Domínio total

Foto: AFP

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Bristol (EUA) – O que salta à vista nos resultados da Maratona de Berlim, disputada neste domingo na Alemanha, é que continua, sem sinais de esmorecimento, o esmagador domínio dos corredores do leste africano na distância, sobretudo os de Quênia. Atentem para o seguinte: entre os homens, os oito primeiros foram de Quênia, seguidos por dois japoneses. Quer dizer, nenhum europeu, americano ou latino-americano entre os dez primeiros.

Entre as mulheres, as duas primeiras foram da Etiópia, seguidas por uma ucraniana, uma queniana, uma etíope, uma russa, outra queniana, uma alemã, uma britânica e outra etíope.

Não há entre as mulheres um domínio tão claro por parte dos países africanos como entre os homens, mas é importante ressaltar que, por razões culturais, foi apenas recentemente que mulheres africanas começaram a praticar esporte e competir em eventos internacionais. A tendência é que sua presença cresça, assim como seus resultados.

Não houve quebra de recordes em Berlim, o que deve ter decepcionado o queniano Geoffrey Mutai, grande favorito da prova. Como eu explico em um “post” abaixo, Mutai está aborrecido com o fato de não ter sido selecionado por Quênia para a Olimpíada de Londres este ano e queria o recorde para mostrar que ele é o melhor do mundo no momento.

O recorde continua com seu compatriota Patrick Makau, com 2:03:38, em Berlim, no ano passado. Mas o resultado de Mutai neste domingo (2:04:15) também é excelente. A chegada da prova foi muito disputada, com Dennis Kimetto, que é companheiro de treinos de Mutai, apenas um segundo atrás.

Os tempos femininos foram bons. A primeira colocada, Aberu Kebede, conseguiu 2:20:30, e a segunda, Tirfi Tsegaye, 2:21:19. As duas melhores marcas femininas continuam com a britânica Paula Radcliffe, com 2:17:18 em Chicago, em 2002, e 2:15:25 em Londres, em 2003. Há porém uma controvérsia quanto ao tempo de Radcliffe em Londres, onde ela correu junto com homens.

Com a progressão das africanas é bem provável que o próximo recorde mundial feminino venha a ser daquele continente, como já é o masculino há bom tempo.

Insistência burra

Foto: Vipcomm

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Bristol (EUA) – Adriano fez mais uma das suas. É melancólico ver um jogador com tamanho potencial jogar fora sua carreira, como ele o fez. Adriano, para todos os efeitos, não é mais um profissional de futebol. Seu problema é psicológico ou psiquiátrico, mas se a intenção dos clubes que lhe deram grandes oportunidades mesmo quando ele não merecia mais – Roma, Corínthians, Flamengo – era colocá-lo em campo, o objetivo não foi alcançado.

Pelo que sei, o contrato de Adriano com o Flamengo é ou era de risco. Se a diretoria tivesse pensado um pouco, nem o  teria contratado. Sobretudo depois de ter saído de uma experiência ruim com o também complicado Ronaldinho Gaúcho.

Mas Ronaldinho ao menos aparece no gramado. Adriano nem isto. O melhor é por um fim a esta novela. Insistir seria burrice.

Le Grand Robert

Foto: AFP

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Bristol (EUA) – Ligo a televisão no noticiário da BBC nesta manhã de sábado e aparece a história de Robert Marchand, o francês que vai completar 101 anos em novembro e que acaba de percorrer cem quilômetros de bicicleta em 4 horas, 17 minutos e 27 segundos. Se vocês acham pouco, experimentem repetir a proeza.

O mais extrordinário é que Robert começou a andar de bicicleta apenas aos 66 anos de idade, em 1978. Nunca é tarde para aprender.

Robert Marchand diz que nunca fumou em sua vida, mas que sempre apreciou vinho e mulheres.

Bicicletas, vinhos e mulheres, eis um modo agradável de assegurar uma vida longa.

Très bien, Monsieur Marchand. A votre santé.

Cada vez mais rápido

AFP

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Bristol (EUA) – Ontem falei sobre as mulheres na Maratona de Berlim, neste domingo. Hoje escrevo sobre os homens. O favorito é o queniano Geoffrey Mutai, que tem o mais rápido tempo em Maratonas, em toda a história, com seu resultado de 2:03:02, em Boston, no ano passado. Não é recorde mundial porque o percurso de Boston não é aceito para recordes mundiais, por ser ponta a ponta e ter um desnível superior a um metro por quilômetro  entre a largada e a chegada.

Além disto, havia no ano passado um forte vento de oeste, em favor dos corredores. Geoffrey Mutai acha porém que o percurso de Boston é difícil, porque também tem subidas, apesar de ter mais descidas. Ele acha que a irregularidade do percurso torna a Maratona de Boston mais difícil do que a de Berlim, que tem um percurso plano.

Isto significa que ele pretende bater o recorde mundial oficialmente reconhecido, de seu compatriota Patrick Makau, conseguido exatamente em Barlim, no  ano passado, com 2:03:38, quebrando a marca anterior, de Haile Gbrselassie?

