Hillsborough foi o marco que deu início à reforma dos estádios ingleses, para dificultar a ação dos torcedores violentos. Agora se faz o mesmo no Brasil, sobretudo no Maracanã, com vistas à Copa de 2014, e, incompreensivelmente, há gente contra, opinando que os torcedores brasileiros precisam poder se manifestar “a seu modo tradicional”.
Foi exatamente esta mentalidade, abrindo caminho a desordeiros e até criminosos, que afastou famílias dos estádios. Espero que a campanha contra as reformas nos estádios não vá em frente. No Brasil há sempre gente que é contra qualquer tentativa de progresso, como acontece, por exemplo, agora mesmo no Rio, com a campanha contra a estação de metrô da Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema.
Dizer, como alegam eles, que a praça é bucólica, é desconhecê-la. Foi bucólica talvez há 50 ou 60 anos. Agora, se a polícia não fica atenta, os pivetes tumultuam a vida dos transeuntes, já sem dizer que estacionar ali perto há muito tempo passou a ser um verdadeiro trabalho de Hércules.
O que se esconde por trás da campanha é simples elitismo. Não querem que “os outros” – quer dizer, os suburbanos – se valham do metrô para chegar à Ipanema e, por extensão, à sua praia.
Vou parar por aqui, pois meu tempo na Internet do aeroporto está para se esgotar. Mas voltarei ao assunto, esperando que as novas investigações sobre Hillsborough sejam mais um motivo para termos estádios com segurança para as famílias poderem comparecer e torcer. E que o povo possa desembarcar na Praça Nossa Senhora da Paz, como em qualquer outra estação do metrô carioca.

A reforma do Maracanã vai diminuir a violência? Como?
Uma das vítimas dessa tragédia era primo do Gerrard, hoje capitão do Liverpool.