado foi Bruno Val (que me confirmou que estará no Mundial da Nova Zelândia, em outubro, com sua esposa Raquel), com 1:06:28. O terceiro foi Wagner  Romão, com 1:07:07.

No triathlon olímpico feminino a vencedora foi Suely Lima, com 2:25:26, seguida por Juliana Trindade com 2:27:46 e por Mariana Mello, com 2:28:05.

No sprint  triathlon feminino a primeira colocada foi Luiza de Azevedo, com 1:12:53, seguida por Paola Freitas com 1:14:03 . Ana Amatto foi a terceira colocada, com 1:14:05.

Parabéns a quem competiu e aos organizadores, num belo dia de sol numa bela cidade. O triathlon tem a cara do Rio de Janeiro.

Um belo triathlon

Rio de Janeiro –  As autoridades desta cidade não sabem o tesouro que tem em suas mãos. Estive há pouco no Campeonato Carioca de Triathlon, realizado nas distâncias olímpica e sprint. A Olímpica tem 1500 metros de natação, 40 quilômetros de ciclismo e dez de corrida. O sprint tem a metade das distâncias, embora este em particular tenha tido 21 quilômetros no ciclismo, por questões de percurso.

A natação foi na Baía da Guanabara, na praia que fica em frente ao Hotel Glória, e vem daí minha observação de que as autoridades cariocas (e estaduais) não sabem o tesouro que tem em mãos. Se elas providenciassem a despoluição da baía, coisa que vem sendo prometida há anos, o local, que é maravilhoso, seria uma grande atração turística. Muitos estrangeiros seriam atraídos para nadaram em suas águas calmas, com uma boa extensão de areia bem branca, se, além de calmas, as águas também fossem límpidas, como já foram no passado.

Como está, muita gente que mora aqui e outros que chegam de outras cidades e países, nem sabem que há uma praia ali. Só mesmo triatletas, sempre sequiosos de competir, se arriscam a mergulhar em águas turvas (embora, na verdade, não sejam tão escuras quanto muitos pensam).

A prova foi um sucesso, com a vitória de Diogo Sclebin, triatleta olímpico brasileiro, no evento principal. Assim que souber, informarei o nome da vencedora entre as mulheres, pois cheguei há pouco de volta ao hotel e ainda não tenho os detalhes da competição.

Quanto a mim, competi modestamente na distância “sprint” e, aos 75 anos, fui de longe o mais velho na prova. Foi uma ótima oportunidade para continuar em meu preparo para o Campeonato Mundial de Triathlon, na Nova Zelândia, em outubro, quando, sei, terei muitos adversários em minha faixa etária. Esta é por sinal outra barreira que precisa ser vencida no Brasil: por que tão poucas pessoas de 70 anos para cima competem em triathlons e corridas de rua? Será que o brasileiro envelhece mais depressa? Não acredito. Creio que o problema é cultural. Aqui no Brasil, quando o cidadão passa dos 60 anos, todos acham (e ele também) que já está na hora de ir para o desvio.

Parabéns à Federacão de Triathlon do Rio de Janeiro. Apesar de pouco divulgada pela imprensa, a prova atraiu gente de outros estados, como São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Os meios de comunicação no Brasil estão um pouco desatentos em relação ao triathlon, um esporte que, nos Estados Unidos, por exemplo (e sei porque moro lá) tem uma imensa popularidade e um crescimento vertiginoso.

(Internet é um problema. Acabo de perder metade do que escrevi. Vou ver se me lembro). Eu ia dizendo que a prova contou com a presença de diversas figuras “legendárias”, como Alexandre Médicis, Alexandre Ribeiro, Armando Barcellos, Marco Ripper (seu nome constava originalmente, depois foi apagado quando a internet entrou em pane),Virgílio Andrade, Sérgio Cordeiro, Miriam Xavier.

Pode ser que, com a chegada da Olimpíada, os jornais, televisões e autoridades prestem um pouco mais de atenção ao triathlon e outros eventos de rua, pois o Rio de Janeiro tem o clima e o cenário ideais para tanto.

A luta chega ao fim

Bristol (EUA) – Agora é oficial. Lance Armstrong, ganhador de sete Tours de France, desistiu de contestar a investigação da USADA sobre seu possível uso de doping. É uma história longa, longa de muitos anos, e complicada. Armstrong foi alvo de diversas investigações, uma inclusive pela Justiça Federal Americana, mas agora é a agência criada no ano 2000 para combater o uso de doping por atletas nos Estados Unidos que finalmente o levou à lona.