Aparentemente sim. Geoffrey Mutai pediu aos organizadores da prova para contratarem um coelho capaz de fazer a primeira metade da percurso em 1:01:40. Além disto, ele terá a companhia de seu compatriotaDennis Kimetto, que tem 59:14 para a Meia Maratona e 1:11:18 (recorde mundial) para os 25 quilômetros.

Há dois anos, Mutai foi o segundo colocado na Maratona de Berlim, com 2:05:10, perdendo exatamente para Patrick Makau, num dia com muita chuva. No ano passado, além de correr Boston em 2:03:02, ele correu Nova York em 2:05:05. Recorde de percurso em ambas as provas.

Para este domingo a previsão é de tempo bom, com oito centígrados às nove horas da manhã, quando a prova se inicia, e 13 graus ao meio-dia.

Se Mutai ganhar neste domingo, vai receber uma medalha de primeiro colocado com a efígie de… Patrick Makau. É bom também recordar que os corredores quenianos são tão bons que nem Mutai nem Makau foram selecionados para representar o país este ano na Maratona Olímpica, em Londres. Mutai ficou de fora porque foi obrigado a abandonar a Maratona de Boston, em abril, queixando-se do calor.

Condições ideais

Bristol (EUA) – Há fortes possibilidades de recordes mundiais da Maratona, tanto entre homens quanto entre mulheres, em Berlim, neste domingo. O percuro é excelente e nele, nos últimos 15 anos, foram estabelecidos sete recordes mundiais. Para tornar as coisas ainda mais interessantes, a previsão é de tempo bom, com temperatura de oito centígrados as nove da manhã, quando a prova se inicia, e de 13 graus ao meio dia.

Entre as mulheres, uma das favoritas é a etíope Aberu Kebede, que foi a vencedora há dois anos, debaixo de chuva, com o tempo de 2:23:58. Uma grande adversária será sua compatriota Bezunesh Bekele. Ambas trainaram forte nas últimas semanas nas colinas próximas de Addis Abeba, capital do país, juntamente com outra boa competidora, Tirfi Tsegaye.

Outra presença importante será a da japonesa Yuri Kano, verterana de 33 anos.

Entre os homens, Geoffrey Mutai, do Quênia, que  tem 2:03:02 na distância, em Boston (tempo que não é reconhecido para recorde mundial), diz estar confiante para ganhar a prova.

Voilà, Armstrong

Bristol (EUA) – Escrevo este “post” especificamente em resposta a uma indagação do leitor Lage, conforme comentários que podem ser lidos mais abaixo.

Esta é a situação de Lance Armstrong: a USADA (United States Anti-Doping Agency) diz ter autoridade legal para bani-lo de provas “sancionadas” (isto é, oficiais) e de anular os sete títulos que ele conquistou no Tour de France, tudo sob a alegacão de estar comprovado que ele usou doping.

Resta saber se tal punição vale internacionalmente. Dentro de mais duas semanas, no máximo, a USADA vai enviar um relatório completo sobre o caso para a WADA (World Anti-Doping Agency) e a UCI (Union Cycliste Internationale). Pat McQuaid, presidente da UCI, e John Fahey, presidente da WADA, já declararam que não tem “qualquer intenção” de divergir das conclusões da USADA, “se não houver fortes motivos para tanto”.

Pat McQuaid, presidente da UCI, disse ainda que, por isto, não hã no horizonte,  no momento, a perspectiva de um recurso à CAS (Court of Arbitration for Sport), na Suíça.

Pat McQuaid disse ainda que, ao decidir não contraditar as conclusões da USADA de que usou doping, Lance Armstrong “para todos os efeitos admitiu sua culpa”.

O que a UCI deseja, no momento, aparentemente, é saber se a USADA vai também punir ex-companheiros de Armstrong, como Floyd Landis e Tyler Hamilton, que confessaram ter usado doping e colaboraram com a entidade para desmascar o colega.

Lance Armstrong, por sua vez, tem tomado parte em competições extra-oficiais e, recentemente, em uma palestra a vítimas do câncer em Montreal, Canadá (Armstrong é famoso também por ter sobrevivido ao câncer e ter criado a Livestrong Foundation), referiu-se a si mesmo como “heptacampeão do Tour de France”.

Voilà.

Mundial de Triathlon – 51

Bristol (EUA) – Depois de alguns dias sem treinar, de volta do Brasil, retomei meus preparativos para o Mundial da Nova Zelândia, no mês que vem. Antes, passarei por Kona, no Havaí, para assistir ao Ironman, que minha filha Rebecca Werneck Stephenson estará disputando.

As modernas viagens de avião são tão ilógicas que descobrimos, minha mulher (Dawn Werneck) e eu, que nos sai mais barato viajar ao Havaí, voltar para Connecticut e, no dia seguinte, pegar novo avião, rumo a Auckland, do que se optássemos pelo óbvio, que seria seguir diretamente do Havaí para a Nova Zelândia.