Armstrong disse que não vai contestar as acusações da USADA em uma arbitragem sobre o caso, porque está “cansado”, embora tenha reiterado sua inocência. Mas ao declinar a arbitratgem, Armstrong para todos os efeitos admite sua culpa. O chefe da USDA, Travis Tygart, se declarou com o “coração partido”, mas deu também a entender que Lance Armstrong será despojado de seus sete títulos no Tour de France, de 1999 a 2005, e proibido de participar de esportes olímpicos.

Isto significa, entre outras coisas, que Lance Armstrong não poderá mais disputar triathlons (seu esporte original). Ele havia sido o terceiro colocado em um Triathlon 70.3 (Meio Ironman) em St. Croix, este ano, e estava prestes a embarcar para disputar o Ironman em Nice, em busca de sua classificação para o Campeonato Mundial Ironman, no Havaí, quando a USADA anunciou sua arbitragem. Armstrong teve que desistir.

Sua participação em triathlons ficou inicialmente suspensa, mas agora ele deve mesmo ser proibido de retomar sua carreira de triatleta.

Ao longo de sua carreira, Armstrong tornou-se um milionário e teve romances com diversas mulheres famosas, entre elas a atriz Kate Hudson.

Mas também ao longo dos anos as acusações de que ele tomava EPO (um “aditivo” sanguíneo), esteróides e “doping de sangue”, entre outras coisas, nunca deixaram de existir. Houve diversas reportagens na imprensa inglesa e francesa e Armstrong chegou a recorrer à Justiça contra algumas delas.

Agora porém a USADA diz que tem “provas incontestáveis”, além de e-mails de um ex-companheiro de Lance Armstrong, Floyd Landis. A agência informou que pelo menos dez ex-companheiros de Lance Armstrong iriam depor contra ele, sem divulgar seus nomes, embora se saiba que Tyler Hamilton estava relacionado.

É interessante notar que Michele Ferrari, o médico italiano estreitamente ligado a Armstrong, há algum tempo também desistiu de contestar as acusações de que administrava doping e foi banido do esporte.

Armstrong era e por muitos ainda é considerado um herói, por ter sobrevivido a um caso de câncer testicular, em que as chances de cura eram de apenas 50%, graças a uma cirurgia e tratamente de quimioterapia.

Ele diz que continuará atuando à frente da Armstrong Foundation, que faz a campanha conhecida como Livestrong para ajudar as vítimas de câncer.

Rumo ao Rio

Bristol (EUA) – Os últimos dias passaram numa atropelada e agora estou a caminho do Rio de Janeiro, onde participarei de um Triathlon neste domingo, no Aterro do Flamengo, e, mais adiante, em setembro, ajudarei na organização da Maratona Pro Adidas, que inaugurará um percurso novo na cidade.

O triathlon neste domingo vai comemorar os 30 anos da primeira prova deste esporte disputada no Brasil, também no Aterro do Flamengo, mas com o curioso detalhe de que a sequência de etapas foi a seguinte: natação, corrida, ciclismo, por motivos de força maior, um pouco longos de explicar agora.

Pelo que me consta, alguns dos participantes naquela ocasião estarão na competição domingo, que servirá também como uma etapa do Campeonato Carioca e terá a presença de Diogo Sclebin, um dos brasileiros que recentemente disputaram o triathlon olímpico em Londres. Vou me hospedar no Mar Palace Copacabana e sábado à tarde participarei do  Simpósio na Sociedade de Engenheiros e Arquitetos.

Quanto à Maratona Pro Adidas, a novidade será um percurso diferente, em “loops”, como foi o da excelente Maratona Olímpica em Londres. Serão três voltas de 14 quilômetros, mais um “rabinho” de 195 metrtos, além de uma prova de 14 quilômetros, em volta única.

Se a experiência der certo, o percurso poderá ser adotado para a Maratona Olímpica em 2016. Não sei ainda quem se inscreveu, mas dei uma rápida olhada nos resultados da recente Meia-Maratona, também no Rio, e constatei a presença de  alguns  quenianos e quenianas com tempos de nível verdadeiramente internacional. Estarão também na Maratona?

Vamos ver quem vai correr e vamos ver se o percurso agrada. Darei minha opinião.

Jogos meio secretos

Bristol (EUA) – A Federação Americana de Futebol não gostou de saber que as partidas eliminatórias dos Estados Unidos para a Copa do Mundo no Brasil, sempre que disputadas no exterior (isto é, nos demais países da CONCACAF), foram vendidas para uma emissora relativamente pequena, chamada beInSports, que por sua vez pertence ao canal árabe Al Jazeera.

Não se trata de problema político, e sim de exposição. A beInSports pode ser vista apenas por 34 milhões de assinantes, o que, no universo da audiência americana, é um número bastante pequeno.

Sunil Gulati, presidente da Federação Americana, está em contato com a beInSports.

- Eles me disseram que vão aumentar o número de seus assinantes de modo agressivo nas próximas semanas – declarou Gulati ao jornal New York Times.

Então, precisarão ser muito rápidos. O primeiro jogo a ser televisado pela beInSports será no dia 7 de setembro.

Os apuros de Armstrong

Foto: AFP

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Bristol (EUA) – Lance Armstrong teve negada na Justiça a sua pretensão de impedir a USADA (United Startes Anti-Doping Agency) de prosseguir com as acusações de que ele tomava doping quando competia.

Armstrong aposentou-se há um ano, mas poderá perder todos os seus sete títulos no Tour de France e ser proibido de participar de esportes ol’impicos (ele agora quer voltar ao triathlon, sua primeira paixão).

O juiz Sam Sparks, do Texas, disse que “a Justiça Federal não pode  arrogar-se o papel de árbitro para decidir assuntos de um esporte do qual sabe bem pouco”.

O juiz também achou lamentável haver uma disputa entre a USADA e a União Internacional de Ciclismo, a propósito de Armstrong. Ele se considerou “perplexo” com o fato de que as duas organizações não conseguem se entender. Segundo a USADA, a União Internacional de Ciclismo tem a intenção de passar uma borracha nas investigações contra Armstrong.

Travis Tygaart, executivo da USADA, garantiu  que a agência “sempre protegeu os legítimos direitos dos atletas” e  que está interessada em uma “arbitragem p’ublica” do caso contra Armstrong, desde que ele concorde.

Um dos  advogados de Armstrong, Travis Tygart, disse que eles estão “revendo a decisão do juiz” e resolverão se  querem ou não apelar para uma instância superior. Armstrong tem até a meia-noite desta quinta-feira para dizer à USADA se aceita ou não a arbitragem.

Diana desistiu

Foto: AFP

Bristol (EUA) – Diana Nyad desistiu de novo em sua quarta tentativa de atravessar a nado da Cuba até a Flórida, na distância de 165, 5 quilômetros, sem uma “jaula contra tubarões” para protegê-la. Mais uma vez, os tubarões não foram problema. Os problemas foram uma forte trovoada e águas vivas.

Diana tentou pela primeira vez a façanha em 1978. Ela agora queria comemorar seu aniversário de 63 anos, nesta quarta-feira, com a realização da travessia. Uma  travessia com a qual ela sonha desde que tinha oito anos.

Diana continua com o recorde mundial de distância em travessias, com 165 quilômetros entre as Bahamas e a Flórida. Diz também que vai tentar de novo nadar da Cuba até a Flórida, dizendo que se sente “cheia de saúde”. 

É a campeã mundial da persistência.

Correndo na praia

Bristol (EUA) – Vou passar alguns dias no Rio de Janeiro e  pretendo fazer algo que sempre fiz quando lá morava, desde a década de 50: correr na praia.

De repente há diversos estudos científicos dizendo que correr na areia da praia, seja na areia molhada ou na areia seca, que é mais fofa, é um excelente treinamento. Desde que eu era garoto sempre vi cariocas correndo na areia, sem precisar de médicos, cientistas ou preparadores físicos para aconselhá-los.

Outra coisa que eu sempre soube, naturalmente, é que quando você tem alguma contusão em resultado de corridas, correr na areia ajuda, por um motivo simples: você altera o seu estilo, a sua mecânica de corrida, o seu modo de pisar. Vou assim que, na década de 80, me livrei de uma fascite plantar: em vez de correr no calçadão, calçado, passei a correr na areia, descalço.

Correr na areia dá mais resistência e velocidade por um motivo muito simples: você precisa fazer mais esforço. Os cientistas agora estão dizendo que correr na areia exige 1,6 vezes a energia que você necessita para correr num pavimento. De uma certa forma, é como correr ladeiras acima (para baixo, todos os santos ajudam.)

Creio que estão falando da energia necessária para correr na areia molhada. Para correr na areia seca, deve ser mais ainda.

Na areia, você pode correr distâncias longas ou fazer tiros de velocidade, com repetições. As duas fórmulas são benéficas.