Em suma, passaremos enorme tempo dentro de um avião e ainda teremos  que enfrentar a gigantesca diferença de fuso horário. Mas, como dizia Leônidas nas Termópilas, combateremos à sombra (atenção: não estou fazendo uma previsão meteorológica para a Nova Zelândia).

Meu outro problema ainda é o joelho esquerdo. Ele funcionou razoavelmente quando estive em fins de agosto no Rio para o Triathlon “Legends” que comemorou os 30 anos de triathlons no Brasil. Agora que reiniciei meus treinamentos, tenho corrido na piscina ou na esteira. Quanto ao ciclismo, o joelho não atrapalha. Na natação, atrapalha um pouco se nado peito, mas no nado livre tudo vai bem. Minha intenção é fazer a maior parte do percuso em Auckland no nado livre, mas o nado de peito tem suas vantagens se você quer descansar um pouco e ter uma visão melhor do percurso.

Outra coisa de que estou cada vez mais convencido é de que é melhor não usar óculos de natação. Eles prejudicam a visão, em vez de ajudar – e, afinal, Johnny Weissmuller foi campeão olímpico, depois virou Tarzan e namorava a Jane numa época em que não havia óculos de natação.

Qualquer nadador das décadas de 40 e 50 (e ainda há muitos por aí) pode confirmar que os treinos em piscina, apesar do cloro, eram feitos sem óculos de natação.

Minha mulher está em grande forma para o Mundial, melhor do que a minha – mas também, pudera, é nove anos mais moça. Ao fim deste “post”, quero dizer que muitas pessoas já me enviaram o vídeo, disponível no YouTube, sobre o Triathlon “Legends” em que eu apareço não apenas durante a prova mas depois, em uma entrevista. Já tentei assistir diversas vezes e não consegui,mas vocês talvez tenham mais sorte clicando em http://vimeo.com/50058453.

Uma ideia de Platini

Bristol (EUA) – Houve muito desmentidos, mas a vontade de fugir do calor infernal de Qatar na Copa de 2022 continua de pé. A mais recente sugestão, segundo o jornal inglês Evening Standard, é adiar a Copa para os meses de novembro e dezembro, em datas a serem ainda determinadas.

A ideia é de Michel Platini, presidente da UEFA, que votou a favor de realizar a Copa em Qatar.

- Acho que eles merecem a Copa – disse Platini – mas não podemos negar que o calor lá nos meses de junho e julho é forte demais. Vamos ter que mexer no calendário europeu, fazendo-o ir até junho de 2013, em vez de maio de 2013, mas não há alternativa. Temos dez anos para resolver o problema.

Não pode ficar assim

Foto: AFP

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Bristol (EUA) – Acredite quem quiser: os funcionários do Comitê Olímpico Brasileiro culpados do roubo de documentos da Olimpíada de 2012 foram demitidos,  seus nomes não foram revelados e a nação toma conhecimento de que “agiram por conta própria, sem ordens superiores”.

O escândalo não pode ser varrido para debaixo do tapete de forma  tão simplista. O Brasil passou uma vergonha internacional e o caso precisa ser apurado até o fim.

O Clube da Mala Branca

AFP

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Bristol (EUA) – “The White Bag Club” – o clube da mala branca. Este era o apelido da turma de ciclistas que se dopavam em competições como o Tour de France, segundo o americano Tyler Hamilton, ex-integrante da equipe de Lance Armstrong, a US Postal Service.

Tyler Hamilton, que acaba de lançar um livro sobre o assunto (“The Secret Race”) diz que nas próximas semanas muitas outras revelações vão  surgir sobre o uso de doping em competições de ciclismo. Pelo que ele conta, dos ciclistas que conheceu em seus diversos anos no Tour de France apenas um se recusava a tomar doping: o francês Christophe Bassons. O italiano Filippo Simeoni tomava mas se arrependeu e parou. Ambos foram relegados ao ostracismo, por iniciativa de Lance  Armstrong, e Bassons teve que encerrar a carreira.

Tyler Hamilton não esconde sua opinião de que, ao longo de todo o tempo, a Union Cycliste Internationale (que vem a ser a Federação Internacional de Ciclismo) foi conivente com a dopagem usada, propagada e incentivada por Armstrong. Este acabou desistindo de protestar sua inocência diante das acusações da Agência Anti-Doping dos Estados Unidos (a USADA), mas sabe-se que Travis Tygart, o diretor da agência, já recebeu três ameaças de morte, obrigando-o a recorrer a serviços de segurança.

Tyler Hamilton acredita que agora, finalmente, o ciclismo internacional começa a limpar sua imagem, embora haja ainda muita coisa a ser esclarecida. Faz também uma revelação curiosa: a turma de Lance Armstrong batizou o hormônio  EPO (Erythropoietin) de Edgar Allan Poe, o conhecido escritor americano. Quando perguntavam se alguém tinha algum Poe ou  algum Edgar disponível, todos sabiam do que se tratava.